Saltar para conteúdo
Imagen

Informação Diária de Mercados

22.10.2026

Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal

Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.

 

22/10/2026

Ontem: “As bolsas sobem com as obrigações em guarda (10 anos francesa em 5,0%) e petróleo Brent perto de 110 $/barril.”

Subidas gerais em ambos os lados do Atlântico graças aos resultados empresariais (+7,8% SpaceX nos EUA, +15,5% EssilorLuxottica na Europa…), embora os investidores se tenham tornado muito exigentes. Por exemplo, Netflix (-5,3%) bateu expetativas (+48% em EPS), mas o ritmo de vendas perdeu força (+12,0%) e o guidance para 4T 2026 não convenceu. 

A geopolítica parece estar estancada até às eleições de meio mandato nos EUA (3/11), apesar dos rumores sobre possíveis negociações entre o Irão e os EUA. Com o inverno a chegar e as reservas de petróleo bruto em níveis inferiores ao habitual, é difícil que os preços da energia relaxem, por isso, o petróleo Brent avalia em ~110,0 $ (vs. 120 $ em abril). 

Com a inflação e os défices fiscais em alta, as obrigações não baixam a guarda: a rentabilidade/yield continua em níveis historicamente altos (T-Note a 10 A ~5,12% e Bund alemão ~3,42%), com a 10 A francesa em nível psicológico de 5,0% (esta sexta-feira, Moody´s revê o rating, agora em Aa3 com perspetiva negativa). 

 

Hoje: “Bolsas com sensação de esgotamento e realização de lucros em tecnológicas.” 

A chave para que as bolsas resistam aos impactos das obrigações e da geopolítica/petróleo está nos resultados. Os números publicados até agora são bons, mas já não é suficiente bater expetativas, e o fluxo de notícias das últimas 24 horas antecipa uma realização de lucros em tecnologia, que é o setor estrela de 2026. 

Ontem após o fecho americano, publicaram Meta, Tesla e Lam Research. Meta surpreendeu positivamente e sobe +1,0% em pré-abertura, mas Tesla (-4,8%) defraudou expectativas e revê em baixa o seu guidance de investimento. Lam Research cai -8,0% ao não melhorar o seu guidance para o 4T 2026.

O efeito na Ásia foi imediato, porque a bolsa da Coreia, que é a mais exposta a tecnologia na região, cai -4,0%. Na Europa, a atenção está no luxo, porque publicam Vendas Hermés (defrauda), Kering e L´OREAL. 

No plano macro, é pouco provável que a Confiança do Consumidor na UE e o Indicador Adiantado nos EUA (ambos às 15 h) mudem o panorama geral, pelo que tudo aponta para uma sessão em baixa na bolsa. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

COREIA DO SUL (01:50 h): O Banco da Coreia (BOK) manteve a sua taxa de referência em 3,0%, em linha com o esperado. A decisão foi unânime. OPINIÃO: A decisão de manter as taxas de juros ocorreu depois da contenção da inflação de setembro até +2,9% a/a (-0,2pp) e da Subjacente, que se situou em +2,8% a/a (-0,6pp). O BoK subiu taxas de juros duas vezes este ano, em julho e agosto, desde 2,50%, no início do exercício. O banco central assinalou mais riscos em alta nas perspetivas de crescimento e inflação em relação a agosto, portanto, não descartamos novas subidas após a pausa da reunião atual.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

21/10/2026

Ontem: “Bolsas mistas, obrigações um pouco mais tranquilas.”

Sessão em modo carrossel. Após um arranque mau nas bolsas, mais tranquilo nas obrigações, notícias posteriormente desmentidas sobre uma possível aproximação entre os EUA e o Irão permitem alguma melhoria do tom. O petróleo bruto relaxa um pouco (Brent -0,7% até 109 $). As obrigações acentuam a moderação das yields, embora França continue a aumentar o seu prémio de risco após o atraso da votação dos seus orçamentos para dia 27 (+6 p.b. até 153 p.b.). A rentabilidade da sua 10A cai -0,8 p.b. até 4,93% vs. Bund -5,5 p.b. até 3,40% e T-Note -3 p.b. até 5,11%. Apoiam umas bolas que esperam com alguma cautela que os resultados 3T confirmem as boas expetativas. Ontem, o saldo foi bastante bom:  RTX (+0,6%), Northrop Grumman (+4,6%), Hallliburton (+1,9%) batem; GM desilude (-6,8%). Europa corrige, mas fecha com ligeiras quedas (Ibex +0,3%), EUA com modestas subidas, apesar de uma tecnologia que continua à espera que os resultados e, principalmente, guias e perspetivas justifiquem os enormes saldos acumulados em 2026. O 3T 2026 será o 7.º trimestre consecutivo com crescimentos de duplo dígito nos EUA, mas as expetativas são elevadas e os riscos movem-se em alta, exceto surpresas na frente geoestratégica. Em suma, sessão mista nas bolsas e de algum alívio para as obrigações. 


Hoje: “O bom tom dos resultados apoiará as bolsas.” 

Hoje abrimos com apoio dos resultados empresariais. Ontem, após o fecho europeu, Adidas (ADR +3,4%) e EssilorLuxottica (ADR +7,9%) batem expetativas. E após o fecho americano, embora Netflix (-5,5% em aftermarket) dececione com as suas guias, Space X (+9,3% ídem) surpreende positivamente. Servirão para tranquilizar os receios de um abrandamento no crescimento das grandes tecnológicas americanas. Na frente macro, o IPC do R. Unido aumenta mais do que o esperado, assentando a expetativa de uma subida de taxas de juros de +25 p.b. por parte do BoE, até 4,0%, na sua próxima reunião, a 5 de novembro. Com novos aumentos esperados de inflação, um mercado laboral forte e um orçamento que será aprovado a 24 de outubro e que parece razoável, o BoE unir-se-á aos principais bancos centrais que já fizeram movimentos preventivos para evitar efeitos de segunda ronda do aumento brusco do preço da energia. Movimento descontado, a atenção continua nos lucros empresariais. Especialmente das grandes tecnológicas americanas que devem apoiar o enorme esforço em capex que arrasta semis/componentes/hardware/infraestruturas e a expetativa de que esse esforço será rentável. Hoje publicam 26 empresas nos EUA, 14 na Europa, mas o foco estará especialmente em Meta e Lam Research que publicam após o fecho, como protagonistas da IA. O petróleo aumenta (Brent +1,6% até 110 $) e yields das obrigações também um pouco (T-Note +1,7 p.b. até 5,13%), mas as bolsas poderão mostrar melhor tom se os resultados continuarem a acompanhar. 


CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00 h): A inflação aumenta 4 décimas em setembro até +3,5% (vs. +3,4% esperado e 3,1% ant.) com a Subjacente a aumentar até +2,8% (vs. +2,7% est. e 2,6% ant.). OPINIÃO: O IPC aumenta pelo terceiro mês consecutivo e alcança o nível mais alto desde outubro de 2025 (+3,6%), num contexto marcado pela subida nos preços da energia, que é a principal causa do aumento, embora também comecemos a ver aumentos nas secções subjacentes, com os Serviços a crescerem +3,7% (vs. +3,6% esperado e +3,4% anterior). Este dado reforça as expetativas de uma subida de taxas de juros na próxima reunião do Banco de Inglaterra, em novembro. 

EUA (ontem): Continua a debilidade do imobiliário residencial num contexto de taxas de juros altas. O número de habitações iniciadas enfraquece até 1.221 M em setembro (vs. 1.305 M esperado vs. 1.288 M ant.), com as Autorizações de Construção estáveis em 1.400 M (vs. 1.403 M ant.). OPINIÃO: A obra nova residencial mantém-se em níveis historicamente baixos e as autorizações de construção não antecipam uma mudança de tendência para melhor porque: (i) o custo médio de financiamento hipotecário a 30 anos alcança níveis não vistos desde 2023 (~7,5% em outubro vs. 6,2% em dezembro de 2025) e (2) o preço médio da habitação cresce a um ritmo inferior à inflação (+2,5% no índice de preços S&P Case-Shiller vs. +3,8% no IPC), que desincentiva assumir o risco de promoção com os custos de construção em alta e a rentabilidade/yield das obrigações em níveis interessantes (~5,1% no T-Note a 10 A). Como referência, o indicador que mede a Confiança dos promotores imobiliários situa-se em níveis não vistos desde 2012 (29 pontos em outubro vs. 47 em janeiro 2025). O problema é que não se vislumbra uma mudança para melhor, porque ainda faltam 2 subidas de +25 p.b nos Fed Funds por parte da Fed, até 4,25%/4,50% Fed Funds (vs. 3,75%/4,0% atual) no 4T2026/1S2027. 

ALEMANHA (ontem): O Indicador de Sentimento Económico/ZEW na Alemanha descende em outubro, interrompendo 5 meses consecutivos de melhoria. O indicador que mede o Sentimento dos investidores e analistas surpreende negativamente ao piorar em outubro de 2026 até 28,1 pontos (vs. 30,0 esperado vs. 34,7 anterior). OPINIÃO: A inflação e o aumento na yield das obrigações a longo prazo pesam sobre as perspetivas dos investidores. A componente que mede a Situação Atual melhora até -35,9 pontos (vs. -44,5 esperado vs. -47,5 ant.) e regista 4 meses consecutivos em alta, apesar da geopolítica, provavelmente porque a atividade e o emprego evoluem melhor do que o esperado neste contexto. Como referência, o PIB da UE cresceu +1,0% no 2T 2026 (vs. +0,7% estimado vs. +0,5% no 1T 2026). Em relação às perspetivas, é normal que o sentimento dos investidores se ressinta pontualmente, porque: (i) a inflação supera amplamente o objetivo do BCE (+3,8% em setembro, com a Taxa Subjacente em +2,5%) e (ii) o preço do petróleo Brent supera a barreira psicológica de 110 $/barril e os preços do Gás na Europa alcançam níveis não vistos desde novembro de 2022. Link para o relatório completo (em espanhol). 

EUA/Nota especial: As eleições de meio mandato a 3 de novembro determinarão a margem de atuação da Administração Trump durante os próximos 2 anos. Os democratas partem como claros favoritos para recuperar a Câmara de Representantes, enquanto o Senado apresenta uma disputa muito mais renhida, embora ao Senado, nas últimas estimativas, também lhes conceda uma ligeira vantagem. Historicamente, as bolsas mostraram um comportamento favorável após as midterms, com uma reavaliação média de +13% a seis meses e +15% a doze meses. Por setores, uma maioria democrata favoreceria previsivelmente a saúde, renováveis, veículos elétricos e consumo, enquanto uma maioria republicana seria mais favorável para defesa, petróleo e gás, infraestruturas ligadas à IA, indústria, nuclear e bancos. Consulte o nosso relatório completo (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

20/10/2026

Ontem: “A tecnologia recupera à custa das obrigações.”

O alívio que as obrigações europeias ofereceram na semana passada acabou por ser apenas uma breve miragem. Ontem, as rentabilidades voltaram a subir com força. França atravessa um momento especialmente convulso e propôs a votação dos seus orçamentos para dia 27. Com isso, liderou o aumento (+14 p.b. até 4,94%), seguido a curta distância por Itália (+8 p.b. até 4,57%) e Espanha (+4 p.b. até 4,07%). Podemos dizer que se rompeu o circuito de procura de refúgio das sessões anteriores. O fluxo de fundos voltou a dirigir-se para tecnologia à custa das obrigações. Era uma questão de tempo para que acontecesse, porque a suavização das yields em nenhum caso derivou de uma melhoria no perfil fiscal dos governos (dívida e défice) nem da macro (perspetivas de inflação) nem da geopolítica (Irão/petróleo). E o castigo na tecnologia americana foi demasiado acentuado. No conjunto da semana, retrocedeu -5,5% e os semis -11,4%. Ontem subiram +1,2% e +1,6%, respetivamente, enquanto os índices europeus caíam (-0,9%) e o euro deslizava face ao dólar (-0,2% até 1,121). 

Em suma, a tensão voltou às obrigações europeus enquanto a tecnologia americana recuperou. 

 

Hoje: “Atenção aos resultados: são a grande chave a vigiar.” 

Os índices asiáticos retrocedem com a Coreia a liderar (-4%), penalizada pela saída à bolsa de Elice (centros de dados) que cai -35%. Com as obrigações sob tensão (França ontem +14 p.b. até 4,94%) e o petróleo perto de 110 $, os lucros empresariais ganham interesse especial. Nos últimos meses, a sua evolução tornou-se o grande apoio das bolsas. Apesar de um contexto altamente incerto, os índices europeus sobem no ano +6% e +12% aprox. os americanos. Sem esquecer os +17% da tecnologia americana e +60% dos semis. Hoje publicarão RTX (antes da abertura; 1,79 $·; +5,1%), Halliburton (antes da abertura; 0,58 $·; +34,4%), Netflix (21:00 h; 0,82 $; +39%) e SpaceX (21:30 h; 0,15 $). De momento, a temporada de resultados, apesar de mostrar bons resultados, transmite alguma intranquilidade, porque reflete uma perda de dinamismo. Por isso, é vital que os resultados e as mensagens das empresas não dececionem. Não só hoje, mas ao longo da semana, quando publicarão pesos-pesados como Meta, Tesla, Lam Research, SAP e Western Digital. 

Até conhecermos estes números, as bolsas mostrar-se-ão erráticas e dificilmente avançarão. Será assim hoje. A macro ficará para segundo plano. Acontecerá com o ZEW alemão (10 h), que não terá capacidade para dirigir o mercado. As obrigações, o petróleo e os lucros são as chaves a vigiar.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Os Preços de Produção Industrial (PPI) surpreendem negativamente em setembro e registam a maior subida desde março de 2023, após subirem +6,7% (vs. +6,2% esperado vs. +5,4% ant.). OPINIÃO: É uma má notícia para a inflação (efeitos de segunda ronda?) e para as margens empresariais, e explica-se pelo encarecimento da energia (+14,9%). Além disso, o PPI, excluindo energia, sobe de +3,2% e reflete alguma pressão em alta nos preços de toda a cadeia produtiva, especialmente em metais e produtos químicos.

CHINA (02:00 h): O PBOC (b.c.) cumpre as expetativas e mantém as taxas de referência LPR dos empréstimos a 1 e 5 anos em 3,00% e 3,50%, respetivamente. - O PBOC mantém as taxas de juros estáveis pelo 17.º mês consecutivo. OPINIÃO: Era uma medida esperada, porque o PIB cresce a um ritmo de +4,5% no 3T 2026 (vs. +4,5%/+5,0% objetivo para 2026) e a inflação continua em níveis historicamente baixos (+0,9% em set. vs. ~3,0% objetivo) apesar do aumento nos preços da energia. O mais importante é que o PBOC estuda reforçar o papel da taxa repo overnight (7-day reverse repo) que passaria a ser a taxa de referência para o mercado. A ideia do PBOC é melhorar a liquidez e a eficiência da política monetária, mas, na realidade, implicaria manter as taxas de juros baixas. Como referência, a taxa repo a 7 dias situa-se atualmente em 1,37%.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

16/10/2026

Ontem: “Sessão de rotação para obrigações desde tecnologia.”

Sessão de entrada de fluxos no mercado de obrigações (subida de preços), enquanto nas bolsas se produziam realizações de lucros na Tecnologia, onde se começa a observar mais intensamente a qualidade de crédito das emissões. Destacar o bom comportamento da Defesa na Europa (+1,8%). 

As rentabilidades das obrigações americanas caem -12,7 p.b. no T-Note, situando-se em 5,06%. No mercado europeu, o Bund -5,4 p.b. (3,4%) e estreitamento dos spreads; França reduziu-o em -3,2 p.b. e situa-se em +138 p.b. (+4,79%), Itália -1,4 p.b. e está em +107,1 p.b. (4,48%), e Espanha reduziu -1,2 p.b. até 60,9 p.b. (4,02%).

