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Informação Diária de Mercados

02.10.2026

Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal

Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.

 

02/10/2026

Ontem: “Aumenta a preocupação pela inflação. Quedas nos EUA enquanto a Europa aguenta com os semicondutores.”

Os preços do petróleo voltaram a subir ontem (+4%) até novamente acima da barreira psicológico de 100 $/barril.  Além disso, embora o ISM Industrial dos EUA se tenha moderado até 54,5 em setembro vs. 55,0 estimado, a componente de Preços Pagos aumentou mais do que o esperado (77,9 em setembro vs. 71,1 anterior e 73,0 esp.), alimentando as preocupações sobre a inflação e taxas de juros. Como consequência: (i) a yield das obrigações soberanas mantém-se tensionada, em níveis elevados, próximos a 5,25% no T-Note e acima de 3,50% no Bund; (ii) o euro continua a debilitar-se até 1,124/$, e (iii) as bolsas caíram na Europa (-1,4%), embora os EUA tenham conseguido fechar em positivo (+0,2%), apoiados pelos semicondutores (+1,6%), após os resultados de Micron Technology (+3%) que bateu expetativas, com EPS a multiplicar por 11x!, e a melhorar guias. A outra cara da moeda foi Nike, que publicou resultados após o fecho piores do que o esperado, com vendas em quedas de -4% (na China -26%) e baixou as suas guias para 2027. Cai -8% no mercado fora de hora.

 

Hoje: “IPC da UE e emprego americano. Bolsas débeis.” 

Hoje é o dia chave da semana no que diz respeito a dados macro. Por um lado, teremos o IPC da zona euro, que se espera que aumente 5 décimas em setembro até +3,7% a/a (vs. +3,2% anterior), embora com a subjacente contida, de momento, em +2,5% a/a vs. +2,4% anterior. Em caso de surpreender, será provavelmente em alta, tendo em conta os IPC dos principais países da zona euro que conhecemos esta semana, com aumentos de entre 4 e 9 décimas. Por outro lado, teremos os dados de emprego dos EUA, com Criação de Emprego Não Agrícola que deverá moderar-se em setembro após o forte aumento do mês anterior e com a Taxa de Desemprego estável em 4,1%, isto é, pleno emprego. Especialmente relevante serão os Salários Médios por Hora, para ver se a inflação, de momento, provocada pela energia, começa ou não a repercutir e produzir “efeitos de segunda ronda”.

Com base nesses dados, parece pouco provável que as expetativas de inflação e taxas de juros se moderem, portanto, as bolsas poderão continuar fracas hoje, fechando planas no melhor dos cenários. Teremos de esperar pela temporada de resultados, para encontrar novos catalisadores. 


CONTEXTO ECONÓMICO. –


ESPANHA (08:00h): O número de desempregados aumenta em +23,6 mil pessoas em setembro, após o aumento de +44,4 mil no mês de agosto. -  O Desemprego situa-se em 2,38M pessoas (+1,0% m/m e -1,74% a/a).  Os Afiliados à Segurança Social 22,48M (+108 mil pessoas +0,5% m/m e +3,5% a/a). Os Afiliados não ajustados de sazonalidade à Segurança Social ascendem a 22,44M pessoas (+92,3 mil pessoas +0,4% m/m e +3,4% a/a).  Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol) e Link para o Ministério de Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados aumenta em setembro, como é habitual em este mês, embora acima da média dos últimos 4 anos (+8,9 mil pessoas em setembro) e acumula três meses consecutivos de aumento. A Afiliação à SS acelera +3,5% a/a vs. +2,3% a/a em abril de 2026. Os números de desemprego e a aceleração na Afiliação dos últimos meses podem estar parcialmente influenciadas pelo processo de regularização extraordinária (abril-junho). A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,6% (vs. 9,87% Taxa de Desemprego da EPA junho de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) 10,1% em média de 2026 (desde 10,5% em 2025).

EUA/FED (ontem): (i) Williams (Fed de N. Iorque) e Jefferson (Vice-presidente) antecipam uma pausa da Fed em outubro, sem renunciar futuras novas subidas. A estratégia é ganhar tempo para analisar a evolução da inflação e as condições financeiras sem urgência para subir taxas de juros imediatamente. A chave está nos últimos números de inflação não deteriorados e a subida na rentabilidade/yield das obrigações provoca um endurecimento nas condições financeiras. OPINIÃO: O mercado de obrigações reagiu com uma descida drástica na probabilidade de ver uma subida de taxas de juros na próxima reunião (27 e 28 de outubro), que agora situa abaixo de 25,0%. A estratégia de Willians e Jefferson faz sentido, porque não é habitual que a Fed suba taxas de juros mesmo antes das eleições de meio mandato (3 de novembro). As nossas previsões refletem duas subidas de taxas de juros de +25 p.b. em dezembro de 2026 e janeiro de 2027, para situar os Fed Funds em 4,25%/4,50% (vs. 3,75%/4,00% atual). Como referência, os membros mais hawkish/duros como Logan (Dallas) e Kashkari (Minneapolis) consideram que serão necessárias novas subidas para garantir a convergência da inflação para o objetivo de 2,0%. (ii) O ISM Industrial piorou uma décima até 54,5 vs. 55 estimado. Os Preços Pagos aumentaram até 77,9 desde 71,1, quando se estimava 73,0. OPINIÃO: A atividade industrial expandiu-se a um ritmo um pouco mais lento em setembro, num contexto de custos em alta e atrasos no envio. O aumento dos custos reflete maior pressão inflacionista. Link para a nota (em espanhol).

UE (ontem): A Taxa de Desemprego repetiu em 6,4%, em linha com o esperado. OPINIÃO: Este indicador refletiu a força do emprego na Europa e atribui argumentos ao banco central europeu para que continue o seu processo de endurecimento da política monetária. 

FRANÇA (ontem): O governo apresentou os orçamentos gerais para 2027. Posteriormente, irá remetê-los ao Parlamento para tramitação. Incluem: (i) ajuste fiscal por 54.000 M€ (aprox. 2% PIB), dos quais 43.000 M€ são novas medidas. (ii) Com isso, estima que o défice público se situará em 5,0% em 2027 desde 5,4% previsto no fecho de 2026. Apesar deste ajuste, estima que a dívida pública aumentará até 121,7% do PIB em 2027 vs. 119,3% no fecho de 2026. OPINIÃO: 60% do esforço procederão de cortes de despesas enquanto os 40% restantes procederão de aumentos de impostos de IVA e IRPF. Outros impostos aumentarão também, como infraestrutura (aeroportos e autoestradas). Os cortes focam-se em congelar salários públicos e pensões (menos as mais baixas) e redução da despesa dos governos locais, saúde e menores deduções nas contribuições das empresas à Segurança Social. Medidas impopulares que dificultam a sua aprovação por um governo fragmentado e que enfrenta eleições presidenciais em abril/maio de 2027. As dúvidas sobre a sua implementação elevaram a rentabilidade da obrigação a 10 anos francesa, +135 p.b. até 4,915% em 2026, o que implica um prémio de 145 p.b. face ao Bund alemão.


Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

01/10/2026

Ontem: “Dia de inflações mistas. Bons dados nos EUA, mas mais tensionados na Europa.”

Sessão de inflações em ambos os lados do Atlântico. Na Europa, os preços surpreenderam em alta de forma geral, reforçando a pressão sobre o BCE para manter uma postura mais restritiva. Nos EUA, contudo, a leitura foi mais favorável: Deflator do sumo Privado (PCE) de agosto, medida favorita da Fed para medir a inflação, manteve-se estável tanto na Taxa Geral (+3,4% a/a vs. +3,7% esperado) como na Subjacente (+3,0% a/a vs. +3,3% esp.). A isso uniu-se a revisão em alta do PIB 2T 2026 até +2,2% a/a vs. +2,1% preliminar. Números fortes que confirmam a resistência da economia americana, apesar do endurecimento monetário. Isto animou a tecnologia, que avaliou com subidas e moderaram-se as expetativas de uma nova subida de taxas de juros da Fed, em outubro, em linha com a nossa Estratégia Trimestral 4T 2026 (em espanhol; brevemente em português) recentemente publicada. 

Em suma, sessão dominada pela inflação, com melhor leitura nos EUA do que na Europa, aumento da yield do T-note (5,28%; +5 p.b.) e algum alívio nas expetativas de taxas de juros da Fed.

 

Hoje: “Micron bate e petróleo <100 $. Sessão de transição até amanhã: emprego EUA e IPC europeu.” 

O petróleo retrocede pela expetativa de uma recuperação dos fluxos de petróleo procedentes do M. Oriente, após a recente reabertura de Yanbu, na Arábia Saudita, o que tranquiliza o mercado. De facto, situa-se abaixo da fronteira psicológica dos 100 $/barril. Isto é uma boa notícia, principalmente após se conhecer o aumento da inflação em Espanha, França, Alemanha, etc. e implica uma redução da pressão sobre as obrigações.
O mercado reage aos resultados de Micron, esta madrugada, que batem expetativas, mas no mercado fora de hora avalia plano, porque as guias de margens são um pouco pior do que o esperado.

Na frente convencional, conheceremos: (i) a Taxa de Desemprego na UE, que deverá adotar uma leitura continuísta, e o (ii) ISM Industrial, para o qual se espera alguma melhoria. Contudo, o mercado estará atento aos Preços Pagos, que poderão aumentar, regressando os receios sobre inflação e taxas de juros… Além disso, servirá de sinal, num contexto de ausência de dados até meados de outubro (IPC americano).

Por este motivo, a sessão será de transição até amanhã, onde conheceremos dados do mercado laboral americano e o IPC da UE, algo que inquieta num contexto de maiores pressões inflacionistas observadas na Europa. Razoável, tendo em conta a sua elevada dependência energética, diferente dos EUA (primeiro produtor mundial).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): Índice Tankan 3T 2026 de grandes empresas industriais situou-se em 24 vs. 25 estimado e 22 anterior. O Não Industrial piorou até 35 vs. 36 estimado e 37 anterior. Também melhorou a perspetiva até 21 vs. 22 estimado e 17 anterior. O Índice Tankan de pequenas empresas industrial situou-se em 14 vs. 11 estimado e 9 anterior. O Não Industrial repetiu em 15 vs. 14 estimado. Melhorou a perspetiva até 10 vs. 8 estimado e anterior. OPINIÃO: Dados, em geral, positivos no trimestre. As empresas mantiveram um nível elevado de confiança e foram positivos em relação ao futuro. De facto, foram os melhores dados dos últimos 8 anos. Estes números ocorrem apesar do início de subidas de taxas de juros por parte do banco central do Japão e proporciona argumentos para que continue com o seu processo de endurecimento da política monetária.

EUA (ontem): Conjunto de dados macro: (i) PCE de agosto +3,4% a/a vs. +3,7% esp. e +3,4% ant. (revisto desde +3,7%). -Taxa Subjacente +3,0% vs. +3,3% esp. e +3,0% ant. (revisto desde +3,3%). Link para a nota (em espanhol). (ii) PIB 2T’26 é revisto em alta: +2,2% a/a vs. +2,1% preliminar e +2,6% ant. Link para a nota (em espanhol). (iii) Criação de Emprego Privado em setembro +90k vs. +70k esp. e +36k ant. (revisto desde +38k). OPINIÃO: No conjunto, são números positivos, embora a surpresa favorável na inflação deva ser assumida com alguma cautela. O dado deve-se à atualização das fontes de dados e mudanças nos métodos de construção do indicador que provocam uma revisão em baixa em toda a série. Em qualquer caso, continuam a ser nível elevados de inflação e acima do objetivo de +2% da Fed. Uma inflação elevada, crescimento robusto e mercado laboral estável justifica uma Fed hawkish (dura) que continue a endurecer a sua política monetária. O nosso cenário central aponta para duas subidas de +25 p.b. em dezembro e janeiro de 2027. 

ALEMANHA (ontem): O IPC de setembro surpreende em alta: +3,3% (a/a) vs. +3,1% esperado e +2,9% anterior. Em termos intermensais +0,6% vs. +0,5% esperado e +0,2% anterior. A taxa subjacente repete em +2,4%. O IPC harmonizado (usado para calcular o IPC da UE) também aumenta até +3,3% vs. 3,2% esperado e +2,9% anterior. OPINIÃO: Números negativos, em linha com as surpresas em alta nos IPC de Espanha, França e Itália e que fazem prever um aumento acima do esperado na Inflação da UE, na próxima sexta-feira. O aumento na componente de Energia (+14,9% a/a) explica a aceleração. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda como bem reflete a Taxa Subjacente (+2,4% a/a), que até está abaixo dos níveis prévios ao início do conflito no Irão (+2,5%).

PORTUGAL (ontem): A inflação aumenta em setembro até 3,6% (a/a). O IPC situa-se em +3,6% (a/a) vs. +3,3% anterior. A variação intermensal situa-se em +1,2% vs. 0,0% anterior. OPINIÃO: Como era de esperar, a inflação aumenta em setembro devido aos maiores preços de energia (petróleo e gás). A nossa estimativa é que se manterá em níveis próximos a +3,5% até ao final do ano, embora não descartemos nenhum aumento pontual até níveis próximos a 4%.

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30/09/2026

Ontem: “Obrigações e petróleo relaxam. Bolsas mistas. A tecnologia (semis) à prova de… obrigações.”

O petróleo bruto relaxa (Brent -2,6% até 102,6 $) após o anúncio de que a Arábia Saudita reabre um dos seus principais oleodutos e as rentabilidades das obrigações conseguem estabilizar-se. T-Note em 5,24%, Bund em 3,62% (-2 p.b.). Ajudam uns dados macro nos EUA que, finalmente, dão sinais de debilidade: Vagas de Emprego JOLTS em mínimos de 5 meses e, principalmente, uma Confiança do Consumidor que cai mais do que o esperado e alcança mínimos desde 2014. França começa a discutir os seus orçamentos 2027 e sofre especialmente (Obrigação 10A +4 p.b. até 4,81%). As bolsas fecham mistas. EUA com quedas, Europa +0,3%. A tecnologia lidera ambos os lados do Atlântico com os semis a liderar (+1,3%). Fechamos hoje setembro com saldos negativos tanto nas obrigações como nas bolsas, exceto tecnologia: BBG Global Aggregate -2,5%, bolsas -1,6% na Europa, -0,2% EUA, tecnologia +3,0%, semis +9,5%. O pano de fundo: um conflito no Irão que se arrasta, exercendo pressão sobre o petróleo e os preços, o que resultará em taxas de juro mais elevadas durante mais tempo. O único antídoto é o crescimento dos lucros, que é positivo ou, até mesmo, explosivo nos semis. EPS médio esperado nos EUA no 3T26 +30,2%.

 

Hoje: “Inflações na Europa e EUA. Resultados de Micron após o fecho (+950%).” 

Hoje é dia de inflações: IPC em vários países europeus e PCE nos EUA. Mais afetados pelo choque energético, não surpreenderá que os resultados sejam piores na Europa do que nos EUA. A chave estará em quão maus. Se Espanha serve de precedente, poderemos ver surpresas negativas. É difícil prever, porque os diferentes países tomaram medidas para atenuar o aumento do preço da energia. Ontem, o IPC espanhol aumentou 6 décimas em setembro, até +4,9% vs. +4,6% esperado. Servirão para conformar o IPC da UE que conhecermos esta manhã, e que ajudará a recalibrar as expetativas de subidas de taxas de juros do BCE. Nos EUA, espera-se que o PCE repita em +3,7% (subjacente em +3,3%). Terá menos impacto porque já se conhece o IPC de agosto: repetiu em +3,4% e a Subjacente retrocedeu 1 décima até +2,4%. Hoje a sessão herda a maior calma de ontem: as obrigações continuam a relaxar-se um pouco, Ásia sobe. Assim, esperamos uma sessão com melhor tom nas bolsas e obrigações. Após o fecho, Micron publica e espera-se um aumento de EPS de +950%... mais gasolina para os semis.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

FRANÇA (07:45 h): O IPC de setembro surpreende e aumenta acima do esperado até +3,4% vs. +3,1% esp. vs. +2,6% ant. OPINIÃO: Dado negativo que se une ao IPC de Espanha de ontem (+4,9% vs. +4,5% esp.) e faz prever um aumento no conjunto da UE. 

ALEMANHA (07:00 h): (i) As Vendas a Retalho em agosto caem menos do que o esperado: -0,4% a/a vs. -0,5% esp. vs. -2,2% ant. (revisto desde -2,5%). (ii) Preços de Importações +8,3% vs. +8,0% vs. +6,8%. -OPINIÃO: Ambos os dados são negativos, embora tenham impacto limitado no mercado ao serem do mês de agosto. O conflito no M. Oriente e o aumento do preço do petróleo bruto impacta nos preços que, por sua vez, pesam sobre o consumo.

REINO UNIDO (07:00 h): O PIB do 2T’26 surpreende e é revisto em alta: +1,4% a/a vs. +1,2% esp. vs. +0,9% ant. OPINIÃO: Resultados positivos que geram otimismo sobre uma recuperação do crescimento. O PIB acelera, impulsionado pela melhoria do Setor Exterior (Exportações +2,8% t/t; Importações +0,0% t/t) e o Investimento Empresarial (+5,2% a/a).

CHINA (02:30h): PMI Industrial RatingDog melhora em setembro e aprofunda em zona de expansão: 52,1 vs. 51,7 esp. vs. 51,5 ant. -Serviços também aumenta ligeiramente: 51,6 vs. 51,3 vs. 51,4. OPINIÃO: Dados positivos. Indústria e Serviços ganham tração, impulsionados pelo plano de estímulos fiscais do governo. o PIB 2T 2026 cresceu +4,3% a/a, abaixo do intervalo objetivo 4,5%/5,0%. Com as ajudas mencionadas, que procuram impulsionar o Consumo, e um sólido Setor Exterior, apoiado por tecnologia, o crescimento poderá acelerar na segunda metade do ano e alcançar o objetivo do governo. 

JAPÃO (00:50 h): (i) Vendas a Retalho desaceleram mais do que o esperado em agosto: +2,7% a/a vs. +3,2% esp. vs. +4,0% ant. -Em termos intermensais, caem -1,2% vs. -1,1% vs. +2,4%. (ii) Produção Industrial desacelera em agosto: +3,4% a/a vs. +6,8% esp. vs. +3,9% ant. - Em termos intermensais, -1,7% vs. +1,3% vs. -0,2%. OPINIÃO: Resultados negativos. Produção e Consumo ressentem-se em agosto, com fabricantes e consumidores afetados por maiores custos derivados do conflito no M. Oriente. Em relação à produção, também se viu afetada pelo terramoto em Kumamoto (região com peso importante no fabrico de semicondutores e eletrónica avançada) que obrigou a deter parte da produção.

EUA (ontem): Confiança do Consumidor de setembro pior do que o esperado. Retrocede até 81,9 vs. 89,0 esperado e 86,6 anterior. Registo mais baixo em 12 anos. A componente de Situação Atual cai até 109,3 (vs. 120,2 esp. e 117,2 ant.) e a de Expetativas retrocede até 63,6 (vs. 68,5 esp. e 69,5 ant.). OPINIÃO: Dado pior do que o esperado e 4.º mês consecutivo com retrocessos. Os lares mantêm a sua preocupação pelas perspetivas da economia para os próximos meses perante o aumento da inflação e as potenciais subidas das taxas de juros por parte da Fed. Link para a nota (em espanhol).

UE (ontem): Confiança do Consumidor de setembro em linha com o esperado: -16,5 vs. -16,5 esperado e -16,5 anterior. O indicador de confiança europeia, apesar de continuar claramente em terreno negativo, mantém-se sem alterações face ao mês anterior e em relação ao dado esperado. OPINIÃO: As subidas de taxas de juros do BCE realizadas nos últimos meses, junto com uma inflação em constante subida desde o início do conflito do Irão (+3,7% esperado pelo consenso para setembro vs. +1,9% em fevereiro) faz com que os consumidores europeus vejam o futuro com tom de prudência.

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29/09/2026

Ontem: “O conflito no M. Oriente dilata-se...”

Trump rejeitou a proposta de cessar-fogo do Irão e o petróleo voltou a aumentar até 105 $/barril. Como consequência, comportamento errático nas bolsas, com Nova Iorque (-0,7%) pior do que a Europa (0,0%), e as yields das obrigações a aumentarem de forma geral… Principalmente nos EUA (T-Note +8 p.b. 5,24%), que alcançou máximos dos últimos 20 anos.

Na Europa, as obrigações mostraram um comportamento semelhante (Bund alemão +4 p.b.; 3,64%, O10A ESP +6 p.b.; 4,14%) apesar do tom bastante dovish/suave que Lagarde usou na sua intervenção no Parlamento Europeu. A mensagem principal foi sobre a sua dialética em relação à inflação. Afirmou que esta poderá alcançar 4% no final do ano, mas que de momento não há evidências de que maiores preços energéticos prejudiquem via efeitos de segunda ronda (salários) na economia. E que, portanto, uma política monetária moderada continua a ser o apropriado.

Na frente micro, Nvidia (+1,7%) obteve a aprovação do Conselho para recomprar ações até 150.000 M$ 2026/2027, que se uniriam aos 85.000 M $ já anunciados e que implicaria ca. 4,2% capitalização bursátil.

 

Hoje: “Sem notícias na frente geoestratégica e petróleo +2%... Primeiras inflações europeias no foco.” 

