Saltar para conteúdo
Imagen

Informação Diária de Mercados

31.07.2026

Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal

Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.

 

31/07/2026

Ontem: “Subida nas bolsas, liderada por semicondutores.”

Subida geral nas bolsas (Europa +1,4% e EUA +1,6%) liderada principalmente por tecnologia (+3,2%), nomeadamente semicondutores (+8,2%), que reagem após 5 sessões consecutivas de quedas. Apoia a nossa opinião de que se trata mais de uma realização de lucros por excesso de velocidade do que por uma mudança nos fundamentos. Também atuaram como impulso os bons resultados de Microsoft e de LAM Research (+15% e +18% ontem). A exceção foi Meta, que caiu -8% após dececionar em resultados e anunciar um novo aumento de custos e investimentos. 

Também foi uma sessão de grande intensidade na frente macro. Nos EUA, tanto o crescimento como a inflação enfraqueceram: PCE +3,7% em junho desde +4,1% anterior e PIB +1,5% no 2T (t/t anualizado) vs. +2,1% anterior, moderando as expetativas de subidas de taxas de juros por parte da Fed. Na Europa, contudo, aumentaram mais do que o esperado, tanto o crescimento económico (PIB +1,0% a/a no 2T vs. +0,5% anterior), como a inflação na Alemanha e Espanah. Contudo, a yield das obrigações manteve-se sem alterações numa sessão com preços do petróleo a moderarem-se ligeiramente para fechar abaixo dos 90 $. 

 

Hoje: “Inércia positiva após a subida de semicondutores, embora sem perder de vista a inflação na zona euro.” 

Amanhecemos com fortes subidas nas bolsas asiáticas, na sequência da subida de semicondutores ontem, nos EUA. Coreia +20% e Japão +4%, onde também ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do BoJ, que cumpre as expetativas ao manter em 1,00%. Por outro lado, na frente geoestratégica, Trump anunciou um acordo com o Hamas para o seu desarme, embora seja mais difuso e sem calendário definido, e enquanto continuam as tensões entre os EUA e o Irão, o preço do petróleo volta a cair hoje e consolida-se abaixo dos 90 $. Na frente empresarial, continua a temporada de resultados, hoje com tom misto nos EUA e bastante positivo na Europa. Ontem, após o fecho, publicaram Apple e Amazon. Enquanto a primeira dececiona em guias e vem a cair -6% em “aftermarket”, Amazon surpreendeu positivamente e vem com subidas de +9%. Na Europa, batem estimativas Leonardo, Enel e Unicaja. O ponto negativo da sessão poderá vir do lado macro, onde a inflação da zona euro poderá surpreender negativamente, aumentando mais do que o esperado e despertando novamente os receios de possíveis subidas de taxas de juros por parte do BCE. 

Em suma, hoje as bolsas poderão continuar a subir ligeiramente, beneficiando-se da inércia positiva, embora prejudicadas pelo possível aumento da inflação na Europa.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:30 h): Conjunto de dados: (i) o Banco Central manteve taxas de juros em 1,00%. (ii) A Taxa de Desemprego mantém-se em 2,5%. (iii) As Vendas a Retalho aumentam (a/a) +0,5% vs. +3,1% estimado e +5,0% anterior (revisto desde +5,3%). Em termos intermensais -4,1% vs. -1,6% estimado e +1,7% anterior (revisto desde +1,9%). (iv) A Produção Industrial melhora (a/a) +4,2% vs. +3,2% estimado e -2,1% anterior. OPINIÃO: O banco central do Japão cumpre o guião e não sobe taxas de juros. Fá-lo apesar do aumento dos preços: esta madrugada ficamos a conhecer o IPC em Tóquio, que aumentou a/a até +2,0% desde +1,7%. Estimamos que irá subir taxas de juros duas vezes, +25 p.b. em cada subida, uma em dezembro de 2026 e outra em junho de 2027. Irá fazê-lo num contexto de subida do nível de preços à medida que o governo retira os subsídios introduzidos pela crise energética e se consolide o círculo virtuoso de salários-preços pela subida dos salários. Após a decisão, o yen apreciou-se, até 160,5 contra dólar. Em paralelo, a macro foi mista: por um lado, ocorre uma melhoria da Produção Industrial impulsionada pela maior procura relacionada com a IA. De facto, a secção com melhor evolução foi a Produção de Maquinaria, +7,6%, pelo fabrico de chips. No próximo mês, o indicador poderá ver-se afetado pelo terramoto sofrido esta semana. Pelo contrário, as Vendas a Retalho evoluem debilmente num contexto de aumento da inflação. 

CHINA (02:30 h): Conjunto de dados: (i) PMI Industrial: 49,2 vs. 50,1 estimado e 50,3 ant. (ii) PMI Não Industrial 49,0 vs. 50,0 estimado e 50,2. (iii) PMI Composto: 49,3 vs. 50,6 estimado. OPINIÃO: Dados débeis. Em ambos os casos, situam-se abaixo do nível 50, que indica contração económica. Viram-se afetados pela debilidade da procura interna e pelas condições meteorológicas adversas.

EUA (ontem): (i) O PIB cresceu menos do que o esperado no 2T, mas a qualidade da composição melhorou. O consumo acelerou e o investimento em capital relacionado com a IA continuou robusto, enquanto a contribuição do setor exterior diminuiu. O Consumo Privado acelerou até +2,3% a/a vs. +2,1% anterior. O Investimento em Equipamentos cresceu +10% a/a, mantendo a tração do 1T (+8,4%). Com isso, a Formação Bruta de Capital aumentou +3,3% a/a vs. -1,2% no 1T, apesar do Investimento Residencial continuar a cair (-3,9%). O setor exterior retirou crescimento no trimestre devido ao forte aumento das importações para satisfazer a procura de investimento em capacidade produtiva. A Despesa Pública (-0,14% vs. +0,74% no 1T) e Inventários (-0,7% vs. +0,2%) também o fizeram. Eliminado o impacto, mais volátil a cada trimestre de Exportações Líquidas, Inventários e Despesa Pública, a métrica chamada “Vendas Finais aos Compradores Nacionais: (“Final Sales to Domestic Purchasers”) cresceu +3,9%, mais do que duplicando o crescimento no 1T e alcançando o maior ritmo desde 1T23. OPINIÃO: Resultados positivos. O crescimento modera-se marginalmente, mas continua robusto e apoiado numa aceleração da Procura Interna. Link para o relatório completo (em espanhol). (ii) O Deflator do Consumo (PCE) desacelera em linha com o esperado.- Modera-se até +3,7% vs. +4,1% anterior. Taxa subjacente +3,3% vs. +3,4% anterior. OPINIÃO: Resultados positivos em linha com o esperado. A queda do preço do petróleo bruto explica a moderação. O barril de petróleo WTI médio 79 $ em junho vs. 88 $ em maio (-10%). Com isso, a componente de Energia do PCE cai -5,9 % m/m. O dado está em linha com a moderação até +3,5% desde +4,2% anterior do IPC. Durante as últimas semanas, vivemos episódios de elevada volatilidade no preço do petróleo bruto perante constantes mudanças de postura das partes implicadas no conflito no M. Oriente. Contudo, a média do preço do WTI, no mês de julho, situa-se ligeiramente abaixo do nível de junho, em 78 $. Por isso, resta esperar que a componente de Energia continue a retiração inflação no próximo mês. Assim, de momento, a inflação parece ter deixado para trás o pico (+4,1% em maio). Link para o relatório completo (em espanhol).

REINO UNIDO (ontem): O BoE cumpre o esperado e mantém sem alterações as taxas de juros de referência em ,75%. – A decisão não foi unanime, com 6 conselheiros a favor de manter (vs. 7 esperado vs. 7 em junho) e 3 votos a favor de subir +25 p.b. (vs. 2 esperado vs. 2 em junho). O BoE mantém um tom prudente e dependente dos dados. OPINIÃO: O BoE não se inclina para uma série de política monetária concreta. A incerteza sobre o prolongamento e impacto do conflito no M. Oriente faz com que se mantenha uma abordagem dependente dos dados. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda nos preços. A Taxa Subjacente mantém-se em junho em +2,6% vs. +3,2% em fevereiro e os salários desaceleram (+3,4% em maio vs. +5,0% em maio 2025). Além disso, a Taxa Geral não só não aumenta, mas modera-se até +2,6% em junho vs. +2,8% em maio. A nossa estimativa aponta para um IPC em +3,2% no final de 2026. As taxas de juros no R. Unido são as mais altas entre os principais bancos centrais e ainda estão em terreno restritivo, o que dá ao BoE mais margem na hora de avaliar o impacto nos preços e ajustar a política monetária. Neste contexto, consideramos mais provável que o BoE mantenha sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75% em 2026 e 2027. As nossas previsões de taxas de juros diferem ligeiramente das perspetivas do mercado porque as obrigações descontam até duas subidas de +25 p.b. até ao final de 2027. Link para o relatório completo (em inglês).

UE (ontem): O crescimento do PIB acelera acima do esperado: +1 ,0% a/a vs. + 0,7 % e +0,5% anterior (revisto desde +0,3%). – O crescimento europeu reverte a tendência de moderação e volta a acelerar até +1,0%. Alemanha (ca. 28% do PIB da UE) surpreende positivamente: +0,9% a/a vs. +0,6% esperado vs. +0,7% anterior (revisto desde +0,4%) graças à melhoria do setor exterior, que poderá dever-se à antecipação de compras perante receio de aumentos de preços e constrangimentos nas cadeias de abastecimento globais pelo conflito no M. Oriente. Contudo, a Procura Interna continua a pesar sobre o crescimento devido à perda de confiança dos consumidores. Os países nórdicos e periféricos lideram o crescimento: Espanha (+2,7%) apresenta uma das taxas de crescimento mais altas da zona euro, com Procura Interna como principal motor de crescimento e apenas atrás da Lituânia (+3,8%) e Suécia (+2,8%). Irlanda modera a sua queda até -5,6% vs. -13,2% ant. Por sua vez, França desacelera ligeiramente (+0,7% desde +0,8%). OPINIÃO: Dado positivo. Com o foco na inflação e crescimento a ganhar tração, o BCE continuará a manter uma abordagem dependente dos dados e da evolução do conflito no M. Oriente. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda com a Taxa de Inflação Subjacente em níveis prévios ao início do conflito (+2,4%). Contudo, embora não seja o nosso cenário central, com este dado de PIB aumenta a possibilidade de que ocorra uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. ao longo da segunda metade do exercício. O impacto do dado foi positivo no mercado. Link para o relatório completo (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

30/07/2026

Ontem: “As bolsas e as obrigações corrigem. O petróleo volta aos 90 $ e a Fed não acrescenta grandes novidades.”

Bolsas em baixa, yield das obrigações em alta (queda de preços) e o dólar apreciou-se (1,146). O petróleo motivou estes movimentos, com o Brent a chegar aos 90,7 $ (+8,0%). Os EUA anunciaram estar a preparar um “duro” ataque surpresa ao Irão, como represália após o assalto a uma das suas bases, na Jordânia. Ataques que aconteceram esta madrugada, dirigidos a objetivos da Guarda Revolucionária. Este movimento implica uma escalada de tensão entre ambos e afasta a possibilidade de uma aproximação.

A Fed manteve as taxas de juros em 3,50%/3,75%, numa decisão que não foi unânime (9 votos a favor; 3 contra). Warsh não acrescentou grandes novidades, o que adiou as expetativas de subidas de taxas de juros. Não fez referência aos próximos movimentos de taxas de juros, embora tenha reiterado a sua determinação de devolver a inflação para o seu objetivo de +2,0%. 

Em suma, sessão em baixa para bolsas, subida das yields, preço do petróleo em alta e depreciação do dólar. 

 

Hoje: “Macro, resultados e BoE. Sessão de menos a mais?” 

Ontem, no fecho, publicaram várias empresas com tom misto. Microsoft (+9,0%) e Lam Research (+6,6%) subiram com força no mercado fora de hora após bateram expetativas. Contudo, corrigiram Meta (-7,0%), após elevar investimentos, e Qualcomm (-4,6%) por resultados piores do que o esperado.

Hoje é um dia muito intenso em macro. Conheceremos resultados do PIB 2T26, tanto na Europa como nos EUA. Na Europa (10 h), espera-se uma melhoria face ao dado anterior, +0,7% vs. +0,3%, embora França tenha dececionado à primeira (+0,7% vs. +0,8% ant.), enquanto nos EUA (13:30 h) o crescimento será sólido, +2,0% est. Também será publicado o Deflator do PCE de junho, que poderá moderar-se até +3,7% desde +4,1%, o que seria coerente com a redução do preço do petróleo durante junho (Brent -23%). 

Nos bancos centrais, teremos a reunião do Bank of England (12 h) e espera-se que mantenha as taxas de juros em 3,75%, o que seria razoável tendo em conta que a inflação se moderou (+2,6% junho vs. +2,8% ant.). Finalmente, volta a ser um dia muito intenso em resultados. À primeira hora, publicaram BBVA, Adidas, Sanofi, BMW, Acciona ou ING e o saldo foi positivo. No fecho, será a vez de Apple e Amazon.

Com tudo isso, as bolsas provavelmente vivem uma sessão de menos a mais, e até os EUA poderão fechar em positivo.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): (1) PIB (preliminar) 2T 2026 +2,7% a/a vs. +2,4% esperado e +2,7% a/a ant. Em termos intermensais, +0,7% (vs. +0,6% esperado).  Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: O PIB surpreende para melhor, com um crescimento uma décima superior, +0,7% t/t, em relação ao 1T 2026, e mantém o crescimento interanual estável em 2,7% a/a vs. desaceleração esperada. Força da Procura Interna, especialmente em Consumo das Casas (+0,7% t/t desde +0,6% t/t) e Formação Bruta de Capital (+0,5% t/t desde +0,1% t/t). Este exercício finaliza a aplicação dos fundos europeus, o que pode estar a impulsionar a sua execução. A CE já aprovou o 6.º desembolso. (2) IPC julho (preliminar) eleva-se até +3,5% a/a vs. 3,2% estimado e anterior. A Taxa Subjacente também aumenta para +3,0% a/a desde +2,9% a/a anterior, ao contrário da redução de uma décima esperada. Em termos mensais, a inflação subiu +0,2% m/m (vs. +0,6% ant.), a Subjacente -0,1% m/m (vs. +0,4% ant.). Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: Comportamento pior do que o esperado e implica o nível mais alto do ano. O aumento está afetado pelos preços de combustíveis e eletricidade. Há que recordar que, no final de junho, recuperou-se o IVA de combustíveis, mas o governo prolongou parcialmente as medidas para amortizar o impacto pelo conflito no M. Oriente (ajustes de 0,15 €/litro em julho, que passará para 0,10 €/litro em agosto e a eliminação progressiva do Imposto à Produção Energética de Energia Elétrica). Na nossa estratégia de investimento 3T 2026, estimávamos que o aumento da inflação seria progressivo até 3,6% / 3,7% para o final do 3T 2026. A nossa estimativa aponta para +3,3% dez.-26. 

FRANÇA (06:30 h): O PIB preliminar 2T 2026 situa-se abaixo do esperado. Em termos interanuais, +0,7% vs. +0,9% est. vs. +0,8% ant. (revisto desde +0,9%). Na comparação t/t: +0,2%, em linha com o esperado vs. -0,1% anterior. OPINIÃO: Os dados situam-se abaixo do esperado e são o prelúdio da publicação dos PIBs por países, conhecidos ao longo do dia: Itália (+0,7% esp. vs. +0,8% ant.) e Alemanha (+0,6% vs. +0,4%) às 9 h, e Portugal às 9:30 h. O conjunto da UE (+0,7% vs. +0,3%) será publicado às 10 h. Serão números importantes para calibrar o impacto no ciclo económico do conflito entre os EUA/Irão. Em qualquer caso, as taxas de crescimento serão um pouco erráticas, o que, a priori, deverá enfraquecer os argumentos do BCE para voltar a subir taxas de juros. 

EUA/FED (ontem): A Reserva Federal cumpriu expetativas e manteve sem alterações as taxas de juros (Fed Funds) em 3,50%/3,75%. A decisão não foi unânime (9 votos a favor / 3 contra): Hammack, Kashkari e Logan votam a favor de uma subida de +25 p.b. O comunicado apenas incluía alterações em relação à reunião de junho. Continuava a apontar para um crescimento sólido da economia, um emprego estável e uma inflação elevada que ainda se mantém longe do objetivo de inflação (2%). Principalmente como consequência de “choques de oferta” em referência à crise energética derivada do conflito no M. Oriente. OPINIÃO: A reunião da Fed acrescentou poucas novidades, o que, em certo modo, tranquilizou o mercado. De facto, após a reunião, o mercado desconta que as taxas Fed Funds subirão +25 p.b. em outubro de 2026 (vs. setembro de 2026 antes da reunião). Na nossa opinião, a tendência das taxas de juros continuará a ser dependente dos preços do petróleo e, portanto, do conflito entre os EUA/Irão. O nosso cenário central continua a contemplar uma desescalada do conflito com um preço do petróleo entre 80 $/85 $. Mantemos que o próximo movimento será em baixa e não em alta, como o mercado desconta. Principalmente porque (i) de momento, a inflação parece ter deixado para trás o pico (+3,5% em junho vs. +4,2% maio), (ii) Warsh está apenas há 2 meses como Presidente e necessita de tempo para avaliar, calibrar e realizar as reformas anunciadas na última reunião (balanço, metodologia de cálculo da inflação…). E (iii) porque com as eleições de meio mandato em novembro, Trump exercerá maior pressão política sobre Warsh para que a Fed não endureça a política monetária. Link para a nossa nota completa da reunião (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

29/07/2026

Ontem: “Sessão positiva nas bolsas, apesar da tecnologia e semis, graças à correção do petróleo.”
Sessão de menos a mais, tanto na Europa (+0,12%), como em Nova Iorque (+0,21%), graças à queda do preço do petróleo bruto (-5%; 81 $ Brent e 78 $ WTI) e apesar da correção em Tecnologia (-0,2%) e especialmente em Semis (-4,5%). O mercado continua assustado pelo impacto que a concorrência chinesa possa ter nas estimativas de crescimento das empresas de chips, onde as exigentes avaliações descontam uma execução quase perfeita dos seus planos de negócio.

Na frente macro, conhecemos 3 dados macro relevantes: i) o Défice Comercial dos EUA moderou-se menos do que o esperado em julho (-101,5B $ vs. -100,0M$ esp. e -105,8B$ anterior); ii) os Preços de Habitação Case-Shiller de maio aumentaram mais do que o esperado (+1,6% vs. +1,3% est. vs. +1,2% ant.); iii) A Confiança do Consumidor moderou-se mais do que o esperado em julho (90,8 vs. 92,4 est. e 92,2 ant.). Na frente micro, destacaram vários resultados que surpreenderam positivamente como Coca-Cola, Boeing ou PayPal. Nos EUA, com 132 empresas reportadas (27% do total), o crescimento do EPS situa-se em +71,7% (vs. +24,4% esperado).


Hoje: “Sessão com tendência negativa, pelo menos até à Fed (19 h). Nova correção em semis e petróleo em alta.” 

A queda do KOSPI sul-coreano (-6,7%) antecipa uma nova correção em Tecnologia, com SKHynix a cair -14%, apesar de bater estimativas. Além disso, uma série de ataques iranianos com mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia fez aumentar o preço do petróleo bruto em cerca de +4% (87 $ Brent e 82 $ WTI), portanto, a falta de referências macro e até se conhecer a decisão da Fed (19 h), isto é o que marcará o tom do mercado, eclipsando os resultados empresariais, que continuam a bater o mercado de forma geral: Ford, ASMI, Essilor, Ferrovial, Telefónica, RWE, Caixa… e ao longo do dia teremos mais… embora o importante venha com N. Iorque fechada: Microsoft (EPS est. 4,25 $; +16,4%) e Meta (EPS est. 7,17 $; -2,0%), onde teremos de prestar atenção às suas estimativas de CAPEX para o ano. Meta espera investir entre 125B $/145B $ e Microsoft 190 B$, qualquer revisão em alta será penalizada pelo mercado, embora seja positivo para os semis. Às 19 h conheceremos a decisão da Fed, que quase com total certeza repetirá taxas de juros em en 3,5%/3,75%, embora o mercado atribua uma possibilidade de 30% de uma subida, mas não é o nosso cenário. E em relação às mensagens que o seu governador, Kevin Warsh, emitir, o mais provável é que sejam breves, crípticas e ambíguas. Em suma, sem referências macro até à Fed, com um petróleo em alta e tom negativo em semis. Provavelmente teremos uma sessão com tendência negativa, embora se os resultados continuarem a surpreender em alta e nos chegarem melhores notícias desde o M. Oriente possamos ver uma melhoria ao longo da sessão.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): (i) A Balança Comercial (junho) apresenta uma moderação do Défice Comercial inferior à esperada: -101,5B $ vs. -100,0 M$ esp. e -105,8 B$ anterior. As exportações caíram -1,0% (m/m) e as importações -2,3%. Em exportações, destaca a queda de suprimentos industriais (-4,4%), nomeadamente matérias-primas energéticas. Em importações, caem tanto os bens de consumo (-3,8%), como bens de capital (-2,0%). OPINIÃO: Reduz-se o défice comercial, mas isto deve-se ao facto das importações caírem mais rápido do que as expetações e não a uma maior procura estrangeira de bens norte-americanos. A queda geral nas importações, tanto em bens de consumo como de capital, pode refletir uma desaceleração da procura interna e um investimento empresarial mais cauteloso, enquanto a moderação das exportações também indica uma procura externa mais suave. (ii) O Indicador de Preços de Habitação Case-Shiller de maio aumenta acima do esperado: +1,6% vs. +1,3% esperado vs. +1,2% anterior. Em intermensal (m/m): +0,2% vs. +0,0% estimado e +0,0% anterior. OPINIÃO: É o melhor dado de crescimento desde agosto de 2025, embora continuam a ser níveis historicamente baixos (+6,5% média 10 anos). O mercado da habitação continua afetado por taxas de juros hipotecárias (30 anos) altas, embora pareça que já tenha alcançado o fundo em março e começa a recuperar graças à força da economia e a um mercado laboral que goza de boa saúde. (iii) A Confiança do Consumidor sai pior do que o esperado em julho: 90,8 vs. 92,4 estimado e 92,2 anterior (revisto desde 91,2). Situação Atual 114,9 vs. 117,5 est. e 116,4 ant. Expetativas 74,7 vs. 74,4 est. e 74,4 ant. OPINIÃO: Dado negativo, embora os inquéritos incluam o aumento de tensão no M. Oriente e o consequente aumento dos preços do petróleo ao terem sido realizados entre 1 e 22 de julho, mas não inclui a moderação que vimos nos últimos dias. Isto deverá reforçar a ideia de que a Fed irá manter taxas de juros na sua reunião de hoje perante um possível arrefecimento da economia, embora a recente moderação dos preços do petróleo após a retoma de conversações entre os EUA e o Irão possa refletir-se como um aumento no dado de agosto.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

28/07/2026

Ontem: “Alívio pela queda do petróleo, mas nova concorrência chinesa em semis?”

O forte retrocesso do petróleo bruto (Brent -8,7% até 88,4 $) acrescenta alívio às bolsas e obrigações após o arrefecimento das tensões no M. Oriente. A yield do Bund relaxa -3,8 p.b. até 3,13% e o T-Note -4 p.b. até 4,63%. A estreia bem-sucedida na bolsa da empresa de semis chinesa CXMT (+466%), em Xangai, parecia que animaria a tecnologia, mas o anúncio confuso à primeira hora da tarde de que uma empresa chinesa apoiada pelo Estado poderia começar a fabricar máquinas de litografia avançada, equipamento fundamental para o fabrico de chips, e que eventualmente competiria com os equipamentos de ASML (-8,5%) pressiona os semis (-2,2%) e diminui o volume das bolsas de valores. Nova Iorque e Europa fecharam planas. A macro não influencia demasiado. O IFO alemão melhora mais do que o esperado em julho, mas o inquérito foi realizado na primeira metade do mês, quando o petróleo ainda não tinha aumentado. Os Pedidos de Bens Duráveis nos EUA cresceram menos do que o esperado em junho, embora o dado anterior tenha sido revisto para melhor. Na frente corporativa, pouco intensa, o resultado é misto. AstraZeneca (+0,3%) e Galp Energía (-3,3%) batem; Hochtief (-3,0%) dececiona. Em suma, o petróleo dá um alívio às obrigações, mas nova concorrência chinesa em semis penaliza a tecnologia e diminui o volume das bolsas de valores.

 

Hoje: “Digestão após a irrupção chinesa em tecnologia.” 

As quedas no setor de semis aceleram nos índices asiáticos (Coreia -11%, Taiwan –6,3%) perante o risco de concorrência crescente chinesa após o anúncio dos avanços em capacidades de litografia para chips. Acrescenta-se a preocupação de sobreinvestimento em IA, propiciando realizações de lucros após reavaliações avultadas no ano (semis EUA+63%, Coreia e Taiwan +44%). Este é o foco de hoje: a onda gerada por essa nova irrupção chinesa no setor. A médio prazo, os fortes crescimentos voltarão a impor-se, mas hoje prejudicarão as bolsas. Além disso e com o petróleo bruto que continua a enfraquecer (Brent -1,3% até 87 $), os resultados empresariais assumem o protagonismo. Publicam 27 empresas na Europa e 42 nos EUA. Após o fecho europeu, LVMH (ADR -1,2%) publicou resultados 1S2026 que, com aspetos positivos e negativos, não dissipam as dúvidas sobre o setor de luxo. À primeira hora, Mercedes corta as guias e antecipa a queda de vendas em 2026 pela debilidade da procura na China, e Merlin Properties revê em alta a avaliação de ativos. Em macro, destaca a Confiança do Consumidor nos EUA (15 h), que se espera que aumente ligeiramente, embora seja mais relevante ver como as margens das empresas de consumo aguentam num contexto de elevados preços dos insumos (PPI +5,5% vs. IPC +3,5% m junho). Com tudo isso, a sessão será de alguma ressaca na tecnologia, que se compensará com a queda do petróleo bruto e saldo positivo dos resultados.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): A Taxa de Desemprego situa-se em 9,87% no 2T 2026 vs. 10,10% esperado e desde 10,83% no 1T 2026. O número de pessoas empregadas aumentou até 22,78M de trabalhadores +2,2% t/t; +2,3% a/a (+486 mil pessoas desde 1T e +510,2 mil pessoas desde há um ano), com uma redução do número de Inativos de 124,7 mil desde o último trimestre. O número de Desempregados descendeu até 2,49M de pessoas -7,9% t/t; -2,3% a/a (-213,3 mil pessoas no trimestre e -57,8 mil desde há um ano). Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: A Taxa de Desemprego melhora no 2T como é sazonalmente habitual no trimestre, embora melhor do que o esperado. A Taxa de Desemprego está ainda longe dos nossos mínimos de 2007 (7,9%), apesar do crescimento superior à média europeia, onde a Taxa de Desemprego está em mínimos históricos (6,2%). As nossas projeções apontam para uma evolução moderada da Ocupação ao longo do ano, com uma ligeira moderação na Taxa de Desemprego média anual para 10,3% em média 2026 e 10,1% em 2027, para 10% no final do ano.

