Informação Diária de Mercados

ANÁLISE DE MERCADOS FINANCEIROS

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Ontem: “Recuperação em bolsa, volatilidade em obrigações.”

Bolsas em alta: o ES-50 subiu +1,7%, impulsionado pelo setor consumo (Inditex +5,1%) e a tecnologia. Nos EUA, o S&P subiu +1,9% e o Nasdaq avançou ainda mais (+2,7%). Destacaram as subidas da Macys (+19%) e da Dollar Tree (+21%), perante a melhoria dos guidances para o ano.
Sessão volátil no mercado de obrigações. A yield do Bund começou com recuos devido ao tom menos hawkish que o esperado nas Atas da Fed. Contudo, acabou com uma subida de +4,6 p.b., para +0,00%. O prémio de risco dos periféricos diminuiu durante a sessão (-7,1 Itália, -3 p.b. Espanha). A yield das obrigações do tesouro americanas fechou nos 2,75%, sem alterações. Nas divisas, o Dólar perdeu terreno face ao Euro (EURUSD 1,07), perante a revisão em baixa do PIB do 1T nos EUA (-1,5% vs -1,4%) e o tom menos agressivo das Atas da Fed.
O petróleo subiu (WTI 114$/brr +3,4% ) devido à queda de inventários nos EUA e apesar das declarações do Primeiro-Ministro chinês sobre o impacto dos confinamentos na economia. Em resumo, sessão de forte recuperação para as bolsas, volatilidade nas obrigações, fragilidade no Dólar e aumento do petróleo.

Hoje: “Começa a desaceleração no PCE. Sessão de ligeiros recuos nas bolsas após os avanços positivos da semana.”

O índice PCE, indicador favorito da inflação para a Fed, será o protagonista da sessão. O consenso espera um recuo: +6,2% vs +6,6% ant. (Taxa Subjacente +4,9% vs +5,2%). A Fed considera que o restabelecimento da estabilidade dos preços é uma “necessidade incondicional” e a evolução da inflação vai determinar o seu roteiro da política monetária. As taxas de juro vão subir até que a inflação comece a recuar de forma “clara e convincente”.
Os fatores que impulsionam a inflação não são só de procura interna, o que dificulta o seu controlo. A guerra na Ucrânia provoca um encarecimento das matérias-primas. Os confinamentos na China implicam aumentos nos preços dos produtos e inputs industriais. Além disso, nos EUA, a economia encontra-se perto do pleno emprego e o consumo mantém-se sólido. De facto, hoje também conheceremos o dado da Despesa Pessoal de abril, com novos avanços mensais acima da inflação (+0,7% vs +0,2%).
A Fed tem a difícil tarefa de desacelerar a economia o suficiente para travar as pressões inflacionistas, mas não tanto que provoque uma recessão. O mercado desconta duas subidas das taxas de juro de +50 p.b. em junho e julho e três de +25 p.b. nas restantes reuniões do ano, terminando assim o ano no intervalo 2,50%/2,75%.
Para hoje esperamos uma sessão de lateralidade nas bolsas ou com ligeiros recuos. Por um lado, a boa notícia da mudança de direção do PCE já foi descontada parcialmente pelo mercado com a desaceleração do IPC em abril (8,3% vs 8,5% ant). Por outro lado, as bolsas já acumulam importantes subidas esta semana (+4,0% o S&P, +2,5% o ES-50).