O tom para hoje é bastante negativo. Sem avanços no M. Oriente, o petróleo aumenta ca. +2% até 107 $/barril… Portanto, parece difícil que as yields ofereçam um alívio, portanto, o mais provável é que as bolsas mostrem um comportamento errático. Mais ainda ao ter em conta que começarão a ser publicados registos de inflação preliminares na Europa pouco incentivadores. De momento, o IPC em Espanha alcança +4,9% (vs. +4,3% ant.). Amanhã será publicada a de França (+2,8% esp. vs. +2,4% ant.) e Alemanha (+3,1% vs. +2,9%) e na sexta-feira a da UE (+3,7% vs. +3,2%). Veremos…

No plano macro, o banco central da Austrália (RBA) subiu taxas de juros em +25 p.b., como esperado, até 4,60%, seguindo a Fed e o BCE. Também conheceremos a Confiança do Consumidor nos EUA (90,0 pontos esp. vs. 89,4 ant.) e as Vagas de Emprego Disponíveis JOLTS (7,24M vs. 7,27M). Não deverá impactar em excesso hoje, mas se ambos confirmarem as estimativas, a leitura será positiva para o ciclo, especialmente tendo em conta o aumento do petróleo em setembro (WTI: +14%).

Em suma, hoje aspeto débil: yields tensionadas e bolsas fracas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): IPC (preliminar) de setembro aumenta até 4,9% a/a (vs. 4,6% esperado e desde 4,3% ant.). A Taxa Subjacente aumenta para 3,1% a/a (vs. 3,0% estimado e desde 2,9% ant.). Em termos intermensais, +0,3% m/m (vs. +0,1% m/m esperado e +0,7% m/m ant.) e a Subjacente -0,2% m/m. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Dado pior do que o esperado na Taxa Geral e ligeiramente pior do que na Subjacente, que se situa em 3,1% a/a. O aumento baseia-se na componente de Energia (+3,9% m/m; +21,6% a/a), seguida do aumento em Alimentos não transformados (+1,2% m/m; +5,8% a/a). Os Bens Industriais sem energia também aumentam (+1,1% m/m; +2,0% a/a), enquanto Serviços e Alimentos transformados se mantêm contidos. O foco das autoridades monetárias está em evitar a possibilidade de efeitos de segunda ronda, fundamentalmente através do transporte e alimentação. O Conselho de Ministros de hoje poderá anunciar novas medidas contra o aumento da inflação. As medidas iniciais (março) após o início do conflito no M. Oriente foram prolongadas em junho, com uma retirada progressiva que termina amanhã, 30 de setembro. Até ao momento, o custo das medidas contra o impacto da inflação teria ascendido a 10.000 M€ (~0,6% PIB).

AUSTRÁLIA (03:30 h): O RBA sobe taxas de juros em +25 p.b., tal como esperado, até 4,60% desde 4,35% anterior. OPINIÃO: É a quarta subida que realiza este ano e enquadra-se no contexto em que o organismo assinala a sua preocupação pelos atuais níveis de inflação, que alcançou +3,90%, quando em junho do ano passado estava em 2,10%. De facto, o governador do RBA, Bullock, assinalou que, apesar de considerarem os movimentos realizados suficientes, em caso de persistência das inflações inflacionistas, não descarta que possam acontecer novas subidas.

UE (ontem): A presidente do BCE, Christine Lagarde, realizou ontem um discurso no Parlamento Europeu com um tom mais dovish/suave em relação ao da última reunião do BCE. Destacamos: i) a inflação continuará a aumentar na zona euro devido ao choque energético, mas continua sem haver efeitos de segunda ronda, portanto, a resposta deve ser “moderada”; ii) O aumento das taxas de juros a longo prazo abrandará o crescimento e isso reduzirá o aumento da inflação; iii) O aumento de produtividade derivado da IA poderá reduzir as pressões inflacionistas a longo prazo. OPINIÃO: Tom dovish/suave no discurso de ontem, o que arrefeceu algumas das expetativas mais agressivas em relação a subidas de taxas de juros por parte do BCE.

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25/09/2026

Ontem: “Bolsas enfraquecem com o aumento do petróleo.”

Sessão ligeiramente em baixa nos principais índices. O preço do petróleo continua a aumentar (Brent +3,4% até 107 $) após novos ataques huthies a bases militares sauditas e apesar de várias fontes garantirem que os EUA e o Irão estariam a explorar alternativas para terminar o conflito. Isto arrastou as obrigações, que prolongaram a sua escalada, com a yield do T-Note a acumular +25 p.b. na semana, até 5,20%, e a 30 anos americana em níveis mais elevados desde 2004 em 5,48%. Com esse aumento do petróleo bruto e das yields das obrigações, as bolsas mantêm a correlação com quedas de -0,4% na Europa e praticamente planas nos EUA.

A reunião entre Trump e Xi-Jinping ocorreu como esperávamos, com um tom construtivo, mas vago, sobre as suas relações bilaterais, sem novidades nos principais tópicos de discussão (IA, Taiwan, terras raras, Irão). Foi uma “bola para a frente” ao prolongar a trégua em dois meses, até 10 de janeiro de 2027.

A macro não teve impacto na sessão: (i) o IFO alemão melhorou em linha com outros indicadores como o ZEW ou os PMI e (ii) os bancos centrais fizeram o esperado: SNB (Suíça) e o Riksbank (Suécia) mantiveram as taxas de juros e o Norges Bank (Noruega) subiu +25 p.b.

 

Hoje: “Nova proposta de acordo iraniano. Ligeiro alívio nas bolsas.” 

Amanhecemos com uma proposta de acordo por parte do Irão que permitiria reabrir o Estreito de Ormuz em 7 dias, se forem cumpridas algumas condições. O petróleo cai discretamente e as yields das obrigações moderam-se ligeiramente. Sem mais referências relevantes na frente convencional, o tom hoje parece um pouco mais construtivo e o natural seria uma sessão de ligeiras subidas, seguindo a evolução do preço do petróleo bruto.

Sem demasiada alegria, porque a próxima semana tem várias referências que poderão decidir a evolução do mercado a curto prazo: (i) inflações europeias de setembro, que começarão a ser publicadas na terça-feira. Com a curva a descontar até 4 subidas adicionais, se os IPCs se contiverem mais do que o esperado, poderão exercer como catalisador. (ii) Dados de Emprego nos EUA. Embora o foco esteja nos preços, uma deterioração na Criação de Emprego justificaria uma Fed menos hawkish (dura) e jogaria a favor das bolsas.

Focando na sessão de hoje, a única referência serão os Pedidos de Bens Duráveis nos EUA, às 13:30 h (-0,3% m/m vs. +1,1% ant.), que dificilmente irão ofuscar os bons dados recentes (PMI, PIB 2T’26).

Em suma, a esperança de aproximação entre os EUA e o Irão modera o preço do petróleo e deverá permitir ligeiros avanços nas bolsas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (07:00 h): PIB (final) 2T 2026 +2,6% a/a ajusta-se ligeiramente uma décima abaixo do preliminar, embora confirme +0,7% t/t. Os dados de hoje incorporam as atualizações de exercícios anteriores. O PIB de 2025 +2,6% a/a, duas décimas em baixa, e 2024 em +3,7% a/a. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: O primeiro semestre do exercício com um crescimento de +2,6% a/a, tanto no primeiro como no segundo trimestre, confirma um crescimento superior ao que antecipávamos inicialmente, e que continua a superar a média da UE. Os resultados do 1S2026, embora projetamos um segundo semestre mais moderado pelo aumento da inflação (+4,3% a/a até agosto), apontam para um crescimento para o exercício 2026, para a parte alta das nossas estimativas (+2,5% a/a).

ALEMANHA (07:00 h): A Confiança do Consumidor (GFK) deteriora-se mais do que o esperado. Situa-se em -30,6 em setembro vs. -27,2 esperado e -26,8 anterior (revisto desde -26,6). OPINIÃO: A Confiança do Consumidor deteriora-se em setembro, inclusive mais do que o esperado, num contexto de aumento de preços da energia (petróleo e gás) e de subidas de taxas de juros por parte do BCE. Isto deverá traduzir-se em menor crescimento económico.

REINO UNIDO (00:00 h): A Confiança do Consumidor (GFK) melhora em setembro contra todo o prognóstico. Situa-se em -13 em setembro vs. -16 esperado e -14 anterior. OPINIÃO: Surpreende a melhoria da Confiança dos Consumidor, num mês de forte aumento dos preços da energia, não só do petróleo, mas também do gás. Isto apoia a nossa hipótese de que o BoE poderá subir taxas de juros na próxima reunião (novembro) em +25 p.b. até +4,00% (vs. 3,75% atual).

EUA (ontem):  Melhoria em agosto das Vendas de Habitações Novas e revisão em alta das Autorizações de Construção. Vendas de Habitações Novas: 684k vs. 616k estimado e 643k anterior (revisto desde 607k). Taxa intermensal: +6,4% vs. +1,3% est. vs. -4,3% ant. (revisto desde -10,5%). Autorizações de Construção: 1403k vs. 1394k preliminar (1.433k ant.). Taxa intermensal: -2,1% vs. -2,7% prel. (vs. +4,3%). OPINIÃO: Resultados positivos. As Vendas de Habitações Novas surpreenderam positivamente em agosto, crescendo a melhor ritmo em 2026. Esta melhoria deve-se a uma combinação de diminuição dos preços (-5,8% a/a) e incentivos oferecidos por parte das construtoras para estimular a procura. As Autorizações de Construção foram revistas em alta em relação ao número preliminar, apresentando melhoria em praticamente todas as secções.

ALEMANHA (ontem): A confiança empresarial (IFO) melhorou acima do esperado em setembro. - O índice IFO de Clima Empresarial situou-se em 89,9 vs. 89,0 esperado e 88,8 anterior. A componente de Expetativas aumentou até 90,4 vs. 89,3 esp. e 89,0 ant. (revisto desde 89,1) e a Situação Atual ascendeu até 89,5 vs. 89,0 esp. e 88,5 ant. OPINIÃO: Notícias positivas. A economia alemã continua a sua recuperação, mostrando um comportamento positivo, num contexto complexo, provocado pelo conflito no M. Oriente. Os números situaram-se em linha com o ZEW e os PMIs, que se situaram em terreno de expansão e refletiram resiliência apesar da incerteza na frente geopolítica. Além disso, a OCDE reviu em alta o crescimento alemão para 2026 (até +1,1% a/a vs. 0,7% est. em junho). O indicador refletiu algum otimismo por parte dos empresários sobre a recuperação económica alemã, mostrando uma melhoria em praticamente todos os setores. Link para a nota (em espanhol).

NORUEGA (ontem): O Norges Bank subiu taxas de juros até 4,50% (+25 p.b.). – O banco central da Noruega adotou uma postura hawkish/dura perante a elevada incerteza global. OPINIÃO: Impacto negativo no mercado. Destacaram que a sua inflação (+3,3% a/a) permanece acima do objetivo (+2,00%) e que apesar da inflação subjacente se ter moderado progressivamente, consideram que as pressões a médio prazo continuam a ser elevadas. O conflito no M. Oriente e, como consequência, a subida do petróleo bruto e do gás favorecerão um aumento de inflação. Esperam manter as taxas de juros elevadas, deixando a porta aberta a maiores subidas se a inflação não se redirigir para o intervalo objetivo (+2,0%). Link para o comunicado (em inglês).

SUÉCIA (ontem):  O Riksbank (b.c.) manteve as taxas de juros em 1,75% em linha com o esperado. – O banco central da Suécia repetiu taxas de juros em 1,75%. OPINIÃO: Impacto limitado no mercado. Movimento esperado num contexto de baixa inflação (+0,3% a/a) e crescimento económico sólido (PIB 2T: +3,3% a/a). Destacaram que a inflação oficial é baixa ao estar distorcida por medidas fiscais, mas se as excluirmos, encontra-se perto de +2,0%. Esperam que a inflação aumento no curto prazo. Os principais riscos inflacionistas são o conflito no M. Oriente e, como consequência, a subida do petróleo e a debilidade da coroa sueca (SEKEUR YTD: -3,7%). Declararam que, se o cenário permanecer sem alterações, poderão subir taxas de juros este ano, mas se a inflação aumentar de forma persistente, poderão acelerar as subidas de taxas de juros. Atualizaram as suas previsões de inflação em alta para 2026 até 0,9% (vs. +0,6% em junho) e até +3,2% em 2027 (vs. +2,7% est. em junho). Também reviram em alta as suas previsões de crescimento económico para 2026 e 2027 em 2,8% (+2,2% est. junho) e +2,4% a/a (+2,3%), respetivamente. Link para o comunicado (em inglês).

SUÍÇA (ontem): O SNB manteve as taxas de juros em 0,00% como esperado. – Reviram ligeiramente em alta as expetativas de inflação para 2026 (+0,7% de média) e para 2027 (+0,8%), e crescimento (+1,5%/2,0% em 2026 e +1,5% em 2027). OPINIÃO: Com a inflação na parte baixa do intervalo objetivo (+0,8% taxa geral e +0,4% subjacente em agosto) e um crescimento sólido (+2,8% a/a no 2T’26), o banco central não tem, de momento, maiores incentivos para ajustar a sua política monetária. Link para o comunicado (em inglês).

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24/09/2026

Ontem: “Bolsas em baixa, aumento de yields e PMIs em expansão.”

Sessão em baixa para bolsas e subida geral nas rentabilidades das obrigações (T-Note: 5,12%; +16 p.b.). Tudo isso derivado do aumento do petróleo, após 5 sessões em queda. Além disso, nos EUA, o leilão de obrigações a 5 anos refletiu um rácio de cobertura mais débil (2,21x vs. 2,37x ant.). A OCDE publicou o seu relatório trimestral, destacando um crescimento económico global resistente e um aumento de inflação em 2026/2027. Também conhecemos os PMIs europeus e americano, todos eles em terreno de expansão (>50). Destacou a melhoria nos EUA, que refletiu a solidez da economia americana. Não obstante, impactou negativamente no mercado, ao oferecer mais argumentos à Fed para subir taxas de juros. 

O presidente iraniano, interveio na Assembleia Geral da ONU, onde destacou que não chegariam a um acordo a curto prazo e reaviveu as preocuções sobre a guerra entre os EUA e o Irão. Por outro lado, foi anunciado que os EUA poderiam limitar as exportações de diesel no prazo de 90 dias, posteriormente desmentido. 

Em suma, bolsas em baixa, yield das obrigações em alta, aumento do petróleo bruto (Brent: +3,9%) e apreciação do dólar (Brent: 103,1 $/barril; +3,9%).

 

Hoje: “Foco de atenção em Washington, à espera da reunião entre Trump/Xi-Jinping. Macro intensa.” 

O foco de atenção na sessão estará em Washington, onde ocorrerá a reunião entre Trump e Xi-Jinping (s/h). Amanhecemos com o anúncio de um prolongamento da trégua comercial até 10 de janeiro. Provavelmente, as conversações serão dirigidas a estabelecer limites em IA, hipotéticos porque, na prática, ninguém quer abrandar o seu desenvolvimento, e reforçar a cibersegurança. Impostos alfandegários, comércio, geopolítica, Taiwan serão outras das chaves. O possível desenvolvimento? Um tom bastante amigável que reduza a tensão de momento, mas sem fixar nada concreto.

Em segunda ordem, os bancos centrais serão protagonistas. Noruega (Norgesbank) poderá subir taxas de juros em +25 p.b. até níveis de 4,50%, enquanto a Suécia (Riskbank) e Suíça (SNB) manterão as taxas de juros estáveis, em 1,75% e 0,00%, respetivamente. Por outro lado, será publicado o inquérito de empresários alemães, o IFO Clima Empresarial, que poderá melhorar ligeiramente em setembro (89,0 vs. 88,8 ant.), como já aconteceu com o ZEW (investidores e analistas; 34,7 vs. 34,2 ant.). As Vendas de Habitações Novas, junto com as Autorizações de Construção (EUA), passarão para segundo plano. Contudo, o tom da macro será positivo como aconteceu ontem com os PMIs.

Em suma, a tendência da sessão virá marcada por obrigações que se mantêm tensionadas (rentabilidades em alta), o que favorece ligeiras realizações de lucros na renda variável. À espera de novidades procedentes da reunião entre Trump e Xi-Jinping. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

SETOR AUTOMÓVEL EUROPEU (05:00 h): As vendas de carros avançam +4,5% a/a em agosto. Com isso, crescem +5,3% no ano e as unidades vendidas alcançam 7,5M. No mês, os elétricos puros lideram os avanços (+62,7%), seguidos pelos híbridos plug-in (+10,8%) e os híbridos não plug-in (+2,2%), enquanto os motores de combustão retrocedem (-24,6% gasolina e -23,8% diesel). OPINIÃO: As vendas de veículos eletrificados continuam a crescer a bom ritmo e ampliam as suas quotas de mercado graças à extensão de subsídios e novos incentivos fiscais na compra, introduzidos em muitos países junto com uma maior oferta de modelos. Nomeadamente, os elétricos puros representam já 21,7% do total das matrículas no conjunto de 2026 (vs. 15,8% em 2025).

JAPÃO (01:30 h): Os PMIs retrocedem em setembro. O Industrial fica em 54,1 vs. 54,9 anterior enquanto o de Serviços abanda até 51,6 desde 52,5. OPINIÃO: Moderação ligeira dos indicadores em setembro, diferente da melhoria observada nos EUA e na Europa. Contudo, continuam bem fixos na zona de expansão.

EUA (ontem): Os PMIs aceleram em setembro e refletem a solidez do ciclo americano. O Industrial 57,0 vs. 53,7 estimado e 53,9 anterior, o de Serviços 58,7 vs. 55,8 estimado e 56,5 anterior. OPINIÃO: Dados fortes, mas com impacto negativo para o mercado, porque oferecem mais argumentos à Fed para manter um tom hawkish (duro). O PMI Industrial alcançou o melhor nível dos últimos 4 anos. Tanto a componente de novos pedidos como a de emprego aceleraram até máximos desde abril de 2022 e fevereiro de 2021, respetivamente. O de Serviços também alcançou os níveis mais altos dos últimos 5 anos.

UE (ontem): Os PMIs prolongaram a sua série de melhoria em setembro. PMI Industrial 52,7, sem alterações e vs. 52,6 estimado. O PMI de Serviços 53,0 vs. 51,4 esperado e 51,6 anterior. OPINIÃO: A surpresa positiva chegou com o PMI de Serviços, que aprofundou em terreno de expansão e alcançou máximos dos últimos 3 anos apesar do aumento de custos derivado do conflito no M. Oriente.

OCDE (ontem): O seu relatório de previsões económicas aponta para um crescimento económico resistente e uma inflação em alta. O relatório destaca um contexto económico que mostra taxas mais do que aceitáveis na maioria dos países, apesar do aumento de custos derivado do conflito no M. Oriente. Revê ligeiramente para melhor o crescimento global este ano (+0,1% até +2,9%), mas piora o de 2027 (-0,1% até +3,0%). Por geografias, destaca a força dos EUA, que melhora tanto este ano (+0,2% até +2,2%) como o próximo (+0,3% até +2,1%). A Zona Euro é revista em alta em 2026 (+0,2% até +1,0%), mas em baixa em 2027 (-0,2% até +1,0%). Os principais países da UE (Alemanha, Itália e Espanha) foram revistos para melhor este ano, exceto França. Em relação aos preços, adverte que a inflação continuará a aumentar em 2026. Na UE, fechará 2026 em +3,0% (revisto +0,2% vs. junho) e 2027 em +2,9% (+0,5% vs. junho). Nos EUA, terminará o exercício em +3,6% (-0,1% vs. junho) e 2027 em +2,6% (+0,5% vs. junho). Link para o relatório completo da OCDE (em inglês). 

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23/09/2026

Ontem: “Bolsas em standby com o preço do petróleo em baixa perante uma agenda política intensa.”

Volatilidade e fecho estabilizado em ambos os lados do Atlântico numa sessão sem referências macro importantes. O vencedor da sessão foi a tecnologia americana, que volta a avaliar em máximos históricos. A agenda geopolítica na ONU é intensa (Irão, Ucrânia, Gronelândia, Venezuela…) e apesar das complicações no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, parece que não há problemas graves de abastecimento energético. O preço do petróleo Brent volta a avaliar abaixo da fronteira psicológica de 100 $ (99,3 $ vs. ~110 $ na semana passada) perante a expetativa de um possível cessar-fogo no Irão. 

As obrigações não baixam a guarda, por isso, a rentabilidade/yield situa-se em níveis historicamente altos, que rondam os níveis psicológicos importantes (T-Note a 10 A ~4,95% e Bund alemão em 3,46%). A boa notícia é que a yield deverá estabilizar-se porque as curvas de taxas de juros antecipam demasiadas subidas de taxas de juros e as perspetivas de inflação a longo prazo mantêm-se relativamente estáveis (~2,4% nos EUA e ~2,2% na UE). 

 

Hoje: “Inércia em alta com a atenção nos PMIs até à reunião de amanhã, entre Trump e Xi-Jinping.” 

O fluxo de notícias das últimas 24 horas não está mau, porque: (1) Trump avalia positivamente as conversações bilaterais com o Irão na ONU e (2) o tom hawkish/duro dos membros da Fed (Barkin e Goolsbee) não deverá surpreender ninguém após a subida de taxas de juros de 16 de setembro. De facto, reforça a independência da Fed face a interferências políticas, um fator que tem sido determinante para travar a escalada na yield a 10 anos americana.

Os indicadores que poderão travar o alcance das bolsas relaxam-se (petróleo e yield das obrigações). Além disso, a economia e as bolsas resistem razoavelmente bem aos desafios da geopolítica e as dúvidas suscitadas em torno da IA graças a uns resultados empresariais francamente bons (+30,0% estimado para o 3T 2026 nos EUA). 

Após 2 dias sem macro importante, a atenção está nos indicadores intermédios de atividade/PMIs (9 h na UE e 14:45 h nos EUA), que deverão confirmar que a economia continua em expansão. Em suma, tudo aponta para uma sessão de ligeiras subidas no prelúdio da reunião Trump-Xi Jinping (amanhã, em Washington). É um encontro que gera muita expetativa, mas é provável que o resultado seja de baixa intensidade (estabilidade nas relações bilaterais/comércio/impostos alfandegários e troca de ideias sobre IA e geopolítica/Taiwan).   

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): Tom duro de vários membros da Fed. (i) Goolsbee, da Fed de Chicago, advertiu que os choques de oferta que afetam os preços são cada vez mais frequentes e persistentes. Por isso, é cada vez mais complicado “ignorar as suas flutuações”. A resposta da Fed a estas situações não deve ser tão agressiva como a aplicada a períodos de excesso de oferta, mas pode implicar um abrandamento de emprego, salários e crescimento. (ii) Barkin, da Fed de Richmond, afirmou que a economia americana está a ganhar solidez. Afirmou que a subida de taxas de juros anunciada em setembro ocorre num contexto em que os riscos de inflação superam os riscos para o pleno emprego, porque o choque energético é mais persistente do que o inicialmente estimado. (iii) Collins, da Fed de Boston, afirmou estar de acordo com a recente subida de taxas de juros pelo receio de que a inflação futura supere o objetivo de +2%. Nem Barkin nem Collins votam este ano nas decisões do FOMC. OPINIÃO: Declarações sem surpresas. Evidenciam que o foco da Fed é a inflação e apoiam a decisão de subir taxas de juros, anunciada após a reunião de setembro. Embora não se pronunciem em relação a futuros movimentos, não parece provável que esta subida seja uma decisão isolada. O nosso cenário central aponta para uma nova subida, provavelmente em dezembro deste ano, e outra para inícios de 2027. Ambos os movimentos de +25 p.b. e levariam a taxa diretora para 4,25%/4,50%.

UE (ontem): A Confiança do Consumidor retrocede mais do que o esperado em setembro: -16,5 vs. -16,0 esperado vs. -15,5 anterior. Primeiro retrocesso após 5 meses de recuperação desde um mínimo de -20,5 em abril, impacto pelo início da guerra no Irão. A Confiança melhora progressivamente nos meses recentes, mas mantém-se ligeiramente inferior às suas médias de médio e longo prazo (-15,5), num contexto de elevada incerteza geopolítica. 

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22/09/2026

Ontem: “Expetativas de negociação suavizam o petróleo bruto e a IA impulsiona a tecnologia.”

A semana começava com a expetativa de negociações entre os EUA e o Irão, depois do Presidente americano assinalar que estaria “provavelmente” aberto a reunir-se com o seu homólogo iraniano. O preço do petróleo retrocedia cerca de -2.5% e situava o Brent na fronteira psicológica dos 100 USD/barril. Por outro lado, as boas notícias sobre o novo agente de Meta impulsionavam o setor tecnológico (Meta +11,3%, AMD +9,95% superava 1Bn$). 

Neste contexto, a yield das obrigações moderou-se em -4,5 p.b. no T-Note americano (4,95%) e em -6,2 p.b. no Bund (3,45%), com estreitamentos nos spreads das periféricas. 
As bolsas também descontaram a melhoria de sentimento com subidas nos principais índices europeus, num contexto de 1% superior no mercado americano, impulsionado pela tecnologia.

Em suma, subidas de obrigações e bolsas perante a melhoria das expetativas na frente geopolítica e expetativas de IA. O Brent e as obrigações situaram-se abaixo dos seus respetivos níveis psicológicos. 

 

Hoje: “Foco na geoestratégia. O sentimento melhora para a tecnologia. Macro: Confiança do Consumidor da UE.” 

O foco continua no plano geopolítico, com a situação do Médio Oriente em primeiro lugar, onde o Brent aumentava para 101,8 $/barril, após as quedas acumuladas desde a passada quarta-feira; enquanto o Reino Unido anuncia hoje o seu apoio defensivo à Arábia Saudita. Em segundo lugar, a reunião entre Trump e Xi Jinping, esperada na quinta-feira, que poderá englobar aspetos comerciais ou sobre a IA, num contexto da Assembleia da ONU que se inicia hoje.

O único dado macro destacável da sessão será a Confiança do Consumidor de setembro (15 h). Ainda sem referências de inflação para o mês, o ligeiro agravamento em agosto (para +3,2% a/a, embora a Subjacente ainda 2,4%) na EU pode revelar-se uma ligeira deterioração da Confiança, fundamental para a Procura Interna.

Em suma, exceto surpresas nas frentes geoestratégicas, os mercados permanecerão a descontar a melhoria do sentimento para a IA e semicondutores, que o mercado americano antecipou ontem.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (ontem): O investimento estrangeiro líquido cai -40% na primeira metade do ano, até 3.407 M€. O investimento bruto aumenta +31,3% até 12.446 M€, mas os desinvestimentos crescem +171% até 9.038 M€. OPINIÃO: É o pior dado desde a crise de 2012. Em 2025, o investimento estrangeiro líquido já tinha diminuído -19% até 20.060 M€. Os EUA continuam a ser o primeiro investidor em termos brutos, mas em termos líquidos cai -230% nos primeiros 6 meses do ano, até 993 M€. Os maiores investidores em termos líquidos são França, Portugal, Alemanha e Coreia do Sul. A China está em 15.º, com um valor de 54 M€. Apesar da queda, o impacto no PIB será muito reduzido, pois o grosso da atividade económica depende da procura interna e exportações; além disso, o investimento estrangeiro direito é muito volátil e afetado por operações corporativas concretas. Os investimentos estrangeiros diretos representaram ~1,5% do PIB em 2025.

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18/09/2026

Ontem: “Sessão positiva apoiada pelas quedas nas yields das obrigações e queda do petróleo.”

A sessão de ontem saldou-se com subidas nas bolsas (Europa +0,9%; EUA +1,1%; Tecnologia +1,7%; Semis +3,1%), apoiada numas yields das obrigações que enfraqueciam de forma geral (Bund -2,9 p.b. até 3,47%, T-Note -9,2 p.b. até 4,93%) e pelo Brent (-1%), que caiu pelo segundo dia consecutivo perante as notícias de um maior fluxo de petróleo da Arábia Saudita através de Omã (como via alternativa ao oleoduto este-oeste).

Na macro, a referência do dia foi a reunião do Banco de Inglaterra (BoE) que manteve as taxas de juros em 3,75%, como esperado, embora a decisão não tenha sido unânime (3 dos 9 membros votaram a favor de subir +25 p.b.). O nosso cenário central é que, no contexto de elevada inflação (+3,1% em agosto, muito longe do objetivo de +2%), o BoE começará a subir taxas de juros nos próximos meses. Por outro lado, o anúncio de moderação na venda de obrigações a longo prazo do seu balanço contribuiu também para uma sessão positiva na O10A britânica (Gilt) (TIR: 5,22%, -7,4 p.b.).

Em suma, sessão de tom construtivo apoiada por uma leitura positiva por parte do mercado das mensagens da Fed e apesar da tensão geopolítica e pressão nas yields continuarem.


Hoje: “Mantém-se o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e a menor tensão geopolítica.” 

Esta madrugada ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do Banco do Japão (BoJ), onde foi cumprido o guião e subiram as taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%. A decisão não foi unânime (2 de 9 membros votaram contra subir taxas de juros) e isto faz com que o yen esteja a reagir com quedas (157,1 $/Y), já que o mercado interpreta esta divisão como um posicionamento menos hawkish/duro do que o esperado. Com isto, termina hoje as reuniões dos quatro grandes bancos centrais (BCE, Fed, BoE e BoJ), onde todos (exceto o BoE) subiram taxas de juros em +25 p.b. e em todos os casos coincidiram, apresentando mensagens conservadoras para o futuro que antecipam novas subidas.

Além disso, hoje comparecerá Lagarde (11:30 h) após a reunião do ECOFIN e conheceremos a Produção Industrial nos EUA de agosto que se espera que melhore levemente em relação ao mês anterior (+0,3% esp. vs. +0,2% ant.).

Hoje a sessão poderá ser semelhante à de ontem, mantendo o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e menor tensão geopolítica (Brent hoje -1,2%). As bolsas asiáticas estão a subir na (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros vêm a subir nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (04:00 h): (i) O BoJ sobe taxas de juros em +25 p.b., até 1,25%, em linha com o esperado pelo mercado, embora a decisão não tenha sido unânime (2 contra, 7 a favor). OPINIÃO: O yen debilita-se ligeiramente (157,15 USD/JPY desde 156,00 antes) perante a falta de unanimidade numa subida que estava descontada pelo mercado. Implica a sexta subida sob o mandato de Ueda e situa as taxas de juros no nível mais alto desde 1995. Espera-se que o BoJ mantenha a tendência em alta perante as expetativas de que a inflação aumente quando terminarem as medidas para conter o preço da energia pela crise no M. Oriente. (ii) O IPC de agosto mantém-se estável em +1,9% a/a (vs. 2% esperado); a Taxa Subjacente, excluindo energia e alimentos não processados, também repete em +1,9% a/a (vs. 2% esperado). OPINIÃO: O comportamento, melhor do que o esperado da inflação, deve-se, em grande parte, às medidas de contenção dos preços da energia. Por isso, as expetativas continuam a apontar para um aumento da inflação, conforme as medidas desapareçam. 

ALEMANHA (07:00 h): Preços Industriais de agosto: +4,6% a/a. Aceleram mais do que o esperado (vs. +3,9% a/a esperado e +3,0% ant.). OPINIÃO: O aumento, superior ao esperado, reflete uma aceleração da pressão inflacionista, fundamentalmente pelo componente de Energia, +8,3% a/a (desde +3,8% a/a em julho).

REINO UNIDO (07:00 h): (i) Vendas a Retalho de agosto cresceram 2,4% a/a (vs. +1,9% a/a esperado e desde um aumento de +1,2% ant., revisto em baixa quatro décimas). OPINIÃO: Bom dado que assinala um ritmo de crescimento das Vendas em volume dos últimos três meses, que se mantém em +0,9% (vs. +0,5% em maio). (ii) Ontem, o BoE cumpre o esperado e manteve sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75%. A decisão não foi unânime, com 6 conselheiros a favor e 3 votos a favor de subir +25 p.b, igual à reunião de julho. Em relação ao balanço, o BoE acordou por unanimidade complementar o QT (Quantitative Tightening) e reduzir para zero a carteira de obrigações para 2034. O saldo total da carteira é de 488.000 M£ em setembro de 2026. Não obstante, reservará 120.000 M£ em obrigações de muito longo prazo para apoiar a emissão de notas. Após esta reserva, ficarão 368.000 M£ por desfazer: 222.000 M£ desaparecerão de forma natural ao vencimento e 146.000 M£ serão vendidos ativamente. O Banco venderá 20.000 M£ por ano, além dos vencimentos. Com esse ritmo, o balanço reduzir-se-á em torno de 46.000 M£ anuais e o processo de QT estaria concluído aproximadamente em setembro de 2034. OPINIÃO: Decisão de taxas de juros esperada pelo mercado e boas notícias em relação ao balanço. O BoE mantém um tom hawkish/duro ao insistir no seu compromisso de devolver a inflação ao objetivo estabelecido a médio prazo. Adverte que poderá ser necessário subir as taxas de juros se as pressões inflacionistas se intensificarem como consequência do conflito no M. Oriente. De facto, reconheceu que os riscos relativos à inflação se inclinam em alta, inclusive mais do que em julho. Declarou também que os efeitos indiretos da economia sobre a economia britânica ainda não se materializaram plenamente e que o seu impacto está mais a adiar-se do que a desaparecer. Neste contexto, o cenário que consideramos mais provável é que o BoE suba taxas de juros em +25 p.b. (desde 3,75% atual) antes do final do ano e outros +25 p.b. no início de 2027. As notícias mais positivas vierem por parte do balanço. O BoE reduzirá significativamente a oferta futura de gilts de longo prazo ao mercado, já que reterá 120.000 M£ de obrigações de muita longa duração até vencimento, e concentrará as vendas do QT numa parte mais reduzida da carteira. O BoE considera que, desta forma, a normalização do balanço pode completar-se sem comprometer a independência da política monetária nem a estabilidade financeira. Link para a nota (em espanhol). 

TURQUIA: Trata-se de uma medida destinada a travar a crise de liquidez em alguns fundos de investimento, que provocou uma queda na bolsa local de -8,0% em 2 dias. Antecedentes: as saídas de dinheiro em fundos de investimento e a entrada em vigor de mudanças regulatórias (limites de exposição a empresas com escassa liquidez) obrigaram a liquidar posições de forma acelerada, gerando dúvidas sobre a estabilidade financeira. As autoridades estão a colaborar com as entidades financeiras para garantir a liquides do sistema e evitar vendas forçadas enquanto reforçam a supervisão das gestoras de ativos. Além disso, o regulador ordenou a liquidação de 130 fundos de investimento para atender aos pedidos de reembolsos e congelou a contratação dos fundos de 7 gestoras. OPINIÃO: A realidade é que os reembolsos massivos em fundos de investimento provocaram uma correção severa e rápida no mercado, o que provoca um aumento do risco percebido sobre os ativos turcos (bolsas e obrigações) e gera dúvidas sobre a liquidez do sistema. Em suma, ocorre uma deterioração na confiança dos investidores que não é fácil de reparar, apesar das tentativas do banco central para instaurar a ortodoxia financeira. A boa notícia é que, após 2 dias convulsos, a bolsa subiu ontem +2,5%.

UE (ontem). O IPC final de agosto confirma o registo preliminar em +3,2% a/a (vs. +2,9% ant.). A taxa subjacente também confirmou a leitura preliminar de +2,4% (vs. +2,5% ant.). OPINIÃO: O dado final de inflação não revelou surpresas. O aumento da taxa geral em agosto explica-se principalmente pelo encarecimento da energia. Nomeadamente, o preço médio do petróleo situou-se em agosto de 2026, 33% acima do registado um ano antes (88 $/barril vs. 67 $/barril em agosto de 2025). Após a subida de taxas de juros de +25 p.b. aplicada pelo BCE, a 10 de setembro, até 2,50% Depósito e 2,65% Crédito, consideramos provável que ocorram novas subidas nos próximos meses, com o objetivo de prevenir que ocorram efeitos de segunda ronda. O objetivo é evitar que as pressões inflacionistas energéticas se repercutem em salários e aos restantes preços da economia.

 

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17/09/2026

Ontem: “A Fed prejudicou uma sessão que estava animada pela correção do petróleo.”

A sessão começou com bom tom graças à correção no preço do petróleo bruto (-3% até 105 $) após se saber que a Arábia Saudita estava a aumentar as suas exportações de petróleo através de Omã. A Europa fechou a subir +0,5% e Nova Iorque, antes da Fed, subia +0,3%. Contudo, a situação mudou após se saber a decisão da Fed e Nova Iorque acabou por cair -0,4%.

A Fed cumpriu e subiu as taxas de juros em +25 p.b. até 3,75%/4,00%, numa decisão unânime (12-0). O diagrama de pontos contempla taxas de juros mais altas em +50 p.b. até 2028: mais uma subida este ano (mais uma do que em junho) e já não contempla descidas em 2027. O discurso de Warsh foi claramente hawkish/duro, reiterando várias vezes o seu compromisso com a inflação e realçando que a economia se mantém forte e as condições financeiras não podem ser classificadas como restritivas. Assumimos uma nova subida em 2026, provavelmente depois das Midterms, mas em nenhum caso esperamos um novo ciclo de subidas, já que um choque de oferta não se corrige com taxas de juros mais altas e os efeitos de segunda ronda ainda não se materializaram.

 

Hoje: “Europa irá descontar o tom hawkish da Fed, numa sessão sem referências, além do BoE.” 

Apesar do tom hawkish da Fed, uma vez passada a incerteza da reunião, na qual reforçou a sua credibilidade, o que tranquiliza os mercados e com o petróleo estabilizado, poderemos ter uma sessão positiva nas bolsas e obrigações. 

Além disso, a atenção estará na decisão de taxas de juros do Banco de Inglaterra (BoE) às 12 h, que provavelmente manterá as taxas de juros em 3,75%, embora após a subida por parte da Fed, pode ser que utilize um tom mais duro para manter estável a libra, o que aumentará as probabilidades de subidas no futuro. E com esta, já só restará a reunião do Banco do Japão, amanhã, cuja decisão parece a mais clara, já que se desconta quase a 100% que irão fazer uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Na frente geoestratégica, Trump ameaçou a UE com impor novos impostos alfandegários aos seus produtos se cumprir a sua proposta de tornar o Canadá membro associado da União, o que considera um ato hostil.

Em suma, hoje poderemos ter uma sessão positiva em ambos os lados do Atlântico (assim o adiantam os futuros), já que apesar do tom hawkish da Fed, a sua determinação para combater a inflação reforçou a sua credibilidade, o que parece agradar os mercados. Além disso, a isso une-se o alívio que o preço do petróleo bruto está a dar, embora ainda se mantenha em níveis altos (104 $) e qualquer notícia que o faça aumentar de novo poderá prejudicar a sessão.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): A Fed sobe as suas taxas de juros em +25 p.b. até ao intervalo 3,75%/4,00%, como esperado. Decisão unânime (12/0). Link para o comunicado (em inglês). Também revê ligeiramente em alta as previsões de crescimento e de inflação. O diagrama de pontos contempla mais uma subida este ano (mais uma do que em junho) e já não contempla descidas em 2027. Link para as projeções (em inglês). OPINIÃO: A Fed cumpre a expetativa do mercado e sobe as taxas de juros em +25 p.b. O tom é explícita e implicitamente duro. Apontam um compromisso firme e uma preocupação elevada e unânime pela inflação num contexto (geopolítica, forte ciclo investidor para implementação de IA) que não facilita a moderação de preços. Isso faz-nos assumir pelo menos mais uma subida de taxas de juros em 2026, até 4,00%/4,25%. O “timing” não está claro, mas a direção sim. A Fed poderia dar uma margem na próxima reunião de 27/28 de outubro, para não interferir nas eleições de 3 de novembro e manter-se temporariamente à espera da evolução na frente geopolítica até à reunião de 8/9 de dezembro. Historicamente, a Fed não fez subidas isoladas de um só movimento de taxas de juros. Não obstante, desta vez não descartamos um ciclo agressivo de subidas de perante um choque de oferta que não se combate com taxas de juros mais elevadas e, de momento, sem indícios de efeitos de segunda ronda (pressões de salários, maioritariamente), mas antecipamos taxas de juros mais elevadas durante mais tempo. Link para o relatório (em espanhol). (ii) As Vendas a Retalho ganham tração em agosto apesar da incerteza geopolítica e preços da energia elevados. As Vendas a Retalho surpreendem positivamente após subirem +1,2% m/m em agosto vs. +0,8% esperado vs. -0,5% anterior (revisto desde -0,6%) com as Vendas do Grupo de Controlo (dado menos volátil) em +1,4% m/m vs. +0,4% esperado -0,4% ant. O ritmo de Vendas recupera parte do terreno perdido em julho ao registar um crescimento de +5,6% na taxa interanual (vs. +4,5% ant.). É uma boa notícia, porque ocorre num contexto de incerteza geopolítica, com os preços da energia em alta e uma inflação que supera o objetivo da Fed (+3,4% em agosto). Além disso, os números mais recentes de atividade refletem um bom comportamento das vendas nas primeiras semanas de setembro. O índice Johnson Redbook, que mede a evolução semanal das Vendas Comparáveis (L-F-L) sem considerar o comércio online, sobe +8,5% a/a até 12 de setembro (vs. +8,3% no final de agosto). O dinamismo da economia americana (+4,6% no GDP Now da Fed de Atlanta e um mercado laboral equilibrado (+3,1% no salário médio) convidam a pensar no bom comportamento do Consumo nos próximos meses. Link para o relatório completo no broker (em espanhol).

BRASIL (ontem): O Banco Central (Copom) cumpre as expetativas e baixa a taxa de juro de referência (taxa Selic) em -25 p.b. até 13,75%. O Copom acumula 5 descidas desde que começou a relaxar a política monetária em março de 2026, e deixa aberta a possibilidade de novos cortes se a macro evoluir em linha com o previsto. O banco central revê ligeiramente em alta as perspetivas de inflação até +5,2% em 2026 (vs. +5,1% ant.) e +3,9% em 2027 (vs. +3,8% ant.), mas mantém sem alterações as suas estimativas a longo prazo (+3,2% no 1T 2028). OPINIÃO: O Copom deixa aberta a possibilidade de novos cortes de taxas de juros porque a inflação converge para o objetivo (3,0% +/- 1,5%) e a atividade económica perde inércia. De facto, o mercado de obrigações antecipa 2 cortes adicionais de -25 p.b. em 2026 até 13,0% porque o banco central tem margem de manobra para o fazer após as eleições presidenciais de outubro. Como referência, a taxa de juro real situa-se em níveis atrativos (~9,5%) e historicamente altos. Link para o comunicado (em inglês).

UE/TERRAS RARAS: Von der Leyen anunciou ontem a criação de uma Corporação de Matérias-Primas Críticas (European Corporation on Critical Raw Materials). Terá como objetivo a criação de uma reserva estratégica destes materiais. OPINIÃO: É um passo para reduzir a dependência europeia nestas matérias-primas, na sua maioria procedentes da China. Outros países como o Japão ou os EUA já contam com instrumentos parecidos.

UE (ontem): O ritmo dos Salários enfraquece até +3,0% no 2T 2026 (vs. +3,4% no 2T 2026 vs. +4,1% no 2T 2025). Entre as principais economias, a Alemanha (+2,9%), França (+2,1%) e Itália (+2,1%) mantêm-se abaixo da média, Espanha continua acima, mas o crescimento enfraquece até +4,3% (vs. +5,2% no 1T 2026) enquanto Portugal sobe +5,4% (vs. +5,3% no 1T 2026). OPINIÃO: Os números confirmam o aumento nos preços da energia e o IPC não se repercutir nos salários (bom para as perspetivas de inflação e obrigações). Cabe recordar que o índice que mede a evolução dos salários negociados (ECB Wage Tacker), que é um dos indicadores favoritos do BCE, regista um comportamento melhor (+2,44% no 2T 2026 vs. 2,56% no 1T 2026). Ainda assim, o BCE mantém um tom hawkish/duro devido à incerteza geopolítica (risco de inflação em alta) e possíveis efeitos de segunda ronda que poderão vir pelos preços dos alimentos.

