Blog Bankinter Portugal
Informação Semanal de Mercados
25.05.2026
Escrito por: Equipa Research Bankinter Portugal
Veja o nosso vídeo semanal de Mercados e tenha acesso a toda informação!
Tenha acesso ao documento completo de mercados pela Equipa de Research do Bankinter Portugal.
Siga toda a informação também em Podcast Análise Bankinter realizado pela Equipa de Research.
25.05.2026
Bolsas: “É muito difícil que se detenham. Continuismo expansivo.”
:: A semana passada voltou a ser boa, evoluindo de menos a mais, como estimávamos que provavelmente aconteceria. Após segunda e terça-feira fracas, Nova Iorque reconduziu-se para positivo a partir de quarta-feira. Curiosamente, desta vez, Europa bateu Wall St. ao subir todos os dias exceto na quinta-feira, quando descansou um pouco, mas sem mostrar realmente fadiga (-0,3%). Não identificamos nenhuma justificação concreta para essa melhor evolução europeia, a não ser, talvez, um efeito “catch-up” ou encurtamento espontâneo da distância entre a evolução das bolsas em ambos os lados do Atlântico até agora em 2026 (Nova Iorque +9% vs. UE +4%, em grandes números), já que parece que o risco pela geoestratégia decai e os resultados corporativos do 1T 2026 são muito bons (+29% nos EUA e +12% na UE). Porque a referência macro da semana foram os PMIs (indicadores intermédios de atividade) de quarta-feira, que saíram inesperadamente bons nos EUA (Industrial 55,3 desde 54,5 vs. 53,8 esperado) e não tanto na Europa (51,4 desde 52,2 vs. 51,8)... o que deverá ter apoiado mais Wall St. do que a bolsa europeia. E aconteceu o contrário. No plano geoestratégico, Putin não conseguiu que Xi se comprometesse com o gasoduto Siberia 2 para vender à China um fluxo constante de gás russo a longo prazo, enquanto, aparentemente, Trump deteve, no último momento, outra fase de ataques sobre o Irão com base no suposto argumento de que as negociações poderão dar algum fruto. Ambos os desfechos foram bastante construtivos para os mercados americano e europeu, uma vez que a perceção do risco geostratégico estava a diminuir. E a semana não deu muito mais de si, com Nova Iorque a evolui de menos a mais, como estimávamos na segunda-feira, dissipando-se a nossa esperança de um descanso prudente e colocando Wall St. na oitava semana consecutiva de subidas.
:: :: Esta semana com nova subida graças a um risco por geoestratégia em baixa, aos excelentes resultados 1T 2026, alguma perda de medo da inflação e proximidade da saída de SpaceX à bolsa.– Arrancamos esta segunda-feira com Londres e Nova Iorque fechadas (Memorial Day) e isso poderá debilitar a Europa, principalmente depois da excelente semana passada. Mas os 3 fatores principais determinantes do mercado (geoestratégia, resultados empresariais e macro) evoluem melhor do que o esperado, proporcionando um sólido apoio às bolsas, e isso torna improvável uma realização de lucros relevante. Além disso, a 12 de junho, SpaceX sairá à bolsa, provavelmente com sucesso, independentemente do justificável da sua avaliação (OPV por aprox. 4% do capital a avaliação no intervalo 1,7Bn$/2,0Bn$), reavivando o dinamismo do mercado. A nossa esperança que ocorra uma etapa de consolidação dissipa-se. Parece ainda menos provável do que na semana passada, embora Nova Iorque esteja fechada hoje, o que deverá traduzir-se numa relativa desorientação das bolsas europeias. Em primeiro lugar, o risco geoestratégico parece um pouco inferior, a julgar pela abordagem menos agressiva entre o Irão e os EUA, percebendo-se o desejo de uma desescalada por parte de ambos. A situação provavelmente estancar-se-á durante tempo indeterminado, mas o seu agravamento parece pouco provável. A decomposição final do regime cubano poderá acontecer a qualquer momento, acompanhada ou não por outra ação militar cirúrgica dos EUA. Estimamos que, quando acontecer, terá um impacto bastante pró-bolsas. Em segundo lugar, os resultados corporativos são simplesmente brilhantes: lucros +29% nos EUA e +12% na UE vs. +14,4% e +4% estimado, respetivamente. E os lucros determinam as bolsas a longo prazo. Em terceiro lugar, a macro que se publica parece menos deteriorada do que se temia, no que diz respeito ao ciclo económico. E o aumento da inflação, até quase +4% nos EUA e um pouco superior a +3% na Europa, parece digerido. É provável que de daqui para a frente se modere. O “protagonista macro” desta semana será, precisamente, o Deflator do Consumo (PCE) americano (quinta-feira), que não prejudicará o mercado porque se espera que aumente até +3,9%, o que não surpreenderá porque a inflação já publicada saiu +3,8%, e é provável que não suba muito mais. Em suma, estimamos que as bolsas continuarão a subir até à saída de SpaceX a meados de junho, pelo menos se a geoestratégia não incomodar, e que esta semana poderá ser a nona consecutiva de subidas em Nova Iorque.
Obrigações: “Níveis atrativos de entrada.”
A semana arranca com quedas gerais nas yields perante a expetativa de um possível acordo de paz entre os EUA/Irão. O acordo constituiria o passo preliminar para que a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz fosse retomada com alguma normalidade. De momento, Brent <100 $/barril e as obrigações deverão ter uma pausa após testarem níveis a vigiar: T-Note >4,50%, Bund >3,0%, O10A ITA 4,0%... Esta semana focamo-nos nas inflações preliminares na Europa. Provavelmente irão aumentar um pouco, mas consolidando a ideia de que a inflação poderá estar perto do seu pico. Portanto, se o conflito não se alongar demasiado, a inflação não se refletirá via efeitos de segunda ronda na economia e o mercado deverá começar a reajustar em baixa as expetativas de subidas de taxas de juros na Europa. Mantemo-nos um pouco céticos sobre a subida de taxas de juros do BCE descontada na sua próxima reunião (11 de junho). Neste contexto, acreditamos que os níveis atuais de yield oferecem oportunidades de investimento atrativas, especialmente nas secções curtas da curva (2 anos). Int. (semanal) est.: T-Note: 4,40%/4,55%; Bund: 2,90%/3,00%.
Moeda: “Continua a força do dólar.”
EuroDólar (€/USD).– A expetativa de taxas de juros altas (vs. cortes esperados pré-Irão), o tom hawkish/duro da Fed e a subida na rentabilidade/yield das obrigações apoiam a avaliação do dólar face às principais divisas. Esta semana, a chave está na geopolítica e no indicador de preços favorito da Fed (Deflator do Consumo/PCE – 28/05). Int. est. (semana): 1,157/1,167.
EuroLibra (€/GBP).– Esta semana continuará a incerteza política no Reino Unido, enquanto continua a corrida interna do partido Trabalhista para substituir Starmer. Neste contexto e à espera de novidades, poderemos ver uma semana de alguma debilidade na libra. Int. est. (semana): 0,861/0,866.
EuroSuíço (€/CHF).– O preço do petróleo e as expetativas de taxas de juros movem o câmbio. Ao manter-se a esperança de um acordo para a abertura de Ormuz, o franco continuará apreciado numa semana onde conheceremos os primeiros números de inflação de maio na Europa. Int. est. (semana): 0,900/0,917.
EuroYen (€/JPY).– Após a surpresa positiva no IPC, espera-se que o mercado laboral não acrescente grandes novidades. A probabilidade do BoJ subir taxas de juros parece-nos diminuir e debilita a divisa. Int. est. (semana): 184,3/186,3.
EuroYuan(€/CNH).– O yuan deverá continuar apoiado pela aparente melhoria de relações entre os EUA e a China, apesar dos dados macros débeis. Esta semana, o PMI Industrial poderá entrar em zona de contração (<50). Int. est. (semana): 7,87/7,95.
18.05.2026
Bolsas: “Arranque semanal complicado, mas poderá ir melhorando.”
:: Na semana passada, os semis e os resultados empresariais voltaram a contrastar um petróleo mais caro que tensiona a inflação. Os semis continuaram a liderar as subidas, principalmente perante a expetativa de que, durante a visita de Trump a Xi Jinping na China, se concedesse a esta alguma flexibilidade no acesso à tecnologia, como efetivamente aconteceu: 10 empresas chinesas foram autorizadas a comprar o H200 de Nvidia (chip da geração anterior ao Blackwell). E os semicondutores continuaram a empurrar o mercado, mas na sexta-feira reativou-se o medo da inflação após a publicação de uns Preços Industriais francamente elevados no Japão (+4,9% abril vs. +2,9% março). Os resultados 1T 2026 que continuaram a ser publicados são excelentes (lucros das empresas americanas +26% vs. +14,4% esperado e +12% vs. +4% no caso das europeias), Wall St. continuou a avançar mais uma semana (e já são 7 seguidas), embora por pouco (+0,1%), em contraste com umas bolsas europeias que mantêm um tom mais inseguro. O aumento da inflação americana em abril, publicado na quarta-feira (+3,8% vs. +3,7% esperado vs. +3,3% março) quase não fez dano a umas bolsas convencidas de um desenvolvimento não destrutivo em relação a Ormuz/Irão (concordamos), da sobrevivência do ciclo económico expansivo, embora mais robusto nos EUA do que na Europa (também concordamos), e favoravelmente surpreendidas por uns excelentes resultados corporativos (inegável). Mas as avaliações não são infinitas e começa a parecer-nos conveniente uma fase de consolidação… que o mercado deverá começar a ter em consideração.