Os dados macro passaram ligeiramente despercebidos, mas cabe assinalar Vendas a Retalho nos EUA (exceto gasolinas) que continuam a crescer, embora de forma moderada +0,2%; enquanto os Preços Industriais mostraram uma pressão em alta superior à esperada (+6,3% a/a desde +5,6% ant.) e até na sua leitura subjacente +5% (desde 4,8% ant.).

Em suma, sessão marcada pela rotação para o mercado de obrigações, desde especialmente nomes vinculados à tecnologia. 

 

Hoje: “Declarações de Warsh no FMI dão lugar a um maior protagonismo empresarial na próxima semana.” 

Esta madrugada, K. Warsh realizava declarações desde o FMI, últimas antes do início do período de blackout anterior à reunião da Fed (28 de outubro). A sua mensagem destacou a independência do banco central e assinalou que as consequências da IA serão positivas em produtividade, mas com um caminho complicado. Na nossa opinião, após a recente subida e a proximidade das eleições de meio mandato (3 de novembro), o próximo movimento será na reunião de 9 de dezembro, quando atualizada também o seu quadro macro. 

O resto da sessão conta com escassas referências, dados finais de inflação na UE (3,8% geral e 2,5% subj. prelim); e Produção Industrial nos EUA onde se espera uma ligeira aceleração +0,4% m/m (set.). Na próxima semana, o protagonismo estará no lado empresarial, onde a temporada de resultados acelera. Destaque para tecnológicas como Lam Research, SAP, Meta; as vinculadas a energia/utilities como NextEra, Iberdrola e ENI e vinculadas a defesa como RTX, Lockheed Martin. Em suma, hoje sessão de estabilização em obrigações e ligeiras subidas nas bolsas, à espera das mensagens do 3T 2026, especialmente das empresas de tecnologia.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

Fed (ontem): Warsh não acrescenta novidades na sua intervenção na reunião anual do IMF. Principais mensagens: (i) descarta adiantar próximas decisões, (ii) a inflação continua a ser a principal preocupação da Fed, (iii) destaca a força do crescimento apesar dos choques recentes, (iv) insiste na importância da independência e credibilidade do banco central, (v) as consequências da IA serão positivas em produtividade e riqueza a longo prazo, mas a curto prazo o impacto é incerto. OPINIÃO: Sem surpresas. Contudo, perante uma mensagem continuísta e sem exercer um tom hawkish (duro) após um IPC de setembro que surpreendeu em alta (+3,7% vs. +3,6% esperado e +3,4% anterior), o mercado reduz as expetativas de uma nova subida de taxas de juros em outubro e o dólar debilita-se ligeiramente. O nosso cenário central contempla uma subida de taxas de juros de +25 p.b. da Fed depois das eleições de meio mandato, e outra de +25 p.b. em 2027.

EUA (ontem): (i) Vendas a Retalho (set.) surpreendem positivamente após aumentarem +0,8% m/m em setembro vs. +0,3% esperado vs. +1,3% anterior (revisto desde +1,2%). As vendas, excluindo automóveis, +0,9% m/m vs. +0,5% esperado +1,4% ant. e Grupo de Controlo em +0,1% m/m vs +0,3% esperado vs +1,2% ant. O dado anual reflete também sólidos crescimentos em +6,3% a/a, excluindo automóveis +7,2% e Grupo de Controlo +4,7% a/a. OPINIÃO: Os números vêm marcados, pelo segundo mês consecutivo, pelo aumento das Vendas em Gasolineiras (+6,4%), que distorcem o indicador. Por este motivo, os números excluindo automóveis e gás crescem de forma muito mais moderada (+0,2%). Em todo o caso, o facto de não vermos contração das Vendas a Retalho é uma boa notícia, porque ocorre num contexto de incerteza geopolítica, com os preços da energia em alta e uma inflação que supera o objetivo da Fed (+3,7% em setembro) e que prejudica o poder dos lares. Link para a nota (em espanhol).; (ii) Os Preços à Produção (PPI) de setembro saem acima do esperado: +6,3% a/a vs. +5,3% esperado vs. +5,4% anterior. Em dados m/m: +1,3% vs. +0,5% esperado vs. +0,4% anterior. Na taxa subjacente (sem energia nem alimentos), também sai acima do esperado:  +5,0% a/a vs. +4,4% esperado vs. +4,6% anterior. OPINIÃO: Os Preços Industriais nos EUA continuam em alta (em linha com o que vimos com os números do IPC, há dois dias), o que demonstra que se mantém o aumento das pressões nos preços a nível global no atual contexto geoestratégico. Estes maiores preços de produção fazem prever também uma repercussão progressiva para os preços dos consumidores finais.

UE (ontem): Produção Industrial de agosto abaixo do esperado: -1,1% a/a vs. -0,1% esperado e -0,3% anterior (revisto desde +0,0%). Em termos intermensais, o dado também é mais débil do que o esperado: -0,5% vs. +0,0% esperado e -0,3% anterior (revisto desde -0,1% anterior). OPINIÃO: A Produção Industrial situa-se abaixo do esperado e é o quarto mês consecutivo que se posiciona em negativo (a/a). Dados fracos que respondem a um contexto de moderação da atividade perante a situação atual de incerteza geopolítica e de elevados preços do petróleo e gás.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

15/10/2026

Ontem: “Aumento maior do que o esperado na inflação americana e deceções em bancos. Tecnologia continua sob pressão.”

Volatilidade nas obrigações. Nos EUA, a yield do T-Note chegou a aumentar +11 p.b. até 5,32%, após a publicação do IPC americano. A inflação aumentou em setembro ao ritmo mais rápido em cinco meses (+0,6% m/m vs. +0,4% ant.), alcançando +3,7% a/a vs. 3,6% est. e +3,4% ant. Contudo, conforme a sessão avançou, os investidores voltaram a focar-se no atrativo nível absoluto de rentabilidade do T-Note, que terminou com um retrocesso de -2 p.b., até 5,19%. Na Europa, a yield do Bund fechou sem alterações, em 3,47% e o spread das periféricas voltou a ampliar-se com França a liderar. A obrigação a 10 anos francesa aumentou +4 p.b até 4,88%. 

Bolsas em negativo nos EUA (-1,1%) e avanços moderados na Europa (+0,4%). O mau dado do IPC e algumas deceções nos resultados de bancos pesaram sobre a bolsa americana. As ações de Bank Of America caíram -5,5% após incumprir as estimativas e os resultados de Morgan Stanley tampouco foram bem recebidas no mercado (-3,4%). Na Europa, as bolsas encontraram apoio nos bons resultados de ASML (+1%) e na recuperação do setor de defesa (Rheinmetall +3%, Airbus +2%, Indra +1%). A tecnologia americana (-2%) ficou novamente para trás e os semicondutores sofreram outra sessão de quedas (-4%).

 

Hoje: “Sessão de menos a mais. Os sólidos resultados de TSMC e avaliações mais atrativas poderão impulsionar a recuperação.” 

Sessão intensa em referências macro desde os EUA enquanto na frente empresarial o foco estará nos resultados de TSMC e em Anthropic. Os dados americanos apontam para uma certa perda de vigor no ciclo económico e a persistência das pressões inflacionistas. Pelo lado do consumo, as Vendas a Retalho desacelerariam até +0,3% m/m vs. +1,1% ant., refletindo perda de impulso na despesa dos lares. Do lado industrial, veremos indícios de arrefecimento com um retrocesso no inquérito Industrial da Reserva Federal de Filadélfia (28 vs. 38 ant.). Em relação às pressões inflacionistas, os preços industriais (PPI) aumentariam +0,7% m/m vs. +0,4% ant., refletindo o impacto do encarecimento da energia sobre os custos de produção. Em termos interanuais, manter-se-iam em +5,4%. Na frente micro, TSMC publicou, à primeira hora, sólidos resultados, batendo as estimativas do consenso (EPS +69% vs.+63% est.). Por sua vez, Anthropic anunciou um aumento de +50% em receitas no 3T (até 16.800 M$), com um ritmo mais moderado do que o registado no início do ano. A ideia do grupo é começar o processo de saída à bolsa, a 9 de novembro. 

Em relação aos mercados, o aumento na yield das obrigações reduz o atrativo dos ativos de risco. Além disso, os investidores voltam a mostrar preocupação pela rentabilidade final dos investimentos em IA. Para a sessão de hoje, o tom da primeira hora é de cautela. As bolsas asiáticas vêm com quedas (Coreia –7% e Japão -5%) e os futuros apontam para uma abertura em negativo (Europa -1,0% e EUA -0,4%). Contudo, pensamos que o saldo poderá melhorar conforme a sessão avança, com o apoio dos sólidos resultados de TSMC e avaliações mais atrativas após os retrocessos da semana (-1,2% nos EUA, -3% em tecnologia e -7% em semis).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): O IPC aumenta uma décima a mais do que o esperado até +3,7% a/a em setembro, desde +3,4% anterior. Em termos intermensais, aumenta até +0,6% desde +0,4%, em linha com o estimado. A taxa subjacente também aumenta uma décima mais do que o esperado, até +2,6% a/a, desde +2,4%. Em termos intermensais, situa-se em +0,3% vs. +0,2% esp. O aumento volta a estar causado pelos preços da energia (+20,4% vs. +16,3% em agosto). Os preços do petróleo bruto subiram bruscamente na primeira metade de setembro, antes de corrigir em baixa na segunda metade, para acabar a terminar o mês com +5%, embora a subida do diesel tenha sido maior, passando de 5,6 $/galão para 6,38 $/galão (+14%). Embora também tenha havido aumento nas secções subjacentes, como Serviços, que aumentaram +0,4% m/m (vs. +0,3% em agosto). OPINIÃO: Mau dado, já que deste vez o aumento não é só pela energia, mas também aumentam secções subjacentes como habitação, automóveis e vestuário, fazendo aumentar as probabilidades que o mercado desconta para uma subida de taxas de juros por parte da Fed, na reunião de outubro.

EUA (ontem): O Livro Bege assinalou: (1) em relação à atividade, um crescimento misto e mais moderado: dois distritos reportaram crescimento moderado, três modestos, quatro leves e três sem mudanças significativas. O crescimento focou-se principalmente em industriais (especialmente robusto em Dallas e impulsionado por defesa, centros de dados e geração de energia), enquanto no resto dos setores o avanço foi muito limitado. As perspetivas mantêm-se positivas, embora inclinadas para um crescimento ligeiro e prejudicas por incertezas (energia, impostos alfandegários e política). (ii) Em relação ao mercado laboral, mostrou pouco ou nenhuma mudança líquida na maioria dos distritos, com apenas aumentos modestos ou leves em alguns. (iii) E em relação aos preços, as pressões intensificaram-se: três distritos qualificaram o crescimento de preços como robusto, oito como moderado (e três desses assinalaram que as pressões de custos de inputs estavam a intensificar-se) e quatro distritos reportaram uma aceleração do ritmo face ao relatório anterior. Nenhum distrito observou moderação. O principal impulsionador foram os elevados preços do petróleo e diesel, junto com tarifas e seguros. OPINIÃO: Mensagem menos confortável para a Fed do que a de setembro. O crescimento desacelera fora de industrial e as pressões inflacionistas voltam a aumentar, principalmente por energia, dando mais argumentos aos membros mais hawkish para a reunião de finais de outubro.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

14/10/2026

Ontem: “Sessão de mais a menos. Calma tensa em obrigações e primeiros resultados que não serviram de estímulo.”

Sessão de mais a menos nas bolsas com N. Iorque (0,0%) melhor do que Europa (-0,5%). A tecnologia/semis aguentou razoavelmente bem (-0,2%) apesar do fabricante chinês CMXT anunciar uma nova geração de memórias DRAM que prejudicou ca. -6% a Coreia (SK Hynix -10%, Samsung -8%).

Em obrigações, calma tensa. Ontem tiveram uma pausa, embora pareça cedo para afirmar que “o pior já passou”, porque pouco ou nada mudou em termos de défices, políticas ou geoestratégia. Por isso, as yields mantiveram-se em níveis máximos em 2 décadas: T-Note 5,21%; Bund 3,47%; O10A francesa 4,85%… Por sua vez, intervenção de vários membros da Fed. A mais destacável foi a de Williams (Fed N. Iorque), que mostrou um tom dovish/suave, apontando para mais uma subida em 2026, embora provavelmente não seja necessária outra em 2027. Veremos… 

Na frente micro, os primeiros bancos americanos publicaram bons números, embora não movessem as guias e tenha sido insuficiente para servir de impulso: JP Morgan (-0,9%), Goldman (-0,2%) e Wells Fargo (-3,1%). 

Em suma, bolsas em baixa e algum alívio nas obrigações.

 

Hoje: “ASML não defrauda. Publicam mais bancos americanos. E com a atenção posta no IPC americano de setembro.” 

Tom bastante positivo (+0,5%?) após ASML publicar resultados 3T a bateram estimativas (EPS +136% vs. +95%) e melhorar guias 4T. Será um catalisador para a tecnologia. Além disso, hoje Anthropic (IA/não avaliada) atualizará os seus resultados 3T, mas só para um grupo de investidores selecionado, portanto, consideramos improvável que influencie na sessão de hoje devido a essa opacidade. Enquanto isso, publicarão mais bancos americanos: Bank of America (11:45 h) e Morgan Stanley (12:30 h), embora não acreditemos que servirão de apoio para a sessão, como tampouco aconteceu ontem.

A outra referência do dia será a inflação americana (set.) às 13:30 h. Aumentará até +3,6% desde +3,4%, principalmente como consequência do aumento do petróleo (WTI +5% no mês). Contudo, a chave está na Taxa Subjacente (+2,5% esperado vs. +2,4%), para averiguar se o encarecimento da energia gera efeitos de segunda ronda… algo que não ocorre, por agora. Este dado será fundamental, porque se sair como esperado, aumentará a probabilidade da Fed não subir taxas de juros na sua reunião a 28 de outubro. Estimamos: repetirá em 3,75%/4,00% a 28 de outubro, e +25 p.b. a 9 de dezembro, até 4,00%/4,25%. Veremos…

Em suma, hoje tom positivo graças ao apoio dos resultados empresariais, embora com a atenção no IPC americano.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (07:00 h): (i) O IPC de setembro sobe menos do que o esperado, até +0,9% vs. +1,0% esperado e +0,8% anterior; (ii) Os Preços Industriais aumenta acima do esperado até +5,0% vs. +4,40% esperado e +3,80% anterior. OPINIÃO: Mantém-se a tendência que vimos durante os últimos meses: pressões de custos na indústria, que apenas se repercutem ao consumidor. O aumento dos preços industriais corresponde a fatores de oferta externos, principalmente energia e um pouco de procura industrial, principalmente tecnologia relacionada com a IA, mas não corresponde a um aumento geral da procura interna. Isto costuma traduzir-se numa deterioração das margens empresariais. (iii) O superavit comercial da China situa-se acima do esperado, em 133.500 M$ (vs. 117.780 M$ est. e 119.090 M$ anterior). As exportações cresceram +36,3%, graças à forte procura de produtos de alta tecnologia ligados ao boom de infraestrutura de IA. Também aumentaram com força os veículos (+56%), enquanto as importações cresceram +31%, impulsionadas por restocking prévio à Golden Week, procura de hardware de IA, e preços mais altos de petróleo e matérias-primas. OPINIÃO: Dado positivo, que confirma o setor exportador como o grande motor da economia chinesa, embora o desequilíbrio estrutural continue a aumentar. A procura interna continua a ser muito débil e o crescimento das exportações não é homogéneo, já que enquanto o setor tecnológico cresce com força, os setores tradicionalmente exportadores, como o vestuário, móveis ou brinquedos, continuam sob pressão por custos laborais, concorrência do Sudeste Asiático e perda de quota de mercado. Isto está a tornar a China cada vez mais dependente do ciclo de investimento em IA, que não será eterno.