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16/09/2026

Ontem: “Quedas nas bolsas enquanto o petróleo continua a subir.”

Sessão negativa nas bolsas (-0,4% Europa e EUA). O conflito no M. Oriente continua e uma desescalada a curto prazo não parece previsível. Por isso, o petróleo continua a escalar (Brent +3% ontem até 108,8 $) e as rentabilidades das obrigações pressionadas em alta (T-Note 5,00% e Bund 3,54%). É uma má combinação para as bolsas, principalmente no prelúdio da reunião da Fed, hoje após o fecho europeu. De momento, não há efeitos de segunda ronda, mas um aumento sustentado dos preços da energia poderia acabar por repercutir nos salários e provocar uma reação mais dura do que o desejável por parte do banco central. Como se não bastasse, as dúvidas sobre a rapidez na implementação da IA fazem recear uma desaceleração nos investimentos das grandes tecnológicas que pode, por sua vez, provocar uma moderação na geração de lucros esperada, especialmente em semicondutores.

Em suma, o foco do mercado continua em inflação e taxas de juros. Sem avanços no M. Oriente e à espera da Fed, mau tom nas bolsas e obrigações.

 

Hoje: “Tom lateral à espera da Fed.” 

A reunião da Fed (19 h) é a chave da sessão. Num contexto volátil, qualquer desenvolvimento é possível. Manter taxas de juros (3,50%/3,75%) é justificável com base numa inflação que continua a moderar-se (+4,2% em maio vs. +3,4% em agosto), sem tensões em salários que apontem para efeitos de segunda ronda e o receio de uma redução dos investimentos em IA que pesem sobre o crescimento. Sem esquecer outras condicionantes menos técnicas, mas certamente relevantes. Por um lado, o forte aumento das rentabilidades das obrigações (T-Note 5,00%, +80 p.b. aprox. no ano) e a pressão de Trump antes das eleições de meio mandato (3 de novembro). Esperar antes de mover continua a parecer-nos um cenário lógico. Contudo, a recuperação observada nos últimos dados de emprego e o ritmo de avanço intermensal do IPC (+0,4% agosto vs. +0,1% julho) impedem descartar uma subida (+25 p.b. até 3,75%/4,00%). Especialmente porque a postura de Warsh em Jackson Hole, muito firme na luta contra a inflação, situa-se numa posição comprometida. Subir taxas de juros pode ser uma forma de ganhar credibilidade e demonstrar a sua independência. Em qualquer caso, inclusive se a Fed surpreender e manter taxas de juros, antecipamos uma reunião com tom duro que não servirá de impulso para um mercado preocupado com a inflação, o aumento da yield das obrigações e uma possível moderação de lucros se o desenvolvimento da IA perder inércia. Em suma, uma sessão lateral antes e depois da Fed não seria um mau cenário.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00 h): A inflação aumenta 2 décimas em agosto até +3,1% (vs. +3,1% esperado) com a Subjacente estável em +2,6%. A boa notícia é que o RPI (Retail Price Index) surpreende positivamente (+3,4% vs. +3,5% esperado vs. +3,2% ant.) com a Inflação de Serviços estável em +3,4% (vs. +3,5% esperado). OPINIÃO: O IPC aumenta pelo 2.º mês consecutivo e alcança o nível mais alto desde março de 2026 (+3,3%), num contexto marcado pela subida nos preços da energia. A inflação situa-se uma décima abaixo do pico estimado pelo BoE para o 2S 2026, segundo as estimativas publicadas no Inflation Report de 30 de julho. Em suma, tudo aponta para que o BoE mantenha as taxas de juros em 3,75% (probabilidade >80,0%) amanhã.

JAPÃO (00:50 h): O Défice Comercial sobe até -1.105,6 biliões de yens em agosto (vs. -1.052,0 biliões de yens esperado vs. -634,5 biliões de yens ant.) devido ao forte aumento das Importações que se explica pelos preços da energia. - OPINIÃO: As Exportações mantêm um ritmo de crescimento elevado (+19,3% vs. +18,2% esperado), mas as Importações (+28,0% vs. +26,3% esperado) registam a maior subida desde novembro de 2022. O aumento do défice explica-se, portanto, pelo brusco aumento das Importações, que está estreitamente relacionado com o encarecimento dos preços da energia (+58,7% em compras de petróleo bruto). Em suma, o encarecimento das Importações e as pressões inflacionistas reforçam a expetativa de um aumento na taxa de juro de referência de +25 p.b. até 1,0% por parte do BoJ, esta sexta-feira.

EUA (ontem): O Empire Manufacturing caiu até 7,6 desde 15 estimado e 20,6 anterior. OPINIÃO: Dado débil, o pior desde junho. Ocorreu uma queda geral das componentes. Os Novos Pedidos -15,3 pontos até 2,0; Os Pedidos -14,9 pontos até -3,2, em negativo pela primeira vez desde março. Por último, ocorreu um aumento dos preços: os Preços Pagos aumentaram até 63,1, nível mais elevado em seis anos, enquanto os Preços Recebidos aumentaram até 28,1, +5,4 pontos. O maior nível de preços responde a um aumento das matérias-primas. Pelo lado positivo, os planos de investimento mantiveram-se elevados e as empresas continuam a ser positivas em relação às perspetivas para os próximos seis meses. 

ALEMANHA (ontem): O ZEW melhorou em setembro até 34,7 desde 34,2, embora menos do que o estimado, 40. A Situação Atual melhorou até –47,1 desde -52,1 estimado e -61,1 anterior, mas a componente Expetativas piorou até 25,8 desde 31,4. OPINIÃO: Dado débil, pior do que o esperado. O indicador refletiu que os investidores se mostram cautelosamente otimistas em relação à recuperação económica. Link para a nota (em espanhol). 

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15/09/2026

Ontem: “A geoestratégia e tensões no preço do petróleo unem-se às dúvidas sobre a IA.”

Mantém-se a tensão no M. Oriente e os ataques dos huthies obrigaram a Arábia Saudita a encerrar durante o fim de semana o oleoduto de Yanbu, que vai desde Este a Oeste do país. Isto provocou novos aumentos no preço do petróleo ontem (+1% até 106 $/barril de Brent), com o consequente aumento de rentabilidade nas obrigações soberanas. A yield do T-Note está já praticamente em 5%, pela primeira vez nos últimos 20 anos, e a do Bund supera 3,5%. A isto uniram-se as dúvidas sobre a IA, depois das principais desenvolvedoras de IA (OpenAI e Anthropic) se pronunciarem a favor de abrandar o ritmo de desenvolvimento para evitar falhas de segurança. Mostram-se preocupadas com o risco de fugir do controlo humano. Isto atrasaria também as saídas à bolsa destas empresas, previstas inicialmente para este ano.

Com tudo isto, as bolsas caíram ontem de forma geral (Europa -1,0% e EUA -0,5%), lideradas por semicondutores (-5,9%) perante o possível abrandamento da procura. Pelo contrário, subiram as empresas de software e cibersegurança, principais beneficiárias de possíveis atrasos na IA.

 

Hoje: “A incerteza aumenta. Enfraquecimento das bolsas à espera da Fed (quarta-feira).” 

Ao tensionamento da yield das obrigações soberanas, consequência da geoestratégia, preços de petróleo, inflação e taxas de juros, une-se agora a IA. Um menor ritmo de desenvolvimento da IA poderá levar a menos investimentos, principalmente em semicondutores, semeando a dúvida sobre as expetativas de EPSs para os próximos anos. Ambos os fatores retiram atrativo às bolsas. Além disso, hoje temos poucas referências e incapazes de mudar o sentimento do mercado. De madrugada ficamos a conhecer as Vendas a Retalho da China, que desaceleram contra todo o prognóstico em agosto (+0,4% a/a vs. +0,8% esperado e +0,6% anterior), e durante a sessão teremos o inquérito ZEW de Sentimento Económico da Alemanha, que poderá melhorar ligeiramente em setembro (40,0 esperado e 34,2 anterior).

Hoje amanhecemos novamente com preços do petróleo em alta (+2% até 107,6 $/barril de Brent), aumento da yield em obrigações (T-Note já acima de 5%) e bolsas asiáticas com ligeiras quedas. Com tudo isto, o mais provável é que as bolsas continuem a enfraquecer hoje, embora de forma moderada, à espera da reunião da Fed (amanhã). 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): IPC (final) de agosto confirma +4,3% a/a preliminar (desde +3,6% a/a anterior); a Taxa Subjacente confirma +2,9% a/a preliminar (desde +3,0% ant.). Em termos intertrimestrais +0,7% m/m e Subjacente +0,3% m/m (vs. +0,2% m/m prelim.). Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Confirma-se o aumento mais forte do que inicialmente esperado no mês de agosto, embora em linha com o dado preliminar, perante a evolução do preço dos carburantes, gás e eletricidade. De momento, não se observam efeitos de segunda ronda, embora se tenha ajustado em uma décima (para +0,3% m/m) o aumento mensal Subjacente, que se situa em +2,9% a/a. A tendência nos preços da energia mantém-se no início de setembro perante o agravamento da tensão no M. Oriente, o que dificultará a moderação da Taxa Geral na secção final do ano. 

FRANÇA (07:45 h): O IPC (final) de agosto confirma o dado preliminar. Em termos interanuais, +2,4% vs. +2,1% ant. Em termos intermensais, +0,7% vs. +0,6% ant. OPINIÃO: Sem impacto no mercado porque não surpreende. Os preços são superiores ao objetivo do BCE, +2,0%, o que é razoável num contexto de aumento dos preços da energia. 

ALEMANHA (07:00 h): Os Preços Grossistas aumentam em negativo. Em termos interanuais, +6,8% vs. +5,3% ant. Em termos intermensais, +0,9% vs. +0,2% ant. OPINIÃO: Notícia negativa. Os preços grossistas veem-se impulsionados por um aumento da energia. Este aumento pode repercutir-se na inflação geral, o que poderá elevar o receio de um endurecimento da política monetária por parte do BCE.

REINO UNIDO (07:00 h): Dados de emprego bastante débeis em julho. A Taxa de Desemprego aumenta uma décima até 4,4%. As Petições de Desemprego elevam-se até 27.800 vs. -11.800 ant. (revisto desde -11.000). Por último, os salários mantêm-se em +3,5%. OPINIÃO: Ligeiro aumento da Taxa de Desemprego, embora seja moderado. Estes dados não deverão ter impacto no mercado, entre outros motivos por que correspondem ao mês de julho, e a Taxa de Desemprego mantém-se em níveis reduzidos.  

CHINA (02:30 h): Conjunto de dados com sinal negativo. (i) Os Preços da Habitação voltam a cair em agosto. Preços de Habitação Nova -0,17% vs. -0,18% anterior. Preços de Habitação Usada -0,31% vs. -0,29% anterior. (ii) Vendas a Retalho (a/): +0,4% vs. +0,8% est. e +0,6% ant. No acumulado anual +1,1% vs. +1,2% ant. (iii) A Produção Industrial (a/a) situa-se em +5,2% vs. +4,8% est. e +4,5% ant. (iv) O Investimento em Ativos Fixos cai -7,2% vs. -7,1% est. e -6,7% ant. e o Investimento Residencial -19,9% vs. -20,1% est. e -19,2% ant.  (v) A Taxa de Desemprego aumenta até 5,3% vs. 5,2% ant. OPINIÃO: No conjunto, dados negativos. São revelados cada vez mais os principais problemas da sua economia. O setor imobiliário mantém a sua tendência de desaceleração, com queda de preços e de investimento. Também a debilidade da sua procura interna, com a queda nas Vendas a Retalho. Tudo isso influencia no emprego, com um aumento de uma décima na sua Taxa de Desemprego. A boa notícia procede da melhoria na Produção Industrial, impulsionada pelas exportações e pela procura relacionada com a IA. A realidade é que a forte expansão da tecnologia ainda não se traduziu em maiores receitas nem no aumento da confiança dos lares.

ÍNDIA (11:30 h): A inflação de agosto aumentou ligeiramente abaixo do esperado. O IPC avançou até +4,82% a/a desde +4,86% vs. +4,45% anterior. OPINIÃO: Dado negativo, apesar de situar-se dentro do intervalo objetivo (+2,0%/+6,0%). A inflação de agosto aumentou num contexto de aumento dos preços energéticos derivado do conflito no M. Oriente e crescente pressão sobre os alimentos devido à escassez de chuvas. O mercado desconta uma subida de taxas de juros até 5,50% por parte do RBI (+25 pb) na sua próxima reunião, a 7 de outubro.

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11/09/2026

Ontem: “O tom hawkish do BCE e a escalada no M. Oriente prejudicam as bolsas e as obrigações.”

Sessão negativa para bolsas (Europa -0,7%; Nova Iorque -0,6%) e obrigações (yield T-Note +4,96%, +8,3 p.b.; Bund +3,49%, +6 p.b.) numa sessão marcada pela reunião do BCE e escalada militar no Oriente Médio. 

O BCE cumpriu expetativas e subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,50%/2,65%, com um tom um hawkish/duro, revendo em alta as suas estimativas, tanto de inflação como de crescimento. Não descartamos novas subidas, embora dependerá de como evolua o preço da energia e os efeitos de segunda ronda. Na frente geoestratégica, o conflito no M. Oriente transfere-se também para o Mar Vermelho, onde os ataques huthis, aliados do Irão no Iémen, continuam a prejudicar a produção a produção de petróleo saudita, em mínimos desde 1990. Ontem tomaram a cidade portuária de Mocha, chave para controlar o Estreito de Bab-el-Mandeb, acrescentando pressão ao preço do petróleo bruto (+6% até Brent 107 $). Na frente macro também conhecemos os Preços Industriais dos EUA, que aumentaram um pouco mais do que o esperado (+5.4% vs. +5.3%), o que pode pressionar as margens empresariais.


Hoje: “A inflação dos EUA marcará o rumo.” 

Hoje o mercado estará pendente do dado de inflação de agosto nos EUA (13:30 h; (+3,4% est. sem alterações), embora a taxa subjacente se modere uma décima até +2,4%. Um dado em linha ou melhor do que o esperado impulsionaria a Fed a manter as taxas de juros nos níveis atuais, enquanto um dado pior do que o esperado poderá levar a optar por uma subida. Na frente micro, conhecemos os resultados de Oracle (+5% com o mercado fechado), que batem estimativas e melhoram guias, impulsionados pelas receitas da infraestrutura de IA, reafirmando que esta estaria a atuar como um motor de crescimento para o software e não como uma ameaça, como se temia inicialmente. O resto do dia não terá grandes referências, com a atenção nas reuniões dos bancos centrais da próxima semana. Na quarta-feira, conheceremos a decisão mais incerta, que será a da FED, e dependerá do dado de inflação de hoje. Na quinta-feira, o BoE previsivelmente irá manter taxas de juros em +3,75%. E na sexta-feira, quiçá a decisão mais clara, o BoJ irá subir taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%. Em suma, hoje deveremos ter uma sessão relativamente tranquila até conhecermos o dado de inflação nos EUA, quiçá com tendência positiva após vários dias de quedas, embora com a tensão geopolítica ainda latente (petróleo >100 $), só um bom dado de inflação animaria os mercados.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): Preços Industriais de agosto +7,6% a/a (vs. 7,4% a/a esp.) após rever em alta o mês anterior +7,7% a/a (desde +7,2% anunciado anteriormente). OPINIÃO: A revisão em alta dos preços industriais de julho (+0,4% m/m desde +0,1%), embora agosto, em termos mensais tenha sido mais ajustado do que o esperado (-0,2% m/m vs. 0,0% esp.), continua a antecipar que o BoJ subirá taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%, na próxima sexta-feira (18 de setembro).

REINO UNIDO (07:00 h): Produção Industrial +0,2% m/m em julho vs. -0,2% esperado e anterior. Em termos interanuais, +0,6% a/a vs. +0,2% a/a esperado e desde -0,2% ant. OPINIÃO: Dado positivo, não só melhor do que o esperado, mas que mostra uma aceleração na Produção Industrial. Além disso, foi anunciado um dado mensal do PIB que também acelera +0,4% m/m desde +0,3% ant. e supera expetativas +0,0% m/m, sinais de um comportamento ligeiramente melhor da economia. 

UE/BCE (ontem): O BCE cumpre as expetativas do mercado e sobe +25 p.b. as taxas de referência até: Depósito 2,50%, Crédito 2,65% e Marginal 2,90%. A estimativa de inflação para 2026 não muda, mas reveem em alta as de 2027 e 2028, e a de crescimento para 2026 e 2027. A maioria dos indicadores de inflação subjacente mantém-se estável, com os os Serviços a diminuírem até +3,0% em agosto desde +3,3% em julho. Continuam sem ver efeitos de segunda ronda em Salários e Alimentação, mas se o choque energético continuar, acabarão por refletir-se também nesses setores. Em relação ao crescimento, a economia europeia mostra uma resiliência superior ao esperado no 2T apesar do choque energético e provavelmente esta tendência continuará no 3T. OPINIÃO: Acreditamos que não é descartável algum movimento posterior de subida por parte do BCE, tendo em conta a revisão em alta de crescimento e inflação. Não obstante, o próprio BCE assinalou várias vezes que tomará as decisões a “cada reunião” em função da evolução das diferentes variáveis macroeconómicas e preço do petróleo. Atribuímos uma alta probabilidade de mais uma subida, embora dependa de como evoluam os dados macro (especialmente a inflação e os efeitos de segunda ronda), mas em nenhum caso deveremos estar perante um ciclo de subidas de taxas de juros, mas perante movimentos pontuais que ocorrerão de forma preventiva.


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10/09/2026

Ontem: “Bolsas e obrigações em alerta devido à geopolítica e ao preço do petróleo Brent em 100 $/barril.”

Quedas gerais em ambos os lados do Atlântico numa sessão sem referências macro importantes, que veio marcada pela geopolítica. A escalada militar no M. Oriente com ataques do Irão à Jordânia e a destruição de navios iranianos por parte dos EUA prejudica o abastecimento energético pelo Estreito de Ormuz, por isso, o preço do petróleo Brent alcança a fronteira psicológica de 100 $/barril. 

A chave para o mercado está agora nas perspetivas de inflação e reação dos bancos centrais, porque até meados de outubro não teremos campanha de resultados do 3T 2026 nos EUA, que foi o principal catalisador das bolsas em 2026.

Com este panorama, as obrigações não baixam a guarda e a rentabilidade/yield mantém-se em níveis historicamente altos numa semana intensa no primário. Os EUA emitiram ontem obrigações a 10 anos e na semana fizeram o mesmo: Japão (5 A), Reino Unido (30 A), Áustria (10 A) e/ou Espanha (20 A).

 

Hoje: “Pendentes do quadro macro do BCE e tom de Lagarde até à inflação americana de amanhã.” 

Para efeitos práticos, a sessão começa às 13:15 h, quando o BCE anunciar a 2.ª subida de taxas de juros no ano, com um aumento de +25 p.b. até +2,50% (depósito)/+2,65% (crédito). A reação do BCE não deverá surpreender ninguém, de facto, as obrigações atribuem uma probabilidade >99,0% de que assim aconteça por vários motivos: (1) a mensagem geral dos conselheiros do BCE durante o verão foi hawkish/dura, destacando os riscos em alta sobre a inflação e alguma preocupação perante possíveis efeitos de 2.ª ronda dos preços da energia, (2) o IPC supera +2,0% objetivo (+3,3% em agosto com a Subjacente em +2,4%) e (3) é difícil que o preço do petróleo relaxe se a geopolítica não melhora. De momento, o Irão afirma estar preparado para uma escalada militar e Trump estima que o final da guerra chegará após as eleições de meio mandato nos EUA (novembro). Além disso, o Brent avalia em ~100,6 $ (vs. 96,9 $ estimado pelo BCE no seu cenário base).

A chave está na atualização do quadro macro (um pouco mais de inflação durante mais tempo?) e no tom de Lagarde (13:45 h) para tentar perceber a direção das taxas de juros. Sem alterações durante uns meses para acompanhar a evolução da geopolítica/energia e da inflação? É o mais provável. 

A boa notícia é que a economia e as bolsas resistem razoavelmente bem aos desafios da geopolítica graças a uns resultados empresariais francamente bons e ao boom do investimento em tecnologia. Em suma, tudo aponta para uma sessão de subida inercial se o BCE não o estragar.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

UE/HABITAÇÃO: A Comissão Europeia apresenta a sua nova Lei de Habitação Acessível. Esta nova lei visa, sobretudo, impor limites ao arrendamento turístico de curta duração em “zonas de stresse habitacional”. Permitirá aos ajuntamentos tomar medidas como limitar a proporção de pisos turísticos, proibir a atividade de grandes operadores ou até suspender licenças. Para poder aplicá-la, terão de cumprir 5 requisitos: (i) que a relação entre preço de habitação e receitas disponíveis supere 8x; (ii) Que este mesmo rácio tenha aumentado nos últimos 10 anos; (iii) Que haja pouca probabilidade de que diminua nos próximos 3 anos, em função da oferta e da procura; (iv) Que os ajuntamentos estejam a cumprir ativamente o Regulamento da UE sobre arrendamentos de curta duração; e (v) que se apliquem medidas para aumentar a oferta da habitação a longo prazo, em particular de habitação social e acessível. OPINIÃO: Más notícias. Até à data, a regulação do setor não só não solucionou o problema, mas agravou-o, provocando maior queda da oferta. Contudo, trata-se de um mecanismo que os governos locais e regionais podem escolher adotar ou não, que são os que têm competências em termos de habitação. Atribuímos pouca probabilidade à aplicação real desta lei, pelo menos em território espanhol, à luz do que se observou com a Lei da Habitação aprovada em Espanha, em 2023, que também fixava “Zonas de Arrendamento Tensionado” e que apenas foi aplicada por uma comunidade autónoma.

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09/09/2026

Ontem: “Aumenta a tensão geoestratégica e alfandegária.”

A sessão veio marcada principalmente pela maior tensão no M. Oriente e o consequente aumento dos preços do petróleo. A Arábia Saudita teve de parar a atividade em várias fábricas petrolíferas após terem sido atacadas por huthies, apoiados pelo Irão. Como consequência, os preços do petróleo subiram +1% até 97,9 $/barril (Brent), alimentando as expetativas de inflação e de subidas de taxas de juros por parte dos bancos centrais. Além disso, a frente alfandegária volta a assumir o protagonismo, após o Canadá aumentar os impostos alfandegários aos produtos americanos até 50% (vs. 15% anterior) em resposta aos impostos pelos EUA. Com tudo isto, a bolsa americana caiu -0,6%, enquanto a Europa conseguiu fechar sem alterações significativas (+0,1%), numa sessão quase sem referências no plano convencional. O único destacável foi o PIB final do Japão, que foi revisto em alta até +1,4% no 2T (t/t anualizado) vs. +1,1% preliminar, dando um pequeno alívio ao yen, que recuperou um pouco de terreno (+0,2% face ao euro) perante a mais que provável subida de taxas de juros do BoJ na próxima reunião (18 de setembro).

 

Hoje: “Tensa espera para a reunião do BCE (quinta-feira) e inflação americana (sexta-feira).” 

Hoje amanhecemos com novos ataques entre os EUA e o Irão. O exército norte-americano tinha destruído 5 petroleiros iranianos como resposta a um ataque do Irão sobre a frota dos EUA na zona. Como consequência, os preços do petróleo mantêm-se em níveis tensionados, muito próximos já dos 100 $/barril (Brent), o que irá manter as yields das obrigações em níveis próximos aos máximos dos últimos 20 anos, tanto nos EUA (T-Note ~4,8%) como na Europa (Bund ~3,4%). No plano convencional, as principais referências da sessão foram conhecidas já à primeira hora: (i) na frente empresarial, os resultados de Inditex dececionaram. Embora tivesse batido estimativas em vendas, as margens caem contra todo o prognóstico (a nível EBIT 19,0% vs. 19,7% esperado); e (ii) pelo lado macro, o IPC da China cumpre as expetativas aumentando até +0,8% a/a em agosto desde +0,5% anterior, embora com a subjacente a aumentar uma décima acima do esperado, até +1,0%, e maior pressão de preços pelo lado industrial.

Desta forma, hoje prevemos sessão de ligeira realização de lucros (-0,5%) perante: (i) um BCE que irá subir taxas de juros amanhã com quase total probabilidade (+25 p.b. esperado, até 2,50%/2,65% Depósito e Crédito) e que poderá dar uma mensagem de cautela, num contexto de elevados preços do petróleo e incerteza como o atual; e (ii) o IPC dos EUA, na sexta-feira, que se espera que repita em +3,4% em agosto e que, no caso de surpreender, poderá ser decisivo para a próxima reunião da Fed (16 de setembro).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (02:30 h): Inflação quase inexistente e Preços Industriais um pouco tensionados (agosto). (i) IPC +0,8% vs. +0,5% anterior, exatamente como esperado. (ii) Preços Industriais +3,8% vs. +3,6% esperado vs. +3,5% julho. OPINIÃO: Impacto neutral sobre o mercado. São números continuistas, mas não bons pelo que transmitem. Uma inflação que permanece estável, com muitas pequenas variações, aproximadamente em +1% desde novembro de 2022 é um indício de uma procura interna débil. Contudo, os Preços Industriais permaneceram em deflação em novembro de 2022 e março de 2026, onde estão agora. Essa pauta temporária encaixa com a guerra no Irão e o consequente encarecimento do petróleo, o que demonstra que está a afetar a cadeia produtiva chinesa, encarecendo-a. Portanto, a China enfrenta uma Procura Interna débil e custos produtivos crescentes, o que reduz as margens empresariais e afeta a competitividade relativa das suas exportações. 

JAPÃO (00:00 h): Excelente Tankan Industrial (setembro). O melhor registo desde dezembro de 2021: 21 vs. 18 em julho. OPINIÃO: Impacto um pouco positivo, mas notar-se-á pouco, visto que a sessão de hoje vem um pouco pressionada em baixa pelas tensões geoestratégicas (Irão). O Tankan Industrial vem a melhorar ininterrompidamente desde abril, quando estava em apenas 7 pontos (é um indicador índice que se forma com base em respostas de 200 empresas e constrói-se subtraindo as opiniões negativas das positivas no que diz respeito ao clima de atividade). Também, simultaneamente, foi publicado o Tankan Não Industrial, que melhorou 1 ponto, até 29. Por norma tem uma relevância inferior, em relação ao impacto sobre o mercado, e ainda menos desta vez porque permanece perto dos 30 pontos desde agosto de 2023 e, por isso, este registo não acrescenta nada de novo.

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08/09/2026

Ontem: “Bons dados na UE enquanto se mantém a tensão sobre o preço do petróleo.”

Tom tranquilo nas principais praças europeias, sem grandes referências dos EUA, que celebravam o Dia do Trabalho. O comportamento foi misto com oscilações nas principais bolsas europeias entre +/-0,3%.

O preço do petróleo Brent voltou a aumentar cerca de +1,2%, situando-se acima dos 97 $/barril perante as renovadas tensões no M. Oriente.

As rentabilidades das obrigações europeias continuaram em alta, em cerca de +5,0 p.b. (Bund 3,385%), enquanto os spreads das periféricas aumentavam ligeiramente (cerca de +0,4 / +0,9 p.b.). 

No lado macroeconómico, dois dados positivos na Europa que favorecem as expetativas de subida do BCE na próxima quinta-feira: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, para +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
Em suma, sessão de transição com bons dados macro na UE. 


Hoje: “Mantêm-se as tensões geoestratégias à espera do BCE (quinta-feira) e inflação americana (sexta-feira).” 

Na frente geoestratégica, o Irão afirma estar perto de um acordo com Omã para o transporte pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent em cerca de 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações e a entrada em vigor, no final de agosto, de impostos alfandegários de 50% sobre ~20.000 M$ de produtos do Canadá. Esta madrugada, bons dados macro na Ásia, embora menos fortes do que o antecipado: (1) a revisão em alta do PIB Japão +1,4% t/t anualizado (vs. +1,8% esperado e desde +1,1% prel.), mantém a expetativa de subida de taxas de juros do BoJ (18 de setembro, até 1,25%) e contribuiu para o fortalecimento do yen (para 178 EURJPY). (2) O setor exterior na China melhora (+28% a/a Importações +25% Exportações) embora com um ritmo um pouco menor do que o esperado. O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada. Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Balança Comercial aumenta o seu superavit em julho apesar de uma queda tanto das Exportações como das Importações - (i) Balança Comercial 21.300 M€ em julho vs. 15.800 M€ esperado e 15.300 M€ anterior (revisto desde 15.400 M€). (ii) Exportações -0,8% m/m vs. +0,3% esperado e +0,9% anterior. (iii) Importações -5,7% m/m vs. -1,0% esperado e +4,5% anterior (revisto desde +4,4%). OPINIÃO: Embora a Balança Comercial seja aparentemente boa, a realidade é que a leitura das secções não o é tanto, ampliando o seu superavit devido a uma queda significativa das suas Importações. Destaca um aumento das Exportações para os EUA (+19% m/m) face a uma queda da UE (-1,6%). As Importações apresentam uma queda geral, destacando EUA (-8,2%), China (-7,5%) e UE (-6,1%).

CHINA (03:33 h): A Balança Comercial aumentou o seu superavit em agosto. – Principais números: 119.090 M$ vs. 119.100 M$ estimado e 125.340 M$ anterior (revisto desde 125.500 M$). Tanto as Importações como as Exportações avançaram em relação ao dado anterior. As Exportações aumentaram menos do que o estimado (+25,0% vs. +25,9% esperado e +23,9% anterior) e as Importações (+28,2% vs. +31,0% estimado e +27,6% anterior). OPINIÃO: Resultados positivos, apoiados por uma forte procura derivada da IA, produtos de alta tecnologia (+26% 1S26 vs 1S25), assim como automóveis elétricos (+55% 1S26 a/a), que impulsionou as exportações, compensando o impacto negativo dos impostos alfandegários norte-americanos.

JAPÃO (00:50 h): O PIB aumenta abaixo do esperado em relação ao número preliminar do 2T 2026 graças a uma melhoria do investimento: +1,4% t/t anualizado vs. +1,8% esperado e +1,1% anterior. OPINIÃO: Números positivos. A melhoria do crescimento económico deve-se a uma revisão em alta do investimento (-0,9% vs. -0,7% esperado vs. -1,2% anterior), que acelerou apesar de uma pressão em preços em alta derivados da guerra no Irão. Estes números reforçam a ideia de que o BoJ irá subir taxas de juros (+25 p.b.) na sua próxima reunião (18 de setembro), num contexto de subida do nível de preços (+1,9% a/a). Após o dado, a rentabilidade da obrigação 10A (-2 p.b.) e o yen apreciou-se até 178,5 EURJPY (-0,5%).

UE (ontem): (i) O PIB do 2T foi revisto para melhor. Nomeadamente, até +1,2% a/a desde +1,0% preliminar e +0,6% anterior. Com base intertrimestral, +0,6% vs. +0,4% preliminar e 0,0% anterior. OPINIÃO: Dado melhor do que o estimado, que mostrou uma boa composição. Destaque especialmente para o Investimento (+1,4% a/a vs. +0,3% anterior) enquanto o Consumo também ganhou inércia (+1,2% vs. +1,0%). Contudo, a revisão em alta ocorre pela melhoria de Irlanda, que cresceu +10,2% t/t no 2T vs. +3,9% estimado inicialmente.  Link para a nota publicada por Eurostat (em inglês). (ii) A Confiança do Investidor Sentix acelerou em setembro mais do que o estimado. Alcançou +5,1 vs. +1,7 estimado e +0,9 anterior. OPINIÃO: Bom dado que alcançou o nível mais alto desde fevereiro de 2022. A Confiança melhora, apesar do aumento recente das rentabilidades das obrigações e apoiada por lucros empresariais melhores do que o estimado (EPS 2T 2026 +26% vs. +15% esperado).

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03/09/2026

Ontem: “Bolsas e obrigações piores na Europa vs. EUA.”

Nova subida nos preços da energia. O Brent aumenta +1% e supera os 95 $/barril (+9% na semana). Subida mais acentuada para o gás na Europa (+2% e +10% na semana), que alcança o nível mais alto desde janeiro de 2023. A Europa compete com a Ásia para atrair envios de GNL que lhe permitam aumentar as suas reservas antes do inverno. As reservas estão apenas a 65% da sua capacidade, nível mais baixo desde 2009. 

Piores comportamentos das obrigações na Europa vs. EUA. As economias da região são mais sensíveis às variações do preço do gás e é muito provável que o BCE volte a subir taxas de juros na reunião de 10 de setembro. A yield do Bund sobe +3 p.b (3,37%), o nível mais alto desde 2011. A obrigação francesa alcança +4,25%, máximo desde 2008. Nos EUA, a pressão sobre as obrigações, a pressão sobre as obrigações americanas suavizou-se. T-Note –2,0 p.b. (+4,78%). 

Bolsas com ligeiras quedas na Europa (-0,1%) e avanços nos EUA (+0,5%). A tecnologia ficou um pouco para trás na subida (+0,2%). 

O yen fortalece-se ao aumentar as expetativas de subida de taxas de juros do Banco do Japão. O euro cede um pouco de terreno face ao dólar (EURUSD 1,159). 

 

Hoje: “Tom mais estável nas bolsas à espera dos dados de emprego americano de amanhã.” 

Perante a ausência de referências macro ou corporativas de primeiro nível, o foco continuará nas novidades do conflito no M. Oriente e na evolução das obrigações. A recente escalada de ataques questiona a viabilidade do denominado “corredor seguro” em Ormuz, impulsionado pelos EUA para preservar o fluxo de petróleo para os mercados internacionais. Sem sinais que permitam antecipar uma resolução breve, o petróleo supera os 95 $/barril. O encarecimento da energia complica as perspetivas de inflação e taxas de juros. Este mês veremos subidas de taxas de juros do BCE e do Banco do Japão. A Fed – embora não opte por um aumento – reforçará a tendência hawkish/dura. O receio de uma inflação mais elevada e duradoura, os elevados défices fiscais e a concorrência de emissões de obrigações corporativas para financiar o desenvolvimento da IA intensificam a pressão sobre as obrigações soberanas, que alcançam níveis de rentabilidade não vistos em décadas.

A macro da sessão não deverá influenciar no mercado: PPIs na Europa (+5,5% a/a vs. +4,6%) e ISM de Serviços nos EUA (estável em 54,1). O dado-chave da semana é o relatório mensal do mercado laboral americano que conheceremos amanhã. Com a Taxa de Desemprego estável em 4,1%, a principal preocupação da Fed é a inflação. Apenas uma criação de emprego significativamente inferior à esperada poderá alterar de forma relevante as probabilidades de uma subida de taxas de juros em setembro. Veremos. Em relação aos mercados, o aumento na yield das obrigações reduz o atrativo dos ativos de risco. Além disso, após o fim da temporada de resultados do 2T, as bolsas perderam um dos seus principais catalisadores. No entanto, na sessão de hoje, o tom de 1.ª hora é um pouco mais construtivo. Sem novos ataques nas últimas horas, o petróleo retrocede (-1,4%) e a pressão sobre as obrigações parece ter-se moderado. Após um mau início da semana (-1,9% bolsa europeia e -0,6% americana), o mais provável é que tenhamos uma sessão de estabilidade – com alguma ligeira subida na Europa –, à espera dos dados de emprego de amanhã. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

SUÍÇA (07:30h): A inflação de agosto surpreende ao aumentar acima do esperado: +0,8% a/a vs. +0,5% esperado vs. +0,4% anterior. Em termos intermensais, +0,4% vs. +0,0% vs. -0,1%. OPINIÃO: O aumento dos preços do petróleo e o aumento da renda de habitação acelera a inflação suíça. Além disso, a depreciação do franco faz com que os bens importados acrescentem inflação (+1,4% m/m) pela primeira vez desde abril. São números positivos, porque afastam a economia suíça da deflação enquanto mantêm o IPC no intervalo objetivo do banco central (0%-2%). A Suíça tem as taxas de juros mais baixas do mundo, em 0%, e um contexto deflacionista que obrigasse a deixar as taxas de juros em níveis negativos seria contraproducente para a economia. Estimamos que o SNB mantenha as taxas de juros em 0% durante 2026.

EUA (ontem): (1) A Criação de Emprego Privado ADP: +38 mil em agosto; foi mais débil do que o antecipado (+47 mil esperado e desde +46 mil em julho, revisto em alta +2 mil). OPINIÃO: Esta sexta-feira teremos a publicação da Taxa de Desemprego, que se espera que repita em 4,1%, o que pode mostrar o relativo equilíbrio entre a oferta e a procura do mercado laboral. O dado passou sem grande impacto nos mercados, que estão mais focados na geopolítica e inflação. (2) Pedidos à Fábrica de julho +0,9% m/m (vs. +0,7% esperado e -0,2% ant., revisto uma décima para melhor); excluindo Transporte, +0,6% m/m (vs. +0,4% esperado e -0,4% ant.). Os Pedidos de Bens Duráveis (dado final) confirmaram o crescimento +1,1% m/m anunciado preliminarmente e também confirmaram +0,4% m/m excluindo transporte, e +1,3% m/m excluindo Defesa. OPINIÃO: Dados positivos para o crescimento, que confirmam os já antecipados sobre Bens Duráveis. Contudo, do lado da política monetária pode dar margem à Fed para uma política monetária menos relaxada. (3) LIVRO BEGE: Assinalou, em primeiro lugar, em relação à atividade, um crescimento modesto desde o início de julho e perspetivas positivas para os próximos meses, embora persistam as incertezas. Destaca a melhoria na maioria dos distritos da atividade industrial, especialmente impulsionada por defesa e centros de dados, enquanto pelo lado de Serviços o crescimento foi ligeiro. Em segundo lugar, o mercado laboral melhorou “muito ligeiramente” e o crescimento de salários foi de “modesto a moderado”. Em terceiro lugar, em relação aos Preços, o ritmo de crescimento em relação ao relatório anterior manteve-se estável em 8 distritos, moderou-se em três e apenas acelerou em um. Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: A mensagem positiva em relação ao crescimento (especialmente por Industrial; centros de dados e defesa), com uma inflação que cresce a um ritmo moderado, não antecipa a necessidade da Fed realizar movimentos a curto prazo.

BANCO DO CANADÁ (ontem): Manteve taxas de juros em 2,25%, como se antecipava.- OPINIÃO: A inflação no Canadá encontra-se em 3% a/a em julho, mas a Subjacente mantém-se num moderado 1,9% a/a, o que lhe permite manter sem alterações a sua política monetária, no contexto de incerteza comercial com os EUA atual. A taxa de desemprego está em 6,4% em julho, o nível mais baixo desde 2024. 

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02/09/2026

Ontem: “Continua a pesar o aumento das yields das obrigações.”

O mercado continua preso num círculo vicioso de tensão geopolítica > subida do petróleo bruto > receios de inflação > aumento de yields das obrigações que penalizam as bolsas. Novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz continuam a tensionar o preço do petróleo (Brent +4,6% até 94,7 $). As obrigações continuam a refletir os receios de inflação (mais) persistente e crescente probabilidade de endurecimento por parte dos bancos centrais. A yield do T-Note sobe +4,8 p.b. até 4,80%, Bund + 2 p.b. até 3,34%. E sem a compensação de notícias na frente empresarial, com a campanha de resultados concluída, as bolsas retrocedem (Europa -0,8%, EUA -0,7%).

Os dados na frente crítica da inflação, sem dar surpresas alarmantes, continuam sem ser reconfortantes. O IPC da UE aumenta 4 décimas em agosto até +3,3%, como esperado, pressionado pelos preços da Energia (Subjacente -1 décima até +2,4%) e reafirmando a convicção de que o BCE aplicará uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. até 2,50%/2,65% a 10 de setembro. Nos EUA, a componente de Preços Pagos do ISM Industrial não enfraquece como se esperava. Em suma, nova sessão de correção nas bolsas e obrigações marcada pelo tensionamento no M. Oriente. 


Hoje: “Petróleo >95 $ e yields em alta continuarão a prejudicar as bolsas.” 

Sem nada muito relevante a nível convencional, o mercado continua sujeito à frente geopolítica e o seu impacto no petróleo e gás. O petróleo amanhece a aumentar +1% até 95,6 $. Situa-se longe do preço médio em setembro de 2025 (67,5 $), o que manterá as obrigações tensas (yield T-Note +0,4 p.b. até 4,80%). De madrugada, o banco central da N. Zelândia subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,75% como se esperava, para travar uma inflação que se situa em +4,1%. O do Canadá, mais para a frente, provavelmente irá manter-se à espera de maior clarificação da frente comercial com os EUA. Assim, o Inquérito de Emprego ADP não deverá fazer muito ruído num mercado laboral que não é fonte de preocupação (com uma Taxa de Desemprego que, na sexta-feira, se espera que repita em 4,1%). Na frente empresarial, Palo Alto cai -1,1% após o fecho (-5,2% na sessão) apesar de bater em resultados e guias, penalizado, como todo o setor tecnológico, por umas yields elevadas. Hoje, após o fecho, é a vez de Broadcom, que se espera que praticamente duplique os seus resultados e, quiçá, ajude a recordar a prosperidade dos semis… embora agora os fundamentos pesem menos do que o aumento das taxas de juros a longo prazo. Mas isso já afetará na sessão de amanhã. Historicamente, setembro é um mau mês para as bolsas. De média, o índice americano baixou -0,8% no mês nas últimas três décadas, e Europa -1,2% desde o ano 2000. Este ano parece difícil que vejamos um desenvolvimento diferente, com yields de obrigações tensionadas, reuniões de bancos centrais que se mostrarão hawkish e atrativas reavaliações acumuladas no ano (Europa +10%, EUA +11,5%, Tecnologia +15,2%, semis +59,4%). De momento, hoje enfrentamos uma sessão sem incentivos, à espera dos dados de emprego americano de sexta-feira, muito atentos aos acontecimentos no M. Oriente e o seu impacto nas obrigações. Novos enfraquecimentos seria o normal.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): O número de desempregados aumenta em 44,4 mil pessoas em agosto, após um aumento de 19,5 mil em julho. O Desemprego situa-se em 2,35 M de pessoas (+1,9% m/m e 2,9% a/a). Os Afiliados à Segurança Social 22,3M (-162,8 mil pessoas -0,7% m/m e +3,1% a/a). Os Afiliados sem ajustamento sazonal à Segurança Social ascendem a 22,4 M pessoas (+83,8 mil pessoas +0,4% m/m e +3,2% a/a). Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol)  e link para o Ministério da Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados aumenta pelo segundo mês consecutivo no final de agosto. Diferente do mês anterior, no final de agosto é tradicional o aumento perante o final do período de verão, embora o ritmo seja maior do que a média nos últimos 4 anos (+27,3 mil pessoas). O número de Afiliados à SS (sem ajustamento sazonal) reduz-se -0,7% m/m. A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,5% (vs. 9,87% Taxa de Desemprego da EPA junho de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) de cerca de 10,0% no conjunto de 2026.

NOVA ZELÂNDIA (03:00 h): Sobe taxas de juros em +25 p.b. até 2,75%, em linha com o esperado. No seu comunicado, o Banco Central assinala que “a retirada gradual dos estímulos monetários é apropriada para devolver a inflação a 2%”, ponto médio objetivo. A evolução futura não está predeterminada, mas “sob o cenário central, o Comité considera que poderá requerer novas subidas”. O Comité espera que a inflação se mantenha elevada este ano antes de voltar para 2% no final de 2027. Consideram que a económica global apresenta “riscos significativos” que possam afetar preços de commodities e a procura de exportações”. Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: Sem surpresas, o banco central elevou taxas de juros e espera-se que o faça novamente antes do final do ano. A inflação está em +4,1% a/a (junho de 2026), perante o encarecimento do combustível devido ao conflito no M. Oriente vs. intervalo objetivo do Banco Central entre 1% e 3%, que se espera que volte até metade de 2027 e 2% para finais de 2027.

ZONA EURO (ontem): A inflação subiu quatro décimas em agosto, em linha com o estimado, até +3,3%. Em termos intermensais, aumenta até +0,4% vs. +0,2% anterior. A inflação subjacente, que exclui os elementos mais voláteis, modera-se uma décima, até +2,4% vs. +2,5% esperado e anterior. Esta subida veio propiciada principalmente pelos preços energéticos. Durante o mês de agosto o preço médio do petróleo foi +33% superior ao preço médio de agosto de 2025 (88 $ vs. 67 $). OPINIÃO: Embora ainda continue sem haver provas claras de efeitos de segunda ronda, já que a inflação de serviços, embora continue em níveis altos, se moderou em toda a Europa (+3,0% vs. +3,3% em julho), damos por garantido que o BCE realizará uma subida de +25 p.b. na sua próxima reunião, a 10 de setembro (movimento que até agora consideramos que poderia não ocorrer).

EUA (ontem): (i) O ISM Industrial modera-se mais do que o esperado após alcançar 54,6 pontos em agosto (vs. 55,2 esperado vs. 55,6 ant.), embora acumule 8 meses em zona de expansão. Leitura negativa também em Preços Pagos, que se mantêm em 71,1 pontos (vs. 70,5 est.) – mau para as margens empresariais. Também mostram debilidade os Novos Pedidos (53,7 vs. 56,8 est. e 56,7 ant.) e o Emprego (51,2 vs. 53 est. e 52,8 ant.). Em suma, más notícias para a indústria americana que começa a ver-se afetada pelo contexto geopolítico complicado. (ii) As Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) situam-se abaixo do estimado em julho: 7.271k vs. 7.300k esp. vs. 7.189k em junho (revisto desde 7.359k). OPINIÃO: Ambos os dados mostram um arrefecimento da economia americana maior do que o esperado, derivado do difícil contexto geopolítico. Isto reduz probabilidades de que a Fed realize uma subida de taxas de juros na sua próxima reunião, a 16 de setembro.

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01/09/2026

Ontem: “Aumenta a tensão no M. Oriente. Bolsas e obrigações penalizadas.”

Saldo negativo nas bolsas tanto na Europa (-1,0%) como em Nova Iorque (-0,3%) e novo aumento geral das yields das obrigações (T-Note +3 p.b. até 4,75%, Bund +4 p.b.; 3,32%). Tudo isso derivado da reativação dos ataques militares por parte dos EUA ao Irão. A intervenção militar une-se às sanções económicas anunciadas pelos EUA e eleva a tensão no M. Oriente. Como consequência imediata, o petróleo aumentou, situando-se acima da barreira psicológica dos 90 $/barril. Petróleo mais elevado implica inflações superiores, o que acresce mais pressão às obrigações (yields em alta) e penaliza as avaliações das bolsas.

No plano macro, o mais relevante foi a inflação preliminar de agosto na Alemanha. Situou-se abaixo do esperado (+2,9% vs. +3,0% esp. vs. +2,8% ant.), o que se une aos aumentos já conhecidos na França e Espanha e que definem um precedente para a inflação do conjunto da UE hoje.

Em suma, aumenta a tensão no M. Oriente e o petróleo em alta. Yields mais elevadas e as bolsas em baixa. 

 

Hoje: “Lateralidade e enfraquecimento... Petróleo >90 $/barril e a inflação europeia tem toda a atenção.” 

O tom à primeira hora é um pouco fraco (Japão -0,1%, China -1,1%) como consequência de um petróleo que se mantém >90 $/barril, yields em níveis elevados e uma saída à bolsa de Shein (ca. -5%) pouco convincente… Este será o to que predominará na sessão: lateralidade e enfraquecimento. Pelo menos até às 10 h, quando for publicada a inflação preliminar de agosto da UE. 

Estima-se que a inflação aumente até +3,3% desde +2,9% com a subjacente em +2,5% (vs. +2,6% ant.). Não é descartável que se situe abaixo do esperado, tendo em conta que os registos isolados de Espanha (+4,3% vs. +3,6%) e, principalmente, Alemanha (+2,9% vs. +2,8% ant.) aumentaram um pouco menos do que o estimado. Veremos… Em qualquer caso, o aumento da inflação parece bastante interiorizado e, caso se alinhe com o estimado, não deverá impactar excessivamente hoje. Neste contexto, dá-se praticamente por garantido que o BCE irá aumentar as taxas de juros em +25 p.b. na sua próxima reunião (10 de setembro). 

Nos EUA, hoje começarão a ser publicados os primeiros números de emprego com as Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) e o ISM Industrial. Especial atenção a esta última, principalmente pela sua componente de Preços Pagos, num contexto de yields elevadas (T-Note 4,78%) e no qual o foco da Fed se foca mais na inflação do que no emprego/economia.

Em suma, hoje lateralidade e tom fraco que poderá melhorar um pouco se a inflação europeia surpreender positivamente.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00h): (i) As Vendas a Retalho surpreendem negativamente em julho, caindo -2,5% a/a vs. +0,7% esperado vs. +0,6% anterior (revisto desde +0,0%). Em termos intermensais, -3,4% vs. +0,5% esperado vs. +0,0% anterior (revisto desde -0,7%). OPINIÃO: Resultados negativos. O fim das ajudas estatais ao preço dos carburantes em junho impacta a despesa dos consumidores. Com isso, as vendas nas estações de serviços caem -9,3% a/a. Além disso, as vendas de produtos não alimentares também retrocedem -3,4%. Em suma, o aumento da inflação em julho (+2,8% a/a vs. +2,3% em junho) e a incerteza geopolítica prejudica a confiança dos consumidores e condiciona o consumo a retalho. (ii) Inflação do mês de agosto ligeiramente abaixo do esperado. IPC +2,9% (a/a) vs. +3,0% esperado e +2,8% anterior. Em números mensais, +0,2% vs. +0,3% esperado e +0,8% anterior. OPINIÃO: Confirma-se, portanto, a aceleração dos preços na Alemanha em agosto, embora em menor medida do que o esperado. Em todo o caso, esta taxa de inflação, junto com as conhecidas na semana passada de Espanha (+4,3%) e França (+2,4%), fazem prever que o aumento do IPC do conjunto da UE se confirmará no mês de agosto (+3,3% esperado vs. +2,9% anterior) e que isto levará o BCE a realizar uma subida de 25 p.b. na sua reunião a 10 de setembro.

REINO UNIDO (07:00 h): Os preços da habitação nationwide aumentam de forma testemunhal em agosto: +1,6% a/a vs. +2,0% esperado vs. +1,4% anterior (revisto desde +1,8%). Em termos intermensais, +0,2% vs. +0,1% vs. -0,1% (revisto desde +0,1%). OPINIÃO: Sem impacto no mercado. O aumento deve-se à revisão do mês anterior. Em qualquer caso, os Preços da Habitação mostram uma clara tendência de moderação e não implicam uma preocupação para o BoE. A atenção do banco central está na inflação de serviços e evolução dos preços do petróleo.

CHINA (02:45 h): O PMI Industrial melhora em agosto acima do esperado: 51,5 vs. 51,0 esperado vs. 50,9 anterior. Aumentam a maior ritmo Produção, Novos Pedidos e Exportações. Os Preços de Compra aumentam, mas os de Venda caem devido à forte competitividade, o que pesa sobre as margens das empresas. OPINIÃO: Dados positivos. Após três meses consecutivos de desaceleração, as empresas chinesas voltam a reportar uma melhoria da atividade. Contudo, a forte competitividade faz com que as empresas pressionem os preços e prejudiquem as suas margens. Em qualquer caso, são resultados positivos para uma economia que cresceu abaixo do objetivo no 2T’26 (+4,3% a/a), marcando a mínima expansão em mais de três anos.

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28/08/2026

Ontem: “Os resultados da Nvidia animaram a sessão americana, mas não a europeia.”

Sessão mista nas bolsas, com quedas na Europa (-0,7%), por ter menor exposição à tecnologia, mas com subidas nos EUA (+0,7%), numa sessão sem referências que foi animada pelos resultados da Nvidia, que avançou +8,7%, impulsionando a Tecnologia (+1,4%) e os Semicondutores (+2,3%). A época de resultados mostrou que os fundamentais continuam sólidos (BPA +50% vs. +24% est.) e que a procura por IA continua forte. O petróleo subiu ligeiramente (Brent 89,7$; +2,1%) após os comentários de Trump de que não está interessado em retomar as negociações com o Irão.

Conhecemos também ontem as Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho, que refletiram que vários membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem devido à subida dos preços da energia, num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado. Os dados de inflação da Zona Euro que conheceremos na próxima terça-feira serão determinantes para a decisão (+3,2% est. vs. 2,9% ant.).

Hoje: “Inflação europeia em alta e discurso de Warsh do qual provavelmente retiraremos poucas conclusões.” 

Após a apresentação dos resultados da Nvidia, o protagonismo passa para o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole (15h), onde o mercado tentará procurar indícios sobre a posição da Fed relativamente aos últimos dados de inflação e aos esforços do Tesouro norte-americano para controlar as rendibilidades de longo prazo. Embora o mais provável seja que as suas declarações voltem a ser breves e enigmáticas e não nos deixem uma conclusão clara, ao estilo do ex-governador Greenspan: “se me compreendeu, é porque me interpretou mal”. Mas antes de ouvir Warsh, o mercado reagirá às primeiras inflações de agosto na Europa. A de França saiu em linha com o esperado (+2,4% est. vs. +2,4% est. e +2,1% ant.), mas a de Espanha acelerou mais do que o esperado (+4,3% vs. +4,2% est. e +3,6% ant.), embora o mais importante seja o dado da Zona Euro que conheceremos na próxima terça-feira (+3,2% est. vs. 2,9% ant.) e que será determinante para a decisão sobre as taxas de juro do BCE em 10 de setembro.
Com tudo isto, hoje deveremos ter uma sessão tranquila, pelo menos até às 15h, com um viés ligeiramente positivo graças à correção do preço do petróleo (Brent 89,3$; -0,4%), após os comentários, durante esta madrugada, do chefe do Comando Central dos EUA de que o exército norte-americano limpou o Estreito de minas iranianas, afirmando que as rotas marítimas internacionais estão abertas.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08h00): O IPC preliminar de agosto acelera mais do que o esperado para +4,3% vs +4,2% esperado e +3,6% anterior. A inflação subjacente (que exclui as componentes mais voláteis do indicador) desacelera em linha com o esperado para +2,9% vs +3,0% anterior. OPINIÃO: Impacto negativo. A aceleração da inflação é superior ao esperado, provocada por um contexto de subida dos preços dos combustíveis (petróleo Brent +30% a/a) e da eletricidade. Importa lembrar que, em junho, foi reposto o IVA sobre os combustíveis, mas o Governo prolongou parcialmente as medidas para atenuar o impacto do conflito no Médio Oriente (ajustes de 0,15€/litro em julho, que passaram para 0,10€/litro em agosto e serão de 0,05€/litro em setembro). É certo que, para já, a subida dos preços da energia não está a repercutir-se excessivamente na economia através de efeitos de segunda ordem, uma vez que a taxa subjacente se mantém ancorada <3,0%. Em qualquer caso, a aceleração da inflação junta-se à de França e cria um precedente para a inflação do conjunto da UEM na próxima segunda-feira (+3,3% esp. vs +2,9% ant.). Uma inflação mais elevada incentiva o BCE a adotar um tom mais hawkish/rígido na sua próxima reunião (10 de setembro). Veremos… Na nossa estratégia de Investimento 3T 2026, a nossa estimativa aponta para uma inflação de +3,3% em dezembro de 2026.

FRANÇA (07h45): (i) O IPC preliminar de agosto acelera em linha com o esperado para +2,4% vs +2,1% anterior. (ii) Em paralelo, o PIB final do 2T é revisto em baixa face ao registo preliminar para +0,5% a/a vs +0,7% preliminar vs +0,8% no 1T. OPINIÃO: A inflação acelera em linha com o esperado, pelo que o impacto nas obrigações deverá ser limitado (yield 10 anos francês anos +0,8pb para 4,11%). A principal explicação para a aceleração da inflação é o aumento dos preços da energia em agosto. Como referência, a média do barril de petróleo Brent em agosto de 2026 é de 88,1$/barril, face aos 67,5$/barril em agosto de 2025. Ou seja, uma subida de preços de +30%. Uma inflação mais elevada acrescenta pressão sobre o BCE para endurecer a sua política monetária. Relativamente ao PIB do 2T, a interpretação é negativa. O registo final situa-se abaixo do preliminar, confirmando o crescimento errático do país (+0,5% a/a vs +0,7%). Além disso, a composição do crescimento não é favorável. Por componentes, o Consumo Privado cresce abaixo do PIB (+0,3% a/a vs +0,5% PIB) e o Investimento recua (-0,2%). Assim, o crescimento explica-se integralmente pelo aumento da Despesa Pública (+1,4%) e pela contribuição positiva do setor externo.

UEM (ontem): As Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho refletem que alguns membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem decorrentes da subida dos preços da energia num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado. Link para as Atas (em inglês) . OPINIÃO: Nessa reunião, o BCE manteve as taxas de juro inalteradas em 2,25% (depósito) / 2,40% (crédito), após ter efetuado uma subida de +25pb no mês anterior. O banco considera que, em setembro (a reunião será no dia 10), terá a oportunidade de avaliar melhor as perspetivas e os riscos de inflação em função da evolução dos acontecimentos no Médio Oriente. Os preços da energia apresentam elevada volatilidade, acompanhando as notícias provenientes do Golfo Pérsico, mas o banco destaca também a informação limitada sobre as reservas de petróleo e gás de alguns países, pelo que os futuros destas matérias-primas poderão estar a subavaliar os riscos. Por outro lado, se as economias adaptarem a sua procura e o conflito for resolvido, os preços poderão cair abruptamente. Neste contexto, a economia europeia mostra-se resiliente e, de facto, as perspetivas de curto prazo melhoram ligeiramente e o crescimento nos próximos trimestres poderá ser algo superior ao estimado em junho (PIB 2026 +0,8%, 2027 +1,2%, 2028 +1,5%). O mercado de trabalho está a arrefecer e as contratações são significativamente inferiores às do ano passado, mas o desemprego mantém-se próximo dos mínimos históricos. O crescimento dos salários está a moderar-se e, para já, não são percecionados efeitos de segunda ordem. A inflação recente surpreendeu favoravelmente (recorde-se que, no momento das atas, o último dado disponível era o IPC da UEM de junho, que diminuiu para +2,8% face a +3,2% em maio), devido à queda da componente Energia, mas as perspetivas de médio prazo não se alteram. Os preços do petróleo encontram-se em níveis semelhantes aos assumidos no cenário central do banco, mas os do gás natural são superiores e poderão elevar os preços da eletricidade e a inflação subjacente; os preços dos Alimentos constituem também um risco elevado e importante para a perceção da inflação e para a definição dos salários. Em suma, o banco vê algum equilíbrio entre uma situação atual “reconfortante” e riscos de inflação em alta num contexto de elevada incerteza. As expectativas de médio prazo mantêm-se bem ancoradas, mas encontram-se elevadas desde o início da guerra no Irão e os riscos continuam inclinados em alta. Embora ainda não sejam percecionados efeitos de segunda ordem, uma resposta tardia do banco central poderá atrasar o cumprimento do objetivo de inflação de 2% e exigir um endurecimento monetário mais acentuado no futuro, penalizando famílias e empresas. Neste contexto, o banco considera justificado esperar para ver como evolui o verão e as novas projeções de setembro, mas entende que movimentos “preventivos” das taxas de juro são cada vez mais merecedores de consideração para evitar cenários mais adversos. Enquanto aguardamos os dados de inflação da UEM que conheceremos nos próximos dias e que apontam para subidas significativas, aumenta a probabilidade de uma subida das taxas de juro de +25pb em setembro.

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27/08/2026

Ontem: “Lateralidade das bolsas e nova subida das yields numa sessão marcada pelos dados macro nos EUA.”

Ontem verificou-se uma evolução lateral nas bolsas, com a Europa (+0,2%) ligeiramente melhor do que NY (-0,0%). Nas obrigações, sessão negativa, com subidas generalizadas das yields, embora ainda abaixo de níveis psicológicos (T-Note <4,70%; Bund <3,30%...). Tudo isto como consequência de indicadores macro nos EUA que mostram a solidez do ciclo e que poderão incentivar a Fed a adotar um tom algo mais hawkish/duro.

Como referência, ontem foram publicados nos EUA: Deflator Consumo Privado PCE desfavorável, mantendo-se em +3,7% vs +3,6% esperado; Primeira revisão do PIB do 2T em linha (+1,5% t/t anualizado), embora com uma composição melhor graças a uma ligeira revisão em alta do Consumo Privado; e Encomendas de Bens Duradouros francamente positivas (+1,1% vs +0,5% esp.). Em suma, dados favoráveis para o ciclo e maior inflação, penalizando obrigações e bolsas.

Em geoestratégia, não há grandes avanços no Médio Oriente, e o petróleo mantém-se abaixo da barreira dos 90$/barril.

 

Hoje: “Tom positivo nas bolsas. A NVIDIA não desilude (ca. +5%) e Jackson Hole arranca…” 

A NVIDIA sobe ca. +5% no mercado fora de horas americano após divulgar resultados do 2T simplesmente espetaculares. Ultrapassa as expectativas (EPS +120% vs +99%) e apresenta orientações que convencem o mercado. A procura por semicondutores mantém-se mais do que sólida e as perspetivas no curto e médio prazo continuam encorajadoras. Os resultados apoiam a nossa recomendação de Compra sobre a empresa (P.O. 282$; potencial +34%) e sobre os semicondutores em geral. Principalmente porque, como temos vindo a defender há vários meses, (i) é um dos setores mais imunes ao contexto geopolítico, (ii) o principal beneficiário do desenvolvimento da IA e (iii) onde se concentram os lucros empresariais. A CrowdStrike (cibersegurança) também publicou bons resultados e orientações e sobe ca. +11% em after-market. Em suma, bons resultados da NVIDIA e tom positivo em geral no plano micro, que deverá servir de catalisador para as bolsas hoje.

À margem da NVIDIA, arranca hoje Jackson Hole. É verdade que não há nenhuma intervenção programada, pelo que, à partida, não haverá notícias com impacto excessivo na sessão. A atenção concentra-se amanhã na intervenção de K. Warsh, principalmente para perceber se dá alguma pista sobre o roteiro das taxas de juro. No entanto, parece pouco provável, tendo em conta o carácter críptico e reservado que tende a demonstrar. Veremos…

Com este conjunto de fatores, o tom para hoje é positivo, seguindo a esteira dos bons resultados da NVIDIA. Um otimismo que poderá ir perdendo força à medida que a sessão avança, tendo em conta que amanhã são divulgadas as inflações preliminares na Europa, previsivelmente em aceleração, e que Warsh irá intervir.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

COREIA DO SUL (1h50): O banco central (BOK) sobe a taxa de referência +25pb para 3,0%, como esperado. OPINIÃO: Aumenta a taxa repo a 7 dias, que é a sua taxa de referência, pela 2.ª vez consecutiva, num contexto de forte crescimento económico impulsionado pelas exportações de semicondutores e de previsões de inflação acima do objetivo nos próximos meses. Eleva a estimativa de PIB para 2026 de +2,6% para +3,3% e para 2027 prevê +2,9%, devido à continuidade do boom dos semicondutores, e antecipa que a inflação permanecerá acima do seu objetivo durante um período prolongado, embora não altere as previsões anteriores: +2,7% em 2026 e +2,3% em 2027; Subjacente em +2,5% em ambos os anos. Atualmente, o IPC situa-se em +2,8% e a Subjacente em +2,6%. O tom é hawkish e o seu gráfico de projeções antecipa uma nova subida das taxas de juro nos próximos 6 meses.

ALEMANHA (7h00): A Confiança do Consumidor melhora mais do que o esperado em setembro: -26,6 vs -29,5 esperado vs -29,4 anterior. OPINIÃO: Em linha com outros indicadores de sentimento publicados recentemente (ZEW, IFO), os consumidores alemães também melhoram a sua confiança, embora esta permaneça em níveis baixos numa perspetiva histórica. Reflete a reativação económica após 3 anos com crescimentos próximos de 0%, impulsionada por avultados investimentos em infraestruturas e defesa, bem como pelo otimismo gerado pelas reformas económicas em curso do atual Governo (reforma das pensões e do mercado de trabalho, redução de impostos e burocracia).

EUA (ontem): Conjunto de dados macro com saldo misto: (i) Deflator do Consumo Privado (PCE) em julho +3,7% vs +3,6% esperado vs +3,7% anterior. A taxa Subjacente repetiu, em linha com o esperado, em +3,3%. Os Rendimentos Pessoais aumentaram +0,4% m/m vs +0,2% anterior e as Despesas moderaram para +0,2% vs +0,3%, o que fez com que a Taxa de Poupança aumentasse pela primeira vez em 2026 para 3,0% vs 2,7% em junho. Link para a Nota (em espanhol); (ii) A 1.ª revisão do PIB 2T26 confirmou o valor preliminar de +1,5% t/t anualizado, mas melhorou a qualidade do crescimento com uma revisão em alta do Consumo Privado. Link para a Nota (em espanhol); (iii) Encomendas de Bens Duradouros +1,1% vs +0,5% esperado e anterior. Excluindo a componente mais volátil dos Transportes, +0,4% vs +0,6% esperado e +1,1% anterior (revisto de +0,7%). Link para a Nota (em espanhol). OPINIÃO: Os dados deixaram uma leitura mista. A inflação surpreendeu uma décima acima do esperado, repetindo em +3,7%, mas a Taxa Subjacente repetiu conforme esperado. A energia (-1,5% m/m) reduziu a inflação pelo segundo mês consecutivo porque o preço do barril de Brent teve em julho uma média (78,8$) inferior à de junho (81,8$). Por outro lado, o crescimento confirmou a sua robustez, apoiado numa melhoria do Consumo Privado. No entanto, no início do 3T estamos a observar indicadores de atividade que mostram alguma fraqueza: a moderação das Despesas Pessoais e o aumento da Taxa de Poupança juntaram-se ontem à queda das Vendas a Retalho e à destruição de Emprego Não Agrícola em julho. Em todo o caso, a Fed continuará a prestar maior atenção aos preços e à evolução do conflito no Médio Oriente. O impacto destes dados foi limitado, por não oferecerem uma leitura conclusiva.

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26/08/2026

Ontem: “Sessão positiva apoiada por cortes nas yields das obrigações e queda do petróleo.”

A sessão de ontem terminou com subidas nas bolsas (Europa +0,2%, EUA +0,3%, Tecnologia +0,6%, Semicondutores +1,4%), apoiadas pelo alívio generalizado das yields das obrigações pelo segundo dia consecutivo (Bund -5,1pb até 3,20%, T-Note -5,9pb até 4,63%) e pelo petróleo Brent (-4% ontem e -8% na semana), que continua a corrigir após o anúncio de novas negociações entre o Irão e Omã para reabrir o Estreito.
No plano macro, tivemos dados positivos na Europa. Ficámos a conhecer logo pela manhã o PIB final da Alemanha do 2T26, que subiu para +1,0% (vs +0,9% preliminar), e o IFO, que ficou acima do esperado (88,5 vs 87,2 esp e 85,5 ant). Nos EUA, no entanto, foi divulgada a Confiança do Consumidor de agosto, que ficou abaixo das expectativas (89,4 vs 90,2 esp e 90,8 ant).

Em suma, apesar de a tensão geopolítica continuar muito presente, os mercados mantiveram ontem um tom construtivo, à espera dos principais acontecimentos do restante da semana (PCE dos EUA, resultados da Nvidia e Jackson Hole).

Hoje: “A semana ganha tração com a publicação do PCE nos EUA e os resultados da Nvidia.” 

A semana ganha tração e hoje teremos algumas das referências mais relevantes da semana. Às 13h30 é publicada uma série de dados nos EUA, com particular atenção para o PCE de julho (espera-se que recue uma décima para +3,6% na Taxa Geral e repita +3,3% na Taxa Subjacente). Além disso, será publicada a primeira revisão do PIB do 2T26 (que deverá confirmar o +1,5% preliminar) e os Duradouros, que deverão repetir em julho o +0,5% m/m do mês anterior.

No plano empresarial, o protagonismo será para os números da Nvidia (EPSe: 2,09$; +98,7%), que divulgará após o fecho de NY, pelo que o seu impacto se refletirá realmente na sessão de amanhã. O mercado estará atento não apenas aos números e orientações, mas também às mensagens do CEO na conferência de analistas. Para lá do impacto no dia de resultados (o mercado é particularmente exigente e o mínimo incumprimento pode levar a perda de lucros), consideramos que os fundamentais da empresa são muito sólidos e a nossa predisposição seria “comprar na fraqueza” caso ocorram quedas.

Os futuros estão praticamente inalterados (Europa +0,1% e EUA -0,1%), pelo que esperamos uma sessão de alguma indefinição, em que o tom definitivo do mercado só ficará claro após a divulgação da macro americana (13h30). Se o PCE acompanhar, não é de excluir que a sessão evolua de menos para mais.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): Deterioração superior à esperada na Confiança do Consumidor em agosto. Forte queda nas Expectativas. O indicador situou-se em 89,4 em agosto vs 90,2 estimado e 90,2 anterior (revisto em baixa de 90,8). Trata-se do nível mais baixo desde o início do ano. Destaca-se a forte queda da Componente de Expectativas: 68,2 vs 74,0 est. e 74,0 ant.. A Componente da Situação Atual melhorou para 121,2 vs 114,7 estimado e 114,4 anterior. OPINIÃO: As famílias percecionam uma deterioração do seu rendimento disponível real devido ao aumento das preocupações com a inflação e o mercado de trabalho. A subida do petróleo eleva as expectativas de inflação e de taxas de juro. O mercado de trabalho está a abrandar, com criação de emprego negativa em julho e uma diminuição da perceção da facilidade em encontrar trabalho, o que enfraquece a confiança no crescimento futuro dos rendimentos. Além disso, aumenta a incerteza geopolítica decorrente do conflito no Médio Oriente. Neste contexto, as famílias tendem a reduzir as despesas não essenciais e a aumentar a poupança por precaução. Esta deterioração deverá moderar as expectativas de subidas das taxas de juro por parte da Fed. Link para a nota completa (em espanhol).

ALEMANHA (ontem):  A confiança empresarial (IFO) surpreende pela positiva em agosto. Situou-se em 88,8 vs 87,2 est e 86,7 ant. A Componente Situação Atual melhorou para 88,5 vs 87,0 estimado e 85,5 anterior, e a Componente de Expectativas avançou para 89,1 vs 87,5 est e 86,8 ant. Quarto mês consecutivo de melhoria do indicador. OPINIÃO: A economia alemã está a apresentar um bom desempenho (PIB final 2T +1,0% a/a vs a +0,9% preliminar e +0,8% no 1T) – apesar da pressão desfavorável dos preços da energia – graças ao impulso da despesa pública e das exportações. Os estímulos fiscais, nomeadamente o aumento do investimento em defesa e infraestruturas, e novas reformas (redução de impostos e burocracia, reforma das pensões e do mercado de trabalho…) continuarão a apoiar o crescimento na segunda metade do ano. Mas, ao mesmo tempo, surgem alguns fatores que representam um risco em baixa para as suas perspetivas de crescimento. A escalada do conflito entre os EUA e o Irão poderá provocar um aumento prolongado dos preços do petróleo e do gás. Além disso, os baixos níveis de água no Reno, principal artéria logística do país, poderão traduzir-se numa deterioração das exportações. Link para a nota completa (em espanhol).

 

25/08/2026

Ontem: “O petróleo alivia e dá algum descanso às obrigações.”

Sessão sem referências relevantes. Enquanto os EUA aguardam a concretização das sanções económicas adicionais para estrangular o Irão e forçá-lo a regressar à mesa de negociações, o petróleo recua ligeiramente e dá algum descanso às obrigações. As bolsas fecham com ligeiras quedas, lideradas pela tecnologia, embora mantendo saldos positivos, para já, no mês (Europa +1,4%, EUA +2,2%, Tech EUA +2,7%, semis +1,0%). O Brent cai -2,4% para 92,2$, mas o preço médio acumulado regista uma subida de +30,8% a/a (88,0$ vs 67,3$), o que aponta para que os IPC de agosto, que começaremos a conhecer na sexta-feira na UEM, possam acelerar de forma significativa. Seja como for, permite uma ligeira moderação das yields das obrigações de longo prazo: Bund -0,5pb para 3,25%, T-Note -3,7pb para 4,70%. O dólar também mais calmo e parece procurar alguma estabilização, ainda que temporária, em níveis de 1,166€/$. Com correlação inversa ao dólar e riscos geopolíticos e de inflação em alta, os ativos alternativos continuam a valorizar: ouro +1,1% para ~4.652$ (+15% no mês), Bitcoin +2% para ~78.930$ (+25,5% no mês). Em resumo, sessão de transição, à espera dos eventos e indicadores relevantes mais à frente na semana.

Hoje: “Mais conteúdo e melhor tom nas bolsas.” 

A sessão ganha algum interesse com a publicação do IFO na Alemanha (9h) e da Confiança do Consumidor nos EUA (15h), mas o mercado continuará um pouco em “compasso de espera” até ganhar mais interesse amanhã com o PCE americano e os resultados da Nvidia, enquanto empresa com maior capitalização bolsista e um dos epicentros do ecossistema de IA. E, sobretudo, Jackson Hole a partir de quinta-feira, embora com maior interesse na sexta-feira e sábado, em que as declarações dos principais banqueiros centrais servirão para dar direção a umas obrigações que deram sinais de nervosismo neste verão. Espera-se que o IFO melhore algumas décimas em agosto pelo 4.º mês consecutivo. Seguiria a tendência do ZEW conhecido na semana passada e que surpreendeu positivamente, dando sinais de que a economia alemã, muito intensiva em energia, resiste melhor do que o esperado ao aumento dos preços da energia, apoiada por um forte investimento em infraestruturas e defesa e por algum otimismo perante o pacote de reformas em curso do Governo (redução de impostos e burocracia, reforma das pensões e do mercado de trabalho). A Confiança do Consumidor nos EUA, pelo contrário, poderá continuar a moderar-se, dando sinais de fadiga perante o aumento dos preços e o arrefecimento do mercado de trabalho. Nada que, à partida, vá surpreender um mercado que desperta com um tom mais positivo e vontade de recuperar.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (09h00h):  O PIB final do 2T cresce +1,0% a/a vs +0,9% preliminar e +0,8% no 1T.  -O consumo avança +1,0%, impulsionado pelo crescimento de +3,0% do consumo público, enquanto o consumo das famílias regista um modesto +0,1%. O investimento apresentou uma evolução fraca no período (-1,3%), com um desempenho negativo do setor da construção (-1,5%). O setor externo teve uma contribuição positiva no trimestre (+0,6%), com crescimento de +3,7% nas exportações vs +2,5% nas importações. Em termos trimestrais, o crescimento do 2T foi de +0,3% vs +0,2% preliminar. Link para o Instituto de Estatística do Governo Federal Alemão. OPINIÃO: A economia alemã demonstrou ser mais sólida do que o esperado no segundo trimestre, apesar da pressão desfavorável dos preços da energia, graças ao impulso da despesa pública e das exportações. No entanto, uma nova escalada do conflito entre os EUA e o Irão que desencadeie uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás representa um risco em baixa para as expectativas de crescimento na segunda metade do ano. Outro risco em baixa para o crescimento resulta de uma possível deterioração das exportações devido aos baixos níveis de água no Reno, a principal artéria logística do país. Este rio liga o porto de Roterdão, o maior centro portuário da Europa, a importantes polos industriais alemães, pelo que as restrições ao transporte fluvial podem afetar a produção e o comércio externo alemão.  Pelo lado positivo, os estímulos orçamentais, com maior despesa em defesa e infraestruturas, continuarão a apoiar o crescimento do PIB.

 

21/08/2026

Ontem: “A subida do petróleo pesa sobre as bolsas e as obrigações.”

Sessão de quedas moderadas nas bolsas. O barril de Brent valorizou +2,4%, para 93,8$, penalizando os índices (Europa -0,4% e EUA -0,9%). Também pressionou o mercado obrigacionista norte-americano, anulando grande parte do rally registado na quarta-feira, impulsionado pelo aumento das recompras de obrigações de longo prazo por parte do Tesouro.

Bessent voltou a pronunciar-se, afirmando que as recompras poderão mesmo ultrapassar os 4.000M$ anunciados, argumentando que “as yields não refletem adequadamente os fundamentais”. Ainda assim, o 10 anos encerrou nos 4,70% (+5 pb), acima do nível registado antes do anúncio.

No plano empresarial, a Walmart (-9,2%), proxy do consumo americano e o maior empregador privado dos Estados Unidos, publicou números abaixo do consenso. As vendas comparáveis cresceram +2,6% a/a vs 3,7% esperados, o crescimento mais fraco dos últimos 6 anos.

A frente macro passou para segundo plano: (i) Philly Fed: 47,4 vs. 41,4 esperado, refletindo robustez da atividade e moderação dos preços; (ii) Indicador Antecedente +0,2% vs. -0,1%; (iii) Riksbank manteve as taxas em 1,75%.

Hoje: “Prudência nas bolsas. Sem novidades no Médio Oriente.” 

Manhã sem novidades no plano geopolítico. O barril de Brent recua milimetricamente -0,3% para 93,5$, acumulando +5,5% na semana. Estes níveis justificam uma postura prudente por parte dos mercados e deverão manter a aversão ao risco enquanto não surgirem novos catalisadores.

Para além de eventuais desenvolvimentos no Médio Oriente, a atenção centra-se na série de PMI divulgados em todo o mundo. Nas primeiras horas, os PMI industriais do Japão  (55,1 vs 54,5 anterior) e da Índia (52,9 vs 53,5 anterior) evidenciaram um padrão semelhante: indicadores a manterem-se em zona de expansão, sustentados pela robustez da atividade e a moderação dos preços pagos. Deverá ser também a tendência observada nas restantes economias. Foi ainda divulgado o IPC de julho no Japão: +1,9% a/a vs +1,9% esperado vs +1,6% ant. O preço do petróleo e a fraqueza do iene afetam a inflação, aumentando a probabilidade de nova subida das taxas de juro por parte do BoJ. Atribuímos elevada probabilidade a uma subida de 25 p.b. em setembro.

Na ausência de outros acontecimentos relevantes, o mercado começa a focar-se na próxima semana. A atenção estará em duas referências: (i) A Nvidia divulga resultados do 2T27 na quarta-feira após o fecho de NY e (ii) realiza-se o simpósio de banqueiros centrais de Jackson Hole, entre 5.ª feira e sábado.

Sem novidades no Médio Oriente e com o foco já na próxima semana, hoje há poucos incentivos para grandes movimentos. O cenário mais provável seria uma sessão lateral, mantendo-se o tom de prudência nas bolsas.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00h30): (i) Novo aumento da inflação reforça os argumentos a favor de novas subidas das taxas de juro pelo BoJ. O IPC de julho situou-se em +1,9%, em linha com as estimativas do consenso, vs +1,6% ant. A Taxa Subjacente situou-se em 1,9% vs 1,7% anterior. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelo encarecimento da energia, após o fim das medidas de apoio fiscal aos combustíveis, e pela subida dos preços dos alimentos processados. Adicionalmente, a depreciação do iene continuou a refletir-se nos custos de produção e nos preços finais. OPINIÃO: A aceleração da inflação, conjugada com a persistente fraqueza do iene e a evolução favorável dos salários, deverão acelerar o ritmo de subida das taxas de juro no Japão. A inflação tem apresentado uma trajetória claramente ascendente nos últimos meses (1,3% em fevereiro vs 1,9% em julho), sendo provável que a força dos preços da energia e a fragilidade da moeda continuem a pressionar o IPC. A este contexto junta-se o resultado das negociações salariais do shunto, que registaram aumentos superiores a 5% pelo terceiro ano consecutivo, consolidando o círculo virtuoso entre salários e preços. O BoJ preferiria uma subida mais lenta das taxas de juro, ganhando tempo através de intervenções no mercado cambial caso o iene continuasse a enfraquecer. Contudo, a eficácia limitada dessas intervenções, mesmo com o apoio de intervenções dos EUA, e as pressões inflacionistas mais altas do que o esperado deverão levar o BoJ a acelerar subidas das taxas. A próxima poderá ocorrer já em setembro (+25 p.b. para 1,25%), em vez de dezembro, como inicialmente previsto; (ii) O PMI Composto de agosto subiu para 53,4, vs 52,7 ant. O PMI Industrial situa-se em 55,1 vs 54,5 ant. e o PMI dos Serviços melhora para 52,3 vs 51,2 ant. OPINIÃO: Boa evolução dos PMI em agosto. A economia japonesa mantém um ritmo sólido de crescimento no início do terceiro trimestre. O setor industrial continua a liderar a expansão graças ao dinamismo da procura externa, enquanto os serviços ganham tração. Um crescimento do PIB próximo de +1,0% não deverá constituir um obstáculo para a continuação do processo de subida das taxas de juro pelo BoJ.

EUA (ontem): (i) O Índice Industrial da Fed de Filadélfia (Philly Fed) aumenta acima do esperado em agosto: +47,4 vs +25 esperado vs 41,4 anterior. -Por componentes: Novas encomendas e Entregas mantêm-se em níveis elevados e o Emprego melhora. Os Preços Pagos moderam, embora continuem em níveis altos relativamente à média histórica. (ii) O Indicador Antecedente melhora em julho: +0,2 m/m vs -0,1% anterior. OPINIÃO: Números positivos. A atividade industrial mantém-se elevada e os preços moderam. Este indicador juntamente com o Empire Manufacturing de segunda-feira antecipam um bom dado de PMI Industrial.

SUÉCIA (ontem): O Riksbank mantém as taxas de juro 1,75% em linha com o esperado. -OPINIÃO: sem impacte no mercado dado que era o esperado. Embora, com uma inflação acima do esperado em julho (+0,6% vs +0,2% esperado) e um sólido crescimento no 2T26 (+2,8%), o banco central tenha continuado a deixar a porta aberta a uma subida das taxas de juro. Se o choque de oferta de petróleo continuar e a inflação aumentar, o natural é que façam um ajustamento de +25 p.b. no fim do ano.

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20/08/2026

Ontem: “O Governo norte-americano anuncia um aumento da recompra de obrigações a LP e alivia tensão das taxas longas.”

Protagonismo para as obrigações, após o Tesouro americano anunciar que irá duplicar (até 4.000M$) as recompras de obrigações de longo prazo (10-30 anos), a fim de moderar a pressão recente sobre as TIR, que levou a obrigação a 30A a máximos desde 2007. A rendibilidade recua -9,2pb para 5,19% (vs um máximo de 5,31% no dia 17) e a 10A -5,7 pb para 4,65%. Contagiam as obrigações europeias, aqui com quedas muito mais moderadas, perante um petróleo que continua pressionado (Brent +0,7% para 91,6$). O $ desvaloriza 0,9% para 1,168€/$. Os índices americanos encerram em positivo, apesar da queda dos semicondutores (-2,1%), a Europa com descidas moderadas (-0,4%). Sem novidades no plano geoestratégico, as notícias empresariais continuam favoráveis. Um conjunto de empresas americanas de consumo apresenta resultados com saldo positivo: Estée Lauder (+16,3%), Target (+4,3%) e Lowe’s (+2,0%). A Estée Lauder impulsiona o Luxo, que lidera os ganhos na Europa. Já no fim da sessão, as Atas da Fed revelam crescente preocupação com um contexto de inflação “muito incerto”. Vários membros apoiam uma subida das taxas de juro caso a inflação não modere. Porém, desde a reunião (28-29 junho), alguns indicadores mostram sinais de enfraquecimento, enquanto o emprego e a IPC abrandaram em julho, reduzindo a pressão para alterar as taxas de juro.

Hoje: “Sessão calma com tom prudente. Resultados da Walmart (12h) como proxy do consumo americano.” 

De manhã, ficámos a saber praticamente toda a macro relevante do dia. As taxas de juro na China mantêm-se inalteradas, como esperado (3,0% a 1 ano e 3,5% a 5 anos), apesar de os dados mais recentes apontarem para um enfraquecimento generalizado da economia. Os Preços Industriais na Alemanha aceleraram em julho mais do que o esperado, para +3,0% face a +1,8%, impulsionados pelo aumento dos preços da energia (Brent +23,6% no mês) e o fim dos subsídios aos combustíveis. O Bund reagiu pouco (3,26%). Mais tarde, o Philly Fed (13h30) deverá evidenciar uma deterioração significativa após o valor excecionalmente elevado em julho, refletindo a incerteza e o aumento dos preços da energia decorrentes da guerra no Irão. Ainda assim, continuará a apontar para níveis 3x acima da média dos últimos 2 anos, sustentado pela forte procura de equipamentos, em particular nos setores aeroespacial e defesa. Um dos principais focos de atenção será a componente de Preços Pagos, um indicador relevante das pressões inflacionistas. Maior atenção deverá merecer a divulgação dos resultados da Walmart (12h00), principal empregador privado americano e proxy do consumo do país, particularmente após o fraco resultado das Vendas a Retalho em julho, divulgado na passada sexta-feira (-0,6% m/m). Os resultados apresentados ontem pelos concorrentes constituem um precedente encorajador. Neste contexto, o mercado poderá manter uma ligeira tendência positiva, embora com um tom prudente, acompanhando de perto tanto a evolução da situação no Irão, onde Trump continua a intensificar as sanções económicas, como os segmentos longos das taxas de juro.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07h00): Preços de Produção Industrial de julho acima do esperado: +3,0% a/a vs +2,7% esperado vs +1,8% anterior. OPINIÃO: São números desfavoráveis, mas sem impacto nos mercados, uma vez que o IPC de julho já era conhecido (+2,8% vs +2,3% ant.). O aumento deve-se ao fim dos subsídios aos combustíveis em junho. Aliás, o preço médio do Brent foi de 83,5€ em julho, vs 84,7€ em junho.

CHINA (02h00): Mantém as taxas de juro a 1 e 5 anos em 3,00% e 3,50% respetivamente. OPINIÃO: Era o cenário esperado. Uma redução das taxas de juro para estimular a fraca procura interna teria um impacto negativo no setor bancário, que já opera com margens reduzidas. Em contrapartida, a China por políticas fiscais expansionistas.

JAPÃO (00h50): Défice Comercial em julho inferior ao esperado: -634.000M¥ vs -680.000M¥ esperado vs -406.900M¥. -Exportações +23,2% a/a vs +19,9% esperado e +19,3% anterior, impulsionadas pelas vendas de semicondutores, equipamentos para centros de dados e veículos. -Importações +27,8%, vs +26,5% esperado e +25,4% anterior, devido sobretudo ao preço do petróleo. OPINIÃO: A leitura subjacente é positiva. O défice resulta principalmente da escalada dos preços do petróleo. Enquanto o volume das importações de petróleo cresceu +5,5% a/a, o respetivo valor aumentou +87,8%. As exportações continuam a acelerar, beneficiando das fortes necessidades de investimento em IA e da fraqueza da moeda. O dinamismo do Setor Externo deverá compensar parcialmente a fragilidade da Procura Interna e do Investimento.

EUA (ontem): As Atas da Fed confirmam um tom mais hawkish. - Embora a maioria dos membros tenha apoiado a manutenção das taxas de juro inalteradas na reunião de julho, vários defenderam uma subida imediata e muitos consideram que serão necessários novos aumentos caso a inflação não continue a convergir para o objetivo de 2%. Relativamente ao mercado de trabalho, este foi descrito como estável, com a procura e a oferta de mão de obra em equilíbrio. As atas revelaram também que Warsh sugeriu reduzir o número de reuniões anuais de política monetária do comité, passando de oito para seis. OPINIÃO: Os riscos inflacionistas continuam a ser relevantes e os fatores estruturais, como o ciclo de investimento em IA, poderão dificultar o regresso ao objetivo de 2%. Consequentemente, a mensagem para os mercados é que as taxas de juro poderão permanecer em níveis elevados durante mais tempo, reduzindo a probabilidade de cortes no curto prazo e aumentando a possibilidade de uma nova subida caso os próximos dados de inflação fiquem aquém do esperado em termos de desaceleração.

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19/08/2026

Ontem: “Pressão nas obrigações e quedas na tecnologia.” 

O petróleo consolida-se acima dos 90$/barril. Trump adota uma posição mais firme face ao Irão, enquanto prossegue o braço de ferro em torno de Ormuz. Exclui reativar o acordo de cessar-fogo, reitera que não existem negociações em curso com o Irão e declara Ormuz território americano. O petróleo avança +0,2% na sessão, consolidando uma valorização de +9% nos últimos 10 dias. 

Mantém-se a pressão nas obrigações de longo prazo, com rendibilidades inéditas há várias décadas. Os investidores exigem prémios mais altos com receio de uma combinação de inflação estruturalmente mais alta, défices públicos crescentes e a forte procura de capital para financiar investimentos ligados à IA. TIR do Bund sobe +4 pb (3,26%), com alargamento dos spreads em periféricos. Obrigação alemã 30A (3,77%) em máximos de 15 anos. 30A americana (5,28%) perto dos níveis mais altos dos últimos 25 anos. 

Hoje: “Cautela perante a tensão geopolítica e a pressão sobre as obrigações.” 

O foco continua em duas frentes: os desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente e a evolução das obrigações de longo prazo. No plano geopolítico, os investidores estão atentos a qualquer alteração das posições dos EUA e do Irão relativamente ao controlo de Ormuz. Com as posições claramente distantes, o petróleo mantém-se acima dos 90$/ barril. As obrigações continuam sob escrutínio. A subida das rendibilidades reduz a atratividade dos ativos de risco. 

No plano macro, a atenção está nas Atas da Fed. Dado que Kevin Warsh adotou um estilo de comunicação mais reservado, as Atas assumem importância acrescida. Na reunião de 29 de julho, as taxas mantiveram-se em 3,50%/3,75%, e o interesse estará em dois pontos. Em primeiro lugar, avaliar o grau de divisão interna no FOMC. Três dos doze membros com direito de voto apoiaram uma subida das taxas, mas as Atas permitirão perceber quantos participantes adicionais já se encontravam próximos dessa posição. Também permitirão identificar as condições que poderão levar a Fed a proceder a um ajustamento das taxas de juro nas próximas reuniões. 

No plano micro, a época aproxima-se do fim. Hoje é a vez da Target, proporcionando uma oportunidade para avaliar a solidez do consumidor norte-americano. 

Quanto aos mercados, sem indicadores macro relevantes e com a época de resultados praticamente concluída, destacam-se a geopolítica e as obrigações. Sem sinais de progresso rumo a uma resolução do conflito no Irão, com as rendibilidades das obrigações a manterem-se elevadas e sem o catalisador dos resultados empresariais, é provável que os mercados continuem hoje num ambiente de aversão ao risco e prudência. 

CONTEXTO ECONÓMICO. – 

R. UNIDO (07h00): (i) IPC (julho): +2,9% vs +2,9% esperado vs +2,6% anterior. Taxa Subjacente: +2,6% vs +2,5% esperado vs +2,6% anterior. (ii) Preços Industriais (julho): +3,1% vs +3,2% esperado vs +3,5% anterior. OPINIÃO: O aumento resulta principalmente da subida de 13% no teto dos preços da energia, que entrou em vigor a 1 de julho. Os serviços desaceleraram (+3,4% vs +3,6%), mas permanecem em níveis elevados. A Taxa Subjacente mantém-se nos níveis do mês anterior, abaixo dos níveis registados antes do conflito (2,6% vs 3,2% em fevereiro). Os Preços Industriais continuam a crescer a um ritmo superior ao dos preços no consumidor, impulsionados pelos custos da energia, pressionando as margens das empresas. O combate à inflação mantém-se uma das prioridades do Governo, e o novo Primeiro-Ministro, A. Burnham, anunciou a eliminação do IVA nas faturas de eletricidade das famílias a partir de outubro, o que deverá reduzir o IPC em cerca de 0,1 ponto percentual. Estes dados não deverão alterar as perspetivas do Banco de Inglaterra, que esperamos que mantenha as taxas de juro inalteradas até ao fim do ano, procurando equilibrar as pressões inflacionistas com um crescimento económico ainda frágil. 

EUA (ontem): A Produção Industrial aumentou em linha com o esperado em julho, enquanto a Utilização da Capacidade Produtiva permaneceu estável. A Produção Industrial aumenta 0,2% m/m em julho (vs +0,3% (revisto face a +0,1%) e a taxa homóloga mantém-se em +1,1%. A Utilização da Capacidade Produtiva repete-se em 76,3%. OPINIÃO: Por categorias, na área da Energia, destaque para o aumento da Exploração&Produção de petróleo e gás (+5,2% m/m) e, fora do setor energético, a Produção de Computadores&Equipamento (+1,8%) e Semicondutores (+2,4%). Em contrapartida, o Automóvel recuou -4,1%. Os números confirmam as dificuldades da indústria em aumentar a produção perante o agravamento dos custos associados ao conflito com o Irão (+4,7% a/a Preços de Produção e 5,9% Preços de Importação. Ainda assim, os fundamentais da economia norte-americana permanecem sólidos e tudo indica que a inflação poderá já ter atingido o pico (3,4% em julho e 4,2% em maio).

ALEMANHA (ontem): O índice ZEW de Sentimento Económico surpreendeu positivamente em agosto, reforçando a expectativa de que a economia alemã está a recuperar dinamismo. A componente Expectativas situa-se em 34,2 pontos vs 30,0 esperado e 26,3 anterior. A componente da Situação Atual melhora 16,5 pontos até: -61,1 pontos vs -77,6 anterior e -69,3 esperado. OPINIÃO: A economia alemã, altamente dependente de energia, tem demonstrado maior resiliência do que o esperado perante a incerteza e o aumento dos preços energéticos decorrentes da guerra no Irão, apoiada por um forte aumento do investimento em infraestruturas e defesa da parte do Governo. O relatório alerta, contudo, para o risco que o baixo caudal do rio Reno representa para a atividade económica, sendo uma importante via de transporte de mercadorias para a economia alemã. Os resultados confirmam outros indicadores recentes positivos (PIB 2T +0,9% a/a vs +0,6% esperado vs +0,8% anterior, IFO julho 86,6 vs 85,7 anterior) e refletem otimismo em torno do programa de reformas do Governo, que inclui reduções de impostos e da burocracia, bem como reformas do sistema de pensões e do mercado de trabalho. Link para o relatório completo (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise 

 

18/08/2026

Ontem: “Tensão no Médio Oriente penaliza bolsas e obrigações.”
 
Sessão com quedas tanto na Europa (-0,19%) como em NY (-0,52%), dado o aumento da tensão no Médio Oriente, após o fim da trégua de 60 dias entre os EUA e o Irão. Trump ameaçou bombardear Omã caso dificultasse os esforços dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto o Irão ameaçou passar de uma política defensiva para uma ofensiva caso a diplomacia fracasse. O petróleo subiu para 90,9$ no Brent e 84,5$ WTI. Isto penalizou as bolsas, a pesar do bom desempenho dos Semicondutores (+1,64%), após a divulgação de um relatório da Anthropic que reviu as receitas anualizadas para 65.000 M$ e projetou receitas para 2028 de 190.000-200.000 M$. Também contribuíram os comentários do Secretário do Comércio norte-americano, que se opôs à compra de chips de memória chineses pela Apple e por outras empresas americanas.
 
Na frente macro tivemos apenas a referência do Empire Manufacturing de agosto, que surpreendeu em alta (20,6 vs. 11,0 esperado e 15,6 anterior).
Na frente micro, a época de resultados está praticamente finalizada. Nos EUA, 91% das 500 maiores empresas já publicaram e o EPS médio cresce +51% vs +24% esperado. Na Europa, com percentagem semelhante, o saldo é +26% vs +15%.
 
Hoje: “A tensão geopolítica continua a deteriorar o sentimento.”
 
A tensão geopolítica continua a aumentar após um novo ataque a um navio no Estreito de Ormuz e o lançamento de mísseis pelos houthis contra um navio saudita no mar Vermelho. O petróleo volta a subir para 91,3$ no Brent e 84,3$ no WTI, acumulando quase +4% na semana. Entretanto, no mercado obrigacionista, continua a subida das TIR a nível global, sobretudo nos prazos mais longos, com a dívida americana a 30 anos a atingir o nível máximo desde 2007, nos 5,327%.
 
Na frente macro foram divulgados logo pela manhã dados fracos de emprego no R. Unido e ao longo do dia saberemos o ZEW alemão de agosto, que deverá subir para 30,0, face aos 26,3 de julho, e a Produção Industrial de julho nos EUA que deverá crescer +0,3%. Nenhum destes dados deverá ter impacto relevante no mercado.
 
Assim, perante a ausência de referências macro relevantes e com a época de resultados praticamente concluída, é provável que hoje tenhamos novamente uma sessão com tendência negativa. O conflito no Médio Oriente e o seu impacto no preço do petróleo serão os fatores que determinarão o tom da sessão e da semana e, “para já”, as notícias que nos chegam não são muito positivas.
 
CONTEXTO ECONÓMICO. –
R. UNIDO (07h00): Dados de emprego (junho): Taxa de desemprego: 4,9% vs 4,8% esperado vs 4,9% anterior. Criação de emprego: -13k vs +0k esperado vs -13k anterior (revisto desde -4k). Variação dos salários medios semanais: +4,1% vs +4,0% esperado vs +4,4% anterior. Exbónus: +3,5% vs +3,4% esperado vs 3,5% anterior. OPINIÃO: A criação de emprego diminui perante a incerteza gerada tanto pela situação política interna como pela crise no Golfo Pérsico. A taxa de desemprego mantém-se em 4,9% no 2.º trimestre, mas o Office for National Statistics alerta que o indicador apresenta baixa qualidade devido a um erro na recolha dos dados. As empresas britânicas mantêm-se à espera de conhecer o orçamento do Primeiro-Ministro A. Burnham depois do verão. O emprego tem sido penalizado nos últimos dois anos pelo fraco crescimento económico e pelo aumento das contribuições das empresas para a Segurança Social dos trabalhadores e do salário mínimo. Os salários, excluindo bónus, aumentam +2,8% nos últimos 3 meses vs +2,9% anteriormente, o ritmo mais baixo em quase 6 anos. Os dados mostram que as empresas continuam relutantes em contratar trabalhadores e que os níveis de confiança estão próximos dos mínimos históricos, excluindo o período da COVID-19. Isto reduz a pressão sobre o Banco de Inglaterra, que continua à espera para perceber se o aumento dos preços da energia irá provocar pressões inflacionistas de longo prazo na economia.
 
EUA (ontem): O Empire Manufacturing (Índice Industrial da Fed de NY) surpreende pela positiva em agosto: 20,6 vs 11,0 esperado e 15,6 anterior. -Trata-se do quinto mês consecutivo em território de expansão e do valor mais elevado desde dezembro de 2021. Por componentes: Novas Encomendas 17,3 vs 22,2 ant; Inventários -5,2 vs 4,0; Preços Pagos 58,6 vs 52,3; Preços de Venda 22,7 vs 27,6; Número de Trabalhadores 9,3 vs 11,4; Horas trabalhadas semanais por Colaborador 6,9 vs 2,8. OPINIÃO: Os números mostram a solidez da indústria americana, embora apontem para uma maior pressão sobre as margens das empresas. Os Preços de Compra aumentam, enquanto os de Venda, embora permaneçam elevados, moderam-se. As empresas esperam uma melhoria das condições nos próximos meses, apesar da incerteza decorrente do conflito entre os EUA e o Irão. Este indicador antecipa um PMI Industrial na próxima sexta-feira que deverá apontar na mesma direção, com melhoria da atividade e subida dos preços. 
 
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18/09/2026

Ontem: “Sessão positiva apoiada pelas quedas nas yields das obrigações e queda do petróleo.”

A sessão de ontem saldou-se com subidas nas bolsas (Europa +0,9%; EUA +1,1%; Tecnologia +1,7%; Semis +3,1%), apoiada numas yields das obrigações que enfraqueciam de forma geral (Bund -2,9 p.b. até 3,47%, T-Note -9,2 p.b. até 4,93%) e pelo Brent (-1%), que caiu pelo segundo dia consecutivo perante as notícias de um maior fluxo de petróleo da Arábia Saudita através de Omã (como via alternativa ao oleoduto este-oeste).

Na macro, a referência do dia foi a reunião do Banco de Inglaterra (BoE) que manteve as taxas de juros em 3,75%, como esperado, embora a decisão não tenha sido unânime (3 dos 9 membros votaram a favor de subir +25 p.b.). O nosso cenário central é que, no contexto de elevada inflação (+3,1% em agosto, muito longe do objetivo de +2%), o BoE começará a subir taxas de juros nos próximos meses. Por outro lado, o anúncio de moderação na venda de obrigações a longo prazo do seu balanço contribuiu também para uma sessão positiva na O10A britânica (Gilt) (TIR: 5,22%, -7,4 p.b.).

Em suma, sessão de tom construtivo apoiada por uma leitura positiva por parte do mercado das mensagens da Fed e apesar da tensão geopolítica e pressão nas yields continuarem.


Hoje: “Mantém-se o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e a menor tensão geopolítica.” 

Esta madrugada ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do Banco do Japão (BoJ), onde foi cumprido o guião e subiram as taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%. A decisão não foi unânime (2 de 9 membros votaram contra subir taxas de juros) e isto faz com que o yen esteja a reagir com quedas (157,1 $/Y), já que o mercado interpreta esta divisão como um posicionamento menos hawkish/duro do que o esperado. Com isto, termina hoje as reuniões dos quatro grandes bancos centrais (BCE, Fed, BoE e BoJ), onde todos (exceto o BoE) subiram taxas de juros em +25 p.b. e em todos os casos coincidiram, apresentando mensagens conservadoras para o futuro que antecipam novas subidas.

Além disso, hoje comparecerá Lagarde (11:30 h) após a reunião do ECOFIN e conheceremos a Produção Industrial nos EUA de agosto que se espera que melhore levemente em relação ao mês anterior (+0,3% esp. vs. +0,2% ant.).

Hoje a sessão poderá ser semelhante à de ontem, mantendo o bom tom perante a ausência de surpresas nos bancos centrais e menor tensão geopolítica (Brent hoje -1,2%). As bolsas asiáticas estão a subir na (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros vêm a subir nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (04:00 h): (i) O BoJ sobe taxas de juros em +25 p.b., até 1,25%, em linha com o esperado pelo mercado, embora a decisão não tenha sido unânime (2 contra, 7 a favor). OPINIÃO: O yen debilita-se ligeiramente (157,15 USD/JPY desde 156,00 antes) perante a falta de unanimidade numa subida que estava descontada pelo mercado. Implica a sexta subida sob o mandato de Ueda e situa as taxas de juros no nível mais alto desde 1995. Espera-se que o BoJ mantenha a tendência em alta perante as expetativas de que a inflação aumente quando terminarem as medidas para conter o preço da energia pela crise no M. Oriente. (ii) O IPC de agosto mantém-se estável em +1,9% a/a (vs. 2% esperado); a Taxa Subjacente, excluindo energia e alimentos não processados, também repete em +1,9% a/a (vs. 2% esperado). OPINIÃO: O comportamento, melhor do que o esperado da inflação, deve-se, em grande parte, às medidas de contenção dos preços da energia. Por isso, as expetativas continuam a apontar para um aumento da inflação, conforme as medidas desapareçam. 

ALEMANHA (07:00 h): Preços Industriais de agosto: +4,6% a/a. Aceleram mais do que o esperado (vs. +3,9% a/a esperado e +3,0% ant.). OPINIÃO: O aumento, superior ao esperado, reflete uma aceleração da pressão inflacionista, fundamentalmente pelo componente de Energia, +8,3% a/a (desde +3,8% a/a em julho).

REINO UNIDO (07:00 h): (i) Vendas a Retalho de agosto cresceram 2,4% a/a (vs. +1,9% a/a esperado e desde um aumento de +1,2% ant., revisto em baixa quatro décimas). OPINIÃO: Bom dado que assinala um ritmo de crescimento das Vendas em volume dos últimos três meses, que se mantém em +0,9% (vs. +0,5% em maio). (ii) Ontem, o BoE cumpre o esperado e manteve sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75%. A decisão não foi unânime, com 6 conselheiros a favor e 3 votos a favor de subir +25 p.b, igual à reunião de julho. Em relação ao balanço, o BoE acordou por unanimidade complementar o QT (Quantitative Tightening) e reduzir para zero a carteira de obrigações para 2034. O saldo total da carteira é de 488.000 M£ em setembro de 2026. Não obstante, reservará 120.000 M£ em obrigações de muito longo prazo para apoiar a emissão de notas. Após esta reserva, ficarão 368.000 M£ por desfazer: 222.000 M£ desaparecerão de forma natural ao vencimento e 146.000 M£ serão vendidos ativamente. O Banco venderá 20.000 M£ por ano, além dos vencimentos. Com esse ritmo, o balanço reduzir-se-á em torno de 46.000 M£ anuais e o processo de QT estaria concluído aproximadamente em setembro de 2034. OPINIÃO: Decisão de taxas de juros esperada pelo mercado e boas notícias em relação ao balanço. O BoE mantém um tom hawkish/duro ao insistir no seu compromisso de devolver a inflação ao objetivo estabelecido a médio prazo. Adverte que poderá ser necessário subir as taxas de juros se as pressões inflacionistas se intensificarem como consequência do conflito no M. Oriente. De facto, reconheceu que os riscos relativos à inflação se inclinam em alta, inclusive mais do que em julho. Declarou também que os efeitos indiretos da economia sobre a economia britânica ainda não se materializaram plenamente e que o seu impacto está mais a adiar-se do que a desaparecer. Neste contexto, o cenário que consideramos mais provável é que o BoE suba taxas de juros em +25 p.b. (desde 3,75% atual) antes do final do ano e outros +25 p.b. no início de 2027. As notícias mais positivas vierem por parte do balanço. O BoE reduzirá significativamente a oferta futura de gilts de longo prazo ao mercado, já que reterá 120.000 M£ de obrigações de muita longa duração até vencimento, e concentrará as vendas do QT numa parte mais reduzida da carteira. O BoE considera que, desta forma, a normalização do balanço pode completar-se sem comprometer a independência da política monetária nem a estabilidade financeira. Link para a nota (em espanhol). 

TURQUIA: Trata-se de uma medida destinada a travar a crise de liquidez em alguns fundos de investimento, que provocou uma queda na bolsa local de -8,0% em 2 dias. Antecedentes: as saídas de dinheiro em fundos de investimento e a entrada em vigor de mudanças regulatórias (limites de exposição a empresas com escassa liquidez) obrigaram a liquidar posições de forma acelerada, gerando dúvidas sobre a estabilidade financeira. As autoridades estão a colaborar com as entidades financeiras para garantir a liquides do sistema e evitar vendas forçadas enquanto reforçam a supervisão das gestoras de ativos. Além disso, o regulador ordenou a liquidação de 130 fundos de investimento para atender aos pedidos de reembolsos e congelou a contratação dos fundos de 7 gestoras. OPINIÃO: A realidade é que os reembolsos massivos em fundos de investimento provocaram uma correção severa e rápida no mercado, o que provoca um aumento do risco percebido sobre os ativos turcos (bolsas e obrigações) e gera dúvidas sobre a liquidez do sistema. Em suma, ocorre uma deterioração na confiança dos investidores que não é fácil de reparar, apesar das tentativas do banco central para instaurar a ortodoxia financeira. A boa notícia é que, após 2 dias convulsos, a bolsa subiu ontem +2,5%.

UE (ontem). O IPC final de agosto confirma o registo preliminar em +3,2% a/a (vs. +2,9% ant.). A taxa subjacente também confirmou a leitura preliminar de +2,4% (vs. +2,5% ant.). OPINIÃO: O dado final de inflação não revelou surpresas. O aumento da taxa geral em agosto explica-se principalmente pelo encarecimento da energia. Nomeadamente, o preço médio do petróleo situou-se em agosto de 2026, 33% acima do registado um ano antes (88 $/barril vs. 67 $/barril em agosto de 2025). Após a subida de taxas de juros de +25 p.b. aplicada pelo BCE, a 10 de setembro, até 2,50% Depósito e 2,65% Crédito, consideramos provável que ocorram novas subidas nos próximos meses, com o objetivo de prevenir que ocorram efeitos de segunda ronda. O objetivo é evitar que as pressões inflacionistas energéticas se repercutem em salários e aos restantes preços da economia.

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