:: :: Esta semana, gastaríamos que as bolsas descansassem e consolidassem, algo provável após o recente aumento do petróleo. – Defendemos que o risco de inflação e taxas de juros superiores derivados de um petróleo mais caro pela guerra no Irão/Ormuz irá traduzir-se apenas num dano reduzido sobre o ciclo económico, num contexto de excelentes resultados empresariais. O resultado da reunião/negociação entre Trump e Xi Jinping reduz o nível de risco percebido pelo mercado e parece bastante favorável para as bolsas: China apoia que o Irão não deve construir armamento nuclear e que ninguém deve pagar-lhe passagem para atravessar Ormuz e, em troca, os EUA permitem alguma transferência de tecnologia à China (Trump autoriza 10 empresas chinesas a comprar o chip H200 de Nvidia, que não é de última geração). Mas, talvez o mais importante de uma perspetiva geoestratégia seja que a China não realize nenhum gesto de apoio efetivo ao Irão (nem, claro, à Venezuela), porque isso indica que o bloqueio China/Rússia/Coreia do Norte/Irão/Venezuela se decompõe. E, se assim for, a hegemonia americana debilita-se notavelmente. Esta semana será publicada macro de importância média que devemos analisar (na quinta-feira, PMIs; na sexta-feira, Indicador Adiantado americano e IFO Clima Empresarial na Alemanha), mas a protagonista será Nvidia, visto que publica resultados na quarta-feira após o fecho de Nova Iorque (EPS esperado 1,759 $; +83,2%). O mercado costuma ser exigente com os seus resultados e expetativas, atribuindo-lhe uma importância desproporcional a qualquer aspeto que pareço um pouco menos sólido do que o esperado, forçando uma correção do valor quando isto acontece. Se for este o caso esta semana, consideramos uma oportunidade para assumir posições a preços mais atrativos, como quando isto aconteceu anteriormente. Agora, a questão-chave é averiguar se os excelentes lucros empresariais são capazes de contrastar umas yields superiores (obrigações), visto que, segundo os nossos cálculos, as avaliações ficam um pouco justas após as subidas de 2026. Em suma, temos mais receio da inflação e subida do petróleo, mas menos risco geoestratégico, sólidos lucros empresariais e ciclo económico mais resistente do que o esperado, portanto, é provável que a semana arranque com um impasse, mas que evolua de menos a mais e nos dê a oitava semana consecutiva em alta em Nova Iorque… embora preferíssemos que descansasse e consolidasse.
Obrig.: “As yields registam níveis um pouco alarmantes.”
Sem grandes avanços no plano geoestratégico, com um petróleo que se mantém de forma sustentada >100 $ – cujo impacto começa a ser visto em alguns indicadores de preços – e a tomada de posse de K. Warsh como Presidente da Fed – quiçá um pouco influenciado politicamente por Trump – coloca o mercado um pouco nervoso e as yields registam já níveis um pouco preocupantes: T-Note americano >4,60%, Bund alemão >3,18%, obrigação 10 ITA ca. 4,00%... Na nossa opinião, são níveis um pouco elevados. Principalmente porque acreditamos que é razoável que o mercado reajuste em baixa as suas expetativas em relação a taxas de juros. Principalmente na Europa, onde o mercado desconta 3 subidas de taxas de juros por parte do BCE vs. estimadas por nós, o que parece excessivo, tendo em conta a debilidade dos recentes indicadores adiantados e de crescimento. Veremos… Esta semana as obrigações mover-se-ão ao compasso do que acontecer no plano geopolítico e com especial atenção à evolução dos PMIs (21/05). Int. (semanal) est.: T-Note: 4,40%/4,70%; Bund: 3,00%/3,25%.
Moeda: “O dólar aprecia-se, impulsionado pela geopolítica.”
EuroDólar (€/USD).– O dólar continua a atuar como ativo-refúgio, num contexto em que as conversações no Médio Oriente se mantêm tensionadas. O petróleo supera amplamente a barreira dos 100 $, o que propicia o tom hawkish/duro por parte da Fed. Esta semana, a tendência poderá manter-se. Int. est. (semana): 1,159/1,173.
EuroLibra (€/GBP).– Semana de IPC que cairá abaixo de +3,0% devido a um efeito base por medidas orçamentais em abril de 2025. Com isso, e o debilitamento político de Starmer que irá em aumento, estimamos uma depreciação da libra. Int. est. (semana): 0,866/0,878.
EuroSuíço (€/CHF).– Continuará provavelmente num intervalo lateral à espera de avanços nas negociações entre os EUA e o Irão e sem dados macro relevantes. Int. est. (semana): 0,910/0,920.
EuroYen (€/JPY).– Um cenário de petróleo alto e bolsas fortes costuma ser negativo para a divisa, mas se os dados macro que conheceremos esta semana saírem em linha ou melhores, deverão apoiar o yen, além dos 63.000 M$ investidos pelo BoJ para estabilizar a divisa. Int. est. (semana): 183,7/185,1.
EuroYuan(€/CNH).– Os dados procedentes da China continuam a ser débeis, mas o yuan aprecia-se ligeiramente vs. euro após a reunião de Trump/Xi, na semana passada. Esta semana será a vez de Putin/Xi. Int. est. (semana): 7,89/8,00.
11.05.2026
Bolsas: “Trump/Xi Jinping, IPC americano e resultados empresariais. Bolsas em alta, mas estamos perante uma consolidação? Oxalá.”
:: Na semana passada, o mercado voltou a subir. As subidas foram impulsionadas pela redução do prémio de risco geoestratégico. Os EUA anunciaram o final do projeto “Liberdade” e um cessar-fogo com o Irão, embora ainda haja aspetos-chave por definir e ocorrem episódios pontuais de tensão. Isso permitiu uma moderação do preço do petróleo bruto (Brent -7,0% na semana). Os resultados empresariais também atuaram como catalisador, particularmente a tecnologia e os semicondutores, que acumulam uma reavaliação superior a 60% no ano. O mais destacável é que este avanço não implicou uma mudança brusca nos múltiplos de avaliação pela sua forte geração de lucros (PER SOX 28,1x vs. 26,3x antes da guerra). No plano macro, o emprego americano foi muito forte: 115K vs. 65K esperado e 185K anterior. A Taxa de Desemprego 4,3% e os salários +3,6% vs. +3,8% estimado. Portanto, mercado laboral sólido e salários contidos.
:: :: Esta semana: Trump/Xi Jinping, resultados empresariais e IPC americano. Estamos perante uma consolidação de níveis? – O Irão responde ao plano de paz dos EUA, através do Paquistão, e os EUA rejeitam por considerarem inaceitável, o que provoca uma subida do petróleo (Brent +4,3%). Esta negociação é fundamental numa semana em que Trump/Xi Jinping se reúnem. O resultado é imprevisível. Poderá focar-se em questões-chave, como impostos alfandegários, terras raras ou tecnologia. Por sua vez, a China é a grande beneficiada na abertura do Estreito de Ormuz, ao ser uma das maiores importadoras mundiais de petróleo, e os EUA aproveitarão esta debilidade. Embora continue a incerteza sobre o desenvolvimento, as conversações provavelmente terão um tom construtivo. A macro será um foco de atenção. Nos EUA, na terça-feira (13:30 h), publicação do IPC de abril e poderá aumentar até +3,7% desde +3,3%, enquanto a subjacente se manterá mais contida: +2,7% desde +2,6%. Este indicador é fundamental porque irá refletir o impacto real da guerra sobre os preços. Uma inflação elevada, junto com o bom dado de Payrolls da sexta-feira passada, poderá influenciar na decisão da Fed em relação às taxas de juros. De facto, na sua última reunião, 3 conselheiros evitaram referir futuras descidas de taxas de juros, o que foi interpretado como um tom mais hawkish. Por agora, não se observa um aumento significativo nem efeitos da segunda ronda. Inclusive, na Europa, a Taxa Subjacente desceu até +2,2% desde +2,4% em fevereiro. O razoável seria um aumento pontual dos preços e uma moderação posterior que permitira fechar o ano perto de +3,0%, tanto na Europa como nos EUA. Os resultados empresariais também serão relevantes: será a vez de empresas como Telefónica, ACS, Allianz, Applied Materials ou Constellation Energy. A temporada está a ser melhor do que o previsto: o EPS supera +26% nos EUA vs. 14,4% estimado no início da temporada. Na Europa, +11,9% vs. +4,0% est. Além disso, acompanhado de previsões melhores. Se o tom melhorar entre os EUA e o Irão e as conversações entre os EUA e a China serem construtivas, o mercado poderá optar por manter a série em alta. Inclusive num cenário de IPC EUA um pouco mais elevado. Entre outros motivos por que permitiria uma redução do petróleo. Embora seja previsível que se manterá um pouco elevado por uma redução da oferta, estimamos que o Brent poderá fechar o ano em 85 $, o que implicaria afastar-se do limite dos 100 $. Isto seria positivo para o ciclo e inflação, aliviando a pressão sobre bancos centrais. Portanto, a semana poderá ser positiva se o contexto geopolítico acompanhar e a inflação americana não apresentar nenhum nível demasiado elevado. Ainda assim, a sensação é que o mercado precisa de avanços nas negociações para continuar a subir. Inclusive, não se descarta que, a curto prazo, se opte por uma prudente realização de lucros. Algo que permitiria entrar a preços mais atrativos.
Obrig.: “Geopolítica e IPC EUA. Sem alterações na estratégia.”