ALEMANHA (ontem): O IFO melhorou mais do que o esperado em julho; embora sem inclui o novo aumento do petróleo. – Clima Empresarial 86,6 vs. 86,0 esperado e 85,7 anterior. Expetativas 86,7 vs. 84,8 esperado e 84,3 anterior. Situação Atual 86,5 vs. 87,3 esperado e 87,0 anterior. OPINIÃO: Boas notícias, embora com impacto neutro nas bolsas e obrigações. Há que ter em conta que o inquérito foi realizado na primeira quinzena do mês, com o petróleo ainda abaixo dos 85 $ (Brent). O mais provável é que tenda a deteriorar-se nos próximos meses após o novo aumento nos preços do petróleo bruto. Link para o relatório completo (em espanhol).

EUA (ontem): Os Pedidos de Bens Duráveis cresceram menos do que o esperado em junho, embora se tenha revisto o dado anterior para melhor. – Pedidos de Bens Duráveis +0,3% m/m vs. +1,8% esperado e -4,0% anterior. Excluindo Transporte cresce +0,6% m/m vs. +0,8% esperado e +1,8% anterior. OPINIÃO: Embora o dado tenha sido aparentemente mau, ao refletir menor crescimento do esperado, deve-se, em boa medida, à revisão em alta do dado anterior. Por isso, teve impacto neutro nas bolsas e obrigações. Link para o relatório completo (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

24/07/2026

Ontem: “O petróleo supera a barreira dos 100 $.”

O novo foco de tensão no Médio Oriente com os ataques huthis à entrada do Mar Vermelho continua a pressionar o preço do petróleo bruto, que sobe pelo 5.º dia consecutivo e supera o nível psicológico de 100 $ (Brent +7% até 100,7 $; +38% no mês). As yields das obrigações aumentam e alcançam níveis não vistos desde a crise financeira de 2011 (Bund +3,1 p.b. até 3,20%, T-Note +4,7 p.b. até 4,70%). Neste contexto, o BCE mantém as taxas de juros como esperado, mas com um tom cauteloso, dependente dos dados. Não antecipa possíveis próximos movimentos num contexto de incerteza elevada, mas alerta que o impacto do choque energético ainda não aconteceu. Na frente empresarial, o aumento de investimento anunciado por Alphabet (-7,1%) volta a reavivar a preocupação por um possível excesso de capacidade no futuro e os retornos desses investimentos. As 7 Magníficas cedem -4,6%, especialmente Tesla (-14,5%) após voltar a esgotar o orçamento no 2T pela primeira vez em 2 anos. Na Europa, STMicroelectronics (-17,7%) e Nestlé (-8,0%) dececionam. Moncler (-7,9%) também publica débeis vendas na China e Europa e arrasta o setor de luxo. Pelo contrário, defesa e energia avançam. Em suma, sessão de perdas nas bolsas e obrigações perante o aumento do petróleo bruto pela tensão geopolítica e preocupação pelos retornos futuros da IA.

 

Hoje: “Petróleo bruto volátil e próxima semana intensa. Esperar e ver.” 

O preço do petróleo bruto enfraquece ligeiramente, mas ronda os ~100$. E este é o fundo do mercado, junto com os resultados empresariais. SAP e Intel, ontem após o fecho, batem expetativas. À primeira hora, Volkswagen dececiona e diminui as guias, Mapfre apresenta bons resultados e Sabadell, misto. Saldo bastante bom. A macro hoje tem pouca capacidade de influência: o Inquérito de Expetativa de Inflação do BCE moderar-se-á, mas são dados de junho, portanto, não refletem o aumento recente do petróleo bruto; e os PMIs continuístas tampouco farão ruído. Hoje entram em vigor os novos impostos alfandegários dos EUA, de 10%/12,5%, substituindo os 10% genéricos. A próxima semana é intensa em bancos centrais (Fed, BoE, BOJ), macro (IPCs de julho, PIBs 2T) e resultados empresariais (LVMH, Microsoft e Meta, Apple e Amazon). Uma nova frente geopolítica aberta e muita informação para processar na próxima semana não convidam a fazer movimentos para o fim de semana. Mas poderemos ver alguma estabilização em modo esperar e ver.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00h): As Vendas a Retalho aumentam com força, acima do esperado em junho: +4,2% a/a vs. +2,4% esperado vs. +3,2% anterior (revisto desde +3,5%). -A medida mais subjacente, que exclui automóveis e componentes por serem mais voláteis: +5,4% vs. +3,2% vs. +4,6% (revisto desde +4,9%). OPINIÃO: Dados positivos que superam as expetativas. As Vendas a Retalho aumentaram graças à forte procura em produtos para exteriores, ar condicionado e roupa. Estes números, junto com uma inflação mais moderada (+2,6% a/a) permite pensar que a confiança melhora num contexto de memorandum de entendimento em junho. O indicador poderá perder um pouco de força em julho, num contexto de aumento de tensão entre os EUA e o Irão.


ÍNDIA (06:00 h): Os PMIs perdem tração em julho, penalizados pela deterioração no setor Serviços. O PMI Serviço situa-se em 53,1 pontos vs. 57,4 anterior; PMI Industrial 53,9 vs. 54,2. Ambos se traduzem num PMI Composto de 54,3 vs. 57,1. OPINIÃO: Dados negativos que mostram uma certa desaceleração na economia. Índia é um país altamente dependente da energia e um preço de petróleo mais alto prejudica.

JAPÃO (00:30 h): (i) A inflação aumenta em junho, em linha com o consenso. A taxa geral situa-se em +1,7% a/a vs. +1,5% anterior. A taxa subjacente modera-se abaixo do esperado, até +1,7% desde +1,8% ant. OPINIÃO: A inflação cumpre o estimado enquanto a subjacente modera-se uma décima. À medida que são retiradas as subvenções do governo que contribuem para manter os custos energéticos baixos, a inflação aumentará progressivamente. Além disso, será apreciado um aumento na inflação de serviços devido a um aumento nos salários, o que tem impacto direto nos preços. Tudo isto reforça a nossa ideia de que o BoJ (banco central) irá subir taxas de juros (+25 p.b.) em dezembro, e outra subida em meados de 2027. (ii) O PMI Composto melhora em julho, apesar do Industrial e Serviços se moderarem ligeiramente. O PMI Industrial situa-se em 54,7 vs. 54,8 anterior; PMI Serviços 51,9 vs. 52,2 ant. e o PMI Composto 53,1 vs. 52,8 ant. OPINIÃO: Bons resultados que se mantêm acima do terreno de expansão (> 50 pontos) e mostram um cenário mais favorável do que o esperado em relação ao conflito no M. Oriente. Isto apoia um tom mais hawkish/duro por parte do BoJ e convida a pensar em futuras subidas de taxas de juros. 

UE (ontem): (i) O BCE cumpriu as expetativas do mercado e manteve as taxas de juros em 2,25% (Depósito)/ 2,40% (Crédito). OPINIÃO: A decisão foi unânime, embora Lagarde tenha advertido que alguns governadores consideraram voltar a subir já nesta reunião. Esta foi a principal novidade desta reunião, porque com esse comentário, o BCE deixa aberta a porta a uma nova subida em setembro. Dependerá, em grande parte, dos dados que sejam publicados até então e da evolução do conflito no M. Oriente. O nosso cenário central não contempla novos movimentos de taxas de juros este ano. A inflação moderou-se em junho, mais do que estimado (+2,8% desde +3,2%), e a Taxa Subjacente, que exclui energia e alimentos, voltou a níveis anteriores ao conflito no M. Oriente (+2,4%). Sem uma aceleração de Salários (+2,3% a/a em junho), nem efeitos de segunda ronda relevantes, não parece razoável antecipar um ciclo de subidas de taxas de juros. Especialmente porque o crescimento continua a mostrar sinais de debilidade. O PIB do 1T 2026 aumentou +0,5% (vs. +1,1% no 4T 2025) e as nossas estimativas apontam que irá fechar o ano com um crescimento médio de +0,8%. Link para a nossa nota completa (em espanhol). (ii) A Confiança do Consumidor em julho situou-se em -15,9 vs. -17,0 esperado vs. -17,6 anterior (revisto desde -17,7). OPINIÃO: Ligeira melhoria da Confiança do Consumidor, que se situou no seu melhor nível desde fevereiro. Dito isto, manteve-se em terreno negativo como aconteceu nos últimos anos. Esta melhoria ocorreu num contexto em que: (i) os EUA e o Irão alcançaram um acordo de entendimento que permitiu uma moderação do preço do petróleo. Não obstante, nas últimas semanas, a tensão entre ambos aumentou, o que provocou um aumento do petróleo bruto, o Brent alcançou os 100 $/barril, e isso deverá impactar negativamente nos próximos dados. (ii) Esta melhoria ocorreu apesar do BCE ter subido taxas de juros em +25 p.b. até Depósito em 2,25%, Crédito em 2,40% e Marginal em 2,65%. (iii) A inflação em junho moderou-se até +2,8% desde +3,2%, com a subjacente em +2,4%, o que favoreceu a perceção dos consumidores.  


Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

23/07/2026

Ontem: “Entre geoestratégia e resultados empresariais.”

O aumento da tensão no Médio Oriente, com a extensão para o Mar Vermelho, manteve o preço do petróleo em alta (ontem, 94,07 $/barril +3,4%). As rentabilidades das obrigações com ligeiras subidas, maiores nos prazos curtos, aplanando ligeiramente as curvas. O Bund +0,7p.b. (até 3,17%) e o T-Note +2,7 p.b. (até 4,65%). 

As bolsas mantiveram um sinal mais positivo na Europa, onde destaca a subida de Utilities e financeiras, que estão a abrir a temporada de resultados. Os EUA fecharam com ligeiras quedas, apesar do bom comportamento de Utilities e Energia. A Tecnologia manteve um comportamento mais neutro, com ligeira correção em Alphabet (-1,5%) prévia aos seus resultados. Contudo, alguns nomes próprios destacaram-se em hardware como SMC (+19,8%), após melhorar as suas guias de margens em alta, o que impulsionou também comparáveis como DELL (+9,3%); pelo contrário, entre as energéticas, GE Vernova retrocedia -8,7%, com guias que melhoraram, mas não impressionaram; após uma elevada reavaliação no ano (+54,5% e +98,7% em 2025). Em suma, sessão mista nas bolsas entre a geoestratégia e a análise de resultados.

 

Hoje: “Duas referências, BCE (sem alterações) e publicação de resultados; com autorização da geoestratégia.” 

O preço do petróleo bruto continua a escalar (95,97 $/barril +2,0%) perante os ataques a petroleiros no Mar Vermelho (por huthis). Duas referências fundamentais hoje, com autorização da geoestratégia: (i) BCE, que manterá taxas de juros (13:30 h) após a subida de +25 p.b. na sua última reunião (até 2,25%/2,40%, a 11 de junho). A inflação mostrou uma correção superior ao esperado em junho, até +2,4% na taxa subjacente (-0,2pp no mês). O certo é que os preços do petróleo bruto recuperaram nos últimos dias, ainda abaixo da média de março-maio (101,9 $/barril) e, de momento, não se observam efeitos de segunda ronda. O BCE pode manter a sua mensagem da dependência dos dados e ganhar visibilidade sobre a evolução da situação na região até setembro. Na nossa opinião, o BCE realizou uma subida preventiva, mas que não deve implicar uma mudança de tendência. (2) Temporada de resultados. Nos EUA, com 49 empresas publicadas, estão a ser superadas as expetativas: +55% (vs. +24,4% esperado ao início). Ontem, no fecho de mercado americano, Alphabet bateu em resultados, embora tenha retrocedido em aftermarket (-2,9%) pelo aumento do Capex, positivo para os fabricantes de chips. Na Europa, esta manhã, as surpresas estão a ser mais positivas. Unicredit revê o guidance em alta, Indra supera e Thales cumpre. Ao longo da sessão conheceremos dados de SAP e Intel, e de duas grandes de defesa nos EUA (Lookheed Martin e RTX). Em suma, se a frente geoestratégica o permitir, os resultados empresariais continuarão a marcar a atualidade, especialmente positiva para as financeiras e petroleiras.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

SETOR AUTOMÓVEL EUROPEU (05:00 h): As vendas de carros avançam +13,6% a/a em junho. Com isso, crescem +5,7% no ano e as unidades vendidas alcançam 5,9M. No mês, os elétricos puros lideram os avanços (+60,7%) seguidos pelos híbridos plug-in (+22,1%) e os híbridos não plug-in (+18,4%) enquanto os motores de combustão retrocedem (-16,1% diesel e -12,4% gasolina). OPINIÃO: As vendas de veículos eletrificados continuam a ganhar inércia e ampliam as suas quotas de mercado graças à extensão de subsídios e novos incentivos fiscais à compra introduzidos em muitos países. Nomeadamente, os elétricos puros representam já 20,7% do total das matrículas no conjunto de 2026 (vs. 15,6% em 2025).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

22/07/2026

Ontem: “A tecnologia recupera terreno e anima as bolsas.”

A tecnologia americana foi ontem a grande protagonista (+1,9% vs. +0,8% índice geral). As quedas recentes oferecem um ponto de entrada atrativo para um setor com bons fundamentos (margens elevadas, crescimento sólido de lucros, alta geração de fluxo de caixa e balanços saneados). Por isso, os semis, a nossa principal recomendação setorial, subiam ontem +5,2% após caírem -10% aprox. na semana passada. Na Europa, tom positivo (+0,9%) apesar da ausência de grandes referências. O mais destacável foi o ZEW de Sentimento Económico alemão. Passou praticamente despercebido, embora tenha avançado mais do que o estimado (26,3 vs. 15,3 esperado e 10,5 anterior) graças à melhoria de perspetivas para o setor industrial e procura interna. 

As obrigações sofreram aumentos gerais de rentabilidade (Bund +1 p.b. até 3,16% e T-Note +4 p.b. até 4,63%) numa sessão com novos aumentos no preço do petróleo (Brent +2,0% até 91,0 $).

Em suma, sem grandes referências e apesar da subida do petróleo, a tecnologia animou o mercado.

 

Hoje: “Modo espera até os resultados de Alphabet e Tesla.” 

O IPC britânico segue os passos do americano e do europeu. Modera-se em junho até +2,6% vs. +2,7% estimado e desde +2,8%. A taxa subjacente repete em +2,6% vs. +2,5% estimado. Boas notícias que refletem a moderação da energia nos últimos meses (Brent -22% desde fecho de março). Contudo, as nossas estimativas apontam que a inflação britânica irá fechar 2026 em +3,1%, o que impedirá o Banco de Inglaterra de baixar taxas de juros este ano. Veremos. A curto prazo, será um fator de apoio para a abertura europeia. Embora sejam os resultados empresariais com a atenção. A campanha ganha inércia na Europa, onde se estima um crescimento de EPS de +15%. À primeira hora, publicaram Santander (em linha), Enagas (bate) e Iberdrola (bate). 

Serão mais determinantes Alphabet e Tesla, mas publicará no fecho de Nova Iorque e, portanto, influenciarão já na sessão de amanhã. Por isso, esperamos uma evolução bastante lateral nas bolsas. Após os fortes aumentos da tecnologia ontem, o mercado precisa de ganhar confiança sobre os números que as grandes empresas do setor publicarão antes de continuar a avançar. Os lucros continuarão a ser o principal catalisador para o mercado, mas as expetativas de crescimento são elevadas e é relevante confirmar que não são excessivas. Convém recordar que nos EUA espera-se um avanço do EPS de +24% no 2T, mas em tecnologia a aceleração estimada alcança os +40%. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): Balança Comercial (junho): -406.900 M¥ vs. -120.000 M¥ vs. -391.800 M¥. Exportações +19,3% a/a vs. +18,0% esperado vs. +16,8% anterior. Importações +25,4% vs. +21,2% esperado vs. +12,5% anterior. OPINIÃO: O défice comercial aumenta mais do que o esperado, já que um yen débil, em mínimos de 40 anos, encarece as importações, e a guerra no Irão eleva o preço do petróleo para um país altamente importador de energia do M. Oriente. Em junho, o $/¥ médio ascendeu a 159,69, 10,9% inferior ao do mesmo mês de 2025. Com isso, as importações crescem +25,4% a/a (+59,3% as de petróleo bruto) até um máximo histórico de 11.300 M¥, e as exportações +19,3%. Destacam as exportações de componentes elétricos, como semicondutores, que aumentaram +54%. Por países, o superavit comercial nos EUA continua a reduzir-se à medida que as empresas japonesas continuam a ajustar-se aos impostos alfandegários, enquanto o défice com a China continua a aumentar. É previsível que o défice comercial continua a ampliar-se nos próximos meses enquanto os preços de importação aumentem mais do que os de exportação. Isso complica a ação do Banco do Japão que, embora provavelmente repita as taxas de juros na próxima semana, manterá a tendência de endurecimento da política monetária, já que um yen débil e maiores preços da energia continuam a pressionar a inflação. Os dados apontam que o setor exterior irá retirar crescimento do PIB no 2T26.

R. UNIDO (07:00 h): (i) IPC (junho): +2,6% vs. +2,7% esperado vs. +2,8% anterior. Taxa Subjacente +2,6% vs. +2,5% esperado vs. +2,6% anterior. (ii) Preços Industriais (junho): +3,5% vs. +3,5% esperado vs. +4,0% anterior. (iii) índice de Preços da Habitação (maio): +4,1% vs. +4,4% anterior. OPINIÃO: A inflação enfraquece 2 décimas, situando-se abaixo dos níveis pré-conflito do Irão (+3,0% em fevereiro). A queda do preço da gasolina, -4% no mês, ajuda a que o IPC alcance o menor nível desde março de 2025. Também se moderam os setores de Alimentação e Bebidas. A Taxa Subjacente, embora também inferior aos níveis prévios ao conflito (+2,6% vs. +3,2% em fevereiro), repete os mesmos níveis do mês anterior. A moderação da inflação provavelmente irá ver-se interrompida em julho, quando acabam as subvenções aos preços dos combustíveis. Os Preços Industriais continuam a crescer mais do que os preços para o consumo, impulsionados pelos preços da energia a pressionarem as margens empresariais. A inflação é uma das prioridades do governo e o novo PM, A. Burnham, anunciou a eliminação do IVA sobre as faturas da eletricidade das famílias a partir de outubro, o que reduzirá o IPC em 1 décima. Neste contexto, espera-se que o Banco da Inglaterra mantenha as suas taxas de juros na próxima semana (30 de junho), numa tentativa de equilibrar as pressões inflacionistas e um crescimento económico débil.

SETOR FARMA (ontem): Trump anunciou que as importações de medicamentos genéricos estarão sujeitas a um imposto alfandegário de 0% a partir de 1 de agosto de 2026 durante dois anos, que aumentará para 100% durante um ano, e 200% a partir de então. OPINIÃO: Há que realçar que esta medida só afetará medicamentos genéricos e não patenteados e de marca, portanto, o impacto nas grandes farmacêuticas europeias será limitado e, principalmente, afetará empresas pequenas da Índia e China (e, em menor medida, México e Israel), desde onde se importa a maior parte dos genéricos dos EUA. Além disso, deverá ter impacto positivo nas farmacêuticas dos EUA, ao reduzir-se a pressão sobre os preços após as suas patentes caducarem. 

ALEMANHA (ontem): O Inquérito de Sentimento Económico ZEW melhora e surpreende positivamente em julho graças à componente Expetativas. O inquérito ZEW – que inclui a opinião de ca. 350 analistas e investidores sobre a sua perceção da situação atual e perspetivas da economia para os próximos 6 meses – melhora de forma significativa em julho. O avanço explica-se principalmente pela componente Expetativas que alcança 26,3 pontos vs. 15,3 esperado vs. 10,5 anterior. A melhoria responde principalmente a umas perspetivas mais favoráveis para o setor industrial e procura interna. Trata-se do nível mais elevado dos últimos 5 meses, embora ainda esteja abaixo dos registos observados antes do conflito entre os EUA e o Irão, quando o indicador alcançou os 58,3 pontos. A componente de Situação Atual avança de forma marginal, em linha com o esperado, até -77,6 vs. -81,0 anterior. Contudo, de uma perspetiva histórica, permanece em níveis deprimidos (média histórica -15,4), refletindo que a economia alemã continua a atravessar problemas relacionados com o crescimento, procura interna, indústria… OPINIÃO: Interpretação positiva dos números, que recebem uma melhoria do sentimento para os próximos 6 meses. Não obstante, a reação dos mercados foi contida, o que sugere que a melhoria já estava parcialmente descontada pelos investidores. Link para a nota (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

21/07/2026

Ontem: “Enfraquecimento na bolsa e volatilidade no petróleo.”

Sessão de mais a menos nos EUA e fecho neutro na bolsa europeia, numa sessão sem resultados importantes e macro de 2.ª linha (Indicador Adiantado nos EUA uma décima pior do que o esperado).

No plano geopolítico, o mais importante foi que, após 10 dias consecutivos de ataques no Irão por parte dos EUA e o anúncio de um bloqueio marítimo por parte dos Huthis (Iémen) contra a Arábia Saudita, o petróleo Brent subiu +1,3%, mas avalia abaixo do nível psicológico de 90 $/barril e longe dos máximos alcançados desde o início do conflito (~118 $ em março). 

As obrigações não baixam a guarda com subidas paulatinas na rentabilidade/yield, que ainda continuam longe de níveis críticos. O mais importante é que não há alterações significativas nas previsões de taxas de juros e/ou nas perspetivas de inflação a longo prazo, que se mantêm relativamente estáveis. 

Em suma, cautela nas bolsas e obrigações enquanto o petróleo tenta encontrar o equilíbrio e o dólar começa a recuperar parte do terreno perdido desde finais de junho.

 

Hoje: “Subida técnica após 3 dias consecutivos de quedas em Nova Iorque, com a atenção na tecnologia e resultados empresariais.” 

O fluxo de notícias de 1.ª hora não é excitante, mas tampouco mau. Não há alterações na geopolítica, a não ser que os EUA e o Irão afirmam estar abertos a diálogo, apesar de tudo. Trump volta à carga com os impostos alfandegários, desta vez para o Canadá, embora o impacto estimado pareça limitado (20.000 M$). A chave está na Ásia, que sobe com força graças à tecnologia (+4,0% em TSMC e Samsung) e convida-nos a pensar que as correções são passageiras e representam uma oportunidade de compra porque: (1) o fundo do mercado é sólido e o pior para a inflação parece já ter passado, (2) o mercado convive com a geopolítica da mesma forma que aconteceu com a Ucrânia, (3) a macro evolui melhor do que o esperado, principalmente nos EUA, e vivemos um ciclo expansivo liderado pelo investimento empresarial e o boom da tecnologia/IA, (4) é difícil ver um mau comportamento das bolsas com crescimentos de duplo dígito alto nos lucros (+24% esperado nos EUA e +14,0% na Europa para o 2T 2026).  

Enfrentamos uma sessão de baixa intensidade com resultados de apenas 3 empresas relevantes (Halliburton, GM e Novartis) e um dado macro importante (ZEW/Sentimento Económico na Alemanha, às 10 h), mas deverá imperar o bom tom enquanto a semana ganha tração. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (ontem): (i) Andy Burnham toma posse do cargo de de Primeiro-Ministro. Substitui K. Starmer após 2 anos no cargo, e é o 7.º Primeiro-Ministro em 10 anos. Burnham – que pertence ao partido Trabalhista – enfrenta desafios importantes. Principalmente os relacionados com a reativação do crescimento económico (PIB 1T 2026 +1,1%), controlo da Dívida Pública (ca. 95% s/PIB) e redução do Défice Fiscal (-4,2% estimado para 2026). OPINIÃO: A decisão estava descontada pelo mercado e, portanto, o impacto na libra e obrigações (GILTS 10 anos ~5,0%) foi limitado. A chave estará em ver como o novo governo gere o equilíbrio entre despesa social e disciplina orçamenta. Veremos… (ii) A Taxa de Desemprego e os Salários mantêm-se estáveis em maio. – A Taxa de Desemprego mantém-se em 4,9% (% sobre população ativa) vs. 5,0% esperado. Por sua vez, os Salários desaceleram até +4,3% (a/a) vs. +4,5% esperado e +4,4% anterior. Interpretação dos números positiva. A Taxa de Desemprego mantém-se estável, enquanto os Salários continuam a desacelerar paulatinamente. Neste contexto, mantemos a nossa estimativa de que o banco central de Inglaterra (BoE) irá manter as taxas de juros de referência em 3,75%, sem alterações em 2026 e 2027.

EUA (ontem): (i) Anuncia novos impostos alfandegários de 50% sobre produtos do Canadá. – A nova medida afeta produtos como leite, produtos de hóquei ou cimento, mas não afeta produtos energéticos, fertilizantes ou minerais críticos. É anunciada ao abrigo da Secção 338, que permite impor impostos alfandegários até 50% a países que discriminam o comércio americano e entrará em vigor em 30 dias (19 de agosto). Os produtos sujeitos a impostos alfandegários específicos, como o aço ou a indústria automóvel, ficarão isentos. Trump tinha ameaçado, há uns dias, impostos alfandegários para o fumo dos incêndios florestais que afetou os EUA. OPINIÃO: Nova tensão comercial entre os EUA e o Canadá. Pode afetar bens no valor de 20.000 M$ (implicaria cerca de 5% das importações de bens do Canadá em 2025). O Primeiro-Ministro do Canadá assinalou que esta é a “última de uma série de ações comerciais unilaterais dos EUA”, mas também Canadá apresentou propostas detalhadas para resolver as disputas comerciais com os EUA e está disposto a “intensificar” as conversações. (ii) O Indicador Adiantado (LEI) retrocedeu -0,2% m/m em junho, pior do que -0,1% esperado. - O Indicador Coincidente, menos relevante, melhorou ligeiramente até 114,6 (desde 114,4 ant.). Em termos interanuais, manteve-se relativamente estável em -1,4% a/a (desde -1,5% ant). Os seus componentes mostraram a deterioração em Autorizações de Construção (-3,0% m/m) e Petições de Desemprego (+3,6% m/m). Pelo lado positivo, destacou a melhoria dos componentes financeiros, com relativa estabilidade na componente de evolução bursátil e melhoria no diferencial da Taxa 10 anos vs. Fed Funds. OPINIÃO: Apesar de nos mês de junho o Indicador Adiantado ter sido um pouco mais débil do que o esperado, consideramos que a Fed não tem pressa para baixar taxas de juros. Na nossa opinião, a Fed poderá realizar duas descidas, embora provavelmente em 2027, para confirmar a contenção dos preços.  Link para a nota (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

17/07/2026

Ontem: “Sessão de cortes nos EUA perante o aumento da tensão geopolítica.”