FED/EUA (ontem): O presidente da Fed de Nova Iorque, John Williams, considera apenas mais uma subida de taxas de juros este, o objetivo de reconduzir a inflação, e nenhuma em 2027. Afirmou que espera que a inflação (+3,4% a/a) desacelere gradualmente, aproximando-se do intervalo objetivo (+2,0%) em 2027. Acrescentou que as pressões inflacionistas a curto prazo se veem afetadas pelo aumento dos preços energéticos e o investimento derivado do setor tecnológico. OPINIÃO: Notícia positiva. Williams adotou um tom menos hawkish/duro do que o esperado. O nosso cenário central contempla uma subida de taxas de juros em 2026 e outra em 2027, até manter as taxas de juros em 4,25%/4,50%.

EUA (ontem): As Vendas de Habitações Usadas aceleraram acima do esperado após 3 meses de moderação. As Vendas de Habitações Usadas aumentaram em setembro até 3,99M vs. 3,95M esperado vs. 3,93M anterior (revisto em baixa desde 3,98M). Em termos intermensais, aceleraram +1,5% vs. -0,8% esp. vs. -3,2% ant. (revisto desde -2,0%). OPINIÃO: Dados positivos, mas com impacto limitado no mercado. O preço médio aumentou até 417.500 $ (+1,3% a/a). Além disso, as taxas hipotecárias continuam a atuar como travão para o mercado imobiliário americano. A taxa média a 30 anos situa-se em 7,23% desde 6,73% em agosto e 6,25% em dezembro de 2025. As transações de habitação usada continuam abaixo da sua média histórica (~5,17M), num contexto de maiores pressões inflacionistas. A evolução do conflito no M. Oriente será fundamental, tendo em conta o seu impacto direto na inflação e taxas de juros. Link para o bróker (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

09/10/2026

Ontem: “Forte aumento do petróleo. Correção nas bolsas.”

Sessão de quedas nas bolsas ao som do aumento do petróleo. As yields das obrigações, após uma sessão volátil, fecharam com ligeiros cortes, exceto o Bund e O10 francesa (Bund +2 p.b. até 3,49%, França 10A +3 p.b. até 4,89%, T-Note -6 p.b. até 5,23%). Fontes norte-americanas divulgaram que os EUA estariam a estudar regressar aos ataques militares no Irão antes das eleições de meio mandato de 3 de novembro, impulsionando o petróleo com força (Brent +4,1%), pesando sobre as bolsas, e a Europa caía -0,9%. Com a Europa já fechada, Trump desmentiu as informações e o petróleo moderava os ganhos. Não impediu as quedas também na bolsa americana, lideradas por tecnologia (-1,4%) e semis (-3,4%). Reagiam ao anúncio de que as receitas anualizadas de Open AI se situavam em 50.000 M$, abaixo dos 70.000 M$ esperados pela empresa, que acrescenta dúvida sobre a capacidade de rentabilizar os investimentos em IA.

As obrigações, que continuam a ser o foco principal do mercado, viveram uma sessão volátil, embora se tenham relaxado após os comentários de Trump e um leilão de obrigações a 30 anos nos EUA com sólida procura (Bid/Cover 2,54x vs. uma média recente de 2,42x).

 

Hoje: “Ligeiros cortes no prelúdio de uma semana importante.” 

Petróleo e obrigações continuarão a marcar o pulso do mercado. Somos cautelosos porque a pressão sobre a dívida francesa não se aliviará a curto prazo. Na próxima semana começa o debate parlamentar na França para aprovação de orçamentos 2027. Com o hemiciclo dividido, é de esperar que o ceticismo quanto à sua capacidade de consolidação orçamental se mantenha e que o nervosismo no mercado da dívida, que se estende ao resto da Europa e ao euro, não desapareça (1,124/$). 

Contudo, hoje à primeira hora o tom é um pouco melhor, porque o que penalizou a sessão de ontem, hoje poderá ser um impulso: (i) o petróleo bruto enfraquece (Brent -1,4% até 102,8 $) e (ii) um novo relatório aponta que Open AI espera superar os 70.000 M$ em receitas anualizadas no final do ano. 

O mercado já tem a atenção na próxima semana, carregada de referências de primeira linha: (i) início da temporada de resultados 3T’26 na terça-feira, com os bancos americanos, (ii) IPC de setembro nos EUA, na quarta-feira, e (iii) a reunião anual do FMI e do Banco Mundial (toda a semana), onde acontecerão intervenções dos banqueiros centrais de todo o mundo.

Em suma, o tom hoje é positivo e deveremos ver uma sessão de subidas, sem muita alegria porque a próxima semana está carregada de eventos de primeira linha.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

UE (ontem): Atas do BCE: mensagens principais: as perspetivas de inflação deterioraram-se pela persistência do choque energético derivado do conflito no M. Oriente, com um forte aumento dos preços do gás, petróleo e combustíveis refinados. Embora a economia da UE continue a mostrar maior resiliência do que o previsto, o BCE considera que os riscos para a inflação continuam com tendência em alta, enquanto para o crescimento continuam a ser em baixa. Neste contexto, o Conselho apoiou de forma unânime a subida de +25 p.b. das taxas de juros oficiais até 2,50%/2,65% (depósito/crédito), destacando que a inflação permanecerá acima do objetivo durante mais tempo e que a inflação subjacente continuará acima de +2% ao longo do horizonte de previsão (2028). O BCE reiterou que irá manter uma abordagem dependente dos dados e a cada reunião, sem se comprometer com uma série futura de taxas de juros. O BCE elevou as suas previsões de IPC (médio): 2026 +3,0%, 2027 +2,5% (+0,2pp), 2028 +2,1% (+0,1pp); também de crescimento de PIB: 2026 +09% (+0,1pp), 2027 +1,4% (+0,1pp), 2028 +1,5%. OPINIÃO: Tom claramente hawkish. O BCE considera que o choque energético está a ser mais persiste do que o esperado e mantém aberta a porta a novas subidas se os riscos inflacionistas derivados da energia terminarem por se repercutir nos salários e preços de forma mais ampla. Antecipamos mais uma subida de taxas de juros de +25 p.b. em 2026 e outra em 2027, até 3,00%/3,15% (depósito/crédito). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise
 

08/10/2026

Ontem: “Sessão de quedas nas bolsas, marcada novamente pela incerteza das yields das obrigações.”

Na sessão de ontem tivemos cortes nas bolsas (Europa -1,5%; EUA -0,2%; Tecnologia -0,2%; Semis -1,1%), afetadas por yields das obrigações que aumentavam de forma geral (e, em especial, França O10A: +11,8 p.b. até 4,86% e Itália O10A: +9,7 p.b. até 4,62%). O protagonismo esteve no setor bancário europeu, que caiu -3,3% (bancos franceses: -4%/-5%), prejudicados pela potencial deterioração a curto prazo das suas carteiras de obrigações. Na frente macro, a sessão praticamente não teve nenhuma referência relevante, e o foco esteve nas Atas da Fed (reunião 16/17 de setembro), que foram publicadas com a Europa fechada. Tal como esperado, as Atas mostram um tom hawkish/duro com um consenso muito elevado sobre a necessidade de realizar uma subida adicional antes do final do ano (até 4,00%/4,25%). Além disso, a maioria dos membros do Comité mostrou a sua preocupação por riscos de inflação cuja tendência consideram que continua em alta.

 

Hoje: “Mantemos a tendência de cautela perante um mercado que continuará pressionado a curto prazo devido ao aumento das yields.” 

A sessão de hoje, no plano macro, vem marcada por duas referências: (i) em primeiro lugar, a reunião do Eurogrupo, onde poderão ser apresentados os candidatos para substituir Schnabel no Conselho do BCE (após ser anunciada a sua ida para o FMI, no final do ano). Além disso, este movimento implica o início de um processo triplo que afeta também a substituição de Lane (Economista-chefe) e Lagarde (Presidente), cujos mandatos terminam em 2027; (ii) Em segundo lugar, conheceremos as Atas do BCE (12:30 h), que poderão dar pistas adicionais sobre os futuros movimentos da política monetária, num momento especialmente delicado como o atual. 

Além disso, na frente empresarial, hoje à primeira hora conhecemos os resultados preliminares de duas grandes tecnológicas asiáticas: TSMC e Samsung. No caso de Samsung, os resultados ficaram um pouco abaixo do esperado (o valor cai -1,6%) e TSMC, por sua vez, bateu expetativas (Vendas 3T´26: +51% vs. +47% esp.). 

Consideramos que a curto prazo os mercados vão continuar pressionados pelo aumento geral das yields das obrigações (especialmente as francesas). Por outro lado, o contrapeso continua nos excelentes crescimentos dos lucros empresariais. A temporada do 3T 2026 começará nos EUA, em meados da próxima semana, e espera-se novamente que os resultados sejam muito positivos (EPSe: +30,2% a/a). 

Neste contexto, e à espera de que se confirmem estas boas expetativas de resultados, não descartamos que as bolsas possam ter um período de descanso, especialmente tendo em conta as generosas subidas acumuladas até ao momento do ano. 


CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA/FED (ontem): As Atas da última reunião (16 de setembro) mostram um tom hawkish/duro. As mensagens principais das Atas: (i) “A maioria dos participantes considerou que provavelmente seria apropriada outra subida de taxas de juros antes do final do ano”. (ii) “Alguns membros assinalaram que tinham elevado a sua estimativa da taxa neutra e, portanto, também a sua visão sobre o nível apropriado das taxas de juros oficiais. Vários afirmaram que consideram que o nível atual das taxas de juros não é restritivo ou apenas ligeiramente restritivo”. (iii) A economia cresce a um ritmo superior ao estimado (em grande parte graças ao “boom” da IA, que está a impulsionar o investimento) e o mercado laboral mantém-se sólido. Link para as Atas (em inglês). OPINIÃO: Tom hawkish/duro que dificilmente oferecerá um alívio para as yields das obrigações. As Atas mostram que: (i) a Fed está muito mais preocupada com a inflação do que pelo crescimento. (ii) A probabilidade de subir taxas de juros outra vez antes do ano terminar é elevada. E (iii) que as condições financeiras continuam sem suficientemente restritivas, o que convida a pensar num cenário de taxas de juros mais altas durante mais tempo (higher for longer). Após as Atas, o nosso cenário central continua a contemplar que a Fed irá subir as taxas de juros em +25 p.b. a 9 de dezembro e que, quiçá, implemente outra subida no início de 2027. Por sua vez, as probabilidades de subidas de taxas de juros para a próxima reunião por parte do mercado mantêm-se inalteradas (~80% manter; 20% subir), enquanto a yield do T-Note se mantém ~5,32% (máximos desde 2002). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

07/10/2026

Ontem: “Máximo histórico em Nova Iorque, com as obrigações a respirarem e o petróleo a moderar-se.”

Sessão novamente positiva em bolsas (+0,5% Europa e +0,6% Nova Iorque, onde se alcançou um novo máximo histórico), com a rentabilidade das obrigações a moderarem-se. A obrigação francesa baixa -20 p.b. desde os máximos alcançados na sexta-feira, em 4,99%, aliviando a pressão sobre a dívida europeia, após Le Pen mostrar intenção de reduzir a despesa pública. O Bund situa-se em 3,49% e o T-Note em 5,27%. A isto ajudou a correção no preço do petróleo (-1,5% até 98,5 $ Brent e 88 $ WTI) graças a: (i) segundo o CEO de Shell, as exportações de petróleo desde o M. Oriente estão a 80% dos níveis prévios à guerra; (ii) Arábia Saudita anunciou descidas de preços no seu petróleo bruto para os compradores asiáticos. (iii) As Forças Armadas do Iémen recuperam o controlo de várias cidades no Estreito Bab el-Mandeb.

Na frente macro conhecemos Vendas a Retalho da zona euro de agosto um pouco mais débeis do que o esperado (+0,8% vs. +1,0% est.), o que poderá arrefecer as expetativas de endurecimento agressivo por parte do BCE. Nos EUA, conhecemos o Défice Comercial, que aumentou em agosto até -105,6 m M$ vs. -102,1m M$ esp., perante a aceleração de Importações. Trata-se do nível de défice mais alto desde o Liberation Day.

 

Hoje: “Novo aumento no petróleo bruto. O refúgio está na Renda Variável.” 

Hoje o petróleo volta a subir ligeiramente após serem reportados alguns ataques a petroleiros por parte do Irão, no Estreito de Ormuz (+0,9% até 101,5 $ Brent e 90,1 $ WTI). Enquanto a geoestratégia e os problemas fiscais e políticos afetam os mercados energéticos e a renda fixa, as bolsas parecem manter-se alheias a estes riscos e, neste contexto, o dinheiro está a fluir para empresas com crescimentos em lucros, baixo endividamento e com poder de fixação de preços para enfrentar a inflação. Os investidores têm a atenção na temporada de resultados do 3T, que começa na próxima semana (EPS esperado +30% nos EUA, +19% na Europa), o que continuará a apoiar as bolsas.

Além disso, hoje teremos novamente uma sessão com poucas referências, à exceção das Atas da Fed, que conheceremos com o mercado europeu já fechado e que poderão dar alguma pista sobre quando será a próxima subida de taxas de juros, especialmente após os dados de emprego que conhecemos na semana passada, mais débeis do que o esperado, que arrefeceram as expetativas de uma subida em outubro.

Em suma, hoje o aumento no preço do petróleo bruto poderá prejudicar ligeiramente o mercado, principalmente as obrigações, mas o fundo das bolsas continua a ser positivo, principalmente em Nova Iorque, embora também na Europa, já que os crescimentos esperados de lucros permitem compensar um maior custo de capital. 


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANIA (07:00 h): A Produção Industrial surpreende positivamente em agosto.- Em termos interanuais, cresce +2,3% vs. +0,7% estimado vs. -1,8% anterior (revisto desde -1,6%). Na comparação m/m, +2,0% vs. +0,5% vs. -1,2% (revisto desde -1,1%). OPINIÃO: Interpretação positiva, já que reflete que a atividade industrial na Alemanha recupera tração graças à implementação de estímulos fiscais por parte do governo. Contudo, o indicador é de agosto e o impacto será limitado. Os números são positivos e favorecem uma postura mais dura/hawkish do BCE, embora não tenham alterado a expetativa de subidas de taxas de juros por parte do mercado, que estima que as mantenha em 2,50%/2,65% (Depósito/Crédito) na sua próxima reunião, a 29 de outubro. 

ÍNDIA (05:30 h): O RBI sobe as suas taxas de juros em +25 p.b. até 5,50%, como esperado. Decisão unânime dos 6 membros do Comité. Este também votou 4/2 a favor de mudar o posicionamento da política monetária desde Neutral para “calibradamente rrestritiva”. O RBI eleva as suas previsões de inflação média para 2026 desde +5,0% até +5,2% (subjacente desde +4,3% até +4,4%) e o PIB desde +6,7% até +7,1%. OPINIÃO: O banco central sobe taxas de juros perante uma inflação que se elevou até +4,8% desde +2,7% no início do ano. Com um crescimento económico forte (+7,8% a/a no 2T26), o banco pretende impedir que as pressões sobre os preços da energia se estendam a outras rubricas. Além do problema energético, uma monção escassa tensionará os preços dos produtos agrícolas nos próximos meses. Uma postura que passa a ser moderadamente restritiva abre a porta a novas subidas nos próximos meses perante o duplo choque energético e alimentar que poderá levar o IPC acima do nível tolerável de +6% no 4T 26. Acreditamos que, neste contexto, o RBI possa elevar as suas taxas de juros até 6,0% nos próximos meses (vs. 5,5% estimado anteriormente) num contexto de maiores crescimento económico e inflação e uma rupia débil (-7,5% vs. USD em 2026).

UE (ontem): Vendas a Retalho cresceram +0,1% m/m em agosto, ligeiramente menos +0,2% esperado, mas desde -0,6% ant.- Em termos interanuais, +0,8% a/a, ligeiramente abaixo de +1,0% a/a esperado, embora melhor do que +0,4% de julho (revisto duas décimas em baixa). OPINIÃO: O crescimento do mês ocorre apesar da queda nas vendas de combustível para automóveis (-1,9% m/m), e graças ao aumento em produtos não alimentares (+0,5%). 

EUA (ontem): Défice Comercial aumentou em agosto (até -105,6 m M$ vs. -102,1m M$ esp.) perante aceleração de Importações.- O nível mais alto desde março de 2025. Além disso, reviu em alta o de julho (défice de -92,8 m M$ vs. -88,6 m M$ preliminar). Esta evolução ocorreu perante um aumento das Importações, que aceleraram +4,3% m/m (desde +3,9% revisto em alta ant.), enquanto as Exportações melhoram +1,4% m/m (após 3 meses em negativo). Por categoria de produtos, destacou o crescimento das Importações de Abastecimento Industrial (+17,1% m/m, que inclui produtos petrolíferos e outras matérias-primas) e Bens de Capital (+4,4% m/m que inclui, entre outras coisas, semis, equipamentos de telecomunicações e acessórios de computadores). Por geografias, o défice aumentou com a China até -18,4 mil M$, enquanto se moderou especialmente com México (-15,3mM$) e com o Japão (-3,4mil M$). Embora com menos peso absoluto, o défice aumentou com Canadá, voltando para níveis do 2T 2026. OPINIÃO: É o défice mais elevado desde o Liberation Day (abril de 2025), embora a evolução das Importações deva antecipar um bom comportamento da Procura Interna no 3T 2026, apesar da contribuição do S. Exterior provavelmente ser negativa. Link para a nota (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

06/10/2026

Ontem: “Foco na França: obrigação 10 anos mais tranquila, mas bolsa prejudica Europa. Espanha avalia a maior exposição ao Brasil.”

Sessão errática, sem direção clara. Na Europa, o foco continua na evolução da obrigação francesa, à qual se une a espanhol após o anúncio de eleições antecipadas. Após os vaivéns, a obrigação a 10 anos francesa cai -1,3 p.b. (4,85%), enquanto a espanhola aumenta +4,2 p.b. (4,12%), ampliando ligeiramente o seu diferencial vs. Bund (+3,1 p.b. até 3,49%). A macro não ajuda. Os Preços Industriais aceleram mais do que o esperado em agosto na UE (+8,2% vs. +7,6% esperado vs. +5,8% anterior). Mantêm o alerta sobre possíveis efeitos de segunda ronda (os maiores preços da energia repercutem noutros conceitos, especialmente salários), o que manterá as obrigações tensionadas, independentemente dos prémios de risco adicionais da frente política. Nos EUA, o ISM Serviços enfraquece em setembro, mas a componente de Preços Pagos aumenta mais do que o esperado. Nas bolsas, Europa fecha plana, arrastada por França: Ibex +1,1%, beneficiado pela sua maior exposição ao Brasil (+7,7%). Nos EUA, a tecnologia alcança novos máximos. O petróleo enfraquece (Brent -1,9% até 100,3 $) e gás natural -1,7% até 73,5 €/Mwh. O euro continua a enfraquecer (€/$ 1,122). Em suma, sessão mais medíocre na Europa, arrastada por França, e novos máximos nos EUA. Obrigações tensionadas.

 

Hoje: “Sem referências convencionais, atenção nas obrigações e petróleo. Bolsas laterais (tecnologia desde máximos!).” 

Nova sessão sem grandes referências dentro de uma semana, a priori, com pouco conteúdo. À primeira hora, os Pedidos à Fábrica na Alemanha caem mais do que o esperado em agosto (-10,6% m/m vs. -1% esperado); parece um pouco sazonal, mas poderá aliviar um pouco o Bund. As bolsas continuam frágeis, presas entre o tensionamento das rentabilidades das obrigações e a instabilidade do petróleo bruto vs. o forte (e prolongado) crescimento de lucros (EPS +33% em 2026 e +15% em 2027 nos EUA; +18% e +11% na Europa). O binómio rentabilidade/risco continua especialmente claro em tecnologia (EPS +48% e +27%, respetivamente; +100% e +64% em semis), o que permite que o índice tecnológico americano alcançasse novos máximos históricos ontem. De momento, o foco continua nas obrigações (especialmente europeias) e petróleo. O mercado atenderá mais a fatores políticos e geoestratégicos porque não teremos referências convencionais relevantes até meados de outubro com o arranque da temporada de resultados 3T (EPS esperado +30% nos EUA, +19% na Europa), macro já mais relevante e bancos centrais. Enquanto isso, dias de esperar e ver, sem motivo para fazer grandes movimentos. No entanto, hoje, a sessão aparente ser tranquila: Ásia fecha com subidas, os futuros também se moderam em positivo. Petróleo bruto e gás natural aumentam, o que continuará a prejudicar mais as obrigações. Atenção nas negociações do Orçamento francês. Não esperamos muito, mas não tem mau aspeto. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): Produção Industrial de agosto -0,7% m/m vs. -0,5% esperado r desde +0,6% ant.- Em termos internanuais, +1,5% a/a (vs. +2,4% esperado e desde +2,5% ant. revisto duas décimas em alta). OPINIÃO: Queda um pouco superior ao esperado, após a recuperação mostrada em julho. Em termos interanuais, a queda ocorre em Bens de Consumo, -1,0% a/a vs. crescimento em Energia +4,7% a/a, Bens Intermédios +2,0% a/a e B. de Capital +0,9% a/a.

FRANÇA (07:45 h): Produção Industrial de agosto -0,3% m/m (vs. +0,2% esperado e desde -0,6% ant. revisto duas décimas em baixa o anterior).- OPINIÃO: Esperava-se a primeira leitura positiva nos últimos quatro meses, mas a melhoria em produtos químicos (+4,6% m/m) não compensou quedas na indústria automóvel (-3,4% m/m); equipamentos de transporte (-2,2% m/m) e água e utilities (-4,4% m/m). 

ALEMANHA (07:00 h): Pedidos à Fábrica de agosto surpreendem em baixa, -10,6% m/m vs. -1,0% esperado e desde+2,5% ant.- Excluindo os grandes pedidos (fundamentalmente de transporte) teria sido -0,1% m/m. OPINIÃO: A forte queda do mês explica-se fundamentalmente pelos pedidos de equipamentos de transporte.

ÍNDIA (06:00 h): PMI finais de setembro continuam a recuperar na zona de expansão, embora ligeiramente menos do que o mostrado pelo dado preliminar. O PMI Composto situou-se em 55,9 (desde 56,5 preliminar e mantém a melhoria desde os mínimos de 54,3 de julho e agosto); PMI de Serviços 55,2 (desde 55,8 preliminar e 54,1 ant.). OPINIÃO: Apesar da moderação em relação aos números anunciados preliminarmente, mantém-se a tendência de recuperação em ambos os indicadores desde mínimos do mês de julho, onde em nenhum caso se afastaram da zona de expansão (>50).

UE (ontem): (i) A confiança do investidor deteriora-se mais do que o estimado em outubro. O indicador Sentix retrocede até 2,7 vs. 4,2 est. e 5,1 ant. Primeiro retrocesso após cinco registos consecutivos de melhoria (desde abril 2026). OPINIÃO: A confiança na economia da zona euro deteriora-se perante a combinação de custos energéticos mais elevados, expetativa de taxas de juros altas durante mais tempo e aumento da incerteza geopolítica. (ii) A subida nos preços industriais acelera mais do que o esperado em agosto. Situa-se em +8,2% vs. +7,6% est. e +5,8% ant. Nível mais alto desde fevereiro de 2023. OPINIÃO: O aumento dos preços industriais responde fundamentalmente ao encarecimento do petróleo e gás, impulsionado pelas tensões geopolíticas e persistência do choque energético. O mercado vigia agora a possível aparição de efeitos de segunda ronda, isto é, que o aumento dos custos energéticos se repercuta na economia. Neste cenário, prevemos duas novas subidas de taxas de juros por parte do BCE, até 3,00% em depósito e 3,15% em crédito, para evitar a consolidação das pressões inflacionistas.

EUA (ontem): Retrocesso no ISM de Serviços em setembro. O indicador situa-se em 54,9 vs. 55,0 est. e 55,4 ant. A componente de Preços Pagos aumenta mais do que o esperado até 74,0 vs. 73,3 est. e 72,6 ant. A componente de Novos Pedidos retrocede até 59,8 vs. 60,3 est. e 60,9 ant. A componente de Emprego avança até 50,1 vs. 48,8 est. e 47,8 ant. OPINIÃO: O ISM de Serviços mantém-se amplamente em território de expansão. Contudo, a divisão por componentes revela sinais menos favoráveis, com um novo aumento das pressões inflacionistas e uma moderação da atividade refletida na queda dos novos pedidos.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

02/10/2026

Ontem: “Aumenta a preocupação pela inflação. Quedas nos EUA enquanto a Europa aguenta com os semicondutores.”

Os preços do petróleo voltaram a subir ontem (+4%) até novamente acima da barreira psicológico de 100 $/barril.  Além disso, embora o ISM Industrial dos EUA se tenha moderado até 54,5 em setembro vs. 55,0 estimado, a componente de Preços Pagos aumentou mais do que o esperado (77,9 em setembro vs. 71,1 anterior e 73,0 esp.), alimentando as preocupações sobre a inflação e taxas de juros. Como consequência: (i) a yield das obrigações soberanas mantém-se tensionada, em níveis elevados, próximos a 5,25% no T-Note e acima de 3,50% no Bund; (ii) o euro continua a debilitar-se até 1,124/$, e (iii) as bolsas caíram na Europa (-1,4%), embora os EUA tenham conseguido fechar em positivo (+0,2%), apoiados pelos semicondutores (+1,6%), após os resultados de Micron Technology (+3%) que bateu expetativas, com EPS a multiplicar por 11x!, e a melhorar guias. A outra cara da moeda foi Nike, que publicou resultados após o fecho piores do que o esperado, com vendas em quedas de -4% (na China -26%) e baixou as suas guias para 2027. Cai -8% no mercado fora de hora.

 

Hoje: “IPC da UE e emprego americano. Bolsas débeis.” 

Hoje é o dia chave da semana no que diz respeito a dados macro. Por um lado, teremos o IPC da zona euro, que se espera que aumente 5 décimas em setembro até +3,7% a/a (vs. +3,2% anterior), embora com a subjacente contida, de momento, em +2,5% a/a vs. +2,4% anterior. Em caso de surpreender, será provavelmente em alta, tendo em conta os IPC dos principais países da zona euro que conhecemos esta semana, com aumentos de entre 4 e 9 décimas. Por outro lado, teremos os dados de emprego dos EUA, com Criação de Emprego Não Agrícola que deverá moderar-se em setembro após o forte aumento do mês anterior e com a Taxa de Desemprego estável em 4,1%, isto é, pleno emprego. Especialmente relevante serão os Salários Médios por Hora, para ver se a inflação, de momento, provocada pela energia, começa ou não a repercutir e produzir “efeitos de segunda ronda”.

Com base nesses dados, parece pouco provável que as expetativas de inflação e taxas de juros se moderem, portanto, as bolsas poderão continuar fracas hoje, fechando planas no melhor dos cenários. Teremos de esperar pela temporada de resultados, para encontrar novos catalisadores. 


CONTEXTO ECONÓMICO. –


ESPANHA (08:00h): O número de desempregados aumenta em +23,6 mil pessoas em setembro, após o aumento de +44,4 mil no mês de agosto. -  O Desemprego situa-se em 2,38M pessoas (+1,0% m/m e -1,74% a/a).  Os Afiliados à Segurança Social 22,48M (+108 mil pessoas +0,5% m/m e +3,5% a/a). Os Afiliados não ajustados de sazonalidade à Segurança Social ascendem a 22,44M pessoas (+92,3 mil pessoas +0,4% m/m e +3,4% a/a).  Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol) e Link para o Ministério de Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados aumenta em setembro, como é habitual em este mês, embora acima da média dos últimos 4 anos (+8,9 mil pessoas em setembro) e acumula três meses consecutivos de aumento. A Afiliação à SS acelera +3,5% a/a vs. +2,3% a/a em abril de 2026. Os números de desemprego e a aceleração na Afiliação dos últimos meses podem estar parcialmente influenciadas pelo processo de regularização extraordinária (abril-junho). A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,6% (vs. 9,87% Taxa de Desemprego da EPA junho de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) 10,1% em média de 2026 (desde 10,5% em 2025).

EUA/FED (ontem): (i) Williams (Fed de N. Iorque) e Jefferson (Vice-presidente) antecipam uma pausa da Fed em outubro, sem renunciar futuras novas subidas. A estratégia é ganhar tempo para analisar a evolução da inflação e as condições financeiras sem urgência para subir taxas de juros imediatamente. A chave está nos últimos números de inflação não deteriorados e a subida na rentabilidade/yield das obrigações provoca um endurecimento nas condições financeiras. OPINIÃO: O mercado de obrigações reagiu com uma descida drástica na probabilidade de ver uma subida de taxas de juros na próxima reunião (27 e 28 de outubro), que agora situa abaixo de 25,0%. A estratégia de Willians e Jefferson faz sentido, porque não é habitual que a Fed suba taxas de juros mesmo antes das eleições de meio mandato (3 de novembro). As nossas previsões refletem duas subidas de taxas de juros de +25 p.b. em dezembro de 2026 e janeiro de 2027, para situar os Fed Funds em 4,25%/4,50% (vs. 3,75%/4,00% atual). Como referência, os membros mais hawkish/duros como Logan (Dallas) e Kashkari (Minneapolis) consideram que serão necessárias novas subidas para garantir a convergência da inflação para o objetivo de 2,0%. (ii) O ISM Industrial piorou uma décima até 54,5 vs. 55 estimado. Os Preços Pagos aumentaram até 77,9 desde 71,1, quando se estimava 73,0. OPINIÃO: A atividade industrial expandiu-se a um ritmo um pouco mais lento em setembro, num contexto de custos em alta e atrasos no envio. O aumento dos custos reflete maior pressão inflacionista. Link para a nota (em espanhol).

UE (ontem): A Taxa de Desemprego repetiu em 6,4%, em linha com o esperado. OPINIÃO: Este indicador refletiu a força do emprego na Europa e atribui argumentos ao banco central europeu para que continue o seu processo de endurecimento da política monetária. 

FRANÇA (ontem): O governo apresentou os orçamentos gerais para 2027. Posteriormente, irá remetê-los ao Parlamento para tramitação. Incluem: (i) ajuste fiscal por 54.000 M€ (aprox. 2% PIB), dos quais 43.000 M€ são novas medidas. (ii) Com isso, estima que o défice público se situará em 5,0% em 2027 desde 5,4% previsto no fecho de 2026. Apesar deste ajuste, estima que a dívida pública aumentará até 121,7% do PIB em 2027 vs. 119,3% no fecho de 2026. OPINIÃO: 60% do esforço procederão de cortes de despesas enquanto os 40% restantes procederão de aumentos de impostos de IVA e IRPF. Outros impostos aumentarão também, como infraestrutura (aeroportos e autoestradas). Os cortes focam-se em congelar salários públicos e pensões (menos as mais baixas) e redução da despesa dos governos locais, saúde e menores deduções nas contribuições das empresas à Segurança Social. Medidas impopulares que dificultam a sua aprovação por um governo fragmentado e que enfrenta eleições presidenciais em abril/maio de 2027. As dúvidas sobre a sua implementação elevaram a rentabilidade da obrigação a 10 anos francesa, +135 p.b. até 4,915% em 2026, o que implica um prémio de 145 p.b. face ao Bund alemão.


Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

01/10/2026

Ontem: “Dia de inflações mistas. Bons dados nos EUA, mas mais tensionados na Europa.”

Sessão de inflações em ambos os lados do Atlântico. Na Europa, os preços surpreenderam em alta de forma geral, reforçando a pressão sobre o BCE para manter uma postura mais restritiva. Nos EUA, contudo, a leitura foi mais favorável: Deflator do sumo Privado (PCE) de agosto, medida favorita da Fed para medir a inflação, manteve-se estável tanto na Taxa Geral (+3,4% a/a vs. +3,7% esperado) como na Subjacente (+3,0% a/a vs. +3,3% esp.). A isso uniu-se a revisão em alta do PIB 2T 2026 até +2,2% a/a vs. +2,1% preliminar. Números fortes que confirmam a resistência da economia americana, apesar do endurecimento monetário. Isto animou a tecnologia, que avaliou com subidas e moderaram-se as expetativas de uma nova subida de taxas de juros da Fed, em outubro, em linha com a nossa Estratégia Trimestral 4T 2026 (em espanhol; brevemente em português) recentemente publicada. 