O fator diretor para as obrigações continuará a ser a geoestratégia e preço do petróleo. Um acordo de paz entre os EUA/Irão vislumbra-se a curto prazo, embora de momento sem se materializar, e seria o passo prévio para reabrir o Estreito de Ormuz. Isto relaxaria os preços do petróleo e certamente daria algum alívio às obrigações, especialmente a 10 anos, num movimento que poderia reajustar em baixa as expetativas de inflação. Veremos… De momento, na quinta-feira, Trump/Xi Jinping reúnem-se na China. Esta semana, o foco está na inflação de abril nos EUA. Irá aumentar até +3,7% desde +3,3%, mas a subjacente irá manter-se fixa em +2,7%, mostrando que a inflação continua sem prejudicar a economia via efeitos de segunda ronda. Neste contexto, mantemos sem alterações a estratégia de investimento: secções curtas-médias 2/5 anos e em crédito corporativo investment grade. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,25%/4,40%; Bund: 2,95%/3,05%.
Moeda: “USD apreciado enquanto não há desfecho no Irão.”
EuroDólar (€/USD).– O IPC de abril nos EUA aumentará para +3,7% vs. +3,3% ant., com a subjacente abaixo do nível psicológico de +3% (+2,7% vs. +2,6%), e no final da semana teremos reunião Trump-Xi, possivelmente com tom construtivo. Com isso, o natural seria um dólar apreciado, mas será o preço do petróleo a marcar a direção final da divisa. Int. est. (semana): 1,168/1,179.
EuroLibra (€/GBP).– A libra continua marcada pela incerteza das eleições de quinta-feira, onde os trabalhistas passam a ser a segunda/terceira força política a favor dos reformistas. Neste contexto, esta semana, poderemos ver novamente debilidade na libra. Int. est. (semana): 0,862/0,867.
EuroSuíço (€/CHF).– Sem referências macro relevantes, o câmbio manter-se-á num intervalo lateral. A retórica do SNB continua firme em relação a uma intervenção se o CHF se aprecia em excesso, e o câmbio parece ter encontrado um local em 0,915. Int. est. (semana): 0,915/0,925.
EuroYen (€/JPY).– Uma diminuição do risco geopolítico deverá debilitar o yen. Contudo, a predisposição do governo japonês a travar uma depreciação excessiva da sua divisa, que poderá acelerar a inflação, limitará o movimento. Int. est. (semana): 183,0/185,5.
EuroYuan(€/CNH).– Provável apreciação do yuan, após a inflação aumentar por surpresa na China, até +1,2% em abril vs. +0,9% esperado e +1,0% ant. e perante a reunião Trump/Xi Jinping. Int. est. (semana): 7,95/8,02.
04.05.2026
Bolsas: “Apoiadas pelos resultados, mas ameaçadas pelo petróleo. Emprego americano e 2 b.c. com subidas de taxas.”
:: A semana passada não foi realmente fraca, mas um descanso após 4 semanas consecutivas de subidas. A “culpa” foi do petróleo, cuja evolução foi errática, além de em alta, após os EUA e o Irão chegarem a uma espécie de ponto de bloqueio numas negociações que nem sequer é possível garantir que existam formalmente, mas cujo fluxo de notificas e desmentidos a respeito fez com que, no final da semana, o petróleo sofresse oscilações de até 10 $/b. em apenas horas. Por isso, as bolsas enfraqueceram e recuperaram depois. Foi o exemplo perfeito de como um mercado que continua a ser estruturalmente em alta está sujeito a uma elevada volatilidade nos prazos curtos (inclusive numa mesma sessão), o que continua a tornar particularmente desaconselhável tomar qualquer decisão relevante relativamente a uma posição que, insistimos, deve ser pró-rsicos e pró-bolsas… e, particularmente, pró-tecnologia e, mais ainda, pró-semicondutores após analisar os geralmente bons resultados e guias publicados, na semana passada. Como fator adicional a favor da incerteza e volatilidade nos curtos prazos, o Banco do Japão (BoJ) ameaçou abertamente, na quinta-feira, intervir no yen (e provavelmente fê-lo) para evitar que consolidasse a sua depreciação além da fronteira dos 160/$, o que foi suficiente, tendo intervindo ou não, para que recuperasse até 156,8/$ em questão de horas (183,9/€ desde quase 189/€). As reuniões dos principais 4 bancos centrais (Japão, UE, R. Unido e EUA) não acrescentaram nada realmente novo além de um tom um pouco menos brando, mais cautelosos, mas sem chegar a se duro; todos repetiram taxas de juros. E a reação das bolsas perante o anterior foi de voltar a subir até conseguirem um saldo semanal mais ou menos neutro (Wall St +0,9%; Europa -0,1%). No final, tivemos uma sessão praticamente plana, de descanso, mas não de retrocessos marcados. Consolidar não é retroceder… o que demonstra que o fundo do mercado continua a ser muito sólido.
:: :: Esta semana, por muita macro e mais bancos centrais que haja, o petróleo decidirá o desfecho. – Pelo menos enquanto os resultados corporativos 1T 2026 continuarem a ser tão bons como até agora: com ca. 65% de empresas americanas publicadas o EPS (Lucro por Ação) médio aumenta +28,8% vs. +14,4% esperado... o que proporciona um apoio firme às bolsas, inclusive apesar da incerteza geoestratégica e as dúvidas sobre inflação e taxas de juros. Na frente EUA/Irão, o passar do tempo até agora tinha jogado contra o Irão, mas pode começar a ser ao contrário, porque as eleições americanas de médio mandato serão a 3 de novembro, portanto, Trump aspirará ter este assunto resolvido, o mais tardar, em setembro. Ainda faltam 5 meses… mas são apenas 5 meses para conseguir fechar um acordo sobre Ormuz e que o petróleo comece a baixar o preço, aliviando a pressão sobre a inflação e, por extensão, sobre os bancos centrais. Assim, o petróleo continuará a ser o “fator de tensão”, enquanto os bons resultados o “fator de estímulo”. Ambos são quase as únicas situações importantes. O emprego americano será continuista. Publicam mais empresas de primeira linha (Palantir, McDonald’s…), mas parece improvável que dececionem. Contudo, as muito prováveis subidas de taxas de juros na Austrália e Noruega poderão ser interpretadas como um alerta precoce sobre a evolução das taxas de juros e isso deixaria o mercado um pouco irrequieto. Por isso, esta semana será tão volátil e insegura como a anterior, e o seu desfecho será determinado, novamente, por um petróleo errático, mas menos caro após a OPEP (ou o que resta dela) aumentar a produção em 188.000 b/d desde junho. Embora hoje, segunda-feira, seja movimento de subida.
Obrigações: “Petróleo e emprego americano.”
O petróleo continua a marcar o ritmo do mercado. O encerramento do Ormuz pressiona o seu preço e aumenta a preocupação sobre a inflação nos próximos meses. Contudo, o IPC de abril na UE não reflete efeitos de segunda ordem (taxa subjacente +2,2% vs. +2,3% em março e +2,4% em fevereiro). No plano convencional, destaca o emprego americano (sexta-feira). Se a geoestratégia o permitir, poderá servir para relaxar as rentabilidades das obrigações. A Criação de Emprego poderá moderar-se (+65k desde +178k), embora a Taxa de Desemprego permaneça em 4,3%. A nossa estratégia continua focada em obrigações de qualidade com durações curtas e médias. Os prazos curtos apresentam um binómio de rentabilidade/risco atrativo, principalmente na Europa. A curva de taxas de juros desconta duas subidas de taxas de juros este ano. Caso não ocorram, como defendemos, as rentabilidades das obrigações a curto prazo enfraquecerão enquanto o risco de aumentarem é muito baixo porque, como comentámos, a curva já as inclui. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,25%/4,40%; Bund: 2,95%/3,10%.
Moeda: “Regressa o interesse pelo dólar.”
EuroDólar (€/USD).– A geopolítica no Irão mantém vive o interesse pelo dólar como ativo-refúgio, num contexto marcado por altos preços de energia e um tom hawkish/duro da Fed, que está mais preocupada com a inflação. Esta semana, a chave será a geopolítica e o emprego americano (08/05). Int. est. (semana): 1,169/1,178.
EuroLibra (€/GBP).– Leitura menos hawkish/dura do que o antecipado pelo mercado após a reunião do BCE. Levou a um debilitamento relativo do euro vs. libra. No R. Unido, aproximam-se as eleições locais (07/05), o que pode aumentar a volatilidade da libra esta semana. Int. est. (semana): 0,860/0,874.
EuroSuíço (€/CHF).– Continuará o intervalo lateral no câmbio. A referência mais importante na Suíça será o IPC (abril). Espera-se que aumente de forma testemunhal (+0,6% vs. +0,3% ant), embora, a priori, não terá demasiado impacto. Int. est. (semana): 0,915/0,925.
EuroYen (€/JPY).– O yen continuará apoiado pela intervenção do governo. O objetivo é travar uma depreciação excessiva que pressiona o custo de vida e a estabilidade económica. Além disso, evita uma subida de taxas de juros que prejudique a economia. Int. est. (semana): 183,0/185,0.
EuroYuan(€/CNH).– Como os dados oficiais já conhecidos esta semana, os PMIs privados de abril desta semana mostraram apoio no Industrial e Serviços. Positivos, mas insuficientes para influenciar no câmbio significativamente. Int. est. (semana): 7,98/8,05.
20.04.2026
Bolsas: “Irão volta a encerrar o Estreito de Ormuz. Bolsas em baixa hoje, embora com tendência a melhorar ao longo da semana.”
