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Informação Diária de Mercados

21.08.2026

Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal

Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.

 

21/08/2026

Ontem: “A subida do petróleo pesa sobre as bolsas e as obrigações.

Sessão de quedas moderadas nas bolsas. O barril de Brent valorizou +2,4%, para 93,8$, penalizando os índices (Europa -0,4% e EUA -0,9%). Também pressionou o mercado obrigacionista norte-americano, anulando grande parte do rally registado na quarta-feira, impulsionado pelo aumento das recompras de obrigações de longo prazo por parte do Tesouro.

Bessent voltou a pronunciar-se, afirmando que as recompras poderão mesmo ultrapassar os 4.000M$ anunciados, argumentando que “as yields não refletem adequadamente os fundamentais”. Ainda assim, o 10 anos encerrou nos 4,70% (+5 pb), acima do nível registado antes do anúncio.

No plano empresarial, a Walmart (-9,2%), proxy do consumo americano e o maior empregador privado dos Estados Unidos, publicou números abaixo do consenso. As vendas comparáveis cresceram +2,6% a/a vs 3,7% esperados, o crescimento mais fraco dos últimos 6 anos.

A frente macro passou para segundo plano: (i) Philly Fed: 47,4 vs. 41,4 esperado, refletindo robustez da atividade e moderação dos preços; (ii) Indicador Antecedente +0,2% vs. -0,1%; (iii) Riksbank manteve as taxas em 1,75%.

Hoje: “Prudência nas bolsas. Sem novidades no Médio Oriente.” 

Manhã sem novidades no plano geopolítico. O barril de Brent recua milimetricamente -0,3% para 93,5$, acumulando +5,5% na semana. Estes níveis justificam uma postura prudente por parte dos mercados e deverão manter a aversão ao risco enquanto não surgirem novos catalisadores.

Para além de eventuais desenvolvimentos no Médio Oriente, a atenção centra-se na série de PMI divulgados em todo o mundo. Nas primeiras horas, os PMI industriais do Japão  (55,1 vs 54,5 anterior) e da Índia (52,9 vs 53,5 anterior) evidenciaram um padrão semelhante: indicadores a manterem-se em zona de expansão, sustentados pela robustez da atividade e a moderação dos preços pagos. Deverá ser também a tendência observada nas restantes economias. Foi ainda divulgado o IPC de julho no Japão: +1,9% a/a vs +1,9% esperado vs +1,6% ant. O preço do petróleo e a fraqueza do iene afetam a inflação, aumentando a probabilidade de nova subida das taxas de juro por parte do BoJ. Atribuímos elevada probabilidade a uma subida de 25 p.b. em setembro.

Na ausência de outros acontecimentos relevantes, o mercado começa a focar-se na próxima semana. A atenção estará em duas referências: (i) A Nvidia divulga resultados do 2T27 na quarta-feira após o fecho de NY e (ii) realiza-se o simpósio de banqueiros centrais de Jackson Hole, entre 5.ª feira e sábado.

Sem novidades no Médio Oriente e com o foco já na próxima semana, hoje há poucos incentivos para grandes movimentos. O cenário mais provável seria uma sessão lateral, mantendo-se o tom de prudência nas bolsas.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00h30): (i) Novo aumento da inflação reforça os argumentos a favor de novas subidas das taxas de juro pelo BoJ. O IPC de julho situou-se em +1,9%, em linha com as estimativas do consenso, vs +1,6% ant. A Taxa Subjacente situou-se em 1,9% vs 1,7% anterior. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelo encarecimento da energia, após o fim das medidas de apoio fiscal aos combustíveis, e pela subida dos preços dos alimentos processados. Adicionalmente, a depreciação do iene continuou a refletir-se nos custos de produção e nos preços finais. OPINIÃO: A aceleração da inflação, conjugada com a persistente fraqueza do iene e a evolução favorável dos salários, deverão acelerar o ritmo de subida das taxas de juro no Japão. A inflação tem apresentado uma trajetória claramente ascendente nos últimos meses (1,3% em fevereiro vs 1,9% em julho), sendo provável que a força dos preços da energia e a fragilidade da moeda continuem a pressionar o IPC. A este contexto junta-se o resultado das negociações salariais do shunto, que registaram aumentos superiores a 5% pelo terceiro ano consecutivo, consolidando o círculo virtuoso entre salários e preços. O BoJ preferiria uma subida mais lenta das taxas de juro, ganhando tempo através de intervenções no mercado cambial caso o iene continuasse a enfraquecer. Contudo, a eficácia limitada dessas intervenções, mesmo com o apoio de intervenções dos EUA, e as pressões inflacionistas mais altas do que o esperado deverão levar o BoJ a acelerar subidas das taxas. A próxima poderá ocorrer já em setembro (+25 p.b. para 1,25%), em vez de dezembro, como inicialmente previsto; (ii) O PMI Composto de agosto subiu para 53,4, vs 52,7 ant. O PMI Industrial situa-se em 55,1 vs 54,5 ant. e o PMI dos Serviços melhora para 52,3 vs 51,2 ant. OPINIÃO: Boa evolução dos PMI em agosto. A economia japonesa mantém um ritmo sólido de crescimento no início do terceiro trimestre. O setor industrial continua a liderar a expansão graças ao dinamismo da procura externa, enquanto os serviços ganham tração. Um crescimento do PIB próximo de +1,0% não deverá constituir um obstáculo para a continuação do processo de subida das taxas de juro pelo BoJ.

EUA (ontem): (i) O Índice Industrial da Fed de Filadélfia (Philly Fed) aumenta acima do esperado em agosto: +47,4 vs +25 esperado vs 41,4 anterior. -Por componentes: Novas encomendas e Entregas mantêm-se em níveis elevados e o Emprego melhora. Os Preços Pagos moderam, embora continuem em níveis altos relativamente à média histórica. (ii) O Indicador Antecedente melhora em julho: +0,2 m/m vs -0,1% anterior. OPINIÃO: Números positivos. A atividade industrial mantém-se elevada e os preços moderam. Este indicador juntamente com o Empire Manufacturing de segunda-feira antecipam um bom dado de PMI Industrial.

SUÉCIA (ontem): O Riksbank mantém as taxas de juro 1,75% em linha com o esperado. -OPINIÃO: sem impacte no mercado dado que era o esperado. Embora, com uma inflação acima do esperado em julho (+0,6% vs +0,2% esperado) e um sólido crescimento no 2T26 (+2,8%), o banco central tenha continuado a deixar a porta aberta a uma subida das taxas de juro. Se o choque de oferta de petróleo continuar e a inflação aumentar, o natural é que façam um ajustamento de +25 p.b. no fim do ano.

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20/08/2026

Ontem: “O Governo norte-americano anuncia um aumento da recompra de obrigações a LP e alivia tensão das taxas longas.”

Protagonismo para as obrigações, após o Tesouro americano anunciar que irá duplicar (até 4.000M$) as recompras de obrigações de longo prazo (10-30 anos), a fim de moderar a pressão recente sobre as TIR, que levou a obrigação a 30A a máximos desde 2007. A rendibilidade recua -9,2pb para 5,19% (vs um máximo de 5,31% no dia 17) e a 10A -5,7 pb para 4,65%. Contagiam as obrigações europeias, aqui com quedas muito mais moderadas, perante um petróleo que continua pressionado (Brent +0,7% para 91,6$). O $ desvaloriza 0,9% para 1,168€/$. Os índices americanos encerram em positivo, apesar da queda dos semicondutores (-2,1%), a Europa com descidas moderadas (-0,4%). Sem novidades no plano geoestratégico, as notícias empresariais continuam favoráveis. Um conjunto de empresas americanas de consumo apresenta resultados com saldo positivo: Estée Lauder (+16,3%), Target (+4,3%) e Lowe’s (+2,0%). A Estée Lauder impulsiona o Luxo, que lidera os ganhos na Europa. Já no fim da sessão, as Atas da Fed revelam crescente preocupação com um contexto de inflação “muito incerto”. Vários membros apoiam uma subida das taxas de juro caso a inflação não modere. Porém, desde a reunião (28-29 junho), alguns indicadores mostram sinais de enfraquecimento, enquanto o emprego e a IPC abrandaram em julho, reduzindo a pressão para alterar as taxas de juro.

Hoje: “Sessão calma com tom prudente. Resultados da Walmart (12h) como proxy do consumo americano.” 

De manhã, ficámos a saber praticamente toda a macro relevante do dia. As taxas de juro na China mantêm-se inalteradas, como esperado (3,0% a 1 ano e 3,5% a 5 anos), apesar de os dados mais recentes apontarem para um enfraquecimento generalizado da economia. Os Preços Industriais na Alemanha aceleraram em julho mais do que o esperado, para +3,0% face a +1,8%, impulsionados pelo aumento dos preços da energia (Brent +23,6% no mês) e o fim dos subsídios aos combustíveis. O Bund reagiu pouco (3,26%). Mais tarde, o Philly Fed (13h30) deverá evidenciar uma deterioração significativa após o valor excecionalmente elevado em julho, refletindo a incerteza e o aumento dos preços da energia decorrentes da guerra no Irão. Ainda assim, continuará a apontar para níveis 3x acima da média dos últimos 2 anos, sustentado pela forte procura de equipamentos, em particular nos setores aeroespacial e defesa. Um dos principais focos de atenção será a componente de Preços Pagos, um indicador relevante das pressões inflacionistas. Maior atenção deverá merecer a divulgação dos resultados da Walmart (12h00), principal empregador privado americano e proxy do consumo do país, particularmente após o fraco resultado das Vendas a Retalho em julho, divulgado na passada sexta-feira (-0,6% m/m). Os resultados apresentados ontem pelos concorrentes constituem um precedente encorajador. Neste contexto, o mercado poderá manter uma ligeira tendência positiva, embora com um tom prudente, acompanhando de perto tanto a evolução da situação no Irão, onde Trump continua a intensificar as sanções económicas, como os segmentos longos das taxas de juro.

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07h00): Preços de Produção Industrial de julho acima do esperado: +3,0% a/a vs +2,7% esperado vs +1,8% anterior. OPINIÃO: São números desfavoráveis, mas sem impacto nos mercados, uma vez que o IPC de julho já era conhecido (+2,8% vs +2,3% ant.). O aumento deve-se ao fim dos subsídios aos combustíveis em junho. Aliás, o preço médio do Brent foi de 83,5€ em julho, vs 84,7€ em junho.

CHINA (02h00): Mantém as taxas de juro a 1 e 5 anos em 3,00% e 3,50% respetivamente. OPINIÃO: Era o cenário esperado. Uma redução das taxas de juro para estimular a fraca procura interna teria um impacto negativo no setor bancário, que já opera com margens reduzidas. Em contrapartida, a China por políticas fiscais expansionistas.

JAPÃO (00h50): Défice Comercial em julho inferior ao esperado: -634.000M¥ vs -680.000M¥ esperado vs -406.900M¥. -Exportações +23,2% a/a vs +19,9% esperado e +19,3% anterior, impulsionadas pelas vendas de semicondutores, equipamentos para centros de dados e veículos. -Importações +27,8%, vs +26,5% esperado e +25,4% anterior, devido sobretudo ao preço do petróleo. OPINIÃO: A leitura subjacente é positiva. O défice resulta principalmente da escalada dos preços do petróleo. Enquanto o volume das importações de petróleo cresceu +5,5% a/a, o respetivo valor aumentou +87,8%. As exportações continuam a acelerar, beneficiando das fortes necessidades de investimento em IA e da fraqueza da moeda. O dinamismo do Setor Externo deverá compensar parcialmente a fragilidade da Procura Interna e do Investimento.

EUA (ontem): As Atas da Fed confirmam um tom mais hawkish. - Embora a maioria dos membros tenha apoiado a manutenção das taxas de juro inalteradas na reunião de julho, vários defenderam uma subida imediata e muitos consideram que serão necessários novos aumentos caso a inflação não continue a convergir para o objetivo de 2%. Relativamente ao mercado de trabalho, este foi descrito como estável, com a procura e a oferta de mão de obra em equilíbrio. As atas revelaram também que Warsh sugeriu reduzir o número de reuniões anuais de política monetária do comité, passando de oito para seis. OPINIÃO: Os riscos inflacionistas continuam a ser relevantes e os fatores estruturais, como o ciclo de investimento em IA, poderão dificultar o regresso ao objetivo de 2%. Consequentemente, a mensagem para os mercados é que as taxas de juro poderão permanecer em níveis elevados durante mais tempo, reduzindo a probabilidade de cortes no curto prazo e aumentando a possibilidade de uma nova subida caso os próximos dados de inflação fiquem aquém do esperado em termos de desaceleração.

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19/08/2026

Ontem: “Pressão nas obrigações e quedas na tecnologia.” 

O petróleo consolida-se acima dos 90$/barril. Trump adota uma posição mais firme face ao Irão, enquanto prossegue o braço de ferro em torno de Ormuz. Exclui reativar o acordo de cessar-fogo, reitera que não existem negociações em curso com o Irão e declara Ormuz território americano. O petróleo avança +0,2% na sessão, consolidando uma valorização de +9% nos últimos 10 dias. 

Mantém-se a pressão nas obrigações de longo prazo, com rendibilidades inéditas há várias décadas. Os investidores exigem prémios mais altos com receio de uma combinação de inflação estruturalmente mais alta, défices públicos crescentes e a forte procura de capital para financiar investimentos ligados à IA. TIR do Bund sobe +4 pb (3,26%), com alargamento dos spreads em periféricos. Obrigação alemã 30A (3,77%) em máximos de 15 anos. 30A americana (5,28%) perto dos níveis mais altos dos últimos 25 anos. 

Hoje: “Cautela perante a tensão geopolítica e a pressão sobre as obrigações.” 

O foco continua em duas frentes: os desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente e a evolução das obrigações de longo prazo. No plano geopolítico, os investidores estão atentos a qualquer alteração das posições dos EUA e do Irão relativamente ao controlo de Ormuz. Com as posições claramente distantes, o petróleo mantém-se acima dos 90$/ barril. As obrigações continuam sob escrutínio. A subida das rendibilidades reduz a atratividade dos ativos de risco. 

No plano macro, a atenção está nas Atas da Fed. Dado que Kevin Warsh adotou um estilo de comunicação mais reservado, as Atas assumem importância acrescida. Na reunião de 29 de julho, as taxas mantiveram-se em 3,50%/3,75%, e o interesse estará em dois pontos. Em primeiro lugar, avaliar o grau de divisão interna no FOMC. Três dos doze membros com direito de voto apoiaram uma subida das taxas, mas as Atas permitirão perceber quantos participantes adicionais já se encontravam próximos dessa posição. Também permitirão identificar as condições que poderão levar a Fed a proceder a um ajustamento das taxas de juro nas próximas reuniões. 

No plano micro, a época aproxima-se do fim. Hoje é a vez da Target, proporcionando uma oportunidade para avaliar a solidez do consumidor norte-americano. 

Quanto aos mercados, sem indicadores macro relevantes e com a época de resultados praticamente concluída, destacam-se a geopolítica e as obrigações. Sem sinais de progresso rumo a uma resolução do conflito no Irão, com as rendibilidades das obrigações a manterem-se elevadas e sem o catalisador dos resultados empresariais, é provável que os mercados continuem hoje num ambiente de aversão ao risco e prudência. 

CONTEXTO ECONÓMICO. – 

R. UNIDO (07h00): (i) IPC (julho): +2,9% vs +2,9% esperado vs +2,6% anterior. Taxa Subjacente: +2,6% vs +2,5% esperado vs +2,6% anterior. (ii) Preços Industriais (julho): +3,1% vs +3,2% esperado vs +3,5% anterior. OPINIÃO: O aumento resulta principalmente da subida de 13% no teto dos preços da energia, que entrou em vigor a 1 de julho. Os serviços desaceleraram (+3,4% vs +3,6%), mas permanecem em níveis elevados. A Taxa Subjacente mantém-se nos níveis do mês anterior, abaixo dos níveis registados antes do conflito (2,6% vs 3,2% em fevereiro). Os Preços Industriais continuam a crescer a um ritmo superior ao dos preços no consumidor, impulsionados pelos custos da energia, pressionando as margens das empresas. O combate à inflação mantém-se uma das prioridades do Governo, e o novo Primeiro-Ministro, A. Burnham, anunciou a eliminação do IVA nas faturas de eletricidade das famílias a partir de outubro, o que deverá reduzir o IPC em cerca de 0,1 ponto percentual. Estes dados não deverão alterar as perspetivas do Banco de Inglaterra, que esperamos que mantenha as taxas de juro inalteradas até ao fim do ano, procurando equilibrar as pressões inflacionistas com um crescimento económico ainda frágil. 

EUA (ontem): A Produção Industrial aumentou em linha com o esperado em julho, enquanto a Utilização da Capacidade Produtiva permaneceu estável. A Produção Industrial aumenta 0,2% m/m em julho (vs +0,3% (revisto face a +0,1%) e a taxa homóloga mantém-se em +1,1%. A Utilização da Capacidade Produtiva repete-se em 76,3%. OPINIÃO: Por categorias, na área da Energia, destaque para o aumento da Exploração&Produção de petróleo e gás (+5,2% m/m) e, fora do setor energético, a Produção de Computadores&Equipamento (+1,8%) e Semicondutores (+2,4%). Em contrapartida, o Automóvel recuou -4,1%. Os números confirmam as dificuldades da indústria em aumentar a produção perante o agravamento dos custos associados ao conflito com o Irão (+4,7% a/a Preços de Produção e 5,9% Preços de Importação. Ainda assim, os fundamentais da economia norte-americana permanecem sólidos e tudo indica que a inflação poderá já ter atingido o pico (3,4% em julho e 4,2% em maio).

ALEMANHA (ontem): O índice ZEW de Sentimento Económico surpreendeu positivamente em agosto, reforçando a expectativa de que a economia alemã está a recuperar dinamismo. A componente Expectativas situa-se em 34,2 pontos vs 30,0 esperado e 26,3 anterior. A componente da Situação Atual melhora 16,5 pontos até: -61,1 pontos vs -77,6 anterior e -69,3 esperado. OPINIÃO: A economia alemã, altamente dependente de energia, tem demonstrado maior resiliência do que o esperado perante a incerteza e o aumento dos preços energéticos decorrentes da guerra no Irão, apoiada por um forte aumento do investimento em infraestruturas e defesa da parte do Governo. O relatório alerta, contudo, para o risco que o baixo caudal do rio Reno representa para a atividade económica, sendo uma importante via de transporte de mercadorias para a economia alemã. Os resultados confirmam outros indicadores recentes positivos (PIB 2T +0,9% a/a vs +0,6% esperado vs +0,8% anterior, IFO julho 86,6 vs 85,7 anterior) e refletem otimismo em torno do programa de reformas do Governo, que inclui reduções de impostos e da burocracia, bem como reformas do sistema de pensões e do mercado de trabalho. Link para o relatório completo (em espanhol)

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18/08/2026

Ontem: “Tensão no Médio Oriente penaliza bolsas e obrigações.”
 
Sessão com quedas tanto na Europa (-0,19%) como em NY (-0,52%), dado o aumento da tensão no Médio Oriente, após o fim da trégua de 60 dias entre os EUA e o Irão. Trump ameaçou bombardear Omã caso dificultasse os esforços dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto o Irão ameaçou passar de uma política defensiva para uma ofensiva caso a diplomacia fracasse. O petróleo subiu para 90,9$ no Brent e 84,5$ WTI. Isto penalizou as bolsas, a pesar do bom desempenho dos Semicondutores (+1,64%), após a divulgação de um relatório da Anthropic que reviu as receitas anualizadas para 65.000 M$ e projetou receitas para 2028 de 190.000-200.000 M$. Também contribuíram os comentários do Secretário do Comércio norte-americano, que se opôs à compra de chips de memória chineses pela Apple e por outras empresas americanas.
 
Na frente macro tivemos apenas a referência do Empire Manufacturing de agosto, que surpreendeu em alta (20,6 vs. 11,0 esperado e 15,6 anterior).
Na frente micro, a época de resultados está praticamente finalizada. Nos EUA, 91% das 500 maiores empresas já publicaram e o EPS médio cresce +51% vs +24% esperado. Na Europa, com percentagem semelhante, o saldo é +26% vs +15%.
 
Hoje: “A tensão geopolítica continua a deteriorar o sentimento.”
 
A tensão geopolítica continua a aumentar após um novo ataque a um navio no Estreito de Ormuz e o lançamento de mísseis pelos houthis contra um navio saudita no mar Vermelho. O petróleo volta a subir para 91,3$ no Brent e 84,3$ no WTI, acumulando quase +4% na semana. Entretanto, no mercado obrigacionista, continua a subida das TIR a nível global, sobretudo nos prazos mais longos, com a dívida americana a 30 anos a atingir o nível máximo desde 2007, nos 5,327%.
 
Na frente macro foram divulgados logo pela manhã dados fracos de emprego no R. Unido e ao longo do dia saberemos o ZEW alemão de agosto, que deverá subir para 30,0, face aos 26,3 de julho, e a Produção Industrial de julho nos EUA que deverá crescer +0,3%. Nenhum destes dados deverá ter impacto relevante no mercado.
 
Assim, perante a ausência de referências macro relevantes e com a época de resultados praticamente concluída, é provável que hoje tenhamos novamente uma sessão com tendência negativa. O conflito no Médio Oriente e o seu impacto no preço do petróleo serão os fatores que determinarão o tom da sessão e da semana e, “para já”, as notícias que nos chegam não são muito positivas.
 
CONTEXTO ECONÓMICO. –
R. UNIDO (07h00): Dados de emprego (junho): Taxa de desemprego: 4,9% vs 4,8% esperado vs 4,9% anterior. Criação de emprego: -13k vs +0k esperado vs -13k anterior (revisto desde -4k). Variação dos salários medios semanais: +4,1% vs +4,0% esperado vs +4,4% anterior. Exbónus: +3,5% vs +3,4% esperado vs 3,5% anterior. OPINIÃO: A criação de emprego diminui perante a incerteza gerada tanto pela situação política interna como pela crise no Golfo Pérsico. A taxa de desemprego mantém-se em 4,9% no 2.º trimestre, mas o Office for National Statistics alerta que o indicador apresenta baixa qualidade devido a um erro na recolha dos dados. As empresas britânicas mantêm-se à espera de conhecer o orçamento do Primeiro-Ministro A. Burnham depois do verão. O emprego tem sido penalizado nos últimos dois anos pelo fraco crescimento económico e pelo aumento das contribuições das empresas para a Segurança Social dos trabalhadores e do salário mínimo. Os salários, excluindo bónus, aumentam +2,8% nos últimos 3 meses vs +2,9% anteriormente, o ritmo mais baixo em quase 6 anos. Os dados mostram que as empresas continuam relutantes em contratar trabalhadores e que os níveis de confiança estão próximos dos mínimos históricos, excluindo o período da COVID-19. Isto reduz a pressão sobre o Banco de Inglaterra, que continua à espera para perceber se o aumento dos preços da energia irá provocar pressões inflacionistas de longo prazo na economia.
 