Em suma, sessão dominada pela inflação, com melhor leitura nos EUA do que na Europa, aumento da yield do T-note (5,28%; +5 p.b.) e algum alívio nas expetativas de taxas de juros da Fed.

 

Hoje: “Micron bate e petróleo <100 $. Sessão de transição até amanhã: emprego EUA e IPC europeu.” 

O petróleo retrocede pela expetativa de uma recuperação dos fluxos de petróleo procedentes do M. Oriente, após a recente reabertura de Yanbu, na Arábia Saudita, o que tranquiliza o mercado. De facto, situa-se abaixo da fronteira psicológica dos 100 $/barril. Isto é uma boa notícia, principalmente após se conhecer o aumento da inflação em Espanha, França, Alemanha, etc. e implica uma redução da pressão sobre as obrigações.
O mercado reage aos resultados de Micron, esta madrugada, que batem expetativas, mas no mercado fora de hora avalia plano, porque as guias de margens são um pouco pior do que o esperado.

Na frente convencional, conheceremos: (i) a Taxa de Desemprego na UE, que deverá adotar uma leitura continuísta, e o (ii) ISM Industrial, para o qual se espera alguma melhoria. Contudo, o mercado estará atento aos Preços Pagos, que poderão aumentar, regressando os receios sobre inflação e taxas de juros… Além disso, servirá de sinal, num contexto de ausência de dados até meados de outubro (IPC americano).

Por este motivo, a sessão será de transição até amanhã, onde conheceremos dados do mercado laboral americano e o IPC da UE, algo que inquieta num contexto de maiores pressões inflacionistas observadas na Europa. Razoável, tendo em conta a sua elevada dependência energética, diferente dos EUA (primeiro produtor mundial).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): Índice Tankan 3T 2026 de grandes empresas industriais situou-se em 24 vs. 25 estimado e 22 anterior. O Não Industrial piorou até 35 vs. 36 estimado e 37 anterior. Também melhorou a perspetiva até 21 vs. 22 estimado e 17 anterior. O Índice Tankan de pequenas empresas industrial situou-se em 14 vs. 11 estimado e 9 anterior. O Não Industrial repetiu em 15 vs. 14 estimado. Melhorou a perspetiva até 10 vs. 8 estimado e anterior. OPINIÃO: Dados, em geral, positivos no trimestre. As empresas mantiveram um nível elevado de confiança e foram positivos em relação ao futuro. De facto, foram os melhores dados dos últimos 8 anos. Estes números ocorrem apesar do início de subidas de taxas de juros por parte do banco central do Japão e proporciona argumentos para que continue com o seu processo de endurecimento da política monetária.

EUA (ontem): Conjunto de dados macro: (i) PCE de agosto +3,4% a/a vs. +3,7% esp. e +3,4% ant. (revisto desde +3,7%). -Taxa Subjacente +3,0% vs. +3,3% esp. e +3,0% ant. (revisto desde +3,3%). Link para a nota (em espanhol). (ii) PIB 2T’26 é revisto em alta: +2,2% a/a vs. +2,1% preliminar e +2,6% ant. Link para a nota (em espanhol). (iii) Criação de Emprego Privado em setembro +90k vs. +70k esp. e +36k ant. (revisto desde +38k). OPINIÃO: No conjunto, são números positivos, embora a surpresa favorável na inflação deva ser assumida com alguma cautela. O dado deve-se à atualização das fontes de dados e mudanças nos métodos de construção do indicador que provocam uma revisão em baixa em toda a série. Em qualquer caso, continuam a ser nível elevados de inflação e acima do objetivo de +2% da Fed. Uma inflação elevada, crescimento robusto e mercado laboral estável justifica uma Fed hawkish (dura) que continue a endurecer a sua política monetária. O nosso cenário central aponta para duas subidas de +25 p.b. em dezembro e janeiro de 2027. 

ALEMANHA (ontem): O IPC de setembro surpreende em alta: +3,3% (a/a) vs. +3,1% esperado e +2,9% anterior. Em termos intermensais +0,6% vs. +0,5% esperado e +0,2% anterior. A taxa subjacente repete em +2,4%. O IPC harmonizado (usado para calcular o IPC da UE) também aumenta até +3,3% vs. 3,2% esperado e +2,9% anterior. OPINIÃO: Números negativos, em linha com as surpresas em alta nos IPC de Espanha, França e Itália e que fazem prever um aumento acima do esperado na Inflação da UE, na próxima sexta-feira. O aumento na componente de Energia (+14,9% a/a) explica a aceleração. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda como bem reflete a Taxa Subjacente (+2,4% a/a), que até está abaixo dos níveis prévios ao início do conflito no Irão (+2,5%).

PORTUGAL (ontem): A inflação aumenta em setembro até 3,6% (a/a). O IPC situa-se em +3,6% (a/a) vs. +3,3% anterior. A variação intermensal situa-se em +1,2% vs. 0,0% anterior. OPINIÃO: Como era de esperar, a inflação aumenta em setembro devido aos maiores preços de energia (petróleo e gás). A nossa estimativa é que se manterá em níveis próximos a +3,5% até ao final do ano, embora não descartemos nenhum aumento pontual até níveis próximos a 4%.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

30/09/2026

Ontem: “Obrigações e petróleo relaxam. Bolsas mistas. A tecnologia (semis) à prova de… obrigações.”

O petróleo bruto relaxa (Brent -2,6% até 102,6 $) após o anúncio de que a Arábia Saudita reabre um dos seus principais oleodutos e as rentabilidades das obrigações conseguem estabilizar-se. T-Note em 5,24%, Bund em 3,62% (-2 p.b.). Ajudam uns dados macro nos EUA que, finalmente, dão sinais de debilidade: Vagas de Emprego JOLTS em mínimos de 5 meses e, principalmente, uma Confiança do Consumidor que cai mais do que o esperado e alcança mínimos desde 2014. França começa a discutir os seus orçamentos 2027 e sofre especialmente (Obrigação 10A +4 p.b. até 4,81%). As bolsas fecham mistas. EUA com quedas, Europa +0,3%. A tecnologia lidera ambos os lados do Atlântico com os semis a liderar (+1,3%). Fechamos hoje setembro com saldos negativos tanto nas obrigações como nas bolsas, exceto tecnologia: BBG Global Aggregate -2,5%, bolsas -1,6% na Europa, -0,2% EUA, tecnologia +3,0%, semis +9,5%. O pano de fundo: um conflito no Irão que se arrasta, exercendo pressão sobre o petróleo e os preços, o que resultará em taxas de juro mais elevadas durante mais tempo. O único antídoto é o crescimento dos lucros, que é positivo ou, até mesmo, explosivo nos semis. EPS médio esperado nos EUA no 3T26 +30,2%.

 

Hoje: “Inflações na Europa e EUA. Resultados de Micron após o fecho (+950%).” 

Hoje é dia de inflações: IPC em vários países europeus e PCE nos EUA. Mais afetados pelo choque energético, não surpreenderá que os resultados sejam piores na Europa do que nos EUA. A chave estará em quão maus. Se Espanha serve de precedente, poderemos ver surpresas negativas. É difícil prever, porque os diferentes países tomaram medidas para atenuar o aumento do preço da energia. Ontem, o IPC espanhol aumentou 6 décimas em setembro, até +4,9% vs. +4,6% esperado. Servirão para conformar o IPC da UE que conhecermos esta manhã, e que ajudará a recalibrar as expetativas de subidas de taxas de juros do BCE. Nos EUA, espera-se que o PCE repita em +3,7% (subjacente em +3,3%). Terá menos impacto porque já se conhece o IPC de agosto: repetiu em +3,4% e a Subjacente retrocedeu 1 décima até +2,4%. Hoje a sessão herda a maior calma de ontem: as obrigações continuam a relaxar-se um pouco, Ásia sobe. Assim, esperamos uma sessão com melhor tom nas bolsas e obrigações. Após o fecho, Micron publica e espera-se um aumento de EPS de +950%... mais gasolina para os semis.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

FRANÇA (07:45 h): O IPC de setembro surpreende e aumenta acima do esperado até +3,4% vs. +3,1% esp. vs. +2,6% ant. OPINIÃO: Dado negativo que se une ao IPC de Espanha de ontem (+4,9% vs. +4,5% esp.) e faz prever um aumento no conjunto da UE. 

ALEMANHA (07:00 h): (i) As Vendas a Retalho em agosto caem menos do que o esperado: -0,4% a/a vs. -0,5% esp. vs. -2,2% ant. (revisto desde -2,5%). (ii) Preços de Importações +8,3% vs. +8,0% vs. +6,8%. -OPINIÃO: Ambos os dados são negativos, embora tenham impacto limitado no mercado ao serem do mês de agosto. O conflito no M. Oriente e o aumento do preço do petróleo bruto impacta nos preços que, por sua vez, pesam sobre o consumo.

REINO UNIDO (07:00 h): O PIB do 2T’26 surpreende e é revisto em alta: +1,4% a/a vs. +1,2% esp. vs. +0,9% ant. OPINIÃO: Resultados positivos que geram otimismo sobre uma recuperação do crescimento. O PIB acelera, impulsionado pela melhoria do Setor Exterior (Exportações +2,8% t/t; Importações +0,0% t/t) e o Investimento Empresarial (+5,2% a/a).

CHINA (02:30h): PMI Industrial RatingDog melhora em setembro e aprofunda em zona de expansão: 52,1 vs. 51,7 esp. vs. 51,5 ant. -Serviços também aumenta ligeiramente: 51,6 vs. 51,3 vs. 51,4. OPINIÃO: Dados positivos. Indústria e Serviços ganham tração, impulsionados pelo plano de estímulos fiscais do governo. o PIB 2T 2026 cresceu +4,3% a/a, abaixo do intervalo objetivo 4,5%/5,0%. Com as ajudas mencionadas, que procuram impulsionar o Consumo, e um sólido Setor Exterior, apoiado por tecnologia, o crescimento poderá acelerar na segunda metade do ano e alcançar o objetivo do governo. 

JAPÃO (00:50 h): (i) Vendas a Retalho desaceleram mais do que o esperado em agosto: +2,7% a/a vs. +3,2% esp. vs. +4,0% ant. -Em termos intermensais, caem -1,2% vs. -1,1% vs. +2,4%. (ii) Produção Industrial desacelera em agosto: +3,4% a/a vs. +6,8% esp. vs. +3,9% ant. - Em termos intermensais, -1,7% vs. +1,3% vs. -0,2%. OPINIÃO: Resultados negativos. Produção e Consumo ressentem-se em agosto, com fabricantes e consumidores afetados por maiores custos derivados do conflito no M. Oriente. Em relação à produção, também se viu afetada pelo terramoto em Kumamoto (região com peso importante no fabrico de semicondutores e eletrónica avançada) que obrigou a deter parte da produção.

EUA (ontem): Confiança do Consumidor de setembro pior do que o esperado. Retrocede até 81,9 vs. 89,0 esperado e 86,6 anterior. Registo mais baixo em 12 anos. A componente de Situação Atual cai até 109,3 (vs. 120,2 esp. e 117,2 ant.) e a de Expetativas retrocede até 63,6 (vs. 68,5 esp. e 69,5 ant.). OPINIÃO: Dado pior do que o esperado e 4.º mês consecutivo com retrocessos. Os lares mantêm a sua preocupação pelas perspetivas da economia para os próximos meses perante o aumento da inflação e as potenciais subidas das taxas de juros por parte da Fed. Link para a nota (em espanhol).

UE (ontem): Confiança do Consumidor de setembro em linha com o esperado: -16,5 vs. -16,5 esperado e -16,5 anterior. O indicador de confiança europeia, apesar de continuar claramente em terreno negativo, mantém-se sem alterações face ao mês anterior e em relação ao dado esperado. OPINIÃO: As subidas de taxas de juros do BCE realizadas nos últimos meses, junto com uma inflação em constante subida desde o início do conflito do Irão (+3,7% esperado pelo consenso para setembro vs. +1,9% em fevereiro) faz com que os consumidores europeus vejam o futuro com tom de prudência.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

29/09/2026

Ontem: “O conflito no M. Oriente dilata-se...”

Trump rejeitou a proposta de cessar-fogo do Irão e o petróleo voltou a aumentar até 105 $/barril. Como consequência, comportamento errático nas bolsas, com Nova Iorque (-0,7%) pior do que a Europa (0,0%), e as yields das obrigações a aumentarem de forma geral… Principalmente nos EUA (T-Note +8 p.b. 5,24%), que alcançou máximos dos últimos 20 anos.

Na Europa, as obrigações mostraram um comportamento semelhante (Bund alemão +4 p.b.; 3,64%, O10A ESP +6 p.b.; 4,14%) apesar do tom bastante dovish/suave que Lagarde usou na sua intervenção no Parlamento Europeu. A mensagem principal foi sobre a sua dialética em relação à inflação. Afirmou que esta poderá alcançar 4% no final do ano, mas que de momento não há evidências de que maiores preços energéticos prejudiquem via efeitos de segunda ronda (salários) na economia. E que, portanto, uma política monetária moderada continua a ser o apropriado.

Na frente micro, Nvidia (+1,7%) obteve a aprovação do Conselho para recomprar ações até 150.000 M$ 2026/2027, que se uniriam aos 85.000 M $ já anunciados e que implicaria ca. 4,2% capitalização bursátil.

 

Hoje: “Sem notícias na frente geoestratégica e petróleo +2%... Primeiras inflações europeias no foco.” 

O tom para hoje é bastante negativo. Sem avanços no M. Oriente, o petróleo aumenta ca. +2% até 107 $/barril… Portanto, parece difícil que as yields ofereçam um alívio, portanto, o mais provável é que as bolsas mostrem um comportamento errático. Mais ainda ao ter em conta que começarão a ser publicados registos de inflação preliminares na Europa pouco incentivadores. De momento, o IPC em Espanha alcança +4,9% (vs. +4,3% ant.). Amanhã será publicada a de França (+2,8% esp. vs. +2,4% ant.) e Alemanha (+3,1% vs. +2,9%) e na sexta-feira a da UE (+3,7% vs. +3,2%). Veremos…

No plano macro, o banco central da Austrália (RBA) subiu taxas de juros em +25 p.b., como esperado, até 4,60%, seguindo a Fed e o BCE. Também conheceremos a Confiança do Consumidor nos EUA (90,0 pontos esp. vs. 89,4 ant.) e as Vagas de Emprego Disponíveis JOLTS (7,24M vs. 7,27M). Não deverá impactar em excesso hoje, mas se ambos confirmarem as estimativas, a leitura será positiva para o ciclo, especialmente tendo em conta o aumento do petróleo em setembro (WTI: +14%).

Em suma, hoje aspeto débil: yields tensionadas e bolsas fracas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): IPC (preliminar) de setembro aumenta até 4,9% a/a (vs. 4,6% esperado e desde 4,3% ant.). A Taxa Subjacente aumenta para 3,1% a/a (vs. 3,0% estimado e desde 2,9% ant.). Em termos intermensais, +0,3% m/m (vs. +0,1% m/m esperado e +0,7% m/m ant.) e a Subjacente -0,2% m/m. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Dado pior do que o esperado na Taxa Geral e ligeiramente pior do que na Subjacente, que se situa em 3,1% a/a. O aumento baseia-se na componente de Energia (+3,9% m/m; +21,6% a/a), seguida do aumento em Alimentos não transformados (+1,2% m/m; +5,8% a/a). Os Bens Industriais sem energia também aumentam (+1,1% m/m; +2,0% a/a), enquanto Serviços e Alimentos transformados se mantêm contidos. O foco das autoridades monetárias está em evitar a possibilidade de efeitos de segunda ronda, fundamentalmente através do transporte e alimentação. O Conselho de Ministros de hoje poderá anunciar novas medidas contra o aumento da inflação. As medidas iniciais (março) após o início do conflito no M. Oriente foram prolongadas em junho, com uma retirada progressiva que termina amanhã, 30 de setembro. Até ao momento, o custo das medidas contra o impacto da inflação teria ascendido a 10.000 M€ (~0,6% PIB).

