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Informação Diária de Mercados
11.09.2026
Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal
Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.
11/09/2026
Ontem: “O tom hawkish do BCE e a escalada no M. Oriente prejudicam as bolsas e as obrigações.”
Sessão negativa para bolsas (Europa -0,7%; Nova Iorque -0,6%) e obrigações (yield T-Note +4,96%, +8,3 p.b.; Bund +3,49%, +6 p.b.) numa sessão marcada pela reunião do BCE e escalada militar no Oriente Médio.
O BCE cumpriu expetativas e subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,50%/2,65%, com um tom um hawkish/duro, revendo em alta as suas estimativas, tanto de inflação como de crescimento. Não descartamos novas subidas, embora dependerá de como evolua o preço da energia e os efeitos de segunda ronda. Na frente geoestratégica, o conflito no M. Oriente transfere-se também para o Mar Vermelho, onde os ataques huthis, aliados do Irão no Iémen, continuam a prejudicar a produção a produção de petróleo saudita, em mínimos desde 1990. Ontem tomaram a cidade portuária de Mocha, chave para controlar o Estreito de Bab-el-Mandeb, acrescentando pressão ao preço do petróleo bruto (+6% até Brent 107 $). Na frente macro também conhecemos os Preços Industriais dos EUA, que aumentaram um pouco mais do que o esperado (+5.4% vs. +5.3%), o que pode pressionar as margens empresariais.
Hoje: “A inflação dos EUA marcará o rumo.”
Hoje o mercado estará pendente do dado de inflação de agosto nos EUA (13:30 h; (+3,4% est. sem alterações), embora a taxa subjacente se modere uma décima até +2,4%. Um dado em linha ou melhor do que o esperado impulsionaria a Fed a manter as taxas de juros nos níveis atuais, enquanto um dado pior do que o esperado poderá levar a optar por uma subida. Na frente micro, conhecemos os resultados de Oracle (+5% com o mercado fechado), que batem estimativas e melhoram guias, impulsionados pelas receitas da infraestrutura de IA, reafirmando que esta estaria a atuar como um motor de crescimento para o software e não como uma ameaça, como se temia inicialmente. O resto do dia não terá grandes referências, com a atenção nas reuniões dos bancos centrais da próxima semana. Na quarta-feira, conheceremos a decisão mais incerta, que será a da FED, e dependerá do dado de inflação de hoje. Na quinta-feira, o BoE previsivelmente irá manter taxas de juros em +3,75%. E na sexta-feira, quiçá a decisão mais clara, o BoJ irá subir taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%. Em suma, hoje deveremos ter uma sessão relativamente tranquila até conhecermos o dado de inflação nos EUA, quiçá com tendência positiva após vários dias de quedas, embora com a tensão geopolítica ainda latente (petróleo >100 $), só um bom dado de inflação animaria os mercados.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
JAPÃO (00:50 h): Preços Industriais de agosto +7,6% a/a (vs. 7,4% a/a esp.) após rever em alta o mês anterior +7,7% a/a (desde +7,2% anunciado anteriormente). OPINIÃO: A revisão em alta dos preços industriais de julho (+0,4% m/m desde +0,1%), embora agosto, em termos mensais tenha sido mais ajustado do que o esperado (-0,2% m/m vs. 0,0% esp.), continua a antecipar que o BoJ subirá taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%, na próxima sexta-feira (18 de setembro).
REINO UNIDO (07:00 h): Produção Industrial +0,2% m/m em julho vs. -0,2% esperado e anterior. Em termos interanuais, +0,6% a/a vs. +0,2% a/a esperado e desde -0,2% ant. OPINIÃO: Dado positivo, não só melhor do que o esperado, mas que mostra uma aceleração na Produção Industrial. Além disso, foi anunciado um dado mensal do PIB que também acelera +0,4% m/m desde +0,3% ant. e supera expetativas +0,0% m/m, sinais de um comportamento ligeiramente melhor da economia.
UE/BCE (ontem): O BCE cumpre as expetativas do mercado e sobe +25 p.b. as taxas de referência até: Depósito 2,50%, Crédito 2,65% e Marginal 2,90%. A estimativa de inflação para 2026 não muda, mas reveem em alta as de 2027 e 2028, e a de crescimento para 2026 e 2027. A maioria dos indicadores de inflação subjacente mantém-se estável, com os os Serviços a diminuírem até +3,0% em agosto desde +3,3% em julho. Continuam sem ver efeitos de segunda ronda em Salários e Alimentação, mas se o choque energético continuar, acabarão por refletir-se também nesses setores. Em relação ao crescimento, a economia europeia mostra uma resiliência superior ao esperado no 2T apesar do choque energético e provavelmente esta tendência continuará no 3T. OPINIÃO: Acreditamos que não é descartável algum movimento posterior de subida por parte do BCE, tendo em conta a revisão em alta de crescimento e inflação. Não obstante, o próprio BCE assinalou várias vezes que tomará as decisões a “cada reunião” em função da evolução das diferentes variáveis macroeconómicas e preço do petróleo. Atribuímos uma alta probabilidade de mais uma subida, embora dependa de como evoluam os dados macro (especialmente a inflação e os efeitos de segunda ronda), mas em nenhum caso deveremos estar perante um ciclo de subidas de taxas de juros, mas perante movimentos pontuais que ocorrerão de forma preventiva.
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10/09/2026
Ontem: “Bolsas e obrigações em alerta devido à geopolítica e ao preço do petróleo Brent em 100 $/barril.”
Quedas gerais em ambos os lados do Atlântico numa sessão sem referências macro importantes, que veio marcada pela geopolítica. A escalada militar no M. Oriente com ataques do Irão à Jordânia e a destruição de navios iranianos por parte dos EUA prejudica o abastecimento energético pelo Estreito de Ormuz, por isso, o preço do petróleo Brent alcança a fronteira psicológica de 100 $/barril.
A chave para o mercado está agora nas perspetivas de inflação e reação dos bancos centrais, porque até meados de outubro não teremos campanha de resultados do 3T 2026 nos EUA, que foi o principal catalisador das bolsas em 2026.
Com este panorama, as obrigações não baixam a guarda e a rentabilidade/yield mantém-se em níveis historicamente altos numa semana intensa no primário. Os EUA emitiram ontem obrigações a 10 anos e na semana fizeram o mesmo: Japão (5 A), Reino Unido (30 A), Áustria (10 A) e/ou Espanha (20 A).
Hoje: “Pendentes do quadro macro do BCE e tom de Lagarde até à inflação americana de amanhã.”
Para efeitos práticos, a sessão começa às 13:15 h, quando o BCE anunciar a 2.ª subida de taxas de juros no ano, com um aumento de +25 p.b. até +2,50% (depósito)/+2,65% (crédito). A reação do BCE não deverá surpreender ninguém, de facto, as obrigações atribuem uma probabilidade >99,0% de que assim aconteça por vários motivos: (1) a mensagem geral dos conselheiros do BCE durante o verão foi hawkish/dura, destacando os riscos em alta sobre a inflação e alguma preocupação perante possíveis efeitos de 2.ª ronda dos preços da energia, (2) o IPC supera +2,0% objetivo (+3,3% em agosto com a Subjacente em +2,4%) e (3) é difícil que o preço do petróleo relaxe se a geopolítica não melhora. De momento, o Irão afirma estar preparado para uma escalada militar e Trump estima que o final da guerra chegará após as eleições de meio mandato nos EUA (novembro). Além disso, o Brent avalia em ~100,6 $ (vs. 96,9 $ estimado pelo BCE no seu cenário base).
A chave está na atualização do quadro macro (um pouco mais de inflação durante mais tempo?) e no tom de Lagarde (13:45 h) para tentar perceber a direção das taxas de juros. Sem alterações durante uns meses para acompanhar a evolução da geopolítica/energia e da inflação? É o mais provável.
A boa notícia é que a economia e as bolsas resistem razoavelmente bem aos desafios da geopolítica graças a uns resultados empresariais francamente bons e ao boom do investimento em tecnologia. Em suma, tudo aponta para uma sessão de subida inercial se o BCE não o estragar.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
UE/HABITAÇÃO: A Comissão Europeia apresenta a sua nova Lei de Habitação Acessível. Esta nova lei visa, sobretudo, impor limites ao arrendamento turístico de curta duração em “zonas de stresse habitacional”. Permitirá aos ajuntamentos tomar medidas como limitar a proporção de pisos turísticos, proibir a atividade de grandes operadores ou até suspender licenças. Para poder aplicá-la, terão de cumprir 5 requisitos: (i) que a relação entre preço de habitação e receitas disponíveis supere 8x; (ii) Que este mesmo rácio tenha aumentado nos últimos 10 anos; (iii) Que haja pouca probabilidade de que diminua nos próximos 3 anos, em função da oferta e da procura; (iv) Que os ajuntamentos estejam a cumprir ativamente o Regulamento da UE sobre arrendamentos de curta duração; e (v) que se apliquem medidas para aumentar a oferta da habitação a longo prazo, em particular de habitação social e acessível. OPINIÃO: Más notícias. Até à data, a regulação do setor não só não solucionou o problema, mas agravou-o, provocando maior queda da oferta. Contudo, trata-se de um mecanismo que os governos locais e regionais podem escolher adotar ou não, que são os que têm competências em termos de habitação. Atribuímos pouca probabilidade à aplicação real desta lei, pelo menos em território espanhol, à luz do que se observou com a Lei da Habitação aprovada em Espanha, em 2023, que também fixava “Zonas de Arrendamento Tensionado” e que apenas foi aplicada por uma comunidade autónoma.
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09/09/2026
Ontem: “Aumenta a tensão geoestratégica e alfandegária.”
A sessão veio marcada principalmente pela maior tensão no M. Oriente e o consequente aumento dos preços do petróleo. A Arábia Saudita teve de parar a atividade em várias fábricas petrolíferas após terem sido atacadas por huthies, apoiados pelo Irão. Como consequência, os preços do petróleo subiram +1% até 97,9 $/barril (Brent), alimentando as expetativas de inflação e de subidas de taxas de juros por parte dos bancos centrais. Além disso, a frente alfandegária volta a assumir o protagonismo, após o Canadá aumentar os impostos alfandegários aos produtos americanos até 50% (vs. 15% anterior) em resposta aos impostos pelos EUA. Com tudo isto, a bolsa americana caiu -0,6%, enquanto a Europa conseguiu fechar sem alterações significativas (+0,1%), numa sessão quase sem referências no plano convencional. O único destacável foi o PIB final do Japão, que foi revisto em alta até +1,4% no 2T (t/t anualizado) vs. +1,1% preliminar, dando um pequeno alívio ao yen, que recuperou um pouco de terreno (+0,2% face ao euro) perante a mais que provável subida de taxas de juros do BoJ na próxima reunião (18 de setembro).
Hoje: “Tensa espera para a reunião do BCE (quinta-feira) e inflação americana (sexta-feira).”
Hoje amanhecemos com novos ataques entre os EUA e o Irão. O exército norte-americano tinha destruído 5 petroleiros iranianos como resposta a um ataque do Irão sobre a frota dos EUA na zona. Como consequência, os preços do petróleo mantêm-se em níveis tensionados, muito próximos já dos 100 $/barril (Brent), o que irá manter as yields das obrigações em níveis próximos aos máximos dos últimos 20 anos, tanto nos EUA (T-Note ~4,8%) como na Europa (Bund ~3,4%). No plano convencional, as principais referências da sessão foram conhecidas já à primeira hora: (i) na frente empresarial, os resultados de Inditex dececionaram. Embora tivesse batido estimativas em vendas, as margens caem contra todo o prognóstico (a nível EBIT 19,0% vs. 19,7% esperado); e (ii) pelo lado macro, o IPC da China cumpre as expetativas aumentando até +0,8% a/a em agosto desde +0,5% anterior, embora com a subjacente a aumentar uma décima acima do esperado, até +1,0%, e maior pressão de preços pelo lado industrial.
Desta forma, hoje prevemos sessão de ligeira realização de lucros (-0,5%) perante: (i) um BCE que irá subir taxas de juros amanhã com quase total probabilidade (+25 p.b. esperado, até 2,50%/2,65% Depósito e Crédito) e que poderá dar uma mensagem de cautela, num contexto de elevados preços do petróleo e incerteza como o atual; e (ii) o IPC dos EUA, na sexta-feira, que se espera que repita em +3,4% em agosto e que, no caso de surpreender, poderá ser decisivo para a próxima reunião da Fed (16 de setembro).
CONTEXTO ECONÓMICO. –
CHINA (02:30 h): Inflação quase inexistente e Preços Industriais um pouco tensionados (agosto). (i) IPC +0,8% vs. +0,5% anterior, exatamente como esperado. (ii) Preços Industriais +3,8% vs. +3,6% esperado vs. +3,5% julho. OPINIÃO: Impacto neutral sobre o mercado. São números continuistas, mas não bons pelo que transmitem. Uma inflação que permanece estável, com muitas pequenas variações, aproximadamente em +1% desde novembro de 2022 é um indício de uma procura interna débil. Contudo, os Preços Industriais permaneceram em deflação em novembro de 2022 e março de 2026, onde estão agora. Essa pauta temporária encaixa com a guerra no Irão e o consequente encarecimento do petróleo, o que demonstra que está a afetar a cadeia produtiva chinesa, encarecendo-a. Portanto, a China enfrenta uma Procura Interna débil e custos produtivos crescentes, o que reduz as margens empresariais e afeta a competitividade relativa das suas exportações.
JAPÃO (00:00 h): Excelente Tankan Industrial (setembro). O melhor registo desde dezembro de 2021: 21 vs. 18 em julho. OPINIÃO: Impacto um pouco positivo, mas notar-se-á pouco, visto que a sessão de hoje vem um pouco pressionada em baixa pelas tensões geoestratégicas (Irão). O Tankan Industrial vem a melhorar ininterrompidamente desde abril, quando estava em apenas 7 pontos (é um indicador índice que se forma com base em respostas de 200 empresas e constrói-se subtraindo as opiniões negativas das positivas no que diz respeito ao clima de atividade). Também, simultaneamente, foi publicado o Tankan Não Industrial, que melhorou 1 ponto, até 29. Por norma tem uma relevância inferior, em relação ao impacto sobre o mercado, e ainda menos desta vez porque permanece perto dos 30 pontos desde agosto de 2023 e, por isso, este registo não acrescenta nada de novo.
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08/09/2026
Ontem: “Bons dados na UE enquanto se mantém a tensão sobre o preço do petróleo.”
Tom tranquilo nas principais praças europeias, sem grandes referências dos EUA, que celebravam o Dia do Trabalho. O comportamento foi misto com oscilações nas principais bolsas europeias entre +/-0,3%.
O preço do petróleo Brent voltou a aumentar cerca de +1,2%, situando-se acima dos 97 $/barril perante as renovadas tensões no M. Oriente.
As rentabilidades das obrigações europeias continuaram em alta, em cerca de +5,0 p.b. (Bund 3,385%), enquanto os spreads das periféricas aumentavam ligeiramente (cerca de +0,4 / +0,9 p.b.).
No lado macroeconómico, dois dados positivos na Europa que favorecem as expetativas de subida do BCE na próxima quinta-feira: (i) o Sentix de Confiança investidora subiu (+5,1%), muito acima do esperado, situando-se em níveis não vistos desde setembro de 2022. (ii) O PIB europeu do 2T 2026 foi revisto duas décimas em alta, para +1,2% a/a (vs. 0,6% no 1T 2026), embora seja certo que a melhoria se deveu principalmente à Irlanda.
Em suma, sessão de transição com bons dados macro na UE.
Hoje: “Mantêm-se as tensões geoestratégias à espera do BCE (quinta-feira) e inflação americana (sexta-feira).”