EUA (ontem): O Empire Manufacturing (Índice Industrial da Fed de NY) surpreende pela positiva em agosto: 20,6 vs 11,0 esperado e 15,6 anterior. -Trata-se do quinto mês consecutivo em território de expansão e do valor mais elevado desde dezembro de 2021. Por componentes: Novas Encomendas 17,3 vs 22,2 ant; Inventários -5,2 vs 4,0; Preços Pagos 58,6 vs 52,3; Preços de Venda 22,7 vs 27,6; Número de Trabalhadores 9,3 vs 11,4; Horas trabalhadas semanais por Colaborador 6,9 vs 2,8. OPINIÃO: Os números mostram a solidez da indústria americana, embora apontem para uma maior pressão sobre as margens das empresas. Os Preços de Compra aumentam, enquanto os de Venda, embora permaneçam elevados, moderam-se. As empresas esperam uma melhoria das condições nos próximos meses, apesar da incerteza decorrente do conflito entre os EUA e o Irão. Este indicador antecipa um PMI Industrial na próxima sexta-feira que deverá apontar na mesma direção, com melhoria da atividade e subida dos preços. 
 
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14/08/2026

Ontem: “A tecnologia lidera a sessão. Os preços moderam-se.”

Sessão de mais a menos na Europa, enquanto os EUA fecharam em alta, impulsionados pela tecnologia. Os Preços Industriais nos EUA confirmaram a tendência de desaceleração antecipada pela inflação (+3,4% a/a), na quarta-feira. Reduziram-se em julho até +4,7% a/a desde +5,5%. Esta moderação ocorreu num mês em que o Brent subiu +24%. A menor pressão inflacionista afasta as expetativas de subidas de taxas de juros por parte da Fed. Nesta mesma linha, Tom Barkin (Fed) apoiou manter as taxas de juros, já que considera que os fatores que mantêm os preços acima de +2,0% são temporários, como os impostos alfandegários ou a guerra no Irão. A notícia de um ataque a uma refinaria de Saudí Aramco arrefeceu o mercado europeu, que terminou por fechar em baixa. Contudo, os EUA subiram impulsionados pela tecnologia (Sandisk +14% após o seu Dia do Investidor). 

Em renda fixa, o Tesouro americano colocou 25.000 M$ a 30 anos, a uma rentabilidade de 5,22%, nível mais alto desde 2001. Contudo, foi uma sessão de queda da yield das obrigações de forma geral.

 

Hoje: “A macro acompanha e poderá favorecer com subidas nas bolsas. Se a geopolítica o permitir...” 

A tensão geopolítica aumenta. Os EUA anunciam que a próxima semana detalhará medidas económicas sem precedentes contra o Irão, num contexto de bloqueio nas negociações. O Brent sobe ligeiramente até 87,3 $. 

A macro ganha relevância. Na Europa (10 h), será publicada a primeira revisão do PIB 2T 2026, que deve confirmar uma tendência de melhoria (+1,0% est.), num contexto em que a inflação está contida (+2,9% em julho) e o Emprego estável (6,3% julho). Nos EUA, teremos Vendas a Retalho (13:30 h), importantes para ver como evolui o Consumo americano. Também será relevante a Confiança dos Consumidores da Univ. de Michigan (15 h), principalmente porque corresponde a agosto e poderá estar impactada pelo preço em alta das gasolinas e aumento da tensão geopolítica.

Caso não exista maior tensão por parte da geopolítica, o razoável seria que as bolsas fechassem a semana em alta. A moderação dos preços, apesar do conflito no Irão, convidaria a isso. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Acelera o ritmo de crescimento nos preços grossistas até +5,3% em julho (vs. +4,9% ant.) pelo custo da energia. OPINIÃO: O aumento explica-se pelo encarecimento da energia e das matérias-primas. De facto, os produtos petrolíferos sobem +24,1% (4,0% m/m) devido à subida do preço do petróleo e ao final da redução temporária de impostos sobre os combustíveis. Entre as principais subidas, destacam também os metais não ferrosos (+27,8%), os produtos químicos (+13,1%) e equipamentos de tecnologia e comunicações (+9,0%). É uma má notícia, especialmente para as obrigações, porque reflete que a guerra no Irão gera pressões inflacionistas e continua vivo o risco de ver efeitos de 2.ª ronda sobre o IPC.

EUA (ontem): Os Preços Industriais desaceleram e o Desemprego Semanal aumentou, o que retira pressão à Fed para subir taxas de juros. (i) Os Preços Industriais na taxa geral moderaram-se até +4,7% em julho desde +5,5% e vs. +4,9% estimado. A subjacente, +4,2% desde +4,7% e vs. +4,1% estimado. (ii) O Desemprego semanal 209k desde 200k anterior (revisto desde 199k) e vs. 202k estimado. OPINIÃO: Queda relevante dos preços de produção que diminuíram a pressão sobre os preços finais e, com isso, reduzem a necessidade de subir taxas de juros por parte da Fed. Especialmente porque o Desemprego semanal aumentou mais do que o estimado, reforçando a ideia de que o mercado laboral americano poderá estar a debilitar-se. Convém recordar que a Criação de Emprego Não Agrícola de julho contraiu-se em -23k e a de junho foi revista claramente em baixa (+20k desde +57k). O nosso cenário central aponta para uma descida de taxas de juros como próximo movimento da Fed, mas já em 2027.

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13/08/2026

Ontem: “A melhoria da inflação americana é um sopro de ar fresco para as bolsas e obrigações.”

Consolidação de níveis na Europa e subidas nos EUA com os semis a liderar (+2,5%) numa sessão de que esteve marcada pela melhoria da inflação americana. O IPC enfraqueceu uma décima em julho até +3,4% (vs. +3,4% esperado) com a Subjacente em +2,5% (vs. +2,5% esperado vs. +2,6% ant.). Uma décima de melhoria pode parecer pouco à primeira vista, mas é mais importante do que parece, porque: (i) os números retiram pressão à Fed para subir taxas de juros, pelo menos em setembro, principalmente se tivermos em conta que os últimos dados de Emprego /Payrolls foram realmente fracos (-23 k em julho vs. +20 k ant.) e (2) a chave está na mudança de tendência para melhor, apesar de um preço do petróleo que sofre as tensões da geopolítica.

Além disso, a yield das obrigações de referência afasta-se de níveis de stresse com o T-Note americano a 10 A em 4,67% à primeira hora (vs. 4,75% em julho) enquanto diminui a probabilidade de ver subidas de taxas de juros. Como referência, as obrigações descontam que a Fed manterá as taxas de juros na reunião de setembro, com uma probabilidade >65% (vs. 50% no início da semana).


Hoje: “A geopolítica gera muito ruído, mas impera o bom tom graças à macro e tecnologia.” 

O fluxo de notícias de primeira hora não está mal. Não há grandes alterações na frente geopolítica e/ou nos preços do petróleo, as bolsas asiáticas contagiam-se do otimismo em Nova Iorque (+4,0% Coreia do Sul, +1,5% Japão) e o ciclo económico é mais sólido do que parece, inclusive no R. Unido (+1,2% no PIB 2T 2026 vs. +1,1% esperado vs. +0,9% ant.). 

O mais importante é que o fundo do mercado é sólido porque: (1) o pior para a inflação já passou e não só nos EUA, (2) o mercado convive com a geopolítica e não se apreciam constrangimentos insuperáveis na cadeia global de abastecimento, apesar do bloqueio no Estreito de Ormuz. (3) A macro surpreende positivamente graças a um ciclo expansivo liderado pelo investimento empresarial e tecnologia/IA e (4) os resultados 2T 2026 são excecionalmente bons com um crescimento em lucros de +51% nos EUA e +27,3% na Europa. 

Em suma, com estes números, é difícil ver um mau comportamento das bolsas. O único problema além dos vaivéns na geopolítica é que o fluxo de notícias perde intensidade e a volatilidade tende a subir à medida que agosto avança e o volume de contratação diminui.
Temos uma sessão de baixa intensidade, mas a macro aponta em boa direção (menor pressão em Preços Industriais dos EUA com as Petições por Desemprego estáveis), portanto, deverá imperar o bom tom. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00h): IPC julho (final) aumenta para +3,6% a/a, uma décima acima do preliminar e face a +3,2% anterior. A Taxa Subjacente confirma +3,0% a/a, uma décima acima de junho. Em termos mensais, a inflação subiu +0,3% m/m (vs. +0,2% prelim. e +0,6% ant.), a Subjacente -0,1% m/m (vs. +0,4% ant.) Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: A inflação de julho volta a surpreender negativa. Confirma o aumento afetado pelos preços de combustíveis e eletricidade. No final de junho, foi recuperado o IVA de combustíveis, mas o governo prolongou parcialmente as medidas para amortizar o impacto pelo conflito do M. Oriente (ajustes de 0,15 €/litro em julho, que passará para 0,10 €/litro em agosto, e a eliminação progressiva do Imposto à Produção Energética de Energia Elétrica). Na nossa Estratégia de Investimento 2T 2026, estimamos que o aumento da inflação seria progressivo para 3,6% / 3,7% para o final do 3T 2026, e apontamos +3,3% a/a dez.-26. 

JAPÃO (00:50 h): Os Preços Industriais continuam em níveis elevados. Nomeadamente, +7,2% a/a vs. +7,4% estimado e +7,3% anterior (revisto em alta desde +7,1%). OPINIÃO: Dado ligeiramente inferior ao estimado, mas elevado desde uma perspetiva histórica. As principais pressões inflacionistas têm origem nos produtos derivados do petróleo, o carvão, os metais não ferrosos e os produtos químicos. Os Preços Industriais situam-se no nível mais alto desde março de 2023 e oferecem mais argumentos ao Banco do Japão para continuar a endurecer a sua política monetária.

REINO UNIDO (07:00 h): O crescimento surpreende em alta, mas o setor industrial continua débil. (i) O PIB do 2T 2026 +1,2% a/a vs. +1,1% estimado e +0,9% anterior. Em termos intertrimestrais, +0,4%, em linha com o esperado e vs. +0,6% anterior. (ii) A Produção Industrial -0,2% em junho vs. +0,3% estimado e +1,0% anterior. OPINIÃO: O crescimento ganha inércia, impulsionado principalmente pelo Investimento (+1,2% t/t desde +0,4%) enquanto o Consumo se modera (+0,3% t/t desde +0,6%). Contudo, o setor industrial continua a pressionar e a Produção Industrial volta a terreno negativo após a melhoria do mês anterior.

EUA (ontem): A inflação cumpre expetativas e desacelera 1 décima em julho, tanto a taxa geral como a subjacente.  IPC +3,4% a/a vs. +3,4% esperado e +3,5% anterior. Taxa Subjacente +2,5% a/a vs. +2,5% esperado e +2,6% anterior. OPINIÃO: Boas notícias para bolsas e obrigações, já que os preços desaceleram apesar do aumento de preços de energia em julho (WTI +21,8% até 85 $/barril) e, portanto, ajudam a arrefecer as expetativas de subidas de taxas de juros da Fed. Após o dado, o mercado atribui probabilidade de 40% a uma subida de taxas de juros na próxima reunião da Fed (16 de setembro), que compara com c.50% antes do dado. Reforça, portanto, a nossa hipótese de que não haverá subida de taxas de juros por parte da Fed. Link para o relatório completo (em espanhol).

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

12/08/2026

Ontem: “Sessão de elevada volatilidade, marcada pelo vaivém das notícias no M. Oriente.”

Sessão de mais a menos, dirigida pelo fluxo de notícias procedentes do M. Oriente. A Europa (+0,2%) viu-se impulsionada pelas declarações do Ministro da Defesa do Paquistão, que sugeriu que os EUA e o Irão poderão estar perto de alcançar um acordo, o que ajudou a que as rentabilidades das obrigações baixassem de forma geral. Contudo, os EUA (-0,3%) fecharam com ligeiras quedas devido a novos ataques no Estreito, o que derivou numa subida do preço do petróleo (Brent: +1,4%). Na frente micro, destacou a ampliação de de Intel, por 20.000 M$, com o objetivo de acelerar os investimentos para centros de dados. Por outro lado, foram publicadas as Vendas de Habitações Usadas, um pouco piores do que o esperado (4,06M vs. 4,05M esp. vs. 4,13M ant.), embora continuem pressionadas pelo aumento das taxas hipotecárias (30A, 6,77%), mas não impactaram a sessão, já que o foco esteve na frente geoestratégica.

Em suma, sessão a médio gás com elevada volatilidade, marcada pelo vaivém de notícias entre os EUA-Irão, que dirigiu as bolsas, favoreceu as obrigações e impulsionou o preço do petróleo bruto.

 

Hoje: “O IPC americano marcará o tom da sessão.” 

A única referência capaz de mover o mercado será o IPC americano (13:30 h). Uma inflação a moderar-se em linha com o esperado (Taxa Geral: +3,4% a/a esperado vs. +3,5% ant.; Subjacente: +2,5% esp. vs. +2,6% ant.) reforçaria a nossa ideia de que o pico da inflação já passou e que uma diminuição das pressões inflacionistas, junto com um petróleo abaixo da barreira psicológica dos 100 $, não deverão implicar uma ameaça para a Fed. Além disso, os recentes dados débeis de emprego americano (Criação de Emprego Não Agrícola -23k em julho vs. +20k em junho, revisto desde +57k) deverão ajudar a que a Fed adote uma postura um pouco mais dovish/suave para a sua próxima reunião (16 de setembro). O nosso cenário central contempla uma descida de -25 p.b. (até 3,25%/3,50%) como próximo movimento, mas em 2027. Algo que também dará visibilidade será a reunião anual de banqueiros centrais em Jackson Hole (27/29 agosto), especialmente relevante depois de K. Warsh eliminar o forward guidance, isto é, as referências explícitas para futuros movimentos de taxas de juros.

Por outro lado, na frente micro EON bate e mantém guias. Além disso, o fundo estatal de Singapura anuncia que planeia investir em Samsung e SK Hynix, o que impulsiona a bolsa da Coreia (+4%). A temporada de resultados encara já a sua reta final, com mais de 87% das empresas publicadas nos EUA, e 70% na Europa, e os EPS batem amplamente as expetativas.

Em suma, sessão em alta se a inflação cumprir e a geopolítica o permitir. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): As Vendas de Habitações Usadas moderaram-se pelo segundo mês consecutivo em julho. As Vendas baixaram até 4,06M vs. 4,05M esperado e vs. 4,13M anterior (revisto em alta desde 4,09M). Em termos intermensais, -1,7% m/m vs. -1,4% ant. (revisto desde -2,4% m/m). O preço médio baixou -2% m/m em julho (até 434.100 $). OPINIÃO: O aumento das taxas hipotecárias (taxa média a 30 anos perto de 6,77% desde 6,55% no final de junho, e 6,25% no final do ano) continua a atuar como travão do mercado imobiliário. A reação do mercado ao dado foi muito limitada, mais pendente da possibilidade de um acordo no M. Oriente. A evolução dos preços do petróleo será fundamental para a inflação e as expetativas de taxas de juros. Na nossa opinião, o próximo movimento da Fed será mais para diminuir do que para subir as taxas, como desconta o mercado, o que pode favorecer a estabilidade do mercado imobiliário. Link para a nota (em espanhol). 

ESPANHA (ontem): Recebe 6.234 M€ do sexto desembolso dos fundos europeus. A CE realiza o sexto pagamento de fundos europeus, que tinha aprovado em julho. São 5.226 M€ de transferências, que incluem 265 M€ do quinto desembolso pendente, e 1.008 M€ de empréstimos. Há três marcos pendentes deste sexto desembolso. Foram recebidos 78.000 M€, 76,5% do total atribuído. O governo assinala que prepara o pedido do sétimo e último desembolso, que implicaria 148 marcos, por 25.800 M€ (21.462 M€ em transferências e 4.400 M€ empréstimos). Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Neste ano, 2026, termina o prazo de solicitude e execução dos fundos atribuídos no Plano de Recuperação Transformação e Resiliência (PRTR).

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11/08/2026

Ontem: “O petróleo sobe a penaliza as obrigações.”

A falta de concretização nas negociações para reabrir o Estreito de Ormuz impulsionou o petróleo. Brent +5% até 87,7 $. Trump parece inclinar-se para deixar que o Irão se asfixie economicamente. Com isso, afasta o receio de novos ataques militares, mas também arrefece a possibilidade de um acordo mais ou menos rápido. Os principais prejudicados foram as obrigações, que sofreram aumentou gerais da yield. T-Note +7 p.b. até 4,71% e Bund +5 p.b. até 3,18%. As bolsas aguentaram com mais serenidade. Na Europa, fecharam com subidas ligeiras e nos EUA com quedas moderadas (-0,1%). Enquanto o petróleo permanecer abaixo dos 100 $, os lucros continuarão a funcionar como contrapeso positivo. A campanha de resultados foi magnífica, com um crescimento de +52% a/a do EPS médio nos EUA (vs. +24% esperado) e de +27% na Europa (vs. +15% esperado). Sofreram mais os semis (-2,9%). Não agradou que Nvidia (-2,9%) anunciasse um acordo para obter 500.000 M$ de financiamento para ajudar os seus clientes a implementar a IA.
Em divisas, destaque para a depreciação do yen (-0,8% até 183,9 vs. euro). O efeito da intervenção conjunta EUA/Japão foi realmente fugaz…

Em suma, as bolsas aguentaram, mas as obrigações sofreram pelo petróleo.

 

Hoje: “Sem grandes referências, sessão lateral.” 

Viveremos uma sessão tipicamente de verão, sem grandes referências e pouco volume. Na frente macro, à primeira hora, o RBA (banco central da Austrália) decidiu manter taxas de juros em 4,35%, em linha com o esperado, e às 15 h serão publicadas as Vendas de Habitações Existentes nos EUA (4,05M estimado vs. 4,09M anterior). Passarão despercebidas. O único dado relevante esta semana é o IPC americano de julho (quarta-feira). Será vital confirmar a moderação que o mercado desconta (+3,4% desde +3,5% a taxa geral e +2,5% desde +2,6% a subjacente) para tentar antecipar o próximo movimento da Fed. Embora provavelmente seja em Jackson Hole (27/29 agosto) que ganhemos clareza sobre o que esperar. Este ano, o evento ganha interesse especial dada a mudança de comunicação da Fed, para mensagens breves e opacas, implementada por Kevin Warsh. O nosso cenário central continua a antecipar como próximo movimento uma descida, mas já em 2027. Os dados de emprego da semana passada (Criação de Emprego Não Agrícola -23k em julho e +20k em junho, revisto desde +57k) questionam a força do mercado laboral americano e oferecem mais argumentos para manter uma postura dovish (suave).

Voltando ao curto prazo, o lógico é esperar uma sessão lateral. Convém recordar que, com as bolsas perto de máximos históricos, consolidar níveis não parece um mau desenvolvimento. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

AUSTRÁLIA (05:30 h): O RBA mantém a taxa diretora sem alterações em 4,35% (vs. 4,35% esperado) e mantém um tom hawkish/duro. O mais importante é que melhora as previsões de inflação e baixa a probabilidade de ver uma subida de taxas de juros no 2S 2026.- Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: O RBA cumpre as expetativas e mantém a taxa de juro sem alterações pela 2.ª reunião consecutiva e um tom hawkish/duro porque: (1) o RBA está preparado para endurecer a política monetária se reaparecerem pressões inflacionistas e (2) deixa aberta a possibilidade de novas subidas se a evolução da procura, o mercado laboral ou os preços energéticos impedirem a convergência da inflação para o objetivo. O mais importante é que o RBA melhora as suas perspetivas de inflação com um IPC estimado de +3,6% no 4T 2026 (vs. +4,8% previsto anteriormente para o 2T 2026 vs. +3,8% em junho de 2026) e +2,6% no 4T 2027, alcançando assim o intervalo objetivo de 2,0%/3,0% (vs. 2028 ant.). Estas previsões reduzem a probabilidade de ver uma subida de taxas de juros em 2026 apesar do tom prudente/duro do RBA. Como referência, as obrigações descontam agora uma probabilidade de 40% (vs. 50% antes da reunião). 

UE (ontem): O Sentimento Investidor surpreende positivamente e melhora pelo quarto mês consecutivo. – O indicador de Sentimento Investidor Sentix melhora até +0,9 pontos em agosto (vs. -0,5 esperado vs. -3,1 ant.). OPINIÃO: O Sentix acumula 4 meses consecutivos de melhoria e alcança níveis não vistos desde fevereiro de 2026, apesar da geopolítica. A melhoria do sentimento investidor está estreitamente relacionada coma recuperação macro na UE (PMIs, Sentimento económico/ZEW …) e o crescimento dos lucros empresariais (+27,3% em 2T 2026). 

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07/08/2026

Ontem: “Nas bolsas, Europa melhor do que N. Iorque. O petróleo ultrapassa 80 $/barril e as yields aproximam-se novamente de níveis a vigiar.”

Ontem, sessão em alta na Europa (+0,4%) e realização de lucros em Nova Iorque (-0,2%) numa sessão em que a atenção continuava focada no possível acordo entre o Irão e os EUA para devolver a normalidade ao Estreito de Ormuz…

Ainda sem notícias nesta frente, o petróleo aumentou (ca. +4%), superando a Barreira psicológica dos 80 $/barril. Este último propiciou um aumento das yields, que, novamente, se aproximam de níveis a vigiar: T-Note ~4,70%, Bund 3,20%, O10A ITA 4,00%... 

No plano macroeconómico, foram publicados mais resultados do mercado laboral americano. A Produtividade melhorou mais do que o esperado (+1,4% t/t no 2T 2026 vs. +0,6% esp. e +0,8% ant.) graças aos ganhos na eficiência das empresas como consequência da irrupção da IA. Tudo isso em consonância com Custos Laborais Unitários (+1,3% vs. +2,1% esp.) que mostram que a pressão por Salários não parece alarmante. Ambos os dados favorecem uma expansão das margens empresariais. Tendência que se confirma com o mostrado na temporada de resultados 2T nos EUA, onde: receitas +15% e lucros empresariais +51%. 

 

Hoje: “Compasso de espera até aos números de emprego americano.” 

Os dados de emprego nos EUA são a referência da sessão e, portanto, os que provavelmente acabarão por decidir o resultado do jogo. Tudo aponta que a Criação de Emprego Não Agrícola (Payrolls) recuperará tração em julho após a queda registada em junho (80k esp. vs. 57k ant.), enquanto os Salários se mantêm fixos em +4,2% e a Taxa de Desemprego (4,2%) próxima a mínimos históricos. A priori, os números não deverão alterar excessivamente a rota de taxas de juros da Fed, num contexto em que esta se mostra mais preocupada com a inflação do que com a economia. Portanto, se saírem como o esperado, o lógico é que as bolsas continuem a mostrar um bom tom, apoiadas nos sólidos resultados empresariais 2T. 

Em relação a este último, a temporada de resultados está a terminar. Com 76% das empresas americanas já publicadas, o aumento médio do EPS situa-se ca. +51% vs. +24% estimado. A irrupção da IA começa a refletir-se no aumento da produtividade nas empresas e os lucros empresariais continuam a constituir um enorme apoio para as bolsas. 

Em suma, lateralidade e indefinição até os números de emprego nos EUA. Se estes se situarem em linha com o esperado, o mais lógico parece ser que as bolsas continuem com a tendência em alta. Tudo isso para dar lugar a uma semana “de verão” onde a inflação americana terá toda a atenção…

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (03:33 h): A Balança Comercial amplia o seu superavit em julho. Nomeadamente, fica em 112.500 M$ vs. 107.100 M$ estimado e 125.620 M$ anterior. As Exportações avançam mais do que o estimado (+23,9% vs. +23,0% esperado e +27,0% anterior) enquanto as Importações ficam abaixo (+27,5% vs. +29,7% estimado e +36,0% anterior). OPINIÃO: Dado sólido que não se viu afetado pela má climatologia que marcou o mês de julho. A boa execução da Balança Comercial deriva principalmente das Exportações de produtos tecnológicos (+53,0% a/a), equipamento elétrico (+34%) e terras raras (+43%). Contudo, a evolução das secções mais tradicionais continua a debilitar (brinquedos -1,7%, iluminação +2,3%...).

JAPÃO (06:00h): Indicador Adiantado continuísta. Fica em 116,4, em linha com o estimado e o dado anterior (revisto em baixa desde 116,5). OPINIÃO: Bom dado, embora sem surpresas. O indicador mantém-se em níveis elevados desde abril e consolida a tendência de melhoria que iniciou em junho de 2025.

ALEMANHA (07:00h): A Produção Industrial contrai-se em junho. Cai -0,1% a/a vs. +0,1% estimado e 0,0% anterior. OPINIÃO: O setor industrial alemão continua débil, sem conseguir estabilizar-se, penalizado pelos impostos alfandegários norte-americanos, aumento de preços energéticos e a elevada concorrência de empresas chinesas.

EUA (ontem): A Produtividade aumenta mais do que o esperado. (8) Produtividade Não Agrícola +1,4% t/t no 2T 2026 vs. +0,6% esperado e +0,8% anterior (revisto desde +0,3% anterior); (ii) Custos Laborais Unitários, +1,3% t/t vs. +2,1% estimado e +1,3% anterior (revisto desde +1,8%). OPINIÃO: Boas notícias. A Produtividade aumenta (+2,2% a/a) num contexto de fortes investimentos empresariais, especialmente relacionados com o desenvolvimento da IA, que deverá traduzir-se em melhorias de eficácia. Enquanto isso, os Custos Laborais aumentam de mais contida (+1,4% a/a), mitigando as pressões inflacionistas pelo lado dos salários e favorecendo as margens empresariais. Link para o relatório completo (em espanhol).

UE (ontem): O consumo cresce menos do que o esperado em junho. – Vendas a Retalho +0,7% em junho (a/a) vs. +1,0% esperado e +1,9% anterior (revisto desde +1,6%). Em termos intermensais, moderou-se -0,3% em junho vs. +0,1% esperado e +0,4% anterior (revisto desde +0,2%). OPINIÃO: Más notícias. O aumento da inflação por maiores preços do petróleo e a subida de taxas de juros por parte do BCE prejudicam o consumo e, como consequência, o crescimento económico da zona euro.

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06/08/2026

Ontem: “Petróleo estabilizado e sólidos resultados.”

Petróleo estabilizado abaixo dos 80 $/barril. À primeira hora vimos aumentos após se conhecer que o huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, ampliavam a sua ameaça às exportações sauditas pelo Mar Vermelho. Mais tarde, relaxamento com as notícias de um acordo do Irão com Omã sobre a rota proposta para o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, o que supõe um avanço para a reabertura desta via crucial para o petróleo.

Rentabilidades ligeiramente em alta na obrigação na Europa: Bund +1 p.b. até 3,1% com ampliação de spreads em periféricos. T-Note estável em 4,61%.

Bolsas a flutuar perto de máximos históricos, apoiadas por sólidos lucros empresariais. Na Europa (-0,2%) vimos bons ultados de Siemens Energy, Deutsche Post e Ahold. Nos EUA (-0,2%) surpreenderam em alta os resultados de Eli Lilly, Uber, Walt Disney e CVS Health, entre outros. E Nvidia reagia com subidas (+3,4%) aos bons resultados do seu sócio Hon Hai Precision Industry/Foxconn. O grupo do Taiwan é um dos principais fabricantes de servidores de IA que incorporam chips de Nvidia.

Em divisas, o dólar cedia um pouco de terreno face ao euro (EURUSD 1,15).

 

Hoje: “Ligeiros avanços com o foco nas negociações Irão-EUA e nos resultados.” 

O foco do mercado estará nas novidades das negociações entre os EUA e o Irão para um acordo que garanta a livre circulação pelo Estreito de Ormuz e nos resultados empresariais. O Irão insinuou a possibilidade de cobrar taxas. Os EUA procuram uma reabertura isenta de taxas, consolidar um cessar-fogo duradouro e regressar às conversações sobre o programa nuclear iraniano. Veremos.

Na frente macro, nos EUA, veremos um avanço de produtividade (+0,6% t/t no 2T vs. +0,3% ant.) com custos laborais unitários bastante contidos (+2,1% vs. +1,8%). Boas notícias. O mercado laboral não está a gerar tensões inflacionistas relevantes, reduzindo a necessidade da Fed continuar a endurecer a sua política monetária.

Na frente corporativa, continuaremos atentos aos resultados empresariais que estão a atuar como catalisador para as bolsas. Hoje publicam 31 das maiores empresas americanas (entre elas Ralph Lauren, Constellation Energy ou Datadog) e 37 das principais europeias. 76% das maiores empresas americanas já publicaram e o crescimento médio do EPS no 2T é de +51% vs. +24% inicialmente estimado. Na Europa, os resultados de primeira hora (Siemens, Rheinmetall e Deutsche Telekom) surpreenderam positivamente.

Em relação aos mercados, poderemos ver uma sessão de ligeiros avanços nas bolsas com autorização da geopolítica. O petróleo consolida-se abaixo dos 80 $/barril, os resultados empresariais têm sinal positivo e a macro americana também irá ajudar. A evolução das negociações dos EUA com o Irão poderá alterar o bom tom da sessão.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Os Pedidos de Fábrica batem estimativas em junho. Crescem +6,5% em junho (a/a) vs. +5,9% esperado e +4,5% anterior (revisto desde +6,2%). OPINIÃO: Boas notícias. A atividade industrial alemã reagiu positivamente à queda de preços do petróleo em junho. Deverá continuar a melhorar nos próximos meses, como mostra o PMI Industrial que se consolida em zona expansão. 

EUA (ontem): (i) A Criação de Emprego ADP diminuiu em julho. – Situou-se em 44k vs. 65k estimado e 95k anterior (revisto desde 98k). Link para o relatório ADP (em inglês). OPINIÃO: Em julho, as empresas norte-americanas criaram menos postos de trabalho do que o esperado. O relatório ADP mostrou que o crescimento salarial para as pessoas que mudaram de emprego aumentou +7% a/a, enquanto as pessoas que permaneceram no mesmo trabalho mantiveram um crescimento de +4,4%. Apesar da diminuição na criação de emprego, os números não preocupam e apontam para um mercado laboral estável (Taxa de Desemprego: 4,2%). Esta tendência sugere que a Fed poderá manter a sua abordagem mais na inflação do que no emprego. (ii) ISM de Serviços (julho): 54,1 vs. 54,5 esperado vs. 54,0 anterior. Componente de Preços Pagos: 70,3 vs. 65,0 esperado vs. 67,7 ant. Novos Pedidos: 57,2 vs. 55,9 esperado vs. 55,1 anterior. Emprego: 47,4 vs. 51,2 esperado e 51,2 ant. OPINIÃO: Dados mistos. O setor de serviços expandiu-se moderadamente impulsionado por um aumento dos novos pedidos e a atividade comercial, o que indica uma procura sólida por parte dos semicondutores. Não obstante, os preços pagos aumentaram acima do esperado, devido a um aumento do preço do petróleo bruto. Apesar de uma diminuição no componente de emprego e um aumento nos preços, o ISM expandiu-se, permanecendo amplamente em zona de expansão (>50).

UE (ontem): Os Preços Industriais desaceleraram em junho, em linha com o esperado. – Preços Industriais: +4,6% vs. +5,9% anterior. No mês: -0,3% vs. +0,2% anterior. OPINIÃO: Os Preços Industriais diminuíram em linha com o esperado. O dado corresponde a junho, mês em que vivemos uma desescalada do conflito no M. Oriente com um preço médio do petróleo bruto 85 $/barril vs. 104 $/barril no mês passado, o que tem um impacto direto na inflação. Nos próximos dados não surpreenderia um aumento moderado dos preços, em linha com o aumento da inflação do mês de julho (+2,9% a/a vs. +2,8% ant.).

BRASIL (ontem): O Banco Central baixa taxas de juros em -25 p.b. até 14,00%. Situa a taxa Selic em 14,00% vs. 14,00% esperado e desde 14,25% anterior. OPINIÃO: Cumpre as expetativas. O mais provável é que continue a baixar nos próximos meses, a ritmo de -25 p.b. por reunião, para situar as taxas de juros em níveis menos restritivos e favorecer um crescimento económico debilitado pelos impostos alfandegários de Trump. Irá fazê-lo de forma progressiva, evitando “jumbo cuts” e vigiando muito de perto não só a inflação, perto da parte alta do intervalo de tolerância (% em julho), mas também: (i) a evolução do real brasileiro, para evitar uma forte depreciação; e (ii) possíveis estímulos fiscais adicionais perante as eleições gerais que acontecerão em outubro de 2026.

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04/08/2026

Ontem: “Redução de tensões. Subida nas obrigações e bolsas.”

A tensão na frente geoestratégica moderou-se após o anúncio, no fim de semana, do reinício das negociações e o preço do petróleo Brent baixou -7%, situando-se perto de 83,7 $/barril. O relaxamento da pressão inflacionista traduziu-se numa subida de preço das obrigações (cortes de rentabilidades). O Bund -5,4 p.b. para 3,15%, com quedas nos spreads das periféricas, enquanto o T-Note americano o fazia em -5,8 p.b. para 4,68%. 

As bolsas também consolidaram uma nova sessão de subidas nas principais praças europeias e dos EUA. Destacou Amazon (+4,58% ontem; +20,6% nas últimas 3 sessões), quinta empresa a superar o 3 Bn$.

Por último, ISM Industrial americano contribuiu para o bom tom da sessão, ao superar as expetativas (7 meses em expansão) e mostrar uma queda das pressões nos Preços Pagos (71,1 desde 73); boa notícia para as expetativas de margens empresariais. Além disso, mostrou força no componente de emprego (52,8 vs. 49,7). 

Em suma, sessão positiva nas bolsas e obrigações, apoiada pela diminuição da tensão geográfica e bom dado para o setor industrial americano.

 

Hoje: “Foco em resultados e Vagas de Emprego nos EUA, com autorização da geoestratégia.” 

O fundo continua marcado pelo estado das negociações, negadas de forma direta pelo Irão. Trump adverte que é a sua “última oportunidade de chegar a um pacto” e o petróleo aumenta ligeiramente (Brent +1,6%) perto de 85 $/barril. Dois focos de atenção hoje, sob autorização da geoestratégia: (1) resultados empresariais, até ao momento, principal catalisador dos mercados. Uniram-se, ontem à noite, aos bons resultados e guias de On Semiconductor e Palantir (+6% e +15% em aftermarket). A novidade será a primeira publicação de SpaceX, com os mercados já fechados. Esperam-se perdas ( -0,236 $), embora daqui a dois dias aumente o seu free float (~6,9%) que elevará o seu peso em índices. (2) Vagas de Emprego (junho), nova referência do mercado laboral prévia à Criação de Emprego (sexta-feira). Espera-se ligeira moderação; o foco da Fed deve continuar nos preços.

Em suma, os resultados podem manter o tom positivo das bolsas, que já acumulam três sessões consecutivas em alta nas principais bolsas, à espera de SpaceX e evolução do Emprego (sexta-feira).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): A Variação de Desempregados aumenta em +19.500 (+0,85% m/m) vs. -28.700 anterior. O total de desempregados situa-se em 2.311.499 pessoas, o que implica uma redução de -3,9% a/a. OPINIÃO: São dados um pouco débeis para serem de julho, que tradicionalmente é um bom mês para o emprego. Não obstante, a tendência no mercado laboral é de estabilidade e pode ser uma moderação pontual. 

EUA (ontem): O ISM Industrial surpreendeu positivamente após alcançar 55,6 pontos em julho (vs. 53,8 esperado vs. 53,3 ant.) e acumular 7 meses em zona de expansão. - OPINIÃO: O melhor de tudo é que enfraquecem os Preços Pagos até 71,1 desde 73,0 pontos – bom para as margens empresariais – com os Novos Pedidos em alta (56,7 vs. 56,0 ant.) e o Emprego forte. Em suma, boas notícias para a indústria americana, que ganha tração apesar da geopolítica, impostos alfandegários e taxas de juro altas (Fed Funds em 3,50%/3,75%). A evolução do ISM confirma a recuperação observada em outros indicadores de atividade como o PMI de Chicago e/ou indicador da Fed de Filadélfia. Ocorre também num contexto marcado pela melhoria do sentimento económico das pequenas e médias empresas (em máximos de 3 meses), a resiliência do Consumo (+6,7% em Vendas a Retalho) e a solidez do Emprego (Criação de Emprego em alta e Petições Semanais por Desemprego em baixa). Link para o relatório completo no Bróker (em espanhol).

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31/07/2026

Ontem: “Subida nas bolsas, liderada por semicondutores.”

Subida geral nas bolsas (Europa +1,4% e EUA +1,6%) liderada principalmente por tecnologia (+3,2%), nomeadamente semicondutores (+8,2%), que reagem após 5 sessões consecutivas de quedas. Apoia a nossa opinião de que se trata mais de uma realização de lucros por excesso de velocidade do que por uma mudança nos fundamentos. Também atuaram como impulso os bons resultados de Microsoft e de LAM Research (+15% e +18% ontem). A exceção foi Meta, que caiu -8% após dececionar em resultados e anunciar um novo aumento de custos e investimentos. 

Também foi uma sessão de grande intensidade na frente macro. Nos EUA, tanto o crescimento como a inflação enfraqueceram: PCE +3,7% em junho desde +4,1% anterior e PIB +1,5% no 2T (t/t anualizado) vs. +2,1% anterior, moderando as expetativas de subidas de taxas de juros por parte da Fed. Na Europa, contudo, aumentaram mais do que o esperado, tanto o crescimento económico (PIB +1,0% a/a no 2T vs. +0,5% anterior), como a inflação na Alemanha e Espanah. Contudo, a yield das obrigações manteve-se sem alterações numa sessão com preços do petróleo a moderarem-se ligeiramente para fechar abaixo dos 90 $. 

 

Hoje: “Inércia positiva após a subida de semicondutores, embora sem perder de vista a inflação na zona euro.” 

Amanhecemos com fortes subidas nas bolsas asiáticas, na sequência da subida de semicondutores ontem, nos EUA. Coreia +20% e Japão +4%, onde também ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do BoJ, que cumpre as expetativas ao manter em 1,00%. Por outro lado, na frente geoestratégica, Trump anunciou um acordo com o Hamas para o seu desarme, embora seja mais difuso e sem calendário definido, e enquanto continuam as tensões entre os EUA e o Irão, o preço do petróleo volta a cair hoje e consolida-se abaixo dos 90 $. Na frente empresarial, continua a temporada de resultados, hoje com tom misto nos EUA e bastante positivo na Europa. Ontem, após o fecho, publicaram Apple e Amazon. Enquanto a primeira dececiona em guias e vem a cair -6% em “aftermarket”, Amazon surpreendeu positivamente e vem com subidas de +9%. Na Europa, batem estimativas Leonardo, Enel e Unicaja. O ponto negativo da sessão poderá vir do lado macro, onde a inflação da zona euro poderá surpreender negativamente, aumentando mais do que o esperado e despertando novamente os receios de possíveis subidas de taxas de juros por parte do BCE. 

Em suma, hoje as bolsas poderão continuar a subir ligeiramente, beneficiando-se da inércia positiva, embora prejudicadas pelo possível aumento da inflação na Europa.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:30 h): Conjunto de dados: (i) o Banco Central manteve taxas de juros em 1,00%. (ii) A Taxa de Desemprego mantém-se em 2,5%. (iii) As Vendas a Retalho aumentam (a/a) +0,5% vs. +3,1% estimado e +5,0% anterior (revisto desde +5,3%). Em termos intermensais -4,1% vs. -1,6% estimado e +1,7% anterior (revisto desde +1,9%). (iv) A Produção Industrial melhora (a/a) +4,2% vs. +3,2% estimado e -2,1% anterior. OPINIÃO: O banco central do Japão cumpre o guião e não sobe taxas de juros. Fá-lo apesar do aumento dos preços: esta madrugada ficamos a conhecer o IPC em Tóquio, que aumentou a/a até +2,0% desde +1,7%. Estimamos que irá subir taxas de juros duas vezes, +25 p.b. em cada subida, uma em dezembro de 2026 e outra em junho de 2027. Irá fazê-lo num contexto de subida do nível de preços à medida que o governo retira os subsídios introduzidos pela crise energética e se consolide o círculo virtuoso de salários-preços pela subida dos salários. Após a decisão, o yen apreciou-se, até 160,5 contra dólar. Em paralelo, a macro foi mista: por um lado, ocorre uma melhoria da Produção Industrial impulsionada pela maior procura relacionada com a IA. De facto, a secção com melhor evolução foi a Produção de Maquinaria, +7,6%, pelo fabrico de chips. No próximo mês, o indicador poderá ver-se afetado pelo terramoto sofrido esta semana. Pelo contrário, as Vendas a Retalho evoluem debilmente num contexto de aumento da inflação. 

CHINA (02:30 h): Conjunto de dados: (i) PMI Industrial: 49,2 vs. 50,1 estimado e 50,3 ant. (ii) PMI Não Industrial 49,0 vs. 50,0 estimado e 50,2. (iii) PMI Composto: 49,3 vs. 50,6 estimado. OPINIÃO: Dados débeis. Em ambos os casos, situam-se abaixo do nível 50, que indica contração económica. Viram-se afetados pela debilidade da procura interna e pelas condições meteorológicas adversas.

EUA (ontem): (i) O PIB cresceu menos do que o esperado no 2T, mas a qualidade da composição melhorou. O consumo acelerou e o investimento em capital relacionado com a IA continuou robusto, enquanto a contribuição do setor exterior diminuiu. O Consumo Privado acelerou até +2,3% a/a vs. +2,1% anterior. O Investimento em Equipamentos cresceu +10% a/a, mantendo a tração do 1T (+8,4%). Com isso, a Formação Bruta de Capital aumentou +3,3% a/a vs. -1,2% no 1T, apesar do Investimento Residencial continuar a cair (-3,9%). O setor exterior retirou crescimento no trimestre devido ao forte aumento das importações para satisfazer a procura de investimento em capacidade produtiva. A Despesa Pública (-0,14% vs. +0,74% no 1T) e Inventários (-0,7% vs. +0,2%) também o fizeram. Eliminado o impacto, mais volátil a cada trimestre de Exportações Líquidas, Inventários e Despesa Pública, a métrica chamada “Vendas Finais aos Compradores Nacionais: (“Final Sales to Domestic Purchasers”) cresceu +3,9%, mais do que duplicando o crescimento no 1T e alcançando o maior ritmo desde 1T23. OPINIÃO: Resultados positivos. O crescimento modera-se marginalmente, mas continua robusto e apoiado numa aceleração da Procura Interna. Link para o relatório completo (em espanhol). (ii) O Deflator do Consumo (PCE) desacelera em linha com o esperado.- Modera-se até +3,7% vs. +4,1% anterior. Taxa subjacente +3,3% vs. +3,4% anterior. OPINIÃO: Resultados positivos em linha com o esperado. A queda do preço do petróleo bruto explica a moderação. O barril de petróleo WTI médio 79 $ em junho vs. 88 $ em maio (-10%). Com isso, a componente de Energia do PCE cai -5,9 % m/m. O dado está em linha com a moderação até +3,5% desde +4,2% anterior do IPC. Durante as últimas semanas, vivemos episódios de elevada volatilidade no preço do petróleo bruto perante constantes mudanças de postura das partes implicadas no conflito no M. Oriente. Contudo, a média do preço do WTI, no mês de julho, situa-se ligeiramente abaixo do nível de junho, em 78 $. Por isso, resta esperar que a componente de Energia continue a retiração inflação no próximo mês. Assim, de momento, a inflação parece ter deixado para trás o pico (+4,1% em maio). Link para o relatório completo (em espanhol).

REINO UNIDO (ontem): O BoE cumpre o esperado e mantém sem alterações as taxas de juros de referência em ,75%. – A decisão não foi unanime, com 6 conselheiros a favor de manter (vs. 7 esperado vs. 7 em junho) e 3 votos a favor de subir +25 p.b. (vs. 2 esperado vs. 2 em junho). O BoE mantém um tom prudente e dependente dos dados. OPINIÃO: O BoE não se inclina para uma série de política monetária concreta. A incerteza sobre o prolongamento e impacto do conflito no M. Oriente faz com que se mantenha uma abordagem dependente dos dados. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda nos preços. A Taxa Subjacente mantém-se em junho em +2,6% vs. +3,2% em fevereiro e os salários desaceleram (+3,4% em maio vs. +5,0% em maio 2025). Além disso, a Taxa Geral não só não aumenta, mas modera-se até +2,6% em junho vs. +2,8% em maio. A nossa estimativa aponta para um IPC em +3,2% no final de 2026. As taxas de juros no R. Unido são as mais altas entre os principais bancos centrais e ainda estão em terreno restritivo, o que dá ao BoE mais margem na hora de avaliar o impacto nos preços e ajustar a política monetária. Neste contexto, consideramos mais provável que o BoE mantenha sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75% em 2026 e 2027. As nossas previsões de taxas de juros diferem ligeiramente das perspetivas do mercado porque as obrigações descontam até duas subidas de +25 p.b. até ao final de 2027. Link para o relatório completo (em inglês).

UE (ontem): O crescimento do PIB acelera acima do esperado: +1 ,0% a/a vs. + 0,7 % e +0,5% anterior (revisto desde +0,3%). – O crescimento europeu reverte a tendência de moderação e volta a acelerar até +1,0%. Alemanha (ca. 28% do PIB da UE) surpreende positivamente: +0,9% a/a vs. +0,6% esperado vs. +0,7% anterior (revisto desde +0,4%) graças à melhoria do setor exterior, que poderá dever-se à antecipação de compras perante receio de aumentos de preços e constrangimentos nas cadeias de abastecimento globais pelo conflito no M. Oriente. Contudo, a Procura Interna continua a pesar sobre o crescimento devido à perda de confiança dos consumidores. Os países nórdicos e periféricos lideram o crescimento: Espanha (+2,7%) apresenta uma das taxas de crescimento mais altas da zona euro, com Procura Interna como principal motor de crescimento e apenas atrás da Lituânia (+3,8%) e Suécia (+2,8%). Irlanda modera a sua queda até -5,6% vs. -13,2% ant. Por sua vez, França desacelera ligeiramente (+0,7% desde +0,8%). OPINIÃO: Dado positivo. Com o foco na inflação e crescimento a ganhar tração, o BCE continuará a manter uma abordagem dependente dos dados e da evolução do conflito no M. Oriente. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda com a Taxa de Inflação Subjacente em níveis prévios ao início do conflito (+2,4%). Contudo, embora não seja o nosso cenário central, com este dado de PIB aumenta a possibilidade de que ocorra uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. ao longo da segunda metade do exercício. O impacto do dado foi positivo no mercado. Link para o relatório completo (em espanhol).

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30/07/2026

Ontem: “As bolsas e as obrigações corrigem. O petróleo volta aos 90 $ e a Fed não acrescenta grandes novidades.”

Bolsas em baixa, yield das obrigações em alta (queda de preços) e o dólar apreciou-se (1,146). O petróleo motivou estes movimentos, com o Brent a chegar aos 90,7 $ (+8,0%). Os EUA anunciaram estar a preparar um “duro” ataque surpresa ao Irão, como represália após o assalto a uma das suas bases, na Jordânia. Ataques que aconteceram esta madrugada, dirigidos a objetivos da Guarda Revolucionária. Este movimento implica uma escalada de tensão entre ambos e afasta a possibilidade de uma aproximação.

A Fed manteve as taxas de juros em 3,50%/3,75%, numa decisão que não foi unânime (9 votos a favor; 3 contra). Warsh não acrescentou grandes novidades, o que adiou as expetativas de subidas de taxas de juros. Não fez referência aos próximos movimentos de taxas de juros, embora tenha reiterado a sua determinação de devolver a inflação para o seu objetivo de +2,0%. 

Em suma, sessão em baixa para bolsas, subida das yields, preço do petróleo em alta e depreciação do dólar. 

 

Hoje: “Macro, resultados e BoE. Sessão de menos a mais?” 

Ontem, no fecho, publicaram várias empresas com tom misto. Microsoft (+9,0%) e Lam Research (+6,6%) subiram com força no mercado fora de hora após bateram expetativas. Contudo, corrigiram Meta (-7,0%), após elevar investimentos, e Qualcomm (-4,6%) por resultados piores do que o esperado.

Hoje é um dia muito intenso em macro. Conheceremos resultados do PIB 2T26, tanto na Europa como nos EUA. Na Europa (10 h), espera-se uma melhoria face ao dado anterior, +0,7% vs. +0,3%, embora França tenha dececionado à primeira (+0,7% vs. +0,8% ant.), enquanto nos EUA (13:30 h) o crescimento será sólido, +2,0% est. Também será publicado o Deflator do PCE de junho, que poderá moderar-se até +3,7% desde +4,1%, o que seria coerente com a redução do preço do petróleo durante junho (Brent -23%). 

Nos bancos centrais, teremos a reunião do Bank of England (12 h) e espera-se que mantenha as taxas de juros em 3,75%, o que seria razoável tendo em conta que a inflação se moderou (+2,6% junho vs. +2,8% ant.). Finalmente, volta a ser um dia muito intenso em resultados. À primeira hora, publicaram BBVA, Adidas, Sanofi, BMW, Acciona ou ING e o saldo foi positivo. No fecho, será a vez de Apple e Amazon.

Com tudo isso, as bolsas provavelmente vivem uma sessão de menos a mais, e até os EUA poderão fechar em positivo.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): (1) PIB (preliminar) 2T 2026 +2,7% a/a vs. +2,4% esperado e +2,7% a/a ant. Em termos intermensais, +0,7% (vs. +0,6% esperado).  Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: O PIB surpreende para melhor, com um crescimento uma décima superior, +0,7% t/t, em relação ao 1T 2026, e mantém o crescimento interanual estável em 2,7% a/a vs. desaceleração esperada. Força da Procura Interna, especialmente em Consumo das Casas (+0,7% t/t desde +0,6% t/t) e Formação Bruta de Capital (+0,5% t/t desde +0,1% t/t). Este exercício finaliza a aplicação dos fundos europeus, o que pode estar a impulsionar a sua execução. A CE já aprovou o 6.º desembolso. (2) IPC julho (preliminar) eleva-se até +3,5% a/a vs. 3,2% estimado e anterior. A Taxa Subjacente também aumenta para +3,0% a/a desde +2,9% a/a anterior, ao contrário da redução de uma décima esperada. Em termos mensais, a inflação subiu +0,2% m/m (vs. +0,6% ant.), a Subjacente -0,1% m/m (vs. +0,4% ant.). Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: Comportamento pior do que o esperado e implica o nível mais alto do ano. O aumento está afetado pelos preços de combustíveis e eletricidade. Há que recordar que, no final de junho, recuperou-se o IVA de combustíveis, mas o governo prolongou parcialmente as medidas para amortizar o impacto pelo conflito no M. Oriente (ajustes de 0,15 €/litro em julho, que passará para 0,10 €/litro em agosto e a eliminação progressiva do Imposto à Produção Energética de Energia Elétrica). Na nossa estratégia de investimento 3T 2026, estimávamos que o aumento da inflação seria progressivo até 3,6% / 3,7% para o final do 3T 2026. A nossa estimativa aponta para +3,3% dez.-26. 

FRANÇA (06:30 h): O PIB preliminar 2T 2026 situa-se abaixo do esperado. Em termos interanuais, +0,7% vs. +0,9% est. vs. +0,8% ant. (revisto desde +0,9%). Na comparação t/t: +0,2%, em linha com o esperado vs. -0,1% anterior. OPINIÃO: Os dados situam-se abaixo do esperado e são o prelúdio da publicação dos PIBs por países, conhecidos ao longo do dia: Itália (+0,7% esp. vs. +0,8% ant.) e Alemanha (+0,6% vs. +0,4%) às 9 h, e Portugal às 9:30 h. O conjunto da UE (+0,7% vs. +0,3%) será publicado às 10 h. Serão números importantes para calibrar o impacto no ciclo económico do conflito entre os EUA/Irão. Em qualquer caso, as taxas de crescimento serão um pouco erráticas, o que, a priori, deverá enfraquecer os argumentos do BCE para voltar a subir taxas de juros. 

EUA/FED (ontem): A Reserva Federal cumpriu expetativas e manteve sem alterações as taxas de juros (Fed Funds) em 3,50%/3,75%. A decisão não foi unânime (9 votos a favor / 3 contra): Hammack, Kashkari e Logan votam a favor de uma subida de +25 p.b. O comunicado apenas incluía alterações em relação à reunião de junho. Continuava a apontar para um crescimento sólido da economia, um emprego estável e uma inflação elevada que ainda se mantém longe do objetivo de inflação (2%). Principalmente como consequência de “choques de oferta” em referência à crise energética derivada do conflito no M. Oriente. OPINIÃO: A reunião da Fed acrescentou poucas novidades, o que, em certo modo, tranquilizou o mercado. De facto, após a reunião, o mercado desconta que as taxas Fed Funds subirão +25 p.b. em outubro de 2026 (vs. setembro de 2026 antes da reunião). Na nossa opinião, a tendência das taxas de juros continuará a ser dependente dos preços do petróleo e, portanto, do conflito entre os EUA/Irão. O nosso cenário central continua a contemplar uma desescalada do conflito com um preço do petróleo entre 80 $/85 $. Mantemos que o próximo movimento será em baixa e não em alta, como o mercado desconta. Principalmente porque (i) de momento, a inflação parece ter deixado para trás o pico (+3,5% em junho vs. +4,2% maio), (ii) Warsh está apenas há 2 meses como Presidente e necessita de tempo para avaliar, calibrar e realizar as reformas anunciadas na última reunião (balanço, metodologia de cálculo da inflação…). E (iii) porque com as eleições de meio mandato em novembro, Trump exercerá maior pressão política sobre Warsh para que a Fed não endureça a política monetária. Link para a nossa nota completa da reunião (em espanhol). 

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29/07/2026

Ontem: “Sessão positiva nas bolsas, apesar da tecnologia e semis, graças à correção do petróleo.”
Sessão de menos a mais, tanto na Europa (+0,12%), como em Nova Iorque (+0,21%), graças à queda do preço do petróleo bruto (-5%; 81 $ Brent e 78 $ WTI) e apesar da correção em Tecnologia (-0,2%) e especialmente em Semis (-4,5%). O mercado continua assustado pelo impacto que a concorrência chinesa possa ter nas estimativas de crescimento das empresas de chips, onde as exigentes avaliações descontam uma execução quase perfeita dos seus planos de negócio.

Na frente macro, conhecemos 3 dados macro relevantes: i) o Défice Comercial dos EUA moderou-se menos do que o esperado em julho (-101,5B $ vs. -100,0M$ esp. e -105,8B$ anterior); ii) os Preços de Habitação Case-Shiller de maio aumentaram mais do que o esperado (+1,6% vs. +1,3% est. vs. +1,2% ant.); iii) A Confiança do Consumidor moderou-se mais do que o esperado em julho (90,8 vs. 92,4 est. e 92,2 ant.). Na frente micro, destacaram vários resultados que surpreenderam positivamente como Coca-Cola, Boeing ou PayPal. Nos EUA, com 132 empresas reportadas (27% do total), o crescimento do EPS situa-se em +71,7% (vs. +24,4% esperado).


Hoje: “Sessão com tendência negativa, pelo menos até à Fed (19 h). Nova correção em semis e petróleo em alta.” 

A queda do KOSPI sul-coreano (-6,7%) antecipa uma nova correção em Tecnologia, com SKHynix a cair -14%, apesar de bater estimativas. Além disso, uma série de ataques iranianos com mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia fez aumentar o preço do petróleo bruto em cerca de +4% (87 $ Brent e 82 $ WTI), portanto, a falta de referências macro e até se conhecer a decisão da Fed (19 h), isto é o que marcará o tom do mercado, eclipsando os resultados empresariais, que continuam a bater o mercado de forma geral: Ford, ASMI, Essilor, Ferrovial, Telefónica, RWE, Caixa… e ao longo do dia teremos mais… embora o importante venha com N. Iorque fechada: Microsoft (EPS est. 4,25 $; +16,4%) e Meta (EPS est. 7,17 $; -2,0%), onde teremos de prestar atenção às suas estimativas de CAPEX para o ano. Meta espera investir entre 125B $/145B $ e Microsoft 190 B$, qualquer revisão em alta será penalizada pelo mercado, embora seja positivo para os semis. Às 19 h conheceremos a decisão da Fed, que quase com total certeza repetirá taxas de juros em en 3,5%/3,75%, embora o mercado atribua uma possibilidade de 30% de uma subida, mas não é o nosso cenário. E em relação às mensagens que o seu governador, Kevin Warsh, emitir, o mais provável é que sejam breves, crípticas e ambíguas. Em suma, sem referências macro até à Fed, com um petróleo em alta e tom negativo em semis. Provavelmente teremos uma sessão com tendência negativa, embora se os resultados continuarem a surpreender em alta e nos chegarem melhores notícias desde o M. Oriente possamos ver uma melhoria ao longo da sessão.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): (i) A Balança Comercial (junho) apresenta uma moderação do Défice Comercial inferior à esperada: -101,5B $ vs. -100,0 M$ esp. e -105,8 B$ anterior. As exportações caíram -1,0% (m/m) e as importações -2,3%. Em exportações, destaca a queda de suprimentos industriais (-4,4%), nomeadamente matérias-primas energéticas. Em importações, caem tanto os bens de consumo (-3,8%), como bens de capital (-2,0%). OPINIÃO: Reduz-se o défice comercial, mas isto deve-se ao facto das importações caírem mais rápido do que as expetações e não a uma maior procura estrangeira de bens norte-americanos. A queda geral nas importações, tanto em bens de consumo como de capital, pode refletir uma desaceleração da procura interna e um investimento empresarial mais cauteloso, enquanto a moderação das exportações também indica uma procura externa mais suave. (ii) O Indicador de Preços de Habitação Case-Shiller de maio aumenta acima do esperado: +1,6% vs. +1,3% esperado vs. +1,2% anterior. Em intermensal (m/m): +0,2% vs. +0,0% estimado e +0,0% anterior. OPINIÃO: É o melhor dado de crescimento desde agosto de 2025, embora continuam a ser níveis historicamente baixos (+6,5% média 10 anos). O mercado da habitação continua afetado por taxas de juros hipotecárias (30 anos) altas, embora pareça que já tenha alcançado o fundo em março e começa a recuperar graças à força da economia e a um mercado laboral que goza de boa saúde. (iii) A Confiança do Consumidor sai pior do que o esperado em julho: 90,8 vs. 92,4 estimado e 92,2 anterior (revisto desde 91,2). Situação Atual 114,9 vs. 117,5 est. e 116,4 ant. Expetativas 74,7 vs. 74,4 est. e 74,4 ant. OPINIÃO: Dado negativo, embora os inquéritos incluam o aumento de tensão no M. Oriente e o consequente aumento dos preços do petróleo ao terem sido realizados entre 1 e 22 de julho, mas não inclui a moderação que vimos nos últimos dias. Isto deverá reforçar a ideia de que a Fed irá manter taxas de juros na sua reunião de hoje perante um possível arrefecimento da economia, embora a recente moderação dos preços do petróleo após a retoma de conversações entre os EUA e o Irão possa refletir-se como um aumento no dado de agosto.

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28/07/2026

Ontem: “Alívio pela queda do petróleo, mas nova concorrência chinesa em semis?”

O forte retrocesso do petróleo bruto (Brent -8,7% até 88,4 $) acrescenta alívio às bolsas e obrigações após o arrefecimento das tensões no M. Oriente. A yield do Bund relaxa -3,8 p.b. até 3,13% e o T-Note -4 p.b. até 4,63%. A estreia bem-sucedida na bolsa da empresa de semis chinesa CXMT (+466%), em Xangai, parecia que animaria a tecnologia, mas o anúncio confuso à primeira hora da tarde de que uma empresa chinesa apoiada pelo Estado poderia começar a fabricar máquinas de litografia avançada, equipamento fundamental para o fabrico de chips, e que eventualmente competiria com os equipamentos de ASML (-8,5%) pressiona os semis (-2,2%) e diminui o volume das bolsas de valores. Nova Iorque e Europa fecharam planas. A macro não influencia demasiado. O IFO alemão melhora mais do que o esperado em julho, mas o inquérito foi realizado na primeira metade do mês, quando o petróleo ainda não tinha aumentado. Os Pedidos de Bens Duráveis nos EUA cresceram menos do que o esperado em junho, embora o dado anterior tenha sido revisto para melhor. Na frente corporativa, pouco intensa, o resultado é misto. AstraZeneca (+0,3%) e Galp Energía (-3,3%) batem; Hochtief (-3,0%) dececiona. Em suma, o petróleo dá um alívio às obrigações, mas nova concorrência chinesa em semis penaliza a tecnologia e diminui o volume das bolsas de valores.

 

Hoje: “Digestão após a irrupção chinesa em tecnologia.” 

As quedas no setor de semis aceleram nos índices asiáticos (Coreia -11%, Taiwan –6,3%) perante o risco de concorrência crescente chinesa após o anúncio dos avanços em capacidades de litografia para chips. Acrescenta-se a preocupação de sobreinvestimento em IA, propiciando realizações de lucros após reavaliações avultadas no ano (semis EUA+63%, Coreia e Taiwan +44%). Este é o foco de hoje: a onda gerada por essa nova irrupção chinesa no setor. A médio prazo, os fortes crescimentos voltarão a impor-se, mas hoje prejudicarão as bolsas. Além disso e com o petróleo bruto que continua a enfraquecer (Brent -1,3% até 87 $), os resultados empresariais assumem o protagonismo. Publicam 27 empresas na Europa e 42 nos EUA. Após o fecho europeu, LVMH (ADR -1,2%) publicou resultados 1S2026 que, com aspetos positivos e negativos, não dissipam as dúvidas sobre o setor de luxo. À primeira hora, Mercedes corta as guias e antecipa a queda de vendas em 2026 pela debilidade da procura na China, e Merlin Properties revê em alta a avaliação de ativos. Em macro, destaca a Confiança do Consumidor nos EUA (15 h), que se espera que aumente ligeiramente, embora seja mais relevante ver como as margens das empresas de consumo aguentam num contexto de elevados preços dos insumos (PPI +5,5% vs. IPC +3,5% m junho). Com tudo isso, a sessão será de alguma ressaca na tecnologia, que se compensará com a queda do petróleo bruto e saldo positivo dos resultados.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): A Taxa de Desemprego situa-se em 9,87% no 2T 2026 vs. 10,10% esperado e desde 10,83% no 1T 2026. O número de pessoas empregadas aumentou até 22,78M de trabalhadores +2,2% t/t; +2,3% a/a (+486 mil pessoas desde 1T e +510,2 mil pessoas desde há um ano), com uma redução do número de Inativos de 124,7 mil desde o último trimestre. O número de Desempregados descendeu até 2,49M de pessoas -7,9% t/t; -2,3% a/a (-213,3 mil pessoas no trimestre e -57,8 mil desde há um ano). Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: A Taxa de Desemprego melhora no 2T como é sazonalmente habitual no trimestre, embora melhor do que o esperado. A Taxa de Desemprego está ainda longe dos nossos mínimos de 2007 (7,9%), apesar do crescimento superior à média europeia, onde a Taxa de Desemprego está em mínimos históricos (6,2%). As nossas projeções apontam para uma evolução moderada da Ocupação ao longo do ano, com uma ligeira moderação na Taxa de Desemprego média anual para 10,3% em média 2026 e 10,1% em 2027, para 10% no final do ano.

ALEMANHA (ontem): O IFO melhorou mais do que o esperado em julho; embora sem inclui o novo aumento do petróleo. – Clima Empresarial 86,6 vs. 86,0 esperado e 85,7 anterior. Expetativas 86,7 vs. 84,8 esperado e 84,3 anterior. Situação Atual 86,5 vs. 87,3 esperado e 87,0 anterior. OPINIÃO: Boas notícias, embora com impacto neutro nas bolsas e obrigações. Há que ter em conta que o inquérito foi realizado na primeira quinzena do mês, com o petróleo ainda abaixo dos 85 $ (Brent). O mais provável é que tenda a deteriorar-se nos próximos meses após o novo aumento nos preços do petróleo bruto. Link para o relatório completo (em espanhol).

EUA (ontem): Os Pedidos de Bens Duráveis cresceram menos do que o esperado em junho, embora se tenha revisto o dado anterior para melhor. – Pedidos de Bens Duráveis +0,3% m/m vs. +1,8% esperado e -4,0% anterior. Excluindo Transporte cresce +0,6% m/m vs. +0,8% esperado e +1,8% anterior. OPINIÃO: Embora o dado tenha sido aparentemente mau, ao refletir menor crescimento do esperado, deve-se, em boa medida, à revisão em alta do dado anterior. Por isso, teve impacto neutro nas bolsas e obrigações. Link para o relatório completo (em espanhol).

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24/07/2026

Ontem: “O petróleo supera a barreira dos 100 $.”

O novo foco de tensão no Médio Oriente com os ataques huthis à entrada do Mar Vermelho continua a pressionar o preço do petróleo bruto, que sobe pelo 5.º dia consecutivo e supera o nível psicológico de 100 $ (Brent +7% até 100,7 $; +38% no mês). As yields das obrigações aumentam e alcançam níveis não vistos desde a crise financeira de 2011 (Bund +3,1 p.b. até 3,20%, T-Note +4,7 p.b. até 4,70%). Neste contexto, o BCE mantém as taxas de juros como esperado, mas com um tom cauteloso, dependente dos dados. Não antecipa possíveis próximos movimentos num contexto de incerteza elevada, mas alerta que o impacto do choque energético ainda não aconteceu. Na frente empresarial, o aumento de investimento anunciado por Alphabet (-7,1%) volta a reavivar a preocupação por um possível excesso de capacidade no futuro e os retornos desses investimentos. As 7 Magníficas cedem -4,6%, especialmente Tesla (-14,5%) após voltar a esgotar o orçamento no 2T pela primeira vez em 2 anos. Na Europa, STMicroelectronics (-17,7%) e Nestlé (-8,0%) dececionam. Moncler (-7,9%) também publica débeis vendas na China e Europa e arrasta o setor de luxo. Pelo contrário, defesa e energia avançam. Em suma, sessão de perdas nas bolsas e obrigações perante o aumento do petróleo bruto pela tensão geopolítica e preocupação pelos retornos futuros da IA.

 

Hoje: “Petróleo bruto volátil e próxima semana intensa. Esperar e ver.” 

O preço do petróleo bruto enfraquece ligeiramente, mas ronda os ~100$. E este é o fundo do mercado, junto com os resultados empresariais. SAP e Intel, ontem após o fecho, batem expetativas. À primeira hora, Volkswagen dececiona e diminui as guias, Mapfre apresenta bons resultados e Sabadell, misto. Saldo bastante bom. A macro hoje tem pouca capacidade de influência: o Inquérito de Expetativa de Inflação do BCE moderar-se-á, mas são dados de junho, portanto, não refletem o aumento recente do petróleo bruto; e os PMIs continuístas tampouco farão ruído. Hoje entram em vigor os novos impostos alfandegários dos EUA, de 10%/12,5%, substituindo os 10% genéricos. A próxima semana é intensa em bancos centrais (Fed, BoE, BOJ), macro (IPCs de julho, PIBs 2T) e resultados empresariais (LVMH, Microsoft e Meta, Apple e Amazon). Uma nova frente geopolítica aberta e muita informação para processar na próxima semana não convidam a fazer movimentos para o fim de semana. Mas poderemos ver alguma estabilização em modo esperar e ver.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (07:00h): As Vendas a Retalho aumentam com força, acima do esperado em junho: +4,2% a/a vs. +2,4% esperado vs. +3,2% anterior (revisto desde +3,5%). -A medida mais subjacente, que exclui automóveis e componentes por serem mais voláteis: +5,4% vs. +3,2% vs. +4,6% (revisto desde +4,9%). OPINIÃO: Dados positivos que superam as expetativas. As Vendas a Retalho aumentaram graças à forte procura em produtos para exteriores, ar condicionado e roupa. Estes números, junto com uma inflação mais moderada (+2,6% a/a) permite pensar que a confiança melhora num contexto de memorandum de entendimento em junho. O indicador poderá perder um pouco de força em julho, num contexto de aumento de tensão entre os EUA e o Irão.


ÍNDIA (06:00 h): Os PMIs perdem tração em julho, penalizados pela deterioração no setor Serviços. O PMI Serviço situa-se em 53,1 pontos vs. 57,4 anterior; PMI Industrial 53,9 vs. 54,2. Ambos se traduzem num PMI Composto de 54,3 vs. 57,1. OPINIÃO: Dados negativos que mostram uma certa desaceleração na economia. Índia é um país altamente dependente da energia e um preço de petróleo mais alto prejudica.

JAPÃO (00:30 h): (i) A inflação aumenta em junho, em linha com o consenso. A taxa geral situa-se em +1,7% a/a vs. +1,5% anterior. A taxa subjacente modera-se abaixo do esperado, até +1,7% desde +1,8% ant. OPINIÃO: A inflação cumpre o estimado enquanto a subjacente modera-se uma décima. À medida que são retiradas as subvenções do governo que contribuem para manter os custos energéticos baixos, a inflação aumentará progressivamente. Além disso, será apreciado um aumento na inflação de serviços devido a um aumento nos salários, o que tem impacto direto nos preços. Tudo isto reforça a nossa ideia de que o BoJ (banco central) irá subir taxas de juros (+25 p.b.) em dezembro, e outra subida em meados de 2027. (ii) O PMI Composto melhora em julho, apesar do Industrial e Serviços se moderarem ligeiramente. O PMI Industrial situa-se em 54,7 vs. 54,8 anterior; PMI Serviços 51,9 vs. 52,2 ant. e o PMI Composto 53,1 vs. 52,8 ant. OPINIÃO: Bons resultados que se mantêm acima do terreno de expansão (> 50 pontos) e mostram um cenário mais favorável do que o esperado em relação ao conflito no M. Oriente. Isto apoia um tom mais hawkish/duro por parte do BoJ e convida a pensar em futuras subidas de taxas de juros. 

UE (ontem): (i) O BCE cumpriu as expetativas do mercado e manteve as taxas de juros em 2,25% (Depósito)/ 2,40% (Crédito). OPINIÃO: A decisão foi unânime, embora Lagarde tenha advertido que alguns governadores consideraram voltar a subir já nesta reunião. Esta foi a principal novidade desta reunião, porque com esse comentário, o BCE deixa aberta a porta a uma nova subida em setembro. Dependerá, em grande parte, dos dados que sejam publicados até então e da evolução do conflito no M. Oriente. O nosso cenário central não contempla novos movimentos de taxas de juros este ano. A inflação moderou-se em junho, mais do que estimado (+2,8% desde +3,2%), e a Taxa Subjacente, que exclui energia e alimentos, voltou a níveis anteriores ao conflito no M. Oriente (+2,4%). Sem uma aceleração de Salários (+2,3% a/a em junho), nem efeitos de segunda ronda relevantes, não parece razoável antecipar um ciclo de subidas de taxas de juros. Especialmente porque o crescimento continua a mostrar sinais de debilidade. O PIB do 1T 2026 aumentou +0,5% (vs. +1,1% no 4T 2025) e as nossas estimativas apontam que irá fechar o ano com um crescimento médio de +0,8%. Link para a nossa nota completa (em espanhol). (ii) A Confiança do Consumidor em julho situou-se em -15,9 vs. -17,0 esperado vs. -17,6 anterior (revisto desde -17,7). OPINIÃO: Ligeira melhoria da Confiança do Consumidor, que se situou no seu melhor nível desde fevereiro. Dito isto, manteve-se em terreno negativo como aconteceu nos últimos anos. Esta melhoria ocorreu num contexto em que: (i) os EUA e o Irão alcançaram um acordo de entendimento que permitiu uma moderação do preço do petróleo. Não obstante, nas últimas semanas, a tensão entre ambos aumentou, o que provocou um aumento do petróleo bruto, o Brent alcançou os 100 $/barril, e isso deverá impactar negativamente nos próximos dados. (ii) Esta melhoria ocorreu apesar do BCE ter subido taxas de juros em +25 p.b. até Depósito em 2,25%, Crédito em 2,40% e Marginal em 2,65%. (iii) A inflação em junho moderou-se até +2,8% desde +3,2%, com a subjacente em +2,4%, o que favoreceu a perceção dos consumidores.  


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23/07/2026

Ontem: “Entre geoestratégia e resultados empresariais.”

O aumento da tensão no Médio Oriente, com a extensão para o Mar Vermelho, manteve o preço do petróleo em alta (ontem, 94,07 $/barril +3,4%). As rentabilidades das obrigações com ligeiras subidas, maiores nos prazos curtos, aplanando ligeiramente as curvas. O Bund +0,7p.b. (até 3,17%) e o T-Note +2,7 p.b. (até 4,65%). 

As bolsas mantiveram um sinal mais positivo na Europa, onde destaca a subida de Utilities e financeiras, que estão a abrir a temporada de resultados. Os EUA fecharam com ligeiras quedas, apesar do bom comportamento de Utilities e Energia. A Tecnologia manteve um comportamento mais neutro, com ligeira correção em Alphabet (-1,5%) prévia aos seus resultados. Contudo, alguns nomes próprios destacaram-se em hardware como SMC (+19,8%), após melhorar as suas guias de margens em alta, o que impulsionou também comparáveis como DELL (+9,3%); pelo contrário, entre as energéticas, GE Vernova retrocedia -8,7%, com guias que melhoraram, mas não impressionaram; após uma elevada reavaliação no ano (+54,5% e +98,7% em 2025). Em suma, sessão mista nas bolsas entre a geoestratégia e a análise de resultados.

 

Hoje: “Duas referências, BCE (sem alterações) e publicação de resultados; com autorização da geoestratégia.” 

O preço do petróleo bruto continua a escalar (95,97 $/barril +2,0%) perante os ataques a petroleiros no Mar Vermelho (por huthis). Duas referências fundamentais hoje, com autorização da geoestratégia: (i) BCE, que manterá taxas de juros (13:30 h) após a subida de +25 p.b. na sua última reunião (até 2,25%/2,40%, a 11 de junho). A inflação mostrou uma correção superior ao esperado em junho, até +2,4% na taxa subjacente (-0,2pp no mês). O certo é que os preços do petróleo bruto recuperaram nos últimos dias, ainda abaixo da média de março-maio (101,9 $/barril) e, de momento, não se observam efeitos de segunda ronda. O BCE pode manter a sua mensagem da dependência dos dados e ganhar visibilidade sobre a evolução da situação na região até setembro. Na nossa opinião, o BCE realizou uma subida preventiva, mas que não deve implicar uma mudança de tendência. (2) Temporada de resultados. Nos EUA, com 49 empresas publicadas, estão a ser superadas as expetativas: +55% (vs. +24,4% esperado ao início). Ontem, no fecho de mercado americano, Alphabet bateu em resultados, embora tenha retrocedido em aftermarket (-2,9%) pelo aumento do Capex, positivo para os fabricantes de chips. Na Europa, esta manhã, as surpresas estão a ser mais positivas. Unicredit revê o guidance em alta, Indra supera e Thales cumpre. Ao longo da sessão conheceremos dados de SAP e Intel, e de duas grandes de defesa nos EUA (Lookheed Martin e RTX). Em suma, se a frente geoestratégica o permitir, os resultados empresariais continuarão a marcar a atualidade, especialmente positiva para as financeiras e petroleiras.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

SETOR AUTOMÓVEL EUROPEU (05:00 h): As vendas de carros avançam +13,6% a/a em junho. Com isso, crescem +5,7% no ano e as unidades vendidas alcançam 5,9M. No mês, os elétricos puros lideram os avanços (+60,7%) seguidos pelos híbridos plug-in (+22,1%) e os híbridos não plug-in (+18,4%) enquanto os motores de combustão retrocedem (-16,1% diesel e -12,4% gasolina). OPINIÃO: As vendas de veículos eletrificados continuam a ganhar inércia e ampliam as suas quotas de mercado graças à extensão de subsídios e novos incentivos fiscais à compra introduzidos em muitos países. Nomeadamente, os elétricos puros representam já 20,7% do total das matrículas no conjunto de 2026 (vs. 15,6% em 2025).

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22/07/2026

Ontem: “A tecnologia recupera terreno e anima as bolsas.”

A tecnologia americana foi ontem a grande protagonista (+1,9% vs. +0,8% índice geral). As quedas recentes oferecem um ponto de entrada atrativo para um setor com bons fundamentos (margens elevadas, crescimento sólido de lucros, alta geração de fluxo de caixa e balanços saneados). Por isso, os semis, a nossa principal recomendação setorial, subiam ontem +5,2% após caírem -10% aprox. na semana passada. Na Europa, tom positivo (+0,9%) apesar da ausência de grandes referências. O mais destacável foi o ZEW de Sentimento Económico alemão. Passou praticamente despercebido, embora tenha avançado mais do que o estimado (26,3 vs. 15,3 esperado e 10,5 anterior) graças à melhoria de perspetivas para o setor industrial e procura interna. 

As obrigações sofreram aumentos gerais de rentabilidade (Bund +1 p.b. até 3,16% e T-Note +4 p.b. até 4,63%) numa sessão com novos aumentos no preço do petróleo (Brent +2,0% até 91,0 $).

Em suma, sem grandes referências e apesar da subida do petróleo, a tecnologia animou o mercado.

 

Hoje: “Modo espera até os resultados de Alphabet e Tesla.” 

O IPC britânico segue os passos do americano e do europeu. Modera-se em junho até +2,6% vs. +2,7% estimado e desde +2,8%. A taxa subjacente repete em +2,6% vs. +2,5% estimado. Boas notícias que refletem a moderação da energia nos últimos meses (Brent -22% desde fecho de março). Contudo, as nossas estimativas apontam que a inflação britânica irá fechar 2026 em +3,1%, o que impedirá o Banco de Inglaterra de baixar taxas de juros este ano. Veremos. A curto prazo, será um fator de apoio para a abertura europeia. Embora sejam os resultados empresariais com a atenção. A campanha ganha inércia na Europa, onde se estima um crescimento de EPS de +15%. À primeira hora, publicaram Santander (em linha), Enagas (bate) e Iberdrola (bate). 

Serão mais determinantes Alphabet e Tesla, mas publicará no fecho de Nova Iorque e, portanto, influenciarão já na sessão de amanhã. Por isso, esperamos uma evolução bastante lateral nas bolsas. Após os fortes aumentos da tecnologia ontem, o mercado precisa de ganhar confiança sobre os números que as grandes empresas do setor publicarão antes de continuar a avançar. Os lucros continuarão a ser o principal catalisador para o mercado, mas as expetativas de crescimento são elevadas e é relevante confirmar que não são excessivas. Convém recordar que nos EUA espera-se um avanço do EPS de +24% no 2T, mas em tecnologia a aceleração estimada alcança os +40%. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

JAPÃO (00:50 h): Balança Comercial (junho): -406.900 M¥ vs. -120.000 M¥ vs. -391.800 M¥. Exportações +19,3% a/a vs. +18,0% esperado vs. +16,8% anterior. Importações +25,4% vs. +21,2% esperado vs. +12,5% anterior. OPINIÃO: O défice comercial aumenta mais do que o esperado, já que um yen débil, em mínimos de 40 anos, encarece as importações, e a guerra no Irão eleva o preço do petróleo para um país altamente importador de energia do M. Oriente. Em junho, o $/¥ médio ascendeu a 159,69, 10,9% inferior ao do mesmo mês de 2025. Com isso, as importações crescem +25,4% a/a (+59,3% as de petróleo bruto) até um máximo histórico de 11.300 M¥, e as exportações +19,3%. Destacam as exportações de componentes elétricos, como semicondutores, que aumentaram +54%. Por países, o superavit comercial nos EUA continua a reduzir-se à medida que as empresas japonesas continuam a ajustar-se aos impostos alfandegários, enquanto o défice com a China continua a aumentar. É previsível que o défice comercial continua a ampliar-se nos próximos meses enquanto os preços de importação aumentem mais do que os de exportação. Isso complica a ação do Banco do Japão que, embora provavelmente repita as taxas de juros na próxima semana, manterá a tendência de endurecimento da política monetária, já que um yen débil e maiores preços da energia continuam a pressionar a inflação. Os dados apontam que o setor exterior irá retirar crescimento do PIB no 2T26.

R. UNIDO (07:00 h): (i) IPC (junho): +2,6% vs. +2,7% esperado vs. +2,8% anterior. Taxa Subjacente +2,6% vs. +2,5% esperado vs. +2,6% anterior. (ii) Preços Industriais (junho): +3,5% vs. +3,5% esperado vs. +4,0% anterior. (iii) índice de Preços da Habitação (maio): +4,1% vs. +4,4% anterior. OPINIÃO: A inflação enfraquece 2 décimas, situando-se abaixo dos níveis pré-conflito do Irão (+3,0% em fevereiro). A queda do preço da gasolina, -4% no mês, ajuda a que o IPC alcance o menor nível desde março de 2025. Também se moderam os setores de Alimentação e Bebidas. A Taxa Subjacente, embora também inferior aos níveis prévios ao conflito (+2,6% vs. +3,2% em fevereiro), repete os mesmos níveis do mês anterior. A moderação da inflação provavelmente irá ver-se interrompida em julho, quando acabam as subvenções aos preços dos combustíveis. Os Preços Industriais continuam a crescer mais do que os preços para o consumo, impulsionados pelos preços da energia a pressionarem as margens empresariais. A inflação é uma das prioridades do governo e o novo PM, A. Burnham, anunciou a eliminação do IVA sobre as faturas da eletricidade das famílias a partir de outubro, o que reduzirá o IPC em 1 décima. Neste contexto, espera-se que o Banco da Inglaterra mantenha as suas taxas de juros na próxima semana (30 de junho), numa tentativa de equilibrar as pressões inflacionistas e um crescimento económico débil.

SETOR FARMA (ontem): Trump anunciou que as importações de medicamentos genéricos estarão sujeitas a um imposto alfandegário de 0% a partir de 1 de agosto de 2026 durante dois anos, que aumentará para 100% durante um ano, e 200% a partir de então. OPINIÃO: Há que realçar que esta medida só afetará medicamentos genéricos e não patenteados e de marca, portanto, o impacto nas grandes farmacêuticas europeias será limitado e, principalmente, afetará empresas pequenas da Índia e China (e, em menor medida, México e Israel), desde onde se importa a maior parte dos genéricos dos EUA. Além disso, deverá ter impacto positivo nas farmacêuticas dos EUA, ao reduzir-se a pressão sobre os preços após as suas patentes caducarem. 

ALEMANHA (ontem): O Inquérito de Sentimento Económico ZEW melhora e surpreende positivamente em julho graças à componente Expetativas. O inquérito ZEW – que inclui a opinião de ca. 350 analistas e investidores sobre a sua perceção da situação atual e perspetivas da economia para os próximos 6 meses – melhora de forma significativa em julho. O avanço explica-se principalmente pela componente Expetativas que alcança 26,3 pontos vs. 15,3 esperado vs. 10,5 anterior. A melhoria responde principalmente a umas perspetivas mais favoráveis para o setor industrial e procura interna. Trata-se do nível mais elevado dos últimos 5 meses, embora ainda esteja abaixo dos registos observados antes do conflito entre os EUA e o Irão, quando o indicador alcançou os 58,3 pontos. A componente de Situação Atual avança de forma marginal, em linha com o esperado, até -77,6 vs. -81,0 anterior. Contudo, de uma perspetiva histórica, permanece em níveis deprimidos (média histórica -15,4), refletindo que a economia alemã continua a atravessar problemas relacionados com o crescimento, procura interna, indústria… OPINIÃO: Interpretação positiva dos números, que recebem uma melhoria do sentimento para os próximos 6 meses. Não obstante, a reação dos mercados foi contida, o que sugere que a melhoria já estava parcialmente descontada pelos investidores. Link para a nota (em espanhol). 

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21/07/2026

Ontem: “Enfraquecimento na bolsa e volatilidade no petróleo.”

Sessão de mais a menos nos EUA e fecho neutro na bolsa europeia, numa sessão sem resultados importantes e macro de 2.ª linha (Indicador Adiantado nos EUA uma décima pior do que o esperado).

No plano geopolítico, o mais importante foi que, após 10 dias consecutivos de ataques no Irão por parte dos EUA e o anúncio de um bloqueio marítimo por parte dos Huthis (Iémen) contra a Arábia Saudita, o petróleo Brent subiu +1,3%, mas avalia abaixo do nível psicológico de 90 $/barril e longe dos máximos alcançados desde o início do conflito (~118 $ em março). 

As obrigações não baixam a guarda com subidas paulatinas na rentabilidade/yield, que ainda continuam longe de níveis críticos. O mais importante é que não há alterações significativas nas previsões de taxas de juros e/ou nas perspetivas de inflação a longo prazo, que se mantêm relativamente estáveis. 

Em suma, cautela nas bolsas e obrigações enquanto o petróleo tenta encontrar o equilíbrio e o dólar começa a recuperar parte do terreno perdido desde finais de junho.

 

Hoje: “Subida técnica após 3 dias consecutivos de quedas em Nova Iorque, com a atenção na tecnologia e resultados empresariais.” 

O fluxo de notícias de 1.ª hora não é excitante, mas tampouco mau. Não há alterações na geopolítica, a não ser que os EUA e o Irão afirmam estar abertos a diálogo, apesar de tudo. Trump volta à carga com os impostos alfandegários, desta vez para o Canadá, embora o impacto estimado pareça limitado (20.000 M$). A chave está na Ásia, que sobe com força graças à tecnologia (+4,0% em TSMC e Samsung) e convida-nos a pensar que as correções são passageiras e representam uma oportunidade de compra porque: (1) o fundo do mercado é sólido e o pior para a inflação parece já ter passado, (2) o mercado convive com a geopolítica da mesma forma que aconteceu com a Ucrânia, (3) a macro evolui melhor do que o esperado, principalmente nos EUA, e vivemos um ciclo expansivo liderado pelo investimento empresarial e o boom da tecnologia/IA, (4) é difícil ver um mau comportamento das bolsas com crescimentos de duplo dígito alto nos lucros (+24% esperado nos EUA e +14,0% na Europa para o 2T 2026).  

Enfrentamos uma sessão de baixa intensidade com resultados de apenas 3 empresas relevantes (Halliburton, GM e Novartis) e um dado macro importante (ZEW/Sentimento Económico na Alemanha, às 10 h), mas deverá imperar o bom tom enquanto a semana ganha tração. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

REINO UNIDO (ontem): (i) Andy Burnham toma posse do cargo de de Primeiro-Ministro. Substitui K. Starmer após 2 anos no cargo, e é o 7.º Primeiro-Ministro em 10 anos. Burnham – que pertence ao partido Trabalhista – enfrenta desafios importantes. Principalmente os relacionados com a reativação do crescimento económico (PIB 1T 2026 +1,1%), controlo da Dívida Pública (ca. 95% s/PIB) e redução do Défice Fiscal (-4,2% estimado para 2026). OPINIÃO: A decisão estava descontada pelo mercado e, portanto, o impacto na libra e obrigações (GILTS 10 anos ~5,0%) foi limitado. A chave estará em ver como o novo governo gere o equilíbrio entre despesa social e disciplina orçamenta. Veremos… (ii) A Taxa de Desemprego e os Salários mantêm-se estáveis em maio. – A Taxa de Desemprego mantém-se em 4,9% (% sobre população ativa) vs. 5,0% esperado. Por sua vez, os Salários desaceleram até +4,3% (a/a) vs. +4,5% esperado e +4,4% anterior. Interpretação dos números positiva. A Taxa de Desemprego mantém-se estável, enquanto os Salários continuam a desacelerar paulatinamente. Neste contexto, mantemos a nossa estimativa de que o banco central de Inglaterra (BoE) irá manter as taxas de juros de referência em 3,75%, sem alterações em 2026 e 2027.

EUA (ontem): (i) Anuncia novos impostos alfandegários de 50% sobre produtos do Canadá. – A nova medida afeta produtos como leite, produtos de hóquei ou cimento, mas não afeta produtos energéticos, fertilizantes ou minerais críticos. É anunciada ao abrigo da Secção 338, que permite impor impostos alfandegários até 50% a países que discriminam o comércio americano e entrará em vigor em 30 dias (19 de agosto). Os produtos sujeitos a impostos alfandegários específicos, como o aço ou a indústria automóvel, ficarão isentos. Trump tinha ameaçado, há uns dias, impostos alfandegários para o fumo dos incêndios florestais que afetou os EUA. OPINIÃO: Nova tensão comercial entre os EUA e o Canadá. Pode afetar bens no valor de 20.000 M$ (implicaria cerca de 5% das importações de bens do Canadá em 2025). O Primeiro-Ministro do Canadá assinalou que esta é a “última de uma série de ações comerciais unilaterais dos EUA”, mas também Canadá apresentou propostas detalhadas para resolver as disputas comerciais com os EUA e está disposto a “intensificar” as conversações. (ii) O Indicador Adiantado (LEI) retrocedeu -0,2% m/m em junho, pior do que -0,1% esperado. - O Indicador Coincidente, menos relevante, melhorou ligeiramente até 114,6 (desde 114,4 ant.). Em termos interanuais, manteve-se relativamente estável em -1,4% a/a (desde -1,5% ant). Os seus componentes mostraram a deterioração em Autorizações de Construção (-3,0% m/m) e Petições de Desemprego (+3,6% m/m). Pelo lado positivo, destacou a melhoria dos componentes financeiros, com relativa estabilidade na componente de evolução bursátil e melhoria no diferencial da Taxa 10 anos vs. Fed Funds. OPINIÃO: Apesar de nos mês de junho o Indicador Adiantado ter sido um pouco mais débil do que o esperado, consideramos que a Fed não tem pressa para baixar taxas de juros. Na nossa opinião, a Fed poderá realizar duas descidas, embora provavelmente em 2027, para confirmar a contenção dos preços.  Link para a nota (em espanhol). 

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17/07/2026

Ontem: “Sessão de cortes nos EUA perante o aumento da tensão geopolítica.”

Ontem, enquanto a Europa conseguia fechar com uma subida ligeira (+0,2%), em Wall St. tivemos quedas (-0,5%) provocadas pela escalada de tensões geopolíticas, após as notícias de que o Irão teria pedido ao Iémen o encerramento do acesso ao Mar Vermelho pelo Estreito de Bab El-Mandeb (c.12% do comércio marítimo global) em caso de ataque dos EUA às suas infraestruturas iranianas.

As quedas estiveram lideradas pelo Setor Tecnológico (-1,6%) e os Semicondutores (-4,3%), que continuam com o processo de realizações de lucros apesar dos primeiros resultados e guias que estão a ser publicados no setor serem muito positivos (ASML, TSMC…).

Na frente macro, ontem, nos EUA, conhecemos três dados que foram, em geral, de tom positivo: (i) as Vendas a Retalho de junho (+0,2% m/m, em linha com o esperado e vs. +1,0% anterior). (ii) Índice de Atividade da Fed de Filadélfia, que surpreendeu muito positivamente: +41,4 (vs. +13,0 esp. e vs. +10,3 ant.) e (iii) Petições Semanais de Desemprego que enfraqueceram até 208k (vs. 217k esperado e 216k anterior).

 

Hoje: “Os investidores optam pela prudência perante a maior incerteza e uns resultados que não conseguem convencer.” 

No plano micro, esta madrugada, publicaram Netflix (resultados melhores, mas guias um pouco abaixo do esperado e cai -9% no mercado fora de hora) e Intuitive Surgical (-10% foram de hora, também por deceção nas guias).

Hoje, as referências macro serão nos EUA: Produção Industrial e Índice de Confiança da Universidade do Michigan, onde se esperam melhorias em ambos. Para a próxima semana, a atenção estará na temporada de resultados que vai ganhando tração e 87 empresas que publicam na Europa, e 86 nos EUA. Além disso, na frente macro, o foco estará na reunião do BCE (quinta-feira), onde não se espera movimento de taxas de juros.
A sessão de hoje apresentará novos cortes, num contexto onde o aumento da tensão geopolítica e as realizações de lucros em tecnologia continuam a prejudicar as bolsas. Em todo o caso, continuamos a reiterar a nossa visão positiva para o médio prazo, apoiada em resultados empresariais que se espera que continuem muito sólidos (EPS 2T´26e: +24,4% nos EUA e +15,3% na Europa) e, portanto, apoiem as avaliações. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

EUA (ontem): (i) As Vendas a Retalho perdem inércia após subirem +0,2% m/m em junho, mas mantêm um ritmo de crescimento elevado na taxa interanual (+6,7%). As Vendas a Retalho perdem impulso, em linha com o esperado, após subirem +0,2% m/m em junho vs. +1,0% anterior (revisto desde +0,9%) e as Vendas do Grupo de Controlo (dado menos volátil) aumentam +0,5% m/m vs. +0,8% ant. (revisto desde +0,7%). OPINIÃO: Os números refletem uma perda de tração pontual que é lógica num contexto de elevada volatilidade nos preços da energia e uma inflação que supera o objetivo da Fed (+3,5% em junho vs. +4,2% ant.). O mais importante é que não se aprecia uma mudança de estratégia e o ritmo de crescimento na taxa interanual é elevado (+6,7% vs. +7,3% ant.). Como referência, o aumento médio dos últimos 3 meses situa-se em +6,4% e o índice Johnson Redbook, que mede a evolução semanal das Vendas Comparáveis (L-F-L) sem ter em conta o comércio online, sobe +8,2% a/a no início de julho. A solidez do mercado laboral onde o salário médio sobe +3,5% em junho, a melhoria na Confiança do Consumidor da Universidade de Michigan e uma mudança para melhor nas perspetivas de inflação convidam a pensar num bom comportamento do Consumo nos próximos meses. Link para o relatório completo (em espanhol). (ii) O Indicador de Atividade da Fed de Filadélfia (Philly) surpreendeu muito positivamente após alcançar +41,4 pontos em julho (vs. +13,0 esperado vs. +10,3 ant.). OPINIÃO: O mais importante é que a componente de Novos Pedidos se mantém em terreno positivo pelo segundo mês consecutivo (37,0 vs. 27,3 ant.) e antecipa uma melhoria da atividade graças ao dinamismo do Investimento (30,1 vs. 41,2 ant. vs. 30,9 em maio) e o Emprego (10,0 vs. 7,9 ant.). A má notícia é que os Preços Pagos continuam a subir (53,9 vs. 53,2 ant.), (iii) as Petições Semanais por Desemprego enfraquecem até 208 k (vs. 217 k esperado vs. 216 k ant.) com a média das últimas 4 semanas em 214 k (vs. 219k ant.). OPINIÃO: As Petições por Desemprego mantêm-se em níveis razoáveis e inferiores à média dos últimos 12 meses (218 k), portanto, não altera a perceção de estabilidade sobre o mercado laboral. Cabe recordar que o último relatório de Emprego Não-agrícola/payrolls reflete uma criação de 57,0 k empregos em junho (vs. 42,2 k de média em 12 meses) com uma Taxa de Desemprego em 4,2% (vs. 4,3% ant. vs. intervalo em 4,3%/4,4% estimado pela Fed para 2026). Com estes números, o normal é que a Fed foque ainda mais a sua atenção na inflação em detrimento do emprego (tendência hawkish/dura). Neste contexto, as obrigações descontam uma subida de +25 p.b até 3,75%/4,0% nos Fed Funds para finais do ano, que está em linha com o diagrama de pontos da Fed que reflete a opinião dos conselheiros.

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16/07/2026

Ontem: “Sessão de rotação desde semis para as 7 Magníficas.”

Sessão com sinal misto nas bolsas: Europa cedeu -0,2%, enquanto Nova Iorque subiu +0,4%, com uma rotação desde Semicondutores (-2,1%) para as 7 Magníficas (Tecnologia EUA +0,6%). O petróleo manteve-se estável (Brent 85 $; WTI 80 $), apesar dos contínuos ataques entre os EUA e o Irão, algo a que o mercado parece habituado.

Na frente macro, tivemos Produção Industrial de maio na zona euro mais fraca do que o esperado (-1,2% vs. -0,4% esperado), embora deva melhorar em junho após a queda dos preços da energia. E nos EUA tivemos os Preços de Produção, que se moderara mais do que o esperado até +5,5% vs. +6,2% est., reduzindo as pressões inflacionistas, embora a diferença entre o IPC (3,5%) e o PPI (5,5%) tenha alcançado o seu maior valor desde junho de 2022, o que historicamente se traduziu em contração de margens empresariais.

Na frente micro, continuamos com os bons resultados do setor financeiro americano, com Blackrock e Morgan Stanley a bateram amplamente, enquanto SpaceX chegou a cair, por momentos, abaixo do seu preço de OPV (135 $), apesar de ter acabado por fechar ligeiramente acima.


Hoje: “Petróleo estabilizado. Os resultados continuarão a ter a atenção.” 

Com o petróleo estabilizado perto dos 85 $, apesar dos contínuos ataques entre os EUA e o Irão, a atenção passará para os resultados empresariais. Com o mercado fechado, conhecemos resultados de United Airlines, que, apesar de superarem estimativas, cai -3% em pré-abertura devido a anunciar um aumento de 6.000M$ em custos de combustível. À primeira hora, ficamos a conhecer os resultados de TSMC, que batem em EBIT e BNA, além de disponibilizar guias melhores do que o esperado em vendas e em linha em margens. E durante a sessão de hoje conheceremos os de Netflix, UnitedHealth, Abbot, Intuitive Surgical… estes últimos, caso batam estimativas, poderão impulsionar o setor MedTech, cuja avaliação em relação à bolsa americana está em mínimos de 25 anos.

Esta madrugada, a Coreia (BoK) subiu taxas de juros em +25 p.b., até 2,75%, como esperado, para conter as pressões inflacionistas (+3,2% junho) derivadas da forte procura de IA. Continuando com a macro, teremos mais 2 referências, ambas americanas: o Philly ou Índice de Atividade da Fed de Filadélfia (13,0 julho vs. 10,3 junho) e as Vendas a Retalho (+0,2% junho vs. +0,9% maio).

Em suma, hoje deveremos ver uma sessão de menos a mais. O petróleo parece ter-se estabilizado perto de 85 $, apesar da escalada no Médio Oriente, portanto, o tom das bolsas deverá ser marcado pelos resultados empresariais. Espera-se um crescimento do EPS de +24,4% nos EUA e de +15,3% na Europa, e de momento estão a bater amplamente. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

COREIA (02:00 h): O Banco Central da Coreia cumpre as expetativas e sobe a taxa de juro de referência em +25 p.b. até 2,75%, a primeira subida em 3,5 anos. OPINIÃO: O mais importante é que o banco central adota um tom claramente hawkish/duro que abre a porta a mais subidas de taxas de juros. De facto, o mercado das obrigações desconta uma subida de +25 p.b. até +3,0% no 4T 2026, e outra subida de +25 p.b. em 2027. A decisão explica-se por um crescimento superior ao esperado graças ao ciclo em alta dos semicondutores e à IA, com uma inflação que está em máximos de 2,5 anos (+3,2% em junho). Cabe destacar que o PIB cresce a um ritmo de +1,8% no 1T 2026, mas o banco central revê em alta a sua previsão para 2026 até +3,0% (vs. +2,6% ant.).

REINO UNIDO (07:00 h): O PIB de maio sobe +1,3% vs. +1,4% esperado vs. +1,1% abril. OPINIÃO: A economia britânica mantém um ritmo de crescimento lento (+1,1% no 1T 2026 vs. +0,9% em 2023/2025) com a inflação acima do objetivo do BoE (+2,8% maio vs. +2,0% objetivo) e uma procura interna débil (+0,6% no 1T).

EUA (ontem): (i) O Livro Bege da Fed confirma que a economia mantém um ritmo de crescimento ligeiro ou moderado em 11 dos 11 distritos analisados, com uma taxa de inflação persistente e com um mercado laboral sólido. Link para o relatório (em inglês). OPINIÃO: O panorama macro da economia americana é bom (emprego e atividade) e as condições financeiras mantêm-se estáveis. Observa-se uma moderação gradual da inflação, mas ainda se mantém acima do objetivo. Em suma, o Livro Bege reforça a abordagem atual da Fed, que não tem pressa para baixar as taxas de juros. A Fed foca os seus esforços em alcançar a estabilidade de preços, porque o risco de recessão é baixo e o emprego evolui positivamente. (ii) Os Preços Industriais moderaram-se até +5,5% desde +6,2% esperado vs. +6,0% anterior (revisto desde +6,5%). A subjacente foi +4,7% vs. +5,1% esperado vs. +4,6% anterior (revisto desde +4,9%). Em termos intermensais (m/m) moderaram-se até -0,3% vs. 0% esperado vs. +0,6% anterior (revisto desde +1,1%). OPINIÃO: A desaceleração de preços foi uma boa notícia, porque refletiu menos pressões inflacionistas e é coerente com a inflação publicada esta semana (+3,5% desde +4,2% e Subjacente +2,6%). Isto implica menos pressão à Fed sobre taxas de juros. (ii) Empire Manufacturing ou Índice Industrial da Fed de Nova Iorque: 15,6 vs. 9,2 esperado vs. 5,7 anterior. OPINIÃO: Dado positivo que reflete um forte aumento da atividade nas 2 primeiras semanas de julho, apesar da incerteza procedente do Irão e de preços de petróleo um pouco elevados.

CANADÁ (ontem): O Banco do Canadá manteve taxas de juros em +2,25%, em linha com o esperado. OPINIÃO: Decisão esperada, tendo em conta a moderação da inflação (+3,2% em maio vs. +1,8% pré-Irão) e uma atividade económica débil (PIB 1T26 +0,4%). Tudo isso, em conjunto com a incerteza derivada das negociações comerciais com os EUA, reduz a probabilidade de subidas de taxas de juros este ano.

UE (ontem): A Produção Industrial em maio (a/a) situou-se em -1,2% vs. -0,4% estimado e +0,4% anterior (revisto desde +0,3%). Em termos intermensais, -0,2% vs. +0,2% estimado e +0,3% ant. (revisto +0,1%). OPINIÃO: Dados débeis e piores do que o estimado. A queda mais severa ocorreu na produção de bens de consumo não duráveis (-10,7%) e duráveis (-3,0%). Irlanda foi o país com pior comportamento. Estes dados foram coerentes com o que aconteceu com os PMIs. A atividade moderou-se num contexto de elevados preços do petróleo e do gás. A redução do preço do petróleo vivida em junho deverá favorecer que o indicador recupere um pouco de força.

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15/07/2026

Ontem: “IPC americano surpreende positivamente, bancos americanos batem e Warsh não acrescenta novidades.”

A inflação americana desacelera mais do que o esperado em junho: +3,5% a/a vs. +3,8% esperado vs. +4,2% anterior. A taxa subjacente também se moderou até +2,6% desde +2,9% vs. +2,8% esperado. A queda do petróleo bruto (WTI -17% no mês) após o MoU assinado entre os EUA e o Irão relaxou as secções de Energia e Transporte. O dado revela que a inflação teria alcançado o pico nos meses anteriores e isso retira pressão à Fed. As yields dos Treasuries relaxaram (T-Note -3,4 p.b. até 4,59%, 2A -9 p.b. até 4,195%) e o $ depreciou-se (1,143 €/$, +0,5%). Os bancos americanos, sem exceção, batem amplamente as expetativas (GS +9%, BoA +1,9%, JP Morgan +2,5%, Wells Fargo -2,7%, Citi -5,2%). Impulsionam o setor de bancos +0,2%, enquanto a tecnologia recupera com força perante menores perspetivas de subidas de taxas de juros que beneficia os setores de alto crescimento. Por último, Warsh perante o Congresso cumpre o guião. Mantém um tom firme, reiterando o compromisso da Fed de conseguir a estabilidade de preços, mas sem antecipar os possíveis próximos movimentos da Fed. Em suma, num dia intenso, com marcos relevantes, tudo sai bem, bolsas recuperam e obrigações estáveis.

 

Hoje: “Novamente Warsh e mais resultados empresariais.” 

Sessão de continuidade à de ontem: nova comparência de Warsh, desta vez perante o Senado, e mais resultados de bancos, embora também de outras empresas. Warsh não dirá nada novo nem diferente e os bancos continuarão a mostrar-se favoráveis, especialmente os com grande peso da banca de investimento (EPS MS +38%, BNY Mellon +15%, Blackrock +5%). À primeira hora, ASML e Richmont batem amplamente e animarão os setores de tecnologia e luxo. No plano macro, o PIB da China debilita-se até +4,3% no 2T, o menor em 3 anos. O resto da sessão é intensa em referências, mas com pouca capacidade de influência. Destaca a moderação esperada dos Preços Industriais nos EUA (13:30 h), mas conhecido já o IPC de junho, não deverá ter muito impacto. O Banco do Canadá (13:45 h) provavelmente irá manter as taxas de juros perante uma inflação elevada (+3,2% em maio vs. +1,8% pré-Irão), mas uma atividade económica débil (PIB +0,4% a/a no 1T26). Os resultados empresariais recuperaram o protagonismo (resultados 2T e guias). Embora convivam com ruído de fundo do M. Oriente, num contexto de menores volumes durante os meses de verão, os crescimentos esperados (+24,3% nos EUA, tecnologia +65%, +13,6% na Europa) dão apoio sólido. Hoje a sessão deverá manter a inércia em alta de ontem. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (02:30 h): (i) PIB a/a 2T 2026 +4,3% vs. +4,5% estimado e +5,0% anterior. Em termos intertrimestrais, implica um avanço de +0,9%, igual ao esperado, e +1,3% anterior. (ii) As Vendas a Retalho avançam +1,0% vs. -0,1% estimado e -0,6% anterior. (iii) A Produção Industrial (a/a) avança +5,3% vs. +4,6% estimado e +4,5% anterior. (iv) O Investimento Imobiliário -18,0% vs. -16,8% estimado e -16,2% anterior. (v) A Taxa de Desemprego reduz-se uma décima até 5,0%. OPINIÃO: Dados, em termos gerais, negativos. O PIB reduz-se e é o pior registo desde há 3 anos. Além disso, situa-se abaixo do objetivo do governo (+4,5%/+5,0%). O Consumo Interno é o elo mais débil da cadeia, o que provoca uma recessão no setor imobiliário. Também o investimento teve uma evolução débil. Contudo, as Vendas a Retalho surpreenderam positivamente durante o mês, embora provavelmente se trate de um efeito pontual. Estes dados elevam a expetativa do governo introduzir medidas de expansão fiscal para reativar alguns setores. 

EUA (ontem): (i) A inflação surpreendeu e desacelerou mais do que o esperado em junho, confirmando que +4,2% de maio marcou o pico em preços: +3,5% a/a vs. +3,8% esperado vs. +4,2% anterior. -Subjacente +2,6% vs. +2,8% vs. +2,9%. Em termos intermensais, -0,4% vs. -0,1% esp. vs. +0,5% ant. Subjacente +0,0% vs. +0,2% vs. +0,2%. Trata-se da primeira queda intermensal desde maio de 2020. Link para a nota (em espanhol). OPINIÃO: Resultados positivos. A queda vertical dos preços do petróleo bruto após a assinatura do MoU entre os EUA e o Irão, a 17 de junho, explica a desaceleração da inflação. A componente de Energia (ca. 8% da cesta de consumo) caiu -5,7% m/m vs. +3,9% ant. (gasolina -9,7%) e a de Transporte (ca. 17,5%) -2,5% vs. +1,3%. Apesar do aumento recente da tensão no M. Oriente, o preço do barril WTI continua abaixo de 80 $. Se se mantiver nestes níveis, a inflação continuará a diminuir nas próximas leituras. Após o dado, moderaram-se as expetativas de subidas de taxas de juros. Não obstante, o IPC continua em níveis elevados e acima do objetivo (+2,0%). O contexto não exige um relaxamento urgente da política monetária: o mercado laboral é sólido (Taxa de Desemprego 4,3%) e o crescimento ganha inércia (PIB 1T'26 +2,7% a/a vs. +2,0% 4T'25). A nossa estimativa contempla dois cortes de -25 p.b. em março e junho de 2027. (ii) A comparência de Warsh no Congresso ocorreu sem grandes novidades. A intervenção esteve focada na independência da Fed, sobre a qual Warsh salientou em várias ocasiões que as decisões de política monetária serão implementadas sem interferência política. Também anunciou que os grupos de trabalho que estudarão e formularão as recomendações para melhorar aspetos da política monetária irão partilhar primeiro as suas conclusões com o FOMC e, posteriormente, será Warsh a apresentar as conclusões ao público. A este respeito, insistiu que serão desenvolvidas novas métricas, embora tenha descartado a Trimmed Mean PCE da Fed de Dallas (que exclui os valores extremos) como medida principal de inflação. Destacou que a IA irá melhorar a produtividade a longo prazo, mas implica riscos que têm de ser monitorizados no futuro imediato.

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14/07/2026

Ontem: “A guerra no M. Oriente fixa-se, mas não é nada de novo. Saudável realização de lucros.”

Sessão de subida das rentabilidades das obrigações (queda de preço) e aumento do petróleo (Brent: 83 $/barril +9,6%). Na abertura, as bolsas viram-se afetadas pelo débil desempenho da Coreia (Kospi: -9%), apesar das vendas bem-sucedidas de TSMC (+35% a/a). À última hora, a Europa conseguiu estabilizar-se, enquanto Nova Iorque fechou com quedas (-0,8%). Além disso, Waller declarou que uma subida de taxas de juros poderia ser necessária se a inflação subjacente permanecer elevada (+2,9% a/a maio). O aumento de tensão na frente geoestratégica suscitou preocupação por uma possível interrupção do fluxo do petróleo, um cenário que poderá reavivar as pressões inflacionistas. Trump afirmo controlar o Estreito, inclusive exigiria uma compensação económica que alcançaria 20% da carga transportada, para financiar a segurança. Insistimos que a guerra entre os EUA e o Irão irá tornar-se um conflito fixo, o que inevitavelmente introduzirá momentos de volatilidade elevada.

Em suma, prudente realização de lucros após os avanços deste ano, quase independentemente do motivo.

 

Hoje: “IPC americano, comparência de Warsh e resultados empresariais. Sessão de bolsas de menos a mais.” 

Sessão marcada por três referências: (i) IPC americano (13:30 h): espera-se uma moderação até +3,8% desde +4,2%, algo que confirmaria a nossa visão de que a inflação já terá alcançado o seu pico, como aconteceu com a europeia (+2,8% a/a junho). A confirmar-se, seria uma boa notícia e retiraria pressão à Fed. Embora provavelmente isto não será incorporado no discurso de (ii) K.  Warsh (15:00 h) no Congresso. Após a retirada do forward guidance por parte da Fed, não esperamos grandes declarações nem uma mensagem que permita antecipar futuros movimentos. (iii) Arranca a temporada de resultados 3T 2026 nos EUA com os principais bancos de Wall St., Goldman (14,4 $; +32%), BoA (1,1 $; +27%), JP (5,7 $; +15%), W. Fargo (1,7 $; +6,9%) e Citi (2,7 $; +29%). A confirmação de resultados sólidos contribuiria para melhorar o tom do mercado. Citi e Morgan Stanley estão incluídos na Carteira Modelo de Ações Americana. Se o IPC se moderar e a banca bater expetativas, assistiremos a uma sessão de menos a mais, quiçá com fecho em positivo. A comparência de Warsh é tão relevante quanto imprevisível. Erraticidade... 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): Os Preços a Retalho aumentam abaixo do esperado em junho: +4,9% vs. +5,9% anterior. Em termos intermensais, -0,7% vs. -0,6% anterior. OPINIÃO: Boas notícias, embora sem impacto no mercado. Trata-se de um dado de junho, mês em que já sabemos que o IPC se moderou até +2,3% vs. +2,6% em maio.

CHINA (03:30 h): Balança Comercial de junho acima do esperado: Superavit Comercial +125.620 M$ vs. +120.100 M$ esperado vs. +105.430 M$ anterior. As Exportações aumentam +27,0% a/a vs. +19,4% anterior e as Importações +36,0% vs. +27,4% anterior. Trata-se do dado mais alto desde janeiro de 2025. Por componentes, destaca o aumento de Exportações de hardware relacionado com o desenvolvimento da IA (+38% YTD a/a) e veículos elétricos +70% m/m. OPINIÃO: Boas notícias para a economia chinesa. A debilidade da Procura Interna vê-se parcialmente compensada pelo Setor Exterior, que continua a sustentar o crescimento. O melhor dado na Balança Comercial poderá melhorar o dado de crescimento que conheceremos amanhã: PIB 2T’26 +4,5% esperado vs. +5,0% anterior.

EUA-Irão (hoje): Trump volta a impor o bloqueio naval ao Irão e propõe uma tarifa de 20% da carga dos navios para que as forças armadas americanas assegurem a sua passagem pelo Estreito de Ormuz. O preço do petróleo bruto aumenta até +10%, até ca. 84 $, e impõe um tom negativo no início da sessão. OPINIÃO: Insistimos que será um conflito de longo prazo e desgaste, com vaivéns de notícias e mudanças de postura que irão impor volatilidade no mercado. Contudo, consideramos que a travagem que o mercado impõe é prudente, após a velocidade das reavaliações nos índices/setores no ano.

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10/07/2026

Ontem: “As bolsas sobem animadas pela queda do petróleo bruto.”

Sessão de risk-on que deixou a correção de quarta-feira numa nova anedota. Os EUA subiram +0,8% e Europa +1,3%, apoiados na moderação do preço do petróleo bruto (Brent -2,2% até hasta 76,3 $). A correção do preço do petróleo abaixo de 80 $ reflete uma lição aprendida: as negociações implicam vaivéns de títulos e mudanças de postura que fazem parte do processo e o mercado aprende a conviver com um conflito que provavelmente se tornará fixo, como a Ucrânia. Com isso, as rentabilidades das obrigações enfraqueceram -3 p.b. no caso do T-Note, e -1 p.b. no Bund, e as curvas recuperaram inclinação. 

Na frente empresarial: (i) Micron (+4,5%) anunciou investimentos de 250.000 M$ nos EUA para satisfazer a procura de cartões de memória, o que impulsionou os semis a subirem +3,1%. (ii) Pepsi (-3,3%) publicou resultados em linha com o esperado (EPS 2,21 $; +3%), mas antecipa pressão nas margens dos próximos trimestres por maior curto de matérias-primas e debilidade das vendas nos EUA (ca. 60% das suas receitas). (iii) Starbucks anunciou uma ferramenta de IA que lhe permitira prescindir de parte das suas aplicações, o que prejudicou o setor software.