:: Quando a geoestratégia parecia praticamente resolvida... Na semana passa, Israel e Líbano alcançaram também um acordo de “cessar-fogo” de 10 dias, o que permitiu a reabertura do Estreito de Ormuz, na sexta-feira à tarde. Por isso, as bolsas subiram, na semana, +2% na Europa e +5% nos EUA, a yield das obrigações moderou-se (T-Note -7 p.b. e Bund -10 p.b.) e o preço do petróleo retrocedeu -5% até 90 $/barril (Brent). As bolsas fecharam a semana passada já a níveis anteriores ao início da guerra do Irão ou até superiores, como é o caso dos EUA, que marcou novos máximos históricos.
Isto foi o mais relevante, sem dúvida. Mas não o único. Na frente empresarial, começou a temporada de resultados do 1T 2026, com um tom bastante positivo. Os bancos americanos bateram estimativas, com crescimentos de EPS de entre +17% (JP Morgan) e +32% (Morgan Stanley). Também publicaram empresas de semicondutores como ASML (EPS +17%) ou TSMC (+58%). A principal deceção foi Netflix, não tanto pelos resultados do 1T (EPS +86%), mas por guias um pouco débeis para o próximo trimestre.
:: Irão volta a encerrar o Estreito de Ormuz, embora as negociações continuem. Semana de menos a mais. - Durante o fim de semana, o Irão voltou a fechar o Estreito de Ormuz, alegando o bloqueio dos EUA aos seus navios. Hoje poderão ser retomadas as negociações em Islamabade, embora ainda não esteja claro que o Irão participe. Entretanto, regressam as ameaças de ambas as partes. Em suma, jarro de água fria que levará a um início da semana com quedas nas bolsas. De momento, os preços do petróleo sobem +6%, yield das obrigações volta a aumentar e os futuros dos EUA e da Europa vêm com quedas perto de 1%. O mais provável é que hoje percam o que ganharam na sexta-feira, embora o tom poderá voltar a melhorar ao longo da semana. Quase com total probabilidade de que se prolongará o “cessar-fogo”, que termina na quarta-feira (22). Assim, acrescentará novamente alguma tranquilidade aos mercados, que permite colocar novamente a atenção nos fundamentos, que são positivos.
O ciclo económico é ainda expansivo, tal como mostrarão os PMIs Industriais, que se manterão provavelmente acima do nível 50, que separa a expansão da contração, tanto na Europa como nos EUA; na Alemanha, o Inquérito ZEW de sentimento económico e o IFO de clima empresarial poderão deteriorar-se de forma muito moderada. Por outro lado, esperam-se Vendas a Retalho dos EUA a acelerarem (+1,4% m/m esp.) e inflações do Reino Unido e Japão a aumentarem de forma muito moderada em março, apesar do início da guerra e do aumento dos preços da energia. Pelo lado dos bancos centrais, teremos de estar especialmente atentos à presença de Kevin Warsh, candidato a presidir a Fed, que defenderá a sua candidatura no Comité Bancário do Senado com tom provavelmente “dovish/suave”.
Por último, no plano empresarial, a temporada de resultados 1T 2026 ganha tração. Publicarão 93 empresas nos EUA e 63 na Europa. Estima-se EPS +14% a/a nos EUA e +3% na Europa, e qualquer impacto da guerra sobre as guias será interpretado como conjuntural.
Em suma, esperamos uma semana de menos a mais, começando com o jarro de água fria do novo encerramento do Estreito de Ormuz e com tendência a melhorar quando o “cessar-fogo” for prolongado. Apesar da elevada volatilidade, a bolsa americana está em máximos históricos. Recordemos que a paciência e o sangue-frio valem a pena.
Obrig.: “A volatilidade continua perante os altos e baixos do processo de negociação.”
Os altos e baixos da negociação (após abertura e posterior encerramento do Estreito de Ormuz no fim de semana) continuam a ser a nota dominante e geram a continuação da volatilidade nas yields das obrigações. O petróleo bruto mantém-se abaixo dos 100 $/b., mas começa a semana com uma subida de +5,3% (anulando boa parte do corte de sexta-feira e ainda longe dos c.70 $/b. anterior ao conflito), portanto, a preocupação pela inflação continua. Em macro, esta semana teremos ZEW e IFO na Alemanha e os PMIs da UE e dos EUA. Também a publicação do IPC de março no R. Unido e Japão, onde não se esperam aumentos significativos. A volatilidade será novamente a nota dominante conforme as notícias. Reiteramos o nosso posicionamento nas secções curtas/médias da curva, onde vemos maior atrativo e risco mais moderado. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,15%/4,40%; Bund: 2,90%/3,10%.
Moeda: “Dólar recupera. Geoestratégia/macro a seu favor.”
EuroDólar (€/USD).– O recrudescimento das tensões entre os EUA e o Irão favorece o fortalecimento do dólar como ativo-refúgio. A macro também apoiará o dólar com ligeira melhoria do PMI Industrial nos EUA vs. retrocesso na UE. O previsível tom dovish//suave de Kevin Warsh (candidato de Trump a presidir a Fed) na comparência perante o Senado poderá travar um pouco os avanços do dólar. Int. est. (semana): 1,168/1,178.
EuroLibra (€/GBP).– Com autorização da geoestratégia, a chave estará nos dados: inflação de março (+3,3% a/a esp. +0,3pp; vs. +2,6% da UE) e mercado laboral. A proximidade das suas eleições locais (7/05) pode aumentar a volatilidade da libra. Int. est. (semana): 0,869/0,874.
EuroSuíço (€/CHF).– Uma melhoria progressiva do prognóstico do fim do conflito no Irão que reverta as expetativas de inflação e taxas de juros na UE apreciará o franco contra o euro. Contudo, a intervenção do SNB na divisa, caso seja necessário, apoiará o câmbio. Int. est. (semana): 0,915/0,925.
EuroYen (€/JPY).– Após uma semana perto de c.160 $/JPY, alimentando a possibilidade de uma intervenção, o mercado ignorará o suave aumento da inflação em março (+1,4% e. vs. +1,3% ant.) e a divisa adotará uma tendência lateral na semana. Int. est. (semana): 184,0/188,0.
EuroYuan(€/CNH).– O PIB 1T26 surpreende em alta, mas a procura interna continua débil e as em alta, mas a procura interna continua débil e as yields das obrigações enfraquecem. Esta semana, as taxas de juros a 1 e 5 anos repetiram em 3,00%/3,50%. Esperamos estabilidade no câmbio, dentro da tendência de depreciação do yuan. Int. est. (semana): 8,00/8,10.
13.04.2026
Bolsas: “Rutura de negociações, mantém-se a trégua. Complexidade do processo de normalização, novas tensões. Começa a temporada de resultados 1T 2026.”
:: Semana de ultimato e “desescalada” de tensão perante uma trégua, ainda frágil. A semana passada confirmou a nossa opinião de que a paciência e sangue-frio valem a pena. O acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irão, de duas semanas, após o ultimato da passada terça-feira, deu lugar a uma das reações em alta diárias mais importantes desde o início do conflito. Além disso, posteriormente, Israel mostrou disposição a negociar com o Líbano. Não é uma resolução definitiva, de facto, a fragilidade do acordo dará lugar a novos episódios de aumento de volatilidade. A semana saldou-se com uma recuperação perto de +3%/+4% nas bolsas europeias, +3,5% nas americanas. O petróleo esteve abaixo de 100 $/bbl (-12,7%), o que reduziu a pressão sobre as expetativas de inflação. Neste contexto, o dólar moderou-se (~ 1,169EUR/USD) e o ouro recuperava 4.750 (+1,9%). No plano macro, primeiros dados de inflação nos EUA, após o início do conflito, mostraram um aumento ligeiramente inferior ao esperado (+3,3% Geral; +2,6% Subjacente). A Confiança de Michigan deteriorou-se, mas a inflação a 5-10 anos esperada: +3,4% (+0,2pp). Impacto limitado, o mercado observa a médio prazo.
:: Esta semana, rutura das negociações, mantém-se a trégua. Complexidade de normalização, novas tensões. Começa a temporada de resultados 1T 2026.- El O foco continua no Estreito de Ormuz. Rotas das negociações este fim de semana, não o cessar-fogo. Os EUA começarão o bloqueio de Ormuz (15 h). Do nosso ponto de vista, a trégua marcou o início de um processo para a normalização que, dada a complexidade do contexto, não está isento de altos e baixos, como o que vimos hoje (Brent 102 $/bbl +7%). No lado geoestratégico, na Hungria, P. Magyar vence as eleições com maioria absoluta; com mensagem pró-Europa e pró-NATO. De um ponto de vista fundamental, inicia-se a temporada de resultados 1T 2026. O mercado antecipa um sólido crescimento do EPS (perto de +14% a/a na bolsa americana; +4% Europa). Esperamos um arranque com bons números em Financeiras americanas, por Banca de Investimento, trading e custo de risco, em termos gerais, estável. Destaque: Goldman Sachs (segunda-feira); Blackrock, JPMorgan, Wells Fargo e Citi (terça-feira); BoA e Morgan Stanley (quarta-feira). Em Luxo, Vendas: LVMH (segunda-feira); Kering (terça-feira) e Hermes (quarta-feira). A Tecnologia também deve confirmar um bom tom, com ASML (quarta-feira) e TSMC (quinta-feira), que já superou expetativas na antecipação dos seus números de receitas 1T2026 (+35% a/a). 1T2026 (+35% a/a). Por último, em Consumo: J&J (terça-feira) e PepsiCo e Netflix (quinta-feira). No lado macro, dois eventos destacados: (1) FMI (13-18 de abril; projeções WEO na terça-feira); (2) Livro Bege da Fed (quarta-feira; 19 h) que prepara a reunião da Fed (28-29 abril). Não antecipamos movimentos de taxas de juros, de momento. No nosso cenário central, à medida que a natureza transitória do aumento da inflação ganha visibilidade, poderá proceder a uma descida das taxas de juro na segunda metade do ano (-25 p.b. para 3,25% / 3,50%). Outros dados menos relevantes: (1) Preços Industriais EUA (terça-feira) e IPC (final) UE (quinta-feira). (2) PIB China 1T26 (quinta-feira); espera-se um aumento +4,8% a/a (desde 4,5% ant.). Em suma, a trégua temporária e as primeiras negociações, de momento interrompidas, abrem a melhoria de expetativas do fim do conflito, embora as próximas semanas não estejam isentas de novas tensões, como as de hoje, e altos e baixos. Reiteramos a nossa filosofia de investimento, já que, como temos vindo a defender desde o início, consideramos que o conflito implica um “golpe”, mas não uma involução do ciclo económico. Mantemos exposições para um ciclo que se irá manter expansivo a médio prazo, com o retrocesso progressivo da inflação no 2S de 2026 e 2027.