Ontem, enquanto a Europa conseguia fechar com uma subida ligeira (+0,2%), em Wall St. tivemos quedas (-0,5%) provocadas pela escalada de tensões geopolíticas, após as notícias de que o Irão teria pedido ao Iémen o encerramento do acesso ao Mar Vermelho pelo Estreito de Bab El-Mandeb (c.12% do comércio marítimo global) em caso de ataque dos EUA às suas infraestruturas iranianas.

As quedas estiveram lideradas pelo Setor Tecnológico (-1,6%) e os Semicondutores (-4,3%), que continuam com o processo de realizações de lucros apesar dos primeiros resultados e guias que estão a ser publicados no setor serem muito positivos (ASML, TSMC…).

Na frente macro, ontem, nos EUA, conhecemos três dados que foram, em geral, de tom positivo: (i) as Vendas a Retalho de junho (+0,2% m/m, em linha com o esperado e vs. +1,0% anterior). (ii) Índice de Atividade da Fed de Filadélfia, que surpreendeu muito positivamente: +41,4 (vs. +13,0 esp. e vs. +10,3 ant.) e (iii) Petições Semanais de Desemprego que enfraqueceram até 208k (vs. 217k esperado e 216k anterior).

 

Hoje: “Os investidores optam pela prudência perante a maior incerteza e uns resultados que não conseguem convencer.” 

No plano micro, esta madrugada, publicaram Netflix (resultados melhores, mas guias um pouco abaixo do esperado e cai -9% no mercado fora de hora) e Intuitive Surgical (-10% foram de hora, também por deceção nas guias).

Hoje, as referências macro serão nos EUA: Produção Industrial e Índice de Confiança da Universidade do Michigan, onde se esperam melhorias em ambos. Para a próxima semana, a atenção estará na temporada de resultados que vai ganhando tração e 87 empresas que publicam na Europa, e 86 nos EUA. Além disso, na frente macro, o foco estará na reunião do BCE (quinta-feira), onde não se espera movimento de taxas de juros.
A sessão de hoje apresentará novos cortes, num contexto onde o aumento da tensão geopolítica e as realizações de lucros em tecnologia continuam a prejudicar as bolsas. Em todo o caso, continuamos a reiterar a nossa visão positiva para o médio prazo, apoiada em resultados empresariais que se espera que continuem muito sólidos (EPS 2T´26e: +24,4% nos EUA e +15,3% na Europa) e, portanto, apoiem as avaliações. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): (i) As Vendas a Retalho perdem inércia após subirem +0,2% m/m em junho, mas mantêm um ritmo de crescimento elevado na taxa interanual (+6,7%). As Vendas a Retalho perdem impulso, em linha com o esperado, após subirem +0,2% m/m em junho vs. +1,0% anterior (revisto desde +0,9%) e as Vendas do Grupo de Controlo (dado menos volátil) aumentam +0,5% m/m vs. +0,8% ant. (revisto desde +0,7%). OPINIÃO: Os números refletem uma perda de tração pontual que é lógica num contexto de elevada volatilidade nos preços da energia e uma inflação que supera o objetivo da Fed (+3,5% em junho vs. +4,2% ant.). O mais importante é que não se aprecia uma mudança de estratégia e o ritmo de crescimento na taxa interanual é elevado (+6,7% vs. +7,3% ant.). Como referência, o aumento médio dos últimos 3 meses situa-se em +6,4% e o índice Johnson Redbook, que mede a evolução semanal das Vendas Comparáveis (L-F-L) sem ter em conta o comércio online, sobe +8,2% a/a no início de julho. A solidez do mercado laboral onde o salário médio sobe +3,5% em junho, a melhoria na Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan e uma mudança para melhor nas perspetivas de inflação convidam a pensar num bom comportamento do Consumo nos próximos meses. Link para o relatório completo (em espanhol). (ii) O Indicador de Atividade da Fed de Filadélfia (Philly) surpreendeu muito positivamente após alcançar +41,4 pontos em julho (vs. +13,0 esperado vs. +10,3 ant.). OPINIÃO: O mais importante é que a componente de Novos Pedidos se mantém em terreno positivo pelo segundo mês consecutivo (37,0 vs. 27,3 ant.) e antecipa uma melhoria da atividade graças ao dinamismo do Investimento (30,1 vs. 41,2 ant. vs. 30,9 em maio) e o Emprego (10,0 vs. 7,9 ant.). A má notícia é que os Preços Pagos continuam a subir (53,9 vs. 53,2 ant.), (iii) as Petições Semanais por Desemprego enfraquecem até 208 k (vs. 217 k esperado vs. 216 k ant.) com a média das últimas 4 semanas em 214 k (vs. 219k ant.). OPINIÃO: As Petições por Desemprego mantêm-se em níveis razoáveis e inferiores à média dos últimos 12 meses (218 k), portanto, não altera a perceção de estabilidade sobre o mercado laboral. Cabe recordar que o último relatório de Emprego Não-agrícola/payrolls reflete uma criação de 57,0 k empregos em junho (vs. 42,2 k de média em 12 meses) com uma Taxa de Desemprego em 4,2% (vs. 4,3% ant. vs. intervalo em 4,3%/4,4% estimado pela Fed para 2026). Com estes números, o normal é que a Fed foque ainda mais a sua atenção na inflação em detrimento do emprego (tendência hawkish/dura). Neste contexto, as obrigações descontam uma subida de +25 p.b até 3,75%/4,0% nos Fed Funds para finais do ano, que está em linha com o diagrama de pontos da Fed que reflete a opinião dos conselheiros.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

16/07/2026

Ontem: “Sessão de rotação desde semis para as 7 Magníficas.”

Sessão com sinal misto nas bolsas: Europa cedeu -0,2%, enquanto Nova Iorque subiu +0,4%, com uma rotação desde Semicondutores (-2,1%) para as 7 Magníficas (Tecnologia EUA +0,6%). O petróleo manteve-se estável (Brent 85 $; WTI 80 $), apesar dos contínuos ataques entre os EUA e o Irão, algo a que o mercado parece habituado.

Na frente macro, tivemos Produção Industrial de maio na zona euro mais fraca do que o esperado (-1,2% vs. -0,4% esperado), embora deva melhorar em junho após a queda dos preços da energia. E nos EUA tivemos os Preços de Produção, que se moderara mais do que o esperado até +5,5% vs. +6,2% est., reduzindo as pressões inflacionistas, embora a diferença entre o IPC (3,5%) e o PPI (5,5%) tenha alcançado o seu maior valor desde junho de 2022, o que historicamente se traduziu em contração de margens empresariais.

Na frente micro, continuamos com os bons resultados do setor financeiro americano, com Blackrock e Morgan Stanley a bateram amplamente, enquanto SpaceX chegou a cair, por momentos, abaixo do seu preço de OPV (135 $), apesar de ter acabado por fechar ligeiramente acima.


Hoje: “Petróleo estabilizado. Os resultados continuarão a ter a atenção.” 

Com o petróleo estabilizado perto dos 85 $, apesar dos contínuos ataques entre os EUA e o Irão, a atenção passará para os resultados empresariais. Com o mercado fechado, conhecemos resultados de United Airlines, que, apesar de superarem estimativas, cai -3% em pré-abertura devido a anunciar um aumento de 6.000M$ em custos de combustível. À primeira hora, ficamos a conhecer os resultados de TSMC, que batem em EBIT e BNA, além de disponibilizar guias melhores do que o esperado em vendas e em linha em margens. E durante a sessão de hoje conheceremos os de Netflix, UnitedHealth, Abbot, Intuitive Surgical… estes últimos, caso batam estimativas, poderão impulsionar o setor MedTech, cuja avaliação em relação à bolsa americana está em mínimos de 25 anos.

Esta madrugada, a Coreia (BoK) subiu taxas de juros em +25 p.b., até 2,75%, como esperado, para conter as pressões inflacionistas (+3,2% junho) derivadas da forte procura de IA. Continuando com a macro, teremos mais 2 referências, ambas americanas: o Philly ou Índice de Atividade da Fed de Filadélfia (13,0 julho vs. 10,3 junho) e as Vendas a Retalho (+0,2% junho vs. +0,9% maio).

Em suma, hoje deveremos ver uma sessão de menos a mais. O petróleo parece ter-se estabilizado perto de 85 $, apesar da escalada no Médio Oriente, portanto, o tom das bolsas deverá ser marcado pelos resultados empresariais. Espera-se um crescimento do EPS de +24,4% nos EUA e de +15,3% na Europa, e de momento estão a bater amplamente. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

COREIA (02:00 h): O Banco Central da Coreia cumpre as expetativas e sobe a taxa de juro de referência em +25 p.b. até 2,75%, a primeira subida em 3,5 anos. OPINIÃO: O mais importante é que o banco central adota um tom claramente hawkish/duro que abre a porta a mais subidas de taxas de juros. De facto, o mercado das obrigações desconta uma subida de +25 p.b. até +3,0% no 4T 2026, e outra subida de +25 p.b. em 2027. A decisão explica-se por um crescimento superior ao esperado graças ao ciclo em alta dos semicondutores e à IA, com uma inflação que está em máximos de 2,5 anos (+3,2% em junho). Cabe destacar que o PIB cresce a um ritmo de +1,8% no 1T 2026, mas o banco central revê em alta a sua previsão para 2026 até +3,0% (vs. +2,6% ant.).

REINO UNIDO (07:00 h): O PIB de maio sobe +1,3% vs. +1,4% esperado vs. +1,1% abril. OPINIÃO: A economia britânica mantém um ritmo de crescimento lento (+1,1% no 1T 2026 vs. +0,9% em 2023/2025) com a inflação acima do objetivo do BoE (+2,8% maio vs. +2,0% objetivo) e uma procura interna débil (+0,6% no 1T).

EUA (ontem): (i) O Livro Bege da Fed confirma que a economia mantém um ritmo de crescimento ligeiro ou moderado em 11 dos 11 distritos analisados, com uma taxa de inflação persistente e com um mercado laboral sólido. Link para o relatório (em inglês). OPINIÃO: O panorama macro da economia americana é bom (emprego e atividade) e as condições financeiras mantêm-se estáveis. Observa-se uma moderação gradual da inflação, mas ainda se mantém acima do objetivo. Em suma, o Livro Bege reforça a abordagem atual da Fed, que não tem pressa para baixar as taxas de juros. A Fed foca os seus esforços em alcançar a estabilidade de preços, porque o risco de recessão é baixo e o emprego evolui positivamente. (ii) Os Preços Industriais moderaram-se até +5,5% desde +6,2% esperado vs. +6,0% anterior (revisto desde +6,5%). A subjacente foi +4,7% vs. +5,1% esperado vs. +4,6% anterior (revisto desde +4,9%). Em termos intermensais (m/m) moderaram-se até -0,3% vs. 0% esperado vs. +0,6% anterior (revisto desde +1,1%). OPINIÃO: A desaceleração de preços foi uma boa notícia, porque refletiu menos pressões inflacionistas e é coerente com a inflação publicada esta semana (+3,5% desde +4,2% e Subjacente +2,6%). Isto implica menos pressão à Fed sobre taxas de juros. (ii) Empire Manufacturing ou Índice Industrial da Fed de Nova Iorque: 15,6 vs. 9,2 esperado vs. 5,7 anterior. OPINIÃO: Dado positivo que reflete um forte aumento da atividade nas 2 primeiras semanas de julho, apesar da incerteza procedente do Irão e de preços de petróleo um pouco elevados.

CANADÁ (ontem): O Banco do Canadá manteve taxas de juros em +2,25%, em linha com o esperado. OPINIÃO: Decisão esperada, tendo em conta a moderação da inflação (+3,2% em maio vs. +1,8% pré-Irão) e uma atividade económica débil (PIB 1T26 +0,4%). Tudo isso, em conjunto com a incerteza derivada das negociações comerciais com os EUA, reduz a probabilidade de subidas de taxas de juros este ano.

UE (ontem): A Produção Industrial em maio (a/a) situou-se em -1,2% vs. -0,4% estimado e +0,4% anterior (revisto desde +0,3%). Em termos intermensais, -0,2% vs. +0,2% estimado e +0,3% ant. (revisto +0,1%). OPINIÃO: Dados débeis e piores do que o estimado. A queda mais severa ocorreu na produção de bens de consumo não duráveis (-10,7%) e duráveis (-3,0%). Irlanda foi o país com pior comportamento. Estes dados foram coerentes com o que aconteceu com os PMIs. A atividade moderou-se num contexto de elevados preços do petróleo e do gás. A redução do preço do petróleo vivida em junho deverá favorecer que o indicador recupere um pouco de força.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

15/07/2026

Ontem: “IPC americano surpreende positivamente, bancos americanos batem e Warsh não acrescenta novidades.”

A inflação americana desacelera mais do que o esperado em junho: +3,5% a/a vs. +3,8% esperado vs. +4,2% anterior. A taxa subjacente também se moderou até +2,6% desde +2,9% vs. +2,8% esperado. A queda do petróleo bruto (WTI -17% no mês) após o MoU assinado entre os EUA e o Irão relaxou as secções de Energia e Transporte. O dado revela que a inflação teria alcançado o pico nos meses anteriores e isso retira pressão à Fed. As yields dos Treasuries relaxaram (T-Note -3,4 p.b. até 4,59%, 2A -9 p.b. até 4,195%) e o $ depreciou-se (1,143 €/$, +0,5%). Os bancos americanos, sem exceção, batem amplamente as expetativas (GS +9%, BoA +1,9%, JP Morgan +2,5%, Wells Fargo -2,7%, Citi -5,2%). Impulsionam o setor de bancos +0,2%, enquanto a tecnologia recupera com força perante menores perspetivas de subidas de taxas de juros que beneficia os setores de alto crescimento. Por último, Warsh perante o Congresso cumpre o guião. Mantém um tom firme, reiterando o compromisso da Fed de conseguir a estabilidade de preços, mas sem antecipar os possíveis próximos movimentos da Fed. Em suma, num dia intenso, com marcos relevantes, tudo sai bem, bolsas recuperam e obrigações estáveis.

 

Hoje: “Novamente Warsh e mais resultados empresariais.” 

Sessão de continuidade à de ontem: nova comparência de Warsh, desta vez perante o Senado, e mais resultados de bancos, embora também de outras empresas. Warsh não dirá nada novo nem diferente e os bancos continuarão a mostrar-se favoráveis, especialmente os com grande peso da banca de investimento (EPS MS +38%, BNY Mellon +15%, Blackrock +5%). À primeira hora, ASML e Richmont batem amplamente e animarão os setores de tecnologia e luxo. No plano macro, o PIB da China debilita-se até +4,3% no 2T, o menor em 3 anos. O resto da sessão é intensa em referências, mas com pouca capacidade de influência. Destaca a moderação esperada dos Preços Industriais nos EUA (13:30 h), mas conhecido já o IPC de junho, não deverá ter muito impacto. O Banco do Canadá (13:45 h) provavelmente irá manter as taxas de juros perante uma inflação elevada (+3,2% em maio vs. +1,8% pré-Irão), mas uma atividade económica débil (PIB +0,4% a/a no 1T26). Os resultados empresariais recuperaram o protagonismo (resultados 2T e guias). Embora convivam com ruído de fundo do M. Oriente, num contexto de menores volumes durante os meses de verão, os crescimentos esperados (+24,3% nos EUA, tecnologia +65%, +13,6% na Europa) dão apoio sólido. Hoje a sessão deverá manter a inércia em alta de ontem. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (02:30 h): (i) PIB a/a 2T 2026 +4,3% vs. +4,5% estimado e +5,0% anterior. Em termos intertrimestrais, implica um avanço de +0,9%, igual ao esperado, e +1,3% anterior. (ii) As Vendas a Retalho avançam +1,0% vs. -0,1% estimado e -0,6% anterior. (iii) A Produção Industrial (a/a) avança +5,3% vs. +4,6% estimado e +4,5% anterior. (iv) O Investimento Imobiliário -18,0% vs. -16,8% estimado e -16,2% anterior. (v) A Taxa de Desemprego reduz-se uma décima até 5,0%. OPINIÃO: Dados, em termos gerais, negativos. O PIB reduz-se e é o pior registo desde há 3 anos. Além disso, situa-se abaixo do objetivo do governo (+4,5%/+5,0%). O Consumo Interno é o elo mais débil da cadeia, o que provoca uma recessão no setor imobiliário. Também o investimento teve uma evolução débil. Contudo, as Vendas a Retalho surpreenderam positivamente durante o mês, embora provavelmente se trate de um efeito pontual. Estes dados elevam a expetativa do governo introduzir medidas de expansão fiscal para reativar alguns setores. 

EUA (ontem): (i) A inflação surpreendeu e desacelerou mais do que o esperado em junho, confirmando que +4,2% de maio marcou o pico em preços: +3,5% a/a vs. +3,8% esperado vs. +4,2% anterior. -Subjacente +2,6% vs. +2,8% vs. +2,9%. Em termos intermensais, -0,4% vs. -0,1% esp. vs. +0,5% ant. Subjacente +0,0% vs. +0,2% vs. +0,2%. Trata-se da primeira queda intermensal desde maio de 2020. Link para a nota (em espanhol). OPINIÃO: Resultados positivos. A queda vertical dos preços do petróleo bruto após a assinatura do MoU entre os EUA e o Irão, a 17 de junho, explica a desaceleração da inflação. A componente de Energia (ca. 8% da cesta de consumo) caiu -5,7% m/m vs. +3,9% ant. (gasolina -9,7%) e a de Transporte (ca. 17,5%) -2,5% vs. +1,3%. Apesar do aumento recente da tensão no M. Oriente, o preço do barril WTI continua abaixo de 80 $. Se se mantiver nestes níveis, a inflação continuará a diminuir nas próximas leituras. Após o dado, moderaram-se as expetativas de subidas de taxas de juros. Não obstante, o IPC continua em níveis elevados e acima do objetivo (+2,0%). O contexto não exige um relaxamento urgente da política monetária: o mercado laboral é sólido (Taxa de Desemprego 4,3%) e o crescimento ganha inércia (PIB 1T'26 +2,7% a/a vs. +2,0% 4T'25). A nossa estimativa contempla dois cortes de -25 p.b. em março e junho de 2027. (ii) A comparência de Warsh no Congresso ocorreu sem grandes novidades. A intervenção esteve focada na independência da Fed, sobre a qual Warsh salientou em várias ocasiões que as decisões de política monetária serão implementadas sem interferência política. Também anunciou que os grupos de trabalho que estudarão e formularão as recomendações para melhorar aspetos da política monetária irão partilhar primeiro as suas conclusões com o FOMC e, posteriormente, será Warsh a apresentar as conclusões ao público. A este respeito, insistiu que serão desenvolvidas novas métricas, embora tenha descartado a Trimmed Mean PCE da Fed de Dallas (que exclui os valores extremos) como medida principal de inflação. Destacou que a IA irá melhorar a produtividade a longo prazo, mas implica riscos que têm de ser monitorizados no futuro imediato.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise
                                                                             

14/07/2026

Ontem: “A guerra no M. Oriente fixa-se, mas não é nada de novo. Saudável realização de lucros.”

Sessão de subida das rentabilidades das obrigações (queda de preço) e aumento do petróleo (Brent: 83 $/barril +9,6%). Na abertura, as bolsas viram-se afetadas pelo débil desempenho da Coreia (Kospi: -9%), apesar das vendas bem-sucedidas de TSMC (+35% a/a). À última hora, a Europa conseguiu estabilizar-se, enquanto Nova Iorque fechou com quedas (-0,8%). Além disso, Waller declarou que uma subida de taxas de juros poderia ser necessária se a inflação subjacente permanecer elevada (+2,9% a/a maio). O aumento de tensão na frente geoestratégica suscitou preocupação por uma possível interrupção do fluxo do petróleo, um cenário que poderá reavivar as pressões inflacionistas. Trump afirmo controlar o Estreito, inclusive exigiria uma compensação económica que alcançaria 20% da carga transportada, para financiar a segurança. Insistimos que a guerra entre os EUA e o Irão irá tornar-se um conflito fixo, o que inevitavelmente introduzirá momentos de volatilidade elevada.

Em suma, prudente realização de lucros após os avanços deste ano, quase independentemente do motivo.

 

Hoje: “IPC americano, comparência de Warsh e resultados empresariais. Sessão de bolsas de menos a mais.” 

Sessão marcada por três referências: (i) IPC americano (13:30 h): espera-se uma moderação até +3,8% desde +4,2%, algo que confirmaria a nossa visão de que a inflação já terá alcançado o seu pico, como aconteceu com a europeia (+2,8% a/a junho). A confirmar-se, seria uma boa notícia e retiraria pressão à Fed. Embora provavelmente isto não será incorporado no discurso de (ii) K.  Warsh (15:00 h) no Congresso. Após a retirada do forward guidance por parte da Fed, não esperamos grandes declarações nem uma mensagem que permita antecipar futuros movimentos. (iii) Arranca a temporada de resultados 3T 2026 nos EUA com os principais bancos de Wall St., Goldman (14,4 $; +32%), BoA (1,1 $; +27%), JP (5,7 $; +15%), W. Fargo (1,7 $; +6,9%) e Citi (2,7 $; +29%). A confirmação de resultados sólidos contribuiria para melhorar o tom do mercado. Citi e Morgan Stanley estão incluídos na Carteira Modelo de Ações Americana. Se o IPC se moderar e a banca bater expetativas, assistiremos a uma sessão de menos a mais, quiçá com fecho em positivo. A comparência de Warsh é tão relevante quanto imprevisível. Erraticidade... 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Os Preços a Retalho aumentam abaixo do esperado em junho: +4,9% vs. +5,9% anterior. Em termos intermensais, -0,7% vs. -0,6% anterior. OPINIÃO: Boas notícias, embora sem impacto no mercado. Trata-se de um dado de junho, mês em que já sabemos que o IPC se moderou até +2,3% vs. +2,6% em maio.

CHINA (03:30 h): Balança Comercial de junho acima do esperado: Superavit Comercial +125.620 M$ vs. +120.100 M$ esperado vs. +105.430 M$ anterior. As Exportações aumentam +27,0% a/a vs. +19,4% anterior e as Importações +36,0% vs. +27,4% anterior. Trata-se do dado mais alto desde janeiro de 2025. Por componentes, destaca o aumento de Exportações de hardware relacionado com o desenvolvimento da IA (+38% YTD a/a) e veículos elétricos +70% m/m. OPINIÃO: Boas notícias para a economia chinesa. A debilidade da Procura Interna vê-se parcialmente compensada pelo Setor Exterior, que continua a sustentar o crescimento. O melhor dado na Balança Comercial poderá melhorar o dado de crescimento que conheceremos amanhã: PIB 2T’26 +4,5% esperado vs. +5,0% anterior.

EUA-Irão (hoje): Trump volta a impor o bloqueio naval ao Irão e propõe uma tarifa de 20% da carga dos navios para que as forças armadas americanas assegurem a sua passagem pelo Estreito de Ormuz. O preço do petróleo bruto aumenta até +10%, até ca. 84 $, e impõe um tom negativo no início da sessão. OPINIÃO: Insistimos que será um conflito de longo prazo e desgaste, com vaivéns de notícias e mudanças de postura que irão impor volatilidade no mercado. Contudo, consideramos que a travagem que o mercado impõe é prudente, após a velocidade das reavaliações nos índices/setores no ano.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

10/07/2026

Ontem: “As bolsas sobem animadas pela queda do petróleo bruto.”

Sessão de risk-on que deixou a correção de quarta-feira numa nova anedota. Os EUA subiram +0,8% e Europa +1,3%, apoiados na moderação do preço do petróleo bruto (Brent -2,2% até hasta 76,3 $). A correção do preço do petróleo abaixo de 80 $ reflete uma lição aprendida: as negociações implicam vaivéns de títulos e mudanças de postura que fazem parte do processo e o mercado aprende a conviver com um conflito que provavelmente se tornará fixo, como a Ucrânia. Com isso, as rentabilidades das obrigações enfraqueceram -3 p.b. no caso do T-Note, e -1 p.b. no Bund, e as curvas recuperaram inclinação. 

Na frente empresarial: (i) Micron (+4,5%) anunciou investimentos de 250.000 M$ nos EUA para satisfazer a procura de cartões de memória, o que impulsionou os semis a subirem +3,1%. (ii) Pepsi (-3,3%) publicou resultados em linha com o esperado (EPS 2,21 $; +3%), mas antecipa pressão nas margens dos próximos trimestres por maior curto de matérias-primas e debilidade das vendas nos EUA (ca. 60% das suas receitas). (iii) Starbucks anunciou uma ferramenta de IA que lhe permitira prescindir de parte das suas aplicações, o que prejudicou o setor software.

 

Hoje: “Sessão de transição para a temporada de resultados 2T 2026. SK Hynix começa a avaliar em ADRs em Nova Iorque.” 

A sessão carece de referências e, embora com relutância, poderia manter a inércia positiva. TSMC altera a publicação das suas vendas de junho – programadas para hoje – para segunda-feira, devido a um tufão que obrigou a fechar o mercado em Taiwan. O foco muda para o início da temporada de resultados 2T 2026, na próxima semana. Após um 1T de resultados brilhantes (EPS EUA +29,4% a/a vs. +14,4% esp.; Europa +11,8% vs. +4,2%), o 2T não ficará para trás: EPS esperado +24,4% nos EUA e +15,3% na Europa. Bom momento do ecossistema empresarial; que não só contorna os múltiplos obstáculos da economia global, como os supera com distinção. Por isso, insistimos que a Estratégia de Investimento deve ser pró-bolsas, porque a longo prazo é a evolução dos lucros que determina a das bolsas.

A sessão poderá ser mais animada para os semis, porque hoje SK Hynix (Coreia; chips DRAM, NAND…)  começa a avaliar nos EUA (1 ação = 10 ADRs), para o qual captou 26.500 M$ mediante ampliação de capital (+2,4% capital), a oferta teve 7 vezes mais subscrições e a 149 $, o que significa que o mercado digeriu esta diluição teórica de 2,4% atribuindo-lhe custo zero, e é muito provável que suba em Nova Iorque, esta tarde. 

Em suma, sessão de menos a mais, expetantes perante o início da temporada de resultados 2T, na próxima semana, mais positiva nos EUA graças a semis. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A inflação confirma, em junho, o dado preliminar: +2,3%, e implica uma redução desde +2,6% em maio. Em termos intermensais, -0,3% vs. -0,2% de maio. OPINIÃO: Os dados confirmam uma moderação, o que poderá indicar que o pico em preços pela guerra no Irão já ocorreu. O razoável seria uma redução progressiva desde os níveis atuais, embora tudo dependa da evolução dos acontecimentos na guerra do Irão.