 

Hoje: “Sessão de transição para a temporada de resultados 2T 2026. SK Hynix começa a avaliar em ADRs em Nova Iorque.” 

A sessão carece de referências e, embora com relutância, poderia manter a inércia positiva. TSMC altera a publicação das suas vendas de junho – programadas para hoje – para segunda-feira, devido a um tufão que obrigou a fechar o mercado em Taiwan. O foco muda para o início da temporada de resultados 2T 2026, na próxima semana. Após um 1T de resultados brilhantes (EPS EUA +29,4% a/a vs. +14,4% esp.; Europa +11,8% vs. +4,2%), o 2T não ficará para trás: EPS esperado +24,4% nos EUA e +15,3% na Europa. Bom momento do ecossistema empresarial; que não só contorna os múltiplos obstáculos da economia global, como os supera com distinção. Por isso, insistimos que a Estratégia de Investimento deve ser pró-bolsas, porque a longo prazo é a evolução dos lucros que determina a das bolsas.

A sessão poderá ser mais animada para os semis, porque hoje SK Hynix (Coreia; chips DRAM, NAND…)  começa a avaliar nos EUA (1 ação = 10 ADRs), para o qual captou 26.500 M$ mediante ampliação de capital (+2,4% capital), a oferta teve 7 vezes mais subscrições e a 149 $, o que significa que o mercado digeriu esta diluição teórica de 2,4% atribuindo-lhe custo zero, e é muito provável que suba em Nova Iorque, esta tarde. 

Em suma, sessão de menos a mais, expetantes perante o início da temporada de resultados 2T, na próxima semana, mais positiva nos EUA graças a semis. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A inflação confirma, em junho, o dado preliminar: +2,3%, e implica uma redução desde +2,6% em maio. Em termos intermensais, -0,3% vs. -0,2% de maio. OPINIÃO: Os dados confirmam uma moderação, o que poderá indicar que o pico em preços pela guerra no Irão já ocorreu. O razoável seria uma redução progressiva desde os níveis atuais, embora tudo dependa da evolução dos acontecimentos na guerra do Irão.

JAPÃO (00:50 h): (i) Os Preços de Produção (a/a) em junho ascendem a +7,1% vs. +6,8% estimado e +6,6% anterior (revisto desde +6,3%). Em termos intermensais, +0,4%, igual ao estimado, e +1,1% anterior (revisto desde +0,9%). OPINIÃO: Dados ligeiramente acima do esperado. A guerra no Irão e o aumento dos preços da energia tiveram um impacto direto no indicador. Além disso, aumentam num contexto de aumento da atividade industrial e de maior acessibilidade ao crédito. Este indicador eleva a expetativa de que o BoJ pode voltar a subir taxas de juros. (ii) O Ministro das Finanças, Satsuki Katayama, incentiva os fundos de pensões e as famílias a aumentarem os seus investimentos em ativos nacionais, como obrigações e empresas nacionais. Isso permitiria apreciar o yen, algo que já está a acontecer esta madrugada. Estas declarações também permitiram um aumento da bolsa e redução da yield das obrigações.

EUA (ontem): As Vendas de Habitações Usadas dececionam em junho. Situam-se em 4,09M vs. 4,20M esperado e vs. 4,19M anterior (revisto desde 4,17M). Em termos intermensais, caem -2,4% vs. +1,0% esperado e +3,7% anterior (revisto desde +3,2%). OPINIÃO: Más notícias. O mercado imobiliário tende a arrefecer, com transações de habitações usadas abaixo da média histórica (c.4,9M), num contexto de: (i) maior incerteza geopolítica; (ii) aumento da inflação; e (iii) taxas de juros altas durante mais tempo. A taxa média hipotecária a 30 anos em 6,6% vs. 6,1% antes do conflito no Médio Oriente. Os preços mantêm um ritmo de subida muito moderado, de +1,8% em relação ao ano anterior, abaixo da inflação. Link para o relatório completo (em espanhol).

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09/07/2026

Ontem: “Tensão EUA/Irão e EUA/Espanha. Correção.”

Bolsas em baixa, yield das obrigações em alta (queda de preços), dólar lateral (1,14) e aumento do petróleo (+5,2%; Brent 78 $). Após os ataques e represálias mútuas entre os EUA e o Irão, Trump anunciou que o Memorando de Entendimento se tornava inválido e, na Cimeira da Nato, declarou que (i) a Ucrânia poderá fabricar mísseis Patriot para intercetar ataques russos, o que implicará uma mudança estratégica relevante. (ii) Propôs suspender a atividade comercial com Espanha (4,2% das Exportações e 6,3% das Importações espanholas), provocando quedas na bolsa espanhola (-2,7%) superiores à média europeia (-1,8%). 

O encarecimento do petróleo reativou o receio da Inflação, o que coincidiu ontem com uma referência indireta de Nagel (Bundesbank & BCE) a favor de outra subida de taxas de juros. E as Atas da Fed, da reunião de 17 de junho, publicadas ontem à noite, indicam que alguns conselheiros são a favor de subir taxas de juros. Nada disto é novidade, mas faz com que o mercado se detenha.

Em suma, sessão em baixa nas bolsas, subida das yields, petróleo em alto e dólar lateral. A boa notícia foi o aumento dos semicondutores (+1,9%).

 

Hoje: “Sessão de menos a mais após a correção de ontem.” 

A sessão asiática avalia mista nas bolsas. A única referência foi a inflação na China, que foi um pouco menos do que o estimado, +1,0% vs. +1,2% anterior, num contexto de debilidade na sua procura interna. 

As referências hoje são escassas e o mercado não vai estar tranquilo pela intensificação da tensão geopolítica procedente do Golfo. Permanecerá à espera de qualquer notícia que permita ver se efetivamente as declarações de Trump de ontem são pontuais ou se, pelo contrário, antecipam uma deterioração mais duradoura das relações com o Irão. É impossível antecipar qual será o desfecho, mas podemos evitar perder a perspetiva e pensar que o razoável é que se trate de uma correção prudente após os fortes avanços registados nas bolsas este ano. Consolidação que, como temos vindo a manifestar várias vezes, é saudável e permitirá receber oxigénio antes de avançar novamente, num ano que está a ser positivo, e pensamos que o continuará a ser, como explicamos na nossa Estratégia de Investimento, com potenciais de reavaliação atrativos: +30% para os EUA e +12,1% Europa.

No plano macroeconómico, a principal referência serão as Vendas de Habitação Usadas nos EUA, provavelmente fortes, embora com pouca relevância no mercado.

O aumento da tensão no Médio Oriente e o aumento do petróleo poderão afetar as bolsas europeias na abertura, embora o razoável seja, na ausência de referências negativas adicionais, que o mercado opte por recuperar ligeiramente após a correção de ontem, como aconteceu na Ásia. Portanto, esperamos uma sessão de menos a mais, com possível fecho ligeiramente positivo. 

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Balança Comercial melhora, embora com leitura mista. (i) Balança Comercial 19.100 M€ em maio vs. 14.800 M€ esperado e 14.700 M€ anterior. (ii) Exportações +0,9% m/m vs. -0,4% esperado e +0,8% anterior. (iii) Importações -2,5% m/m vs. -0,8% esperado e +1,1% anterior. OPINIÃO: Embora a Balança Comercial seja aparentemente boa, a realidade é que a leitura das componentes não é tanto. É verdade que a procura exterior melhora, mas reflete debilidade da procura interna. As importações retrocedem mais do que o esperado, apesar do aumento dos preços do petróleo no mês de maio. 

CHINA (02:30 h): A inflação modera-se em junho, apesar de uns preços industriais elevados. (i) IPC +1,0% a/a vs. +1,1% esperado e +1,2% anterior. Subjacente +1,0% a/a vs. +1,1% esperado e +1,1% anterior. (ii) IPP +4,1% a/a vs. +4,1% esperado e +3,9% anterior. OPINIÃO: A inflação modera-se até mais do que o esperado, apesar de continuarem as pressões pelo lado da produção. Reflete debilidade da procura interna, o que nos leva a manter a nossa expetativa de uma descida de taxas de juros de -10 p.b. por parte do PBOC este ano. 

EUA/FED (ontem): As Atas da Fed (17 de junho) mostram uma Fed dividida e mais preocupada com a inflação. Alguns membros já contemplaram a possibilidade de subir taxas de juros. Embora, no fim, todos tenham votado em mantê-las, vários afirmaram que existiam argumentos para um novo endurecimento da política monetária. Acordaram eliminar o easing bias das atas anteriores. Destacaram que a inflação se mantém elevada e moveu-se em alta, refletindo os efeitos do petróleo e outros choques de oferta. Também referiram que o mercado laboral se mantém estável e o crescimento económico expande-se a um ritmo sólido. Destacaram que o aumento da inflação (vs. há 1 ano) se deve a vários fatores, como o aumento dos impostos alfandegários, aumento dos preços energéticos, impacto derivado do conflito no Médio Oriente e aumento da procura relacionada com a IA. OPINIÃO: Impacto negativo para bolsas e subida da yield da obrigação (T-Note 4,58% +2 p.b.). O mercado continua a esperar uma subida de taxas de juros de +25 p.b. a partir de setembro. O nosso cenário central não contempla nenhum movimento de taxas de juros em 2026, mas duas descidas em 2027 (até níveis de 3,00%/3,25%), se a inflação se moderar.

GLOBAL (ontem): O FMI reviu uma décima em baixa o crescimento global para 2026, e em alta para 2027, na sua atualização do WEO (World Economic Outlook). – O FMI situou o crescimento do PIB global em +3,0% para 2026 (vs. +3,1% estimado em abril de 2026) e +3,4% para 2027 (vs. +3,2% em abril). Reviu em alta a inflação global até +4,7% em 2026 (vs. +4,4% anterior) e +3,9% para 2027 (vs. +3,7% anterior). O FMI advertiu que a guerra continua a afetar os países importadores de energia, enquanto a forte procura vinculada à IA está a impulsionar o crescimento dos países integrados na cadeia de valor da tecnologia global. OPINIÃO: Dados mistos que reforçam a resiliência da economia global, apesar de um contexto marcado pela incerteza da frente geoestratégica. Não obstante, o FMI explicou que a IA está a consolidar-se como um motor principal de crescimento económico mundial, já que o forte investimento e procura associados à tecnologia estão a compensar o impacto negativo derivado do conflito no M. Oriente e o encarecimento dos preços energéticos. Apesar do balanço de riscos estar mais equilibrado do que há uns meses, o FMI continua inclinado para a diminuição. Entre os possíveis riscos, destacou uma possível intensificação do conflito no M. Oriente, o que deriva num aumento da volatilidade das matérias-primas, novos constrangimentos nas cadeias de abastecimento e um endurecimento das condições financeiras. Como fatores positivos, destacou um maior investimento em IA, uma normalização mais rápida dos preços energéticos e o avanço de reformas estruturais. Neste contexto, o FMI insistiu na necessidade de manter a estabilidade de preços, reconstruir a margem fiscal e reforçar a cooperação internacional. Link para a atualização do WEO (em inglês).

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08/07/2026

Ontem: “Sessão de realização de lucros em obrigações e bolsas.”

A sessão esteve marcada pelas realizações de lucros, tanto nas obrigações como nas bolsas, num contexto de ausência de grandes referências empresariais e macroeconómicas. Assistimos a um aumento do petróleo bruto, a fechar em 74,16 $/barril Brent (+3%), o que se acentuava esta madrugada, e nas yields das obrigações: Bund 2,99% (+4,6 p.b.) e T-Note 4,55% (+8,2 p.b.). 

Nas bolsas, as quedas estiveram protagonizadas pelos setores e valores relacionados com IA perante o receio de um abrandamento da despesa vs. subidas na Energia. Neste sentido, a reação aos resultados de Samsung (-7% ontem) após uns resultados preliminares que bateram, mas não impressionaram (como comentámos ontem), foi seguida de correções em outros semis como Intel (-9,7%) ou Sandisk (-7,3%) ou setores relacionados como equipamentos industriais (como GE Vernova -6,5%; S. Energy -8,9%). Por outro lado, tampouco se salvaram do tom em baixa SpaceX (-6,8%), apesar da sua incorporação ao índice Nasdaq-100 (ponderação aprox: 0,8%), nem os valores de Defesa (com cortes de cerca de 1%), apesar do início da Cimeira da NATO. 

Em suma, numa sessão sem grandes referências, marcada pelas realizações de lucros em particular de valores relacionados com despesa da IA.


Hoje: “Geoestratégia, Cimeira da NATO e Livro Bege da Fed.” 

A frente geoestratégica volta ao primeiro plano, com as renovadas tensões no M. Oriente que estão a levar ao aumento do petróleo bruto (76,5 $/barril +3% esta manhã). Por outro lado, Trump volta com exigências sobre a Gronelândia, no contexto da Cimeira anual da NATO, que começou ontem, na Turquia. Hoje, sessão central, com encontro entre Trump e Zelensky, após os anúncios, ontem, de compromissos de, pelo menos, 50.000 M$ de despesa em defesa (incluindo aeronaves, drones, vigilância aérea, etc.).

No plano macroeconómico, a principal referência virá das Atas da Reunião da Fed (de 17 de junho), com os mercados europeus já fechados. Foi a primeira reunião com Kevin Warsh como Presidente, na qual se mantiveram taxas de juros (3,50% / 3,75%), mas o tom da mensagem foi mais hawkish. Contudo, as menores tensões inflacionistas após o anúncio do Memorando de Entendimento (Brent atualmente perto de 74$/barril vs. acima de 90 no início de junho) e os últimos dados de Criação de Emprego Não Agrícola um pouco mais débeis do que o esperado (+57k em junho vs. 113k esperado e +129k ant.) moderaram as expetativas do mercado de subida de taxas de juros. Na nossa opinião, o próximo movimento será em baixa, mas teremos de esperar por 2027 (estimamos dois cortes de -50 p.b. até 3,00% / 3,25%). Por último, esta madrugada, o banco central da N. Zelândia subiu taxas de juros (até 2,50%), em linha com as expetativas do mercado. Com uma inflação em 3,1% a/a face a um intervalo entre 1% e 3%, muda o sinal da sua política monetária após cortes desde 2024. 

Em suma, a sessão pode manter o tom de realização de lucros perante as renovadas tensões geoestratégicas e a ausência de grandes referências até às Atas da Fed, com os mercados europeus já fechados.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

NOVA ZELÂNDIA (03:00 h): O banco central (RBNZ) sobe a taxa de referência em +25 p.b. até +2,50%, em linha com o esperado. OPINIÃO: O RBNZ sobe as taxas de juros após mantê-las inalteradas nas últimas quatro reuniões consecutivas (e após ter realizado nove cortes nos últimos dois anos por um total de 275 p.b.). O RBNZ subiu as taxas de juros devido à inflação (+3,1% a/a abril) se situar acima do intervalo objetivo (1%/3%), apesar das perspetivas de inflação a curto prazo terem diminuído graças à reabertura do Estreito de Ormuz, embora consideram que continua o risco de que haja efeitos de segunda ronda. Além disso, esperam que o crescimento económico se fortaleça durante a segunda metade do ano graças à diminuição dos preços energéticos, melhoria na confiança dos consumidores e uma recuperação gradual de consumo e do emprego. As próximas decisões de taxas de juros dependerão da evolução dos dados, comportamento da inflação e força da economia. Link para o comunicado (em inglês).

EUA (ontem): O Défice Comercial aumentou em linha com o esperado em maio: -77.600 M$ vs. -78.400 M$ vs. -54.600 M$ (revisto desde -55.900 M$). – As Exportações caíram -3,2% m/m e as Importações cresceram +3,3%. Link para a nota (em espanhol). OPINIÃO: Resultados negativos para o crescimento, embora previsivelmente pontuais. O dado, correspondente ao mês de maio, reflete o aumento de pedidos perante o receio de maiores preços e constrangimentos nas cadeias de fornecimento globais derivados do conflito EUA-Irão. As Exportações diminuíram pela queda das vendas de Ouro e Bens de Capital. Além disso, observa-se uma moderação nas vendas de petróleo bruto, que aumentaram substancialmente desde o estalar do conflito, em março. Contudo, o crescimento a duplo dígito, em termos interanuais (Exportações +12,6% e Importações +13,3%) mostram o dinamismo e a força da economia americana.


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07/07/2026

Ontem: “Europa realiza lucro, mas os EUA sobem animados pela tecnologia.”

Tom misto nas bolsas ontem, com ligeiros cortes na Europa (-0,2%), mas subidas nos EUA (+0,7%) após terem estado fechados na sexta-feira passada devido ao feriado do Dia da Independência e onde a tecnologia brilhou novamente graças aos Semicondutores (+2,2%) e 7 Magníficas (+1,8%).

Nas comparências de banqueiros centrais de ontem, destacar as mensagens de Isabel Schnabel, que apresentou um tom hawkish/duro, assinalando que, apesar do acordo de paz em Ormuz, as pressões inflacionistas estão longe de estar superadas e não descarta ver novos aumentos do IPC nos próximos meses.

No plano macroeconómico, o mais relevante da sessão aconteceu na Europa. Índice Sentix de Confiança do Investidor (melhor do que o esperado: -3,1 vs. -10,0 esp. e -13,4 ant.) e as Vendas a Retalho (+1,6% em linha com o esperado e vs. +0,9% ant.) e nos EUA o ISM de Serviços do mês de junho, que também foi em linha e se mantém em zona de expansão (54,0 vs. 54,0 esp. e 54,5 ant.).

 

Hoje: “Os resultados de Samsung não impressionam (-7%) e antecipam uma sessão de realização de lucros em tecnologia.” 

A sessão de hoje vem marcada por duas referências-chave associadas à tecnologia: (i) em primeiro lugar, os resultados preliminares de Samsung, que conhecemos ontem à primeira hora e que batem ligeiramente as expetativas, mas não impressionam. Vendas: 171.000MKRW (+129% a/a) vs. 169.235MKRW esp., como no EBIT: 89.400MKRW (+1.812% a/a) vs. 84.197MKRW esp. As ações no mercado da Coreia estão a receber os números com quedas de -7,0% e poderão prejudicar a evolução do setor tecnológico hoje. (ii) O segundo aspeto relevante é a incorporação de SpaceX ao índice Nasdaq-100 (ponderação aprox: 0,8%), o que poderá gerar um impacto positivo na avaliação, fruto da realização de posições dos fundos indexados.

Por outro lado, hoje também começará a Cimeira da NATO, em Ankara, onde o encontro mais relevante será a reunião entre Trump-Zelensky amanhã, mas ao longo dos dois dias esperam-se anúncios de novos avanços na despesa em defesa (no contexto do aumento para o nível de 5% do PIB exigido aos países-membros). Além disso, às 7 h, na frente macro, conhecemos a Produção Industrial na Alemanha, que saiu melhor do que o esperado (0% vs. -0,3% esp. e -0,5% ant.).

Em suma, a sessão poderá vir com cortes especialmente na tecnologia, provocados por Samsung, embora não descartemos que a sessão vá progressivamente de menos a mais. Os futuros vêm em negativo, tanto na Europa (-0,2%) como nos EUA (-0,3%) e setor tecnológico (-0,9%).

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ALEMANHA (07:00 h): A Produção Industrial surpreende positivamente. Mantém-se inalterada em termos interanuais: +0,0% vs. -0,6% esperado vs. -0,9% anterior (revisto desde -0,5%). Em comparação com o mês anterior, +0,9% vs. +0,1% vs. +0,2% (revisto desde +0,4%). Por componentes, destaca o aumento na produção de automóveis (+3,6% m/m) e construção (+0,9%). OPINIÃO: Resultados positivos. A Produção Industrial deixa para trás vários meses de contração. Os dados de Pedidos à Fábrica conhecidos nos últimos meses (+6,2% a/a em maios vs. +2,1% abril) fazem prever uma recuperação gradual da produção. O crescimento da Alemanha – historicamente motor industrial da UE – esteve penalizado pela forte concorrência exterior (importações chinesas), política alfandegária e aumento de custos. Os últimos dados do setor industrial (ca. 25% PIB; Industrial ca.18%) elevam as expetativas de recuperação da economia.

REINO UNIDO (07:00 h): Os Preços da Habitação moderam-se em junho: +0,6% vs. +0,8% vs. +0,5%. - OPINIÃO: Dados positivos que contribuem para conter a inflação (+2,8% a/a em maio). Os elevados níveis de taxas de juros durante mais de três anos contribuíram para a desaceleração do preço da habitação, que apresenta umas taxas de crescimento muito mais baixas do que outras economias desenvolvidas (Espanha +12,7% em 2025).

EUA (ontem): ISM de Serviços (junho): 54,0 vs. 54,0 esperado vs. 54,5 anterior. Componente de Preços Pagos: 67,7 vs. 67,5 esperado vs. 71,3 anterior. Novos Pedidos: 55,1 vs. 56,8 esperado vs. 57,3 anterior. Emprego: 51,2 vs. 48,2 esperado vs. 47,9 anterior. OPINIÃO: Bom registo do indicador que continua a apontar para níveis saudáveis de ativos e decrescentes pressões de preços. O ISM modera-se ligeiramente desde níveis elevados em maio, mas permanece amplamente em zona de expansão e em linha com a sua média histórica (54,5). 

UE (ontem): (i) A Confiança do Investidor Sentix melhora mais do que o esperado em julho: -3,1 vs. -10,0 esperado vs. -13,4 anterior. OPINIÃO: A resolução do conflito no Irão e a queda do preço do petróleo, um tom mais suave dos bancos centrais e bons indicadores recentes de atividade com menores pressões em preços contribuem para melhorar o sentimento. (ii) Preços Industriais (maio): +5,9% vs. +5,8% esperado vs. +5,0% anterior. No mês: +0,2% vs. +0,2% esperado vs. +0,7% anterior. OPINIÃO: Os Preços Industriais aumentam em linha com o esperado. O dado corresponde a maio, quando o Estreito de Ormuz ainda estava fechado e com um preço médio do petróleo bruto de 92 $ no mês vs. 72 $ atual, com o qual é de esperar uma moderação nos próximos meses. (iii) Vendas a Retalho (maio): +1,6% a/a vs. +1,6% esperado vs. +0,9% anterior (revisto desde +1,0%). No mês: +0,2% vs. +0,3% esperado vs. -0,3% anterior. OPINIÃO: As Vendas a Retalho recuperam vigor após um mês anterior débil, embora da mesma forma correspondam ao mês de maio, quando os níveis de confiança eram baixos. A Confiança do Consumidor melhorou em junho até -17,7 desde -19,0 e -20,5 dos meses anteriores após a resolução entre EUA e Irão. 


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03/07/2026

Ontem: “Rotação setorial com os Payrolls no foco.”

Tom misto nas bolsas ontem (Europa +1,4%, Nova Iorque plana) numa sessão de rotação setorial para setores mais value desde outros mais de crescimento.