Na frente geoestratégica, o Irão afirma estar perto de um acordo com Omã para o transporte pelo Estreito de Ormuz, mas mantém-se a tensão com os EUA e o preço do Brent em cerca de 97 $/barril. Na frente alfandegária, hoje entra em vigor a subida de impostos alfandegários recíprocos do Canadá (de 50%) a vários produtos dos EUA, após o fracasso das negociações e a entrada em vigor, no final de agosto, de impostos alfandegários de 50% sobre ~20.000 M$ de produtos do Canadá. Esta madrugada, bons dados macro na Ásia, embora menos fortes do que o antecipado: (1) a revisão em alta do PIB Japão +1,4% t/t anualizado (vs. +1,8% esperado e desde +1,1% prel.), mantém a expetativa de subida de taxas de juros do BoJ (18 de setembro, até 1,25%) e contribuiu para o fortalecimento do yen (para 178 EURJPY). (2) O setor exterior na China melhora (+28% a/a Importações +25% Exportações) embora com um ritmo um pouco menor do que o esperado. O resto da sessão não terá referências, à espera dos dois grandes eventos da semana: (i) BCE (quinta-feira), onde esperamos a segunda subida do ano (+25 p.b., até 2,50% / 2,65% Taxas Depósito e Crédito, respetivamente) e; (ii) o dado de inflação dos EUA (sexta-feira) que será determinante para a decisão da Fed (16 de setembro, atual 3,50% / 3,75%), após o bom dado de Criação de Emprego na semana passada. Em suma, esperamos uma nova sessão de transição com ligeiras realizações de lucros perante a tensão nos preços do petróleo bruto e incerteza inflacionista.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (07:00 h): A Balança Comercial aumenta o seu superavit em julho apesar de uma queda tanto das Exportações como das Importações - (i) Balança Comercial 21.300 M€ em julho vs. 15.800 M€ esperado e 15.300 M€ anterior (revisto desde 15.400 M€). (ii) Exportações -0,8% m/m vs. +0,3% esperado e +0,9% anterior. (iii) Importações -5,7% m/m vs. -1,0% esperado e +4,5% anterior (revisto desde +4,4%). OPINIÃO: Embora a Balança Comercial seja aparentemente boa, a realidade é que a leitura das secções não o é tanto, ampliando o seu superavit devido a uma queda significativa das suas Importações. Destaca um aumento das Exportações para os EUA (+19% m/m) face a uma queda da UE (-1,6%). As Importações apresentam uma queda geral, destacando EUA (-8,2%), China (-7,5%) e UE (-6,1%).
CHINA (03:33 h): A Balança Comercial aumentou o seu superavit em agosto. – Principais números: 119.090 M$ vs. 119.100 M$ estimado e 125.340 M$ anterior (revisto desde 125.500 M$). Tanto as Importações como as Exportações avançaram em relação ao dado anterior. As Exportações aumentaram menos do que o estimado (+25,0% vs. +25,9% esperado e +23,9% anterior) e as Importações (+28,2% vs. +31,0% estimado e +27,6% anterior). OPINIÃO: Resultados positivos, apoiados por uma forte procura derivada da IA, produtos de alta tecnologia (+26% 1S26 vs 1S25), assim como automóveis elétricos (+55% 1S26 a/a), que impulsionou as exportações, compensando o impacto negativo dos impostos alfandegários norte-americanos.
JAPÃO (00:50 h): O PIB aumenta abaixo do esperado em relação ao número preliminar do 2T 2026 graças a uma melhoria do investimento: +1,4% t/t anualizado vs. +1,8% esperado e +1,1% anterior. OPINIÃO: Números positivos. A melhoria do crescimento económico deve-se a uma revisão em alta do investimento (-0,9% vs. -0,7% esperado vs. -1,2% anterior), que acelerou apesar de uma pressão em preços em alta derivados da guerra no Irão. Estes números reforçam a ideia de que o BoJ irá subir taxas de juros (+25 p.b.) na sua próxima reunião (18 de setembro), num contexto de subida do nível de preços (+1,9% a/a). Após o dado, a rentabilidade da obrigação 10A (-2 p.b.) e o yen apreciou-se até 178,5 EURJPY (-0,5%).
UE (ontem): (i) O PIB do 2T foi revisto para melhor. Nomeadamente, até +1,2% a/a desde +1,0% preliminar e +0,6% anterior. Com base intertrimestral, +0,6% vs. +0,4% preliminar e 0,0% anterior. OPINIÃO: Dado melhor do que o estimado, que mostrou uma boa composição. Destaque especialmente para o Investimento (+1,4% a/a vs. +0,3% anterior) enquanto o Consumo também ganhou inércia (+1,2% vs. +1,0%). Contudo, a revisão em alta ocorre pela melhoria de Irlanda, que cresceu +10,2% t/t no 2T vs. +3,9% estimado inicialmente. Link para a nota publicada por Eurostat (em inglês). (ii) A Confiança do Investidor Sentix acelerou em setembro mais do que o estimado. Alcançou +5,1 vs. +1,7 estimado e +0,9 anterior. OPINIÃO: Bom dado que alcançou o nível mais alto desde fevereiro de 2022. A Confiança melhora, apesar do aumento recente das rentabilidades das obrigações e apoiada por lucros empresariais melhores do que o estimado (EPS 2T 2026 +26% vs. +15% esperado).
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03/09/2026
Ontem: “Bolsas e obrigações piores na Europa vs. EUA.”
Nova subida nos preços da energia. O Brent aumenta +1% e supera os 95 $/barril (+9% na semana). Subida mais acentuada para o gás na Europa (+2% e +10% na semana), que alcança o nível mais alto desde janeiro de 2023. A Europa compete com a Ásia para atrair envios de GNL que lhe permitam aumentar as suas reservas antes do inverno. As reservas estão apenas a 65% da sua capacidade, nível mais baixo desde 2009.
Piores comportamentos das obrigações na Europa vs. EUA. As economias da região são mais sensíveis às variações do preço do gás e é muito provável que o BCE volte a subir taxas de juros na reunião de 10 de setembro. A yield do Bund sobe +3 p.b (3,37%), o nível mais alto desde 2011. A obrigação francesa alcança +4,25%, máximo desde 2008. Nos EUA, a pressão sobre as obrigações, a pressão sobre as obrigações americanas suavizou-se. T-Note –2,0 p.b. (+4,78%).
Bolsas com ligeiras quedas na Europa (-0,1%) e avanços nos EUA (+0,5%). A tecnologia ficou um pouco para trás na subida (+0,2%).
O yen fortalece-se ao aumentar as expetativas de subida de taxas de juros do Banco do Japão. O euro cede um pouco de terreno face ao dólar (EURUSD 1,159).
Hoje: “Tom mais estável nas bolsas à espera dos dados de emprego americano de amanhã.”
Perante a ausência de referências macro ou corporativas de primeiro nível, o foco continuará nas novidades do conflito no M. Oriente e na evolução das obrigações. A recente escalada de ataques questiona a viabilidade do denominado “corredor seguro” em Ormuz, impulsionado pelos EUA para preservar o fluxo de petróleo para os mercados internacionais. Sem sinais que permitam antecipar uma resolução breve, o petróleo supera os 95 $/barril. O encarecimento da energia complica as perspetivas de inflação e taxas de juros. Este mês veremos subidas de taxas de juros do BCE e do Banco do Japão. A Fed – embora não opte por um aumento – reforçará a tendência hawkish/dura. O receio de uma inflação mais elevada e duradoura, os elevados défices fiscais e a concorrência de emissões de obrigações corporativas para financiar o desenvolvimento da IA intensificam a pressão sobre as obrigações soberanas, que alcançam níveis de rentabilidade não vistos em décadas.
A macro da sessão não deverá influenciar no mercado: PPIs na Europa (+5,5% a/a vs. +4,6%) e ISM de Serviços nos EUA (estável em 54,1). O dado-chave da semana é o relatório mensal do mercado laboral americano que conheceremos amanhã. Com a Taxa de Desemprego estável em 4,1%, a principal preocupação da Fed é a inflação. Apenas uma criação de emprego significativamente inferior à esperada poderá alterar de forma relevante as probabilidades de uma subida de taxas de juros em setembro. Veremos. Em relação aos mercados, o aumento na yield das obrigações reduz o atrativo dos ativos de risco. Além disso, após o fim da temporada de resultados do 2T, as bolsas perderam um dos seus principais catalisadores. No entanto, na sessão de hoje, o tom de 1.ª hora é um pouco mais construtivo. Sem novos ataques nas últimas horas, o petróleo retrocede (-1,4%) e a pressão sobre as obrigações parece ter-se moderado. Após um mau início da semana (-1,9% bolsa europeia e -0,6% americana), o mais provável é que tenhamos uma sessão de estabilidade – com alguma ligeira subida na Europa –, à espera dos dados de emprego de amanhã.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
SUÍÇA (07:30h): A inflação de agosto surpreende ao aumentar acima do esperado: +0,8% a/a vs. +0,5% esperado vs. +0,4% anterior. Em termos intermensais, +0,4% vs. +0,0% vs. -0,1%. OPINIÃO: O aumento dos preços do petróleo e o aumento da renda de habitação acelera a inflação suíça. Além disso, a depreciação do franco faz com que os bens importados acrescentem inflação (+1,4% m/m) pela primeira vez desde abril. São números positivos, porque afastam a economia suíça da deflação enquanto mantêm o IPC no intervalo objetivo do banco central (0%-2%). A Suíça tem as taxas de juros mais baixas do mundo, em 0%, e um contexto deflacionista que obrigasse a deixar as taxas de juros em níveis negativos seria contraproducente para a economia. Estimamos que o SNB mantenha as taxas de juros em 0% durante 2026.
EUA (ontem): (1) A Criação de Emprego Privado ADP: +38 mil em agosto; foi mais débil do que o antecipado (+47 mil esperado e desde +46 mil em julho, revisto em alta +2 mil). OPINIÃO: Esta sexta-feira teremos a publicação da Taxa de Desemprego, que se espera que repita em 4,1%, o que pode mostrar o relativo equilíbrio entre a oferta e a procura do mercado laboral. O dado passou sem grande impacto nos mercados, que estão mais focados na geopolítica e inflação. (2) Pedidos à Fábrica de julho +0,9% m/m (vs. +0,7% esperado e -0,2% ant., revisto uma décima para melhor); excluindo Transporte, +0,6% m/m (vs. +0,4% esperado e -0,4% ant.). Os Pedidos de Bens Duráveis (dado final) confirmaram o crescimento +1,1% m/m anunciado preliminarmente e também confirmaram +0,4% m/m excluindo transporte, e +1,3% m/m excluindo Defesa. OPINIÃO: Dados positivos para o crescimento, que confirmam os já antecipados sobre Bens Duráveis. Contudo, do lado da política monetária pode dar margem à Fed para uma política monetária menos relaxada. (3) LIVRO BEGE: Assinalou, em primeiro lugar, em relação à atividade, um crescimento modesto desde o início de julho e perspetivas positivas para os próximos meses, embora persistam as incertezas. Destaca a melhoria na maioria dos distritos da atividade industrial, especialmente impulsionada por defesa e centros de dados, enquanto pelo lado de Serviços o crescimento foi ligeiro. Em segundo lugar, o mercado laboral melhorou “muito ligeiramente” e o crescimento de salários foi de “modesto a moderado”. Em terceiro lugar, em relação aos Preços, o ritmo de crescimento em relação ao relatório anterior manteve-se estável em 8 distritos, moderou-se em três e apenas acelerou em um. Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: A mensagem positiva em relação ao crescimento (especialmente por Industrial; centros de dados e defesa), com uma inflação que cresce a um ritmo moderado, não antecipa a necessidade da Fed realizar movimentos a curto prazo.
BANCO DO CANADÁ (ontem): Manteve taxas de juros em 2,25%, como se antecipava.- OPINIÃO: A inflação no Canadá encontra-se em 3% a/a em julho, mas a Subjacente mantém-se num moderado 1,9% a/a, o que lhe permite manter sem alterações a sua política monetária, no contexto de incerteza comercial com os EUA atual. A taxa de desemprego está em 6,4% em julho, o nível mais baixo desde 2024.
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02/09/2026
Ontem: “Continua a pesar o aumento das yields das obrigações.”
O mercado continua preso num círculo vicioso de tensão geopolítica > subida do petróleo bruto > receios de inflação > aumento de yields das obrigações que penalizam as bolsas. Novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz continuam a tensionar o preço do petróleo (Brent +4,6% até 94,7 $). As obrigações continuam a refletir os receios de inflação (mais) persistente e crescente probabilidade de endurecimento por parte dos bancos centrais. A yield do T-Note sobe +4,8 p.b. até 4,80%, Bund + 2 p.b. até 3,34%. E sem a compensação de notícias na frente empresarial, com a campanha de resultados concluída, as bolsas retrocedem (Europa -0,8%, EUA -0,7%).
Os dados na frente crítica da inflação, sem dar surpresas alarmantes, continuam sem ser reconfortantes. O IPC da UE aumenta 4 décimas em agosto até +3,3%, como esperado, pressionado pelos preços da Energia (Subjacente -1 décima até +2,4%) e reafirmando a convicção de que o BCE aplicará uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. até 2,50%/2,65% a 10 de setembro. Nos EUA, a componente de Preços Pagos do ISM Industrial não enfraquece como se esperava. Em suma, nova sessão de correção nas bolsas e obrigações marcada pelo tensionamento no M. Oriente.
Hoje: “Petróleo >95 $ e yields em alta continuarão a prejudicar as bolsas.”
Sem nada muito relevante a nível convencional, o mercado continua sujeito à frente geopolítica e o seu impacto no petróleo e gás. O petróleo amanhece a aumentar +1% até 95,6 $. Situa-se longe do preço médio em setembro de 2025 (67,5 $), o que manterá as obrigações tensas (yield T-Note +0,4 p.b. até 4,80%). De madrugada, o banco central da N. Zelândia subiu taxas de juros em +25 p.b. até 2,75% como se esperava, para travar uma inflação que se situa em +4,1%. O do Canadá, mais para a frente, provavelmente irá manter-se à espera de maior clarificação da frente comercial com os EUA. Assim, o Inquérito de Emprego ADP não deverá fazer muito ruído num mercado laboral que não é fonte de preocupação (com uma Taxa de Desemprego que, na sexta-feira, se espera que repita em 4,1%). Na frente empresarial, Palo Alto cai -1,1% após o fecho (-5,2% na sessão) apesar de bater em resultados e guias, penalizado, como todo o setor tecnológico, por umas yields elevadas. Hoje, após o fecho, é a vez de Broadcom, que se espera que praticamente duplique os seus resultados e, quiçá, ajude a recordar a prosperidade dos semis… embora agora os fundamentos pesem menos do que o aumento das taxas de juros a longo prazo. Mas isso já afetará na sessão de amanhã. Historicamente, setembro é um mau mês para as bolsas. De média, o índice americano baixou -0,8% no mês nas últimas três décadas, e Europa -1,2% desde o ano 2000. Este ano parece difícil que vejamos um desenvolvimento diferente, com yields de obrigações tensionadas, reuniões de bancos centrais que se mostrarão hawkish e atrativas reavaliações acumuladas no ano (Europa +10%, EUA +11,5%, Tecnologia +15,2%, semis +59,4%). De momento, hoje enfrentamos uma sessão sem incentivos, à espera dos dados de emprego americano de sexta-feira, muito atentos aos acontecimentos no M. Oriente e o seu impacto nas obrigações. Novos enfraquecimentos seria o normal.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ESPANHA (08:00 h): O número de desempregados aumenta em 44,4 mil pessoas em agosto, após um aumento de 19,5 mil em julho. O Desemprego situa-se em 2,35 M de pessoas (+1,9% m/m e 2,9% a/a). Os Afiliados à Segurança Social 22,3M (-162,8 mil pessoas -0,7% m/m e +3,1% a/a). Os Afiliados sem ajustamento sazonal à Segurança Social ascendem a 22,4 M pessoas (+83,8 mil pessoas +0,4% m/m e +3,2% a/a). Link para o Ministério de Trabalho e Economia Social (em espanhol) e link para o Ministério da Inclusão SS e Migrações (em espanhol). OPINIÃO: O número de desempregados aumenta pelo segundo mês consecutivo no final de agosto. Diferente do mês anterior, no final de agosto é tradicional o aumento perante o final do período de verão, embora o ritmo seja maior do que a média nos últimos 4 anos (+27,3 mil pessoas). O número de Afiliados à SS (sem ajustamento sazonal) reduz-se -0,7% m/m. A Taxa de Desemprego implícita situar-se-ia em 9,5% (vs. 9,87% Taxa de Desemprego da EPA junho de 2026). As nossas estimativas apontam para uma Taxa de Desemprego (EPA) de cerca de 10,0% no conjunto de 2026.