JAPÃO (00:50 h): (i) Os Preços de Produção (a/a) em junho ascendem a +7,1% vs. +6,8% estimado e +6,6% anterior (revisto desde +6,3%). Em termos intermensais, +0,4%, igual ao estimado, e +1,1% anterior (revisto desde +0,9%). OPINIÃO: Dados ligeiramente acima do esperado. A guerra no Irão e o aumento dos preços da energia tiveram um impacto direto no indicador. Além disso, aumentam num contexto de aumento da atividade industrial e de maior acessibilidade ao crédito. Este indicador eleva a expetativa de que o BoJ pode voltar a subir taxas de juros. (ii) O Ministro das Finanças, Satsuki Katayama, incentiva os fundos de pensões e as famílias a aumentarem os seus investimentos em ativos nacionais, como obrigações e empresas nacionais. Isso permitiria apreciar o yen, algo que já está a acontecer esta madrugada. Estas declarações também permitiram um aumento da bolsa e redução da yield das obrigações.

EUA (ontem): As Vendas de Habitações Usadas dececionam em junho. Situam-se em 4,09M vs. 4,20M esperado e vs. 4,19M anterior (revisto desde 4,17M). Em termos intermensais, caem -2,4% vs. +1,0% esperado e +3,7% anterior (revisto desde +3,2%). OPINIÃO: Más notícias. O mercado imobiliário tende a arrefecer, com transações de habitações usadas abaixo da média histórica (c.4,9M), num contexto de: (i) maior incerteza geopolítica; (ii) aumento da inflação; e (iii) taxas de juros altas durante mais tempo. A taxa média hipotecária a 30 anos em 6,6% vs. 6,1% antes do conflito no Médio Oriente. Os preços mantêm um ritmo de subida muito moderado, de +1,8% em relação ao ano anterior, abaixo da inflação. Link para o relatório completo (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

09/07/2026

Ontem: “Tensão EUA/Irão e EUA/Espanha. Correção.”

Bolsas em baixa, yield das obrigações em alta (queda de preços), dólar lateral (1,14) e aumento do petróleo (+5,2%; Brent 78 $). Após os ataques e represálias mútuas entre os EUA e o Irão, Trump anunciou que o Memorando de Entendimento se tornava inválido e, na Cimeira da Nato, declarou que (i) a Ucrânia poderá fabricar mísseis Patriot para intercetar ataques russos, o que implicará uma mudança estratégica relevante. (ii) Propôs suspender a atividade comercial com Espanha (4,2% das Exportações e 6,3% das Importações espanholas), provocando quedas na bolsa espanhola (-2,7%) superiores à média europeia (-1,8%). 

O encarecimento do petróleo reativou o receio da Inflação, o que coincidiu ontem com uma referência indireta de Nagel (Bundesbank & BCE) a favor de outra subida de taxas de juros. E as Atas da Fed, da reunião de 17 de junho, publicadas ontem à noite, indicam que alguns conselheiros são a favor de subir taxas de juros. Nada disto é novidade, mas faz com que o mercado se detenha.

Em suma, sessão em baixa nas bolsas, subida das yields, petróleo em alto e dólar lateral. A boa notícia foi o aumento dos semicondutores (+1,9%).

 

Hoje: “Sessão de menos a mais após a correção de ontem.” 

A sessão asiática avalia mista nas bolsas. A única referência foi a inflação na China, que foi um pouco menos do que o estimado, +1,0% vs. +1,2% anterior, num contexto de debilidade na sua procura interna. 

As referências hoje são escassas e o mercado não vai estar tranquilo pela intensificação da tensão geopolítica procedente do Golfo. Permanecerá à espera de qualquer notícia que permita ver se efetivamente as declarações de Trump de ontem são pontuais ou se, pelo contrário, antecipam uma deterioração mais duradoura das relações com o Irão. É impossível antecipar qual será o desfecho, mas podemos evitar perder a perspetiva e pensar que o razoável é que se trate de uma correção prudente após os fortes avanços registados nas bolsas este ano. Consolidação que, como temos vindo a manifestar várias vezes, é saudável e permitirá receber oxigénio antes de avançar novamente, num ano que está a ser positivo, e pensamos que o continuará a ser, como explicamos na nossa Estratégia de Investimento, com potenciais de reavaliação atrativos: +30% para os EUA e +12,1% Europa.

No plano macroeconómico, a principal referência serão as Vendas de Habitação Usadas nos EUA, provavelmente fortes, embora com pouca relevância no mercado.

O aumento da tensão no Médio Oriente e o aumento do petróleo poderão afetar as bolsas europeias na abertura, embora o razoável seja, na ausência de referências negativas adicionais, que o mercado opte por recuperar ligeiramente após a correção de ontem, como aconteceu na Ásia. Portanto, esperamos uma sessão de menos a mais, com possível fecho ligeiramente positivo. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Balança Comercial melhora, embora com leitura mista. (i) Balança Comercial 19.100 M€ em maio vs. 14.800 M€ esperado e 14.700 M€ anterior. (ii) Exportações +0,9% m/m vs. -0,4% esperado e +0,8% anterior. (iii) Importações -2,5% m/m vs. -0,8% esperado e +1,1% anterior. OPINIÃO: Embora a Balança Comercial seja aparentemente boa, a realidade é que a leitura das componentes não é tanto. É verdade que a procura exterior melhora, mas reflete debilidade da procura interna. As importações retrocedem mais do que o esperado, apesar do aumento dos preços do petróleo no mês de maio. 

CHINA (02:30 h): A inflação modera-se em junho, apesar de uns preços industriais elevados. (i) IPC +1,0% a/a vs. +1,1% esperado e +1,2% anterior. Subjacente +1,0% a/a vs. +1,1% esperado e +1,1% anterior. (ii) IPP +4,1% a/a vs. +4,1% esperado e +3,9% anterior. OPINIÃO: A inflação modera-se até mais do que o esperado, apesar de continuarem as pressões pelo lado da produção. Reflete debilidade da procura interna, o que nos leva a manter a nossa expetativa de uma descida de taxas de juros de -10 p.b. por parte do PBOC este ano. 

EUA/FED (ontem): As Atas da Fed (17 de junho) mostram uma Fed dividida e mais preocupada com a inflação. Alguns membros já contemplaram a possibilidade de subir taxas de juros. Embora, no fim, todos tenham votado em mantê-las, vários afirmaram que existiam argumentos para um novo endurecimento da política monetária. Acordaram eliminar o easing bias das atas anteriores. Destacaram que a inflação se mantém elevada e moveu-se em alta, refletindo os efeitos do petróleo e outros choques de oferta. Também referiram que o mercado laboral se mantém estável e o crescimento económico expande-se a um ritmo sólido. Destacaram que o aumento da inflação (vs. há 1 ano) se deve a vários fatores, como o aumento dos impostos alfandegários, aumento dos preços energéticos, impacto derivado do conflito no Médio Oriente e aumento da procura relacionada com a IA. OPINIÃO: Impacto negativo para bolsas e subida da yield da obrigação (T-Note 4,58% +2 p.b.). O mercado continua a esperar uma subida de taxas de juros de +25 p.b. a partir de setembro. O nosso cenário central não contempla nenhum movimento de taxas de juros em 2026, mas duas descidas em 2027 (até níveis de 3,00%/3,25%), se a inflação se moderar.

GLOBAL (ontem): O FMI reviu uma décima em baixa o crescimento global para 2026, e em alta para 2027, na sua atualização do WEO (World Economic Outlook). – O FMI situou o crescimento do PIB global em +3,0% para 2026 (vs. +3,1% estimado em abril de 2026) e +3,4% para 2027 (vs. +3,2% em abril). Reviu em alta a inflação global até +4,7% em 2026 (vs. +4,4% anterior) e +3,9% para 2027 (vs. +3,7% anterior). O FMI advertiu que a guerra continua a afetar os países importadores de energia, enquanto a forte procura vinculada à IA está a impulsionar o crescimento dos países integrados na cadeia de valor da tecnologia global. OPINIÃO: Dados mistos que reforçam a resiliência da economia global, apesar de um contexto marcado pela incerteza da frente geoestratégica. Não obstante, o FMI explicou que a IA está a consolidar-se como um motor principal de crescimento económico mundial, já que o forte investimento e procura associados à tecnologia estão a compensar o impacto negativo derivado do conflito no M. Oriente e o encarecimento dos preços energéticos. Apesar do balanço de riscos estar mais equilibrado do que há uns meses, o FMI continua inclinado para a diminuição. Entre os possíveis riscos, destacou uma possível intensificação do conflito no M. Oriente, o que deriva num aumento da volatilidade das matérias-primas, novos constrangimentos nas cadeias de abastecimento e um endurecimento das condições financeiras. Como fatores positivos, destacou um maior investimento em IA, uma normalização mais rápida dos preços energéticos e o avanço de reformas estruturais. Neste contexto, o FMI insistiu na necessidade de manter a estabilidade de preços, reconstruir a margem fiscal e reforçar a cooperação internacional. Link para a atualização do WEO (em inglês).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

08/07/2026

Ontem: “Sessão de realização de lucros em obrigações e bolsas.”

A sessão esteve marcada pelas realizações de lucros, tanto nas obrigações como nas bolsas, num contexto de ausência de grandes referências empresariais e macroeconómicas. Assistimos a um aumento do petróleo bruto, a fechar em 74,16 $/barril Brent (+3%), o que se acentuava esta madrugada, e nas yields das obrigações: Bund 2,99% (+4,6 p.b.) e T-Note 4,55% (+8,2 p.b.). 

Nas bolsas, as quedas estiveram protagonizadas pelos setores e valores relacionados com IA perante o receio de um abrandamento da despesa vs. subidas na Energia. Neste sentido, a reação aos resultados de Samsung (-7% ontem) após uns resultados preliminares que bateram, mas não impressionaram (como comentámos ontem), foi seguida de correções em outros semis como Intel (-9,7%) ou Sandisk (-7,3%) ou setores relacionados como equipamentos industriais (como GE Vernova -6,5%; S. Energy -8,9%). Por outro lado, tampouco se salvaram do tom em baixa SpaceX (-6,8%), apesar da sua incorporação ao índice Nasdaq-100 (ponderação aprox: 0,8%), nem os valores de Defesa (com cortes de cerca de 1%), apesar do início da Cimeira da NATO. 

Em suma, numa sessão sem grandes referências, marcada pelas realizações de lucros em particular de valores relacionados com despesa da IA.


Hoje: “Geoestratégia, Cimeira da NATO e Livro Bege da Fed.” 

A frente geoestratégica volta ao primeiro plano, com as renovadas tensões no M. Oriente que estão a levar ao aumento do petróleo bruto (76,5 $/barril +3% esta manhã). Por outro lado, Trump volta com exigências sobre a Gronelândia, no contexto da Cimeira anual da NATO, que começou ontem, na Turquia. Hoje, sessão central, com encontro entre Trump e Zelensky, após os anúncios, ontem, de compromissos de, pelo menos, 50.000 M$ de despesa em defesa (incluindo aeronaves, drones, vigilância aérea, etc.).

No plano macroeconómico, a principal referência virá das Atas da Reunião da Fed (de 17 de junho), com os mercados europeus já fechados. Foi a primeira reunião com Kevin Warsh como Presidente, na qual se mantiveram taxas de juros (3,50% / 3,75%), mas o tom da mensagem foi mais hawkish. Contudo, as menores tensões inflacionistas após o anúncio do Memorando de Entendimento (Brent atualmente perto de 74$/barril vs. acima de 90 no início de junho) e os últimos dados de Criação de Emprego Não Agrícola um pouco mais débeis do que o esperado (+57k em junho vs. 113k esperado e +129k ant.) moderaram as expetativas do mercado de subida de taxas de juros. Na nossa opinião, o próximo movimento será em baixa, mas teremos de esperar por 2027 (estimamos dois cortes de -50 p.b. até 3,00% / 3,25%). Por último, esta madrugada, o banco central da N. Zelândia subiu taxas de juros (até 2,50%), em linha com as expetativas do mercado. Com uma inflação em 3,1% a/a face a um intervalo entre 1% e 3%, muda o sinal da sua política monetária após cortes desde 2024. 

Em suma, a sessão pode manter o tom de realização de lucros perante as renovadas tensões geoestratégicas e a ausência de grandes referências até às Atas da Fed, com os mercados europeus já fechados.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

NOVA ZELÂNDIA (03:00 h): O banco central (RBNZ) sobe a taxa de referência em +25 p.b. até +2,50%, em linha com o esperado. OPINIÃO: O RBNZ sobe as taxas de juros após mantê-las inalteradas nas últimas quatro reuniões consecutivas (e após ter realizado nove cortes nos últimos dois anos por um total de 275 p.b.). O RBNZ subiu as taxas de juros devido à inflação (+3,1% a/a abril) se situar acima do intervalo objetivo (1%/3%), apesar das perspetivas de inflação a curto prazo terem diminuído graças à reabertura do Estreito de Ormuz, embora consideram que continua o risco de que haja efeitos de segunda ronda. Além disso, esperam que o crescimento económico se fortaleça durante a segunda metade do ano graças à diminuição dos preços energéticos, melhoria na confiança dos consumidores e uma recuperação gradual de consumo e do emprego. As próximas decisões de taxas de juros dependerão da evolução dos dados, comportamento da inflação e força da economia. Link para o comunicado (em inglês).

EUA (ontem): O Défice Comercial aumentou em linha com o esperado em maio: -77.600 M$ vs. -78.400 M$ vs. -54.600 M$ (revisto desde -55.900 M$). – As Exportações caíram -3,2% m/m e as Importações cresceram +3,3%. Link para a nota (em espanhol). OPINIÃO: Resultados negativos para o crescimento, embora previsivelmente pontuais. O dado, correspondente ao mês de maio, reflete o aumento de pedidos perante o receio de maiores preços e constrangimentos nas cadeias de fornecimento globais derivados do conflito EUA-Irão. As Exportações diminuíram pela queda das vendas de Ouro e Bens de Capital. Além disso, observa-se uma moderação nas vendas de petróleo bruto, que aumentaram substancialmente desde o estalar do conflito, em março. Contudo, o crescimento a duplo dígito, em termos interanuais (Exportações +12,6% e Importações +13,3%) mostram o dinamismo e a força da economia americana.


Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

07/07/2026

Ontem: “Europa realiza lucro, mas os EUA sobem animados pela tecnologia.”

Tom misto nas bolsas ontem, com ligeiros cortes na Europa (-0,2%), mas subidas nos EUA (+0,7%) após terem estado fechados na sexta-feira passada devido ao feriado do Dia da Independência e onde a tecnologia brilhou novamente graças aos Semicondutores (+2,2%) e 7 Magníficas (+1,8%).

Nas comparências de banqueiros centrais de ontem, destacar as mensagens de Isabel Schnabel, que apresentou um tom hawkish/duro, assinalando que, apesar do acordo de paz em Ormuz, as pressões inflacionistas estão longe de estar superadas e não descarta ver novos aumentos do IPC nos próximos meses.

No plano macroeconómico, o mais relevante da sessão aconteceu na Europa. Índice Sentix de Confiança do Investidor (melhor do que o esperado: -3,1 vs. -10,0 esp. e -13,4 ant.) e as Vendas a Retalho (+1,6% em linha com o esperado e vs. +0,9% ant.) e nos EUA o ISM de Serviços do mês de junho, que também foi em linha e se mantém em zona de expansão (54,0 vs. 54,0 esp. e 54,5 ant.).

 

Hoje: “Os resultados de Samsung não impressionam (-7%) e antecipam uma sessão de realização de lucros em tecnologia.” 

A sessão de hoje vem marcada por duas referências-chave associadas à tecnologia: (i) em primeiro lugar, os resultados preliminares de Samsung, que conhecemos ontem à primeira hora e que batem ligeiramente as expetativas, mas não impressionam. Vendas: 171.000MKRW (+129% a/a) vs. 169.235MKRW esp., como no EBIT: 89.400MKRW (+1.812% a/a) vs. 84.197MKRW esp. As ações no mercado da Coreia estão a receber os números com quedas de -7,0% e poderão prejudicar a evolução do setor tecnológico hoje. (ii) O segundo aspeto relevante é a incorporação de SpaceX ao índice Nasdaq-100 (ponderação aprox: 0,8%), o que poderá gerar um impacto positivo na avaliação, fruto da realização de posições dos fundos indexados.

Por outro lado, hoje também começará a Cimeira da NATO, em Ankara, onde o encontro mais relevante será a reunião entre Trump-Zelensky amanhã, mas ao longo dos dois dias esperam-se anúncios de novos avanços na despesa em defesa (no contexto do aumento para o nível de 5% do PIB exigido aos países-membros). Além disso, às 7 h, na frente macro, conhecemos a Produção Industrial na Alemanha, que saiu melhor do que o esperado (0% vs. -0,3% esp. e -0,5% ant.).

Em suma, a sessão poderá vir com cortes especialmente na tecnologia, provocados por Samsung, embora não descartemos que a sessão vá progressivamente de menos a mais. Os futuros vêm em negativo, tanto na Europa (-0,2%) como nos EUA (-0,3%) e setor tecnológico (-0,9%).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Produção Industrial surpreende positivamente. Mantém-se inalterada em termos interanuais: +0,0% vs. -0,6% esperado vs. -0,9% anterior (revisto desde -0,5%). Em comparação com o mês anterior, +0,9% vs. +0,1% vs. +0,2% (revisto desde +0,4%). Por componentes, destaca o aumento na produção de automóveis (+3,6% m/m) e construção (+0,9%). OPINIÃO: Resultados positivos. A Produção Industrial deixa para trás vários meses de contração. Os dados de Pedidos à Fábrica conhecidos nos últimos meses (+6,2% a/a em maios vs. +2,1% abril) fazem prever uma recuperação gradual da produção. O crescimento da Alemanha – historicamente motor industrial da UE – esteve penalizado pela forte concorrência exterior (importações chinesas), política alfandegária e aumento de custos. Os últimos dados do setor industrial (ca. 25% PIB; Industrial ca.18%) elevam as expetativas de recuperação da economia.

REINO UNIDO (07:00 h): Os Preços da Habitação moderam-se em junho: +0,6% vs. +0,8% vs. +0,5%. - OPINIÃO: Dados positivos que contribuem para conter a inflação (+2,8% a/a em maio). Os elevados níveis de taxas de juros durante mais de três anos contribuíram para a desaceleração do preço da habitação, que apresenta umas taxas de crescimento muito mais baixas do que outras economias desenvolvidas (Espanha +12,7% em 2025).

EUA (ontem): ISM de Serviços (junho): 54,0 vs. 54,0 esperado vs. 54,5 anterior. Componente de Preços Pagos: 67,7 vs. 67,5 esperado vs. 71,3 anterior. Novos Pedidos: 55,1 vs. 56,8 esperado vs. 57,3 anterior. Emprego: 51,2 vs. 48,2 esperado vs. 47,9 anterior. OPINIÃO: Bom registo do indicador que continua a apontar para níveis saudáveis de ativos e decrescentes pressões de preços. O ISM modera-se ligeiramente desde níveis elevados em maio, mas permanece amplamente em zona de expansão e em linha com a sua média histórica (54,5). 

UE (ontem): (i) A Confiança do Investidor Sentix melhora mais do que o esperado em julho: -3,1 vs. -10,0 esperado vs. -13,4 anterior. OPINIÃO: A resolução do conflito no Irão e a queda do preço do petróleo, um tom mais suave dos bancos centrais e bons indicadores recentes de atividade com menores pressões em preços contribuem para melhorar o sentimento. (ii) Preços Industriais (maio): +5,9% vs. +5,8% esperado vs. +5,0% anterior. No mês: +0,2% vs. +0,2% esperado vs. +0,7% anterior. OPINIÃO: Os Preços Industriais aumentam em linha com o esperado. O dado corresponde a maio, quando o Estreito de Ormuz ainda estava fechado e com um preço médio do petróleo bruto de 92 $ no mês vs. 72 $ atual, com o qual é de esperar uma moderação nos próximos meses. (iii) Vendas a Retalho (maio): +1,6% a/a vs. +1,6% esperado vs. +0,9% anterior (revisto desde +1,0%). No mês: +0,2% vs. +0,3% esperado vs. -0,3% anterior. OPINIÃO: As Vendas a Retalho recuperam vigor após um mês anterior débil, embora da mesma forma correspondam ao mês de maio, quando os níveis de confiança eram baixos. A Confiança do Consumidor melhorou em junho até -17,7 desde -19,0 e -20,5 dos meses anteriores após a resolução entre EUA e Irão. 


Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

03/07/2026

Ontem: “Rotação setorial com os Payrolls no foco.”

Tom misto nas bolsas ontem (Europa +1,4%, Nova Iorque plana) numa sessão de rotação setorial para setores mais value desde outros mais de crescimento.

No plano macroeconómico, o mais relevante da sessão foram os dados de emprego nos EUA. A Criação de Emprego Não Agrícola situou-se abaixo do esperado (57k vs. 113k esp. vs. 129k ant.), enquanto a Taxa de Desemprego caiu uma décima até 4,2% – embora esta seja influenciada pela taxa de participação laboral. Em suma, números que mostram alguma desaceleração no mercado laboral e que arrefecem as expetativas de subidas de taxas de juros da Fed. O impacto foi transferido para todo o mercado de obrigações, com quedas de -4 p.b. nas de 2 anos americanas (4,13%) e um debilitamento do dólar (-0,5%) até 1,143. Neste contexto, mantemos a nossa estimativa de que a Fed irá manter as taxas de juros sem alterações este ano e que as irá baixar (-25 p.b.) duas vezes em 2027, até 3,00%/3,25%.

Ocorreu uma rotação setorial nas bolsas. Realizações de lucros em semis (-5,4%) – que prejudicou as bolsas em Nova Iorque – e subidas em setores mais value ligados ao ciclo económico. Na Europa, menção especial ao setor de defesa que registou uma subida de +5% no prelúdio da cimeira da NATO, na Turquia (7/8 de julho).

 

Hoje: “N. Iorque fechada e sem referências, mas tom positivo.” 

Ásia bem esta madrugada (Japão +1,2%, China +1,4%, Coreia +6,4%) graças à subida técnica dos semicondutores após as correções de quarta e quinta-feira. Os futuros europeus sobem um pouco (+0,2%) e provavelmente esse será o tom hoje. Nova Iorque encerrada devido ao feriado (Dia da Independência). Quase não haverá referências. O mais destacável serão os PMIs finais na Europa – que não acrescentarão novidades – e a intervenção de Lagarde (9 h) num evento em França, mas de segunda linha. Parece pouco provável que acrescente novidades após os discursos em Sintra, onde mostrou um tom mais dovish (suave), reconhecendo menores pressões inflacionistas, portanto, parece menos provável que o BCE volte a subir taxas de juros na reunião de 23 de julho. Esta recondução da sua abordagem parece lógica, visto que a inflação desacelera mais rápido do que o esperado, o petróleo estabiliza-se ~70 $/barril e a economia europeia desacelera (PIB 1T +0,3%). A realidade é que o contexto de mercado melhorou de forma substancial como mencionámos na nossa Estratégia de Investimento 3T (em espanhol, brevemente em português). Principalmente porque: (i) o prémio de risco por geoestratégia é inferior após a assinatura do MoU entre os EUA e o Irão. (ii) Parece pouco provável que os bancos centrais endureçam as políticas monetárias. E (iii) os lucros empresariais oferecem um apoio claro às avaliações. Hoje deverá subir sem demasiada força e de forma um pouco insegura. Mas é uma subida. É provável que esteja a acontecer uma rotação para valores/posições mais defensivas mesmo antes das semanas mais típicas de verão, por via das dúvidas e depois de +80% semis e +16% tecnologia no primeiro semestre.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (ontem): A CE aprovou o 6.º desembolso de fundos do NGEU. O valor ascende a 7.021 M€, dos quais 5.970 M€ são transferências e 1.051 M€ são empréstimos. A CE retém 537 M€ por não ter podido avaliar três dos marcos do sexto desembolso, mas incorporam-se 302 M€ do quinto desembolso desbloqueados, após o cumprimento de dois marcos prévios. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Com este desembolso, o sexto do Plano de Recuperação solicitado em março, alcança-se cerca de 75% do total dos fundos atribuídos. O prazo para executar os fundos e cumprir os marcos termina a 31 de agosto, e até 30 de setembro para solicitar o sétimo desembolso (cerca de 21.000 M€ em transferências e 5.600 M€ em empréstimos). 

EUA (ontem): (1) A Criação de Emprego Não Agrícola/(Payrolls) foi mais débil do que a esperada: foram criados +57 mil empregos face a +113 mil esperados e o dado anterior foi revisto em baixa (+129 mil desde +172 mil anunciado anteriormente).- A Taxa de Desemprego melhorou uma décima até 4,2% desde 4,3% esperado e anterior (com um número de Desempregados de 7,09M de pessoas). Contudo, num contexto em que a Taxa de Participação baixou três décimas, até 61,5%, com uma queda da População Empregada de duas décimas, até 59%. Os Salários Médios/Hora aumentaram ligeiramente, +3,5%, em linha com o esperado e desde +3,4% anterior. OPINIÃO: No conjunto, dados mais débeis do que o esperado no mercado laboral. A evolução dos payrolls justifica um tom menos hawkish/duro por parte da Fed vs. mensagem de março. De todas as formas, a Fed continuará pendente da evolução da inflação, onde a boa evolução do preço do petróleo após o anúncio do Memorando de Entendimento entre os EUA e o Irão, em meados de junho, antecipa uma tendência para a moderação nos preços. Não consideramos que a Fed tenha urgência em realizar nenhum ajuste nas suas taxas de juros nas próximas reuniões, com um crescimento do PIB de +2,7% a/a no 1T 2026 (desde +2,0% no 4T 2025) e à espera do ajuste na inflação. Na nossa opinião, o próximo movimento será em baixa, mas já em 2027, diferente do consenso do mercado que antecipa ainda um movimento em alta, embora as expetativas se tenham moderado após os dados do mercado laboral. O nosso cenário contempla duas descidas de taxas de juros da Fed no próximo ano (-50 p.b. até 3,00% / 3,25%). Link para a nota (em espanhol). (2) Os Pedidos à Fábrica de maio retrocederam -1,3% m/m, embora melhores face a -2,0% esperado, enquanto o dado do mês anterior foi revisto em alta até +5,3% m/m (vs. +4,8% prelim.). Os Pedidos, excluindo Transporte, cresceram +1,9% m/m, (0,9pp acima do esperado) e o número anterior foi revisto em alta até +1,3% (+0,4pp). Os Pedidos de Bens Duráveis (final) confirmaram -4,5% m/m preliminar, enquanto o dado, excluindo Transporte, mostrou um crescimento de +1,4%, revisto uma décima em alta. OPINIÃO: Dados melhores do que o esperado, quando se exclui o componente de Transporte, que gera muita volatilidade. O rácio de Inventários/Vendas melhorou até 1,47x (desde 1,49x em abril e desde 1,56x em dezembro de 2025).

UE (ontem): Taxa de Desemprego em 6,2% em maio, melhor do que o esperado e regressa a mínimos históricos de finais de 2024. Este nível tinha sido alcançado já em abril, cuja taxa foi revista uma décima em baixa (até 6,2%). OPINIÃO: O mercado laboral europeu continua a dar sinais de solidez, apesar da volatilidade no crescimento do 1T 2026, pelo início do conflito no Irão.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

02/07/2026

Ontem: “O 3T arranca com quedas, principalmente em semis.”

O 3T arranca com ligeiras quedas após um 2T que foi o melhor trimestre em ~6 anos para muitos índices mundiais, liderados pelos semis (Coreia +68%, SOX +87,8%)… que são, precisamente, o que sofreram ontem mais realizações de lucros (-6,3%). Meta (+8,8%) anuncia planos para vender capacidade na nuvem, fazendo temer que, quiçá, comece a haver excesso de capacidade e Apple (+1,7%) considera comprar chips na China. A macro sai na direção certa. A inflação retrocede mais do que o esperado na UE. A Taxa Geral cai até +2,8% em junho desde +3,2% e vs. +3,0% esperado; a Taxa Subjacente recupera os níveis pré-guerra do Irão (+2,4% desde +2,6% e vs. +2,5% esperado). Nos EUA, a Criação de Emprego ADP modera-se em junho (98k vs. 120k vs. 122k anterior), ainda em níveis de equilíbrio, e o ISM Industrial enfraquece umas décimas, mas mantém-se em zona de expansão e perto de máximos de 4 anos, enquanto a componente de Preços Pagos suaviza-se mais do que o esperado. Em suma, bons dados de atividade com menores pressões inflacionistas que tranquilizam os ânimos em Sintra. Warsh e Lagarde afirmam que os riscos de preços diminuíram nas últimas semanas… e que o petróleo bruto se situa abaixo dos níveis pré-Irão (Brent 71,6 $ vs. 72,5 $). Dão apoio aos setores mais sensíveis a taxas de juros, mas os índices americanos refletem o castigo aos semis.

 

Hoje: “Emprego americano… e começa o modo verão.” 

Hoje é a última sessão da semana em Nova Iorque, já que amanhã é feriado (Dia da Independência). A atenção estará nos dados de emprego dos EUA do mês de maio (13:30 h). Em linha com os indicadores laborais que temos conhecido estes dias, espera-se uma Criação de Emprego Não Agrícola sólida, apoiada nos setores de hotelaria e lazer pelo Mundial de Futebol e aceleração de emprego público. Um dado mais forte do que o esperado poderá afastar as expetativas de um endurecimento por parte da Fed… até que o dado de IPC de junho, que será publicado a 14 de julho, permita uma nova calibração. Mas as declarações de Warsh, ontem, deixam prever uma Fed que não parece disposta a precipitar-se se o IPC se moderar em linha com os preços do petróleo bruto e carburantes (WTI -20% m/m em junho). 

As bolsas asiáticas seguem os cortes de ontem, especialmente a Coreia (-6,7%) pelo forte peso dos semis, e os futuros vêm ligeiramente negativos. Hoje poderíamos ver uma sessão de alguma estabilização, especialmente até aos dados de emprego americano (11 h), mais por uma certa necessidade de descanso e pela pausa das férias. 

Depois da sessão de hoje entramos numa fase com alguma falta de estímulos até ao arranque da temporada de resultados do 2T, em meados de julho, e os bancos centrais, um pouco depois. Nem amanhã nem na próxima semana teremos referências fortes, portanto, o mercado poderá entrar em modo de férias… dentro de uma tendência de fundo robusta, apoiada num crescimento de lucros forte nos próximos trimestres. Espera-se um crescimento do EPS no 2T de +24,3% nos EUA (tecnologia +65%) e +13,6% na Europa, com crescimentos também de duplo dígito nos próximos trimestres, até ao 4T27! Por isso, hoje descansar um pouco, só o necessário.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): O número de desempregados diminuiu em -28,7 mil pessoas em junho, após a queda de -36,3 mil no mês de maio. O Desemprego situa-se em 2,29M de pessoas (-1,2% m/m e -4,7% a/a). Os Afiliados à Segurança Social 22,47M (+128 mil pessoas +0,6% m/m e +2,8% a/a). Os Afiliados não ajustados de sazonalidade à Segurança Social ascendem a 22,2M pessoas (+92,5 mil pessoas +0,4% m/m e +2,8% a/a). Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol). Link para o Ministério de Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados diminui em junho como é tradicional neste mês, mas igual ao mês passado, a um ritmo um pouco menor do que a média nos últimos 4 anos (-47,8 mil pessoas). A Afiliação à SS acelera +2,8% vs. 2,5% ant. A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,4% (vs. 10,8% Taxa de Desemprego da EPA março de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) perto de 10% no conjunto de 2026.

FÓRUM DE BANCOS CENTRAIS EM SINTRA (ontem): (i) Lagarde vê menos riscos na inflação e afasta o cenário de uma possível nova subida de taxas de juros. – Na sua intervenção no painel monetário do Fórum de Bancos Centrais, em Sintra (Portugal), Lagarde destacou que “os riscos agora estão mais equilibrados do que há duas semanas”, quando o BCE decidiu subir taxas de juros. A ameaça para que os preços disparem é menor depois do acordo entre os EUA e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, o que reduz a necessidade do BCE ter atuado rápido e de forma contundente. Lagarde apontou a maior velocidade à qual os fatores mudam, como o preço do petróleo nestes tempos incertos. Segundo a presidente do BCE, os bancos centrais devem estar preparados para avaliar os riscos de forma precisa e rápida, utilizando até ferramentas de IA para fortalecer a robustez das suas decisões sob diferentes cenários. Lagarde defende o denominado “framework guidance” (orientação do quadro), que procura informar os investidores sobre o processo de tomada de decisão do BCE e indicadores e riscos que têm mais em conta nas suas decisões. Desta forma, as expetativas podem flutuar conforme os dados e o contexto. OPINIÃO: Tom dovish/suave na sua intervenção em Sintra ao reconhecer que o risco na inflação é menor. Ontem, a inflação na zona euro proporcionou uma grata surpresa ao BCE ao cair para +2,8% em junho, o que implica uma descida de quatro décimas em relação a maio e termina uma série de quatro meses de subidas. A rápida moderação dos preços do petróleo e gás após o acordo anunciado pelo Irão e os EUA, regressando a níveis prévios ao conflito, apesar dos incumprimentos pontuais de ambas as partes, concede maior margem de manobra às autoridades monetárias. O nosso cenário não contempla novas subidas de taxas de juros por parte do BCE. (ii) Warsh assinala que os riscos inflacionistas se relaxaram nas últimas semanas. Evita oferecer qualquer orientação futura sobre taxas de juros. – Durante a sua intervenção no painel de banqueiros centrais, o presidente da Fed assinalou que as expetativas de inflação e riscos inflacionistas se relaxaram nas últimas semanas. Também anunciou que os responsáveis da política monetária da Fed decidirão se movem as taxas de juros “a cada reunião” e que qualquer tentativa de obter orientação futura (“forward guidance”) da sua parte seria inútil. OPINIÃO: Warsh adota um tom mais suave/dovish, assinalando menor risco inflacionista, o que levou o mercado a uma ligeira redução das expetativas de subida de taxas de juros da Fed, em setembro. O nosso cenário central não contempla subidas de taxas de juros este ano. De facto, pensamos que o próximo movimento da Fed será em baixa, em 2027, à medida que a inflação (atualmente em +4,2%) regressa a níveis pré-conflito.

EUA (ontem): (i) Ligeiro retrocesso no ISM Industrial. Destaca a queda na componente de Preços Pagos. Situa-se em 53,3,0 vs. 53,9 est. e 54,0 ant. Permanece em terreno de expansão pelo sexto mês consecutivo. Por componentes destaca a queda em Preços Pagos: 73,0 vs. 77,5 est. e 82,1 ant. A queda do preço do petróleo (84,8 $/barril de média em junho vs. 104 $/barril em maio) facilita este retrocesso. A componente de Novos Pedidos mantém-se em níveis altos e semelhantes ao mês anterior, e a componente Emprego melhora, embora ainda em território de contração (49,7 vs. 48,6 ant). OPINIÃO: Bom dado de ISM, com níveis de atividade altos e a apontar para menores pressões inflacionistas. Link para a nota (em espanhol). (ii) A Criação de Emprego ADP modera-se em junho. Situa-se em 98k vs. 120k estimado e 122k anterior. Link para o relatório ADP (em inglês). OPINIÃO: Nos últimos meses, o mercado laboral americano mostra-se em equilíbrio. A criação de emprego modera-se, mas a oferta também se reduz por menor imigração e retirada do mercado laboral de baby boomers (reforma). Como resultado, a Taxa de Desemprego permanece estável em 4,3%. A atenção está agora em amanhã, na publicação do relatório mensal completo do mercado laboral americano (hoje, 13:30 h). A Criação de Emprego ADP baseia as suas conclusões em folhas de pagamento que abrangem cerca de 26mn funcionários do setor privado (aproximadamente 16% do emprego total nos EUA). 

UE (ontem): A inflação retrocede mais do que o esperado em junho. Menor pressão sobre o BCE para aplicar novas subidas de taxas de juros.-  O IPC retrocede até +2,8% a/a vs. +3,0% est. e +3,2% ant. A Taxa Subjacente situa-se em +2,4% a/a vs. +2,5% est. e +2,6% ant. Em termos intermensais, ocorre um retrocesso de -0,1% em junho, impactado pela queda de -1,7% em energia. A componente de alimentação também mostra um retrocesso no mês (-0,2%). O avanço em serviços é o mesmo do que no mês anterior (+0,4%). OPINIÃO: Boas notícias. A economia mostra sinais de debilidade (PIB 1T 26 +0,3% a/a), reduzindo o risco de efeitos de segunda ronda. E no mercado laboral, as pressões salariais suavizam-se (+2,5% no 1T 2026 vs. +2,9% no 4T 2025). Neste contexto, reduz-se a pressão sobre o BCE para aplicar novas subidas de taxas de juros perante um aumento de inflação provocado por um choque de oferta. Link para a nota (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

01/07/2026

Ontem: “Terminamos a primeira metade do ano com saldo claramente positivo para as bolsas.”

Nova sessão de subidas nas bolsas (Europa: +1,5% e EUA: +0,8%), animadas outra vez pela tecnologia (Índice geral: +1,6% e Semicondutores: +3,9%). Além disso, ontem, fechamos a primeira metade de 2026, onde apesar das incertezas geopolíticas, o saldo foi claramente positivo para umas bolsas que continuam impulsionadas pelo forte crescimento dos lucros empresariais: Europa +9,2% e EUA +9,5%.

Na macro, o mais destacado do dia foram os IPCs de alguns dos principais países da UE (Alemanha, França, Itália e Portugal), que saíram, em todos os casos, abaixo do esperado e antecipam um bom dado agregado hoje (10 h). Nos EUA, uma Confiança do Consumidor um pouco pior do que o esperado (91,2 vs. 94,4 esp.) e as Vagas de Emprego (JOLTS) estiveram acima do esperado (7,59M est. em junho vs. 7,29M esp. e 7,62M ant.).

Na renda fixa, tivemos uma sessão relativamente tranquila na Europa e sem grandes movimentos (a yield do Bund ampliou +0,2 p.b. até 2,857%) enquanto nos EUA a yield do T-Note subiu + 9 p.b. até 4,465%, à espera das declarações de Warsh, hoje, em Sintra.

 

Hoje: “Mercado pendente dos bancos centrais em Sintra e da inflação da UE.” 

Hoje a sessão virá marcada por duas referências-chave: (i) em primeiro lugar, às 10 h, conheceremos o IPC da UE, que se espera que retroceda até +3,0% vs. +3,2% anterior. Se assim for, confirmaria o relaxamento nas pressões sobre os preços (embora pendentes ainda de ver o impacto da retirada das ajudas estatais nos próximos meses). Em todo o caso, com os níveis atuais de preços do petróleo bruto, a tendência do IPC deverá ser de moderação para o final do ano. (ii) Em segundo lugar, hoje teremos o prato forte das Conferências do BCE, em Sintra. Às 14 h celebra-se o painel de Política Monetária com a intervenção de Lagarde (BCE), Warsh (Fed) e Bailey (BoE). Após a mensagem relativamente hawkish/dura de Lagarde, na segunda-feira, no seu discurso inaugural, o mercado estará especialmente atento às palavras de Warsh e Lagarde para tentar prever os próximos movimentos da política monetária, num contexto como o atual, especialmente complexo. Além disso, hoje, na frente macro, conheceremos o ISM Industrial dos EUA (espera-se 53,9 vs. 54,0 ant.). No plano micro, esta madrugada, Nike publicou resultados (melhores do que o esperado, mas com prognóstico de novas quedas de vendas para o próximo trimestre e cai -3,3% no mercado fora de hora).

Hoje, os futuros apontam para uma abertura plana ou com ligeira realização de lucros. Em todo o caso, tal como assinalámos na nossa Estratégia Trimestral (em espanhol; brevemente em português), publicada ontem, o contexto continua a ser pró-mercado e favorável à aceitação de riscos. O custo de oportunidade de “ficar de fora” continua a ser superior à perda potencial que viria associada a uma repentina deterioração do contexto.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (02:45 h): O PMI Industrial retrocede ligeiramente em junho, mas mantém-se em território de expansão. O PMI publicado pela plataforma privada RatingDog alcança 51,7 vs. 52,0 est. e 51,8 ant. Situa-se num nível parecido ao publicado pelo setor público (Gabinete Nacional de Estatísticas), que foi publicado ontem, em 50,3. OPINIÃO: Leitura positiva, já que o retrocesso é mínimo e a média dos últimos 3 meses situa-se no nível mais alto desde o 4T 2020. O setor industrial manteve uma expansão constante em junho, apoiado por um crescimento sustentado dos novos pedidos, diminuição da pressão sobre os custos e melhoria nas condições do mercado laboral. Ainda assim, continuamos sem considerar a China uma alternativa de investimento na nossa estratégia. Principalmente porque: (i) o conflito do Irão deixou o país numa situação mais dependente em temos de matéria energética dos EUA. (ii) Continua a mostrar sérios problemas na Procura Interna, com taxas de inflação subjacente perto de 0%, se excluirmos o efeito da energia. (iii) Problemas de confiança que prejudicam o mercado imobiliário. (iv) Crise demográfica severa, que fará perder 30% da sua população ativa até 2050, dificultando muito o crescimento económico.

ALEMANHA (ontem): A inflação modera-se por surpresa em junho. -  IPC +2,3% (a/a) vs. +2,6% esperado e anterior. Em termos intermensais, -0,3% vs. +0,0% esperado e -0,2% anterior. OPINIÃO: Boas notícias para as bolsas e obrigações. Após a moderação também maior do que o esperado da inflação de França, hoje poderemos ver também uma moderação maior à esperada no IPC da UE de junho (+3,0% est. desde +3,2%), o que apoiaria a nossa estimativa de que o BCE não voltará a alterar as taxas de juro este ano.

EUA (ontem): (i) O Indicador de Preços de Habitação Case Shiller aumentou em junho +1,1% vs. +0,90% est. e +0,8% anterior. Em termos intermensais, -0,16% vs. -0,10% estimado e -0,05% anterior. OPINIÃO: É o melhor dado de crescimento desde janeiro deste ano, embora continuam a ser níveis historicamente baixos. O mercado da habitação continua afetado por taxas de juros hipotecárias (30 anos) altas, embora pareça ter alcançado o fundo e começado a recuperar, graças à força da economia e a um mercado laboral que goza de boa saúde. (ii) As Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) aumentam mais do que o esperado até 7594K vs. 7296k est. e 7618k ant. OPINIÃO: O mercado laboral americano está em equilíbrio, com lenta criação de emprego pelo lado da procura, mas também com moderação pelo lado da oferta (menor imigração e saída do mercado de baby boomers por reforma). Taxa de Desemprego estável em ~4,3%. O foco da Fed está na inflação, com um IPC (4,2%) acima do objetivo devido ao choque energético; (iii) A Confiança do Consumidor sai pior do que o esperado em junho: 91,2 vs. 94,4 estimado e 90,6 anterior (revisto desde 93,1). Situação Atual 116,4 vs. 123 est. e 121,2 ant. Expetativas 74,4 vs. 75,2 est. w 74,4 ant. OPINIÃO: Mau dado, embora pouco representativo, já que não inclui o impacto da assinatura do Memorando de Entendimento entre os EUA e o Irão, porque a maioria dos inquéritos foi realizada antes desse evento.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

30/06/2026

Ontem: “A tecnologia jogou a favor da bolsa americana.”

Avanços nas bolsas americanas (+1,2%) e fecho plano na Europa (+0,2%). Destacaram-se os semis (+3,8%) e a recuperação das 7 Magníficas. Após as suas quedas recentes, Amazon, Tesla, Alphabet e Meta subiam entre +2%/+8%. Ajudou a desescalada de tensão entre os EUA e o Irão, que se reunirão esta semana em Doha. Por isso, o dólar cedeu terreno vs. euro (-0,3%) e recuperou níveis acima de 1,14. Embora em divisas se tenha destacado o yen. Alcançou níveis mínimos desde 1986 vs. dólar (161,96), o que abre a porta a uma nova intervenção por parte das autoridades japonesas.

O T-Note mal reagiu (+0,8 p.b. até 4,38%) à decisão do Tribunal Supremo de permitir a Lisa Cook permanecer na Fed enquanto continua aberta o litígio por possível fraude hipotecária. Uma decisão que é um alívio relevante para a independência da Fed. Na Europa, as obrigações sofriam quedas gerais, mas muito ligeiras (Bund +0,7 p.b. até 2,86%). Foram publicados dados de confiança (Económica, Serviços, Industrial…) bastante positivos, mas passaram praticamente despercebidos no mercado.

Em suma, sem grandes referências, a recuperação da tecnologia ajudou os EUA enquanto a Europa fechou plana.

 

Hoje: “IPC europeus em retrocesso, mas o BCE não enfraquece.” 

O discurso inaugural de Lagarde, em Sintra, não lançou nenhum sinal sobre uma possível suavização do tom nas próximas reuniões. Com o petróleo já em níveis pré-Irão (72,3 $ Brent) e sem evidências de efeitos de segunda ronda, teria sido a ocasião perfeita para começar a mudar um pouco a mensagem. Hoje mesmo, o IPC francês retrocedeu até +1,8% em junho desde +2,4%, enquanto o alemão (13 h) poderá manter-se em +2,6%, embora realizar estimativas fiáveis começa a ser complicado na Europa. Entramos em uns meses com registos de preços distorcidos pela retirada progressiva das ajudas para suavizar os efeitos da guerra no Irão. Mas a direção parece clara. A inflação europeia (quarta-feira) poderá retroceder até +3,0% (vs. +3,2%). Neste cenário, atribuímos cerca de 30% de probabilidade de uma nova subida em julho (+25 p.b. até 2,50%/2,65%). Nos EUA, a Confiança do Consumidor (15 h) continuará a melhorar (94,4 est. desde 93,1). A boa evolução das bolsas gera um efeito riqueza que amortiza o aumento das gasolinas (+39% aprox. no ano) e o apoio ao Consumo. As Vagas de Emprego (JOLTS) poderão moderar-se (7,30M est. em junho vs. 7,62M ant.), mas sem grandes dramas. Seria uma ligeira suavização após o forte avanço do mês anterior (7,62M em abril desde 6,89M em maio).

Em suma, se o IPC alemão sair como esperado e a geopolítica não se agravar, o lógico é esperar uma sessão de ligeiros avanços nas bolsas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): (i) A Produção Industrial cai abaixo do estimado em maio:  -1,7% a/a vs. +1,2% est. vs. +2,0% ant. Na comparação m/m +0,5% vs. +0,6% vs. +0,5%; (ii) A Taxa de Desemprego repete em 2,5% em junho. OPINIÃO: Dado negativo de produção industrial, que cresce pelo segundo mês de forma intermensal, mas de forma interanual cai pela primeira vez em 6 meses e muito acima do estimado. A produção do mês de maio esteve impactada ainda pelas tensões no Médio Oriente e os riscos que implicavam para a cadeia de abastecimento e custos energéticos, embora para junho os fabricantes inquiridos esperam que aumente +3,7% graças à desescalada no Irão e queda dos preços energéticos. Em relação ao emprego, mantém-se no nível mais baixo do ano e abaixo da sua média histórica (3,4% nos últimos 20 anos), o que aponta para um mercado laboral tensionado e estável.

CHINA (02:30 h): Os PMIs mostram resiliência em junho apesar do conflito no Irão. - PMI Industrial 50,3 pontos vs. 50,1 esperado vs. 50,0 anterior. PMI Serviços 50,2 vs. 49,9 esperado vs. 50,1 anterior e PMI Composto 50,6 vs. 50,5 anterior. OPINIÃO: Leitura positiva do dado, que aumenta ligeiramente graças ao impulso das exportações pela forte procura para o desenvolvimento da IA, o que compensa o aumento dos custos energéticos e a débil procura interna. Ainda assim, continuamos sem considerar China alternativa de investimento na nossa estratégica. Principalmente porque: (i) o conflito no Irão deixou o país numa situação mais dependente em termos de matéria energética dos EUA. (ii) Continua a mostrar sérios problemas na procura interna, com taxas de inflação subjacente próximas a 0%, se excluirmos o efeito da energia. (iii) Problemas de confiança que prejudicam o mercado imobiliário. (iv) Crise demográfica severa, que fará perder 30% da sua população ativa até 2050, dificultando muito o crescimento económico. Contudo, acreditamos que a tendência da economia chinesa é de desaceleração e estimamos que o crescimento convirja para níveis de +4% vs. +5% em 2025. 

ALEMANHA (07:00 h): As Vendas a Retalho aumentam mais do que o esperado em maio: +1,8% vs. -0,5% est. e -2,7% ant. – Na comparação m/m +1,1% vs. +0,0% est. vs. -0,3% ant. Por componentes: Alimentação +0,6%; Não Alimentação +2,7%; Comércio Online +7,0%; Gasolineiras -6,2%. OPINIÃO: Dado positivo, após dois meses de queda, que mostram que a recuperação da procura interna na Alemanha começa a materializar-se e confirma o dado ZEW de junho (10,5 vs. -5,5 est. e -10,2 ant.). 

REINO UNIDO (07:00 h): O PIB 1T 2026 é revisto em baixa: +0,9% a/a vs. +1,1% prelim. vs. +1,1% anterior. Em termos intertrimestrais: +0,6% vs. 0,6% est. e ant. Os Serviços mantêm-se fortes (0,8%), embora a queda de Rendimento Disponível (-0,8%) e Taxa de Poupança (-0,7%) possam pressionar o Consumo nos próximos meses.   OPINIÃO: Dado negativo. A produtividade permanece estancada desde o Brexit e o ruído político com as constantes alterações de governo (4 PM nos últimos 4 anos) pesam sobre a confiança dos consumidores e investimento. Além disso, o emprego deteriora-se, os salários desaceleram e as taxas de juros continuam em níveis elevados. Contudo, estimamos um crescimento perto de +0,8% para 2026.

FRANÇA (07:45 h): A inflação modera-se mais do que o esperado em junho: +1,8% vs. 2,1% est. e 2,4% ant. Em termos intermensais -0,2% vs. +0,0% esperado e +0,1% anterior. OPINIÃO: Boas notícias. A inflação modera-se em junho graças à forte queda nos preços do petróleo, que já se situam em níveis semelhantes aos que tínhamos antes do conflito (Brent ~73 $). Apoia a nossa estimativa de taxas de juros estáveis por parte do BCE para o resto do ano.

EUA (ontem): O Índice de Atividade Industrial da Fed de Dallas deteriora-se por surpresa em junho. Situa-se em 0,0 vs. +1,0 esperado e +0,4 anterior. OPINIÃO:  Más notícias. Deteriora-se por surpresa em junho, embora ainda esteja em níveis muito próximos à média histórica de +0,2 (20 anos). Impacto neutro nas bolsas e obrigações.

UE (ontem): Conjunto de indicadores de Confiança ligeiramente melhores do que o esperado em junho.- (i) Económica 95,0 vs. 94,3 esperado e 93,7 anterior; (ii) Industrial -7,7 vs. -7,1 esperado e -7,9 anterior; (iii) Serviços +3,2 vs. +2,9 esperado e +2,6 anterior; (iv) Consumidor (final) -17,7 vs. -17,7 preliminar e -19,0 anterior. OPINIÃO: Boas notícias. A Confiança Económica melhora em junho, após a reabertura do Estreito de Ormuz. Melhora principalmente pelo lado dos serviços e consumo, enquanto a atividade industrial se mantém em terreno negativo.

BCE (ontem): Cristine Lagarde, presidente do BCE, abriu ontem o fórum dos banqueiros centrais em Sintra com um discurso inaugural. Estas são as principais conclusões: (i) política monetária focada em estabilizar a inflação, utilizando taxas de juros oficiais como ferramenta principal. Já não é necessário recorrer a instrumentos não convencionais. (ii) Não é necessário atuar com a mesma intensidade do que em ocasiões anteriores. Podem ser realizados ajustes graduais às taxas de juros, calibrados em função das perturbações. (iii) As taxas de juros podem aumentar para enfrentar a inflação, sem receio de que o endurecimento seja, por si só, uma fonte de tensão financeira; (iv) “O objetivo está claro: manter a inflação em 2% para proteger a economia de efeitos de segunda ronda indevidos; (v) A recente subida de taxas de juros não é preventiva. Estava justificada em todos os cenários considerados. Ter mantido as taxas de juros constantes tinha deixado a inflação acima de 2% em 2027 e 2028. (vi) As suas decisões de taxas de juros baseiam-se em 3 critérios: as perspetivas de inflação, a dinâmica da inflação subjacente e a intensidade da transmissão da política monetária. (vii) Quando os mercados compreenderem como o BCE age nos diferentes cenários, poderão iniciar o ajuste antes de ser necessário intervir. Link para o discurso completo (em inglês). OPINIÃO: Discurso em tom mais hawkish/duro do que o esperado. Considera que a recente subida de taxas de juros está claramente justificada e não descarta subidas adicionais. Reforça, desta forma, a hipótese que o mercado desconta de que irá realizar mais subidas de taxas de juros este ano. Cenário ao qual nós atribuímos uma probabilidade moderada, de 30%, tendo em conta que a inflação deverá começar a diminuir já em junho, após a queda dos preços do petróleo até níveis pré-guerra do Irão.