No plano macroeconómico, o mais relevante da sessão foram os dados de emprego nos EUA. A Criação de Emprego Não Agrícola situou-se abaixo do esperado (57k vs. 113k esp. vs. 129k ant.), enquanto a Taxa de Desemprego caiu uma décima até 4,2% – embora esta seja influenciada pela taxa de participação laboral. Em suma, números que mostram alguma desaceleração no mercado laboral e que arrefecem as expetativas de subidas de taxas de juros da Fed. O impacto foi transferido para todo o mercado de obrigações, com quedas de -4 p.b. nas de 2 anos americanas (4,13%) e um debilitamento do dólar (-0,5%) até 1,143. Neste contexto, mantemos a nossa estimativa de que a Fed irá manter as taxas de juros sem alterações este ano e que as irá baixar (-25 p.b.) duas vezes em 2027, até 3,00%/3,25%.

Ocorreu uma rotação setorial nas bolsas. Realizações de lucros em semis (-5,4%) – que prejudicou as bolsas em Nova Iorque – e subidas em setores mais value ligados ao ciclo económico. Na Europa, menção especial ao setor de defesa que registou uma subida de +5% no prelúdio da cimeira da NATO, na Turquia (7/8 de julho).

 

Hoje: “N. Iorque fechada e sem referências, mas tom positivo.” 

Ásia bem esta madrugada (Japão +1,2%, China +1,4%, Coreia +6,4%) graças à subida técnica dos semicondutores após as correções de quarta e quinta-feira. Os futuros europeus sobem um pouco (+0,2%) e provavelmente esse será o tom hoje. Nova Iorque encerrada devido ao feriado (Dia da Independência). Quase não haverá referências. O mais destacável serão os PMIs finais na Europa – que não acrescentarão novidades – e a intervenção de Lagarde (9 h) num evento em França, mas de segunda linha. Parece pouco provável que acrescente novidades após os discursos em Sintra, onde mostrou um tom mais dovish (suave), reconhecendo menores pressões inflacionistas, portanto, parece menos provável que o BCE volte a subir taxas de juros na reunião de 23 de julho. Esta recondução da sua abordagem parece lógica, visto que a inflação desacelera mais rápido do que o esperado, o petróleo estabiliza-se ~70 $/barril e a economia europeia desacelera (PIB 1T +0,3%). A realidade é que o contexto de mercado melhorou de forma substancial como mencionámos na nossa Estratégia de Investimento 3T (em espanhol, brevemente em português). Principalmente porque: (i) o prémio de risco por geoestratégia é inferior após a assinatura do MoU entre os EUA e o Irão. (ii) Parece pouco provável que os bancos centrais endureçam as políticas monetárias. E (iii) os lucros empresariais oferecem um apoio claro às avaliações. Hoje deverá subir sem demasiada força e de forma um pouco insegura. Mas é uma subida. É provável que esteja a acontecer uma rotação para valores/posições mais defensivas mesmo antes das semanas mais típicas de verão, por via das dúvidas e depois de +80% semis e +16% tecnologia no primeiro semestre.


CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (ontem): A CE aprovou o 6.º desembolso de fundos do NGEU. O valor ascende a 7.021 M€, dos quais 5.970 M€ são transferências e 1.051 M€ são empréstimos. A CE retém 537 M€ por não ter podido avaliar três dos marcos do sexto desembolso, mas incorporam-se 302 M€ do quinto desembolso desbloqueados, após o cumprimento de dois marcos prévios. Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Com este desembolso, o sexto do Plano de Recuperação solicitado em março, alcança-se cerca de 75% do total dos fundos atribuídos. O prazo para executar os fundos e cumprir os marcos termina a 31 de agosto, e até 30 de setembro para solicitar o sétimo desembolso (cerca de 21.000 M€ em transferências e 5.600 M€ em empréstimos). 

EUA (ontem): (1) A Criação de Emprego Não Agrícola/(Payrolls) foi mais débil do que a esperada: foram criados +57 mil empregos face a +113 mil esperados e o dado anterior foi revisto em baixa (+129 mil desde +172 mil anunciado anteriormente).- A Taxa de Desemprego melhorou uma décima até 4,2% desde 4,3% esperado e anterior (com um número de Desempregados de 7,09M de pessoas). Contudo, num contexto em que a Taxa de Participação baixou três décimas, até 61,5%, com uma queda da População Empregada de duas décimas, até 59%. Os Salários Médios/Hora aumentaram ligeiramente, +3,5%, em linha com o esperado e desde +3,4% anterior. OPINIÃO: No conjunto, dados mais débeis do que o esperado no mercado laboral. A evolução dos payrolls justifica um tom menos hawkish/duro por parte da Fed vs. mensagem de março. De todas as formas, a Fed continuará pendente da evolução da inflação, onde a boa evolução do preço do petróleo após o anúncio do Memorando de Entendimento entre os EUA e o Irão, em meados de junho, antecipa uma tendência para a moderação nos preços. Não consideramos que a Fed tenha urgência em realizar nenhum ajuste nas suas taxas de juros nas próximas reuniões, com um crescimento do PIB de +2,7% a/a no 1T 2026 (desde +2,0% no 4T 2025) e à espera do ajuste na inflação. Na nossa opinião, o próximo movimento será em baixa, mas já em 2027, diferente do consenso do mercado que antecipa ainda um movimento em alta, embora as expetativas se tenham moderado após os dados do mercado laboral. O nosso cenário contempla duas descidas de taxas de juros da Fed no próximo ano (-50 p.b. até 3,00% / 3,25%). Link para a nota (em espanhol). (2) Os Pedidos à Fábrica de maio retrocederam -1,3% m/m, embora melhores face a -2,0% esperado, enquanto o dado do mês anterior foi revisto em alta até +5,3% m/m (vs. +4,8% prelim.). Os Pedidos, excluindo Transporte, cresceram +1,9% m/m, (0,9pp acima do esperado) e o número anterior foi revisto em alta até +1,3% (+0,4pp). Os Pedidos de Bens Duráveis (final) confirmaram -4,5% m/m preliminar, enquanto o dado, excluindo Transporte, mostrou um crescimento de +1,4%, revisto uma décima em alta. OPINIÃO: Dados melhores do que o esperado, quando se exclui o componente de Transporte, que gera muita volatilidade. O rácio de Inventários/Vendas melhorou até 1,47x (desde 1,49x em abril e desde 1,56x em dezembro de 2025).

UE (ontem): Taxa de Desemprego em 6,2% em maio, melhor do que o esperado e regressa a mínimos históricos de finais de 2024. Este nível tinha sido alcançado já em abril, cuja taxa foi revista uma décima em baixa (até 6,2%). OPINIÃO: O mercado laboral europeu continua a dar sinais de solidez, apesar da volatilidade no crescimento do 1T 2026, pelo início do conflito no Irão.

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02/07/2026

Ontem: “O 3T arranca com quedas, principalmente em semis.”

O 3T arranca com ligeiras quedas após um 2T que foi o melhor trimestre em ~6 anos para muitos índices mundiais, liderados pelos semis (Coreia +68%, SOX +87,8%)… que são, precisamente, o que sofreram ontem mais realizações de lucros (-6,3%). Meta (+8,8%) anuncia planos para vender capacidade na nuvem, fazendo temer que, quiçá, comece a haver excesso de capacidade e Apple (+1,7%) considera comprar chips na China. A macro sai na direção certa. A inflação retrocede mais do que o esperado na UE. A Taxa Geral cai até +2,8% em junho desde +3,2% e vs. +3,0% esperado; a Taxa Subjacente recupera os níveis pré-guerra do Irão (+2,4% desde +2,6% e vs. +2,5% esperado). Nos EUA, a Criação de Emprego ADP modera-se em junho (98k vs. 120k vs. 122k anterior), ainda em níveis de equilíbrio, e o ISM Industrial enfraquece umas décimas, mas mantém-se em zona de expansão e perto de máximos de 4 anos, enquanto a componente de Preços Pagos suaviza-se mais do que o esperado. Em suma, bons dados de atividade com menores pressões inflacionistas que tranquilizam os ânimos em Sintra. Warsh e Lagarde afirmam que os riscos de preços diminuíram nas últimas semanas… e que o petróleo bruto se situa abaixo dos níveis pré-Irão (Brent 71,6 $ vs. 72,5 $). Dão apoio aos setores mais sensíveis a taxas de juros, mas os índices americanos refletem o castigo aos semis.

 

Hoje: “Emprego americano… e começa o modo verão.” 

Hoje é a última sessão da semana em Nova Iorque, já que amanhã é feriado (Dia da Independência). A atenção estará nos dados de emprego dos EUA do mês de maio (13:30 h). Em linha com os indicadores laborais que temos conhecido estes dias, espera-se uma Criação de Emprego Não Agrícola sólida, apoiada nos setores de hotelaria e lazer pelo Mundial de Futebol e aceleração de emprego público. Um dado mais forte do que o esperado poderá afastar as expetativas de um endurecimento por parte da Fed… até que o dado de IPC de junho, que será publicado a 14 de julho, permita uma nova calibração. Mas as declarações de Warsh, ontem, deixam prever uma Fed que não parece disposta a precipitar-se se o IPC se moderar em linha com os preços do petróleo bruto e carburantes (WTI -20% m/m em junho). 

As bolsas asiáticas seguem os cortes de ontem, especialmente a Coreia (-6,7%) pelo forte peso dos semis, e os futuros vêm ligeiramente negativos. Hoje poderíamos ver uma sessão de alguma estabilização, especialmente até aos dados de emprego americano (11 h), mais por uma certa necessidade de descanso e pela pausa das férias. 

Depois da sessão de hoje entramos numa fase com alguma falta de estímulos até ao arranque da temporada de resultados do 2T, em meados de julho, e os bancos centrais, um pouco depois. Nem amanhã nem na próxima semana teremos referências fortes, portanto, o mercado poderá entrar em modo de férias… dentro de uma tendência de fundo robusta, apoiada num crescimento de lucros forte nos próximos trimestres. Espera-se um crescimento do EPS no 2T de +24,3% nos EUA (tecnologia +65%) e +13,6% na Europa, com crescimentos também de duplo dígito nos próximos trimestres, até ao 4T27! Por isso, hoje descansar um pouco, só o necessário.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

ESPANHA (08:00 h): O número de desempregados diminuiu em -28,7 mil pessoas em junho, após a queda de -36,3 mil no mês de maio. O Desemprego situa-se em 2,29M de pessoas (-1,2% m/m e -4,7% a/a). Os Afiliados à Segurança Social 22,47M (+128 mil pessoas +0,6% m/m e +2,8% a/a). Os Afiliados não ajustados de sazonalidade à Segurança Social ascendem a 22,2M pessoas (+92,5 mil pessoas +0,4% m/m e +2,8% a/a). Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol). Link para o Ministério de Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados diminui em junho como é tradicional neste mês, mas igual ao mês passado, a um ritmo um pouco menor do que a média nos últimos 4 anos (-47,8 mil pessoas). A Afiliação à SS acelera +2,8% vs. 2,5% ant. A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,4% (vs. 10,8% Taxa de Desemprego da EPA março de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) perto de 10% no conjunto de 2026.

FÓRUM DE BANCOS CENTRAIS EM SINTRA (ontem): (i) Lagarde vê menos riscos na inflação e afasta o cenário de uma possível nova subida de taxas de juros. – Na sua intervenção no painel monetário do Fórum de Bancos Centrais, em Sintra (Portugal), Lagarde destacou que “os riscos agora estão mais equilibrados do que há duas semanas”, quando o BCE decidiu subir taxas de juros. A ameaça para que os preços disparem é menor depois do acordo entre os EUA e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz, o que reduz a necessidade do BCE ter atuado rápido e de forma contundente. Lagarde apontou a maior velocidade à qual os fatores mudam, como o preço do petróleo nestes tempos incertos. Segundo a presidente do BCE, os bancos centrais devem estar preparados para avaliar os riscos de forma precisa e rápida, utilizando até ferramentas de IA para fortalecer a robustez das suas decisões sob diferentes cenários. Lagarde defende o denominado “framework guidance” (orientação do quadro), que procura informar os investidores sobre o processo de tomada de decisão do BCE e indicadores e riscos que têm mais em conta nas suas decisões. Desta forma, as expetativas podem flutuar conforme os dados e o contexto. OPINIÃO: Tom dovish/suave na sua intervenção em Sintra ao reconhecer que o risco na inflação é menor. Ontem, a inflação na zona euro proporcionou uma grata surpresa ao BCE ao cair para +2,8% em junho, o que implica uma descida de quatro décimas em relação a maio e termina uma série de quatro meses de subidas. A rápida moderação dos preços do petróleo e gás após o acordo anunciado pelo Irão e os EUA, regressando a níveis prévios ao conflito, apesar dos incumprimentos pontuais de ambas as partes, concede maior margem de manobra às autoridades monetárias. O nosso cenário não contempla novas subidas de taxas de juros por parte do BCE. (ii) Warsh assinala que os riscos inflacionistas se relaxaram nas últimas semanas. Evita oferecer qualquer orientação futura sobre taxas de juros. – Durante a sua intervenção no painel de banqueiros centrais, o presidente da Fed assinalou que as expetativas de inflação e riscos inflacionistas se relaxaram nas últimas semanas. Também anunciou que os responsáveis da política monetária da Fed decidirão se movem as taxas de juros “a cada reunião” e que qualquer tentativa de obter orientação futura (“forward guidance”) da sua parte seria inútil. OPINIÃO: Warsh adota um tom mais suave/dovish, assinalando menor risco inflacionista, o que levou o mercado a uma ligeira redução das expetativas de subida de taxas de juros da Fed, em setembro. O nosso cenário central não contempla subidas de taxas de juros este ano. De facto, pensamos que o próximo movimento da Fed será em baixa, em 2027, à medida que a inflação (atualmente em +4,2%) regressa a níveis pré-conflito.

EUA (ontem): (i) Ligeiro retrocesso no ISM Industrial. Destaca a queda na componente de Preços Pagos. Situa-se em 53,3,0 vs. 53,9 est. e 54,0 ant. Permanece em terreno de expansão pelo sexto mês consecutivo. Por componentes destaca a queda em Preços Pagos: 73,0 vs. 77,5 est. e 82,1 ant. A queda do preço do petróleo (84,8 $/barril de média em junho vs. 104 $/barril em maio) facilita este retrocesso. A componente de Novos Pedidos mantém-se em níveis altos e semelhantes ao mês anterior, e a componente Emprego melhora, embora ainda em território de contração (49,7 vs. 48,6 ant). OPINIÃO: Bom dado de ISM, com níveis de atividade altos e a apontar para menores pressões inflacionistas. Link para a nota (em espanhol). (ii) A Criação de Emprego ADP modera-se em junho. Situa-se em 98k vs. 120k estimado e 122k anterior. Link para o relatório ADP (em inglês). OPINIÃO: Nos últimos meses, o mercado laboral americano mostra-se em equilíbrio. A criação de emprego modera-se, mas a oferta também se reduz por menor imigração e retirada do mercado laboral de baby boomers (reforma). Como resultado, a Taxa de Desemprego permanece estável em 4,3%. A atenção está agora em amanhã, na publicação do relatório mensal completo do mercado laboral americano (hoje, 13:30 h). A Criação de Emprego ADP baseia as suas conclusões em folhas de pagamento que abrangem cerca de 26mn funcionários do setor privado (aproximadamente 16% do emprego total nos EUA). 

UE (ontem): A inflação retrocede mais do que o esperado em junho. Menor pressão sobre o BCE para aplicar novas subidas de taxas de juros.-  O IPC retrocede até +2,8% a/a vs. +3,0% est. e +3,2% ant. A Taxa Subjacente situa-se em +2,4% a/a vs. +2,5% est. e +2,6% ant. Em termos intermensais, ocorre um retrocesso de -0,1% em junho, impactado pela queda de -1,7% em energia. A componente de alimentação também mostra um retrocesso no mês (-0,2%). O avanço em serviços é o mesmo do que no mês anterior (+0,4%). OPINIÃO: Boas notícias. A economia mostra sinais de debilidade (PIB 1T 26 +0,3% a/a), reduzindo o risco de efeitos de segunda ronda. E no mercado laboral, as pressões salariais suavizam-se (+2,5% no 1T 2026 vs. +2,9% no 4T 2025). Neste contexto, reduz-se a pressão sobre o BCE para aplicar novas subidas de taxas de juros perante um aumento de inflação provocado por um choque de oferta. Link para a nota (em espanhol). 

Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise

 

01/07/2026

Ontem: “Terminamos a primeira metade do ano com saldo claramente positivo para as bolsas.”

Nova sessão de subidas nas bolsas (Europa: +1,5% e EUA: +0,8%), animadas outra vez pela tecnologia (Índice geral: +1,6% e Semicondutores: +3,9%). Além disso, ontem, fechamos a primeira metade de 2026, onde apesar das incertezas geopolíticas, o saldo foi claramente positivo para umas bolsas que continuam impulsionadas pelo forte crescimento dos lucros empresariais: Europa +9,2% e EUA +9,5%.

Na macro, o mais destacado do dia foram os IPCs de alguns dos principais países da UE (Alemanha, França, Itália e Portugal), que saíram, em todos os casos, abaixo do esperado e antecipam um bom dado agregado hoje (10 h). Nos EUA, uma Confiança do Consumidor um pouco pior do que o esperado (91,2 vs. 94,4 esp.) e as Vagas de Emprego (JOLTS) estiveram acima do esperado (7,59M est. em junho vs. 7,29M esp. e 7,62M ant.).

Na renda fixa, tivemos uma sessão relativamente tranquila na Europa e sem grandes movimentos (a yield do Bund ampliou +0,2 p.b. até 2,857%) enquanto nos EUA a yield do T-Note subiu + 9 p.b. até 4,465%, à espera das declarações de Warsh, hoje, em Sintra.

 

Hoje: “Mercado pendente dos bancos centrais em Sintra e da inflação da UE.” 

Hoje a sessão virá marcada por duas referências-chave: (i) em primeiro lugar, às 10 h, conheceremos o IPC da UE, que se espera que retroceda até +3,0% vs. +3,2% anterior. Se assim for, confirmaria o relaxamento nas pressões sobre os preços (embora pendentes ainda de ver o impacto da retirada das ajudas estatais nos próximos meses). Em todo o caso, com os níveis atuais de preços do petróleo bruto, a tendência do IPC deverá ser de moderação para o final do ano. (ii) Em segundo lugar, hoje teremos o prato forte das Conferências do BCE, em Sintra. Às 14 h celebra-se o painel de Política Monetária com a intervenção de Lagarde (BCE), Warsh (Fed) e Bailey (BoE). Após a mensagem relativamente hawkish/dura de Lagarde, na segunda-feira, no seu discurso inaugural, o mercado estará especialmente atento às palavras de Warsh e Lagarde para tentar prever os próximos movimentos da política monetária, num contexto como o atual, especialmente complexo. Além disso, hoje, na frente macro, conheceremos o ISM Industrial dos EUA (espera-se 53,9 vs. 54,0 ant.). No plano micro, esta madrugada, Nike publicou resultados (melhores do que o esperado, mas com prognóstico de novas quedas de vendas para o próximo trimestre e cai -3,3% no mercado fora de hora).

Hoje, os futuros apontam para uma abertura plana ou com ligeira realização de lucros. Em todo o caso, tal como assinalámos na nossa Estratégia Trimestral (em espanhol; brevemente em português), publicada ontem, o contexto continua a ser pró-mercado e favorável à aceitação de riscos. O custo de oportunidade de “ficar de fora” continua a ser superior à perda potencial que viria associada a uma repentina deterioração do contexto.

 

CONTEXTO ECONÓMICO. –

CHINA (02:45 h): O PMI Industrial retrocede ligeiramente em junho, mas mantém-se em território de expansão. O PMI publicado pela plataforma privada RatingDog alcança 51,7 vs. 52,0 est. e 51,8 ant. Situa-se num nível parecido ao publicado pelo setor público (Gabinete Nacional de Estatísticas), que foi publicado ontem, em 50,3. OPINIÃO: Leitura positiva, já que o retrocesso é mínimo e a média dos últimos 3 meses situa-se no nível mais alto desde o 4T 2020. O setor industrial manteve uma expansão constante em junho, apoiado por um crescimento sustentado dos novos pedidos, diminuição da pressão sobre os custos e melhoria nas condições do mercado laboral. Ainda assim, continuamos sem considerar a China uma alternativa de investimento na nossa estratégia. Principalmente porque: (i) o conflito do Irão deixou o país numa situação mais dependente em temos de matéria energética dos EUA. (ii) Continua a mostrar sérios problemas na Procura Interna, com taxas de inflação subjacente perto de 0%, se excluirmos o efeito da energia. (iii) Problemas de confiança que prejudicam o mercado imobiliário. (iv) Crise demográfica severa, que fará perder 30% da sua população ativa até 2050, dificultando muito o crescimento económico.

ALEMANHA (ontem): A inflação modera-se por surpresa em junho. -  IPC +2,3% (a/a) vs. +2,6% esperado e anterior. Em termos intermensais, -0,3% vs. +0,0% esperado e -0,2% anterior. OPINIÃO: Boas notícias para as bolsas e obrigações. Após a moderação também maior do que o esperado da inflação de França, hoje poderemos ver também uma moderação maior à esperada no IPC da UE de junho (+3,0% est. desde +3,2%), o que apoiaria a nossa estimativa de que o BCE não voltará a alterar as taxas de juro este ano.

EUA (ontem): (i) O Indicador de Preços de Habitação Case Shiller aumentou em junho +1,1% vs. +0,90% est. e +0,8% anterior. Em termos intermensais, -0,16% vs. -0,10% estimado e -0,05% anterior. OPINIÃO: É o melhor dado de crescimento desde janeiro deste ano, embora continuam a ser níveis historicamente baixos. O mercado da habitação continua afetado por taxas de juros hipotecárias (30 anos) altas, embora pareça ter alcançado o fundo e começado a recuperar, graças à força da economia e a um mercado laboral que goza de boa saúde. (ii) As Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) aumentam mais do que o esperado até 7594K vs. 7296k est. e 7618k ant. OPINIÃO: O mercado laboral americano está em equilíbrio, com lenta criação de emprego pelo lado da procura, mas também com moderação pelo lado da oferta (menor imigração e saída do mercado de baby boomers por reforma). Taxa de Desemprego estável em ~4,3%. O foco da Fed está na inflação, com um IPC (4,2%) acima do objetivo devido ao choque energético; (iii) A Confiança do Consumidor sai pior do que o esperado em junho: 91,2 vs. 94,4 estimado e 90,6 anterior (revisto desde 93,1). Situação Atual 116,4 vs. 123 est. e 121,2 ant. Expetativas 74,4 vs. 75,2 est. w 74,4 ant. OPINIÃO: Mau dado, embora pouco representativo, já que não inclui o impacto da assinatura do Memorando de Entendimento entre os EUA e o Irão, porque a maioria dos inquéritos foi realizada antes desse evento.

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