NOVA ZELÂNDIA (03:00 h): Sobe taxas de juros em +25 p.b. até 2,75%, em linha com o esperado. No seu comunicado, o Banco Central assinala que “a retirada gradual dos estímulos monetários é apropriada para devolver a inflação a 2%”, ponto médio objetivo. A evolução futura não está predeterminada, mas “sob o cenário central, o Comité considera que poderá requerer novas subidas”. O Comité espera que a inflação se mantenha elevada este ano antes de voltar para 2% no final de 2027. Consideram que a económica global apresenta “riscos significativos” que possam afetar preços de commodities e a procura de exportações”. Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: Sem surpresas, o banco central elevou taxas de juros e espera-se que o faça novamente antes do final do ano. A inflação está em +4,1% a/a (junho de 2026), perante o encarecimento do combustível devido ao conflito no M. Oriente vs. intervalo objetivo do Banco Central entre 1% e 3%, que se espera que volte até metade de 2027 e 2% para finais de 2027.
ZONA EURO (ontem): A inflação subiu quatro décimas em agosto, em linha com o estimado, até +3,3%. Em termos intermensais, aumenta até +0,4% vs. +0,2% anterior. A inflação subjacente, que exclui os elementos mais voláteis, modera-se uma décima, até +2,4% vs. +2,5% esperado e anterior. Esta subida veio propiciada principalmente pelos preços energéticos. Durante o mês de agosto o preço médio do petróleo foi +33% superior ao preço médio de agosto de 2025 (88 $ vs. 67 $). OPINIÃO: Embora ainda continue sem haver provas claras de efeitos de segunda ronda, já que a inflação de serviços, embora continue em níveis altos, se moderou em toda a Europa (+3,0% vs. +3,3% em julho), damos por garantido que o BCE realizará uma subida de +25 p.b. na sua próxima reunião, a 10 de setembro (movimento que até agora consideramos que poderia não ocorrer).
EUA (ontem): (i) O ISM Industrial modera-se mais do que o esperado após alcançar 54,6 pontos em agosto (vs. 55,2 esperado vs. 55,6 ant.), embora acumule 8 meses em zona de expansão. Leitura negativa também em Preços Pagos, que se mantêm em 71,1 pontos (vs. 70,5 est.) – mau para as margens empresariais. Também mostram debilidade os Novos Pedidos (53,7 vs. 56,8 est. e 56,7 ant.) e o Emprego (51,2 vs. 53 est. e 52,8 ant.). Em suma, más notícias para a indústria americana que começa a ver-se afetada pelo contexto geopolítico complicado. (ii) As Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) situam-se abaixo do estimado em julho: 7.271k vs. 7.300k esp. vs. 7.189k em junho (revisto desde 7.359k). OPINIÃO: Ambos os dados mostram um arrefecimento da economia americana maior do que o esperado, derivado do difícil contexto geopolítico. Isto reduz probabilidades de que a Fed realize uma subida de taxas de juros na sua próxima reunião, a 16 de setembro.
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01/09/2026
Ontem: “Aumenta a tensão no M. Oriente. Bolsas e obrigações penalizadas.”
Saldo negativo nas bolsas tanto na Europa (-1,0%) como em Nova Iorque (-0,3%) e novo aumento geral das yields das obrigações (T-Note +3 p.b. até 4,75%, Bund +4 p.b.; 3,32%). Tudo isso derivado da reativação dos ataques militares por parte dos EUA ao Irão. A intervenção militar une-se às sanções económicas anunciadas pelos EUA e eleva a tensão no M. Oriente. Como consequência imediata, o petróleo aumentou, situando-se acima da barreira psicológica dos 90 $/barril. Petróleo mais elevado implica inflações superiores, o que acresce mais pressão às obrigações (yields em alta) e penaliza as avaliações das bolsas.
No plano macro, o mais relevante foi a inflação preliminar de agosto na Alemanha. Situou-se abaixo do esperado (+2,9% vs. +3,0% esp. vs. +2,8% ant.), o que se une aos aumentos já conhecidos na França e Espanha e que definem um precedente para a inflação do conjunto da UE hoje.
Em suma, aumenta a tensão no M. Oriente e o petróleo em alta. Yields mais elevadas e as bolsas em baixa.
Hoje: “Lateralidade e enfraquecimento... Petróleo >90 $/barril e a inflação europeia tem toda a atenção.”
O tom à primeira hora é um pouco fraco (Japão -0,1%, China -1,1%) como consequência de um petróleo que se mantém >90 $/barril, yields em níveis elevados e uma saída à bolsa de Shein (ca. -5%) pouco convincente… Este será o to que predominará na sessão: lateralidade e enfraquecimento. Pelo menos até às 10 h, quando for publicada a inflação preliminar de agosto da UE.
Estima-se que a inflação aumente até +3,3% desde +2,9% com a subjacente em +2,5% (vs. +2,6% ant.). Não é descartável que se situe abaixo do esperado, tendo em conta que os registos isolados de Espanha (+4,3% vs. +3,6%) e, principalmente, Alemanha (+2,9% vs. +2,8% ant.) aumentaram um pouco menos do que o estimado. Veremos… Em qualquer caso, o aumento da inflação parece bastante interiorizado e, caso se alinhe com o estimado, não deverá impactar excessivamente hoje. Neste contexto, dá-se praticamente por garantido que o BCE irá aumentar as taxas de juros em +25 p.b. na sua próxima reunião (10 de setembro).
Nos EUA, hoje começarão a ser publicados os primeiros números de emprego com as Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) e o ISM Industrial. Especial atenção a esta última, principalmente pela sua componente de Preços Pagos, num contexto de yields elevadas (T-Note 4,78%) e no qual o foco da Fed se foca mais na inflação do que no emprego/economia.
Em suma, hoje lateralidade e tom fraco que poderá melhorar um pouco se a inflação europeia surpreender positivamente.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (07:00h): (i) As Vendas a Retalho surpreendem negativamente em julho, caindo -2,5% a/a vs. +0,7% esperado vs. +0,6% anterior (revisto desde +0,0%). Em termos intermensais, -3,4% vs. +0,5% esperado vs. +0,0% anterior (revisto desde -0,7%). OPINIÃO: Resultados negativos. O fim das ajudas estatais ao preço dos carburantes em junho impacta a despesa dos consumidores. Com isso, as vendas nas estações de serviços caem -9,3% a/a. Além disso, as vendas de produtos não alimentares também retrocedem -3,4%. Em suma, o aumento da inflação em julho (+2,8% a/a vs. +2,3% em junho) e a incerteza geopolítica prejudica a confiança dos consumidores e condiciona o consumo a retalho. (ii) Inflação do mês de agosto ligeiramente abaixo do esperado. IPC +2,9% (a/a) vs. +3,0% esperado e +2,8% anterior. Em números mensais, +0,2% vs. +0,3% esperado e +0,8% anterior. OPINIÃO: Confirma-se, portanto, a aceleração dos preços na Alemanha em agosto, embora em menor medida do que o esperado. Em todo o caso, esta taxa de inflação, junto com as conhecidas na semana passada de Espanha (+4,3%) e França (+2,4%), fazem prever que o aumento do IPC do conjunto da UE se confirmará no mês de agosto (+3,3% esperado vs. +2,9% anterior) e que isto levará o BCE a realizar uma subida de 25 p.b. na sua reunião a 10 de setembro.
REINO UNIDO (07:00 h): Os preços da habitação nationwide aumentam de forma testemunhal em agosto: +1,6% a/a vs. +2,0% esperado vs. +1,4% anterior (revisto desde +1,8%). Em termos intermensais, +0,2% vs. +0,1% vs. -0,1% (revisto desde +0,1%). OPINIÃO: Sem impacto no mercado. O aumento deve-se à revisão do mês anterior. Em qualquer caso, os Preços da Habitação mostram uma clara tendência de moderação e não implicam uma preocupação para o BoE. A atenção do banco central está na inflação de serviços e evolução dos preços do petróleo.
CHINA (02:45 h): O PMI Industrial melhora em agosto acima do esperado: 51,5 vs. 51,0 esperado vs. 50,9 anterior. Aumentam a maior ritmo Produção, Novos Pedidos e Exportações. Os Preços de Compra aumentam, mas os de Venda caem devido à forte competitividade, o que pesa sobre as margens das empresas. OPINIÃO: Dados positivos. Após três meses consecutivos de desaceleração, as empresas chinesas voltam a reportar uma melhoria da atividade. Contudo, a forte competitividade faz com que as empresas pressionem os preços e prejudiquem as suas margens. Em qualquer caso, são resultados positivos para uma economia que cresceu abaixo do objetivo no 2T’26 (+4,3% a/a), marcando a mínima expansão em mais de três anos.
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28/08/2026
Ontem: “Os resultados da Nvidia animaram a sessão americana, mas não a europeia.”
Sessão mista nas bolsas, com quedas na Europa (-0,7%), por ter menor exposição à tecnologia, mas com subidas nos EUA (+0,7%), numa sessão sem referências que foi animada pelos resultados da Nvidia, que avançou +8,7%, impulsionando a Tecnologia (+1,4%) e os Semicondutores (+2,3%). A época de resultados mostrou que os fundamentais continuam sólidos (BPA +50% vs. +24% est.) e que a procura por IA continua forte. O petróleo subiu ligeiramente (Brent 89,7$; +2,1%) após os comentários de Trump de que não está interessado em retomar as negociações com o Irão.
Conhecemos também ontem as Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho, que refletiram que vários membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem devido à subida dos preços da energia, num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado. Os dados de inflação da Zona Euro que conheceremos na próxima terça-feira serão determinantes para a decisão (+3,2% est. vs. 2,9% ant.).
Hoje: “Inflação europeia em alta e discurso de Warsh do qual provavelmente retiraremos poucas conclusões.”
Após a apresentação dos resultados da Nvidia, o protagonismo passa para o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole (15h), onde o mercado tentará procurar indícios sobre a posição da Fed relativamente aos últimos dados de inflação e aos esforços do Tesouro norte-americano para controlar as rendibilidades de longo prazo. Embora o mais provável seja que as suas declarações voltem a ser breves e enigmáticas e não nos deixem uma conclusão clara, ao estilo do ex-governador Greenspan: “se me compreendeu, é porque me interpretou mal”. Mas antes de ouvir Warsh, o mercado reagirá às primeiras inflações de agosto na Europa. A de França saiu em linha com o esperado (+2,4% est. vs. +2,4% est. e +2,1% ant.), mas a de Espanha acelerou mais do que o esperado (+4,3% vs. +4,2% est. e +3,6% ant.), embora o mais importante seja o dado da Zona Euro que conheceremos na próxima terça-feira (+3,2% est. vs. 2,9% ant.) e que será determinante para a decisão sobre as taxas de juro do BCE em 10 de setembro.
Com tudo isto, hoje deveremos ter uma sessão tranquila, pelo menos até às 15h, com um viés ligeiramente positivo graças à correção do preço do petróleo (Brent 89,3$; -0,4%), após os comentários, durante esta madrugada, do chefe do Comando Central dos EUA de que o exército norte-americano limpou o Estreito de minas iranianas, afirmando que as rotas marítimas internacionais estão abertas.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ESPANHA (08h00): O IPC preliminar de agosto acelera mais do que o esperado para +4,3% vs +4,2% esperado e +3,6% anterior. A inflação subjacente (que exclui as componentes mais voláteis do indicador) desacelera em linha com o esperado para +2,9% vs +3,0% anterior. OPINIÃO: Impacto negativo. A aceleração da inflação é superior ao esperado, provocada por um contexto de subida dos preços dos combustíveis (petróleo Brent +30% a/a) e da eletricidade. Importa lembrar que, em junho, foi reposto o IVA sobre os combustíveis, mas o Governo prolongou parcialmente as medidas para atenuar o impacto do conflito no Médio Oriente (ajustes de 0,15€/litro em julho, que passaram para 0,10€/litro em agosto e serão de 0,05€/litro em setembro). É certo que, para já, a subida dos preços da energia não está a repercutir-se excessivamente na economia através de efeitos de segunda ordem, uma vez que a taxa subjacente se mantém ancorada <3,0%. Em qualquer caso, a aceleração da inflação junta-se à de França e cria um precedente para a inflação do conjunto da UEM na próxima segunda-feira (+3,3% esp. vs +2,9% ant.). Uma inflação mais elevada incentiva o BCE a adotar um tom mais hawkish/rígido na sua próxima reunião (10 de setembro). Veremos… Na nossa estratégia de Investimento 3T 2026, a nossa estimativa aponta para uma inflação de +3,3% em dezembro de 2026.
FRANÇA (07h45): (i) O IPC preliminar de agosto acelera em linha com o esperado para +2,4% vs +2,1% anterior. (ii) Em paralelo, o PIB final do 2T é revisto em baixa face ao registo preliminar para +0,5% a/a vs +0,7% preliminar vs +0,8% no 1T. OPINIÃO: A inflação acelera em linha com o esperado, pelo que o impacto nas obrigações deverá ser limitado (yield 10 anos francês anos +0,8pb para 4,11%). A principal explicação para a aceleração da inflação é o aumento dos preços da energia em agosto. Como referência, a média do barril de petróleo Brent em agosto de 2026 é de 88,1$/barril, face aos 67,5$/barril em agosto de 2025. Ou seja, uma subida de preços de +30%. Uma inflação mais elevada acrescenta pressão sobre o BCE para endurecer a sua política monetária. Relativamente ao PIB do 2T, a interpretação é negativa. O registo final situa-se abaixo do preliminar, confirmando o crescimento errático do país (+0,5% a/a vs +0,7%). Além disso, a composição do crescimento não é favorável. Por componentes, o Consumo Privado cresce abaixo do PIB (+0,3% a/a vs +0,5% PIB) e o Investimento recua (-0,2%). Assim, o crescimento explica-se integralmente pelo aumento da Despesa Pública (+1,4%) e pela contribuição positiva do setor externo.
UEM (ontem): As Atas do BCE da reunião de 22/23 de julho refletem que alguns membros consideram adequado avaliar uma subida adicional das taxas de juro para prevenir efeitos de segunda ordem decorrentes da subida dos preços da energia num contexto de elevada incerteza, mas em que a economia europeia se mostra mais resistente do que o esperado. Link para as Atas (em inglês) . OPINIÃO: Nessa reunião, o BCE manteve as taxas de juro inalteradas em 2,25% (depósito) / 2,40% (crédito), após ter efetuado uma subida de +25pb no mês anterior. O banco considera que, em setembro (a reunião será no dia 10), terá a oportunidade de avaliar melhor as perspetivas e os riscos de inflação em função da evolução dos acontecimentos no Médio Oriente. Os preços da energia apresentam elevada volatilidade, acompanhando as notícias provenientes do Golfo Pérsico, mas o banco destaca também a informação limitada sobre as reservas de petróleo e gás de alguns países, pelo que os futuros destas matérias-primas poderão estar a subavaliar os riscos. Por outro lado, se as economias adaptarem a sua procura e o conflito for resolvido, os preços poderão cair abruptamente. Neste contexto, a economia europeia mostra-se resiliente e, de facto, as perspetivas de curto prazo melhoram ligeiramente e o crescimento nos próximos trimestres poderá ser algo superior ao estimado em junho (PIB 2026 +0,8%, 2027 +1,2%, 2028 +1,5%). O mercado de trabalho está a arrefecer e as contratações são significativamente inferiores às do ano passado, mas o desemprego mantém-se próximo dos mínimos históricos. O crescimento dos salários está a moderar-se e, para já, não são percecionados efeitos de segunda ordem. A inflação recente surpreendeu favoravelmente (recorde-se que, no momento das atas, o último dado disponível era o IPC da UEM de junho, que diminuiu para +2,8% face a +3,2% em maio), devido à queda da componente Energia, mas as perspetivas de médio prazo não se alteram. Os preços do petróleo encontram-se em níveis semelhantes aos assumidos no cenário central do banco, mas os do gás natural são superiores e poderão elevar os preços da eletricidade e a inflação subjacente; os preços dos Alimentos constituem também um risco elevado e importante para a perceção da inflação e para a definição dos salários. Em suma, o banco vê algum equilíbrio entre uma situação atual “reconfortante” e riscos de inflação em alta num contexto de elevada incerteza. As expectativas de médio prazo mantêm-se bem ancoradas, mas encontram-se elevadas desde o início da guerra no Irão e os riscos continuam inclinados em alta. Embora ainda não sejam percecionados efeitos de segunda ordem, uma resposta tardia do banco central poderá atrasar o cumprimento do objetivo de inflação de 2% e exigir um endurecimento monetário mais acentuado no futuro, penalizando famílias e empresas. Neste contexto, o banco considera justificado esperar para ver como evolui o verão e as novas projeções de setembro, mas entende que movimentos “preventivos” das taxas de juro são cada vez mais merecedores de consideração para evitar cenários mais adversos. Enquanto aguardamos os dados de inflação da UEM que conheceremos nos próximos dias e que apontam para subidas significativas, aumenta a probabilidade de uma subida das taxas de juro de +25pb em setembro.