ESPANHA (ontem): O Conselho de Ministros aprovou ontem uma revisão das suas projeções e alargou parcialmente as medidas para amortizar o impacto pelo conflito no Médio Oriente (por um valor de cerca de 1.825 M€ em 2026 e 2.700 M€ em 2027 e 2028). O Ministro da Economia anunciou uma revisão das suas projeções com crescimento do PIB de 2,6% (+0,4pp) para 2026; 2,2% 2027 (+0,1pp); 2,1% para 2028 e +2,0% 2029. Pelo lado das medidas, estendem-se até setembro as destinadas a profissionais (agricultores e transportadores) e acrescenta-se 165 M€ de ajuda para agricultores para a compra de fertilizantes. Para os lares, recupera-se o IVA (21%) em combustíveis, mas ajusta-se 0,15 €/litro em julho; 0,10 €/litro em agosto e 0,05 €/litro em setembro. Além de uma cláusula automática de 0,20 €/litro no caso da inflação de carburantes voltar a disparar. Entre as medidas estruturais, foi anunciada a eliminação progressiva do Imposto à Produção Energética de Energia Elétrica, que passará a estar perto de 5% em 2026, 3,5% 2027 e desaparece a partir de 2028. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: As projeções do PIB baseiam-se na força esperada da Procura Interna (em 2026, projetam Consumo Privado +2,8% a/a e Investimento +5,0%, último ano da aplicação dos fundos NGEU). A atualização do Quadro Macro é o primeiro passo para a elaboração dos PGE para 2027. A extensão das medidas até setembro deve contribuir para amortizar o impacto na inflação da normalização das reduções de impostos. O primeiro pacote de ajudas implica cerca de 0,3% do PIB (cerca de 5.000 M€) e a extensão cerca de 0,1% adicional (cerca de 1.825 M€) em 2026 e 0,2% entre 2027 e 2028 pela progressiva redução e eliminação do Imposto à Produção Energética. 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

26/06/2026

Ontem: “Solidez no crescimento americano e Deflator PCE em alta, como se esperava. Cara e coroa em tecnologia.”

A grande quantidade de dados americanos ontem mostrou a solidez do crescimento, acompanhado de aumentos de preços, embora em linha com o esperado e anteriores à recente correção do preço do petróleo bruto (Deflator PCE +4,1% desde 3,8%; Subjacente +3,4% vs. 3,3%). O PIB americano do 1T 2026 (final) cresceu para +2,7% a/a (vs. 2,0% no 4T2025), enquanto os Pedidos de Bens Duráveis (excluindo Transporte) +1,3%. Sessão tranquila nas obrigações, com T-Note 4,39% (+0,1 p.b.) e o Bund 2,856% (-0,8 p.b.).

As bolsas mantiveram ontem o tom positivo em termos gerais, mas com fortes movimentos opostos na tecnologia americana. Por um lado, correção em Apple (-6,1%) e Microsoft (-3,5%) por terem anunciado subidas de preços em vários dos seus produtos pelo encarecimento dos cartões de memória; compensado na sessão de ontem pelas fortes subidas de Sandisk (+21,9%) e Micron (+15,7%), após fortes guias.

Em suma, sessão que mostrou a cara e coroa dos cartões de memória. Assistimos à estabilização do preço do petróleo bruto (~74-75 $/barril) e do dólar vs. euro, embora se mantenha < 1,40EUR/USD.

 

Hoje: “Foco novamente na IA. Sem grandes referências macro.” 

A tecnologia voltou ao foco. Após os movimentos opostos sobre os cartões de memória de ontem, esta madrugada desconta-se notícias sobre o possível adiamento da saída à bolsa de OpenAI para 2027. Os mercados asiáticos sofrem retrocessos importantes (Coreia do Sul -5,8%, Japão -4,2%, onde Softbank cai -13,5%) e os futuros americanos antecipam quedas.

Pelo lado macro, escassas referências para terminar a semana. Na Europa, expetativas de inflação de maio do BCE, a 1 e 3 anos. Espera-se uma queda de uma décima em ambos, para +3,9% e +2,8%, respetivamente. Nos EUA, dados finais de Confiança da Uni. de Michigan podem mostrar melhorias adicionais (até 50 vs. 48,9 prel. e 44,8 ant.), enquanto o componente de preços a 5-10 anos pode baixar para 3,3% (-0,1pp vs. prel. e desde 3,9% ant). A atenção está já nas referências preliminares de inflação de junho na Europa, na próxima semana, e nos dados do mercado laboral europeu e americano (quinta-feira).

Antecipamos uma sessão de realização de lucros perante os renovados receios sobre a IA, ausência de referências macro relevantes e recuperação das últimas sessões. Em qualquer caso, a redução das principais incertezas (geoestratégicas, preço do petróleo em baixa e da recente saída/emissão de obrigações de SpaceX) deve manter um tom de fundo em alta.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA: (i) Comentários bastante hawkish/duros por parte de 2 conselheiros da Fed. Goolsbee (Fed Chicago) afirmou que há um “raio de esperança” nos recentes dados de inflação relacionados com Serviços, mas também que a pressão sobre a Taxa Subjacente ainda é excessiva, a qual mantém uma tendência inadequada; e que, no mandato duplo da Fed sobre emprego e inflação, claramente o problema está no lado da inflação. Williams (Fed Nova Iorque) afirmou que as pressões inflacionistas deverão moderar-se nos próximos meses, mas acrescentou que a inflação ainda é inquestionavelmente elevada e significativamente superior ao objetivo de +2%, e que é imperativo que a Fed a faça regressar para esse nível de forma sustentável, já que se mantêm os riscos substanciais sobre os preços. OPINIÃO: Estes comentários voltam a suscitar uma sensação de inquietação, mais tensa, sobre a evolução das taxas de juros nos EUA, e a primeira vítima dessa abordagem é sempre a tecnologia. Consideramos provável uma suavização da maioria dos conselheiros da Fed em relação à inflação ao longo dos próximos meses, mantendo como o nosso cenário mais provável que o seu próximo movimento de taxas de juros seja em baixa, embora adiado para 2027. (ii) A macro americana continua a mostrar a sua solidez. O PIB e os Pedidos de Bens Duráveis surpreendem em alta enquanto o Deflator do Consumo Pessoal cumpre expetativas. (i) O PCE aumentou em maio até +4,1%, em linha com o esperado e +3,8% anterior. A taxa subjacente situou-se em +3,4%, em linha com o estimado e +3,3% anterior. OPINIÃO: O nível de preços situou-se num nível consideravelmente superior ao desejado (2% objetivo) e isso dificulta que a Fed possa atuar a curto prazo ao baixar as taxas de juros. O nosso cenário central contempla uma moderação de preços, e isso permitiria à Fed duas reduções de taxas de juros até 3,00%/3,25% em 2027 (-50 p.b.). Link para a nota (em espanhol). (ii) O dado final do PIB do 1T 2026 foi revisto para melhor, até +2,1% t/t anualizado vs. +1,6% preliminar e +0,5% anterior. Em termos interanuais, avançou até +2,7% vs. +2,6% preliminar e +2,0% anterior. OPINIÃO: O ciclo americano mantém a sua solidez. O Consumo foi revisto ligeiramente em baixa, mas não mostra sinais de deterioração relevantes. O forte esforço investidor das grandes tecnológicas para a implementação da IA acelerou o investimento não residencial. O Setor Exterior mostrou uma deterioração das Importações (-7,0% vs. -5,1% preliminar), que tem um efeito positivo no crescimento e explica, em grande memória, a revisão para melhor do dado final do PIB. O ajuste não parece assinalar uma deterioração da procura interna, mas um ajuste de inventários que segue a revisão anual dos dados de comércio, que ocorre em junho. Link para a nota completa no Bróker (em espanhol). (iii) Pedidos de Bens Duráveis caem menos do que o esperado em maio (-4,5% vs. -5,0% est. e +8,0% ant.). – Excluindo o setor Transportes, aumentam mais do que o esperado: +1,3% vs. +0,6% esp. e +1,1%, e se observarmos os Pedidos de Bens de Capital – utilizados como indicador adiantado de investimento empresarial e que exclui os pedidos de Transporte e Defesa, aumentam +1,6% vs. +0,6% est. e -1,1% ant. OPINIÃO: Leitura positiva, com o dado geral a cair menos do que o esperado e os dados mais subjacentes, que excluem as secções mais voláteis de defesa e transporte, a aumentarem acima do esperado. O ciclo continua a mostrar força, impulsionado pelo forte investimento em infraestrutura relacionada com a IA. Link para a nota completa no Bróker (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

25/06/2026

Ontem: “Nova queda no petróleo, obrigações em alta e ligeiros retrocessos tecnológicos.”

Petróleo em níveis pré-conflito. O petróleo continuou a baixar (-4%) e situou-se (~73 $/barril) pela primeira vez em níveis semelhantes ao início do conflito no Irão graças ao facto de mais petroleiros estarem a cruzar o Estreito de Ormuz. A Organização Marítima Internacional declara ter recebido garantias que permitem o tráfego seguro no Golfo Pérsico e as exportações dos Emirados Árabes alcançam quase 85% dos níveis anteriores à guerra. 

Rentabilidades em baixa nas obrigações. A queda do petróleo permite adiantar um relaxamento das pressões inflacionistas, o que favorece as obrigações. A yield do Bund retrocede -6 p.b (2,86%) e a do T-Note –10. p.b. (4,39%). 

Ligeiros retrocessos na tecnologia. Semicondutores (-0,2%) e tecnologia americana (-0,4%) fecharam em negativo. As quedas até ao momento da semana totalizam -6% em semis e -3,5% em tecnologia americana.   

Dólar fortalecido. O dólar continua a recuperar terreno e alcança níveis não vistos desde finais de maio 2025 face ao euro (EURUSD 1,136).  

 

Hoje: “Bolsas em alta com subida na tecnologia e petróleo em níveis anteriores ao conflito.” 

O foco do mercado estará no setor tecnológico, nas possíveis novidades das negociações EUA e Irão e, no lado macro, nos dados de preços e PIB dos EUA. Na tecnologia, os bons resultados de Micron e a revisão em alta das guias de Qualcomm – ambos publicados ontem, no fecho de N. Iorque – favorecerão a recuperação do setor após um mau início da semana (-3,5% nos EUA e -6% em semis). Micron bate em EPS e as ações sobem +18% no mercado after hours. Qualcomm duplica o seu objetivo 2029 de receitas relacionado com centros de dados e IA, e as suas ações sobem +12% em after hours. Temos vindo a insistir que vemos os eventuais retrocessos na tecnologia como oportunidades de compra a preços mais atrativos. Os fundamentos são sólidos e apoiados por um forte crescimento de lucros. O EPS da tecnologia nos EUA crescerá +33% este ano (+26% adicional em 2027), que compara com uma subida do setor na bolsa de +11% no ano. Portanto, não estamos perante um cenário de mera expansão de múltiplos. Pelo lado do petróleo, a recuperação do tráfego em Ormuz alivia os receios de escassez de abastecimento e o preço modera-se até níveis pré-conflito. Sem contratempos nas negociações entre os EUA e o Irão, esta continuará a ser a tónica na sessão de hoje. E na frente macro, veremos um aumento no PCE (+4,1% vs. +3,8% ant.) sem impacto negativo no mercado. O IPC registou um aumento similar (+4,2% vs. +3,8%), e o relaxamento no petróleo permite pensar que estamos no pico na inflação. No PIB, não esperamos mudanças na segunda revisão (+1,6% t/t anualizado).

Em relação aos mercados, esperamos uma sessão em alta nas bolsas, com subida na tecnologia (Micro e Qualcomm como catalisadores) e com petróleo confortavelmente instalado em níveis pré-conflito.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): O PIB do 1T 2026 (final) confirma o crescimento de +0,6% t/t anunciado preliminarmente vs. +0,8% no 4T2025. Em termos interanuais, confirma-se +2,7% a/a vs. 2,6% no 4T2025. A Procura Interna acrescenta +0,5pp t/t, enquanto o S. Exterior acrescenta +0,1pp intertrimestral. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: A evolução do 1T 2026 confirma a ligeira moderação no ritmo de crescimento intertrimestral. Sem grandes surpresas, o crescimento estará impulsionado pela Procura Interna, como esperamos para este exercício e 2027. Confirma-se também uma queda das importações de -1,0% t/t, superior à queda das Exportações, que retrocedem -0,6% t/t no trimestre, coincidindo com o início do conflito no Médio Oriente.  

ALEMANHA (07:00 h): A Confiança do Consumidor defrauda estimativas. Fica em -29,2 em julho vs. -28,0 estimado e -29,7 anterior (revisto desde -29,8). OPINIÃO: Dado pior do que o estimado que contrasta com a melhoria recente do ZEW e IFO e aponta para uma evolução débil do consumo nos próximos meses.

JAPÃO (06:30 h): O Indicador Adiantado surpreende em alta. O dado final avança até 116,1 em abril vs. 115,9 preliminar e 115,4 anterior. OPINIÃO: Boas notícias. O indicador alcança o melhor nível desde julho de 2021 e aponta para uma melhoria da atividade nos próximos meses. Por componentes, destaca especialmente a recuperação dos pedidos de maquinaria e a confiança do consumidor.

EUA (ontem): As Vendas de Habitações Novas surpreendem com uma queda em maio: 580k vs. 640k esperado vs. 626k anterior (revisto desde 622k). – Em termos mensais, caem -7,3% vs. +3,2% esperado vs. -5,7% anterior. OPINIÃO: O setor imobiliário continua a mostrar um arrefecimento. Os stocks de habitação nas mãos de promotores são avultados e continuarão a pressionar os preços, enquanto os elevados custos das hipotecas desincentivam a compra de habitação. De facto, o Preço de Habitações Case-Shiller mostrou um aumento de +0,83% a/a em março vs. +4,08% no mesmo mês do ano passado e o crescimento mensal de hipotecas é negativo desde maio de 2025, com a exceção de junho de 2025 e fevereiro de 2026.

ALEMANHA (ontem): O IFO Clima Empresarial melhora, como esperado, em junho: 85,6 pontos vs. 85,5 estimado e 85,0 anterior (revisto desde 84,9). Ambas as componentes avançam ligeiramente: Situação Atual (87,0 vs. 86,3 esperado vs. 86,1 anterior), Expetativas (84,1 vs. 84,8 esperado vs. 83,8 anterior) (revisto desde 83,8). OPINIÃO: O inquérito, realizado na primeira metade do mês, não inclui o anúncio do acordo entre os EUA e o Irão (15 de junho). O preço médio do Brent durante o inquérito, que coincide com o preço no fecho do mesmo, situava-se em 83 $ vs. 73,5 $ atualmente (-11%). Leitura positiva que coincide com a melhoria significativa do ZEW Expetativas, publicado a16 de junho (10,5 vs. -10,2 anterior), mas que contrasta com os retrocessos nos PMI ontem (Industrial 50,0 vs. 50,1 anterior; Serviços 46,8 vs. 49,0 anterior). Link para o relatório (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

24/06/2026

Ontem: “Correção saudável. Permite algum alívio.”

Sessão de bolsas em baixa, prejudicadas pelo questionamento das exigentes avaliações da IA e a atitude um pouco mais hawkish por parte da Fed. Isso provocou uma saudável realização de lucros, razoável após as fortes subidas acumuladas: apenas o índice de semis acumula +90% este ano. Na renda fixa, queda geral das rentabilidades das obrigações, motivada pelas conversações entre os EUA e o Irão e a correção do petróleo.
Na frente geoestratégica, avançavam as negociações entre os EUA e o Irão. Por um lado, Irão liberaria 12.000 M$ de fundos congelados. Por outro, os EUA anunciavam a passagem de 19MBarr. de petróleo pelo Estreito (praticamente a quantidade prévia ao conflito, 20% global). Estas declarações permitiram que o petróleo bruto corrigisse (WTI: 73,2 $; -2,15%; Brent 77,1 $; -1,05%), o que é uma notícia magnífica para a inflação e crescimento. Na frente macro, foram publicados os PMI Industriais, todos em terreno expansivo: UE: 51,3; EUA: 55,7.

Em suma, sessão positiva para obrigações e em baixa para as bolsas, uma saudável realização de lucros. 

 

Hoje: “Sessão de espera perante Micron e a macro de amanhã.” 

Madrugada asiática mista, com subida nos principais mercados após a forte realização de lucros de ontem, exceto no Japão, que continua penalizado pela forte debilidade do yen. Na frente macro, a única referência relevante será o IFO Clima Empresarial alemão (junho; 9 h). Espera-se que a Confiança Empresarial melhore (85,5 desde 84,9), particularmente a sua componente de Expetativas, como aconteceu com o ZEW Sentimento Económico (+10,5 desde -10,2), na terça-feira (16). Parece razoável um pouco mais de otimismo após a queda de preço do petróleo. Na frente corporativa, o foco estará nos resultados empresariais de Micron (EPS: 20,49 $; +973%), que publicará após o fecho americano, portanto, influenciará na sessão (europeia e americana) de quinta-feira. Como acontece com outras empresas de semis, o mercado tornou-se demasiado exigente com os resultados e guias, portanto não nos devemos surpreender, nem preocupar demasiado se esta publicação provocar uma realização de lucros, visto que o valor subiu +268% este ano. Portanto, na sessão de amanhã, quinta-feira, teremos o mais importante desta semana: a interpretação dos resultados de Micron, a segunda revisão do PIB americano, o Deflator do Consumo (PCE) que, apesar de esperar um aumento até +4,1% a/a desde +3,8%, não deverá surpreender o mercado (IPC de maio +4,2%), e os Pedidos de Bens Duráveis. Em suma, provável sessão lateral hoje, à espera dos indicadores de amanhã e, principalmente, dos resultados de Micron após o fecho de Nova Iorque.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

AUSTRÁLIA (02:30 h): O IPC modera-se mais do que o esperado em maio: +4,0% a/a vs. +4,3% esperado vs. +4,2% anterior. No mês, -0,7% vs. -0,4% esperado vs. +0,4% anterior. Taxa Subjacente +3,6% vs. +3,5% esperado vs. +3,4% anterior. OPINIÃO: A redução dos impostos sobre a gasolina para metade modera o impacto da subida dos preços da energia no IPC, mas a taxa subjacente mantém-se elevada. Apesar do arrefecimento do setor imobiliário e o mercado laboral, que prejudicam a confiança dos consumidores, é previsível que o RBA mantenha o seu modo duro/hawkish após ter subido as suas taxas de juros 3 vezes até 4,35% em 2026 desde 3,60% no fecho de 2025, enquanto a inflação se mantém amplamente acima do seu objetivo de +2%/+3%.

EUA (ontem): Os PMIs surpreendem para melhor em junho. Tanto Industrial como Serviços aumentam mais do que o esperado e entram em zona de expansão (>50 pontos).- PMI Industrial 55,7 pontos vs. 54,8 esperado vs. 55,1 anterior; PMI Serviços 51,3 vs. 51,0 vs. 50,7; PMI Composto 52,2 vs. 51,5 anterior. Link para o indicador (em inglês). OPINIÃO: Bons resultados para o ciclo, embora negativos para o mercado, já que poderão incentivar a Fed a usar um tom mais hawkish/duro. A economia americana aguenta surpreendentemente bem e os PMI mantêm-se amplamente em zona de expansão. De facto, o PMI Industrial alcança o seu nível mais alto em 4 anos. Segundo o comunicado, a procura do setor industrial “esteve apoiada pela antecipação de possíveis problemas de abastecimento e subidas de preços associados à guerra”. Por sua vez, o PMI Serviços cresce a um ritmo mais errático como consequência dos “elevados preços, taxas de juros mais altas e baixa confiança, tanto das empresas como dos consumidores”. Em suma, números positivos para o ciclo, que poderão levar a Fed a usar um tom mais hawkish/duro. Contudo, com um petróleo <80$/barril, parece pouco provável esperar subidas de taxas de juros. Veremos…

UE (ontem): O PMI Composto (junho) melhora graças ao setor serviços. Os industriais perdem um pouco de tração, mas mantêm-se em zona de expansão (>50 pontos).- PMI Composto 49,5 pontos vs. 49,1 esperado vs. 48,5 anterior; PMI Industrial 51,3 vs. 51,6 esperado e anterior e Serviços 48,9 vs. 48,6 vs. 47,7. Link para o indicador (em inglês). OPINIÃO: Números melhores do que o esperado, que mostram que a economia europeia, apesar de se manter abaixo da zona de expansão, apresenta um risco de recessão baixo. O PMI Industrial cai, embora de forma testemunhal, e os serviços continuam a ganhar tração. Por componentes, destaca a queda no Emprego e Novos Pedidos, enquanto a Confiança Empresarial aumenta, tanto no setor industrial como de serviços. Por países, a Alemanha está na parte mais negativa e o PMI Composto situa-se no nível mais baixo desde dezembro de 2024. O PMI Serviços cai até 46,8 vs. 49,0 esp. vs. 48,1 ant. O PMI Industrial também cai (50,0 vs. 50,1 ant.) e situam o PMI Composto em 48,0 (vs. 49,6 esperado vs. 48,8 anterior). Contudo, o agravamento da Alemanha contrasta com uma melhoria substancial nos PMIs de França: PMI Composto 47,6 vs. 46,4 esperado vs. 44,9 anterior, graças tanto a Industrial (50,7 vs. 49,7 ant.) como a Serviços (47,4 vs. 44,3). Em suma, os números do conjunto da UE mostram uma ligeira melhoria e mantêm o PMI Composto perto da zona de expansão. São números que poderão dar um pouco de margem ao BCE para endurecer o tom, embora com um petróleo <80 $/barril pareça pouco provável pensar em mais subidas de taxas de juros. 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

23/06/2026

Ontem: “Realização de lucros na tecnologia americana com dólar forte e petróleo em baixa.”

Europa fechou em positivo, mas em Wall St. vimos uma realização de lucros nas grandes tecnológicas. SpaceX liderou as quedas (-16,4%) após anunciar uma emissão de obrigações de 20.000 M$ para refinanciar um empréstimo intercalar. 

Na frente geopolítica, os EUA e o Irão concluíam a 1.ª ronda de negociações para avançar para um acordo de 60 dias. O resultado é visto como um passo para a desescalada do conflito, que retira pressão aos preços da energia e às perspetivas de inflação.

No Reino Unido, a demissão do Primeiro-Ministro (Starmer) quase não impactou a libra (-0,1% até 0,867 face ao euro) porque: (1) é um movimento que começou a ser considerado em maio após o revés do partido trabalhista nas eleições municipais e (2) a chave para a divisa e as obrigações está na política fiscal e monetária. 

Em suma, correção natural na tecnologia com o dólar forte sem alterações importantes nas obrigações a longo prazo (Bund alemão a 10 anos em 2,95% e T-Note americano em 4,51%).

 

Hoje: “Pendentes da tecnologia e PMIs. Sessão de menos a mais com rotação setorial.” 

A realização de lucros nas grandes tecnológicas americanas estende-se às bolsas asiáticas (-10% na Coreia) e deixar-se-á notar na abertura europeia.

É uma correção natural após o rally vivido desde o início do ano, que vem acompanhada de uma rotação setorial para setores value e/ou que ficaram mais para segundo plano. O mais importante é que o fundo do mercado é bom, porque o pior na geopolítica já passou e o preço do petróleo Brent avalia em ~77 $/barril (vs. >120 $ em abril). Além disso, a macro evolui melhor do que o esperado e não se pode descartar que a inflação melhore antes do que o esperado pelos bancos centrais, que trabalham com cenários macro muito conservadores.

Hoje são publicados os PMIs de junho das principais economias e os números parecem continuístas, com o PMI Industrial – que é o mais importante para o mercado – em zona de Expansão económica. Em suma, a realização de lucros nas tecnológicas parece passageira e deveremos ver uma sessão de menos a mais, se a geopolítica não mudar de forma inesperada.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA/CONSUMO: Hoje arranca a Amazon Prime Week, que servirá como termómetro do consumo americano. Pela primeira vez desde 2021, estes dias promocionais da Amazon são celebrados em junho (23 a 26) vs. julho, para evitar coincidir com os calendários da Copa do Mundo e o 250.º aniversário da Independência dos EUA, a 4 de julho. À Amazon unem-se campanhas promocionais de outras cadeias de distribuição como Walmart (7 dias a partir de ontem) e Target (23 a 26). Segundo Adobe Analytics, as vendas online nestes dias poderão alcançar 26.300 M$, +9,1% vs. 2025, com as vendas mais concentradas em produtos básicos do que nas campanhas anteriores. Segundo o Bank of America, as vendas de Amazon poderão alcançar 21.600 M$ (+5%). OPINIÃO: Este evento comercial, provavelmente maior em volume do que a Black Friday e Ciber Monday 2025 juntos, servirá para testar a força do consumo americano. Tão importante será a despesa, para medir se a resiliência do consumo privado se mantém num contexto de elevada inflação, quanto em que artigos gastam as famílias, produtos essenciais ou mais discricionários. Em níveis de +4,2% em maio, o IPC situa-se em máximos dos últimos 3 anos, penalizando o poder de compra das rendas médias e baixas. Em geral, embora os consumidores sejam mais seletivos e exigentes com os descontos, a força recente das vendas a retalho e da economia em geral deverá resultar numa sólida Prime Week, embora com maior foco no “valor” (preços baixos). 

ÍNDIA (06:00 h): Os PMIs perdem tração em junho como consequência de uma deterioração no setor Serviços. O PMI Serviços situa-se em 57,3 pontos vs. 59,8 anterior; PMI Industrial 54,5 vs. 55,0. Ambos se traduzem num PMI Composto de 57,4 vs. 59,3. OPINIÃO: Os PMIs mostram alguma desaceleração na economia. A maior dependência energética da Índia e o aumento observado do petróleo pelo encerramento do Estreito de Ormuz prejudicam os fundamentos da economia. O PMI Serviços é o que mais desacelera com uma queda na componente de Emprego até 50,4 vs. 53,2 em maio. Contudo, com um contexto de preços de petróleo inferiores (atualmente <80 $/barril), o previsível é esperar alguma melhoria a curto prazo do indicador. Veremos… 

SETOR AUTOMÓVEL EUROPEU (05:00 h): As vendas de carros avançam +3,2% a/a em maio.- Com isso, crescem +4,0% no ano e as unidades vendidas superam 4,7M. No mês, os elétricos puros lideram os avanços (+42,9%), seguidos pelos híbridos plug-in (+12,2%) e os híbridos não plug-in (+9,7%) enquanto os motores de combustão retrocedem (-19,0% diesel e -20,1% gasolina). OPINIÃO: As vendas de veículos eletrificados continuam a ganhar inércia e ampliam as suas quotas de mercado graças à extensão de subsídios e novos incentivos fiscais para a compra, introduzidos em muitos países. Nomeadamente, os elétricos puros representam já 20% do total das matrículas no conjunto d2026 (vs. 15,3% em 2025).

JAPÃO (01:30 h): Os PMIs melhoram em junho.- O PMI Serviços situa-se em 51,8 pontos vs. 50,0 anterior; PMI Industrial 54,9 vs. 54,5. Ambos se traduzem num PMI Composto de 52,5 vs. 51,1. OPINIÃO: Bons números que mostram um impacto menos acentuado ao esperado do conflito no Médio Oriente. Os PMIs entram em zona de expansão (>50 pontos) e situam-se acima deste limite desde dezembro de 2025. Em suma, dados fortes que apoiam um tom mais duro/hawkish do BoJ e que convidam a pensar em mais subidas de taxas de juros. Mais ainda ao ter em conta que a inflação se mantém (+1,5% em maio) <2% e que o yen se situa >160 JPY/$ (nível de possível intervenção do BoJ).  

UE (ontem): A Confiança do Consumidor melhorou pelo segundo mês consecutivo. Confiança do Consumidor -17,7 em junho vs. -17,8 esperado e -19,0 anterior. OPINIÃO: Evolução lógica, à medida que a tensão na frente geoestratégica diminui e o preço do petróleo bruto se modera, embora os níveis continuem ligeiramente acima dos níveis vistos antes do início do conflito no Médio Oriente (-12,4 em fevereiro).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise
                                                                                

 

19/06/2026

Ontem: “Nova Iorque recupera níveis prévios à reunião da Fed de quarta-feira e Europa soma 6 sessões em alta.”

Sessão de menos a mais com Nova Iorque a subir +1,1% e Europa a prolongar a tendência em alta (+0,4%) pelo sexto dia consecutivo. O risk-off de quarta-feira – derivado do tom hawkish/duro da Fed na primeira reunião com Warsh na liderança – foi efémero e as bolsas e obrigações (T-Note -3 p.b. até 4,53%) recuperaram os níveis prévios à decisão. Este movimento de ida e volta apoia-se na (i) assinatura do pré-acordo entre os EUA e o Irão, que define as bases para alcançar o fim das tensões e ajusta em baixa as expetativas de inflação e (ii) à baixa convicção dos governadores da Fed na hora de realizarem as suas projeções, moderando as expetativas de subidas de taxas de juros, que aumentaram após a comparência. Na frente macro, os bancos centrais do Reino Unido, Suíça e Noruega mantiveram taxas de juros, embora o Norges Bank tenha deixado espaço para uma nova subida perante uma inflação acima do objetivo (+3,4% em maio vs. +2,0% objetivo) e maiores probabilidades de efeitos de segunda ronda. Além disso, o Indicador Adiantado da Fed de Filadélfia (+10,3 pontos) e o Indicador Adiantado (+0,1% m/m) reafirmaram a resiliência da economia americana.

 

Hoje: “Bolsas débeis com o cancelamento da reunião entre os EUA e o Irão, e também porque N. Iorque estará fechada.” 

A geoestratégia volta ao foco, numa sessão em que Nova Iorque e China estão fechadas e quase sem referências na frente convencional.

À última hora, os EUA e o Irão cancelaram a sua reunião na Suíça para começar a negociar o acordo de paz definitivo. A notícia gera novamente inquietude, num mercado que parecia dar este aspeto por superado, embora o barril de petróleo permaneça abaixo dos 80 $ (Brent 79,8 $). Como visto desde o início do conflito, as negociações não estão isentas de idas e voltas que geram volatilidades no mercado a curto prazo. Provavelmente, isto continuará assim durante os 60 dias das conversações, que não descartamos que se prolonguem. Mas, enquanto o preço do petróleo continuar em níveis relativamente moderados, o mercado dará um voto de confiança e não irá alterar a tendência em alta estrutural. Na frente macro, à primeira hora ficamos a conhecer as únicas referências do dia: (i) IPC no Japão (maio) +1,5%, em linha com o esperado e (ii) Preços Industriais na Alemanha (maio) +2,2% que aumentam menos do que o esperado e que não terão grande impacto, eclipsados pela geoestratégia.

Em suma, tudo indica uma sessão de descanso com a geoestratégia como único foco de atenção e as bolsas de Nova Iorque e China fechadas.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Os preços industriais aumentam menos do que o esperado em maio. Na taxa interanual, o PPI situa-se em +2,2% vs. +2,5% estimado e +1,7% anterior. A variação intermensal foi de +0,3% vs. +0,7% estimado e +1,2% ant. OPINIÃO: Bom dado de preços industriais de maio que mostram um aumento mais moderado do que o inicialmente esperado. A subida deve-se a um novo aumento nos custos da cadeia produtiva, especialmente energia e matérias intermédias (metais, químicos, fertilizantes, componentes). Como a indústria alemã é muito intensa em energia (química, metalurgia, automação), qualquer subida energética será rapidamente transferida para os preços industriais. A parte positiva é que a subida do mês foi menor do que o esperado e que, além disso, o recente relaxamento nos preços do petróleo – Brent em 80 $/barril vs. 105 $/barril de média em maio – permitirá retrocessos neste indicador nos próximos meses. Tudo isso retira pressão para que o BCE continue a endurecer a sua política monetária. 

JAPÃO (00:30 h): A inflação aumenta ligeiramente em maio, em linha com o consenso. A taxa geral situa-se em +1,5% a/a vs. +1,4% anterior. A taxa subjacente retrocede até +1,8% desde +1,9% ant. OPINIÃO: Os dados cumpriram as estimativas. As subvenções do governo estão a contribuir para manter os custos energéticos baixos, com uma queda de -7% nos preços da gasolina em maio vs. ano anterior. O governo de Sanae Takaichi tomou medidas para conter o impacto nos lares das crises no Médio Oriente e da depreciação do yen. Embora a inflação esteja atualmente abaixo do objetivo do Banco do Japão (+2%), esperamos que ocorram aumentos na parte final do ano e, portanto, consideramos provável que o banco central suba taxas de juros novamente no final do ano. Por um lado, a supressão gradual dos subsídios levará a registos mais altos de inflação. Por outro, as negociações salariais coletivas dos sindicatos que ocorrem na primavera (shunto) mostram subidas acima de +5% pelo terceiro ano consecutivo, o que permite reforçar o círculo virtuoso “salários-preços”. Neste contexto e com uma política monetária ainda muito acomodatícia (as taxas de juros reais continuam em negativo), é provável ver novas subidas de taxas de juros em dezembro, até 1,25%. O Banco do Japão continuará com a normalização da sua política monetária. 

REINO UNIDO (ontem): O BoE cumpriu o esperado e manteve as taxas de juros de referência em 3,75%. A decisão não foi unânime, com 7 conselheiros a favor de manter (vs. 7 esperado vs. 8 em abril) e 2 votos a favor de subir +25 p.b. (vs. 1 esperado vs. 1 em abril). O BOE reforça a sua estratégia de espera, prudência e flexibilidade em política monetária. A inflação surpreendeu positivamente, mas os riscos continuam latentes, especialmente pelo aumento das expetativas dos consumidores e salários. Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: O BoE mantém a sua estratégia de esperar sem dar nada como garantido em relação a possíveis subidas de taxas de juros. A evolução recente da inflação proporciona alguma margem de manobra, mas os riscos associados às expetativas e os efeitos de 2.ª ronda justificam uma abordagem prudente. Na nossa opinião, tudo aponta para um cenário de taxas de juros estáveis durante um período longo (2026 e 2027), embora o mercado das obrigações antecipe uma subida de +25 p.b no final de 2026. Link para o relatório completo no bróker (em espanhol).

EUA (ontem): (i) As Petições Semanais por Desemprego enfraquecem até 226 k vs. 225 k esperado vs. 230 k ant. (revisto desde 229 k) com a média das últimas 4 semanas em 223 k (vs. 219 k ant.).- OPINIÃO: As Petições por Desemprego mantêm-se em níveis razoáveis, embora superem ligeiramente a média dos últimos 12 meses (218 k), portanto, não altera a perceção de estabilidade sobre o mercado laboral. Cabe recordar que o último relatório de Emprego não agrícola/payrolls reflete uma criação de 172 k empregos em maio (vs. 41,9 k de média em 12 meses) com uma Taxa de Desemprego estável em 4,3% (vs. intervalo em 4,2%/4,5% estimado pela Fed para 2026). Com estes números, o normal é que a Fed mantenha um discurso hawkish/duro como vimos ontem, após a decisão de manter as taxas de juros em 3,50%/3,75% porque: (1) a inflação (+4,2% em maio) supera amplamente o objetivo de 2,0% e (2) a atividade económica evolui positivamente apesar da geopolítica (ISM Industrial, PIB, Emprego, etc.). Neste contexto, as obrigações descontam uma subida de taxas de juros em 2026 (outubro ou dezembro), que está em linha com o diagrama de pontos da Fed que reflete a opinião dos conselheiros. (ii) O Indicador da Atividade da Fed de Filadélfia (Philly) surpreendeu positivamente ao aumentar até +10,3 pontos em junho (vs. +10,0 esperado vs. -0,4 ant.). OPINIÃO: O mais importante é que a componente de Novos Pedidos volta a terreno positivo (27,3 pontos vs. -1,7 ant.) e antecipa uma melhoria da atividade graças ao dinamismo do Investimento (41,2 vs. 30,9 ant.) e Emprego (7,9 vs. -2,8% ant.). A má notícia é que continuam os Preços Pagos continuam a subir (53,2 vs. 47,9 ant.), (iii) o Indicador Adiantado/LEI sobe +0,1% m/m em maio vs. +0,1% esperado vs. +0,2% ant. (revisto desde +0,1%), enquanto diminui a probabilidade de recessão da economia até 15% em junho (vs. 28% anterior, segundo as estimativas da Fed de Nova Iorque). Em termos anuais, o LEI aumenta uma décima até +0,2% (vs. +0,1% ant.) e afasta-se do mínimo registado no início do ano. Os números refletem um bom momento do mercado laboral (Horas Trabalhadas e Petições por Desemprego estáveis), Consumo e Bolsas. A má notícia é que continua a debilidade do setor imobiliário, que é especialmente sensível a taxas de juros altas (custo médio hipotecário a 30 anos ~6,6%). Em suma, os números confirmam a resiliência da economia americana, apesar da incerteza geopolítica e o aumento nos preços derivado do choque energético. Link para o relatório completo no bróker (em espanhol).

NORUEGA (ontem): O Norges Bank (b.c) cumpre as expetativas e mantém a taxa de juro de referência em 4,25%, mas lança um tom hawkish/duro. O banco central considera provável uma subida de taxas de juros numa das próximas reuniões (sem especificar data). Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: A mudança hawkish do Norges Bank explica-se pela inflação (+3,4% em maio) superar amplamente o objetivo de 2,0% e aumentar a probabilidade de ver efeitos de 2.ª ronda (pressões salariais e custos de produção em alta). Em suma, o banco central estima uma diminuição gradual da inflação a partir de 2027 (demasiado longe), apesar da moderação do ciclo económico, por isso, tudo aponta para uma política monetária mais restritiva durante mais tempo. O mercado de obrigações desconta uma subida de +25 p.b. até 4,50% entre 24 de setembro e 5 de novembro. 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

18/06/2026

Ontem: “Fed num tom mais hawkish (duro) do que o esperado.”

Sessão a 2 velocidades, com subidas na Europa de +0,7% e quedas nos EUA de -1,2%, após a reunião da Fed. Manteve taxas de juros em 3,50%/3,75% (como esperado), mas o tom foi claramente hawkish (duro). Reviu em alta as estimativas de inflação, tanto geral como subjacente, e ligeiramente em baixa as de crescimento, mas o mais importante é que eliminou do comunicado o “easing bias”, isto é, a referência a futuras descidas de taxas de juros, e que o diagrama de pontos passou a refletir uma subida de taxas de juros este ano face a uma descida anteriormente. Como consequência: (i) a curva passou a refletir quase de forma imediata uma subida de taxas de juros em setembro/outubro de 2026 face a janeiro/março de 2027 antes da reunião, e (ii) a yield das obrigações soberanas americanas aumentou. T-Note +5 p.b. até 4,49%, com aplanamento significativo da curva. O diferencial 2-10 anos americano reduziu-se -8 p.b. até 30 p.b. Isto foi, sem dúvida, o mais importante da sessão, mas não o único. Também tivemos Vendas a Retalho dos EUA, que surpreenderam positivamente, melhorando em maio +0,9% m/m vs. +0,6% esperado e +0,4% anterior, e Banco Central de Brasil, que baixou taxas de juros em -25 p.b. até 14,25%, em linha com o esperado.

 

Hoje: “Digestão da Fed, assinatura do acordo EUA/Irão e outros 3 bancos centrais. Sessão de menos a mais.” 

Amanhecemos com boas notícias na frente geoestratégica: os EUA e o Irão assinaram o acordo (MOU ou memorando de entendimento) um dia antes do previsto. Isto reduz o ruído nesta frente, pelo menos a curto prazo, e o petróleo irá cair mais hoje (Brent -2%, até 77,8 $). Isto poderá dar algum apoio às bolsas e obrigações hoje, mas é um pouco contraditório com uma possível subida de taxas de juros por parte da Fed este ano, a qual continuamos a considerar improvável… inclusive apesar de entre as perspetivas comunicadas após a sua reunião ontem à noite, a primeira com Kevin Warsh na liderança, estar incluída uma subida de +25 p.b. até 3,75/4,00%. A Fed endureceu a sua abordagem ontem à noite, com Warsh a insinuar que muitas coisas irão mudar a partir de agora, especialmente a forma de comunicar.  E hoje, provavelmente repetirão taxas de juros outros 3 bancos centrais: Suíça (SNB em 0,00% às 08:30 h), Noruega (Norgesbank em 4,25% às 9 h) e R. Unido (BoE em 3,75%). O importante serão as suas mensagens ou abordagens.

As principais referências macro serão o Índice de Atividade da Fed de Filadélfia e o Indicador Adiantado nos EUA, que continuarão provavelmente a apontar para um sólido crescimento económico.

Em suma, será provavelmente uma sessão de menos a mais, com a Europa a abrir provavelmente em baixa a tendendo a melhorar à medida que a sessão avança, principalmente após a abertura dos EUA, que deverão ver-se apoiados por menor risco geoestratégico. Para efeitos práticos, poderemos dizer que hoje será a última sessão da semana, já que na sexta-feira é feriado nos EUA (Dia da Independência) e não teremos referências (bolsas e obrigações fechadas).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00 h): A Taxa de Desemprego enfraquece uma décima em abril até 4,9% (vs. 5,0% esperado) com os salários estáveis em +3,4% (vs. +3,2% esperado).- OPINIÃO: Os números refletem a debilidade do mercado laboral num contexto marcado por uma inflação elevada (+2,8% em maio), taxas de juros altas (custo médio hipotecário em 6,6%) e uma procura interna débil. A boa notícia é que os números retiram pressão ao BoE para endurecer a política monetária porque: (1) os salários crescem acima do nível de referência que o BoE considera razoável (+3,0%) para alcançar o seu objetivo de inflação, mas o ritmo de crescimento vai perdendo inércia (+3,4% vs. +4,1% em dezembro de 2025 vs. +5,3% em abril de 2025), (2) a Taxa de Desemprego continua em níveis historicamente altos (4,9% vs. 4,6% em abril de 2025) e (3) as perspetivas de inflação a longo prazo moderam-se até +3,1% (vs. 3,4% em maio). O BoE anunciará hoje (12 h) que mantém a taxa de juro de referência em 3,75%. Em suma, a macro não é suficientemente débil para justificar um tom dovish/suave do BoE, mas as pressões inflacionistas tendem a enfraquecer, reduzindo o risco de ver um tom demasiado hawkish/duro. 

EUA (ontem): (i) A Fed manteve taxas de juros em 3,50%/3,75%, mas soou mais hawkish (dura) do que o esperado. A decisão foi unânime e o tom da mensagem hawkish (duro). O comunicado eliminou o “easing bias”, isto é, a referência a futuras descidas de taxas de juros. O quadro de estimativas macro mostrou uma revisão em alta das previsões de inflação (+3,6% desde +2,7%), e ligeiramente em baixa do crescimento para este ano (+2,2% desde +2,4%). Finalmente, o diagrama de pontos foi revisto claramente em alta e projeta uma subida este ano. OPINIÃO: Após esta decisão, e com base na força recente da economia americana, diminui a probabilidade de um corte de taxas de juros na reunião de setembro, como estimávamos anteriormente. O contexto não exige um relaxamento urgente da política monetária. O PIB, longe de abrandar, ganha inércia (+2,6% a/a no 1T 2026 vs. +2,0% 4T 2025) com um mercado laboral sólido (Taxa de Desemprego 4,3%) e uma inflação elevada (+4,2% IPC maio vs. +3,8% em abril). Continuamos a pensar que o próximo movimento será em baixa, e não em alta como o mercado desconta e o diagrama de pontos antecipa. A tensão no Médio Oriente diminui e o petróleo situa-se abaixo de 80 $. Se for confirmada a reabertura do Estreito de Ormuz, a ideia que defendemos ganharia força: a inflação poderá ter alcançado o máximo e irá suavizar-se para cerca de +3,0%/+3,5% no final do ano. As próprias projeções da Fed apontam para uma inflação perto de +3,6% no fecho de 2026 que desacelera até +2,3% em 2027. Em suma, não descartamos um corte como próximo movimento, embora consideremos provável mais provável que seja em 2027, de forma a que já seja produzido ao abrigo do novo quadro revisto (para a inflação e emprego, entre outros aspetos) que Warsh quer impulsionar. Link para o nosso relatório completo (em espanhol). (ii) As Vendas a Retalho surpreenderam em alta em maio, refletindo a solidez do consumo: +0,9% m/m vs. +0,6% esperado e +0,4% anterior (revisto desde +0,5%). Excluindo automóveis e gasolina: +0,5% vs. +0,3% esperado e +0,5% anterior. Destaca o aumento do Grupo de Controlo, fundamental para o cálculo do PIB, que acelerou até +0,7% desde +0,5%. Em termos interanuais, as Vendas a Retalho aumentaram +6,9% (vs. +4,8% anterior), enquanto o Grupo de Controlo situou-se em +6,3% (vs. +5,6% anterior). OPINIÃO: O Consumo mantém um ritmo sólido, apesar de um contexto exigente, com inflação elevada, impulsionada em grande parte pelo encarecimento do petróleo, sem impacto significativo até agora na procura. Além disso, considerando que maio registou preços do petróleo bruto acima de 100 $, a atual tendência descendente para níveis de 75–80 $ reforça perspetivas mais favoráveis. Link para o bróker (em espanhol).

PETRÓLEO (ontem): A AIE publicou o seu Relatório de Energia corresponde ao mês de junho e incorpora novidades relevantes. (i) Em 2026, a procura irá cair -1,1Mbd (105Mbd 2025 aprox.), o que implica uma queda de -700bd face às estimativas de maio. Não obstante, esta redução concentrar-se-á no 2T 2026 (-5Mbd a/a). A oferta moderar-se-á -3,9Mbd até 102,4Mbd. Como referência, em maio, a oferta global ascendeu a 94,5Mbd, o que implica uma redução de -13,6Mbd dos níveis prévios à pandemia. (ii) Em 2027, a procura aumentará em +2,0Mbd até 105,3Mbd, num contexto de normalização dos fluxos de petróleo. A oferta aumentará no próximo ano +8mbd até 110,3mbd. (iii) Os inventários mantiveram a tendência de redução em maio até -143mbd desde -74mb em abril. Este nível é o menor desde 1990. Por último, o tráfego pelo Estreito de Ormuz está a recuperar, até 12Mbd no início de junho desde 9,6Mbd em maio. OPINIÃO: A AIE estima um cenário complexo em termos de oferta este ano, embora considere que seja um impacto pontual, concentrado no 2T 2026, o que pode indicar que o choque já tenha ocorrido. De facto, será compensado com aumentos significativos no próximo ano, graças à maior produção da América Latina ou EUA. A isso une-se uma queda brusca de importações por parte da China ou Japão (-6Mbd, cerca de -40% a/a). Estas projeções criam um cenário de preços a moderarem-se após a reabertura do Estreito de Ormuz. Link para o Relatório da AIE (em inglês).

BRASIL (ontem): O Banco Central de Brasil baixou a taxa de juro pela terceira vez consecutiva, situando a taxa Selic em 14,25% (-25 p.b.), em linha com as expetativas. A decisão foi unânime e o Copom (Comité de Política Monetária) realçou que a magnitude do ciclo de ajuste dependerá da evolução dos dados. O contexto continua a ser marcado pela incerteza geopolítica, especialmente pela falta de avanços na resolução dos conflitos no Médio Oriente, o que mantém elevadas a volatilidade e tensões nas condições financeiras globais. No plano nacional, a atividade económica mostrou solidez no 1T (+1,8% a/a), impulsionada por setores cíclicos e um mercado laboral resiliente. Contudo, a inflação aumentou até +4,72% a/a, superando o limite superior do intervalo objetivo. As expetativas de inflação continuam descontroladas, situando-se em +5,30% para 2026 e +4,10% para 2027, enquanto a projeção do próprio banco central para final de 2027 (+3,7%) permanece acima do objetivo de 3%. O Copom destacou que os riscos inflacionários continuam a ser elevados. Entre os riscos em alta estão o descontentamento prolongado de expetativas, a persistência da inflação de serviços, possíveis efeitos inflacionários de políticas económicas e estímulos à procura que reduzem a eficácia da política monetária. Pelo contrário, os riscos em baixa incluem uma desaceleração mais intensa da economia nacional, uma deterioração do contexto global e uma queda dos preços das matérias-primas. Neste contexto, o banco central mantém uma postura prudente e dependente dos dados, num contexto marcado por pressões inflacionárias persistentes e riscos associados ao estímulo fiscal. Link para o comunicado.

SUÉCIA (ontem): O Riksbank decidiu manter a taxa de referência em 1,75%, embora advirta um aumento na probabilidade de uma subida de taxas de juros ao longo do ano. A inflação continua em níveis reduzidos (+0,8% a/a) e a atividade económica mantém-se um pouco débil (+1,6% a/a no 1T), com um crescimento abaixo do esperado e uma recuperação do mercado laboral ainda moderada. Não obstante, o conflito no Médio Oriente gerou disrupções no fornecimento, especialmente no petróleo, elevando os preços da energia e aumentando as pressões inflacionistas. Embora se preveja que estes efeitos sejam temporários e que os preços do petróleo bruto se moderem nos próximos meses, a incerteza continua a ser elevada. Em paralelo, o Consumo dos lares mostra resiliência e o poder de compra melhorou, apoiando uma recuperação gradual. Neste contexto, o banco central considera adequado manter as taxas de juros, de momento, embora tenha revisto ligeiramente em alta a sua trajetória esperada de taxas de juros e se mantenha preparado para aturar se as condições assim o ditarem. Link para o comunicado (em inglês).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

17/06/2026

Ontem: “Eliminado o risco geopolítico, os lucros voltam a mandar.”

Ontem, sessão mista nas bolsas, com subidas na Europa (+0,8%), a quarta sessão consecutiva, e quedas em Nova Iorque (-0,6%), prejudicada por Tecnologia (-2,3%). Embora Space X tenha voltado a subir +4,8% para superar a Amazon e tornar-se a 5.ª maior empresa por capitalização. O preço do petróleo já desconta um cenário de normalidade (Brent -5% até 79 $/barril). Embora recuperar 100% da produção do Golfo demore algum tempo, o aumento de produção em outros países (EUA, Canadá, Venezuela, EAU…) compensará parte do défice. Uma vez normalizado o mercado energético, o protagonismo voltará aos lucros empresariais, que não deixam de ser revistos em alta para 2026 (EUA +25,2% vs. +19,0% em abril e Europa +19,7% vs. +12,5% ídem).  

Na macro, o mais relevante do dia foi o índice ZEW alemão, que surpreendeu positivamente em Expetativas (10,5 vs. -5,5 est.), mas dececionou em Situação Atual (-81,0 vs. -78,0 est.) Na renda fixa, tivemos quedas em yields (Bund -2,4 p.b. até +2,93%; T-Note -3,5 p.b. até +4,44%), com a exceção do Japão (+6 p.b. até +2,36%), cujo processo de normalização avança lentamente, embora ainda falte bastante.

 

Hoje: “A Fed e Warsh terão a atenção do mercado.” 

Hoje deveremos ter uma sessão tranquila até à Fed (19 h). Contudo, teremos alguns dados macro relevantes, como a inflação do R. Unido, que foi melhor do que o esperado (+2,8% vs. +3,0% est.) ou as Vendas a Retalho nos EUA (+0,5% m/m); o mercado irá manter-se com alguma cautela até conhecer a decisão da Fed e as declarações de Warsh.
O mercado desconta quase a 100% que irão manter as taxas de juros em 3,50%/3,75%, portanto, a atenção estará nas estimativas macro e no diagrama de pontos e, principalmente, nas primeiras declarações de Kevin Warsh como governador da Fed. Com os preços da gasolina e fertilizantes a caírem em junho, acreditamos que a inflação tenha alcançado o seu pico em maio, em +4,2%, e agora deverá começar a moderar-se. Por isso, caso acrescente alguma novidade, provavelmente será mais dovish (suave) do que o mercado desconta, podendo até voltar a colocar a possibilidade de alguma descida de taxas de juros este ano. Cenário que não descartamos. 

Em suma, a Fed poderá animar a última hora de Nova Iorque numa sessão que será de consolidação na Europa. Com um petróleo abaixo de 80 $, menor risco geopolítico e revisões em alta em EPSs, tanto na Europa como nos EUA, o mercado deverá manter o bom tom.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00 h): A inflação (maio) surpreende e repete o dado de abril. A taxa geral situa-se em +2,8% a/a vs. +3,0% esperado vs. +2,8% anterior. A taxa subjacente aumenta ligeiramente até +2,6% vs. +2,7% vs. +2,5%. Na comparação m/m, a taxa geral desacelera até +0,2% vs. +0,4% vs. +0,7%. Por sua vez, a inflação de serviços sobe até +3,7% vs. +3,6% vs. +3,2%. OPINIÃO: Os dados são melhores do que o esperado. Embora observemos um ligeiro aumento na inflação de serviços, a estabilização do IPC poderá indicar que o pico inflacionário já passou. Além disso, ao tratar-se de um indicador correspondente ao mês de maio, período no qual o preço do petróleo se manteve praticamente acima dos 100 $, é possível que a partir de junho comece uma tendência descendente da situação. De facto, durante junho, o preço do petróleo já se situa significativamente abaixo dos níveis observados em maio, o que deverá contribuir para uma moderação adicional das pressões inflacionistas nos próximos meses. Este cenário seria favorável para os mercados, já que reduziria a pressão sobre o Banco de Inglaterra para subir taxas de juros. Para a reunião de amanhã, o nosso cenário central contempla que as taxas de juros permanecerão em 3,75%.

EUA (ontem): (i) Os Preços de Produção aumentaram em maio +6,7% vs. +5,7% estimado e +4,2% anterior. Esta subida explica-se pelos preços energéticos, porque sem efeito, teriam subido +0,8% vs. +0,5% anterior. Em termos intermensais, implicou um avanço de +1,9% vs. +1,0% estimado e +2,0% anterior (revisto desde +1,9%). (ii) Os Preços de Exportação avançaram +11,2% vs. +10,2% estimado e +9,1% anterior (revisto desde +8,8%). (iii) As Habitações Iniciadas situaram-se em 1.177k vs. 1.430k estimado e 1.392K anterior (revisto desde 1.465K). Isso implicou, em termos intermensais, uma queda de -15,4% vs. -8,5% anterior. (iv) As Autorizações de Construção situaram-se em 1.413k vs. 1.418k estimado e 1.423k anterior. Em termos mensais, caíram -0,7% vs. -0,9% estimado e +4,4% anterior. OPINIÃO: Dados negativos. Por um lado, apreciou-se a queda em termos de atividade no setor imobiliário. De facto, foi o nível mais baixo em seis anos. A redução foi explicada pela queda de habitações multifamiliares. Por outro lado, em termos de preços, também dados débeis. Ocorreu um aumento forte, tanto dos Preços de Exportação como de Importação. Não obstante, deveu-se ao aumento dos preços energéticos, algo que deverá moderar-se nos próximos meses, num contexto de menor tensão geopolítica após a possível abertura do Estreito de Ormuz. 

ALEMANHA (ontem): O ZEW Expetativas melhorou até 10,5 vs. -5,5 estimado e -10,2 anterior. Contudo, o ZEW Situação Atual piorou até -81,0 vs. -78,0 estimado e -77,8 anterior. OPINIÃO: Dados positivos porque refletiram que os investidores e analistas melhoraram consideravelmente a sua perceção sobre a situação futura, em parte graças à reabertura do Estreito de Ormuz. Link para a nota (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

16/06/2026

Ontem: “Continua o otimismo nas bolsas, animadas pela geoestratégia e tecnologia.”

Nova sessão de subidas nas bolsas (Europa: +0,7% e EUA: +1,6%), onde o mercado desconta a assinatura de um acordo de paz esta sexta-feira, na Suíça, e Trump até menciona que alguns navios já estão a começar a atravessar o Estreito de Ormuz. A primeira reação foi a queda do preço do petróleo bruto (Brent -4,8% até 83,2 $/barril). Em relação à tecnologia, ontem continuaram as subidas de SpaceX (+19,6%), o que, de momento, está a servir de catalisador a todo o setor tecnológico. 

Na macro, o mais destacado do dia foram as Produções Industriais na Europa e nos EUA, onde em ambos os casos os números melhoraram claramente em relação ao mês anterior (Europa: +0,4% a/a vs. -2,8% ant. e EUA: +1,7% a/a vs. +1,4% ant.), o que também animou a evolução das bolsas.

Na renda fixa, a menor incerteza geopolítica refletiu-se num corte geral das yields das obrigações. A yield do Bund cortou -4,1 p.b. até 2,952% e nos EUA a yield do T-Note fechou em 4,473% (-0,5 p.b.). Em divisas, o dólar debilitou-se até ao nível de 1,16 €/$ (-0,2%).

 

Hoje: “O mercado poderá descansar um pouco após as fortes subidas de sexta e segunda-feira.” 

A sessão de hoje vem mercada pelas referências macro. Esta madrugada tivemos decisões de taxas de juros dos primeiros bancos centrais desta semana, e aconteceram sem surpresas. Em primeiro lugar, no Japão, o BoJ subiu taxas de juros em +25 p.b. (até +1,00%) e deixa a porta aberta a novas subidas no futuro. Na Austrália, o RBA repetiu taxas de juros em 4,35% num contexto de moderação da inflação. Além disso, hoje conheceremos o ZEW alemão, onde se espera alguma melhoria (-5,5 esp. vs. -10,2 ant.), após 3 meses consecutivos de cortes.

Hoje a sessão poderá ser de consolidação de níveis, após as fortes subidas acumuladas nos últimos dias (os futuros vêm com ligeiros cortes na Europa e nos EUA). O mercado está à espera que chegue o prato forte da semana, a reunião da Fed (a primeira de Warsh), amanhã (19 h). Além disso, estaremos pendentes dos detalhes do acordo EUA/Irão e da evolução do petróleo (hoje abre com queda de -0,5%) pelo seu efeito direto na inflação esperada e, portanto, nas decisões dos bancos centrais.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

AUSTRÁLIA (05:30 h): O Banco Central mantém taxas de juros em 4,35%, em linha com as estimativas. OPINIÃO: A decisão do banco central não surpreende depois de terem subido taxas de juros duas vezes seguidas, em fevereiro e março. Além disso, ocorre num contexto em que alguns indicadores económicos se debilitam, particularmente do Setor Imobiliário, enquanto a Taxa de Desemprego aumentou (4,5%). Por outro lado, a inflação está a moderar-se (+4,2% a/a em abril vs. +4,6% a/a em março).

JAPÃO (04:19 h): O Banco do Japão sobe taxas de juros em +25 p.b. até +1,0% e indicou que se avizinha uma maior normalização da sua política monetária. A decisão não foi unânime, com um membro dos oito da Assembleia de Governadores a votar contra a subida. Além disso, o Banco do Japão declarou que irá manter o seu programa de compra de obrigações a um ritmo mensal de 2 biliões de yenes a partir de 2027. OPINIÃO: A decisão de subir taxas de juros era esperada pelo mercado. Após esta subida, a primeira desde dezembro de 2025, as taxas de juros estão no nível mais alto desde 1995. Os motivos que levaram a esta subida são: (i) inflação subjacente sustentável. O IPC está em 1,5%, abaixo do objetivo de 2% do BoJ, mas isso é devido a subsídios governamentais para compensar a subida da energia e de certos alimentos. A Taxa Subjacente está em 1,90% e as expetativas de inflação a médio/longo prazo estão acima do objetivo do Banco do Japão (breakeven 10 anos em 2,13%); (ii) Fortes subidas salariais pelo terceiro ano consecutivo. O shunto (negociações salariais coletivas dos sindicatos que ocorrem na primavera) mostra subidas acima de +5% pelo terceiro ano consecutivo, o que permite reforçar o círculo virtuoso “salários-preços”; (iii) Yen débil. A depreciação do yen eleva os custos das importações. (iv) Política fiscal expansiva, o que torna os estímulos fiscais menos necessários. (v) Política monetária ainda muito acomodatícia. As taxas de juros reais continuam negativas, inclusive com as taxas de juros a 1,00%. Após esta subida e os comentários do Banco do Japão sobre uma maior normalização da sua política monetária, são prováveis novas subidas de taxas de juros no ano. O yen reagiu à subida de taxas de juros com uma ligeira depreciação USDJPY 160,29 +0,03%. O Banco do Japão tem ampla margem para normalizar sem endurecer excessivamente. O mercado fica à espera da conferência de imprensa para ter mais pistas sobre o ritmo desta normalização. A preocupação que as subidas de taxas de juros sejam insuficientes e tardias exerce pressão sobre o yen. A 28 de abril e 27 de maio, com um nível de USDJPY perto de 160, o governo e o BOJ intervieram com compras de yens para evitar uma maior depreciação. 

CHINA (02:30 h): Conjunto de dados de maio com to débil em Habitação, Consumo e Investimento. (i) Vendas de Habitações Novas (m/m): -0,20% vs. -0,19% estimado. Vendas de Habitações Usadas (m/m) -0,26% vs. -0,23% estimado. (ii) Vendas a Retalho (a/a) -0,6% vs. -0,2% estimado e +0,2% anterior. (iii) Produção Industrial (a/a) +4,5% vs. +4,4% estimado e +4,1% anterior. (iv) Taxa de Desemprego (a/a) 5,1% vs. 5,2% estimado e anterior. (v) Investimento Imobiliário (a/a) -16,2% vs. -14,0% estimado e -13,7% anterior. (vi) Investimento em Ativos Fixos (a/a) -4,1% vs. -2,3% estimado e -1,6% anterior. OPINIÃO: Dados débeis na China. A despesa dos consumidores e o investimento reduzem-se e situam-se em níveis não vistos desde a pandemia. Também o setor imobiliário mantém a tendência de perda de inércia. Pelo lado positivo, destaca a recuperação da Produção Industrial, que se vê impulsionada pelo auge da tecnologia, por um aumento das exportações e redução da Taxa de Desemprego. Em conjunto, tom negativo que provocou uma queda da bolsa chinesa e uma depreciação do yuan. 

UE (ontem): A Produção Industrial aumenta em abril pela primeira vez em 2026 em termos interanuais: +0,3% a/a vs. +0,4% esperado vs. -2,8% anterior (revisto desde -2,1%). No mês, +0,1% vs. +0,2% esperado vs. +0,4% anterior (revisto desde +0,2%). A maior parte da melhoria explica-se pelo investimento em Bens de Capital. OPINIÃO: Apesar da melhoria, continuam a ser resultados débeis que deixam prever a dificuldade para ganhar tração da economia europeia.

EUA (ontem): A Produção Industrial aumenta +0,1% m/m em maio vs. +0,2% esperado vs. +0,9% anterior (revisto desde +0,7%). -Em termos interanuais: +1,7% vs. +1,4% ant. A Capacidade de Utilização aumenta marginalmente como esperado até 76,2% vs. 76,1% ant. Link para a nota (em espanhol). OPINIÃO: Números positivos que refletem mais uma vez a força da economia americana, apesar da pressão de preços derivada do choque energético. O investimento em tecnologia/IA continua como o principal motor de crescimento. Com o princípio do acordo EUA/Irão e um preço do petróleo em níveis notavelmente inferiores aos meses anteriores (Brent 83 $ vs. média de 100 $ durante o conflito), é provável um aumento da procura que impulsione a produção de Bens de Consumo e melhore as próximas leituras.

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

12/06/2026

Ontem: “Bolsas em alta, apesar da subida de taxas de juros do BCE. Vaivéns na geoestratégia.”

Sessão de bolsas em alta e yield das obrigações em baixa, apesar do BCE cumprir expetativas de consenso de mercado e ter elevado as taxas de juros em +25 p.b. (Depósito 2,25%, Crédito 2,40% e Marginal 2,65%). Foi um movimento no qual priorizou o seu mandato de alcançar o objetivo de inflação (2%), apesar de não ver “ainda efeitos de segunda ronda”. Reviu em baixa o crescimento (+0,8% a/a e +1,2% a/a 2027) e a inflação em alta (+3% a/a 2026, +2,3% a/a 2027) no cenário base (e também os cenários adverso e severo), mas criou um novo cenário “mais suave”. Do nosso ponto de vista, a mensagem e a subida são um ajuste, mas não uma mudança de tendência. 

Na frente geoestratégica, ocorreu uma escalada da tensão inicial no Médio Oriente perante o anúncio de Trump da retomada dos ataques contra o Irão (chegou a referir tomar a ilha de Kharg, o que teria significado um agravamento do conflito); para, posteriormente, com os mercados europeus já fechados, elevar as expetativas de um acordo.

O Banco Mundial reduziu as suas estimativas de crescimento de PIB em 1 décima até +2,5% a/a. 

Em suma, o mercado mantém tom positivo.

 

Hoje: “Proximidade de acordo no Irão? Chega o dia de SpaceX. Volatilidade em alta.” 

Dois focos relevantes: o geoestratégico e a estreia na bolsa de SpaceX, a maior da história. O início da avaliação de SpaceX será ao longo da tarde para os mercados europeus, com uma avaliação do total da empresa (a 135 $/ação) de cerca de 1,7Bn$, do qual se coloca cerca de 5%. Provavelmente irá introduzir volatilidade e quiçá rotação de ativos. O mercado irá querer ver se os fundamentos justificam a avaliação. Será fundamental na sessão americana e provavelmente também nas próximas semanas.

Pelo lado geoestratégico, após as ameaças ao Irão, Trump anunciou a proximidade de um acordo. Os futuros do Brent e do W. Texas avaliam abaixo de 90 $/bbl. Na frente macro, apenas se destaca a Confiança da Univ. de Michigan, onde se espera uma ligeira melhoria (até 46) e as expetativas de inflação a 5-10 anos (+3,8%; -0,1pp). 

No conjunto, o mercado irá manter o tom positivo perante o fluxo de notícias na frente geoestratégica. SpaceX pode acrescentar volatilidade nas próximas sessões.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): IPC (final) de maio confirma o dado preliminar: +3,2% (vs. 3,2% anterior). - A Taxa Subjacente sobe 1 décima face ao número preliminar: +3,0% a/a vs. +2,9% preliminar (vs. +2,8% em abril).

ALEMANHA (07:00 h): O dado de inflação final do mês de maio confirma o número preliminar. - IPC +2,6% (a/a) vs. +2,6% esperado e +2,9% anterior. Em termos intermensais, -0,2% vs. -0,2% esperado e +0,6% anterior. OPINIÃO: Confirmam-se, portanto, as boas notícias de uma moderação no crescimento de preços na Alemanha face ao mês anterior. Apesar do impacto dos preços da energia, de momento, não estão a ocorrer efeitos relevantes de segunda ronda nem pressões salariais. Acreditamos que ainda poderemos ter algum mês de tensionamento de preços, embora à medida que os preços do petróleo bruto se moderem poderemos ver uma progressiva melhoria no IPC para o final do ano.

UE/BCE (ontem): O BCE cumpre as expetativas do mercado e sobe +25 p.b. nas taxas de juros de referência até: Depósito 2,25%, Crédito 2,40% e Marginal 2,65%. – Parece um movimento preventivo que continua a manter fixas as perspetivas de inflação a longo prazo e reforçar o compromisso do BCE em alcançar o objetivo de inflação (2%). OPINIÃO: O BCE sobe as taxas de juros de forma preventiva no que parece um ajuste fino da política monetária (não uma mudança de tendência) para contrastar o impacto da geopolítica e os preços da energia sobre a inflação. O mercado das obrigações antecipa mais uma ou duas subidas de taxas de juros para este ano (provavelmente em setembro e dezembro), mas parece-nos muito cedo para antecipar uma mudança de ciclo nas taxas de juros e o nosso raciocínio é o seguinte: (1) as previsões de crescimento foram revistas ligeiramente em baixa (não há uma mudança drástica) com um mercado laboral estável e um balanço sólido dos agentes económicos (famílias e empresas). Neste contexto, o BCE parece-nos especialmente preocupado com o crescimento e preferiu subir taxas de juros desta vez para prevenir atempadamente possíveis efeitos de segunda ronda. (2) Até agora, o BCE geria 2 cenários derivados da guerra no Irão (mau e muito mau), mas as revisões atualizadas em junho incluem um terceiro cenário denominado “não tão mau” e (3) o preço do petróleo Brent avalia abaixo do nível psicológico de 100 $/barril (estável vs. maio vs. 120 $ em abril) e convida a pensar que o IPC poderá começar a melhorar antes do previsto pelo BCE. Link para o relatório completo (em espanhol).

GLOBAL (ontem): O Banco Mundial revê ligeiramente em baixa as suas perspetivas de crescimento global até +2,5% em 2026 (vs. 2,6% estimado em janeiro vs. + 2,9% en 2025) devido ao choque energético pelo conflito no Médio Oriente. A revisão é geral, já que afeta 2/3 das económicas, especialmente no Médio Oriente (-2,7 pontos até +1,6%) e os emergentes, onde revê o crescimento 4 décimas em baixa (vs. 1 décima nas economias avançadas). Link para as projeções (em espanhol). OPINIÃO: A revisão reflete um contexto de menor crescimento e maior inflação, com riscos ligados ao conflito geopolítico que não representam uma surpresa significativa. 

PETRÓLEO (ontem): A OPEP reduz a sua estimativa de aumento de procura global até +970.000bd (0,9% mundial) desde 1,17Mbd. Em 2027, estima um aumento de +1,73Mbd. OPINIÃO: Apesar das estimativas de procura piorarem, a OPEP continua a ser mais positiva do que o resto dos grandes organismos de energia. Tanto a Agência Internacional da Energia como a EIA (US Energy Administration) estimam uma queda da procura para este ano. Na nossa opinião, o preço do petróleo irá moderando-se, embora permaneça elevado de uma perspetiva histórica, num contexto de menor procura, mas principalmente de menor oferta. Como referência, a produção dos países da OPEP reduziu-se desde o início da guerra cerca de -9Mbd (aprox. 9,0% da oferta global). Link para o relatório da OPEP (em inglês).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

11/06/2026

Ontem: “Risk-off: a inflação americana cumpre o esperado, mas subida de tensão geopolítica.”

Novos ataques dos EUA ao Irão colocam o mercado em modo risk-off: bolsas em baixa e aumento das yields das obrigações. O petróleo bruto aumenta ligeiramente (Brent +1,8% até 94 $), embora se mantenha amplamente <100 $/barril. A inflação americana cumpre o esperado. O IPC de maio aumenta até +4,2% desde +3,8%, pressionado pelos preços da energia, mas a Taxa Subjacente, que os exclui e os preços de Alimentação, mais voláteis, ascende a +2,9% desde +2,8% do mês anterior e +2,5% antes do início da guerra no Irão. Mostra que, além do aumento do preço da gasolina (+40,5% a/a em maio), as pressões em preços adicionais pelo conflito são mais benignas e permitem à Fed manter-se à espera. O preço da gasolina vai-se moderando em junho (-7% vs. preço médio de maio), portanto, o dado de maio poderá ter marcado o máximo do ano. A yield do T-Note aumenta +2 p.b. até 4,54% e um pouco mais na Europa (Bund +3 p.b. até 3,07%). Em suma, sessão de risk-off que desvaloriza um IPC nos EUA que acrescenta alguma calma, frustrada pela geopolítica. Nenhum drama: após todas as semanas altas em abril e maio (9!), uma pausa em junho é razoável e até prudente.

 

Hoje: “O BCE poderá subir taxas de juros de forma preventiva, mas sem iniciar um ciclo de endurecimento monetário.” 

Na frente convencional, o protagonista da sessão é o BCE (13:15 h). Dá-se por garantida uma subida de +25 p.b. até 2,25%/2,40% para reforçar a sua credibilidade e prevenir efeitos de segunda ronda. Também atualizará o seu quadro macro e os seus cenários perante a crise atual. Menos crescimento e mais inflação, que servirá de justificação para subir taxas de juros. Continuamos a defender que são ajustes, mas no início de um ciclo de endurecimento monetário. O crescimento económico debilita-se (PIB 1T26 -0,2% t/t…, exacerbado pelos números na Irlanda, mas diminui o ponto de partida para o 2T e sucessivos; PM Composto <50 desde abril) e as pressões salariais até se moderam (salários negociados +2,5% a/a no 1T26 vs. +2,9% no 4T25). Com a subida descontada, o mais relevante para o mercado será o tom de Lagarde. Mantendo a “abordagem dependente dos dados” e “a cada reunião”, acreditamos que evitará mensagens explícitas, mantendo todas as opções abertas e quiçá um tom duro para reforçar a credibilidade do papel vigilante do banco central. Nos EUA, os Preços Industriais (13:30 h) continuarão a aumentar até +6,4% em maio (subjacente +5,4% desde +5,2%). Após um IPC subjacente ontem que refletia que, além do aumento da gasolina, o aumento dos preços da energia não se está a transferir para a economia mediante efeitos de segunda ronda, não deverá ter grande impacto.

Hoje poderemos ver alguma estabilização no mercado se a tensão no Irão não escalar e o petróleo bruto se mantiver afastado da quota dos 100 $. Ásia foi recuperando ao longo da sessão e os futuros são em alta nos EUA. Na Europa, poderemos ver uma sessão de menos a mais, se Lagarde acrescentar um pouco de calma.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (00:01 h): O Índice de preços da habitação elaborado pelo RIC mantém-se estável em maio ao situa-se em -35,0 pontos vs. -31,0 esperado vs. 35,0 ant. (revisto desde -34).- OPINIÃO: Continua a debilidade do mercado imobiliário residencial, embora o ritmo de queda tenda a estabilizar-se. A procura na compra de habitação (-34%) e o ritmo de vendas (-37%) continuam em contração, os preços continuam sob pressão (-35%) e os prazos de fecho de operações alcançam máximos históricos (21,5 semanas). Em suma, as expetativas a curto prazo são negativas, num contexto de escasso crescimento económico e taxas de juros em alta. 

EUA (ontem): O IPC americano aumentou em linha com o esperado em maio: +4,2% vs. +4,2% est. e +3,8% ant. - Taxa Subjacente +2,9% vs. +2,9% est. e +2,8% ant. Em termos intermensais: +0,5% vs. +0,5% vs. +0,6%; Subjacente +0,2% vs. +0,3% vs. +0,4%. Por componentes: Energia aumenta +23,5% a/a e Alimentos +3,1% devido aos fertilizantes. O preço da gasolina subiu +40,5%, embora para o mês de junho já tenha começado a desacelerar. OPINIÃO: O facto da subjacente se manter abaixo de +3% indica-nos que o aumento dos preços da energia, de momento, não está a ser transferido para a economia mediante efeitos de segunda ronda. Duas das componentes que mais pressionavam a inflação, gasolina e fertilizantes já começaram a moderar-se. O preço médio da gasolina em junho situa-se -7% abaixo do preço médio de maio, e o preço dos fertilizantes está a cair ao ter terminado a temporada de plantação nos EUA (março-maio) e a procura cair drasticamente. Isto indica-nos que já poderemos ter visto o pico da inflação e a partir de agora começaríamos a ver uma desaceleração progressiva. Continuamos a pensar que a Fed não irá realizar nenhuma subida de taxas de juros este ano e que o seu próximo movimento, em todo o caso, será uma descida.

CANADÁ (ontem): O Banco de Canadá manteve taxas de juros em +2,25%, em linha com o esperado. - OPINIÃO: Decisão lógica, tendo em conta que a inflação aumentou menos do que o esperado em abril (+2,8% vs. +3,1% est.); o mercado laboral continua a mostrar debilidade, com o desempenho em +6,6%, e que o Canadá entrou em recessão técnica, com 3 dos últimos 4 trimestres em decrescimento económico. Tudo isso, junto com a incerteza derivada das negociações comerciais com os EUA, faz-nos considerar pouco provável uma subida de taxas de juros este ano, devido aos riscos de crescimento serem maiores do que os riscos inflacionários. 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

09/06/2026

Ontem: “Sessão de menos a mais, impulsionada por tecnologia.”

O dia arrancou com dúvidas perante os renovados ataques entre Israel e Irão, mas o tom melhorou com as notícias sobre um cessar-fogo mais ou menos iminente. O petróleo moderou os seus avanços (Brent +1,2% até 94,3 $) e as bolsas reajustaram o rumo (EUA +0,3% e Europa plana). Destacou-se especialmente a tecnologia (+1,4%) com os semis a recuperarem parte do terreno perdido na sexta-feira (+5,6% vs. -10,3% na sexta-feira).

A macro ficou para segundo plano, mas foi positiva. Na UE, destaque para a Confiança do Investidor Sentix, que confirmou a sua tendência de ligeira melhoria dos últimos meses (-13,4 vs. -14,0 estimado e -16,4% anterior). Nos EUA, as Expetativas de Inflação a 1 ano da Fed de Nova Iorque longe de acelerar moderaram-se (+3,46% desde +3,64% e vs. +3,72% estimado).

Em suma, as bolsas começaram mal, mas recuperaram quase de imediato. A realização de lucros de sexta-feira fica reduzida praticamente a uma anedota, apesar de limpar sobreavaliações e ajustar expetativas após os avanços acumulados no ano não teria sido uma má notícia. Pelo contrário.

 

Hoje: “Lateralidade perante uma semana intensa.” 

Arrancamos a sessão com Ásia a subir impulsionada pela tecnologia. Coreia avança +7,8% após cair -8,3% ontem. OpenAI anuncia a sua saída à bolsa, que será no outono, com uma avaliação que poderá alcançar 1Bn$. Seguirá os passos de Anthropic e SpaceX (1,8Bn$), que começará a avaliar esta sexta-feira na maior saída à bolsa da história. Se a geoestratégia não o impedir, esta será a notícia mais interessante da sessão. Não temos macro relevante, a temporada de resultados terminou e os membros do BCE e da Fed têm as comunicações restringidas antes das suas reuniões (11 e 17 de junho). O lógico é esperar uma sessão lateral perante uma semana que será intensa. Quiçá com melhor saldo nos EUA, graças à tecnologia, do que na Europa. Amanhã será publicado o IPC dos EUA. Poderá aumentar até +4,2% est. desde +3,8%, mas com a subjacente +2,9% desde +2,8%. Na quinta-feira, o BCE será o protagonista. O mercado dá por garantida uma subida de +25 p.b. até 2,25%/2,40%. Parece esquecer, entre outras coisas, a revisão para pior do PIB do 1T 2026 (+0,3% vs. +0,8% prel. e +1,2% no 4T 2025). Há já algum tempo que somos mais céticos. E na sexta-feira temos a estreia de SpaceX na bolsa. 

A correção que parecia que arrancava na sexta-feira passada não passou de uma ilusão, pelo menos de momento. Não teria sido um mau cenário, mas o mais prudente. Corrigir excessos e fixar múltiplos menos exigentes seria um bom ponto de partida para enfrentar a segunda parte do exercício.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Produção Industrial cai menos do que o esperado em abril. Em termos intermensais, em linha com o esperado. -0,5% a/a vs. -1,1% esp. vs. -2,8% ant. (revisto desde -3,4%). - Em termos intermensais: +0,4% em linha com o estimado vs. -0,7% (revisto desde -0,1%). OPINIÃO: Dado positivo. Em termos interanuais, cai menos do que o estimado, e em termos intermensais, o indicador acelera em linha com o estimado. Caem grande parte dos componentes à exceção da energia (+9%), que se vê impulsionada pelo aumento de preços, a secção de construção e os bens intermédios. Números positivos para a Alemanha, num contexto complexo pelo impacto da guerra no Médio Oriente.

CHINA (04:00 h): A Balança Comercial aumenta o superavit comercial em maio. – Balança Comercial: 105.430 M$ vs. 92.300 M$ esp. vs. 84.820 M$ ant.; Exportações: +19,4% a/a vs. +15,0% esp. +14,1% ant.; Importações +27,4% a/a vs. +26,0% esp. vs. +25,3% ant. OPINIÃO: Dado positivo. A Balança Comercial viu-se favorecida por um aumento nas exportações, impulsionadas pela sólida procura de chips, automóveis e outros produtos tecnológicos. O aumento das importações pode estar a refletir uma ligeira recuperação da procura interna apesar da subida dos preços energéticos. As exportações para a Europa aumentaram +7,4% a/a, enquanto as destinadas aos EUA +35,4%, e as dirigidas ao sudeste asiático +24,3%. Além disso, as compras procedentes da Coreia do Sul dissiparam-se +83%.

EUA (ontem): As Expetativas de Inflação a 1 ano da Fed de Nova Iorque moderaram-se em maio. Caíam até +3,46% vs. +3,72% estimado e +3,64% anterior. OPINIÃO: Dado positivo que revertia a tendência dos últimos meses. De acordo com o inquérito, os consumidores preveem uma desaceleração na subida dos preços da gasolina, atenção médica e estudos universitários que compensem o aumento esperado para rendas e alimentos.

UE (ontem): A Confiança do Investidor Sentix melhorou em junho, mas em linha com o estimado. Nomeadamente, ficou em -13,4 vs. -14,0 estimado e -16,4 anterior. OPINIÃO: Dado sem impacto no mercado. O indicador continuar a assentar em terreno negativo desde março, quando começou o conflito no Médio Oriente. Contudo, nos últimos meses segue uma tendência de ligeira recuperação (-3,1 março, -19,2 abril, -16,4 maio e -13,4 junho). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise