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12 livros para ler (ou reler) nestas férias
09.08.2024
Escrito por: Ideias que Contam
Explore as nossas sugestões e descubra histórias inesquecíveis que certamente enriquecerão o seu tempo de férias. Companheiras ideais para qualquer viagem ou tarde soalheira, esteja à beira-mar, no campo ou mesmo na varanda ou terraço da sua casa.
Com o verão, os dias mais longos e a chegada das férias, muitos procuram um bom livro para desfrutar nos momentos de descanso. Seja para mergulhar em histórias emocionantes, aprender algo novo ou simplesmente relaxar, a literatura oferece uma infinidade de opções. Aqui destacamos alguns lançamentos recentes, obras premiadas em 2023, textos de leitura rápida, bem como clássicos imperdíveis, que prometem cativar leitores de todos os gostos e um tempo bem passado.
Lançamentos recentes
VEMO-NOS EM AGOSTO
Dom Quixote, 2024
Dez anos após o seu desaparecimento, Gabriel García Márquez volta a ser notícia por causa de um livro. Um inesperado romance inédito do grande escritor colombiano teve lançamento mundial em março deste ano. Escrito no estilo inconfundível do Prémio Nobel de Literatura de 1982, Vemo-nos em Agosto é um hino à vida, à resistência do prazer apesar da passagem do tempo e ao desejo feminino. Um presente inesperado de um dos melhores escritores que o mundo já conheceu.
Todos os anos, a 16 de agosto, Ana Magdalena Bach apanha o ferry que a leva até à ilha onde a mãe está enterrada, para visitar o seu túmulo. Estas viagens acabam por ser um convite irresistível para se tornar uma pessoa diferente durante uma noite por ano. Casada e feliz há vinte e sete anos, não tem motivos para abandonar a vida que construiu com o marido e os dois filhos. No entanto, sozinha na ilha, Ana contempla os homens no bar do hotel e todos os anos arranja um novo amante. Através das sensuais noites caribenhas repletas de salsa e boleros, homens sedutores e vigaristas, a cada agosto que passa Ana viaja mais longe para o interior do seu desejo e do medo escondido no seu coração.
LEONOR TELES, A RAINHA QUE DESAFIOU UM REINO
Planeta de Livros, 2024
Se é apreciador de romances históricos, deixe-se seduzir pela fascinante história de Leonor Teles contada por Isabel Stilwell, a jornalista que se iniciou neste tipo de literatura em 2007, com Filipa de Lencastre.
Casada, mãe de um rapaz, Leonor não se deixa ficar presa nem à vida num paço perdido, nem ao senhor de Pombeiro, seu marido. Parte para Lisboa, onde a sua beleza, inteligência e artes de sedução conquistam o coração de D. Fernando e o ódio das gentes e da nobreza que a apelidam de adúltera. O tom das críticas sobe ainda mais quando corre o rumor de que se tornou amante do Conde Andeiro. Mas Leonor tem um plano e não olhará a meios para o concretizar, nem que para isso tenha de desafiar todo um reino.
A MULHER DO CAMAROTE 10
Clube do Autor Editora, 2024Houve um crime a bordo. Mas como encontrar o assassino se ninguém acredita que o crime aconteceu? A jornalista Lo Blacklock recebe um convite irrecusável: acompanhar a primeira viagem do cruzeiro de luxo Aurora Borealis.
O serviço é exclusivo e a bordo estão vários empresários e pessoas influentes da sociedade. No entanto, a viagem ganha outros contornos para a jornalista. Certa noite, testemunha aquilo que acredita ser um crime no camarote ao lado do seu. Desesperada, denuncia o ocorrido ao responsável pela embarcação. Ninguém acredita na sua versão, pois todos os passageiros continuam no navio. Blacklock decide investigar o crime por conta própria. Colocando a carreira e a própria vida em risco, ela não vai descansar enquanto não encontrar resposta para o mistério do camarote 10.
Este é um thriller emocionante ao estilo de Agatha Christie, da autoria de Ruth Ware, uma best-seller escritora britânica deste género literário, cujos livros estão traduzidos em mais de 40 idiomas. Uma história, segundo o jornal norte-americano The Washington Post, “repleta de reviravoltas e marcada por um ambiente de tensão e confinamento. O tom é escuro e claustrofóbico e apresenta uma mulher determinada que não desiste de encontrar a vítima, mesmo que alguém a ameace”.

Premiados em 2023
NÃO HÁ PÁSSAROS AQUI
LeYa, 2023
Victor Vidal, um historiador da arte e doutor em Estudos Críticos das Artes, é brasileiro e começou a trabalhar neste romance a partir de uma ideia que teve após conhecer a casa em que Anne Frank se escondeu com a família durante a Segunda Guerra Mundial. O local instigou-o a pensar sobre traumas de infância e esconderijos.
Assim nasceu a história de Ana e o desaparecimento de Andrea na sequência de uma série de escândalos no bairro, entre os quais o suposto sequestro de uma criança. Apesar de ter jurado a si mesma que não voltaria à casa da mulher que lhe infligiu todo o tipo de violência, Ana não consegue ficar indiferente à situação e o que encontra no apartamento é bastante intrigante: lixo por toda a parte, pegadas de lama, móveis destruídos, garrafas vazias amontoadas no caixote.
Com personagens inesquecíveis e desconcertantes, Não Há Pássaros Aqui é uma reflexão madura sobre o modo como aquilo que vivemos na infância determina a nossa vida adulta e como tendemos a reproduzir comportamentos a que assistimos, mesmo quando friamente os condenamos. Num tempo em que a saúde mental é um problema à escala global, este é um romance de estreia profundamente atual que venceu o Prémio LeYa em 2023.
APARAS DOS DIAS. A ESCRITA NA PONTA DO LÁPIS
Companhia das Ilhas, 2023João Barrento, natural de Alter do Chão, é um reconhecido e prestigiado tradutor, professor universitário, ensaísta, crítico literário e autor português de diarística e crónica. Foi distinguido, o ano passado, pelo júri do Prémio Camões (atribuído por Portugal e pelo Brasil desde 1989) como autor de uma obra relevante e singular, em que avultam o ensaio e a tradução literária.
Aparas dos Dias é um ensaio, como o próprio autor define, “de leitura, de leituras, de colheitas, de respostas aos apelos de outros livros e a chamadas que sempre foram chegando, e continuam a chegar”, um livro marcado pelo ritmo dos dias “desiguais e acidentados, com altos e baixos, estradas longas e pequenos atalhos e desvios. Breves iluminações e troços de respiração mais ampla. Espelho de interesses, de obsessões, de paixões que os anos só vêm confirmar e consolidar...”.
Um livro de notas que o autor entendeu por bem “salvar” entre muitas outras que foram parar ao cesto de papeis e que foi semeando por entre mais de 250 páginas.
TODA A FERIDA É UMA BELEZA
Relógio d’Água Editores, 2023Djaimilia Pereira de Almeida (texto) e Isabel Baraona (ilustrações) lançaram-se à descoberta do mais misterioso dos mistérios, o de saber como é que uma menina se diverte. Acabaram a vencer, em 2023, o Grande Prémio de Romance e Novela atribuído pela APE (Associação Portuguesa de Escritores) em conjunto com a DGLAB (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas).
A menina desta história está possuída de uma incontável vontade de escrever e de rir, o que esbarra com a vontade da madrinha de fazer dela uma criança normal, sossegada e, se possível, mesmo sisuda. A madrinha contraria a vontade de Maria escrever, no jeito impetuoso em que ela o faz. Castiga-a muitas vezes de modo cruel, mas não consegue levá-la a desistir do desejo de escrever, mesmo quando lhe corta a mão e a menina tem de imaginar a vida que esta leva separada do seu corpo. Mas esta nunca esqueceu a mão que teve, por isso ela acabará por regressar.
Djaimilia nasceu em Luanda é doutorada em Teoria da Literatura na Universidade de Lisboa, autora de vários livros editados em diversas línguas e acumula prémios, entre eles o Prémio Oceanos 2019 e 2020. Isabel é natural de Cascais, licenciou-se em Pintura pela La Cambre (Bélgica), doutorou-se em Artes Visuais e Intermedia pela Universidade Politécnica de Valência e tem participado em diversas exposições individuais e coletivas, tanto em Portugal como no estrangeiro.
Contos, Crónicas e Cartas
COMPÊNDIO PARA DESENTERRAR NUVENS
Caminho, 2023
No universo literário de Mia Couto, em que uma coisa, um animal, por exemplo, pode ser uma pessoa, as nuvens, que com os nossos olhos vemos circulando pelo céu, podem, através da nossa imaginação, existir debaixo da terra. A ser assim, um Compêndio para Desenterrar Nuvens tem para nós a maior utilidade. Nestes 22 exercícios de imaginação, mais uma vez, o escritor moçambicano serve-nos de guia para descobrirmos o que está no que vemos com os olhos e no que a imaginação nos dá a ver. E atenção: nem sempre as duas imagens coincidem.
Os contos recolhidos nesta coletânea foram publicados mensalmente na revista Visão. O autor aproveitou esta oportunidade para introduzir pequenas alterações, que assim ficarão disponíveis na forma definitiva em livro.
Entre os prémios arrecadados por Mia Couto mais recentemente, constam, em 2011, o Prémio Eduardo Lourenço, destinado a premiar o seu forte contributo para o desenvolvimento da língua portuguesa; em 2013, o Prémio Camões e o prémio norte-americano Neustad; e em 2015 foi finalista do The Man Booker Prize.
AMORES E SAUDADES DE UM PORTUGUÊS ARRELIADO
Bertrand Editora, 2023
Miguel Esteves Cardoso é conhecido pelo seu estilo irreverente e humorístico, assim como pela sua capacidade de capturar a essência das emoções e das experiências quotidianas com uma escrita envolvente e pessoal. As suas crónicas já lhe valeram o Grande Prémio de Crónica e Dispersos da Associação Portuguesa de Escritores.
Neste livro traz-nos mais um conjunto de crónicas precisamente sobre amores, paixões e saudades que, segundo o próprio, “devem ser exatamente iguais, na intensidade e na maneira como as sentimos”. De acordo com o prefaciador Bruno Nogueira, “o Miguel descreve o que, num olhar desatento, parece que já todos descreveram. Acontece que ninguém o fez como ele. O talento de quem tem muito talento é esse: nós já nos vimos envolvidos naquela situação, já ouvimos alguém que fala daquela maneira, já sentimos aquele tipo de indignação por qualquer coisa, mas só ao lermos as palavras de quem sabe escrever muito bem, como o Miguel, é que concluímos o nosso pensamento. Como se ele viesse fechar o portão daquele assunto, para nos podermos cansar com outro.
Porque alguém conseguiu finalmente traduzir o que sempre sentimos, mas nunca conseguimos explicar. Conseguiu que a frase fosse enxuta até ser só o que se pedia dela. Esteve sempre à frente dos nossos olhos, a uma mão de distância, mas só ele é que a conseguiu agarrar, e teve a generosidade de a pôr por escrito para nos mostrar e nos inquietar. E, ao fazê-lo, teve a delicadeza de nunca querer brilhar mais do que aquilo que o pensamento tinha para dizer. Essa é a mais eficaz das armas nesse tiro ao alvo que é escrever. E é também a mais difícil”.
CARTAS DE AMOR
Tinta da China, 2023
Fernando Pessoa é considerado um dos maiores poetas e escritores da literatura portuguesa. Nascido em Lisboa, em 1888, é conhecido pela sua vasta obra literária, que inclui poesia, prosa, ensaios, entre inúmeros outros textos, mas também “cartas de amor”, que o ano passado foram publicadas numa edição revista e aumentada, garantida pela Coleção Pessoa dirigida por Jerónimo Pizarro. O objetivo não foi apenas afinar datas e leituras, mas também lembrar os objetos de amor trocados pelos namorados, para juntar poemas que acompanharam o epistolário amoroso e para incluir as cartas referentes à última paixão de Pessoa, que não terá sido Ofélia Queiroz, mas uma inglesa loira.
Clássicos intemporais
O VELHO E O MAR
Livros do Brasil, 2015
É um clássico da literatura norte-americana em que o consagrado escritor Ernest Hemingway (Prémio Nobel de Literatura de 1954) relata a aventura de Santiago, um velho pescador cubano, que durante quase três meses não conseguiu pescar um único peixe, até o seu isco ser finalmente mordido por um enorme espadarte. O peixe imponente resiste, arrasta a sua canoa cada vez mais para o alto-mar, na corrente do Golfo, e obriga a uma luta épica de alguns dias em que Santiago acabará por vencer, para logo se ver derrotado por um grupo de tubarões que lhe devora a conquista até só ficar a espinha.
Este foi o último romance de Hemingway publicado em vida, que se revelaria uma obra-prima digna do Prémio Pulitzer, em 1953, na qual o escritor, através de uma linguagem simples e descritiva, característica do seu estilo, cria uma narrativa que é ao mesmo tempo uma metáfora para a condição humana e uma homenagem à resistência e à esperança.
ORGULHO E PRECONCEITO
Relógio d’Água Editores, 2023
O livro narra a transformação na vida de uma família de classe média rural inglesa do início do século XIX, os Bennets, em particular das suas cinco filhas. A protagonista, Elizabeth Bennet, é uma jovem inteligente e espirituosa, e a história explora sua relação com o orgulhoso e reservado Mr. Darcy. O romance desenvolve-se em torno de mal-entendidos e preconceitos iniciais, que ambos os personagens têm de superar para entender os verdadeiros sentimentos um do outro. Os encontros e desencontros entre Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy vão marcando o ritmo da narrativa e o seu adiado epílogo.
Publicada pela primeira vez em 1813, esta é uma das mais célebres obras de crítica social da época da romancista britânica Jane Austen, sendo um dos títulos de leitura recomendada pelo Plano Nacional de Leitura.
UMA ABELHA NA CHUVA
Assírio & Alvim, 2022
Considerado por muitos uma das obras-primas da literatura portuguesa do século XX, este livro de Carlos Oliveira, lançado em 1953, é já um clássico intemporal do neorrealismo nacional. Narra as peripécias de Álvaro Rodrigues Silvestre, que vive um casamento falhado e estéril, gerado pela conveniência de antigos interesses familiares, na pequena aldeia de Montouro, espaço provinciano onde todas as biografias se cruzam, se intrometem umas nas outras. A história começa com uma confissão de Álvaro e com a sua vontade de a tornar pública na primeira página da Comarca — uma redenção consigo próprio. Num outono chuvoso e lamacento, as vidas dos protagonistas de uma Abelha na Chuva afundam-se num ciclo trágico de mentiras, vingança e amores frustrados, que põe a nu a estrutura social de um Portugal pobre e desamparado da época.
Se tem algum destes livros na sua estante, não perca tempo e comece a sua leitura agora mesmo, “saboreando” página a página durante o resto do verão.
Se gosta de ler online ou em eBook sugerimos-lhe “frequentar” as bibliotecas digitais que disponibilizam um acervo de livros de literatura portuguesa em domínio público (acesso livre). São exemplos o Projeto Adamastor e a Bibliotrónica Portuguesa. Na Biblioteca Nacional Digital pode consultar e ler obras antigas manuscritas e tem igualmente um conjunto de documentos de relevância cultural e linguística a descobrir na Biblioteca Digital Camões. Mais vasto, ainda, é o património da Europeana, uma biblioteca virtual desenvolvida pelos países da União Europeia, que conta com milhões de itens digitais, todos eles em domínio público, e inclui livros, jornais, pinturas, fotografias, filmes ou programas de televisão.
Democratizar o acesso à cultura é essencial para promover o conhecimento, o desenvolvimento pessoal e intelectual e a coesão social. Aproveite as férias para explorar todas estas fontes e enriquecer o seu conhecimento literário sem custos.
Lembre-se de que ler fomenta a criatividade e o pensamento crítico, além de enriquecer as nossas vidas.