AUSTRÁLIA (03:30 h): O RBA sobe taxas de juros em +25 p.b., tal como esperado, até 4,60% desde 4,35% anterior. OPINIÃO: É a quarta subida que realiza este ano e enquadra-se no contexto em que o organismo assinala a sua preocupação pelos atuais níveis de inflação, que alcançou +3,90%, quando em junho do ano passado estava em 2,10%. De facto, o governador do RBA, Bullock, assinalou que, apesar de considerarem os movimentos realizados suficientes, em caso de persistência das inflações inflacionistas, não descarta que possam acontecer novas subidas.

UE (ontem): A presidente do BCE, Christine Lagarde, realizou ontem um discurso no Parlamento Europeu com um tom mais dovish/suave em relação ao da última reunião do BCE. Destacamos: i) a inflação continuará a aumentar na zona euro devido ao choque energético, mas continua sem haver efeitos de segunda ronda, portanto, a resposta deve ser “moderada”; ii) O aumento das taxas de juros a longo prazo abrandará o crescimento e isso reduzirá o aumento da inflação; iii) O aumento de produtividade derivado da IA poderá reduzir as pressões inflacionistas a longo prazo. OPINIÃO: Tom dovish/suave no discurso de ontem, o que arrefeceu algumas das expetativas mais agressivas em relação a subidas de taxas de juros por parte do BCE.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

25/09/2026

Ontem: “Bolsas enfraquecem com o aumento do petróleo.”

Sessão ligeiramente em baixa nos principais índices. O preço do petróleo continua a aumentar (Brent +3,4% até 107 $) após novos ataques huthies a bases militares sauditas e apesar de várias fontes garantirem que os EUA e o Irão estariam a explorar alternativas para terminar o conflito. Isto arrastou as obrigações, que prolongaram a sua escalada, com a yield do T-Note a acumular +25 p.b. na semana, até 5,20%, e a 30 anos americana em níveis mais elevados desde 2004 em 5,48%. Com esse aumento do petróleo bruto e das yields das obrigações, as bolsas mantêm a correlação com quedas de -0,4% na Europa e praticamente planas nos EUA.

A reunião entre Trump e Xi-Jinping ocorreu como esperávamos, com um tom construtivo, mas vago, sobre as suas relações bilaterais, sem novidades nos principais tópicos de discussão (IA, Taiwan, terras raras, Irão). Foi uma “bola para a frente” ao prolongar a trégua em dois meses, até 10 de janeiro de 2027.

A macro não teve impacto na sessão: (i) o IFO alemão melhorou em linha com outros indicadores como o ZEW ou os PMI e (ii) os bancos centrais fizeram o esperado: SNB (Suíça) e o Riksbank (Suécia) mantiveram as taxas de juros e o Norges Bank (Noruega) subiu +25 p.b.

 

Hoje: “Nova proposta de acordo iraniano. Ligeiro alívio nas bolsas.” 

Amanhecemos com uma proposta de acordo por parte do Irão que permitiria reabrir o Estreito de Ormuz em 7 dias, se forem cumpridas algumas condições. O petróleo cai discretamente e as yields das obrigações moderam-se ligeiramente. Sem mais referências relevantes na frente convencional, o tom hoje parece um pouco mais construtivo e o natural seria uma sessão de ligeiras subidas, seguindo a evolução do preço do petróleo bruto.

Sem demasiada alegria, porque a próxima semana tem várias referências que poderão decidir a evolução do mercado a curto prazo: (i) inflações europeias de setembro, que começarão a ser publicadas na terça-feira. Com a curva a descontar até 4 subidas adicionais, se os IPCs se contiverem mais do que o esperado, poderão exercer como catalisador. (ii) Dados de Emprego nos EUA. Embora o foco esteja nos preços, uma deterioração na Criação de Emprego justificaria uma Fed menos hawkish (dura) e jogaria a favor das bolsas.

Focando na sessão de hoje, a única referência serão os Pedidos de Bens Duráveis nos EUA, às 13:30 h (-0,3% m/m vs. +1,1% ant.), que dificilmente irão ofuscar os bons dados recentes (PMI, PIB 2T’26).

Em suma, a esperança de aproximação entre os EUA e o Irão modera o preço do petróleo e deverá permitir ligeiros avanços nas bolsas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (07:00 h): PIB (final) 2T 2026 +2,6% a/a ajusta-se ligeiramente uma décima abaixo do preliminar, embora confirme +0,7% t/t. Os dados de hoje incorporam as atualizações de exercícios anteriores. O PIB de 2025 +2,6% a/a, duas décimas em baixa, e 2024 em +3,7% a/a. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: O primeiro semestre do exercício com um crescimento de +2,6% a/a, tanto no primeiro como no segundo trimestre, confirma um crescimento superior ao que antecipávamos inicialmente, e que continua a superar a média da UE. Os resultados do 1S2026, embora projetamos um segundo semestre mais moderado pelo aumento da inflação (+4,3% a/a até agosto), apontam para um crescimento para o exercício 2026, para a parte alta das nossas estimativas (+2,5% a/a).

ALEMANHA (07:00 h): A Confiança do Consumidor (GFK) deteriora-se mais do que o esperado. Situa-se em -30,6 em setembro vs. -27,2 esperado e -26,8 anterior (revisto desde -26,6). OPINIÃO: A Confiança do Consumidor deteriora-se em setembro, inclusive mais do que o esperado, num contexto de aumento de preços da energia (petróleo e gás) e de subidas de taxas de juros por parte do BCE. Isto deverá traduzir-se em menor crescimento económico.

REINO UNIDO (00:00 h): A Confiança do Consumidor (GFK) melhora em setembro contra todo o prognóstico. Situa-se em -13 em setembro vs. -16 esperado e -14 anterior. OPINIÃO: Surpreende a melhoria da Confiança dos Consumidor, num mês de forte aumento dos preços da energia, não só do petróleo, mas também do gás. Isto apoia a nossa hipótese de que o BoE poderá subir taxas de juros na próxima reunião (novembro) em +25 p.b. até +4,00% (vs. 3,75% atual).

EUA (ontem):  Melhoria em agosto das Vendas de Habitações Novas e revisão em alta das Autorizações de Construção. Vendas de Habitações Novas: 684k vs. 616k estimado e 643k anterior (revisto desde 607k). Taxa intermensal: +6,4% vs. +1,3% est. vs. -4,3% ant. (revisto desde -10,5%). Autorizações de Construção: 1403k vs. 1394k preliminar (1.433k ant.). Taxa intermensal: -2,1% vs. -2,7% prel. (vs. +4,3%). OPINIÃO: Resultados positivos. As Vendas de Habitações Novas surpreenderam positivamente em agosto, crescendo a melhor ritmo em 2026. Esta melhoria deve-se a uma combinação de diminuição dos preços (-5,8% a/a) e incentivos oferecidos por parte das construtoras para estimular a procura. As Autorizações de Construção foram revistas em alta em relação ao número preliminar, apresentando melhoria em praticamente todas as secções.

ALEMANHA (ontem): A confiança empresarial (IFO) melhorou acima do esperado em setembro. - O índice IFO de Clima Empresarial situou-se em 89,9 vs. 89,0 esperado e 88,8 anterior. A componente de Expetativas aumentou até 90,4 vs. 89,3 esp. e 89,0 ant. (revisto desde 89,1) e a Situação Atual ascendeu até 89,5 vs. 89,0 esp. e 88,5 ant. OPINIÃO: Notícias positivas. A economia alemã continua a sua recuperação, mostrando um comportamento positivo, num contexto complexo, provocado pelo conflito no M. Oriente. Os números situaram-se em linha com o ZEW e os PMIs, que se situaram em terreno de expansão e refletiram resiliência apesar da incerteza na frente geopolítica. Além disso, a OCDE reviu em alta o crescimento alemão para 2026 (até +1,1% a/a vs. 0,7% est. em junho). O indicador refletiu algum otimismo por parte dos empresários sobre a recuperação económica alemã, mostrando uma melhoria em praticamente todos os setores. Link para a nota (em espanhol).

NORUEGA (ontem): O Norges Bank subiu taxas de juros até 4,50% (+25 p.b.). – O banco central da Noruega adotou uma postura hawkish/dura perante a elevada incerteza global. OPINIÃO: Impacto negativo no mercado. Destacaram que a sua inflação (+3,3% a/a) permanece acima do objetivo (+2,00%) e que apesar da inflação subjacente se ter moderado progressivamente, consideram que as pressões a médio prazo continuam a ser elevadas. O conflito no M. Oriente e, como consequência, a subida do petróleo bruto e do gás favorecerão um aumento de inflação. Esperam manter as taxas de juros elevadas, deixando a porta aberta a maiores subidas se a inflação não se redirigir para o intervalo objetivo (+2,0%). Link para o comunicado (em inglês).

SUÉCIA (ontem):  O Riksbank (b.c.) manteve as taxas de juros em 1,75% em linha com o esperado. – O banco central da Suécia repetiu taxas de juros em 1,75%. OPINIÃO: Impacto limitado no mercado. Movimento esperado num contexto de baixa inflação (+0,3% a/a) e crescimento económico sólido (PIB 2T: +3,3% a/a). Destacaram que a inflação oficial é baixa ao estar distorcida por medidas fiscais, mas se as excluirmos, encontra-se perto de +2,0%. Esperam que a inflação aumento no curto prazo. Os principais riscos inflacionistas são o conflito no M. Oriente e, como consequência, a subida do petróleo e a debilidade da coroa sueca (SEKEUR YTD: -3,7%). Declararam que, se o cenário permanecer sem alterações, poderão subir taxas de juros este ano, mas se a inflação aumentar de forma persistente, poderão acelerar as subidas de taxas de juros. Atualizaram as suas previsões de inflação em alta para 2026 até 0,9% (vs. +0,6% em junho) e até +3,2% em 2027 (vs. +2,7% est. em junho). Também reviram em alta as suas previsões de crescimento económico para 2026 e 2027 em 2,8% (+2,2% est. junho) e +2,4% a/a (+2,3%), respetivamente. Link para o comunicado (em inglês).

SUÍÇA (ontem): O SNB manteve as taxas de juros em 0,00% como esperado. – Reviram ligeiramente em alta as expetativas de inflação para 2026 (+0,7% de média) e para 2027 (+0,8%), e crescimento (+1,5%/2,0% em 2026 e +1,5% em 2027). OPINIÃO: Com a inflação na parte baixa do intervalo objetivo (+0,8% taxa geral e +0,4% subjacente em agosto) e um crescimento sólido (+2,8% a/a no 2T’26), o banco central não tem, de momento, maiores incentivos para ajustar a sua política monetária. Link para o comunicado (em inglês).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

24/09/2026

Ontem: “Bolsas em baixa, aumento de yields e PMIs em expansão.”

Sessão em baixa para bolsas e subida geral nas rentabilidades das obrigações (T-Note: 5,12%; +16 p.b.). Tudo isso derivado do aumento do petróleo, após 5 sessões em queda. Além disso, nos EUA, o leilão de obrigações a 5 anos refletiu um rácio de cobertura mais débil (2,21x vs. 2,37x ant.). A OCDE publicou o seu relatório trimestral, destacando um crescimento económico global resistente e um aumento de inflação em 2026/2027. Também conhecemos os PMIs europeus e americano, todos eles em terreno de expansão (>50). Destacou a melhoria nos EUA, que refletiu a solidez da economia americana. Não obstante, impactou negativamente no mercado, ao oferecer mais argumentos à Fed para subir taxas de juros. 

O presidente iraniano, interveio na Assembleia Geral da ONU, onde destacou que não chegariam a um acordo a curto prazo e reaviveu as preocuções sobre a guerra entre os EUA e o Irão. Por outro lado, foi anunciado que os EUA poderiam limitar as exportações de diesel no prazo de 90 dias, posteriormente desmentido. 

Em suma, bolsas em baixa, yield das obrigações em alta, aumento do petróleo bruto (Brent: +3,9%) e apreciação do dólar (Brent: 103,1 $/barril; +3,9%).

 

Hoje: “Foco de atenção em Washington, à espera da reunião entre Trump/Xi-Jinping. Macro intensa.” 

O foco de atenção na sessão estará em Washington, onde ocorrerá a reunião entre Trump e Xi-Jinping (s/h). Amanhecemos com o anúncio de um prolongamento da trégua comercial até 10 de janeiro. Provavelmente, as conversações serão dirigidas a estabelecer limites em IA, hipotéticos porque, na prática, ninguém quer abrandar o seu desenvolvimento, e reforçar a cibersegurança. Impostos alfandegários, comércio, geopolítica, Taiwan serão outras das chaves. O possível desenvolvimento? Um tom bastante amigável que reduza a tensão de momento, mas sem fixar nada concreto.

Em segunda ordem, os bancos centrais serão protagonistas. Noruega (Norgesbank) poderá subir taxas de juros em +25 p.b. até níveis de 4,50%, enquanto a Suécia (Riskbank) e Suíça (SNB) manterão as taxas de juros estáveis, em 1,75% e 0,00%, respetivamente. Por outro lado, será publicado o inquérito de empresários alemães, o IFO Clima Empresarial, que poderá melhorar ligeiramente em setembro (89,0 vs. 88,8 ant.), como já aconteceu com o ZEW (investidores e analistas; 34,7 vs. 34,2 ant.). As Vendas de Habitações Novas, junto com as Autorizações de Construção (EUA), passarão para segundo plano. Contudo, o tom da macro será positivo como aconteceu ontem com os PMIs.

Em suma, a tendência da sessão virá marcada por obrigações que se mantêm tensionadas (rentabilidades em alta), o que favorece ligeiras realizações de lucros na renda variável. À espera de novidades procedentes da reunião entre Trump e Xi-Jinping. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

SETOR AUTOMÓVEL EUROPEU (05:00 h): As vendas de carros avançam +4,5% a/a em agosto. Com isso, crescem +5,3% no ano e as unidades vendidas alcançam 7,5M. No mês, os elétricos puros lideram os avanços (+62,7%), seguidos pelos híbridos plug-in (+10,8%) e os híbridos não plug-in (+2,2%), enquanto os motores de combustão retrocedem (-24,6% gasolina e -23,8% diesel). OPINIÃO: As vendas de veículos eletrificados continuam a crescer a bom ritmo e ampliam as suas quotas de mercado graças à extensão de subsídios e novos incentivos fiscais na compra, introduzidos em muitos países junto com uma maior oferta de modelos. Nomeadamente, os elétricos puros representam já 21,7% do total das matrículas no conjunto de 2026 (vs. 15,8% em 2025).

JAPÃO (01:30 h): Os PMIs retrocedem em setembro. O Industrial fica em 54,1 vs. 54,9 anterior enquanto o de Serviços abanda até 51,6 desde 52,5. OPINIÃO: Moderação ligeira dos indicadores em setembro, diferente da melhoria observada nos EUA e na Europa. Contudo, continuam bem fixos na zona de expansão.

EUA (ontem): Os PMIs aceleram em setembro e refletem a solidez do ciclo americano. O Industrial 57,0 vs. 53,7 estimado e 53,9 anterior, o de Serviços 58,7 vs. 55,8 estimado e 56,5 anterior. OPINIÃO: Dados fortes, mas com impacto negativo para o mercado, porque oferecem mais argumentos à Fed para manter um tom hawkish (duro). O PMI Industrial alcançou o melhor nível dos últimos 4 anos. Tanto a componente de novos pedidos como a de emprego aceleraram até máximos desde abril de 2022 e fevereiro de 2021, respetivamente. O de Serviços também alcançou os níveis mais altos dos últimos 5 anos.