Obrig.: “Ligeira melhoria do tom, mas volatilidade continua.”
A semana virá marcada por: (i) renovadas tensões entre os EUA e o Irão após um fim de semana dececionante nas negociações (ii) pela evolução dos preços da energia. Os preços da energia continuam a ser o fator-chave e a sua evolução incidirá diretamente na evolução das yields das obrigações. Um alargamento do conflito elevaria as perspetivas de inflação a longo prazo, penalizando as secções longas das curvas. De facto, na semana passada já vimos um aumento da inflação em março nos EUA até +3,3% (vs. +2,4% anterior). Num contexto que consideramos ainda de aversão ao risco, acreditamos que a estratégia mais adequada em obrigações continua focada em manter durações baixas, posicionando-nos em secções curtas/médias da curva (intervalo 3-5 anos), onde consideramos que as rentabilidades são suficientemente atrativas e o perfil de risco um pouco mais moderado. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,20%/4,45%; Bund: 2,90%/3,15%.
Moeda: “Dólar volátil com tendência depreciatória.”
EuroDólar (€/USD).– O dólar continua sujeito à tensão no Irão, especialmente perante as escassas referências macro esta semana. Após o ponto de inflexão na semana passada, o previsível é que as expetativas do fim do conflito melhorem, apesar do aumento de tensão como o que vivemos hoje. O dólar continuará a tendência depreciatória, não isento de volatilidade. Int. est. (semana): 1,155/1,187.
EuroLibra (€/GBP).– O foco continua na geoestratégia. A tendência é depreciatória para a libra devido à maior dependência energética do R. Unido. Se não houver notícias na frente militar esta semana, o mais provável é que predomine a lateralidade no câmbio. Int. est. (semana): 0,869/0,874.
EuroSuíço (€/CHF).– Preços de Produção e Importação deverão confirmar pressões deflacionistas, o que retiraria apoio ao franco. Contudo, enquanto o conflito com o Irão manter elevada a vontade por refúgio, o impacto de uns dados débeis será limitado. Int. est. (semana): 0,91/0,93.
EuroYen (€/JPY).– O mais provável é que o yen tenda a recuperar terreno esta semana. A recente depreciação poderá despertar novamente os rumores sobre uma possível intervenção do câmbio. Int. est. (semana): 185,8/187.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana será publicado o PIB 1T26 na China, que poderá ser um pouco melhor do que o esperado (+4,8% est. vs. +4,5% ant.), o que impulsionaria o yuan. Int. est. (semana): 7,90/8,05.
30.03.2026
Bolsas: “Espera tensa. Semana de 4 dias. A guerra decidirá a evolução do mercado. Inflação europeia e emprego americano.”
Semana passada errática, evoluindo de ameaças entre EUA e Irão. Terminamos a semana sem clarificação se ambas as partes estão ou não a negociar. Essa confusão derivada da geoestratégia e, particularmente, da guerra no Irão, resultou em bolsas em ziguezague, com 2 dias de subidas e 3 de quedas, embora com um saldo líquido negativo apenas na frente americana (Wall St. ca. -1,3%), já que a Europa conseguiu subir por pouco (+0,1%). Esta assimetria deveu-se a algo que aconteceu na sexta-feira à tarde: vazaram informações sobre o desenvolvimento do modelo Mythos/Capybara de Anthropic, com “capacidades muito superiores em programação, raciocínio e tarefas de cibersegurança” segundo a própria empresa, o que provocou o rápido castigo às empresas de cibersegurança (Palo Alto, SentinelOne, Okta, CrowdStrike…) e isso contagiou a tendência em geral. E, como o mercado americano tem muita mais tecnologia do que o europeu, é também mais castigado. Na semana passada o mercado sofreu pela incerteza e confusão sobre a guerra no Irão e pelas dúvidas sobre o impacto da IA na cibersegurança, mas também por mais suspensões e/ou limitações de reembolsos por parte de gestoras globais de Private Equity de crédito (UBS suspendeu reembolsos durante 3 anos de um fundo imobiliário, enquanto Apollo limitou a 5% perante pedidos de reembolsos por 11,2%). Em suma, ativaram-se simultaneamente os 3 riscos vivos desde dezembro de 2025 identificados como principais para 2026 (geoestratégia, IA e Private Equity), portanto demasiado bem aguentaram as bolsas considerando esta circunstância.
Esta semana será de tensa espera porque a “prorrogação da prorrogação” sobre o Irão expirará na segunda-feira, 6 de abril. - Esta semana será de tensa espera porque a “prorrogação da prorrogação” sobre o Irão expirará na segunda-feira, 6 de abril. E Trump afirma que os novos líderes iranianos são “muito razoáveis”, mas prepara tropas para uma operação terrestre que seria muito arriscada. Esta semana deverá ser de manobras e retirada até haver informação clara. Entramos numa fase de convivência tensa com a incerteza sobre a guerra no Irão, até que aconteça ou se possa prever o seu desfecho. E, em paralelo, a confusão sobre o impacto da IA (reativa desde sexta-feira sobre a cibersegurança, em particular) e algum nervosismo em relação ao Private Equity de crédito. O mercado não gosta de tempos lentos nem de períodos de incerteza longos. E menos ainda se três incertezas de certo peso coincidem. Essa coincidência deverá ter como resultado uma situação de semi-bloqueio de bolsas e obrigações durante uma semana que também terá menos um dia de funcionamento de mercados, visto que é feriado na sexta-feira tanto os EUA como a Europa (em em alguns países/regiões também a quinta ou segunda-feira). Isso permite pensar que será uma semana de pouca atividade e com uma sensação de desorientação, em que nos preocuparemos mais em não cometer erros do que em acertar. Porque não se pode aspirar a acertar realizando algum movimento concreto quando a informação é confusa e insuficiente… tanto sobre a evolução da guerra no Irão como sobre o impacto efetivo da IA e sobre o alcance real das tensões no Private Equity. Na frente convencional, aquela sobre a qual se podem realizar estimativas com alguma probabilidade de acerto, temos a inflação na Europa (Alemanha, França, UE) hoje e amanhã, enquanto o emprego/desemprego nos EUA será a partir de amanhã e até sexta-feira. Nesse dia sairão os dados mais influentes (Taxa de Desemprego e Criação de Emprego), mas não influenciarão simplesmente porque nesse dia o mercado estará fechado. A inflação europeia importa agora especialmente para avaliar o primeiro impacto do encarecimento do petróleo, permanecendo como referência objetiva na que mais nos fixaremos esta semana. Contudo, embora saia menos má do que o esperado, é inevitável que aumente e isso não ajudará nada um mercado de tensa espera, preocupado e mais predisposto a controlar o risco do que a aumentá-lo. Por isso, tememos uma semana de enfraquecimento de bolsas em “modo espera”.
Obrig.: “IPC europeus e emprego EUA, mas chave no Irão.”
Na metade da trégua oferecida pelos EUA ao Irão, o mercado entra em modo de “espera tensa”. O petróleo continuará a marcar a evolução das obrigações. Qualquer sinal de suavização do conflito reduziria o receio de uma aceleração persistente da inflação e moderaria as rentabilidades das obrigações. Mas aconteceria o contrário se ocorrer uma escalada de tensão. No plano convencional, destacam-se as inflações de Alemanha, França e UE. Irão subir, mas poderão surpreender ao avançar menos do que o esperado, como em Espanha (+3,3% vs. +3,5% est. e +2,3% ant). Mas até nesse cenário os dados poderão ser recebidos com algum ceticismo. O mercado dá por garantido uma deterioração nos resultados e, caso não ocorra, assumirá que o impacto em alta simplesmente se adia. Nos EUA, o emprego será a chave a vigiar, mas o seu impacto será reduzido, porque a Taxa de Desemprego permanecerá estável. Nesse contexto, e numa semana semifestiva, o lógico é esperar que o Bund e o T-Note se movam dentro do seu intervalo recente. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,30%/4,50%; Bund: 2,95%/3,15%.
Moeda: “Dólar apreciado: geopolítica e mercado laboral estável.”
EuroDólar (€/USD).– As tensões geopolíticas favorecem a força do dólar. Um maior preço do petróleo impulsiona o dólar via ativo-refúgio e o diferencial de crescimento EUA vs. Europa. Além disso, esta semana veremos uma débil procura de emprego nos EUA, mas sem deterioração do desemprego, já que a oferta se reduz em paralelo. O possível aumento do IPC na Europa terá um impacto limitado. Int. est. (semana): 1,147/1,157.
EuroLibra (€/GBP).– Com o foco nos preços, os IPC da UE ganham especial relevância. O mercado já desconta aumentos de inflação, portanto o risco está em superarem o esperado. Se não houver notícias positivas do Irão, a libra voltará a apreciar-se ligeiramente. Int. est. (semana): 0,861/0,871.
EuroSuíço (€/CHF).– O aumento da inflação na Zona Euro foi descontado, mas se é maior do que o esperado e não nos chegam boas notícias do Médio Oriente, a semana deverá ser apreciatória para o franco vs. euro. Int. est. (semana): 0,90/0,92.
EuroYen (€/JPY).– O BoJ mantém um tom duro pelo risco de inflação, cresce a especulação sobre uma intervenção após o yen cair abaixo do nível psicológico de 160 vs. dólar e o mercado de obrigações desconta uma subida de taxas de juros que poderá chegar em abril. Int. estimado (semana): 183,4/184,4.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana são publicados dados de atividade na China que serão um pouco melhores (PMI Ind. >50, expansão), o que poderá favorecer uma ligeira apreciação do yuan. Int. est. (semana): 7,89/7,96.
23.03.2026
Bolsas: “Hoje, mercado abalado. Golpe, mas não de crise. A estabilização está próxima, mas não tanto… a menos que haja campanha militar terrestre.”
:: Na semana passada nenhum banco central assustou o mercado, mas a extensão dos ataques a fábricas de produção de gás e petróleo sim. 8 dos 10 bancos centrais que se reuniram mantiveram as taxas de juros. Os 2 que realizaram movimentos (Austrália com uma subida e o Brasil com uma descida) fizeram-no para responder às singularidades das suas respetivas económicas, daí não terem influenciado. Os 8 restantes transmitiram mensagens tão prudentes para não assustar, como indefinidas para não se comprometerem como uma avaliação das consequências da guerra no Irão. Mas, pelo menos, não dificultaram a situação. O BCE reviu em alta as suas estimativas de inflação para 2026 (+2,6% vs. +1,9%) e em baixa as de crescimento (+0,9% vs. +1,2%). Poderíamos dizer que são mais “ajustes finos” e não uma mudança de cenário. E, surpreendentemente, a Fed reviu em alta as suas estimativas de crescimento (PIB 2026/27/28: +2,4% vs. +2,3%; +2,3% vs. +2,0%; +2,1% vs. +1,9%), num contexto de inflação esperada apenas um pouco pior (PCE 2026/27/28: +2,7% vs. +2,4%; +2,2% vs. +2,1%; +2,0% vs. +2,0%). Foi um desenvolvimento bom comparado com o que a lógica convidava a esperar.
Israel atacou e danificou o campo de gás natural South Pars, partilhado pelo Irão e Catar, que é o maior do mundo (17% do total), portanto, o petróleo Brent chegou quase até 120 $/bp, mas depois enfraqueceu até ca.110 $/bp (+1,2%) quando, pressionado pelos Estados Unidos, Israel se comprometia a não atacar mais as infraestruturas energéticas. Mas o dano já estava feito, portanto as bolsas retrocederam entre quarta e sexta-feira, após terem subido na segunda e terça-feira.
:: Esta semana o mercado arranca semi-abalado pela intensificação da guerra no Irão. - Por isso, arrancamos esta semana com fortes quedas nas bolsas asiáticas (Japão e China -3,5%; Coreia -6,5%...) e elevação das yields das obrigações, ca.+15/20 p.b. como tom geral. A escalada da guerra no Irão nas úlimas horas é responsável por isso, com represálias e contrarrepressálias numa guerra completamente aberta que só terminará com a neutralização militar absoluta do Irão. A parte menos má é que o USD se aprecia algo muito razoável, sem transmitir sensação de pânico (1,153/€) e o yen depreciou-se até quase 160/$, mas sem atravessar essa fronteira. E o petróleo Brent sobe até 113 $, mas isso não é grande coisa, tendo em conta as circunstâncias. Quando a guerra na Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, chegou a 130 $.
O Irão perderá, mas, enquanto a perde e se demonstra que o petróleo voltará a ser transportado pelo Estreito de Ormuz com relativa fluidez, embora mais caro (90 $ quando terminada a guerra?) e com mais tensões, esta fase intermédia de plena guerra colocará os preços dos ativos (bolsas e obrigações) francamente atrativos, em “modo oportunidade”. Entramos na quarta semana da guerra e o mercado já exige com alguma ansiedade um ponto claro da situação em relação aos objetivos alcançados (neutralização absoluta das capacidades militares do Irão?) assim como alguma orientação sobre a provável evolução dos acontecimentos, particularmente em relação ao petroleo. Sem isso, é improvável que o tom melhore. Trump precisa de chegar às eleições de meio mandato de novembro com este assunto resolvido; isto é, petróleo pagável, inflação a moderar-se depois de aumentar talvez até ca. +5% e bolsas a subirem. Por isso, o final chegará rapidamente, embora menos do que o que parecia. Enquanto isso, o nervosismo é uma má ideia, porque a recuperação posterior do mercado será rápida e podemos deixá-la escapar.
Só uma hipotética ação anfíbia de desembarque com operações em terra (Ilha de Kharg?) elevaria o risco substancialmente e isso poderá forçar-nos a mudar a nossa estratégia. Porque, parafraseando Keynes: “Se as circunstâncias mudarem, também a nossa opinião poderá mudar”. Mas isso é improvável. O controlo com meios navais do petróleo na sua saída pelo Golfo de Omã é a estratégia mais inteligente para asfixiar financeiramente o regime sem assumir riscos militares elevados. E também a mais provável.
Continuamos inclinados para um desfecho relativamente rápido (mais 1 ou 2 semanas da ação militar dura) e não mais destrutivo para o petróleo.
Obrig.: “Indicadores adiantados refletirão o dano no ciclo.”
Preços da energia continuam a ser o fator diretor. Enquanto não se relaxarem, é improvável que as yields das obrigações o façam. Um alargamento do conflito elevaria as perspetivas de inflação a longo prazo, penalizando as secções mais longas da curva. Nos EUA também se somaria a um maior esforço fiscal pela despesa militar. Não é o nosso cenário central, mas é um risco que impedirá uma recuperação do mercado e uma moderação da volatilidade. Os b.c. reviram em alta as suas previsões de inflação 2026, mas mantêm expetativas de crescimento ainda saudáveis, inclusive superiores no caso da Fed. Esta semana, os indicadores adiantados refletirão o dano que a guerra poderá fazer no ciclo económico. Só uma deterioração acentuada destes poderá dar um balão de oxigénio às curvas, especialmente nas secções longas, mas o razoável é que as obrigações se mantenham pesadas e com volatilidade elevada até maior visibilidade de resolução da guerra. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,30%/4,34%; Bund: 2,90%/3,10%.
Moeda: “Dólar fortalecido: geopolítica e indicadores de confiança.”
EuroDólar (€/USD).– Enquanto o risco geopolitico e energético continuar presente, a tendência será favorável para o dólar. Qualquer aumento do preço do petróleo impulsiona o dólar via ativo refúgio e pelo diferencial de crescimento entre os EUA e a Europa. Além disso, a esperada deterioração nos indicadores adiantados e de confiança na UE que veremos esta semana (Conf. Consumdior, IFO, PMI Industrial) não ajudarão o euro. Int. est. (semana): 1,148/1,158.
EuroLibra (€/GBP).– O IPC britânico será irrelevante. É de fevereiro, anterior ao Irão. A chave está nos indicadores adiantados e intermédios, mas moderar-se-ão tanto na UE como no R. Unido. O lógico é que o câmbio mantenha a sua atual tendência lateral. Int. est. (semana): 0,861/0,871.
EuroSuíço (€/CHF).– Esta semana, o franco continuará a exercer o seu papel como ativo-refúgio. Além disso, as referências macro na UE, que já receberão o impacto do conflito, não fortalecerão o euro (PMI e Conf. Consumidor). Estimamos uma apreciação do franco contra o euro. Int. est. (semana): 0,899/0,912.
EuroYen (€/JPY).– Esta semana, a referência mais relevante no Japão será o dado de inflação (terça-feira) que se espera que repita em +1,5%. Se não houver surpresas no dado (e uma vez passadas as reuniões do BoJ e BCE), esperamos uma semana de tendência lateral no câmbio euro/yen. Int. est. (semana): 183,7/184,1.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana são publicadas referências de Confiança do Consumidor e PMIs na Europa, que prevemos que serão débeis, o que poderá propiciar um debilitamento do euro. Int. est. (semana): 7,82/8,10.
16.03.2026
Bolsas: “Semana fundamental para a guerra no Irão. Reuniões de 10 bancos centrais. Dificuldade não significa crise. Fraco até se saber algo mais.”
A semana passada foi fraca, mas não má, nem de crise. O mercado aguentou estoicamente a incerteza e a ausência de notícias fiáveis e construtivas sobre a guerra no Irão. Isso já é muito. A Europa até conseguiu subir um pouco e os retrocessos em Wall St. (ca.-1,5%) foram perfeitamente encaixáveis para um mercado com problemas. De facto, os semicondutores subiram quase +2%. E as yields das obrigações não se elevaram excessivamente. Tenso, mas não mau.