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27/08/2026
Ontem: “Lateralidade das bolsas e nova subida das yields numa sessão marcada pelos dados macro nos EUA.”
Ontem verificou-se uma evolução lateral nas bolsas, com a Europa (+0,2%) ligeiramente melhor do que NY (-0,0%). Nas obrigações, sessão negativa, com subidas generalizadas das yields, embora ainda abaixo de níveis psicológicos (T-Note <4,70%; Bund <3,30%...). Tudo isto como consequência de indicadores macro nos EUA que mostram a solidez do ciclo e que poderão incentivar a Fed a adotar um tom algo mais hawkish/duro.
Como referência, ontem foram publicados nos EUA: Deflator Consumo Privado PCE desfavorável, mantendo-se em +3,7% vs +3,6% esperado; Primeira revisão do PIB do 2T em linha (+1,5% t/t anualizado), embora com uma composição melhor graças a uma ligeira revisão em alta do Consumo Privado; e Encomendas de Bens Duradouros francamente positivas (+1,1% vs +0,5% esp.). Em suma, dados favoráveis para o ciclo e maior inflação, penalizando obrigações e bolsas.
Em geoestratégia, não há grandes avanços no Médio Oriente, e o petróleo mantém-se abaixo da barreira dos 90$/barril.
Hoje: “Tom positivo nas bolsas. A NVIDIA não desilude (ca. +5%) e Jackson Hole arranca…”
A NVIDIA sobe ca. +5% no mercado fora de horas americano após divulgar resultados do 2T simplesmente espetaculares. Ultrapassa as expectativas (EPS +120% vs +99%) e apresenta orientações que convencem o mercado. A procura por semicondutores mantém-se mais do que sólida e as perspetivas no curto e médio prazo continuam encorajadoras. Os resultados apoiam a nossa recomendação de Compra sobre a empresa (P.O. 282$; potencial +34%) e sobre os semicondutores em geral. Principalmente porque, como temos vindo a defender há vários meses, (i) é um dos setores mais imunes ao contexto geopolítico, (ii) o principal beneficiário do desenvolvimento da IA e (iii) onde se concentram os lucros empresariais. A CrowdStrike (cibersegurança) também publicou bons resultados e orientações e sobe ca. +11% em after-market. Em suma, bons resultados da NVIDIA e tom positivo em geral no plano micro, que deverá servir de catalisador para as bolsas hoje.
À margem da NVIDIA, arranca hoje Jackson Hole. É verdade que não há nenhuma intervenção programada, pelo que, à partida, não haverá notícias com impacto excessivo na sessão. A atenção concentra-se amanhã na intervenção de K. Warsh, principalmente para perceber se dá alguma pista sobre o roteiro das taxas de juro. No entanto, parece pouco provável, tendo em conta o carácter críptico e reservado que tende a demonstrar. Veremos…
Com este conjunto de fatores, o tom para hoje é positivo, seguindo a esteira dos bons resultados da NVIDIA. Um otimismo que poderá ir perdendo força à medida que a sessão avança, tendo em conta que amanhã são divulgadas as inflações preliminares na Europa, previsivelmente em aceleração, e que Warsh irá intervir.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
COREIA DO SUL (1h50): O banco central (BOK) sobe a taxa de referência +25pb para 3,0%, como esperado. OPINIÃO: Aumenta a taxa repo a 7 dias, que é a sua taxa de referência, pela 2.ª vez consecutiva, num contexto de forte crescimento económico impulsionado pelas exportações de semicondutores e de previsões de inflação acima do objetivo nos próximos meses. Eleva a estimativa de PIB para 2026 de +2,6% para +3,3% e para 2027 prevê +2,9%, devido à continuidade do boom dos semicondutores, e antecipa que a inflação permanecerá acima do seu objetivo durante um período prolongado, embora não altere as previsões anteriores: +2,7% em 2026 e +2,3% em 2027; Subjacente em +2,5% em ambos os anos. Atualmente, o IPC situa-se em +2,8% e a Subjacente em +2,6%. O tom é hawkish e o seu gráfico de projeções antecipa uma nova subida das taxas de juro nos próximos 6 meses.
ALEMANHA (7h00): A Confiança do Consumidor melhora mais do que o esperado em setembro: -26,6 vs -29,5 esperado vs -29,4 anterior. OPINIÃO: Em linha com outros indicadores de sentimento publicados recentemente (ZEW, IFO), os consumidores alemães também melhoram a sua confiança, embora esta permaneça em níveis baixos numa perspetiva histórica. Reflete a reativação económica após 3 anos com crescimentos próximos de 0%, impulsionada por avultados investimentos em infraestruturas e defesa, bem como pelo otimismo gerado pelas reformas económicas em curso do atual Governo (reforma das pensões e do mercado de trabalho, redução de impostos e burocracia).
EUA (ontem): Conjunto de dados macro com saldo misto: (i) Deflator do Consumo Privado (PCE) em julho +3,7% vs +3,6% esperado vs +3,7% anterior. A taxa Subjacente repetiu, em linha com o esperado, em +3,3%. Os Rendimentos Pessoais aumentaram +0,4% m/m vs +0,2% anterior e as Despesas moderaram para +0,2% vs +0,3%, o que fez com que a Taxa de Poupança aumentasse pela primeira vez em 2026 para 3,0% vs 2,7% em junho. Link para a Nota (em espanhol); (ii) A 1.ª revisão do PIB 2T26 confirmou o valor preliminar de +1,5% t/t anualizado, mas melhorou a qualidade do crescimento com uma revisão em alta do Consumo Privado. Link para a Nota (em espanhol); (iii) Encomendas de Bens Duradouros +1,1% vs +0,5% esperado e anterior. Excluindo a componente mais volátil dos Transportes, +0,4% vs +0,6% esperado e +1,1% anterior (revisto de +0,7%). Link para a Nota (em espanhol). OPINIÃO: Os dados deixaram uma leitura mista. A inflação surpreendeu uma décima acima do esperado, repetindo em +3,7%, mas a Taxa Subjacente repetiu conforme esperado. A energia (-1,5% m/m) reduziu a inflação pelo segundo mês consecutivo porque o preço do barril de Brent teve em julho uma média (78,8$) inferior à de junho (81,8$). Por outro lado, o crescimento confirmou a sua robustez, apoiado numa melhoria do Consumo Privado. No entanto, no início do 3T estamos a observar indicadores de atividade que mostram alguma fraqueza: a moderação das Despesas Pessoais e o aumento da Taxa de Poupança juntaram-se ontem à queda das Vendas a Retalho e à destruição de Emprego Não Agrícola em julho. Em todo o caso, a Fed continuará a prestar maior atenção aos preços e à evolução do conflito no Médio Oriente. O impacto destes dados foi limitado, por não oferecerem uma leitura conclusiva.
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26/08/2026
Ontem: “Sessão positiva apoiada por cortes nas yields das obrigações e queda do petróleo.”
A sessão de ontem terminou com subidas nas bolsas (Europa +0,2%, EUA +0,3%, Tecnologia +0,6%, Semicondutores +1,4%), apoiadas pelo alívio generalizado das yields das obrigações pelo segundo dia consecutivo (Bund -5,1pb até 3,20%, T-Note -5,9pb até 4,63%) e pelo petróleo Brent (-4% ontem e -8% na semana), que continua a corrigir após o anúncio de novas negociações entre o Irão e Omã para reabrir o Estreito.
No plano macro, tivemos dados positivos na Europa. Ficámos a conhecer logo pela manhã o PIB final da Alemanha do 2T26, que subiu para +1,0% (vs +0,9% preliminar), e o IFO, que ficou acima do esperado (88,5 vs 87,2 esp e 85,5 ant). Nos EUA, no entanto, foi divulgada a Confiança do Consumidor de agosto, que ficou abaixo das expectativas (89,4 vs 90,2 esp e 90,8 ant).
Em suma, apesar de a tensão geopolítica continuar muito presente, os mercados mantiveram ontem um tom construtivo, à espera dos principais acontecimentos do restante da semana (PCE dos EUA, resultados da Nvidia e Jackson Hole).
Hoje: “A semana ganha tração com a publicação do PCE nos EUA e os resultados da Nvidia.”
A semana ganha tração e hoje teremos algumas das referências mais relevantes da semana. Às 13h30 é publicada uma série de dados nos EUA, com particular atenção para o PCE de julho (espera-se que recue uma décima para +3,6% na Taxa Geral e repita +3,3% na Taxa Subjacente). Além disso, será publicada a primeira revisão do PIB do 2T26 (que deverá confirmar o +1,5% preliminar) e os Duradouros, que deverão repetir em julho o +0,5% m/m do mês anterior.
No plano empresarial, o protagonismo será para os números da Nvidia (EPSe: 2,09$; +98,7%), que divulgará após o fecho de NY, pelo que o seu impacto se refletirá realmente na sessão de amanhã. O mercado estará atento não apenas aos números e orientações, mas também às mensagens do CEO na conferência de analistas. Para lá do impacto no dia de resultados (o mercado é particularmente exigente e o mínimo incumprimento pode levar a perda de lucros), consideramos que os fundamentais da empresa são muito sólidos e a nossa predisposição seria “comprar na fraqueza” caso ocorram quedas.
Os futuros estão praticamente inalterados (Europa +0,1% e EUA -0,1%), pelo que esperamos uma sessão de alguma indefinição, em que o tom definitivo do mercado só ficará claro após a divulgação da macro americana (13h30). Se o PCE acompanhar, não é de excluir que a sessão evolua de menos para mais.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
EUA (ontem): Deterioração superior à esperada na Confiança do Consumidor em agosto. Forte queda nas Expectativas. O indicador situou-se em 89,4 em agosto vs 90,2 estimado e 90,2 anterior (revisto em baixa de 90,8). Trata-se do nível mais baixo desde o início do ano. Destaca-se a forte queda da Componente de Expectativas: 68,2 vs 74,0 est. e 74,0 ant.. A Componente da Situação Atual melhorou para 121,2 vs 114,7 estimado e 114,4 anterior. OPINIÃO: As famílias percecionam uma deterioração do seu rendimento disponível real devido ao aumento das preocupações com a inflação e o mercado de trabalho. A subida do petróleo eleva as expectativas de inflação e de taxas de juro. O mercado de trabalho está a abrandar, com criação de emprego negativa em julho e uma diminuição da perceção da facilidade em encontrar trabalho, o que enfraquece a confiança no crescimento futuro dos rendimentos. Além disso, aumenta a incerteza geopolítica decorrente do conflito no Médio Oriente. Neste contexto, as famílias tendem a reduzir as despesas não essenciais e a aumentar a poupança por precaução. Esta deterioração deverá moderar as expectativas de subidas das taxas de juro por parte da Fed. Link para a nota completa (em espanhol).
ALEMANHA (ontem): A confiança empresarial (IFO) surpreende pela positiva em agosto. Situou-se em 88,8 vs 87,2 est e 86,7 ant. A Componente Situação Atual melhorou para 88,5 vs 87,0 estimado e 85,5 anterior, e a Componente de Expectativas avançou para 89,1 vs 87,5 est e 86,8 ant. Quarto mês consecutivo de melhoria do indicador. OPINIÃO: A economia alemã está a apresentar um bom desempenho (PIB final 2T +1,0% a/a vs a +0,9% preliminar e +0,8% no 1T) – apesar da pressão desfavorável dos preços da energia – graças ao impulso da despesa pública e das exportações. Os estímulos fiscais, nomeadamente o aumento do investimento em defesa e infraestruturas, e novas reformas (redução de impostos e burocracia, reforma das pensões e do mercado de trabalho…) continuarão a apoiar o crescimento na segunda metade do ano. Mas, ao mesmo tempo, surgem alguns fatores que representam um risco em baixa para as suas perspetivas de crescimento. A escalada do conflito entre os EUA e o Irão poderá provocar um aumento prolongado dos preços do petróleo e do gás. Além disso, os baixos níveis de água no Reno, principal artéria logística do país, poderão traduzir-se numa deterioração das exportações. Link para a nota completa (em espanhol).
25/08/2026
Ontem: “O petróleo alivia e dá algum descanso às obrigações.”
Sessão sem referências relevantes. Enquanto os EUA aguardam a concretização das sanções económicas adicionais para estrangular o Irão e forçá-lo a regressar à mesa de negociações, o petróleo recua ligeiramente e dá algum descanso às obrigações. As bolsas fecham com ligeiras quedas, lideradas pela tecnologia, embora mantendo saldos positivos, para já, no mês (Europa +1,4%, EUA +2,2%, Tech EUA +2,7%, semis +1,0%). O Brent cai -2,4% para 92,2$, mas o preço médio acumulado regista uma subida de +30,8% a/a (88,0$ vs 67,3$), o que aponta para que os IPC de agosto, que começaremos a conhecer na sexta-feira na UEM, possam acelerar de forma significativa. Seja como for, permite uma ligeira moderação das yields das obrigações de longo prazo: Bund -0,5pb para 3,25%, T-Note -3,7pb para 4,70%. O dólar também mais calmo e parece procurar alguma estabilização, ainda que temporária, em níveis de 1,166€/$. Com correlação inversa ao dólar e riscos geopolíticos e de inflação em alta, os ativos alternativos continuam a valorizar: ouro +1,1% para ~4.652$ (+15% no mês), Bitcoin +2% para ~78.930$ (+25,5% no mês). Em resumo, sessão de transição, à espera dos eventos e indicadores relevantes mais à frente na semana.
Hoje: “Mais conteúdo e melhor tom nas bolsas.”
A sessão ganha algum interesse com a publicação do IFO na Alemanha (9h) e da Confiança do Consumidor nos EUA (15h), mas o mercado continuará um pouco em “compasso de espera” até ganhar mais interesse amanhã com o PCE americano e os resultados da Nvidia, enquanto empresa com maior capitalização bolsista e um dos epicentros do ecossistema de IA. E, sobretudo, Jackson Hole a partir de quinta-feira, embora com maior interesse na sexta-feira e sábado, em que as declarações dos principais banqueiros centrais servirão para dar direção a umas obrigações que deram sinais de nervosismo neste verão. Espera-se que o IFO melhore algumas décimas em agosto pelo 4.º mês consecutivo. Seguiria a tendência do ZEW conhecido na semana passada e que surpreendeu positivamente, dando sinais de que a economia alemã, muito intensiva em energia, resiste melhor do que o esperado ao aumento dos preços da energia, apoiada por um forte investimento em infraestruturas e defesa e por algum otimismo perante o pacote de reformas em curso do Governo (redução de impostos e burocracia, reforma das pensões e do mercado de trabalho). A Confiança do Consumidor nos EUA, pelo contrário, poderá continuar a moderar-se, dando sinais de fadiga perante o aumento dos preços e o arrefecimento do mercado de trabalho. Nada que, à partida, vá surpreender um mercado que desperta com um tom mais positivo e vontade de recuperar.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (09h00h): O PIB final do 2T cresce +1,0% a/a vs +0,9% preliminar e +0,8% no 1T. -O consumo avança +1,0%, impulsionado pelo crescimento de +3,0% do consumo público, enquanto o consumo das famílias regista um modesto +0,1%. O investimento apresentou uma evolução fraca no período (-1,3%), com um desempenho negativo do setor da construção (-1,5%). O setor externo teve uma contribuição positiva no trimestre (+0,6%), com crescimento de +3,7% nas exportações vs +2,5% nas importações. Em termos trimestrais, o crescimento do 2T foi de +0,3% vs +0,2% preliminar. Link para o Instituto de Estatística do Governo Federal Alemão. OPINIÃO: A economia alemã demonstrou ser mais sólida do que o esperado no segundo trimestre, apesar da pressão desfavorável dos preços da energia, graças ao impulso da despesa pública e das exportações. No entanto, uma nova escalada do conflito entre os EUA e o Irão que desencadeie uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás representa um risco em baixa para as expectativas de crescimento na segunda metade do ano. Outro risco em baixa para o crescimento resulta de uma possível deterioração das exportações devido aos baixos níveis de água no Reno, a principal artéria logística do país. Este rio liga o porto de Roterdão, o maior centro portuário da Europa, a importantes polos industriais alemães, pelo que as restrições ao transporte fluvial podem afetar a produção e o comércio externo alemão. Pelo lado positivo, os estímulos orçamentais, com maior despesa em defesa e infraestruturas, continuarão a apoiar o crescimento do PIB.
21/08/2026
Ontem: “A subida do petróleo pesa sobre as bolsas e as obrigações.”
Sessão de quedas moderadas nas bolsas. O barril de Brent valorizou +2,4%, para 93,8$, penalizando os índices (Europa -0,4% e EUA -0,9%). Também pressionou o mercado obrigacionista norte-americano, anulando grande parte do rally registado na quarta-feira, impulsionado pelo aumento das recompras de obrigações de longo prazo por parte do Tesouro.
Bessent voltou a pronunciar-se, afirmando que as recompras poderão mesmo ultrapassar os 4.000M$ anunciados, argumentando que “as yields não refletem adequadamente os fundamentais”. Ainda assim, o 10 anos encerrou nos 4,70% (+5 pb), acima do nível registado antes do anúncio.
No plano empresarial, a Walmart (-9,2%), proxy do consumo americano e o maior empregador privado dos Estados Unidos, publicou números abaixo do consenso. As vendas comparáveis cresceram +2,6% a/a vs 3,7% esperados, o crescimento mais fraco dos últimos 6 anos.
A frente macro passou para segundo plano: (i) Philly Fed: 47,4 vs. 41,4 esperado, refletindo robustez da atividade e moderação dos preços; (ii) Indicador Antecedente +0,2% vs. -0,1%; (iii) Riksbank manteve as taxas em 1,75%.
Hoje: “Prudência nas bolsas. Sem novidades no Médio Oriente.”
Manhã sem novidades no plano geopolítico. O barril de Brent recua milimetricamente -0,3% para 93,5$, acumulando +5,5% na semana. Estes níveis justificam uma postura prudente por parte dos mercados e deverão manter a aversão ao risco enquanto não surgirem novos catalisadores.
Para além de eventuais desenvolvimentos no Médio Oriente, a atenção centra-se na série de PMI divulgados em todo o mundo. Nas primeiras horas, os PMI industriais do Japão (55,1 vs 54,5 anterior) e da Índia (52,9 vs 53,5 anterior) evidenciaram um padrão semelhante: indicadores a manterem-se em zona de expansão, sustentados pela robustez da atividade e a moderação dos preços pagos. Deverá ser também a tendência observada nas restantes economias. Foi ainda divulgado o IPC de julho no Japão: +1,9% a/a vs +1,9% esperado vs +1,6% ant. O preço do petróleo e a fraqueza do iene afetam a inflação, aumentando a probabilidade de nova subida das taxas de juro por parte do BoJ. Atribuímos elevada probabilidade a uma subida de 25 p.b. em setembro.
Na ausência de outros acontecimentos relevantes, o mercado começa a focar-se na próxima semana. A atenção estará em duas referências: (i) A Nvidia divulga resultados do 2T27 na quarta-feira após o fecho de NY e (ii) realiza-se o simpósio de banqueiros centrais de Jackson Hole, entre 5.ª feira e sábado.
Sem novidades no Médio Oriente e com o foco já na próxima semana, hoje há poucos incentivos para grandes movimentos. O cenário mais provável seria uma sessão lateral, mantendo-se o tom de prudência nas bolsas.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
JAPÃO (00h30): (i) Novo aumento da inflação reforça os argumentos a favor de novas subidas das taxas de juro pelo BoJ. O IPC de julho situou-se em +1,9%, em linha com as estimativas do consenso, vs +1,6% ant. A Taxa Subjacente situou-se em 1,9% vs 1,7% anterior. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelo encarecimento da energia, após o fim das medidas de apoio fiscal aos combustíveis, e pela subida dos preços dos alimentos processados. Adicionalmente, a depreciação do iene continuou a refletir-se nos custos de produção e nos preços finais. OPINIÃO: A aceleração da inflação, conjugada com a persistente fraqueza do iene e a evolução favorável dos salários, deverão acelerar o ritmo de subida das taxas de juro no Japão. A inflação tem apresentado uma trajetória claramente ascendente nos últimos meses (1,3% em fevereiro vs 1,9% em julho), sendo provável que a força dos preços da energia e a fragilidade da moeda continuem a pressionar o IPC. A este contexto junta-se o resultado das negociações salariais do shunto, que registaram aumentos superiores a 5% pelo terceiro ano consecutivo, consolidando o círculo virtuoso entre salários e preços. O BoJ preferiria uma subida mais lenta das taxas de juro, ganhando tempo através de intervenções no mercado cambial caso o iene continuasse a enfraquecer. Contudo, a eficácia limitada dessas intervenções, mesmo com o apoio de intervenções dos EUA, e as pressões inflacionistas mais altas do que o esperado deverão levar o BoJ a acelerar subidas das taxas. A próxima poderá ocorrer já em setembro (+25 p.b. para 1,25%), em vez de dezembro, como inicialmente previsto; (ii) O PMI Composto de agosto subiu para 53,4, vs 52,7 ant. O PMI Industrial situa-se em 55,1 vs 54,5 ant. e o PMI dos Serviços melhora para 52,3 vs 51,2 ant. OPINIÃO: Boa evolução dos PMI em agosto. A economia japonesa mantém um ritmo sólido de crescimento no início do terceiro trimestre. O setor industrial continua a liderar a expansão graças ao dinamismo da procura externa, enquanto os serviços ganham tração. Um crescimento do PIB próximo de +1,0% não deverá constituir um obstáculo para a continuação do processo de subida das taxas de juro pelo BoJ.
EUA (ontem): (i) O Índice Industrial da Fed de Filadélfia (Philly Fed) aumenta acima do esperado em agosto: +47,4 vs +25 esperado vs 41,4 anterior. -Por componentes: Novas encomendas e Entregas mantêm-se em níveis elevados e o Emprego melhora. Os Preços Pagos moderam, embora continuem em níveis altos relativamente à média histórica. (ii) O Indicador Antecedente melhora em julho: +0,2 m/m vs -0,1% anterior. OPINIÃO: Números positivos. A atividade industrial mantém-se elevada e os preços moderam. Este indicador juntamente com o Empire Manufacturing de segunda-feira antecipam um bom dado de PMI Industrial.
SUÉCIA (ontem): O Riksbank mantém as taxas de juro 1,75% em linha com o esperado. -OPINIÃO: sem impacte no mercado dado que era o esperado. Embora, com uma inflação acima do esperado em julho (+0,6% vs +0,2% esperado) e um sólido crescimento no 2T26 (+2,8%), o banco central tenha continuado a deixar a porta aberta a uma subida das taxas de juro. Se o choque de oferta de petróleo continuar e a inflação aumentar, o natural é que façam um ajustamento de +25 p.b. no fim do ano.
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20/08/2026
Ontem: “O Governo norte-americano anuncia um aumento da recompra de obrigações a LP e alivia tensão das taxas longas.”
Protagonismo para as obrigações, após o Tesouro americano anunciar que irá duplicar (até 4.000M$) as recompras de obrigações de longo prazo (10-30 anos), a fim de moderar a pressão recente sobre as TIR, que levou a obrigação a 30A a máximos desde 2007. A rendibilidade recua -9,2pb para 5,19% (vs um máximo de 5,31% no dia 17) e a 10A -5,7 pb para 4,65%. Contagiam as obrigações europeias, aqui com quedas muito mais moderadas, perante um petróleo que continua pressionado (Brent +0,7% para 91,6$). O $ desvaloriza 0,9% para 1,168€/$. Os índices americanos encerram em positivo, apesar da queda dos semicondutores (-2,1%), a Europa com descidas moderadas (-0,4%). Sem novidades no plano geoestratégico, as notícias empresariais continuam favoráveis. Um conjunto de empresas americanas de consumo apresenta resultados com saldo positivo: Estée Lauder (+16,3%), Target (+4,3%) e Lowe’s (+2,0%). A Estée Lauder impulsiona o Luxo, que lidera os ganhos na Europa. Já no fim da sessão, as Atas da Fed revelam crescente preocupação com um contexto de inflação “muito incerto”. Vários membros apoiam uma subida das taxas de juro caso a inflação não modere. Porém, desde a reunião (28-29 junho), alguns indicadores mostram sinais de enfraquecimento, enquanto o emprego e a IPC abrandaram em julho, reduzindo a pressão para alterar as taxas de juro.
Hoje: “Sessão calma com tom prudente. Resultados da Walmart (12h) como proxy do consumo americano.”
De manhã, ficámos a saber praticamente toda a macro relevante do dia. As taxas de juro na China mantêm-se inalteradas, como esperado (3,0% a 1 ano e 3,5% a 5 anos), apesar de os dados mais recentes apontarem para um enfraquecimento generalizado da economia. Os Preços Industriais na Alemanha aceleraram em julho mais do que o esperado, para +3,0% face a +1,8%, impulsionados pelo aumento dos preços da energia (Brent +23,6% no mês) e o fim dos subsídios aos combustíveis. O Bund reagiu pouco (3,26%). Mais tarde, o Philly Fed (13h30) deverá evidenciar uma deterioração significativa após o valor excecionalmente elevado em julho, refletindo a incerteza e o aumento dos preços da energia decorrentes da guerra no Irão. Ainda assim, continuará a apontar para níveis 3x acima da média dos últimos 2 anos, sustentado pela forte procura de equipamentos, em particular nos setores aeroespacial e defesa. Um dos principais focos de atenção será a componente de Preços Pagos, um indicador relevante das pressões inflacionistas. Maior atenção deverá merecer a divulgação dos resultados da Walmart (12h00), principal empregador privado americano e proxy do consumo do país, particularmente após o fraco resultado das Vendas a Retalho em julho, divulgado na passada sexta-feira (-0,6% m/m). Os resultados apresentados ontem pelos concorrentes constituem um precedente encorajador. Neste contexto, o mercado poderá manter uma ligeira tendência positiva, embora com um tom prudente, acompanhando de perto tanto a evolução da situação no Irão, onde Trump continua a intensificar as sanções económicas, como os segmentos longos das taxas de juro.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (07h00): Preços de Produção Industrial de julho acima do esperado: +3,0% a/a vs +2,7% esperado vs +1,8% anterior. OPINIÃO: São números desfavoráveis, mas sem impacto nos mercados, uma vez que o IPC de julho já era conhecido (+2,8% vs +2,3% ant.). O aumento deve-se ao fim dos subsídios aos combustíveis em junho. Aliás, o preço médio do Brent foi de 83,5€ em julho, vs 84,7€ em junho.
CHINA (02h00): Mantém as taxas de juro a 1 e 5 anos em 3,00% e 3,50% respetivamente. OPINIÃO: Era o cenário esperado. Uma redução das taxas de juro para estimular a fraca procura interna teria um impacto negativo no setor bancário, que já opera com margens reduzidas. Em contrapartida, a China por políticas fiscais expansionistas.
JAPÃO (00h50): Défice Comercial em julho inferior ao esperado: -634.000M¥ vs -680.000M¥ esperado vs -406.900M¥. -Exportações +23,2% a/a vs +19,9% esperado e +19,3% anterior, impulsionadas pelas vendas de semicondutores, equipamentos para centros de dados e veículos. -Importações +27,8%, vs +26,5% esperado e +25,4% anterior, devido sobretudo ao preço do petróleo. OPINIÃO: A leitura subjacente é positiva. O défice resulta principalmente da escalada dos preços do petróleo. Enquanto o volume das importações de petróleo cresceu +5,5% a/a, o respetivo valor aumentou +87,8%. As exportações continuam a acelerar, beneficiando das fortes necessidades de investimento em IA e da fraqueza da moeda. O dinamismo do Setor Externo deverá compensar parcialmente a fragilidade da Procura Interna e do Investimento.
EUA (ontem): As Atas da Fed confirmam um tom mais hawkish. - Embora a maioria dos membros tenha apoiado a manutenção das taxas de juro inalteradas na reunião de julho, vários defenderam uma subida imediata e muitos consideram que serão necessários novos aumentos caso a inflação não continue a convergir para o objetivo de 2%. Relativamente ao mercado de trabalho, este foi descrito como estável, com a procura e a oferta de mão de obra em equilíbrio. As atas revelaram também que Warsh sugeriu reduzir o número de reuniões anuais de política monetária do comité, passando de oito para seis. OPINIÃO: Os riscos inflacionistas continuam a ser relevantes e os fatores estruturais, como o ciclo de investimento em IA, poderão dificultar o regresso ao objetivo de 2%. Consequentemente, a mensagem para os mercados é que as taxas de juro poderão permanecer em níveis elevados durante mais tempo, reduzindo a probabilidade de cortes no curto prazo e aumentando a possibilidade de uma nova subida caso os próximos dados de inflação fiquem aquém do esperado em termos de desaceleração.
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19/08/2026
Ontem: “Pressão nas obrigações e quedas na tecnologia.”
O petróleo consolida-se acima dos 90$/barril. Trump adota uma posição mais firme face ao Irão, enquanto prossegue o braço de ferro em torno de Ormuz. Exclui reativar o acordo de cessar-fogo, reitera que não existem negociações em curso com o Irão e declara Ormuz território americano. O petróleo avança +0,2% na sessão, consolidando uma valorização de +9% nos últimos 10 dias.
Mantém-se a pressão nas obrigações de longo prazo, com rendibilidades inéditas há várias décadas. Os investidores exigem prémios mais altos com receio de uma combinação de inflação estruturalmente mais alta, défices públicos crescentes e a forte procura de capital para financiar investimentos ligados à IA. TIR do Bund sobe +4 pb (3,26%), com alargamento dos spreads em periféricos. Obrigação alemã 30A (3,77%) em máximos de 15 anos. 30A americana (5,28%) perto dos níveis mais altos dos últimos 25 anos.
Hoje: “Cautela perante a tensão geopolítica e a pressão sobre as obrigações.”
O foco continua em duas frentes: os desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente e a evolução das obrigações de longo prazo. No plano geopolítico, os investidores estão atentos a qualquer alteração das posições dos EUA e do Irão relativamente ao controlo de Ormuz. Com as posições claramente distantes, o petróleo mantém-se acima dos 90$/ barril. As obrigações continuam sob escrutínio. A subida das rendibilidades reduz a atratividade dos ativos de risco.
No plano macro, a atenção está nas Atas da Fed. Dado que Kevin Warsh adotou um estilo de comunicação mais reservado, as Atas assumem importância acrescida. Na reunião de 29 de julho, as taxas mantiveram-se em 3,50%/3,75%, e o interesse estará em dois pontos. Em primeiro lugar, avaliar o grau de divisão interna no FOMC. Três dos doze membros com direito de voto apoiaram uma subida das taxas, mas as Atas permitirão perceber quantos participantes adicionais já se encontravam próximos dessa posição. Também permitirão identificar as condições que poderão levar a Fed a proceder a um ajustamento das taxas de juro nas próximas reuniões.
No plano micro, a época aproxima-se do fim. Hoje é a vez da Target, proporcionando uma oportunidade para avaliar a solidez do consumidor norte-americano.
Quanto aos mercados, sem indicadores macro relevantes e com a época de resultados praticamente concluída, destacam-se a geopolítica e as obrigações. Sem sinais de progresso rumo a uma resolução do conflito no Irão, com as rendibilidades das obrigações a manterem-se elevadas e sem o catalisador dos resultados empresariais, é provável que os mercados continuem hoje num ambiente de aversão ao risco e prudência.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
R. UNIDO (07h00): (i) IPC (julho): +2,9% vs +2,9% esperado vs +2,6% anterior. Taxa Subjacente: +2,6% vs +2,5% esperado vs +2,6% anterior. (ii) Preços Industriais (julho): +3,1% vs +3,2% esperado vs +3,5% anterior. OPINIÃO: O aumento resulta principalmente da subida de 13% no teto dos preços da energia, que entrou em vigor a 1 de julho. Os serviços desaceleraram (+3,4% vs +3,6%), mas permanecem em níveis elevados. A Taxa Subjacente mantém-se nos níveis do mês anterior, abaixo dos níveis registados antes do conflito (2,6% vs 3,2% em fevereiro). Os Preços Industriais continuam a crescer a um ritmo superior ao dos preços no consumidor, impulsionados pelos custos da energia, pressionando as margens das empresas. O combate à inflação mantém-se uma das prioridades do Governo, e o novo Primeiro-Ministro, A. Burnham, anunciou a eliminação do IVA nas faturas de eletricidade das famílias a partir de outubro, o que deverá reduzir o IPC em cerca de 0,1 ponto percentual. Estes dados não deverão alterar as perspetivas do Banco de Inglaterra, que esperamos que mantenha as taxas de juro inalteradas até ao fim do ano, procurando equilibrar as pressões inflacionistas com um crescimento económico ainda frágil.
EUA (ontem): A Produção Industrial aumentou em linha com o esperado em julho, enquanto a Utilização da Capacidade Produtiva permaneceu estável. A Produção Industrial aumenta 0,2% m/m em julho (vs +0,3% (revisto face a +0,1%) e a taxa homóloga mantém-se em +1,1%. A Utilização da Capacidade Produtiva repete-se em 76,3%. OPINIÃO: Por categorias, na área da Energia, destaque para o aumento da Exploração&Produção de petróleo e gás (+5,2% m/m) e, fora do setor energético, a Produção de Computadores&Equipamento (+1,8%) e Semicondutores (+2,4%). Em contrapartida, o Automóvel recuou -4,1%. Os números confirmam as dificuldades da indústria em aumentar a produção perante o agravamento dos custos associados ao conflito com o Irão (+4,7% a/a Preços de Produção e 5,9% Preços de Importação. Ainda assim, os fundamentais da economia norte-americana permanecem sólidos e tudo indica que a inflação poderá já ter atingido o pico (3,4% em julho e 4,2% em maio).
ALEMANHA (ontem): O índice ZEW de Sentimento Económico surpreendeu positivamente em agosto, reforçando a expectativa de que a economia alemã está a recuperar dinamismo. A componente Expectativas situa-se em 34,2 pontos vs 30,0 esperado e 26,3 anterior. A componente da Situação Atual melhora 16,5 pontos até: -61,1 pontos vs -77,6 anterior e -69,3 esperado. OPINIÃO: A economia alemã, altamente dependente de energia, tem demonstrado maior resiliência do que o esperado perante a incerteza e o aumento dos preços energéticos decorrentes da guerra no Irão, apoiada por um forte aumento do investimento em infraestruturas e defesa da parte do Governo. O relatório alerta, contudo, para o risco que o baixo caudal do rio Reno representa para a atividade económica, sendo uma importante via de transporte de mercadorias para a economia alemã. Os resultados confirmam outros indicadores recentes positivos (PIB 2T +0,9% a/a vs +0,6% esperado vs +0,8% anterior, IFO julho 86,6 vs 85,7 anterior) e refletem otimismo em torno do programa de reformas do Governo, que inclui reduções de impostos e da burocracia, bem como reformas do sistema de pensões e do mercado de trabalho. Link para o relatório completo (em espanhol).
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18/08/2026
14/08/2026
Ontem: “A tecnologia lidera a sessão. Os preços moderam-se.”
Sessão de mais a menos na Europa, enquanto os EUA fecharam em alta, impulsionados pela tecnologia. Os Preços Industriais nos EUA confirmaram a tendência de desaceleração antecipada pela inflação (+3,4% a/a), na quarta-feira. Reduziram-se em julho até +4,7% a/a desde +5,5%. Esta moderação ocorreu num mês em que o Brent subiu +24%. A menor pressão inflacionista afasta as expetativas de subidas de taxas de juros por parte da Fed. Nesta mesma linha, Tom Barkin (Fed) apoiou manter as taxas de juros, já que considera que os fatores que mantêm os preços acima de +2,0% são temporários, como os impostos alfandegários ou a guerra no Irão. A notícia de um ataque a uma refinaria de Saudí Aramco arrefeceu o mercado europeu, que terminou por fechar em baixa. Contudo, os EUA subiram impulsionados pela tecnologia (Sandisk +14% após o seu Dia do Investidor).
Em renda fixa, o Tesouro americano colocou 25.000 M$ a 30 anos, a uma rentabilidade de 5,22%, nível mais alto desde 2001. Contudo, foi uma sessão de queda da yield das obrigações de forma geral.
Hoje: “A macro acompanha e poderá favorecer com subidas nas bolsas. Se a geopolítica o permitir...”
A tensão geopolítica aumenta. Os EUA anunciam que a próxima semana detalhará medidas económicas sem precedentes contra o Irão, num contexto de bloqueio nas negociações. O Brent sobe ligeiramente até 87,3 $.
A macro ganha relevância. Na Europa (10 h), será publicada a primeira revisão do PIB 2T 2026, que deve confirmar uma tendência de melhoria (+1,0% est.), num contexto em que a inflação está contida (+2,9% em julho) e o Emprego estável (6,3% julho). Nos EUA, teremos Vendas a Retalho (13:30 h), importantes para ver como evolui o Consumo americano. Também será relevante a Confiança dos Consumidores da Univ. de Michigan (15 h), principalmente porque corresponde a agosto e poderá estar impactada pelo preço em alta das gasolinas e aumento da tensão geopolítica.
Caso não exista maior tensão por parte da geopolítica, o razoável seria que as bolsas fechassem a semana em alta. A moderação dos preços, apesar do conflito no Irão, convidaria a isso.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (07:00 h): Acelera o ritmo de crescimento nos preços grossistas até +5,3% em julho (vs. +4,9% ant.) pelo custo da energia. OPINIÃO: O aumento explica-se pelo encarecimento da energia e das matérias-primas. De facto, os produtos petrolíferos sobem +24,1% (4,0% m/m) devido à subida do preço do petróleo e ao final da redução temporária de impostos sobre os combustíveis. Entre as principais subidas, destacam também os metais não ferrosos (+27,8%), os produtos químicos (+13,1%) e equipamentos de tecnologia e comunicações (+9,0%). É uma má notícia, especialmente para as obrigações, porque reflete que a guerra no Irão gera pressões inflacionistas e continua vivo o risco de ver efeitos de 2.ª ronda sobre o IPC.
EUA (ontem): Os Preços Industriais desaceleram e o Desemprego Semanal aumentou, o que retira pressão à Fed para subir taxas de juros. (i) Os Preços Industriais na taxa geral moderaram-se até +4,7% em julho desde +5,5% e vs. +4,9% estimado. A subjacente, +4,2% desde +4,7% e vs. +4,1% estimado. (ii) O Desemprego semanal 209k desde 200k anterior (revisto desde 199k) e vs. 202k estimado. OPINIÃO: Queda relevante dos preços de produção que diminuíram a pressão sobre os preços finais e, com isso, reduzem a necessidade de subir taxas de juros por parte da Fed. Especialmente porque o Desemprego semanal aumentou mais do que o estimado, reforçando a ideia de que o mercado laboral americano poderá estar a debilitar-se. Convém recordar que a Criação de Emprego Não Agrícola de julho contraiu-se em -23k e a de junho foi revista claramente em baixa (+20k desde +57k). O nosso cenário central aponta para uma descida de taxas de juros como próximo movimento da Fed, mas já em 2027.
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13/08/2026
Ontem: “A melhoria da inflação americana é um sopro de ar fresco para as bolsas e obrigações.”
Consolidação de níveis na Europa e subidas nos EUA com os semis a liderar (+2,5%) numa sessão de que esteve marcada pela melhoria da inflação americana. O IPC enfraqueceu uma décima em julho até +3,4% (vs. +3,4% esperado) com a Subjacente em +2,5% (vs. +2,5% esperado vs. +2,6% ant.). Uma décima de melhoria pode parecer pouco à primeira vista, mas é mais importante do que parece, porque: (i) os números retiram pressão à Fed para subir taxas de juros, pelo menos em setembro, principalmente se tivermos em conta que os últimos dados de Emprego /Payrolls foram realmente fracos (-23 k em julho vs. +20 k ant.) e (2) a chave está na mudança de tendência para melhor, apesar de um preço do petróleo que sofre as tensões da geopolítica.
Além disso, a yield das obrigações de referência afasta-se de níveis de stresse com o T-Note americano a 10 A em 4,67% à primeira hora (vs. 4,75% em julho) enquanto diminui a probabilidade de ver subidas de taxas de juros. Como referência, as obrigações descontam que a Fed manterá as taxas de juros na reunião de setembro, com uma probabilidade >65% (vs. 50% no início da semana).
Hoje: “A geopolítica gera muito ruído, mas impera o bom tom graças à macro e tecnologia.”
O fluxo de notícias de primeira hora não está mal. Não há grandes alterações na frente geopolítica e/ou nos preços do petróleo, as bolsas asiáticas contagiam-se do otimismo em Nova Iorque (+4,0% Coreia do Sul, +1,5% Japão) e o ciclo económico é mais sólido do que parece, inclusive no R. Unido (+1,2% no PIB 2T 2026 vs. +1,1% esperado vs. +0,9% ant.).
O mais importante é que o fundo do mercado é sólido porque: (1) o pior para a inflação já passou e não só nos EUA, (2) o mercado convive com a geopolítica e não se apreciam constrangimentos insuperáveis na cadeia global de abastecimento, apesar do bloqueio no Estreito de Ormuz. (3) A macro surpreende positivamente graças a um ciclo expansivo liderado pelo investimento empresarial e tecnologia/IA e (4) os resultados 2T 2026 são excecionalmente bons com um crescimento em lucros de +51% nos EUA e +27,3% na Europa.
Em suma, com estes números, é difícil ver um mau comportamento das bolsas. O único problema além dos vaivéns na geopolítica é que o fluxo de notícias perde intensidade e a volatilidade tende a subir à medida que agosto avança e o volume de contratação diminui.
Temos uma sessão de baixa intensidade, mas a macro aponta em boa direção (menor pressão em Preços Industriais dos EUA com as Petições por Desemprego estáveis), portanto, deverá imperar o bom tom.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ESPANHA (08:00h): IPC julho (final) aumenta para +3,6% a/a, uma décima acima do preliminar e face a +3,2% anterior. A Taxa Subjacente confirma +3,0% a/a, uma décima acima de junho. Em termos mensais, a inflação subiu +0,3% m/m (vs. +0,2% prelim. e +0,6% ant.), a Subjacente -0,1% m/m (vs. +0,4% ant.) Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: A inflação de julho volta a surpreender negativa. Confirma o aumento afetado pelos preços de combustíveis e eletricidade. No final de junho, foi recuperado o IVA de combustíveis, mas o governo prolongou parcialmente as medidas para amortizar o impacto pelo conflito do M. Oriente (ajustes de 0,15 €/litro em julho, que passará para 0,10 €/litro em agosto, e a eliminação progressiva do Imposto à Produção Energética de Energia Elétrica). Na nossa Estratégia de Investimento 2T 2026, estimamos que o aumento da inflação seria progressivo para 3,6% / 3,7% para o final do 3T 2026, e apontamos +3,3% a/a dez.-26.
JAPÃO (00:50 h): Os Preços Industriais continuam em níveis elevados. Nomeadamente, +7,2% a/a vs. +7,4% estimado e +7,3% anterior (revisto em alta desde +7,1%). OPINIÃO: Dado ligeiramente inferior ao estimado, mas elevado desde uma perspetiva histórica. As principais pressões inflacionistas têm origem nos produtos derivados do petróleo, o carvão, os metais não ferrosos e os produtos químicos. Os Preços Industriais situam-se no nível mais alto desde março de 2023 e oferecem mais argumentos ao Banco do Japão para continuar a endurecer a sua política monetária.
REINO UNIDO (07:00 h): O crescimento surpreende em alta, mas o setor industrial continua débil. (i) O PIB do 2T 2026 +1,2% a/a vs. +1,1% estimado e +0,9% anterior. Em termos intertrimestrais, +0,4%, em linha com o esperado e vs. +0,6% anterior. (ii) A Produção Industrial -0,2% em junho vs. +0,3% estimado e +1,0% anterior. OPINIÃO: O crescimento ganha inércia, impulsionado principalmente pelo Investimento (+1,2% t/t desde +0,4%) enquanto o Consumo se modera (+0,3% t/t desde +0,6%). Contudo, o setor industrial continua a pressionar e a Produção Industrial volta a terreno negativo após a melhoria do mês anterior.
EUA (ontem): A inflação cumpre expetativas e desacelera 1 décima em julho, tanto a taxa geral como a subjacente. IPC +3,4% a/a vs. +3,4% esperado e +3,5% anterior. Taxa Subjacente +2,5% a/a vs. +2,5% esperado e +2,6% anterior. OPINIÃO: Boas notícias para bolsas e obrigações, já que os preços desaceleram apesar do aumento de preços de energia em julho (WTI +21,8% até 85 $/barril) e, portanto, ajudam a arrefecer as expetativas de subidas de taxas de juros da Fed. Após o dado, o mercado atribui probabilidade de 40% a uma subida de taxas de juros na próxima reunião da Fed (16 de setembro), que compara com c.50% antes do dado. Reforça, portanto, a nossa hipótese de que não haverá subida de taxas de juros por parte da Fed. Link para o relatório completo (em espanhol).
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12/08/2026
Ontem: “Sessão de elevada volatilidade, marcada pelo vaivém das notícias no M. Oriente.”
Sessão de mais a menos, dirigida pelo fluxo de notícias procedentes do M. Oriente. A Europa (+0,2%) viu-se impulsionada pelas declarações do Ministro da Defesa do Paquistão, que sugeriu que os EUA e o Irão poderão estar perto de alcançar um acordo, o que ajudou a que as rentabilidades das obrigações baixassem de forma geral. Contudo, os EUA (-0,3%) fecharam com ligeiras quedas devido a novos ataques no Estreito, o que derivou numa subida do preço do petróleo (Brent: +1,4%). Na frente micro, destacou a ampliação de de Intel, por 20.000 M$, com o objetivo de acelerar os investimentos para centros de dados. Por outro lado, foram publicadas as Vendas de Habitações Usadas, um pouco piores do que o esperado (4,06M vs. 4,05M esp. vs. 4,13M ant.), embora continuem pressionadas pelo aumento das taxas hipotecárias (30A, 6,77%), mas não impactaram a sessão, já que o foco esteve na frente geoestratégica.
Em suma, sessão a médio gás com elevada volatilidade, marcada pelo vaivém de notícias entre os EUA-Irão, que dirigiu as bolsas, favoreceu as obrigações e impulsionou o preço do petróleo bruto.
Hoje: “O IPC americano marcará o tom da sessão.”
A única referência capaz de mover o mercado será o IPC americano (13:30 h). Uma inflação a moderar-se em linha com o esperado (Taxa Geral: +3,4% a/a esperado vs. +3,5% ant.; Subjacente: +2,5% esp. vs. +2,6% ant.) reforçaria a nossa ideia de que o pico da inflação já passou e que uma diminuição das pressões inflacionistas, junto com um petróleo abaixo da barreira psicológica dos 100 $, não deverão implicar uma ameaça para a Fed. Além disso, os recentes dados débeis de emprego americano (Criação de Emprego Não Agrícola -23k em julho vs. +20k em junho, revisto desde +57k) deverão ajudar a que a Fed adote uma postura um pouco mais dovish/suave para a sua próxima reunião (16 de setembro). O nosso cenário central contempla uma descida de -25 p.b. (até 3,25%/3,50%) como próximo movimento, mas em 2027. Algo que também dará visibilidade será a reunião anual de banqueiros centrais em Jackson Hole (27/29 agosto), especialmente relevante depois de K. Warsh eliminar o forward guidance, isto é, as referências explícitas para futuros movimentos de taxas de juros.
Por outro lado, na frente micro EON bate e mantém guias. Além disso, o fundo estatal de Singapura anuncia que planeia investir em Samsung e SK Hynix, o que impulsiona a bolsa da Coreia (+4%). A temporada de resultados encara já a sua reta final, com mais de 87% das empresas publicadas nos EUA, e 70% na Europa, e os EPS batem amplamente as expetativas.
Em suma, sessão em alta se a inflação cumprir e a geopolítica o permitir.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
EUA (ontem): As Vendas de Habitações Usadas moderaram-se pelo segundo mês consecutivo em julho. As Vendas baixaram até 4,06M vs. 4,05M esperado e vs. 4,13M anterior (revisto em alta desde 4,09M). Em termos intermensais, -1,7% m/m vs. -1,4% ant. (revisto desde -2,4% m/m). O preço médio baixou -2% m/m em julho (até 434.100 $). OPINIÃO: O aumento das taxas hipotecárias (taxa média a 30 anos perto de 6,77% desde 6,55% no final de junho, e 6,25% no final do ano) continua a atuar como travão do mercado imobiliário. A reação do mercado ao dado foi muito limitada, mais pendente da possibilidade de um acordo no M. Oriente. A evolução dos preços do petróleo será fundamental para a inflação e as expetativas de taxas de juros. Na nossa opinião, o próximo movimento da Fed será mais para diminuir do que para subir as taxas, como desconta o mercado, o que pode favorecer a estabilidade do mercado imobiliário. Link para a nota (em espanhol).
ESPANHA (ontem): Recebe 6.234 M€ do sexto desembolso dos fundos europeus. A CE realiza o sexto pagamento de fundos europeus, que tinha aprovado em julho. São 5.226 M€ de transferências, que incluem 265 M€ do quinto desembolso pendente, e 1.008 M€ de empréstimos. Há três marcos pendentes deste sexto desembolso. Foram recebidos 78.000 M€, 76,5% do total atribuído. O governo assinala que prepara o pedido do sétimo e último desembolso, que implicaria 148 marcos, por 25.800 M€ (21.462 M€ em transferências e 4.400 M€ empréstimos). Link para o comunicado (em espanhol). OPINIÃO: Neste ano, 2026, termina o prazo de solicitude e execução dos fundos atribuídos no Plano de Recuperação Transformação e Resiliência (PRTR).
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11/08/2026
Ontem: “O petróleo sobe a penaliza as obrigações.”
A falta de concretização nas negociações para reabrir o Estreito de Ormuz impulsionou o petróleo. Brent +5% até 87,7 $. Trump parece inclinar-se para deixar que o Irão se asfixie economicamente. Com isso, afasta o receio de novos ataques militares, mas também arrefece a possibilidade de um acordo mais ou menos rápido. Os principais prejudicados foram as obrigações, que sofreram aumentou gerais da yield. T-Note +7 p.b. até 4,71% e Bund +5 p.b. até 3,18%. As bolsas aguentaram com mais serenidade. Na Europa, fecharam com subidas ligeiras e nos EUA com quedas moderadas (-0,1%). Enquanto o petróleo permanecer abaixo dos 100 $, os lucros continuarão a funcionar como contrapeso positivo. A campanha de resultados foi magnífica, com um crescimento de +52% a/a do EPS médio nos EUA (vs. +24% esperado) e de +27% na Europa (vs. +15% esperado). Sofreram mais os semis (-2,9%). Não agradou que Nvidia (-2,9%) anunciasse um acordo para obter 500.000 M$ de financiamento para ajudar os seus clientes a implementar a IA.
Em divisas, destaque para a depreciação do yen (-0,8% até 183,9 vs. euro). O efeito da intervenção conjunta EUA/Japão foi realmente fugaz…
Em suma, as bolsas aguentaram, mas as obrigações sofreram pelo petróleo.
Hoje: “Sem grandes referências, sessão lateral.”
Viveremos uma sessão tipicamente de verão, sem grandes referências e pouco volume. Na frente macro, à primeira hora, o RBA (banco central da Austrália) decidiu manter taxas de juros em 4,35%, em linha com o esperado, e às 15 h serão publicadas as Vendas de Habitações Existentes nos EUA (4,05M estimado vs. 4,09M anterior). Passarão despercebidas. O único dado relevante esta semana é o IPC americano de julho (quarta-feira). Será vital confirmar a moderação que o mercado desconta (+3,4% desde +3,5% a taxa geral e +2,5% desde +2,6% a subjacente) para tentar antecipar o próximo movimento da Fed. Embora provavelmente seja em Jackson Hole (27/29 agosto) que ganhemos clareza sobre o que esperar. Este ano, o evento ganha interesse especial dada a mudança de comunicação da Fed, para mensagens breves e opacas, implementada por Kevin Warsh. O nosso cenário central continua a antecipar como próximo movimento uma descida, mas já em 2027. Os dados de emprego da semana passada (Criação de Emprego Não Agrícola -23k em julho e +20k em junho, revisto desde +57k) questionam a força do mercado laboral americano e oferecem mais argumentos para manter uma postura dovish (suave).
Voltando ao curto prazo, o lógico é esperar uma sessão lateral. Convém recordar que, com as bolsas perto de máximos históricos, consolidar níveis não parece um mau desenvolvimento.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
AUSTRÁLIA (05:30 h): O RBA mantém a taxa diretora sem alterações em 4,35% (vs. 4,35% esperado) e mantém um tom hawkish/duro. O mais importante é que melhora as previsões de inflação e baixa a probabilidade de ver uma subida de taxas de juros no 2S 2026.- Link para o comunicado (em inglês). OPINIÃO: O RBA cumpre as expetativas e mantém a taxa de juro sem alterações pela 2.ª reunião consecutiva e um tom hawkish/duro porque: (1) o RBA está preparado para endurecer a política monetária se reaparecerem pressões inflacionistas e (2) deixa aberta a possibilidade de novas subidas se a evolução da procura, o mercado laboral ou os preços energéticos impedirem a convergência da inflação para o objetivo. O mais importante é que o RBA melhora as suas perspetivas de inflação com um IPC estimado de +3,6% no 4T 2026 (vs. +4,8% previsto anteriormente para o 2T 2026 vs. +3,8% em junho de 2026) e +2,6% no 4T 2027, alcançando assim o intervalo objetivo de 2,0%/3,0% (vs. 2028 ant.). Estas previsões reduzem a probabilidade de ver uma subida de taxas de juros em 2026 apesar do tom prudente/duro do RBA. Como referência, as obrigações descontam agora uma probabilidade de 40% (vs. 50% antes da reunião).
UE (ontem): O Sentimento Investidor surpreende positivamente e melhora pelo quarto mês consecutivo. – O indicador de Sentimento Investidor Sentix melhora até +0,9 pontos em agosto (vs. -0,5 esperado vs. -3,1 ant.). OPINIÃO: O Sentix acumula 4 meses consecutivos de melhoria e alcança níveis não vistos desde fevereiro de 2026, apesar da geopolítica. A melhoria do sentimento investidor está estreitamente relacionada coma recuperação macro na UE (PMIs, Sentimento económico/ZEW …) e o crescimento dos lucros empresariais (+27,3% em 2T 2026).
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07/08/2026
Ontem: “Nas bolsas, Europa melhor do que N. Iorque. O petróleo ultrapassa 80 $/barril e as yields aproximam-se novamente de níveis a vigiar.”
Ontem, sessão em alta na Europa (+0,4%) e realização de lucros em Nova Iorque (-0,2%) numa sessão em que a atenção continuava focada no possível acordo entre o Irão e os EUA para devolver a normalidade ao Estreito de Ormuz…
Ainda sem notícias nesta frente, o petróleo aumentou (ca. +4%), superando a Barreira psicológica dos 80 $/barril. Este último propiciou um aumento das yields, que, novamente, se aproximam de níveis a vigiar: T-Note ~4,70%, Bund 3,20%, O10A ITA 4,00%...
No plano macroeconómico, foram publicados mais resultados do mercado laboral americano. A Produtividade melhorou mais do que o esperado (+1,4% t/t no 2T 2026 vs. +0,6% esp. e +0,8% ant.) graças aos ganhos na eficiência das empresas como consequência da irrupção da IA. Tudo isso em consonância com Custos Laborais Unitários (+1,3% vs. +2,1% esp.) que mostram que a pressão por Salários não parece alarmante. Ambos os dados favorecem uma expansão das margens empresariais. Tendência que se confirma com o mostrado na temporada de resultados 2T nos EUA, onde: receitas +15% e lucros empresariais +51%.
Hoje: “Compasso de espera até aos números de emprego americano.”
Os dados de emprego nos EUA são a referência da sessão e, portanto, os que provavelmente acabarão por decidir o resultado do jogo. Tudo aponta que a Criação de Emprego Não Agrícola (Payrolls) recuperará tração em julho após a queda registada em junho (80k esp. vs. 57k ant.), enquanto os Salários se mantêm fixos em +4,2% e a Taxa de Desemprego (4,2%) próxima a mínimos históricos. A priori, os números não deverão alterar excessivamente a rota de taxas de juros da Fed, num contexto em que esta se mostra mais preocupada com a inflação do que com a economia. Portanto, se saírem como o esperado, o lógico é que as bolsas continuem a mostrar um bom tom, apoiadas nos sólidos resultados empresariais 2T.
Em relação a este último, a temporada de resultados está a terminar. Com 76% das empresas americanas já publicadas, o aumento médio do EPS situa-se ca. +51% vs. +24% estimado. A irrupção da IA começa a refletir-se no aumento da produtividade nas empresas e os lucros empresariais continuam a constituir um enorme apoio para as bolsas.
Em suma, lateralidade e indefinição até os números de emprego nos EUA. Se estes se situarem em linha com o esperado, o mais lógico parece ser que as bolsas continuem com a tendência em alta. Tudo isso para dar lugar a uma semana “de verão” onde a inflação americana terá toda a atenção…
CONTEXTO ECONÓMICO. –
CHINA (03:33 h): A Balança Comercial amplia o seu superavit em julho. Nomeadamente, fica em 112.500 M$ vs. 107.100 M$ estimado e 125.620 M$ anterior. As Exportações avançam mais do que o estimado (+23,9% vs. +23,0% esperado e +27,0% anterior) enquanto as Importações ficam abaixo (+27,5% vs. +29,7% estimado e +36,0% anterior). OPINIÃO: Dado sólido que não se viu afetado pela má climatologia que marcou o mês de julho. A boa execução da Balança Comercial deriva principalmente das Exportações de produtos tecnológicos (+53,0% a/a), equipamento elétrico (+34%) e terras raras (+43%). Contudo, a evolução das secções mais tradicionais continua a debilitar (brinquedos -1,7%, iluminação +2,3%...).
JAPÃO (06:00h): Indicador Adiantado continuísta. Fica em 116,4, em linha com o estimado e o dado anterior (revisto em baixa desde 116,5). OPINIÃO: Bom dado, embora sem surpresas. O indicador mantém-se em níveis elevados desde abril e consolida a tendência de melhoria que iniciou em junho de 2025.
ALEMANHA (07:00h): A Produção Industrial contrai-se em junho. Cai -0,1% a/a vs. +0,1% estimado e 0,0% anterior. OPINIÃO: O setor industrial alemão continua débil, sem conseguir estabilizar-se, penalizado pelos impostos alfandegários norte-americanos, aumento de preços energéticos e a elevada concorrência de empresas chinesas.
EUA (ontem): A Produtividade aumenta mais do que o esperado. (8) Produtividade Não Agrícola +1,4% t/t no 2T 2026 vs. +0,6% esperado e +0,8% anterior (revisto desde +0,3% anterior); (ii) Custos Laborais Unitários, +1,3% t/t vs. +2,1% estimado e +1,3% anterior (revisto desde +1,8%). OPINIÃO: Boas notícias. A Produtividade aumenta (+2,2% a/a) num contexto de fortes investimentos empresariais, especialmente relacionados com o desenvolvimento da IA, que deverá traduzir-se em melhorias de eficácia. Enquanto isso, os Custos Laborais aumentam de mais contida (+1,4% a/a), mitigando as pressões inflacionistas pelo lado dos salários e favorecendo as margens empresariais. Link para o relatório completo (em espanhol).
UE (ontem): O consumo cresce menos do que o esperado em junho. – Vendas a Retalho +0,7% em junho (a/a) vs. +1,0% esperado e +1,9% anterior (revisto desde +1,6%). Em termos intermensais, moderou-se -0,3% em junho vs. +0,1% esperado e +0,4% anterior (revisto desde +0,2%). OPINIÃO: Más notícias. O aumento da inflação por maiores preços do petróleo e a subida de taxas de juros por parte do BCE prejudicam o consumo e, como consequência, o crescimento económico da zona euro.
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06/08/2026
Ontem: “Petróleo estabilizado e sólidos resultados.”
Petróleo estabilizado abaixo dos 80 $/barril. À primeira hora vimos aumentos após se conhecer que o huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, ampliavam a sua ameaça às exportações sauditas pelo Mar Vermelho. Mais tarde, relaxamento com as notícias de um acordo do Irão com Omã sobre a rota proposta para o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, o que supõe um avanço para a reabertura desta via crucial para o petróleo.
Rentabilidades ligeiramente em alta na obrigação na Europa: Bund +1 p.b. até 3,1% com ampliação de spreads em periféricos. T-Note estável em 4,61%.
Bolsas a flutuar perto de máximos históricos, apoiadas por sólidos lucros empresariais. Na Europa (-0,2%) vimos bons ultados de Siemens Energy, Deutsche Post e Ahold. Nos EUA (-0,2%) surpreenderam em alta os resultados de Eli Lilly, Uber, Walt Disney e CVS Health, entre outros. E Nvidia reagia com subidas (+3,4%) aos bons resultados do seu sócio Hon Hai Precision Industry/Foxconn. O grupo do Taiwan é um dos principais fabricantes de servidores de IA que incorporam chips de Nvidia.
Em divisas, o dólar cedia um pouco de terreno face ao euro (EURUSD 1,15).
Hoje: “Ligeiros avanços com o foco nas negociações Irão-EUA e nos resultados.”
O foco do mercado estará nas novidades das negociações entre os EUA e o Irão para um acordo que garanta a livre circulação pelo Estreito de Ormuz e nos resultados empresariais. O Irão insinuou a possibilidade de cobrar taxas. Os EUA procuram uma reabertura isenta de taxas, consolidar um cessar-fogo duradouro e regressar às conversações sobre o programa nuclear iraniano. Veremos.
Na frente macro, nos EUA, veremos um avanço de produtividade (+0,6% t/t no 2T vs. +0,3% ant.) com custos laborais unitários bastante contidos (+2,1% vs. +1,8%). Boas notícias. O mercado laboral não está a gerar tensões inflacionistas relevantes, reduzindo a necessidade da Fed continuar a endurecer a sua política monetária.
Na frente corporativa, continuaremos atentos aos resultados empresariais que estão a atuar como catalisador para as bolsas. Hoje publicam 31 das maiores empresas americanas (entre elas Ralph Lauren, Constellation Energy ou Datadog) e 37 das principais europeias. 76% das maiores empresas americanas já publicaram e o crescimento médio do EPS no 2T é de +51% vs. +24% inicialmente estimado. Na Europa, os resultados de primeira hora (Siemens, Rheinmetall e Deutsche Telekom) surpreenderam positivamente.
Em relação aos mercados, poderemos ver uma sessão de ligeiros avanços nas bolsas com autorização da geopolítica. O petróleo consolida-se abaixo dos 80 $/barril, os resultados empresariais têm sinal positivo e a macro americana também irá ajudar. A evolução das negociações dos EUA com o Irão poderá alterar o bom tom da sessão.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ALEMANHA (07:00 h): Os Pedidos de Fábrica batem estimativas em junho. Crescem +6,5% em junho (a/a) vs. +5,9% esperado e +4,5% anterior (revisto desde +6,2%). OPINIÃO: Boas notícias. A atividade industrial alemã reagiu positivamente à queda de preços do petróleo em junho. Deverá continuar a melhorar nos próximos meses, como mostra o PMI Industrial que se consolida em zona expansão.
EUA (ontem): (i) A Criação de Emprego ADP diminuiu em julho. – Situou-se em 44k vs. 65k estimado e 95k anterior (revisto desde 98k). Link para o relatório ADP (em inglês). OPINIÃO: Em julho, as empresas norte-americanas criaram menos postos de trabalho do que o esperado. O relatório ADP mostrou que o crescimento salarial para as pessoas que mudaram de emprego aumentou +7% a/a, enquanto as pessoas que permaneceram no mesmo trabalho mantiveram um crescimento de +4,4%. Apesar da diminuição na criação de emprego, os números não preocupam e apontam para um mercado laboral estável (Taxa de Desemprego: 4,2%). Esta tendência sugere que a Fed poderá manter a sua abordagem mais na inflação do que no emprego. (ii) ISM de Serviços (julho): 54,1 vs. 54,5 esperado vs. 54,0 anterior. Componente de Preços Pagos: 70,3 vs. 65,0 esperado vs. 67,7 ant. Novos Pedidos: 57,2 vs. 55,9 esperado vs. 55,1 anterior. Emprego: 47,4 vs. 51,2 esperado e 51,2 ant. OPINIÃO: Dados mistos. O setor de serviços expandiu-se moderadamente impulsionado por um aumento dos novos pedidos e a atividade comercial, o que indica uma procura sólida por parte dos semicondutores. Não obstante, os preços pagos aumentaram acima do esperado, devido a um aumento do preço do petróleo bruto. Apesar de uma diminuição no componente de emprego e um aumento nos preços, o ISM expandiu-se, permanecendo amplamente em zona de expansão (>50).
UE (ontem): Os Preços Industriais desaceleraram em junho, em linha com o esperado. – Preços Industriais: +4,6% vs. +5,9% anterior. No mês: -0,3% vs. +0,2% anterior. OPINIÃO: Os Preços Industriais diminuíram em linha com o esperado. O dado corresponde a junho, mês em que vivemos uma desescalada do conflito no M. Oriente com um preço médio do petróleo bruto 85 $/barril vs. 104 $/barril no mês passado, o que tem um impacto direto na inflação. Nos próximos dados não surpreenderia um aumento moderado dos preços, em linha com o aumento da inflação do mês de julho (+2,9% a/a vs. +2,8% ant.).
BRASIL (ontem): O Banco Central baixa taxas de juros em -25 p.b. até 14,00%. Situa a taxa Selic em 14,00% vs. 14,00% esperado e desde 14,25% anterior. OPINIÃO: Cumpre as expetativas. O mais provável é que continue a baixar nos próximos meses, a ritmo de -25 p.b. por reunião, para situar as taxas de juros em níveis menos restritivos e favorecer um crescimento económico debilitado pelos impostos alfandegários de Trump. Irá fazê-lo de forma progressiva, evitando “jumbo cuts” e vigiando muito de perto não só a inflação, perto da parte alta do intervalo de tolerância (% em julho), mas também: (i) a evolução do real brasileiro, para evitar uma forte depreciação; e (ii) possíveis estímulos fiscais adicionais perante as eleições gerais que acontecerão em outubro de 2026.
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04/08/2026
Ontem: “Redução de tensões. Subida nas obrigações e bolsas.”
A tensão na frente geoestratégica moderou-se após o anúncio, no fim de semana, do reinício das negociações e o preço do petróleo Brent baixou -7%, situando-se perto de 83,7 $/barril. O relaxamento da pressão inflacionista traduziu-se numa subida de preço das obrigações (cortes de rentabilidades). O Bund -5,4 p.b. para 3,15%, com quedas nos spreads das periféricas, enquanto o T-Note americano o fazia em -5,8 p.b. para 4,68%.
As bolsas também consolidaram uma nova sessão de subidas nas principais praças europeias e dos EUA. Destacou Amazon (+4,58% ontem; +20,6% nas últimas 3 sessões), quinta empresa a superar o 3 Bn$.
Por último, ISM Industrial americano contribuiu para o bom tom da sessão, ao superar as expetativas (7 meses em expansão) e mostrar uma queda das pressões nos Preços Pagos (71,1 desde 73); boa notícia para as expetativas de margens empresariais. Além disso, mostrou força no componente de emprego (52,8 vs. 49,7).
Em suma, sessão positiva nas bolsas e obrigações, apoiada pela diminuição da tensão geográfica e bom dado para o setor industrial americano.
Hoje: “Foco em resultados e Vagas de Emprego nos EUA, com autorização da geoestratégia.”
O fundo continua marcado pelo estado das negociações, negadas de forma direta pelo Irão. Trump adverte que é a sua “última oportunidade de chegar a um pacto” e o petróleo aumenta ligeiramente (Brent +1,6%) perto de 85 $/barril. Dois focos de atenção hoje, sob autorização da geoestratégia: (1) resultados empresariais, até ao momento, principal catalisador dos mercados. Uniram-se, ontem à noite, aos bons resultados e guias de On Semiconductor e Palantir (+6% e +15% em aftermarket). A novidade será a primeira publicação de SpaceX, com os mercados já fechados. Esperam-se perdas ( -0,236 $), embora daqui a dois dias aumente o seu free float (~6,9%) que elevará o seu peso em índices. (2) Vagas de Emprego (junho), nova referência do mercado laboral prévia à Criação de Emprego (sexta-feira). Espera-se ligeira moderação; o foco da Fed deve continuar nos preços.
Em suma, os resultados podem manter o tom positivo das bolsas, que já acumulam três sessões consecutivas em alta nas principais bolsas, à espera de SpaceX e evolução do Emprego (sexta-feira).
CONTEXTO ECONÓMICO. –
ESPANHA (08:00 h): A Variação de Desempregados aumenta em +19.500 (+0,85% m/m) vs. -28.700 anterior. O total de desempregados situa-se em 2.311.499 pessoas, o que implica uma redução de -3,9% a/a. OPINIÃO: São dados um pouco débeis para serem de julho, que tradicionalmente é um bom mês para o emprego. Não obstante, a tendência no mercado laboral é de estabilidade e pode ser uma moderação pontual.
EUA (ontem): O ISM Industrial surpreendeu positivamente após alcançar 55,6 pontos em julho (vs. 53,8 esperado vs. 53,3 ant.) e acumular 7 meses em zona de expansão. - OPINIÃO: O melhor de tudo é que enfraquecem os Preços Pagos até 71,1 desde 73,0 pontos – bom para as margens empresariais – com os Novos Pedidos em alta (56,7 vs. 56,0 ant.) e o Emprego forte. Em suma, boas notícias para a indústria americana, que ganha tração apesar da geopolítica, impostos alfandegários e taxas de juro altas (Fed Funds em 3,50%/3,75%). A evolução do ISM confirma a recuperação observada em outros indicadores de atividade como o PMI de Chicago e/ou indicador da Fed de Filadélfia. Ocorre também num contexto marcado pela melhoria do sentimento económico das pequenas e médias empresas (em máximos de 3 meses), a resiliência do Consumo (+6,7% em Vendas a Retalho) e a solidez do Emprego (Criação de Emprego em alta e Petições Semanais por Desemprego em baixa). Link para o relatório completo no Bróker (em espanhol).
Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise
31/07/2026
Ontem: “Subida nas bolsas, liderada por semicondutores.”
Subida geral nas bolsas (Europa +1,4% e EUA +1,6%) liderada principalmente por tecnologia (+3,2%), nomeadamente semicondutores (+8,2%), que reagem após 5 sessões consecutivas de quedas. Apoia a nossa opinião de que se trata mais de uma realização de lucros por excesso de velocidade do que por uma mudança nos fundamentos. Também atuaram como impulso os bons resultados de Microsoft e de LAM Research (+15% e +18% ontem). A exceção foi Meta, que caiu -8% após dececionar em resultados e anunciar um novo aumento de custos e investimentos.
Também foi uma sessão de grande intensidade na frente macro. Nos EUA, tanto o crescimento como a inflação enfraqueceram: PCE +3,7% em junho desde +4,1% anterior e PIB +1,5% no 2T (t/t anualizado) vs. +2,1% anterior, moderando as expetativas de subidas de taxas de juros por parte da Fed. Na Europa, contudo, aumentaram mais do que o esperado, tanto o crescimento económico (PIB +1,0% a/a no 2T vs. +0,5% anterior), como a inflação na Alemanha e Espanah. Contudo, a yield das obrigações manteve-se sem alterações numa sessão com preços do petróleo a moderarem-se ligeiramente para fechar abaixo dos 90 $.
Hoje: “Inércia positiva após a subida de semicondutores, embora sem perder de vista a inflação na zona euro.”
Amanhecemos com fortes subidas nas bolsas asiáticas, na sequência da subida de semicondutores ontem, nos EUA. Coreia +20% e Japão +4%, onde também ficamos a conhecer a decisão de taxas de juros do BoJ, que cumpre as expetativas ao manter em 1,00%. Por outro lado, na frente geoestratégica, Trump anunciou um acordo com o Hamas para o seu desarme, embora seja mais difuso e sem calendário definido, e enquanto continuam as tensões entre os EUA e o Irão, o preço do petróleo volta a cair hoje e consolida-se abaixo dos 90 $. Na frente empresarial, continua a temporada de resultados, hoje com tom misto nos EUA e bastante positivo na Europa. Ontem, após o fecho, publicaram Apple e Amazon. Enquanto a primeira dececiona em guias e vem a cair -6% em “aftermarket”, Amazon surpreendeu positivamente e vem com subidas de +9%. Na Europa, batem estimativas Leonardo, Enel e Unicaja. O ponto negativo da sessão poderá vir do lado macro, onde a inflação da zona euro poderá surpreender negativamente, aumentando mais do que o esperado e despertando novamente os receios de possíveis subidas de taxas de juros por parte do BCE.
Em suma, hoje as bolsas poderão continuar a subir ligeiramente, beneficiando-se da inércia positiva, embora prejudicadas pelo possível aumento da inflação na Europa.
CONTEXTO ECONÓMICO. –
JAPÃO (00:30 h): Conjunto de dados: (i) o Banco Central manteve taxas de juros em 1,00%. (ii) A Taxa de Desemprego mantém-se em 2,5%. (iii) As Vendas a Retalho aumentam (a/a) +0,5% vs. +3,1% estimado e +5,0% anterior (revisto desde +5,3%). Em termos intermensais -4,1% vs. -1,6% estimado e +1,7% anterior (revisto desde +1,9%). (iv) A Produção Industrial melhora (a/a) +4,2% vs. +3,2% estimado e -2,1% anterior. OPINIÃO: O banco central do Japão cumpre o guião e não sobe taxas de juros. Fá-lo apesar do aumento dos preços: esta madrugada ficamos a conhecer o IPC em Tóquio, que aumentou a/a até +2,0% desde +1,7%. Estimamos que irá subir taxas de juros duas vezes, +25 p.b. em cada subida, uma em dezembro de 2026 e outra em junho de 2027. Irá fazê-lo num contexto de subida do nível de preços à medida que o governo retira os subsídios introduzidos pela crise energética e se consolide o círculo virtuoso de salários-preços pela subida dos salários. Após a decisão, o yen apreciou-se, até 160,5 contra dólar. Em paralelo, a macro foi mista: por um lado, ocorre uma melhoria da Produção Industrial impulsionada pela maior procura relacionada com a IA. De facto, a secção com melhor evolução foi a Produção de Maquinaria, +7,6%, pelo fabrico de chips. No próximo mês, o indicador poderá ver-se afetado pelo terramoto sofrido esta semana. Pelo contrário, as Vendas a Retalho evoluem debilmente num contexto de aumento da inflação.
CHINA (02:30 h): Conjunto de dados: (i) PMI Industrial: 49,2 vs. 50,1 estimado e 50,3 ant. (ii) PMI Não Industrial 49,0 vs. 50,0 estimado e 50,2. (iii) PMI Composto: 49,3 vs. 50,6 estimado. OPINIÃO: Dados débeis. Em ambos os casos, situam-se abaixo do nível 50, que indica contração económica. Viram-se afetados pela debilidade da procura interna e pelas condições meteorológicas adversas.
EUA (ontem): (i) O PIB cresceu menos do que o esperado no 2T, mas a qualidade da composição melhorou. O consumo acelerou e o investimento em capital relacionado com a IA continuou robusto, enquanto a contribuição do setor exterior diminuiu. O Consumo Privado acelerou até +2,3% a/a vs. +2,1% anterior. O Investimento em Equipamentos cresceu +10% a/a, mantendo a tração do 1T (+8,4%). Com isso, a Formação Bruta de Capital aumentou +3,3% a/a vs. -1,2% no 1T, apesar do Investimento Residencial continuar a cair (-3,9%). O setor exterior retirou crescimento no trimestre devido ao forte aumento das importações para satisfazer a procura de investimento em capacidade produtiva. A Despesa Pública (-0,14% vs. +0,74% no 1T) e Inventários (-0,7% vs. +0,2%) também o fizeram. Eliminado o impacto, mais volátil a cada trimestre de Exportações Líquidas, Inventários e Despesa Pública, a métrica chamada “Vendas Finais aos Compradores Nacionais: (“Final Sales to Domestic Purchasers”) cresceu +3,9%, mais do que duplicando o crescimento no 1T e alcançando o maior ritmo desde 1T23. OPINIÃO: Resultados positivos. O crescimento modera-se marginalmente, mas continua robusto e apoiado numa aceleração da Procura Interna. Link para o relatório completo (em espanhol). (ii) O Deflator do Consumo (PCE) desacelera em linha com o esperado.- Modera-se até +3,7% vs. +4,1% anterior. Taxa subjacente +3,3% vs. +3,4% anterior. OPINIÃO: Resultados positivos em linha com o esperado. A queda do preço do petróleo bruto explica a moderação. O barril de petróleo WTI médio 79 $ em junho vs. 88 $ em maio (-10%). Com isso, a componente de Energia do PCE cai -5,9 % m/m. O dado está em linha com a moderação até +3,5% desde +4,2% anterior do IPC. Durante as últimas semanas, vivemos episódios de elevada volatilidade no preço do petróleo bruto perante constantes mudanças de postura das partes implicadas no conflito no M. Oriente. Contudo, a média do preço do WTI, no mês de julho, situa-se ligeiramente abaixo do nível de junho, em 78 $. Por isso, resta esperar que a componente de Energia continue a retiração inflação no próximo mês. Assim, de momento, a inflação parece ter deixado para trás o pico (+4,1% em maio). Link para o relatório completo (em espanhol).
REINO UNIDO (ontem): O BoE cumpre o esperado e mantém sem alterações as taxas de juros de referência em ,75%. – A decisão não foi unanime, com 6 conselheiros a favor de manter (vs. 7 esperado vs. 7 em junho) e 3 votos a favor de subir +25 p.b. (vs. 2 esperado vs. 2 em junho). O BoE mantém um tom prudente e dependente dos dados. OPINIÃO: O BoE não se inclina para uma série de política monetária concreta. A incerteza sobre o prolongamento e impacto do conflito no M. Oriente faz com que se mantenha uma abordagem dependente dos dados. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda nos preços. A Taxa Subjacente mantém-se em junho em +2,6% vs. +3,2% em fevereiro e os salários desaceleram (+3,4% em maio vs. +5,0% em maio 2025). Além disso, a Taxa Geral não só não aumenta, mas modera-se até +2,6% em junho vs. +2,8% em maio. A nossa estimativa aponta para um IPC em +3,2% no final de 2026. As taxas de juros no R. Unido são as mais altas entre os principais bancos centrais e ainda estão em terreno restritivo, o que dá ao BoE mais margem na hora de avaliar o impacto nos preços e ajustar a política monetária. Neste contexto, consideramos mais provável que o BoE mantenha sem alterações a taxa de juro de referência em 3,75% em 2026 e 2027. As nossas previsões de taxas de juros diferem ligeiramente das perspetivas do mercado porque as obrigações descontam até duas subidas de +25 p.b. até ao final de 2027. Link para o relatório completo (em inglês).
UE (ontem): O crescimento do PIB acelera acima do esperado: +1 ,0% a/a vs. + 0,7 % e +0,5% anterior (revisto desde +0,3%). – O crescimento europeu reverte a tendência de moderação e volta a acelerar até +1,0%. Alemanha (ca. 28% do PIB da UE) surpreende positivamente: +0,9% a/a vs. +0,6% esperado vs. +0,7% anterior (revisto desde +0,4%) graças à melhoria do setor exterior, que poderá dever-se à antecipação de compras perante receio de aumentos de preços e constrangimentos nas cadeias de abastecimento globais pelo conflito no M. Oriente. Contudo, a Procura Interna continua a pesar sobre o crescimento devido à perda de confiança dos consumidores. Os países nórdicos e periféricos lideram o crescimento: Espanha (+2,7%) apresenta uma das taxas de crescimento mais altas da zona euro, com Procura Interna como principal motor de crescimento e apenas atrás da Lituânia (+3,8%) e Suécia (+2,8%). Irlanda modera a sua queda até -5,6% vs. -13,2% ant. Por sua vez, França desacelera ligeiramente (+0,7% desde +0,8%). OPINIÃO: Dado positivo. Com o foco na inflação e crescimento a ganhar tração, o BCE continuará a manter uma abordagem dependente dos dados e da evolução do conflito no M. Oriente. De momento, não são apreciados efeitos de segunda ronda com a Taxa de Inflação Subjacente em níveis prévios ao início do conflito (+2,4%). Contudo, embora não seja o nosso cenário central, com este dado de PIB aumenta a possibilidade de que ocorra uma nova subida de taxas de juros de +25 p.b. ao longo da segunda metade do exercício. O impacto do dado foi positivo no mercado. Link para o relatório completo (em espanhol).
Todas as nossas notas macro disponíveis em: https://www.bankinter.pt/analise
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