UE (ontem): Os PMIs prolongaram a sua série de melhoria em setembro. PMI Industrial 52,7, sem alterações e vs. 52,6 estimado. O PMI de Serviços 53,0 vs. 51,4 esperado e 51,6 anterior. OPINIÃO: A surpresa positiva chegou com o PMI de Serviços, que aprofundou em terreno de expansão e alcançou máximos dos últimos 3 anos apesar do aumento de custos derivado do conflito no M. Oriente.

OCDE (ontem): O seu relatório de previsões económicas aponta para um crescimento económico resistente e uma inflação em alta. O relatório destaca um contexto económico que mostra taxas mais do que aceitáveis na maioria dos países, apesar do aumento de custos derivado do conflito no M. Oriente. Revê ligeiramente para melhor o crescimento global este ano (+0,1% até +2,9%), mas piora o de 2027 (-0,1% até +3,0%). Por geografias, destaca a força dos EUA, que melhora tanto este ano (+0,2% até +2,2%) como o próximo (+0,3% até +2,1%). A Zona Euro é revista em alta em 2026 (+0,2% até +1,0%), mas em baixa em 2027 (-0,2% até +1,0%). Os principais países da UE (Alemanha, Itália e Espanha) foram revistos para melhor este ano, exceto França. Em relação aos preços, adverte que a inflação continuará a aumentar em 2026. Na UE, fechará 2026 em +3,0% (revisto +0,2% vs. junho) e 2027 em +2,9% (+0,5% vs. junho). Nos EUA, terminará o exercício em +3,6% (-0,1% vs. junho) e 2027 em +2,6% (+0,5% vs. junho). Link para o relatório completo da OCDE (em inglês). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

23/09/2026

Ontem: “Bolsas em standby com o preço do petróleo em baixa perante uma agenda política intensa.”

Volatilidade e fecho estabilizado em ambos os lados do Atlântico numa sessão sem referências macro importantes. O vencedor da sessão foi a tecnologia americana, que volta a avaliar em máximos históricos. A agenda geopolítica na ONU é intensa (Irão, Ucrânia, Gronelândia, Venezuela…) e apesar das complicações no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, parece que não há problemas graves de abastecimento energético. O preço do petróleo Brent volta a avaliar abaixo da fronteira psicológica de 100 $ (99,3 $ vs. ~110 $ na semana passada) perante a expetativa de um possível cessar-fogo no Irão. 

As obrigações não baixam a guarda, por isso, a rentabilidade/yield situa-se em níveis historicamente altos, que rondam os níveis psicológicos importantes (T-Note a 10 A ~4,95% e Bund alemão em 3,46%). A boa notícia é que a yield deverá estabilizar-se porque as curvas de taxas de juros antecipam demasiadas subidas de taxas de juros e as perspetivas de inflação a longo prazo mantêm-se relativamente estáveis (~2,4% nos EUA e ~2,2% na UE). 

 

Hoje: “Inércia em alta com a atenção nos PMIs até à reunião de amanhã, entre Trump e Xi-Jinping.” 

O fluxo de notícias das últimas 24 horas não está mau, porque: (1) Trump avalia positivamente as conversações bilaterais com o Irão na ONU e (2) o tom hawkish/duro dos membros da Fed (Barkin e Goolsbee) não deverá surpreender ninguém após a subida de taxas de juros de 16 de setembro. De facto, reforça a independência da Fed face a interferências políticas, um fator que tem sido determinante para travar a escalada na yield a 10 anos americana.

Os indicadores que poderão travar o alcance das bolsas relaxam-se (petróleo e yield das obrigações). Além disso, a economia e as bolsas resistem razoavelmente bem aos desafios da geopolítica e as dúvidas suscitadas em torno da IA graças a uns resultados empresariais francamente bons (+30,0% estimado para o 3T 2026 nos EUA). 

Após 2 dias sem macro importante, a atenção está nos indicadores intermédios de atividade/PMIs (9 h na UE e 14:45 h nos EUA), que deverão confirmar que a economia continua em expansão. Em suma, tudo aponta para uma sessão de ligeiras subidas no prelúdio da reunião Trump-Xi Jinping (amanhã, em Washington). É um encontro que gera muita expetativa, mas é provável que o resultado seja de baixa intensidade (estabilidade nas relações bilaterais/comércio/impostos alfandegários e troca de ideias sobre IA e geopolítica/Taiwan).   

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): Tom duro de vários membros da Fed. (i) Goolsbee, da Fed de Chicago, advertiu que os choques de oferta que afetam os preços são cada vez mais frequentes e persistentes. Por isso, é cada vez mais complicado “ignorar as suas flutuações”. A resposta da Fed a estas situações não deve ser tão agressiva como a aplicada a períodos de excesso de oferta, mas pode implicar um abrandamento de emprego, salários e crescimento. (ii) Barkin, da Fed de Richmond, afirmou que a economia americana está a ganhar solidez. Afirmou que a subida de taxas de juros anunciada em setembro ocorre num contexto em que os riscos de inflação superam os riscos para o pleno emprego, porque o choque energético é mais persistente do que o inicialmente estimado. (iii) Collins, da Fed de Boston, afirmou estar de acordo com a recente subida de taxas de juros pelo receio de que a inflação futura supere o objetivo de +2%. Nem Barkin nem Collins votam este ano nas decisões do FOMC. OPINIÃO: Declarações sem surpresas. Evidenciam que o foco da Fed é a inflação e apoiam a decisão de subir taxas de juros, anunciada após a reunião de setembro. Embora não se pronunciem em relação a futuros movimentos, não parece provável que esta subida seja uma decisão isolada. O nosso cenário central aponta para uma nova subida, provavelmente em dezembro deste ano, e outra para inícios de 2027. Ambos os movimentos de +25 p.b. e levariam a taxa diretora para 4,25%/4,50%.

UE (ontem): A Confiança do Consumidor retrocede mais do que o esperado em setembro: -16,5 vs. -16,0 esperado vs. -15,5 anterior. Primeiro retrocesso após 5 meses de recuperação desde um mínimo de -20,5 em abril, impacto pelo início da guerra no Irão. A Confiança melhora progressivamente nos meses recentes, mas mantém-se ligeiramente inferior às suas médias de médio e longo prazo (-15,5), num contexto de elevada incerteza geopolítica. 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

22/09/2026

Ontem: “Expetativas de negociação suavizam o petróleo bruto e a IA impulsiona a tecnologia.”

A semana começava com a expetativa de negociações entre os EUA e o Irão, depois do Presidente americano assinalar que estaria “provavelmente” aberto a reunir-se com o seu homólogo iraniano. O preço do petróleo retrocedia cerca de -2.5% e situava o Brent na fronteira psicológica dos 100 USD/barril. Por outro lado, as boas notícias sobre o novo agente de Meta impulsionavam o setor tecnológico (Meta +11,3%, AMD +9,95% superava 1Bn$). 

Neste contexto, a yield das obrigações moderou-se em -4,5 p.b. no T-Note americano (4,95%) e em -6,2 p.b. no Bund (3,45%), com estreitamentos nos spreads das periféricas. 
As bolsas também descontaram a melhoria de sentimento com subidas nos principais índices europeus, num contexto de 1% superior no mercado americano, impulsionado pela tecnologia.

Em suma, subidas de obrigações e bolsas perante a melhoria das expetativas na frente geopolítica e expetativas de IA. O Brent e as obrigações situaram-se abaixo dos seus respetivos níveis psicológicos. 

 

Hoje: “Foco na geoestratégia. O sentimento melhora para a tecnologia. Macro: Confiança do Consumidor da UE.” 

O foco continua no plano geopolítico, com a situação do Médio Oriente em primeiro lugar, onde o Brent aumentava para 101,8 $/barril, após as quedas acumuladas desde a passada quarta-feira; enquanto o Reino Unido anuncia hoje o seu apoio defensivo à Arábia Saudita. Em segundo lugar, a reunião entre Trump e Xi Jinping, esperada na quinta-feira, que poderá englobar aspetos comerciais ou sobre a IA, num contexto da Assembleia da ONU que se inicia hoje.

O único dado macro destacável da sessão será a Confiança do Consumidor de setembro (15 h). Ainda sem referências de inflação para o mês, o ligeiro agravamento em agosto (para +3,2% a/a, embora a Subjacente ainda 2,4%) na EU pode revelar-se uma ligeira deterioração da Confiança, fundamental para a Procura Interna.

Em suma, exceto surpresas nas frentes geoestratégicas, os mercados permanecerão a descontar a melhoria do sentimento para a IA e semicondutores, que o mercado americano antecipou ontem.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (ontem): O investimento estrangeiro líquido cai -40% na primeira metade do ano, até 3.407 M€. O investimento bruto aumenta +31,3% até 12.446 M€, mas os desinvestimentos crescem +171% até 9.038 M€. OPINIÃO: É o pior dado desde a crise de 2012. Em 2025, o investimento estrangeiro líquido já tinha diminuído -19% até 20.060 M€. Os EUA continuam a ser o primeiro investidor em termos brutos, mas em termos líquidos cai -230% nos primeiros 6 meses do ano, até 993 M€. Os maiores investidores em termos líquidos são França, Portugal, Alemanha e Coreia do Sul. A China está em 15.º, com um valor de 54 M€. Apesar da queda, o impacto no PIB será muito reduzido, pois o grosso da atividade económica depende da procura interna e exportações; além disso, o investimento estrangeiro direito é muito volátil e afetado por operações corporativas concretas. Os investimentos estrangeiros diretos representaram ~1,5% do PIB em 2025.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

18/09/2026

Ontem: “Sessão positiva apoiada pelas quedas nas yields das obrigações e queda do petróleo.”

A sessão de ontem saldou-se com subidas nas bolsas (Europa +0,9%; EUA +1,1%; Tecnologia +1,7%; Semis +3,1%), apoiada numas yields das obrigações que enfraqueciam de forma geral (Bund -2,9 p.b. até 3,47%, T-Note -9,2 p.b. até 4,93%) e pelo Brent (-1%), que caiu pelo segundo dia consecutivo perante as notícias de um maior fluxo de petróleo da Arábia Saudita através de Omã (como via alternativa ao oleoduto este-oeste).

Na macro, a referência do dia foi a reunião do Banco de Inglaterra (BoE) que manteve as taxas de juros em 3,75%, como esperado, embora a decisão não tenha sido unânime (3 dos 9 membros votaram a favor de subir +25 p.b.). O nosso cenário central é que, no contexto de elevada inflação (+3,1% em agosto, muito longe do objetivo de +2%), o BoE começará a subir taxas de juros nos próximos meses. Por outro lado, o anúncio de moderação na venda de obrigações a longo prazo do seu balanço contribuiu também para uma sessão positiva na O10A britânica (Gilt) (TIR: 5,22%, -7,4 p.b.).

Em suma, sessão de tom construtivo apoiada por uma leitura positiva por parte do mercado das mensagens da Fed e apesar da tensão geopolítica e pressão nas yields continuarem.


Hoje: “Mantém-se o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e a menor tensão geopolítica.” 

Esta madrugada ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do Banco do Japão (BoJ), onde foi cumprido o guião e subiram as taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%. A decisão não foi unânime (2 de 9 membros votaram contra subir taxas de juros) e isto faz com que o yen esteja a reagir com quedas (157,1 $/Y), já que o mercado interpreta esta divisão como um posicionamento menos hawkish/duro do que o esperado. Com isto, termina hoje as reuniões dos quatro grandes bancos centrais (BCE, Fed, BoE e BoJ), onde todos (exceto o BoE) subiram taxas de juros em +25 p.b. e em todos os casos coincidiram, apresentando mensagens conservadoras para o futuro que antecipam novas subidas.

Além disso, hoje comparecerá Lagarde (11:30 h) após a reunião do ECOFIN e conheceremos a Produção Industrial nos EUA de agosto que se espera que melhore levemente em relação ao mês anterior (+0,3% esp. vs. +0,2% ant.).

Hoje a sessão poderá ser semelhante à de ontem, mantendo o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e menor tensão geopolítica (Brent hoje -1,2%). As bolsas asiáticas estão a subir na (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros vêm a subir nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (04:00 h): (i) O BoJ sobe taxas de juros em +25 p.b., até 1,25%, em linha com o esperado pelo mercado, embora a decisão não tenha sido unânime (2 contra, 7 a favor). OPINIÃO: O yen debilita-se ligeiramente (157,15 USD/JPY desde 156,00 antes) perante a falta de unanimidade numa subida que estava descontada pelo mercado. Implica a sexta subida sob o mandato de Ueda e situa as taxas de juros no nível mais alto desde 1995. Espera-se que o BoJ mantenha a tendência em alta perante as expetativas de que a inflação aumente quando terminarem as medidas para conter o preço da energia pela crise no M. Oriente. (ii) O IPC de agosto mantém-se estável em +1,9% a/a (vs. 2% esperado); a Taxa Subjacente, excluindo energia e alimentos não processados, também repete em +1,9% a/a (vs. 2% esperado). OPINIÃO: O comportamento, melhor do que o esperado da inflação, deve-se, em grande parte, às medidas de contenção dos preços da energia. Por isso, as expetativas continuam a apontar para um aumento da inflação, conforme as medidas desapareçam. 

ALEMANHA (07:00 h): Preços Industriais de agosto: +4,6% a/a. Aceleram mais do que o esperado (vs. +3,9% a/a esperado e +3,0% ant.). OPINIÃO: O aumento, superior ao esperado, reflete uma aceleração da pressão inflacionista, fundamentalmente pelo componente de Energia, +8,3% a/a (desde +3,8% a/a em julho).

REINO UNIDO (07:00 h): (i) Vendas a Retalho de agosto cresceram 2,4% a/a (vs. +1,9% a/a esperado e desde um aumento de +1,2% ant., revisto em baixa quatro décimas). OPINIÃO: Bom dado que assinala um ritmo de crescimento das Vendas em volume dos últimos três meses, que se mantém em +0,9% (vs. +0,5% em maio). (ii) Ontem, o BoE cumpre o esperado e manteve sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75%. A decisão não foi unânime, com 6 conselheiros a favor e 3 votos a favor de subir +25 p.b, igual à reunião de julho. Em relação ao balanço, o BoE acordou por unanimidade complementar o QT (Quantitative Tightening) e reduzir para zero a carteira de obrigações para 2034. O saldo total da carteira é de 488.000 M£ em setembro de 2026. Não obstante, reservará 120.000 M£ em obrigações de muito longo prazo para apoiar a emissão de notas. Após esta reserva, ficarão 368.000 M£ por desfazer: 222.000 M£ desaparecerão de forma natural ao vencimento e 146.000 M£ serão vendidos ativamente. O Banco venderá 20.000 M£ por ano, além dos vencimentos. Com esse ritmo, o balanço reduzir-se-á em torno de 46.000 M£ anuais e o processo de QT estaria concluído aproximadamente em setembro de 2034. OPINIÃO: Decisão de taxas de juros esperada pelo mercado e boas notícias em relação ao balanço. O BoE mantém um tom hawkish/duro ao insistir no seu compromisso de devolver a inflação ao objetivo estabelecido a médio prazo. Adverte que poderá ser necessário subir as taxas de juros se as pressões inflacionistas se intensificarem como consequência do conflito no M. Oriente. De facto, reconheceu que os riscos relativos à inflação se inclinam em alta, inclusive mais do que em julho. Declarou também que os efeitos indiretos da economia sobre a economia britânica ainda não se materializaram plenamente e que o seu impacto está mais a adiar-se do que a desaparecer. Neste contexto, o cenário que consideramos mais provável é que o BoE suba taxas de juros em +25 p.b. (desde 3,75% atual) antes do final do ano e outros +25 p.b. no início de 2027. As notícias mais positivas vierem por parte do balanço. O BoE reduzirá significativamente a oferta futura de gilts de longo prazo ao mercado, já que reterá 120.000 M£ de obrigações de muita longa duração até vencimento, e concentrará as vendas do QT numa parte mais reduzida da carteira. O BoE considera que, desta forma, a normalização do balanço pode completar-se sem comprometer a independência da política monetária nem a estabilidade financeira. Link para a nota (em espanhol). 