Esta semana será decisiva para a guerra no Irão e haverá reuniões de 10 bancos centrais. A pior informação é nenhuma. E a primeira vítima na guerra é a verdade. Como afirmou Helmuth von Moltke, estratega militar do século XIX: “Nenhum plano de batalha resiste ao primeiro contacto com o inimigo”. Por isso, esta semana, a terceira da guerra no Irão, é determinante: deveríamos ter, embora fosse final de semana, informações fiáveis sobre os resultados práticos da campanha militar.
Os objetivos geoestratégicos prioritários são 2: (i) neutralizar militarmente o Irão e (ii) garantir que o seu governo não se reconstruirá como uma ameaça. Esta semana deveremos saber se o primeiro objetivo foi alcançado, conscientes de que o segundo é o mais complicado. É provável que, no final da semana, o Irão já não tenha meios militares para continuar uma guerra convencional. Se isto se confirmar, o tom do mercado melhoraria rapidamente. Não implicaria uma mudança para melhor definitiva, mas um alívio de curto prazo nada depreciável. O receio agora, relativamente estendido, é que a guerra se complique e prolongue. O segundo objetivo – que o novo governo não implique uma ameaça futura é difícil de alcançar, porque a Guarda Revolucionária é uma espécie de exército paralelo que controla o país e se financia com o petróleo. Por isso, o mais eficaz para controlar as ações de qualquer que seja o governo será controlar o petróleo com o qual se financia a Guarda Revolucionária. E para isso poderá estar a ser considerar seriamente controlar militarmente a Ilha de Kharg ou Jark, a uns 25 km da costa iraniana e a partir da qual o Irão embarca ca. 90% das suas exportações de petróleo. Isto é, controlar o petróleo iraniano se não for possível controlar o seu governo. Mas a ação militar seria muito arriscada por se tratar de uma ilha próxima à costa iraniana e exigir a tomada de posições de forças terrestres, provavelmente mediante uma operação anfíbia desde o interior do Golfo Pérsico… que, hipoteticamente, poderá converter-se numa ratoeira. Por isso, considerando a magnitude deste risco, o desfecho mais provável consistirá na absoluta neutralização das capacidades militares iranianas e do seu programa nuclear, exercendo um controlo férreo naval das suas exportações de petróleo, renunciando conseguir um governo “voluntariamente colaborativo”. Isto é realizável, mas caro, porque exigirá a permanência a longo prazo de uma força naval relevante na zona. Mas o mercado agradeceria um desfecho deste tipo. Na frente convencional, o único relevante dos 10 bancos centrais que se reúnem esta semana (Austrália amanhã, Canadá, Brasil e Fed na quarta-feira; BCE, BoE, BoJ, Suíça e Suécia na quinta-feira; China na sexta-feira) será comprovar até que ponto se atrevem a alertar sobre uma inflação superior e um crescimento mais débil. Porque quase todos repetirão taxas de juros (Austrália irá subir, e talvez o Brasil faça uma descida). Em suma, semana provavelmente tão fraca como a passada, mas de forma alguma de crise. Retrocessos absolutamente assumíveis, não graves. Talvez hoje suba um pouco. E, se no final de semana se proporcionar informação fiável sobre o resultado prático da campanha militar e esta for razoavelmente boa, o mercado subiria um pouco.
Obrigações: “B.c ajudarão a calibrar expetativas de taxas.”
O conflito do Irão intensifica-se, levando o preço do petróleo bruto (Brent) >100 $. Reacende os receios de inflação e pressiona as yields das obrigações ao longo da curva, especialmente as secções longas. Nos Treasuries: 2A +16 p.b. (3,72%), 10A +14 p.b. (4,28%), 30A +15 p.b. (4,90%). Na Europa, Bund 2A +13 p.b. (2,44%), 10A +12 p.b. (2,98%), 30A +11 p.b. (3,53%). Os prémios dos periféricos mantêm-se relativamente estáveis. Esta semana, há carrossel de bancos centrais. Exceto Austrália, que já tem vindo a subir taxas de juros, espera-se que todos se mantenham em pausa até haver mais visibilidade sobre o alcance da guerra no Irão sobre a inflação e crescimento. O BCE e a Fed atualizam previsões macro, que acrescentarão informações sobre o seu nível de preocupação. Em todos os casos, o determinante serão as mensagens que transmitam, que servirão para recalibrar expetativas de taxas de juros que, na nossa opinião, de forma errónea, têm-se inclinado para um endurecimento excessivo das políticas monetárias. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,20%/4,35%; Bund: 2,80%/3,10%.
Moeda: “Dólar fortalecido pela Fed e geopolítica.”
EuroDólar (€/USD).– O choque energético motivado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz reacendeu os receios inflacionistas e dificulta os esperados cortes da Fed, que não tocará nas taxas na reunião de quarta-feira; e Powell certamente utilizará um tom hawkish na sua comparência, o que favorecerá o fortalecimento do dólar. Também ajudará ao dólar o seu papel como ativo refúgio durante o conflito. Int. est. (semana): 1,139/1,149.
EuroLibra (€/GBP).– A libra provavelmente irá manter-se apreciada pelo choque energético e sem grandes contribuições dos bancos centrais. O BoE irá manter as taxas em 3,75%, limitando-se, no máximo, a alertar para os riscos da guerra sobre a inflação e crescimento. Int. est. (semana): 0,858/0,868.
EuroSuíço (€/CHF).– Semana sem referências macro na Suíça e, portanto, marcada pela reunião do SNB (Q), onde se espera que repitam taxas de juros em 0,0%. Se não houver surpresas, não deverá ter impacto excessivo na divisa e esperamos uma semana de tendência lateral. Int. est. (semana): 0,899/0,908.
EuroYen (€/JPY).– O yen permanecerá apoiado. O governo japonês afirma estar preparado para intervir e travar a depreciação da sua divisa enquanto o BoJ manterá taxas em 0,75%. O importante será a sua mensagem, que será cautelosa num contexto geoestratégico incerto. Int. est. (semana): 181,7/183,1.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana não estimamos grandes mudanças no câmbio de divisas. O PBOC manterá taxas em 3,00%/3,50% e o BCE em 2,00%/2,15%. Int. est (semana): 7,82/8,10.
09.03.2026
Bolsas: “Estabilização como cenário mais provável. O petróleo é o fator diretor. Ninguém ganha com um conflito prolongado.”
:: A geoestratégia foi a chave na semana passada, e o encerramento do Estreito de Ormuz o fator determinante. Acelerou as subidas no petróleo (+28% Brent/+36% WTI na semana) e gás (+67%), prolongando o receio de um aumento da inflação que poderá obrigar os bancos centrais a manter políticas monetárias mais restritivas do que o inicialente esperado. De pouco serviram os anúncios dos EUA para intervir no mercado de futuros sobre o petróleo bruto ou a sua proposta de proteger os navios petroliferos no Estreito de Ormuz. A reação em ativos de risco foi imediata e negativa. As bolsas europeias, mais sensíveis à energia, -6,7%, e as americanas -2,2%. As obrigações, longe de proteger, caíram penalizadas pelos fortes aumentos de rentabilidades (Bund +21 p.b. e T-Note +20 p.b.). O dólar foi um vencedor claro (+1,7%), retirando as dúvidas recentes sobre o papel como ativo-refúgio. Os bons resultados e guias e Broadcom e o debilitamento do emprego americano passaram despercebidos.
:: Manter o sangue-frio é complicado em momentos de incerteza elevada, mas o retorno compensa quando os fundamentos são construtivos. É difícil defender uma mudança das políticas monetárias do BCE ou da Fed para tentar combater um aumento de preços derivado de um choque de oferta. Uma política monetária restritiva resolveria pouco ou nada. Além disso, esse cenário ignora o impacto negativo sobre o ciclo economico que ocorreria num aumento sustentado dos preços da energia, que tampouco contemplamos de momentos. Parece razoável esperar que o conflito no Irão se prolongue, no pior dos casos, algumas semanas, mas não meses, e muito menos um agravamento estilo Rússia-Ucrânia. Entre outras coisas, pelas consequências práticas para a política interna dos EUA. Não parece uma estratégia inteligente para o atual governo americano aproximar-se das eleições de meio mandato (novembro) com o preço da gasolina (+14% na semana passada) em níveis elevados. O Irão tampouco sairá beneficiado, porque a sua economia depende das exportações de petroleo pelo Estreito de Ormuz e a China, o seu principal aliado, pressionará para libertar essa rota, por recebe 50% das suas importações de petróleo bruto. No plano convencional, IPC americano (+2,4% est., sem alterações), que será publicado na quarta-feira, e o Deflator do Consumo Pessoal (+2,9%, sem alterações), na sexta-feira. No contexto atual, qualquer dado sobre preços será analisado com atenção. Ganha, também, relevância porque serão publicados antes da reunião da Fed (18 de março), que incorporará uma atualização do diagrama de pontos e quadro macro. Igual à reunião do BCE, um dia depois. Qualquer registo superior ao estimado aumentará as preocupações sobre os preços e as futuras decisões dos bancos centrais. Mas ficariam totalmente ofuscados pela mais mínima sugestão de uma negociação para estabilizar o conflito ou um acordo energético, que favoreceria todos os envolvidos. O preço do petróleo é o facto diretor no contexto atual. Por isso, os resultados de Oracle (amanhã) e de várias empresas de software ao longo dos próximos dias (Adobe, SentinelOne ou Rubrik) passarão despercebidos. Mas analisar os seus resultados será relevante para calibrar o impacto da IA nos seus negócios. Hoje, as bolsas cairão. O petróleo sobe +15%, aproximadamente. A nomeação do filho de Khamenei como novo líder supremo no Irão é interpretado como um desafio para os EUA, e faz temer um agravamento do conflito. O golpe de hoje é lógico. O mercado mover-se-á ao som das notícias desde o Irão, mas se acontecer o que consideramos mais provável e o conflito não se prolongar muito mais, o razoável é esperar uma estabilização do mercado ao longo da semana. Por isso, insistimos que as quedas das bolsas oferecem oportunidades de entrada a melhores preços nos setores que temos vindo a recomendar: defesa, semis, bancos, utilities, infraestruturas ou petróleo…
Obrigações: “Conflito no Irão continuará a marcar a direção.”
O fluxo de notícias que chegam do Médio Oriente continuará a marcar o pulso do mercado. O cenário central é que o conflito dure semanas, não meses, porque o alargamento não beneficia ninguém. Aos EUA, um aumento sustentável da inflação penalizaria o crescimento e impediria novos cortes de taxas de juros por parte da Fed a escassos meses das eleições de meio mandato. Ao Irão, pela falta de receitas para financiar o seu regime e exército. Quando finalizada, o prémio de risco irá desaparecer a as yields irão recuperar os seus níveis anteriores, inclusive inferiores ao início. Na frente convencional, teremos dados de inflação nos EUA. O IPC de fevereiro cobra especial relevância neste contexto, onde a atenção se foca nos preços. Com isso, é razoável que esta semana as obrigações se mantenham pesadas e com alta volatilidade até terem um panorama mais claro do conflito iraniano. Int. (semanal) est.: T-Note: 4,05%/4,30%; Bund: 2,80%/3,00%.
Moeda: “Regressa o interesse pelo dólar.”
EuroDólar (€/USD).– A guerra no Irão reavive o interesse pelo dólar como ativo-refúgio num contexto marcado pelos altos preços da energia, subidas na rentabilidade/yield das obrigações e uma macro americana que evolui positivamente. Esta semana, a chave está na geopolítica e no Indicador de preços favorito da Fed (Deflator do Consumo/PCE, na sexta-feira). Int. est. (semana): 1,148/1,158.
EuroLibra (€/GBP).– Um alargamento do choque energético, junto com um bom dado de PIB no R. Unido, deverá levar a uma semana em alta para a libra. Int. est. (semana): 0,870/0,860.
EuroSuíço (€/CHF).– Enquanto o conflito no Médio Oriente durar e intensificar-se, o franco continuará fortalecido, atuando como ativo-refúgio. Além disso, os dados macros da semana não ajudarão o euro, com uma deterioração esperada no Indicador de Confiança Sentix (-3,0 vs. +4,2 ant). Int. est. (semana): 0,892/0,902.
EuroYen (€/JPY).– O BoJ reúne-se na próxima semana (Q) e, com a atual incerteza geopolítica internacional, as mensagens poderão ser um pouco mais dovish/suaves. Neste contexto, o Yen poderá continuar esta semana na atual tendência lateral/depreciatória. Int. est. (semana): 181,5/184,0.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana, estimamos uma depreciação do yuan, pela tensão em alta na guerra no Irão e pelo aumento do preço do petróleo, o que impacta diretamente ao ser importador líquido. Int. est. (semana): 7,95/8,10.
02.03.2026
Bolsas: “Golpe, mas não drama: estimamos petróleo +5%/+8%, ouro +2%/+4%, bolsas -1%/-3%. Comprar caso não escale.”
:: O sucedido na semana passada importa pouco, porque a geoestratégia é o fator determinante após a intervenção militar sobre o Irão. Não obstante, o mais relevante foi que Nvidia publicou resultados do 4T 2026 na quarta-feira, no fecho americano, batendo expetativas (EPS 1,62 $ +82% a/a vs. 1,53 $). Mas caiu severamente na quinta (-5,5%) e sexta-feira (-4,2%) porque o mercado continua a ser demasiado exigente com a empresa e qualquer resultado parece pouco, principalmente num contexto de mercado em que os preços já não parecem tão atrativos. Continuamos a defender que este tipo de retrocessos em semicondutores – e particularmente Nvidia – representam bastantes oportunidades para comprar qualidade a preços mais atrativos, se analisado com uma perspetiva não imediata. A semana, no seu conjunto e de uma perspetiva global, não foi má, mas medíocre. E, depois, no sábado, a intervenção sobre o Irão mudou tudo.
:: Intervenção militar sobre o Irão. Será um golpe de incerteza, mas não um drama de mercado. Comprar nas quedas, porque o risco vale a pena. Não partilhamos as estimativas de um impacto severo e profundo sobre o mercado vistas nos meios de comunicação generalistas. Estimamos um impacto limitado e passageiro que se irá suavizar ao longo da semana, de forma que, analisando com uma perspetiva de investimento a não curto prazo, defendemos que em breve teremos circunstâncias para comprar (boas empresas, fundos de investimentos, ETFs, etc.) a preços mais atrativos agora que, precisamente, os preços começavam a ser menos atrativos. Recomendamos comprar nas quedas e manter o sangue-frio. Portanto, estimamos para as principais classes de ativos como aproximação para as primeiras horas de mercado: petróleo +5%/+8%, ouro +2%/+4%, compra de obrigações não violenta (isto é, redução das suas yields, digamos, até: Bund 2,60% vs. 2,65% sexta-feira; 3,90% vs. 3,95%...), USD a apreciar-se um pouco (1,170/€ vs. 1,181/€) e bolsas a sofrerem ligeiros retrocessos, mas não severos (-1%/-3%?).
:: Embora o protagonismo absoluto corresponda à geoestratégia, esta semana também temos resultados 4T’26 de Broadcom (quarta-feira) e Emprego americano (sexta-feira).- A temporada de publicação de resultados 4T 2026 está a terminar com um saldo bastante positivo: EPS na Europa +2,1% vs. -4,0% esperado e 15,0% vs. +8,8% nos EUA. Broadcom é das poucas empresas de primeira linha que ainda não publicou e irá fazê-lo no fecho de Nova Iorque, na quarta-feira (EPS 2,03 $; +26,7%). Deverá bastar que cumpra essa expetativa para que o mercado encaixe positivamente, mas poderemos reviver algo parecido com o que aconteceu a Nvidia na semana passada: bons resultados e boa reação inicial, mas receção fria. Num momento em que a geoestratégia domina o mercado, parece mais provável uma receção fria e difícil, mesmo que bata expetativas. Se for esse o desenvolvimento, insistiríamos, como fizemos depois de Nvidia publicar, que se trataria de uma oportunidade de compra a preços mais atrativos. Em relação ao Emprego americano (sexta-feira), perde relevância face à geoestratégia, portanto os resultados são quase indiferentes. Em suma, estimamos petróleo +5%/+8%, ouro +2%/+4%, compra de obrigações não agressiva, USD para 1,170/€ e bolsas a sofrerem ligeiros retrocessos, mas não severos (-1%/-3%?). Recomendamos sangue-frio e comprar nas quedas… principalmente semicondutores, petrolíferas, defesa, infraestruturas e até bancos.
Obrigações: “A geoestratégia assume o protagonismo.”
A intervenção militar dos EUA-Israel no Irão tem toda a atenção e o mais provável é que favoreça um movimento de risk-off por aumento de prémio de risco geoestratégico. Isto deverá levar a um aumento do preço nas obrigações (yields em baixa), apesar do aumento de preços do petróleo. E isto será o mais importante, pelo menos até sexta-feira, quando forem publicados os dados de emprego nos EUA (Criação de Emprego Não Agrícola e Taxa de Desemprego). Ajudarão a discernir se o bom dado de janeiro foi um ponto de inflexão ou algo isolado, orientando o mercado para um ritmo mais ou menos acelerado de descidas de taxas de juros da Fed. Int. (semanal) est.: T-Note: 3,90%/4,20%; Bund: 2,60%/2,80%.
Moeda: “Uma escalada no Irão fortalecerá o dólar.”
EuroDólar (€/USD).– O comportamento do dólar dependerá do quanto o conflito com o Irão escalar. Após os ataques de junho de 2025, ao ser um conflito “breve”, o dólar depreciou-se cerca de 1%, mas se desta vez o choque energético se agravar, com um encerramento prolongado do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, o dólar deverá apreciar-se pelos EUA serem um país exportador líquido de petróleo bruto. Int. est. (semana): 1,1810/1,850.
EuroLibra (€/GBP).– Após a vitória da oposição nas eleições parciais, a libra deprecia-se perante uma possível ameaça do futuro de Starmer. Esta semana, esperam-se dados macro continuistas em ambas as geografias. A libra adotará uma tendência lateral depreciatória. Int. est. (semana): 0,870/0,880.
EuroSuíço (€/CHF).– A intervenção militar no Irão por parte dos EUA e Israel favorece o papel como refúgio do franco, que se aprecia vs. o euro. Neste contexto, o câmbio ignorará um IPC suíço que poderá moderar-se (0,0% desde +0,1%) enquanto o europeu se estabiliza (+1,7%). Int. est. (semana): 0,892/0,912.
EuroYen (€/JPY).– Semana de poucas referências macro relevantes. As mensagens de Takaichi sobre maior laxismo fiscal (com objetivo de impulsionar o crescimento) continuam a pesar no yen. Assim, para esta semana, esperamos que continue a tendência depreciatória. Int. est. (semana): 183,5/185,0.
EuroYuan(€/CNH).– Esta semana serão publicados os PMIs. Espera-se uma ligeira queda no componente industrial, embora uma ligeira melhoria no de serviços. Este equilíbrio deverá provocar um movimento lateral no câmbio de divisas ao longo da semana. Int. est. (semana): 8,00/8,10.