TURQUIA: Trata-se de uma medida destinada a travar a crise de liquidez em alguns fundos de investimento, que provocou uma queda na bolsa local de -8,0% em 2 dias. Antecedentes: as saídas de dinheiro em fundos de investimento e a entrada em vigor de mudanças regulatórias (limites de exposição a empresas com escassa liquidez) obrigaram a liquidar posições de forma acelerada, gerando dúvidas sobre a estabilidade financeira. As autoridades estão a colaborar com as entidades financeiras para garantir a liquides do sistema e evitar vendas forçadas enquanto reforçam a supervisão das gestoras de ativos. Além disso, o regulador ordenou a liquidação de 130 fundos de investimento para atender aos pedidos de reembolsos e congelou a contratação dos fundos de 7 gestoras. OPINIÃO: A realidade é que os reembolsos massivos em fundos de investimento provocaram uma correção severa e rápida no mercado, o que provoca um aumento do risco percebido sobre os ativos turcos (bolsas e obrigações) e gera dúvidas sobre a liquidez do sistema. Em suma, ocorre uma deterioração na confiança dos investidores que não é fácil de reparar, apesar das tentativas do banco central para instaurar a ortodoxia financeira. A boa notícia é que, após 2 dias convulsos, a bolsa subiu ontem +2,5%.

UE (ontem). O IPC final de agosto confirma o registo preliminar em +3,2% a/a (vs. +2,9% ant.). A taxa subjacente também confirmou a leitura preliminar de +2,4% (vs. +2,5% ant.). OPINIÃO: O dado final de inflação não revelou surpresas. O aumento da taxa geral em agosto explica-se principalmente pelo encarecimento da energia. Nomeadamente, o preço médio do petróleo situou-se em agosto de 2026, 33% acima do registado um ano antes (88 $/barril vs. 67 $/barril em agosto de 2025). Após a subida de taxas de juros de +25 p.b. aplicada pelo BCE, a 10 de setembro, até 2,50% Depósito e 2,65% Crédito, consideramos provável que ocorram novas subidas nos próximos meses, com o objetivo de prevenir que ocorram efeitos de segunda ronda. O objetivo é evitar que as pressões inflacionistas energéticas se repercutem em salários e aos restantes preços da economia.

 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

17/09/2026

Ontem: “A Fed prejudicou uma sessão que estava animada pela correção do petróleo.”

A sessão começou com bom tom graças à correção no preço do petróleo bruto (-3% até 105 $) após se saber que a Arábia Saudita estava a aumentar as suas exportações de petróleo através de Omã. A Europa fechou a subir +0,5% e Nova Iorque, antes da Fed, subia +0,3%. Contudo, a situação mudou após se saber a decisão da Fed e Nova Iorque acabou por cair -0,4%.

A Fed cumpriu e subiu as taxas de juros em +25 p.b. até 3,75%/4,00%, numa decisão unânime (12-0). O diagrama de pontos contempla taxas de juros mais altas em +50 p.b. até 2028: mais uma subida este ano (mais uma do que em junho) e já não contempla descidas em 2027. O discurso de Warsh foi claramente hawkish/duro, reiterando várias vezes o seu compromisso com a inflação e realçando que a economia se mantém forte e as condições financeiras não podem ser classificadas como restritivas. Assumimos uma nova subida em 2026, provavelmente depois das Midterms, mas em nenhum caso esperamos um novo ciclo de subidas, já que um choque de oferta não se corrige com taxas de juros mais altas e os efeitos de segunda ronda ainda não se materializaram.

 

Hoje: “Europa irá descontar o tom hawkish da Fed, numa sessão sem referências, além do BoE.” 

Apesar do tom hawkish da Fed, uma vez passada a incerteza da reunião, na qual reforçou a sua credibilidade, o que tranquiliza os mercados e com o petróleo estabilizado, poderemos ter uma sessão positiva nas bolsas e obrigações. 

Além disso, a atenção estará na decisão de taxas de juros do Banco de Inglaterra (BoE) às 12 h, que provavelmente manterá as taxas de juros em 3,75%, embora após a subida por parte da Fed, pode ser que utilize um tom mais duro para manter estável a libra, o que aumentará as probabilidades de subidas no futuro. E com esta, já só restará a reunião do Banco do Japão, amanhã, cuja decisão parece a mais clara, já que se desconta quase a 100% que irão fazer uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Na frente geoestratégica, Trump ameaçou a UE com impor novos impostos alfandegários aos seus produtos se cumprir a sua proposta de tornar o Canadá membro associado da União, o que considera um ato hostil.

Em suma, hoje poderemos ter uma sessão positiva em ambos os lados do Atlântico (assim o adiantam os futuros), já que apesar do tom hawkish da Fed, a sua determinação para combater a inflação reforçou a sua credibilidade, o que parece agradar os mercados. Além disso, a isso une-se o alívio que o preço do petróleo bruto está a dar, embora ainda se mantenha em níveis altos (104 $) e qualquer notícia que o faça aumentar de novo poderá prejudicar a sessão.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): A Fed sobe as suas taxas de juros em +25 p.b. até ao intervalo 3,75%/4,00%, como esperado. Decisão unânime (12/0). Link para o comunicado (em inglês). Também revê ligeiramente em alta as previsões de crescimento e de inflação. O diagrama de pontos contempla mais uma subida este ano (mais uma do que em junho) e já não contempla descidas em 2027. Link para as projeções (em inglês). OPINIÃO: A Fed cumpre a expetativa do mercado e sobe as taxas de juros em +25 p.b. O tom é explícita e implicitamente duro. Apontam um compromisso firme e uma preocupação elevada e unânime pela inflação num contexto (geopolítica, forte ciclo investidor para implementação de IA) que não facilita a moderação de preços. Isso faz-nos assumir pelo menos mais uma subida de taxas de juros em 2026, até 4,00%/4,25%. O “timing” não está claro, mas a direção sim. A Fed poderia dar uma margem na próxima reunião de 27/28 de outubro, para não interferir nas eleições de 3 de novembro e manter-se temporariamente à espera da evolução na frente geopolítica até à reunião de 8/9 de dezembro. Historicamente, a Fed não fez subidas isoladas de um só movimento de taxas de juros. Não obstante, desta vez não descartamos um ciclo agressivo de subidas de perante um choque de oferta que não se combate com taxas de juros mais elevadas e, de momento, sem indícios de efeitos de segunda ronda (pressões de salários, maioritariamente), mas antecipamos taxas de juros mais elevadas durante mais tempo. Link para o relatório (em espanhol). (ii) As Vendas a Retalho ganham tração em agosto apesar da incerteza geopolítica e preços da energia elevados. As Vendas a Retalho surpreendem positivamente após subirem +1,2% m/m em agosto vs. +0,8% esperado vs. -0,5% anterior (revisto desde -0,6%) com as Vendas do Grupo de Controlo (dado menos volátil) em +1,4% m/m vs. +0,4% esperado -0,4% ant. O ritmo de Vendas recupera parte do terreno perdido em julho ao registar um crescimento de +5,6% na taxa interanual (vs. +4,5% ant.). É uma boa notícia, porque ocorre num contexto de incerteza geopolítica, com os preços da energia em alta e uma inflação que supera o objetivo da Fed (+3,4% em agosto). Além disso, os números mais recentes de atividade refletem um bom comportamento das vendas nas primeiras semanas de setembro. O índice Johnson Redbook, que mede a evolução semanal das Vendas Comparáveis (L-F-L) sem considerar o comércio online, sobe +8,5% a/a até 12 de setembro (vs. +8,3% no final de agosto). O dinamismo da economia americana (+4,6% no GDP Now da Fed de Atlanta e um mercado laboral equilibrado (+3,1% no salário médio) convidam a pensar no bom comportamento do Consumo nos próximos meses. Link para o relatório completo no broker (em espanhol).

BRASIL (ontem): O Banco Central (Copom) cumpre as expetativas e baixa a taxa de juro de referência (taxa Selic) em -25 p.b. até 13,75%. O Copom acumula 5 descidas desde que começou a relaxar a política monetária em março de 2026, e deixa aberta a possibilidade de novos cortes se a macro evoluir em linha com o previsto. O banco central revê ligeiramente em alta as perspetivas de inflação até +5,2% em 2026 (vs. +5,1% ant.) e +3,9% em 2027 (vs. +3,8% ant.), mas mantém sem alterações as suas estimativas a longo prazo (+3,2% no 1T 2028). OPINIÃO: O Copom deixa aberta a possibilidade de novos cortes de taxas de juros porque a inflação converge para o objetivo (3,0% +/- 1,5%) e a atividade económica perde inércia. De facto, o mercado de obrigações antecipa 2 cortes adicionais de -25 p.b. em 2026 até 13,0% porque o banco central tem margem de manobra para o fazer após as eleições presidenciais de outubro. Como referência, a taxa de juro real situa-se em níveis atrativos (~9,5%) e historicamente altos. Link para o comunicado (em inglês).

UE/TERRAS RARAS: Von der Leyen anunciou ontem a criação de uma Corporação de Matérias-Primas Críticas (European Corporation on Critical Raw Materials). Terá como objetivo a criação de uma reserva estratégica destes materiais. OPINIÃO: É um passo para reduzir a dependência europeia nestas matérias-primas, na sua maioria procedentes da China. Outros países como o Japão ou os EUA já contam com instrumentos parecidos.

UE (ontem): O ritmo dos Salários enfraquece até +3,0% no 2T 2026 (vs. +3,4% no 2T 2026 vs. +4,1% no 2T 2025). Entre as principais economias, a Alemanha (+2,9%), França (+2,1%) e Itália (+2,1%) mantêm-se abaixo da média, Espanha continua acima, mas o crescimento enfraquece até +4,3% (vs. +5,2% no 1T 2026) enquanto Portugal sobe +5,4% (vs. +5,3% no 1T 2026). OPINIÃO: Os números confirmam o aumento nos preços da energia e o IPC não se repercutir nos salários (bom para as perspetivas de inflação e obrigações). Cabe recordar que o índice que mede a evolução dos salários negociados (ECB Wage Tacker), que é um dos indicadores favoritos do BCE, regista um comportamento melhor (+2,44% no 2T 2026 vs. 2,56% no 1T 2026). Ainda assim, o BCE mantém um tom hawkish/duro devido à incerteza geopolítica (risco de inflação em alta) e possíveis efeitos de segunda ronda que poderão vir pelos preços dos alimentos.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

16/09/2026

Ontem: “Quedas nas bolsas enquanto o petróleo continua a subir.”

Sessão negativa nas bolsas (-0,4% Europa e EUA). O conflito no M. Oriente continua e uma desescalada a curto prazo não parece previsível. Por isso, o petróleo continua a escalar (Brent +3% ontem até 108,8 $) e as rentabilidades das obrigações pressionadas em alta (T-Note 5,00% e Bund 3,54%). É uma má combinação para as bolsas, principalmente no prelúdio da reunião da Fed, hoje após o fecho europeu. De momento, não há efeitos de segunda ronda, mas um aumento sustentado dos preços da energia poderia acabar por repercutir nos salários e provocar uma reação mais dura do que o desejável por parte do banco central. Como se não bastasse, as dúvidas sobre a rapidez na implementação da IA fazem recear uma desaceleração nos investimentos das grandes tecnológicas que pode, por sua vez, provocar uma moderação na geração de lucros esperada, especialmente em semicondutores.

Em suma, o foco do mercado continua em inflação e taxas de juros. Sem avanços no M. Oriente e à espera da Fed, mau tom nas bolsas e obrigações.

 

Hoje: “Tom lateral à espera da Fed.” 

A reunião da Fed (19 h) é a chave da sessão. Num contexto volátil, qualquer desenvolvimento é possível. Manter taxas de juros (3,50%/3,75%) é justificável com base numa inflação que continua a moderar-se (+4,2% em maio vs. +3,4% em agosto), sem tensões em salários que apontem para efeitos de segunda ronda e o receio de uma redução dos investimentos em IA que pesem sobre o crescimento. Sem esquecer outras condicionantes menos técnicas, mas certamente relevantes. Por um lado, o forte aumento das rentabilidades das obrigações (T-Note 5,00%, +80 p.b. aprox. no ano) e a pressão de Trump antes das eleições de meio mandato (3 de novembro). Esperar antes de mover continua a parecer-nos um cenário lógico. Contudo, a recuperação observada nos últimos dados de emprego e o ritmo de avanço intermensal do IPC (+0,4% agosto vs. +0,1% julho) impedem descartar uma subida (+25 p.b. até 3,75%/4,00%). Especialmente porque a postura de Warsh em Jackson Hole, muito firme na luta contra a inflação, situa-se numa posição comprometida. Subir taxas de juros pode ser uma forma de ganhar credibilidade e demonstrar a sua independência. Em qualquer caso, inclusive se a Fed surpreender e manter taxas de juros, antecipamos uma reunião com tom duro que não servirá de impulso para um mercado preocupado com a inflação, o aumento da yield das obrigações e uma possível moderação de lucros se o desenvolvimento da IA perder inércia. Em suma, uma sessão lateral antes e depois da Fed não seria um mau cenário.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00 h): A inflação aumenta 2 décimas em agosto até +3,1% (vs. +3,1% esperado) com a Subjacente estável em +2,6%. A boa notícia é que o RPI (Retail Price Index) surpreende positivamente (+3,4% vs. +3,5% esperado vs. +3,2% ant.) com a Inflação de Serviços estável em +3,4% (vs. +3,5% esperado). OPINIÃO: O IPC aumenta pelo 2.º mês consecutivo e alcança o nível mais alto desde março de 2026 (+3,3%), num contexto marcado pela subida nos preços da energia. A inflação situa-se uma décima abaixo do pico estimado pelo BoE para o 2S 2026, segundo as estimativas publicadas no Inflation Report de 30 de julho. Em suma, tudo aponta para que o BoE mantenha as taxas de juros em 3,75% (probabilidade >80,0%) amanhã.

JAPÃO (00:50 h): O Défice Comercial sobe até -1.105,6 biliões de yens em agosto (vs. -1.052,0 biliões de yens esperado vs. -634,5 biliões de yens ant.) devido ao forte aumento das Importações que se explica pelos preços da energia. - OPINIÃO: As Exportações mantêm um ritmo de crescimento elevado (+19,3% vs. +18,2% esperado), mas as Importações (+28,0% vs. +26,3% esperado) registam a maior subida desde novembro de 2022. O aumento do défice explica-se, portanto, pelo brusco aumento das Importações, que está estreitamente relacionado com o encarecimento dos preços da energia (+58,7% em compras de petróleo bruto). Em suma, o encarecimento das Importações e as pressões inflacionistas reforçam a expetativa de um aumento na taxa de juro de referência de +25 p.b. até 1,0% por parte do BoJ, esta sexta-feira.

EUA (ontem): O Empire Manufacturing caiu até 7,6 desde 15 estimado e 20,6 anterior. OPINIÃO: Dado débil, o pior desde junho. Ocorreu uma queda geral das componentes. Os Novos Pedidos -15,3 pontos até 2,0; Os Pedidos -14,9 pontos até -3,2, em negativo pela primeira vez desde março. Por último, ocorreu um aumento dos preços: os Preços Pagos aumentaram até 63,1, nível mais elevado em seis anos, enquanto os Preços Recebidos aumentaram até 28,1, +5,4 pontos. O maior nível de preços responde a um aumento das matérias-primas. Pelo lado positivo, os planos de investimento mantiveram-se elevados e as empresas continuam a ser positivas em relação às perspetivas para os próximos seis meses. 

ALEMANHA (ontem): O ZEW melhorou em setembro até 34,7 desde 34,2, embora menos do que o estimado, 40. A Situação Atual melhorou até –47,1 desde -52,1 estimado e -61,1 anterior, mas a componente Expetativas piorou até 25,8 desde 31,4. OPINIÃO: Dado débil, pior do que o esperado. O indicador refletiu que os investidores se mostram cautelosamente otimistas em relação à recuperação económica. Link para a nota (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise